quinta-feira, agosto 16, 2007

CVM QUER LEVAR MÍDIA PARA O PRIMEIRO MUNDO

A superintendente de desenvolvimento de mercado da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), Aline Santos, disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta quinta-feira, dia 16, que a proposta da CVM de regular a atividade de analista de mercado segue os modelos dos Estados Unidos e da União Européia (clique aqui para ouvir o áudio).

"Esta não é uma preocupação que nos surgiu do nada... neste momento, o mundo inteiro, várias jurisdições de mercados de capitais representativos, estão discutindo essa questão e estão tratando desse tema", disse Aline Santos.

Segundo Aline Santos, nos Estados Unidos também "se exige o registro de qualquer profissional, seja jornalista, médico, advogado ou engenheiro, que faça análise de valores mobiliários". Esses profissionais têm que ter um registro na NASD (National Association of Securities Dealers), que, segundo Aline Santos, é uma entidade auto-reguladora muito reconhecida nos Estados Unidos.

Na União Européia o tratamento é parecido. "Sempre partindo do princípio que a auto-regulação é muito mais efetiva nessa questão de tentar contornar os problemas que possam existir", disse Aline Santos.

Aline Santos disse que a proposta é que "existam normas que determinem que os fatos sejam distinguidos das interpretações e que a fonte das informações utilizadas sejam fidedignas".

Aline Santos é advogada, tem 32 anos, trabalha na CVM há três anos. Ela disse que não é a favor da censura da imprensa.

Clique aqui para ler o edital da audiência pública e o projeto de alteração da Instruição 388 da CVM

Leia a íntegra da entrevista com Aline Santos:

Paulo Henrique Amorim – A Comissão de Valores Mobiliários colocou no ar uma consulta pública para atualizar a Instrução 388 que regula a atividade de analista de mercado e aproveitou para tratar da atividade do jornalista que cobre o mercado financeiro. No press-release que a própria CVM divulgou, no capítulo que trata de jornalistas que trabalham no mercado financeiro, o texto do press-release é o seguinte: “...a minuta também propõe dar tratamento explícito à situação de jornalistas da mídia especializada que, no exercício de suas atividades, formulem comentários sobre investimentos em valores mobiliários, criando um "safe harbor" para tais profissionais. A minuta pretende estabelecer um ponto de equilíbrio entre os benefícios inegáveis que podem ser produzidos com a atuação profissional de jornalistas especializados em mercado de capitais, que se constitui em uma ferramenta de esclarecimento e democratização de informações e (três pontinhos) e a grande capacidade de influência e condicionamento que podem exercer sobre o mercado de capitais.”
Para aprofundar um pouco essa proposta eu vou conversar com Aline Santos que é superintendente de desenvolvimento de mercado da CVM. Dona Aline, a senhora vai bem?

Aline Santos – Está tudo bem, está tudo ótimo, à disposição para esclarecer as dúvidas.

Paulo Henrique Amorim – Muito bem, o que que a senhora e a CVM pretendem fazer com relação a estes jornalistas da mídia especializada que no exercício de suas atividades acabam criando um "safe harbor" para si próprio?

Aline Santos – Eu acho que o texto que está no press-release, na minha opinião, está bem claro em relação aos objetivos que a gente tem com aquela proposta. O objetivo foi justamente tentar um ponto de equilíbrio entre uma atividade que é lícita, permitida, e um exercício ilegal de uma atividade que está sujeita a registro na CVM que é a atividade de analista de valores mobiliários. Ao tentar estabelecer esse ponto de equilíbrio acho que o nosso ponto principal, a premissa da qual nós partimos, foi a premissa de que a auto-regulação, a regulação proposta pelos órgãos de classe de jornalistas, propostas pelos veículos e comunicação a qual os jornalistas estão vinculados é muito mais efetiva do que nós da CVM, muito mais próxima da realidade do jornalista ele conhece melhor as pressões e os standards da profissão e, por tanto, pode tutelar essa situação melhor do que nós. Daí a proposta da CVM de dispensar de registro junto à CVM os analistas que tenham, cujos veículos de informação tenham normas de conduta que atendam um conteúdo mínimo que nós estamos lá explicitando na proposta de alteração. Eu acho que justamente esse conteúdo mínimo é o ponto onde a gente espera mais receber contribuição, não só dos órgãos de classe, mas também dos veículos de comunicação e dos jornalistas, porque estamos abertos a ser convencidos de que este conteúdo mínimo é exagerado ou está adequado, ou ainda, convencidos de que as normas já vigentes nesses veículos de comunicação contemplam as nossas preocupações.

Paulo Henrique Amorim – Agora, a senhora podia nos dar uma idéia de quais são esses elementos do conteúdo mínimo?

Aline Santos – Sim, o que a norma hoje diz, essa proposta hoje diz... Eu estou aqui falando com o senhor e ao mesmo tempo abrindo, peço só um minuto para poder entrar...

Paulo Henrique Amorim – Eu também estou tentando abrir. Eu acessei no site da CVM...

Aline Santos - Só um minuto... É então, estou aqui nesse conteúdo mínimo. Então essas normas de conduta profissional o que a gente propõe, de novo insisto que para debate, o que seja o conteúdo mínimo que existam normas que determinem que os fatos sejam distinguidos das interpretações, estimativas ou opiniões, que as fontes das informações utilizadas sejam fidedignas e, caso exista alguma dúvida de fidedignidade, ela fique claramente indicada.

Paulo Henrique Amorim – Ou seja, essas informações chamadas informações em “off”, não é?

Aline Santos – A nossa idéia não é que essa informação que é em “off” deixe de ser em “off”, é só que a norma de conduta profissional trate a respeito da fonte dessa informação. Eu confesso ao senhor que não estou familiarizada com as regras que regem a atividade, as regras de conduta profissionais de atividade jornalística...

Paulo Henrique Amorim – Tenha a certeza de que elas não existem.

Aline Santos – Mas, acho que no mundo inteiro, acho que isso é um ponto que precisa ficar claro também, que esta não é uma preocupação que nos surgiu do nada, uma preocupação de alguém que não está talvez tratando ou tentando discutir um problema que eventualmente tivesse dissociado da realidade, não é disso que se trata. Todo mundo hoje, neste momento, o mundo inteiro, várias jurisdições cujos mercados de capitais são representativos estão discutindo essa questão e estão tratando desse tema e a forma como...

Paulo Henrique Amorim – Como é em Wall Street, dona Aline?

Aline Santos – Nos Estados Unidos também se exige o registro, obviamente, a certificação de qualquer profissional, não interessa que seja jornalista, advogado, engenheiro que faça indevidamente análise de valores mobiliários, eles também tem um registro para a análise de valores mobiliários lá.

Paulo Henrique Amorim – Que ótimo! Tem que ter um registro da SEC?

Aline Santos – O que a SEC faz é exigir uma certificação, na verdade, não é bem um registro, é uma certificação e delegar grande parte do seu poder de registrar para uma entidade auto-reguladora específica que tem sido, no caso dos Estados Unidos, a NASD, é uma entidade que...

Paulo Henrique Amorim – É NASD de?

Aline Santos - National Association of Securities Dealers, é uma entidade auto-reguladora muito respeitada, muito reconhecida nos Estados Unidos e que registra esses profissionais. A exigência da SEC, a regra da SEC é toda voltada a que esses profissionais atendam às normas da NASD, e como eu acabei de dizer, a NASD exige o registro e exige também que esses profissionais sejam certificados, existe uma indústria ampla de certificações nos Estados Unidos a partir daí. Na União Européia o tratamento é mais ou menos o mesmo, sempre partindo do princípio de que a auto-regulação é muito mais efetiva nessa questão e tentar contornar os problemas que podem existir do que a regulação...

Paulo Henrique Amorim – Entendi. Entendi perfeitamente. Dona Aline, uma pergunta, a senhora é a favor da censura à imprensa?

Aline Santos – Não, de jeito nenhum. Eu cresci numa geração que viveu sob a censura.

Paulo Henrique Amorim – Posso saber sua idade?

Aline Santos – Trinta e dois.

Paulo Henrique Amorim – Qual é a sua formação profissional?

Aline Santos – Eu sou advogada.

Paulo Henrique Amorim – A senhora chegou na CVM agora ou está há muito tempo na CVM?

Aline Santos – Não, eu cheguei há três anos e pouco, não é tanto tempo, mas também não é muito tempo.

Paulo Henrique Amorim – Ok, então está ótimo. Dona Aline, foi um grande prazer falar com a senhora.

Aline Santos – O prazer foi meu, muito obrigada.

Paulo Henrique Amorim – Prepare-se porque vem chumbo contra a senhora.

Aline Santos – A gente tem que começar a discutir. O importante é que a mensagem seja passada e que a gente precisa partir de algum ponto, o nosso ponto é para ser debatido publicamente e acho que é do interesse de todos que a gente tenha um mercado de capitais melhorando cada vez mais, empresas cada vez melhores e todo mundo está querendo subir de nível e essa discussão era inevitável em algum momento. Obrigada.

Paulo Henrique Amorim – Muito obrigado, Dona Aline.

Aline Santos – Boa tarde.

Paulo Henrique Amorim – Tchau.

Aline Santos – Tchau.

A bomba e o banheiro

José Luís Fiori A bomba e o banheiro


A maioria dos analistas econômicos internacionais acredita que a explosão da "bolha imobiliária", nos EUA, não se transformará numa crise sistêmica. Mas existe uma outra maneira de olhar para estes acontecimentos, quando se sabe que por trás de todo título ou hipoteca, existe uma dívida e uma moeda, e que a as moedas não são apenas um meio de pagamento ou de troca do mercado. A análise é de José Luís Fiori.


"Tudo quanto vemos esconde alguma coisa” - René Magritte


Segundo a maioria dos analistas econômicos internacionais, a explosão da “bolha imobiliária” americana não se transformará numa crise sistêmica. Será limitada, e atingirá apenas a credibilidade dos títulos e dos fundos de segunda linha, inchados pelo excesso de crédito, e pela exuberância especulativa dos investidores imobiliários americanos. Além disto, os Bancos Centrais da Europa, Estados Unidos, Japão e Canadá reagiram de forma rápida e coordenada, e fizeram intervenções superiores às do 12 de setembro de 2001. E o que é mais importante, a explosão da bolha já era esperada faz muito tempo, e aconteceu num momento extraordinário da economia mundial, com uma previsão de crescimento do seu PIB, de mais de 5%, e do seu comércio, de cerca de 10%, ainda em 2007.


Até o momento, não existem grandes bancos na linha de tiro, e quase todos as economias emergentes parecem a salvo, resguardadas por suas reservas acumuladas no período recente de crescimento global. Por fim, o Banco Central da China, e o próprio Banco da Inglaterra, não participaram da operação conjunta de injeção de recursos nos mercados ressecados, caracterizando uma situação de estresse concentrado no eixo Euro-Dólar, onde chama atenção o papel decisivo que vem sendo cumprido pela Alemanha, como emprestador em última instância. Assim mesmo, do ponto de vista estritamente financeiro e bursátil, segundo estes analistas, a nova crise se restringiriria à uma turbulência passageira, de ajuste de mercados que perderam o sentido do risco.


Mas existe uma outra maneira de olhar para estes mesmos acontecimentos, quando se sabe que por trás de todo título ou hipoteca, existe uma dívida e uma moeda, e que a as moedas não são apenas um meio de pagamento ou de troca do mercado. E menos ainda, no caso das moedas de referencia dos Sistemas Monetários Internacionais, como a Libra, o Dólar, ou o Euro. Na verdade, as moedas nacionais são uma criação, e uma imposição soberana do poder dos estados modernos. E as moedas internacionais, seguem sendo moedas nacionais, que lograram se impor fora das suas fronteiras junto com o poder dos seus estados e dos seus capitais privados. Neste sentido, todos as moedas internacionais vitoriosas, ademais do seu papel básico, cumprem a função de “fronteira” do território político-econômico supranacional dos seus estados.


Como conseqüência, se pode falar da existência de uma hierarquia de moedas que corresponde mais ou menos à hierarquia de poder dos seus estados emissores e dos seus capitais de investimento. E também se pode dizer que as moedas são um instrumento de poder na luta entre as nações, pela supremacia mundial. Por isto, seu grau de aceitação externa, é sempre um bom índice do poder internacional acumulado pelo seu estado emissor. E por isso também, os sistemas monetários internacionais, podem ser lidos como um retrato bastante fiel da correlação de forças existente, num determinado momento, entre as grandes potências. Foi assim, no caso do “padrão ouro-libra”, e no caso do “sistema dólar-ouro” de Bretton Woods. E segue sendo assim, no sistema monetário internacional “dólar-flexível”, que se consolidou depois do fim da Guerra Fria, com base apenas, na “credibilidade” do poder americano.


Deste ponto de vista, a crise financeira dos últimos dias pode ter uma dimensão menos visível à primeira vista, e menos relevante para os especuladores, mas de efeitos mais prolongados. Senão vejamos: durante a década de 90, no auge da globalização financeira, o dólar se transformou numa moeda internacional quase global ou imperial. Mas desde 2003, o poder americano vive um verdadeiro pesadelo, depois do seu fracasso no Oriente Médio. De uma só vez, os Estados Unidos ficaram sem um projeto estratégico para o Oriente Médio, e sem capacidade de impor sua vontade –unilateralmente - em outros pontos conflitivos, do cenário internacional. O mundo convive hoje sem a liderança dos Estados Unidos, e já absorveu a idéia de mais um ano de imobilismo do governo Bush.


Deste ponto de vista, a grande novidade dos últimos dias, foi a descoberta de que uma possível vitória democrata, nas eleições de 2008, não mudará a agressividade e o belicismo da Administração Republicana, e aumentará o protecionismo econômico, com relação à Administração Bush. Talvez por isto mesmo, se multiplicam por todos lados, neste momento, as forças e os países que colocam sobre a mesa, de forma cada vez mais explícita, suas reivindicações expansionistas. No mesmo dia da crise da bolha imobiliária, a aviação russa sobrevoou a base militar americana de Guam, no Pacífico, pela primeira vez desde o fim da Guerra Fria. E na mesma semana, colocou uma bandeira russa de titânio no leito do mar do Ártico, num gesto simbólico de disputa territorial, energética e militar, com o Canadá, Noruega, Dinamarca e Estados Unidos. Quase na mesma hora em que anunciava sua decisão de reiniciar a corrida armamentista com os Estados Unidos, a China, a Grã Bretanha e a França, e de forma menos explícita, com a Alemanha e o Japão. Esta mesma disputa territorial e competição energética e militar, se repete neste momento, na Ásia Central, no Sudeste Asiático e na África, e mesmo na América Latina. Numa linha de deterioro das relações internacionais, que passa pela crise das instituições multilaterais, e pela competição e pela militarização cada vez mais rápida dos territórios, mares e espaços. Por isto, não seria de estranhar que esta competição já estivesse alcançando o mundo das moedas internacionais.


Alguém já disse alguma vez, que toda crise monetária esconde sempre uma disputa entre várias moedas com pretensões internacionalizantes, e que estas lutas monetárias, por sua vez, escondem sempre o aumento da tensão entre seus poderes emissores. Para os economistas de jornal e de banco, estes fatos não têm maior importância, e não devem alterar suas análises e investimentos. Mas, para os governos e os economistas que pensam no longo prazo, seria bom que prestassem atenção nos desdobramentos geopolíticos da conjuntura atual, para não serem surpreendidos, como no célebre caso do cidadão que estava no banheiro, na hora da bomba atômica norte-americana, e atribuiu a explosão e a bolha sobre Hiroshima, à válvula sanitária que acabara de utilizar.


José Luís Fiori, cientista político, é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

De crise em crise

Paulo Nogueira Batista Jr De crise em crise


As atenções estão voltadas para as turbulências internacionais. O foco da crise está no mercado de hipotecas de alto risco dos EUA, mas ela já se propagou para outros segmentos do mercado financeiro e para outros países. Como não poderia deixar de ser, os mercados brasileiros sentiram o impacto das ondas de instabilidade externa.


Trata-se de mais uma turbulência passageira, como a que tivemos em fevereiro? Ou será que estamos diante do início do fim da fase de bonança financeira e econômica? Ninguém sabe ao certo. Os mercados financeiros sofisticaram-se enormemente e se tornaram mais opacos. A verdadeira extensão dos riscos é desconhecida. Mas há indicações de que o atual episódio de instabilidade é mais grave do que os anteriores. O fluxo de más notícias é praticamente contínuo. Os principais bancos centrais do mundo foram levados a intervir pesadamente, com maciças injeções de recursos, na tentativa de conter o pânico.


Uma certa angústia é inevitável. A pergunta que muitos fazem é a seguinte: teremos uma repetição das crises da década de 90, com graves efeitos no Brasil?


Por um lado, a situação atual é mais preocupante. Nos anos 90, as crises tinham origem na periferia do sistema internacional (México, Leste da Ásia, Rússia etc.). Agora, o epicentro está na maior economia do mundo, que exibe sinais de fragilidade e depende muito de capitais estrangeiros. O déficit em conta corrente do balanço de pagamentos dos EUA cresceu significativamente nos últimos anos, estabilizando-se em torno de 6% do PIB desde 2005.


Por outro lado, é inegável que a posição brasileira é mais sólida hoje do que era na década de 90 ou no início da década atual. O Brasil aproveitou a bonança dos últimos cinco anos para reduzir consideravelmente a sua vulnerabilidade externa, um problema que nos perseguia há muito tempo. Cheguei a publicar nesta coluna, em 2003, um artigo intitulado: "Vulnerabilidade e(x)terna?".


Desde então, os nossos indicadores melhoraram muito -bem mais do que eu esperava. A balança comercial registrou megassuperávits. De 2003 a 2006, tivemos superávit no balanço de pagamentos em transações correntes. Em 2007, teremos provavelmente outro superávit. Cinco anos consecutivos de saldo em conta corrente é um resultado talvez inédito na história brasileira.


Nossas reservas internacionais cresceram de forma expressiva, alcançando quase US$ 160 bilhões. A situação fiscal está razoavelmente arrumada. A inflação foi controlada. A economia brasileira começa a crescer a taxas mais adequadas.


Em resumo, a economia está bem mais preparada para enfrentar choques externos. Não é invulnerável, claro. Temos pontos fracos. O maior deles talvez seja a existência de uma dívida pública interna de prazo curto e ativos financeiros domésticos de grande liquidez. Como a conta de capitais é bastante aberta, um agravamento dramático da situação internacional poderia desencadear uma fuga de capitais. A troca de ativos em reais por moeda estrangeira pressionaria a taxa de câmbio e/ou as reservas internacionais do país.


Estamos longe disso, mas não podemos ser complacentes. O Brasil pagou, nas últimas três décadas, um preço alto demais por subestimar os riscos associados a turbulências internacionais.


P.S.: Há um lado positivo na turbulência recente. A moeda brasileira voltou a se depreciar, depois de um longo período de apreciação excessiva. Foi preciso que o mundo financeiro viesse abaixo, para que o dólar reagisse um pouco aqui no Brasil.


Artigo publicado na edição desta quinta-feira (16) da Folha de S.Paulo.

terça-feira, agosto 14, 2007

Em busca da política

Existem textos merecedores de leitura constante. Alguns deles se destacam pelo conteúdo contemporâneo, como o que segue:
Estamos reunidos no interior de uma nação que está à beira da ruína moral, política e material. A corrupção domina as eleições, as legislaturas, o congresso, e toca inclusive na pureza da magistratura. A gente se encontra desmoralizada.

Este o preâmbulo de uma longa plataforma política. Não foi produzido por brasileiros aflitos. Por nenhuma ONG. Sequer órgão de classe assume sua paternidade.

Características de desespero moral, as duras palavras não foram elaboradas por aqui. Apesar da atualidade nacional apontar mazelas idênticas às retratadas no documento parcialmente transcrito.

Trata-se de uma explosão cívica ocorrida no ano de 1892. Longe daqui. Lá na cidade de Saint Louis, nos Estados Unidos da América. Nascia o Partido do Povo, de breve duração no cenário político daquele país.

Os temas então abordados coincidem com as atuais preocupações nativas. A democratização monetária. A redistribuição da terra. A melhoria dos serviços de transportes. O bom emprego dos impostos. A nacionalização das estradas de ferro.

O Partido do Povo formou-se com o apoio dos produtores rurais. Queriam o rompimento do oligopólio exercido pelos dois partidos dominantes: os democratas e os republicanos.

A lembrança destes fatos parece oportuna. O Brasil de hoje se assemelha, em muitos aspectos, com a vida americana do Século XIX. Então, aquele país começava a desenvolver meios capitalistas de produção.

Aqui, tardiamente, o capitalismo passa a tomar configuração. Cessaram as costumeiras críticas elaboradas pela direita e pela esquerda. Ambas na busca de preservar privilégios específicos de segmentos sociais definidos.

Vale registrar mais. Os Estados Unidos venceram obstáculos, progredindo sempre, por um único e saudável motivo. Jamais os americanos abandonaram a democracia representativa e, particularmente, a liberdade de expressão.

Atuaram em oposição ao processo desenvolvido nesta América meridional. Aqui, as crises não merecem debates. Clama-se logo pela queda dos governantes. De pronto, soa a ordem de plantão permanente: Fora!

Um imediatismo pouco salutar. Pior ainda. Deforma as instituições. Fere a imagem dos mandatos eletivos. Nada constrói. Resulta apenas agressão aos princípios democráticos.

O que nos falta para chegar lá, ou seja, ao ponto dos Estados Unidos de hoje? A efetiva participação política. A defesa de princípios. O engajamento permanente com ideais e programas definidos pelos partidos.

Os partidos registram fragilidade moral? Deve existir exceção. Procure-se o mais conforme com a própria maneira de pensar de cada um. Acompanhe a trajetória dos eleitos. Comunique-se com os parlamentares. Mostre apoio ou desconformidade com suas atitudes. Proteste.

Explosões circunstancias de vontade não conduzem a nada. Apenas o burburinho momentâneo. Noticiário de jornais. Eventuais imagens na televisão. Depois, o vazio. O esquecimento.

Falta na vida política nacional a boa continuidade. Predomina o tudo já. O agora. Uma comunidade se forma ao longo do tempo. Necessita de organismos partidários duradouros. Lideranças construídas nos embates da vida pública.

Muitos presidentes da República construíram-se artificialmente. Produtos dos meios televisivos. Ocuparam vazios advindos do vácuo produzido pelo regime militar.

Agora é momento de se pensar adulto. Exercitar ações políticas efetivas. Apoiar novas lideranças advindas dos combates eleitorais. Utilizar a internet como meio de protesto. De formulação de novas idéias.

Existem motivos para confiar. A democracia se consolidou. A sociedade rural transformou-se em urbana. Nas cidades, apesar das aparências em contrário, a evolução cívica acelera-se.

Nos espaços urbanos, geram-se ativos pólos de distribuição de conhecimento. Amplia-se a intensidade e rapidez das mudanças sociais. Com duzentos anos de diferença, atinge-se, enfim, por aqui, um razoável grau de democracia. Basta um pouco de esforço e uma cotidiana ação cívica. Vai dar certo.

Explosões grupais de desespero não contêm efetividade. São superficiais. Passam. O importante é ir em da busca da política, como ação coletiva. Nesta atitude cidadã, os partidos políticos mostram-se indispensáveis. Filie-se a um deles.




Cláudio Lembo é advogado e professor universitário. Foi vice-governador do Estado de São Paulo de 2003 a março de 2006, quando assumiu como governador.

SCHEINKMAN GOSTA DO GRANMA

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 613



Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil.





. O meu amigo José Alexandre Scheinkman, um dos mais notáveis economistas brasileiros e colunista da Folha de S. Paulo, fez uma interessante analise da mídia conservadora (e golpista !) – o ponto de exclamação é dele -, de alguns blogueiros, de “extremistas brasileiros”, e alguns “defensores mais radicais do presidente Lula”.

(Leia na Folha, pág. B12, de domingo, dia, 12 de agosto de 2007.)

. Para Scheinkman, esses estranhos personagens têm a pretensão anti-capitalista de ler jornais em que o noticiário – ao contrário dos editoriais e colunas – fosse imparcial.

. A separação entre “Church and State”, entre editoriais e informação, como existe nas melhores casas do ramo, na Europa e nos Estados Unidos, é uma agressão ao espírito do “mercado”, informa-nos Scheinkman.

. Scheinkman sustenta seu argumento num paper de Matthew Gentzkow e Jesse M. Shapiro, da Universidade de Chicago (onde Scheinkman foi um dos mais respeitados professores), cuja última versão é de novembro de 2006.

. O estudo, no Brasil, não é lá essas novidades.

. Aqui, no Conversa Afiada mesmo, já tratamos dele, ao tentar explicar por que a mídia americana (e brasileira) foi para a direita (clique aqui para ler).

. O estudo de Gentzkow e Shapiro procura provar que os jornais diários americanos distorcem o noticiário, porque é o que os leitores querem – e não os donos de jornais.

. Logo, os jornais (como os dentifrícios) se regulam apenas pelas leis do mercado – acompanhar o gosto dos leitores – e não pelo que pensam seus proprietários – e muito menos por Tocqueville !

. A idéia de que os jornais deveriam ser instrumentos da democracia – pobre Tocqueville ! -, e oferecer aos leitores a informação mais objetiva possível, para que eles, leitores, formassem suas opiniões e fizessem, livremente, suas escolhas – isso foi para o beleléu.

. Algumas questões preliminares, porém.

. As empresas que editam diários nos Estados Unidos não são muito parecidas com as brasileiras.

. Nos Estados Unidos, muitos jornais diários pertencem a grandes grupos empresariais de múltiplos interesses e não a poucas famílias de um negocio só – como aqui.

. Nos Estados Unidos, há uma imprensa diária regional muito mais importante do que aqui.

. Nos Estados Unidos, não há a concentração na mídia que existe no Brasil.

. E mesmo nos Estados Unidos, onde o papel dos donos de jornal – segundo Scheinkman, Gentzkow e Shapiro – é irrelevante na “inclinação” (“slant”) do noticiário, quando o maior empresário de mídia do mundo foi comprar o melhor jornal impresso dos Estados Unidos, o que aconteceu ?

. A família Bancroft, proprietária do Wall Street Journal, exigiu que Murdoch se submetesse a um Conselho Editorial.

. E Murdoch teve que se submeter, mais ainda, à imposição dos EDITORIALISTAS, aos redatores da OPINIÃO do Journal: Murdoch não vai poder determinar a linha dos editoriais nem escolher os colunistas !!!

. Se levarmos em consideração que o Wall Street Journal é um jornal de opinião conservadora, que seus leitores são conservadores, e que Murdoch é o Mullah do conservadorismo na mídia mundial – como é que fica a tese dos nossos amigos Scheinkman, Gentozkow e Shapiro ?

. Por que cargas d’água a família Bancroft e os editorialistas do Journal precisariam amarrar uma coleira no pescoço de Murdoch ?

. Aqui no Brasil, caríssimo Scheinkman, os jornais diários são a expressão impressa dos desígnios e idiossincrasias de três famílias: Marinho, Mesquita e Frias.

. (A Veja entra num outro capitulo, como braço do Fascio brasileiro.)

. Além de reproduzirem cada vez mais o que supõem ser a aspiração de seus leitores, os jornais expressam, cada vez mais, com veemência, o que os seus proprietários gostariam que acontecesse no Brasil.

. Ou seja, gostariam de abreviar ou implodir o Governo Lula.

. Caro Scheinkman, enquanto, em Chicago, você se beneficiava do raro prazer de ler o Trib, o New York Times e o Wall Street Journal, nós, aqui, especialmente em São Paulo, temos que ler jornais de qualidade infinitamente inferior e completamente “slanted”.

. Um membro notável da família Mesquita foi discutir, em 1964, a formação do Ministério com o líder militar que depôs o presidente constitucionalmente eleito.

. As camionetes da Folha, onde você, quinzenalmente, nos brinda com seu brilho, serviam à Oban, durante o período mais negro dos “anos militares”.

. E a família Marinho trabalha para derrubar – por qualquer meio – os governos trabalhistas, desde Vargas.

. Scheinkman, meu caro, aqui todos são o Citizen Kane: “Give me the facts, I’ll give you a war !”

. E não é à toa que os jornais brasileiros e americanos – por causa desse “slant” - caminham inexoravelmente para o buraco...

. O raciocínio de Gentzkow e Shapiro pode levar a conclusões esdrúxulas.

. Por exemplo, a Folha de S. Paulo, ao descobrir que Geraldo Alckmin é o candidato a prefeito da preferência de seus leitores, só cobrir a campanha do Alckmin.

(Isso jamais acontecerá, porque a Folha morre de amores por José Serra – um dos mais notáveis economistas brasileiros, como sabe Scheinkman – e o candidato de Serra está em quarto lugar na pesquisa.)

. A Folha de S. Paulo, por exemplo, não precisaria dar a menor bola para Corinthians, Palmeiras e Santos, porque a maioria de seus leitores torce pelo São Paulo.

. Se for assim, meu caro Scheinkman, vou começar a desconfiar que você, Gentzkow e Shapiro acham o Granma uma beleza: não é esse o Granma que os seus leitores querem – independente do que Fidel achar ?

(Em tempo: acatarei a sua sugestão: daqui para frente, só pretendo me referir à mídia conservadora (e golpista !) com o ponto de exclamação !)

segunda-feira, agosto 13, 2007

Mercados nervosos, analistas neuróticos

Segunda, 13 de agosto de 2007, 11h21


Luiz Gonzaga Belluzzo






As alterações ocorridas ao longo das três últimas décadas na estrutura da riqueza capitalista e na operação dos mercados financeiros tornaram mais complexa a trajetória das economias e mais contraditória a gestão dos Bancos Centrais. O maior peso da riqueza financeira na riqueza total foi acompanhado pela concentração crescente da massa de ativos mobiliários sob controle "coletivista" dos fundos mútuos, fundos de pensão e fundos de hedge. Os administradores desses fundos ganharam poder na definição de estratégias de utilização da "poupança" e do crédito. A abertura das contas de capital suscitou a disseminação dos regimes de taxas flutuantes e o crescimento dos instrumentos de hedge, diante da volatilidade das taxas de juros e câmbio. A "securitização" dos empréstimos bancários e o uso intenso dos derivativos ampliaram, para o bem e para o mal, o papel das flutuações da liquidez no desempenho dos mercados financeiros. As agências de classificação de risco passam a se envolver com os "classificados", prestando serviços de aconselhamento e propaganda, ao mesmo tempo em que pretendem exercer o papel de tribunais com legitimidade para julgar a qualidade dos ativos.
Na década dos 80, a ampliação dos mercados de capitais, ao estimular a colocação direta de papéis de dívida, capturou as empresas mais fortes e mais bem reputadas, deixando para os bancos a clientela de maior risco, empresas mais frágeis e consumidores insaciáveis. Esses mercados teriam a virtude de combinar as vantagens da melhor circulação das informações, da redução dos custos de transação e da distribuição mais racional do risco.

Nos anos 90, para enfrentar a parada dura, os bancos foram à luta: reivindicaram e conseguiram se transformar num supermercado financeiro, terminando a separação das funções entre os bancos comerciais, de investimento e instituições encarregadas do crédito hipotecário, imposta pelo Glass-Steagall Act na crise bancária dos anos 30. Buscaram escapar das regras prudenciais, promovendo a securitização dos créditos. Tangidos pelas forças da concorrência, deram início a um intenso e ainda não encerrado processo de concentração bancária e de expansão internacional.

Apesar de todos os avanços nas técnicas de gestão do risco e do maior rigor imposto pelas regras da Basiléia, o ímpeto da concorrência levou o sistema bancário internacional à incessante violação de todas as normas e à velha e fatal combinação entre euforia, má avaliação dos créditos, concentração setorial de ativos e super-alavancagem. As relações promíscuas e perigosas entre os bancos e os fundos de hedge revelam que as regras da Basiléia foram contornadas facilmente. A enorme concentração nos ativos baseados em créditos hipotecários revela que diversificação do risco é um conto do Barão de Munchausen.

Diga-se que o establishment financeiro americano jamais se conformou com a regulamentação imposta aos bancos e demais instituições não-bancárias pelo Glass-Steagall Act no início dos anos 30. Foi também grande a resistência dos negócios do dinheiro às propostas de Keynes e de Dexter White para a adoção de controles sobre os movimentos de capitais nas reformas do sistema monetário internacional do pós-guerra. Ainda assim, nos sistemas monetários e financeiros constituídos depois da Segunda Guerra mundial, o clima favorável à manutenção do pleno-emprego e às políticas de desenvolvimento permitiu que o pêndulo se inclinasse, durante um bom tempo, para a presença importante dos bancos públicos, para o controle e direcionamento do crédito, bem como para a regulamentação e separação entre as instituições financeiras, com o propósito de impedir o envolvimento dos bancos comerciais com o financiamento de posições especulativas nas bolsas e nos mercados imobiliários.

As turbulências que atormentaram os mercados na semana passada fizeram retornar à pauta do debate econômico o papel dos "fundamentos" na eclosão das crises financeiras. Os economistas do "mercado" invocam os fundamentos quando os surtos especulativos ameaçam sair fora do controle, assim como minha avó materna recorria a Santa Bárbara quando desabavam as tempestades. Devo registrar que Santa Bárbara cumpriu seu papel: enquanto dona Hermelinda rezava, raios e trovões estouravam bem longe da casa. Já os ditos "fundamentos" estão devendo.

O saber convencional proclama outra vulgaridade, decorrente da anterior. Proclama que o crescimento continua sólido e que, portanto, a crise financeira não passa de um episódio temporário. Os estudiosos mais respeitados dos ciclos econômicos sustentam que no capitalismo as crises são produzidas pelo crescimento. Não há notícia de crises permanentes, nem de expansões exuberantes intermináveis. Mas a duração das fases dos ciclos econômicos - tanto as de expansão quanto as de ajustamento - pode ser bastante longa.

A crise japonesa do início dos anos 90 durou praticamente dez anos. A longa purgação não deve ser atribuída apenas à inabilidade dos policy markers. Resultou, sobretudo, dos excessos cometidos durante o período de euforia na bolsa de valores e nos mercados imobiliários.

Nas últimas semanas, analistas e palpiteiros de todos os matizes e tendências invocaram os estudos economista americano Hyman Minsky sobre o ciclo financeiro. Considerado um heterodoxo, o keynesiano Minsky formulou hipóteses sobre a formação de preços de ativos nas economias monetárias em que a liquidez pode, a qualquer momento, se tornar restrita.

A liquidez não é uma propriedade intrínseca de qualquer ativo particular, mas é gerada pela dinâmica competitiva numa economia monetária. Tomadas em condições de incerteza, as decisões privadas não conseguem escapar da compulsão de ganhar a dianteira e bater o concorrente. Trata-se, portanto, de um fenômeno sistêmico, no sentido de que é resultado de um ambiente em que as decisões estratégicas dos protagonistas são miméticas. Estão precariamente apoiadas em expectativas a respeito das expectativas dos demais.

As expectativas de valorização de ativos cuja oferta é relativamente rígida, provoca, de fato, uma "explosão" de preços cuja continuidade é sustentada pela expansão e concentração do crédito na busca desaçaimada dos ativos de maior valorização esperada. A confirmação dos ganhos de capital antecipados reforça a febre especulativa e estimula as famílias, as empresas, os bancos e demais intermediários, com posições próprias, a aumentar o seu grau de "alavancagem" nos mercados de ativos - financeiros instrumentais e imobiliários - favorecendo a progressão do surto "inflacionário".

Nesse clima, é inevitável o rebaixamento dos critérios de concessão de crédito. Os bancos e demais intermediários financeiros, na medida em que as projeções otimistas se confirmavam, lançaram-se à cata de novos clientes. Passaram a inchar suas carteiras de ativos com dívidas de empreendimentos mais arriscados, cuja recuperação estará seriamente ameaçada.

Depois da Grande Depressão dos anos 30 do século passado, as políticas monetárias e fiscais anti-cíclicas inspiradas no keynesianismo cumpriram o que prometiam, ou seja, sustar a recorrência de crises de deflação de ativos e de "desvalorização do capital". A reiteração de intervenções de última instância dos bancos centrais e a geração de déficits fiscais - ao aumentar a dívida pública de "boa qualidade" - impediram a desvalorização da riqueza já existente e ampliaram o peso dos ativos financeiros na riqueza total.

Constitui-se uma nova agenda de convenções antitética àquela que imperou entre o final do século XIX e a Grande Depressão. Criou-se, na verdade, uma situação de "moral hazard" permanente: seja qual for a intensidade do porre de otimismo, os bancos centrais vão interferir para curar a ressaca. Os mercados cultivam a percepção de que as perdas devem ser limitadas.

Assim, as ações de estabilização do Estado Keynesiano favoreceram avanço do processo de "securitização" e de desregulamentação dos mercados. As técnicas de securitização de créditos bancários, o uso de derivativos e a intensa informatização dos mercados permitiram ampliar o volume de transações. Essas massas de capital líquido estão concentradas sob o comando de grandes investidores institucionais. São fundos de pensão, fundos mútuos e - o último rebento da finança moderna - os fundos de hedge que, operando em várias praças financeiras, usam intensamente o crédito bancário para "alavancar" posições em ativos.

Os episódios de euforia global e liquidez excessiva terminariam em "crashes" espetaculares não fossem as intervenções de última instância dos bancos centrais mais poderosos no centro do sistema monetário internacional.

Até agora as políticas monetárias e os arranjos cambiais têm conseguido promover a "fuga para frente" no afã de manter sob controle os Mercados da Riqueza e, ao mesmo tempo, sustentar as taxas de crescimento da economia global.

Nos últimos anos, houve redução da volatilidade nos preços dos ativos e das moedas e maior liquidez para os mercados, ensejando um elevado grau de "alavancagem" das posições assumidas por todos os protagonistas do mercado, desde os consumidores até os hedge funds. Quando os agentes são surpreendidos por movimentos bruscos e não antecipados de preços, as perdas estimadas obrigam à liquidação de posições para cobertura de margem, ampliando desmesuradamente os riscos de mercado, de crédito e de liquidez.

A expectativa de uma queda dos preços dos ativos subjacentes geralmente dá origem a um forte desequilíbrio entre posições compradas e vendidas, o que espreme a liquidez dos mercados. Os bancos, se envolvidos no financiamento de posições nos mercados de "securities", são obrigados a contrair o crédito. Esse movimento defensivo agrava a crise de liquidez, atingindo o conjunto da economia, inclusive as empresas e os setores que apresentam balanços saudáveis e baixa alavancagem.

Desencadeia-se a crise de pagamentos. Operando num regime de reservas fracionárias, os bancos comerciais desfrutam de uma condição peculiar em relação ao demais intermediários financeiros: a prerrogativa de criar moeda e, assim, multiplicar depósitos, isto é, passivos bancários que se convertem em meios de pagamento. Estes depósitos são, portanto, dinheiro e podem ser movimentados por seus titulares com o propósito de adquirir bens e serviços ou pagar compromissos.

A rede de pagamentos formada pelo sistema bancário é crucial para o funcionamento adequado dos mercados financeiros. Ela se constitui na infra-estrutura que facilita o "clearing" e a liquidação de operações entre os protagonistas da economia monetária. Dificuldades nessas instituições, que estão na base do sistema de provimento de liquidez e de pagamentos, se transformam inevitavelmente em dificuldades para o conjunto da economia. Na ausência de socorro tempestivo oferecido por um emprestador de última instância a propagação do pânico leva inexoravelmente à contração do crédito, à ruptura do sistema de pagamentos e à corrida bancária. As autoridades monetárias, representando o interesse coletivo, não podem deixar que prosperem e se aprofundem o processo de contágio, a deflação de ativos e a contração do crédito. É necessário que os bancos centrais estejam dispostos, nestas circunstâncias, a prover abundante liquidez para os mercados em crise.

O trauma num destes mercados tem enorme potencial de contaminação, provocando, em geral, fugas para moedas e ativos considerados de melhor reputação e qualidade. A crise de liquidez rebate pesadamente sobre a solvência dos emissores de ativos de maior risco. Os bancos, financiadores "finais" de posições nestes ativos depreciados, terão que digerir as perdas e, para tanto, vão tentar recompor seus níveis de capitalização e de liquidez, restringindo a oferta de crédito para outros agentes, inclusive aqueles mais bem situados no ranking de avaliação de riscos. Exemplo disso foi a espetacular subida de 400 a 1.000 pontos básicos, nos spreads cobrados às empresas americanas, após os episódios da Rússia, do ataque ao Brasil e da quebra do LTCM.

O hedge fund americano havia apostado, com elevada alavancagem, numa convergência de preços entre papéis de países emergentes e os títulos do Tesouro americano. A crise russa contrariou as previsões dos sabichões: os spreads se ampliaram. Foi pronta a intervenção do Federal Reserve. A atuação do Fed buscou evitar que uma situação marcada pela emergência de risco sistêmico culminasse na eclosão de uma crise sistêmica.

Há dúvidas quanto à natureza da crise atual. Os especialistas divergem: liquidez ou insolvência? O Federal Reserve, o Banco Central Europeu e o Banco do Japão injetaram rapidamente dinheiro no mercado interbancário com o propósito de estancar a contração da liquidez.

No entanto, o desfecho das manobras dos bancos centrais está condicionado às alterações no "estado de expectativas" dos possuidores de riqueza. Keynes no Treatise on Money considerava fundamental para o sucesso da política monetária a divisão de opiniões entre altistas e baixistas. Na Teoria Geral esse fenômeno encontrou uma definição mais precisa no conceito de preferência pela liquidez.

Isto significa que, quando a opinião dos mercados está equilibradamente dividida entre os que apostam na elevação dos preços dos títulos e os que acreditam na sua queda, os mercados funcionam suavemente e não ocorrem alterações capazes de perturbar a trajetória da economia. Se, ao contrário, as opiniões se concentram numa só direção, a ação do banco central tem grande chance de fracassar. Na fase eufórica do ciclo de crédito, as opiniões se concentram na ala "otimista", os bulls comandam a manada. Uma vez deflagrada a "reversão de expectativas", as opiniões do mercado tendem a se concentrar em torno de uma posição "baixista". Nessa situação, a tentativa de injetar a liquidez nos mercados interbancários pode não funcionar. Se o grau de desconfiança e de pessimismo for elevado, os mercados reagirão negativamente. A descrença dará curso à queda de preços dos ativos e, certamente, provocará uma forte contração do crédito.




Luiz Gonzaga Belluzzo é professor titular aposentado da Unicamp, consultor editorial da revista Carta Capital e vencedor do prêmio Juca Pato em 2005.
Terra Magazine

Sobre as agências reguladoras

A primeira "agência reguladora" surgiu nos Estados Unidos, em 1877 (Interstate Commerce Commission), a fim de arbitrar o conflito entre as estradas de ferro privadas e os proprietários rurais que delas dependiam. Tratava-se do velho problema das tarifas, que os donos das ferrovias impunham, no exercício de abusivo cartel, e eram escorchantes. A pressão dos agricultores e pecuaristas levou o Congresso a instituir a Comissão, como órgão assessor do Poder Legislativo, a que se submetia. As outras agências que vieram a ser criadas obtiveram sempre mais autonomia, e, durante o New Deal, se tornaram fortes instrumentos do Poder Executivo, para fazer eficazes as leis de reconstrução industrial de Roosevelt. Uma delas foi o Fed, criado em 1913.



Já no Brasil, as agências reguladoras foram criadas durante o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso atendendo a orientações ditadas pelo Fundo Monetário Internacional e no rastro do processo de privatizações,desde que foram criadas pelos tucanos, as agências reguladoras se têm revelado devotas servidoras das grandes empresas privadas que elas deviam fiscalizar e disciplinar.

Tais agências são um atraso sem igual, para se fazer justiça social, bem como para elaboração e execução de planos de integração Nacional.
A legislação criada pelo psdb na época do senhor FHC impede, por exemplo, um número decente e justo de pedágios, fazendo com que o usuário seja super-explorado e que os governos municipal, estadual e federal não tenham meios legais, enquanto essas agências e respectiva legislação existirem, em limitar e mesmo frear tais abusos.
Em países desenvolvidos da Europa (Itália, França, Alemanha, suíça, por exemplo), e da Ásia, é o governo federal, em órgãos específicos, que administra esse importante setor nacional e não agências que, na maioria das vezes, representam o puro interesse econômico de grupos particulares nacionais e estrangeiros que se esbaldam com o dinheiro do cidadão, em tarifas abusivas.
Fortalecer tais agências e mesmo tê-las, vai na contra-mão dos interesses do povo, como demonstram os países europeus e asiáticos desenvolvidos.

Morcego Vermelho

domingo, agosto 12, 2007

As Organizações Globo apoiaram entusiasticamente o golpe de estado de 1964. A empresa do Roberto marinho foi amplamente compensada por ato. Não esqueçamos que a ditadura implantada no país prendou, torturou e matou muitos brasileiros. Como prêmio a Globo se transformou na maior máquina de mídia. Para isso tiraram a Excelsior do caminho, esta sim uma das pioneiras da telenovela no Brasil. A Globo se transformou no suporte midiático do regime militar. Ela enaltecia o regime e a escuridão que atravessou o país durante todos aqueles anos. No final dos anos 1970 e início dos 1980, a Globo escondeu o movimento pela redemocratização. Só mostrou o Diretas Já quando não dava mais para esconder. Ela foi fiel aos militares até o fim e entrou entusiasmada na chamada Nova República que tinha Tancredo Neves como presidente. Tancredo não assumiu e no seu lugar foi colocado o vice, José Sarnei. Depois de muitas lutas, o país ganhou o direito de eleger o presidente da República. No segundo turno a peleja ficou entre Lula e Collor. Fiel a oligarquia, a globo dá outro golpe. No último debate entre os presidenciáveis, ela muda a apresentação do debate, beneficiando Collor. Collor é eleito e o páis entra na primeira fase do neoliberalismo, com privatizações e abertura escancarada do país às importações. Com a corrupção correndo solta, o movimento pelo impeacheament do Collor ganha ás ruas, os chamados Caras Pintadas. A Globo também esconde o movimento até o último momento, isto é, quando o Collor é expulso da presidência e assume Itamar Franco. Itamar escolhe fhc para ser ministro da economia e lhe dá carta branca para fazer um plano que acabe com a inflação. Com a experiência do Cruzado em 1986 e o mundo com liquidez, o plano é eficaz e debela a inflação do país. Naquele momento Lula tinha ampla vantagem na eleição de 1994 para a presidência do país. E a mídia entra de sola, fazendo propaganda do real e colocando obra de fhc, sendo que foi Itamar que correu todos os riscos. Com o apoio da Globo, fhc é eleito presidente do Brasil. Antes, a Globo já tinha quebrado o galho de fhc. Como senador ele teve um filho com uma jornalista da Globo (parece que elas adoram ter filhos com senadores). Além de não dar o fato, a emissora exila a jornalista e o filho dela na Europa. Nem o nome de fhc consta no documento da criança. Tudo é abafado pela mídia conservadora (e golpista) brasileira. No governo fhc continua a obra de Collor, com a privataria, abertura das importações, corrupção deslavada e compra de voto para passar a reeleição, tudo com a benção da globo e da mídia brasileira. Comenteram um erro fatal ao sobrevalorizar o real e provocar déficit em conta corrente. Como resultado dessa incompetência o país foi cada vez mais se endividando externa e internamente. A Globo com seus púlpitos (os Palpiteiros econômicos Miriam Leitão e Sardenberg) saudavam o grande presidente do Brasil. O gênio da Serra da Cantareira. Na eleição de 1998 para presidente aparece de novo o fantasma do sapo barbudo e de novo a Globo apoia incondicionalmente o grande sedutor fhc. O país está à beira de uma crise econômica, mas o fato é escondido. Para alegria dos que hoje se dizem cansados e tristeza do país, fhc é reeleito. Doze dias depois o real vai pro vinagre, volta a inflação e o desemprego cresce. Mas na globo e na mídia conservadora (e golpista) nenhuma crítica. O povo sofre com aumento dos bens de primeira necessidade, o desemprego é endêmico, a violência também. A turma dos cansados nem ai. O povo que se lixe. Os Palpiteiros Econômicos Miriam Leitão e Carlos Sardenberg desfrutavam do lucro que ganharam prestando bons serviços aos seus patrôes. Crítica a fhc? Nem pensar, criticar o grande timoneiro, o maior sociólogo do cone sul, o gênio da Serra da Cantareira. Aos trancos e barrancos o país vai vivendo, a popularidade de fhc despenca. a Globo se mantém leal, assim como a turma dos cansados e dos palpiteiros econômicos. A OAB-SP nem um pio. A Febraban ganhando rios de dinheiro. A Fiesp, mesmo os empresários brasileiros, amargando queda de produção e de consumo, se mantém ao lado de fhc. A Angélica e o seu marido, assim como a Ana Maria Braga, nem sei o que faziam nesse tempo. A Philips continuava fabricando eletroeletrônico e nem cogitava lidera golpe de estado. O João Dória Jr., nesse tempo cuidava mais dos seus ternos e não se metia a liderar movimento golpista. E a Globo endividada até o talo, por causa da quebra do real, continuava caninamente apoiando os tucanos. Em 2001 vem o grande apagão elétrico que diminui o produto interno bruto do Brasil em pelo menos dois porcento. Tudo sob as graças do mercado, que ganhou um sistema elétrico montadinho e funcionando direitinho. Como só queriam lucros astronômicos, deu uma banana para o país e não investiu, conforme o que os Palpiteiros Econômicos previram. O país fica às escuras. Há queda de investimento, de emprego, de renda e ninguém da elite se cansou. Em 2002, não deu, mesmo a Globo apoiando o Serra do PSDB, o LUla do PT ganha de forma massacrante a presidência da República. O presidente coloca as finanças em dia, aumenta as exportações, o número de emprego e aumenta a distribuição de renda. Tudo estava indo muito bem, quando em 2005, a mídia foca o mensalão e fazem oposição ao presidente até nas colunas de horóscopo. Queriam sangrar o presidente para que este não se relegesse. A Globo et caterva assumem a candidatura do Alckomin. Criam um personagem honesto (que fugiu da instalação de 70 CPIs na Assembléia Legislativa) competente (O PCC provou o contrário) e capaz de conduzir o Brasil rumo ao desenvolvimento (a sua gestão ineficiente no Estado de São Paulo provou o contrário). Fizeram campanha contra o Lula e a favor do Alckmin 24 horas por dia. Foram os sabujos do jornal Nacional Willian Bonner (aquele que acha que o brasileiro é tão estúpido como o Homer Simpson), Willian Wacck (sempre com cara de poucos amigos e amigo dos tucanos) Alexandre Garcia (aquele que exaltava a ditadura militar), Ana Maria Braga (aquela que só entendia de cozinha), Jô soares ( aquele que se acha sabichão, apesar de ter copiado um programa dos Estados Unidos), o Faustão (dispensa comentário), Renato Machado e toda claque global. Todos conduzidos pelo Ali Kamel, que ocupa o cargo menos por capacidade e mais por obediência canina ao que querem os Marinos. Esconderam o desastre com o avião da Gol ás vésperas da eleição e manipularam as fotos do dinheiro do dossiê tucano e o debate (de novo) eleitoral. Conseguriam levar a eleição para o segundo turno. só não contavam com a força do povo e deu Lula de novo. O governo suspira aliviado, pois acredita que a Globo et caterva vão ser civilizados. Ledo engano. Arrumaram um apagão aéreo. Incentivaram os controladores de vôo a prejudicar a aviação no país. Quando houve o desastre com o avião da Tam, alegremente, apesar do momento ser de luto, a globo e a mídia conservadora e golpista passaram a fazer uma cobertura que deveria ser caso de polícia. Gritaram, colocaram nas manchetes que a culpa era do governo federal. Quando os fatos vieram à tona de que a aeronave tinha problemas, simplesmente estão fazendo que não é com eles e não informam o povo brasileiro corretamente. Eles estão apoiando com todos enstusiasmo a versão Marcha pela Família, com Deus e pela Liberdade, intitulada Cansei. Eles cansaram de perder eleições democráticas e por isso apoiados pela mídia e por grupos reacionários, tentam dar um golpe de estado, assim como foi em 1964. O Brasil está crescendo, as pessoas estão vivendo melhor e por isso o povo apoia o governo Lula de forma muito firma. Assim vamos caminhando, cada dia um novo combate pela democracia no país. O dna da Globo e da mídia conservadora (e golpista) é autoritário.Foi a partir da ditadura que ela se firmou e ela não aceita conviver com a democracia e com o voto do povo. Estamos implantando no Brasil um projeto civilizatório, do qual exige que os meios de comunicação sejam democratizados. Será a luta da civilização contra a barbárie.

BOICOTE Á PHILIPS

Um outro tempo, a mesma catedral

MINO CARTA
O movimento Cansei (há qualquer coisa de nipônico neste nome) ganha adesões formidáveis, como a do tucano DOCG Miguel Reali Jr. e de uma loja maçônica, e planeja para o próximo dia 17 um culto ecumênico na catedral da Sé. Em São Paulo, obviamente. E onde haveria de ser? Sou forçado a recordar outro culto ecumênico na mesma Sé, celebrado dia 31 de outubro de 1975, em memória de Vlado Herzog, assassinado pelos torturadores do DOI-Codi no sábado anterior. A ditadura tomou todas as medidas para impedi-lo, ou, pelo menos, para reduzir seu impacto. Controles e barreiras ao longo das vias de acesso, atiradores de escol postados atrás de janelas dos prédios da praça da Sé. Mesmo assim, compareceram dez mil pessoas. Todos ali estavam cansados das prepotências e dos desmandos ditatoriais, e talvez alguns se arrependessem por ter participado da Marcha da Família, com Deus e pela Liberdade, que precedeu o golpe de 1964. Aposto que figuras como este D’Urso que comanda irresponsavelmente a OAB de São Paulo, ou um certo empresário Zottolo, boss da Philips, e outros dignos representantes do reacionarismo tucano-udenista, não estariam na catedral naquela sexta-feira carregada de riscos e tristeza, de justos anseios e de desafio. Quanto a João Doria Jr., sugiro que organize a Marcha dos Cachorrinhos das Madames, uma de suas especialidades.

ALERTA DESTE BLOG

Comprar produtos PHILIPS pode acabar com a nossa democracia. Evite golpe de estado, não compre PHILIPS.

Da “teoria das hipóteses”

Da “teoria das hipóteses”

Do dia 7 passado, em O Globo, clama pela atenção dos observadores do singular cenário nativo um artigo de Ali Kamel, diretor da Rede Globo e autor de importantes ensaios (ou seriam aulas?) de jornalismo. É o mesmo que ignorou o acidente da Gol para divulgar, em indiscutível primeira mão no vídeo global, a foto do dinheiro do chamado dossiê antitucanos, sabiamente empilhado pelo delegado Edmilson Pereira Bruno, e entregue ao repórter Tralli. Aconteceu, como talvez alguns cidadãos de boa memória recordem, às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais de 2006. No seu artigo, Kamel ensina que somente a “grande” imprensa tem condições de praticar o jornalismo livre e independente. Por quê? Simples: por obra e graças da publicidade, abundante e variada. Outra do professor: a “grande” imprensa, no caso do acidente da TAM, “portou-se como devia”. Por não ser “pitonisa”, tampouco “adivinha”, desde “o primeiro instante foi, honestamente, testando hipóteses”. Há, obviamente, referências à rapidez, correção, isenção e pluralismo, atributos inescapáveis da “grande” imprensa. Está claro que o dinheiro é indispensável à mídia, a bem do negócio. E isso vale para grandes e pequenos. Nem por isso, com resultados retumbantes do ponto de vista jornalístico. A mídia brasileira é medíocre, e para saber disto basta compará-la com aquela de muitos outros paises, inúmeros. Acrescento que, pela primeira vez na minha vida, sou alvejado pela teoria do “teste das hipóteses”. O que existe, em jornalismo, é a verdade factual, como sublinhava Hannah Arendt. No mais, o respeito da máxima latina, in dubio pro reo, e o banimento sumario e definitivo da mentira e da omissão. Estranhamente, todas as hipóteses levantadas pelo noticiário da “grande” imprensa estabeleciam de saída a ligação entre apagão aéreo e desastre, e tendiam a culpar o governo por um e por outro. Seria esta a isenção de que fala Kamel? Seria esta a correção? Vamos à verdade factual: não há relação entre apagão e acidente, enquanto, no que respeita ao primeiro, a omissão e a incompetência do governo são evidentes, embora haja responsabilidades dos governos anteriores, espalhadas por várias décadas. Ah, sim, vamos finalmente ao pluralismo. Os donos da mídia nativa detestam-se mutuamente, mas juntam esforços na hora em que vislumbram algum risco comum, alguma ameaça ao status quo, a surgir no horizonte, por mais remoto. Basta uma sombra vaga, um ectoplasma. E é do conhecimento até da Pedra da Gávea que o alvo hoje é Lula. Que pluralismo é este? Peculiar, digamos. Reconheço, sem maiores tormentos, ser esta “grande” mídia aquela capacitada a se permitir ignorar o acidente da Gol, divulgar fotos fornecidas sorrateiramente por um delegado de policia, testar hipóteses sobre o desastre da TAM. E assim por diante. Impávida e impune, só ela sabe como conduzir tais operações, que nada tem a ver com o jornalismo, e sim com os interesses dos titulares do privilégio e dos seus aspirantes. Às vezes me pergunto até onde vão a arrogância, a prepotência e a hipocrisia, e onde começa o QI baixo.
enviada por mino

Direto da Olivetti do Mino Carta

As opiniões e o engodo

Minha análise de um artigo de Ali Kamel em O Globo, feita ontem, recebeu até o momento 81 comentários. Somente três discordam, com elegância. Muitas observações preciosas e instigantes daqueles que concordam. Não cito seus autores, para não desmerecer ninguém. Um ponto interessante diz respeito ao eventual QI baixo dos nossos pretensos formadores de opinião. Pelo menos, de alguns deles. Há quem aprove, e quem admita a sabujice, a hipocrisia, a arrogância, mas as enxergue como prova de esperteza. De minha parte, sinto que muitos dos nossos comunicadores acabam por acreditar no que escrevem, por obra de um mecanismo psicológico que passa pela tendência ao escorregão, ao deslizamento, por uma debilidade moral ditada em parte pelo medo pânico de perder o emprego. Ou, por outra, gente fraca, sem convicções arraigadas. Um caso extraordinário, limite dos limites, nos foi proporcionado pelo doutor Roberto Marinho, hoje conjunto viário batizado por Marta Suplicy, com o oportuno esclarecimento: jornalista. Ou seja, alguém como nós. Comovente, não é? Pois o nosso colega, ao longo de 1998 acreditou cegamente nas informações da sua colunista Miriam Leitão. Afirmava que a estabilidade era o grande trunfo de Fernando Henrique Cardoso e a bandeira de sua campanha à reeleição. Como talvez alguns cidadãos consigam recordar, exatos doze dias depois de empossado para o segundo mandato, janeiro de 1999, FHC, de abrupto, desvalorizou o real. Trata-se do maior engodo eleitoral da historia do Brasil. E o País quebrou. A própria Globo sofreu um sério abalo. A CartaCapital, ainda quinzenal, foi às bancas com uma capa sugestiva, a imagem de FHC pelo fogo e a chamada QUEBRAMOS. Solitários, botamos o dedo na ferida. E o resto da mídia? Impassível. Indiferente como o sol que surgiu naquele dia para iluminar o desastre ignorado. Logo participei de um debate, diante de uma platéia de garbosos cavalheiros engravatados. Fui recebido com protestos, e a minha fala navegou entre eles.

BNDES JÁ TEM GOLDEN SHARE

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 603

. Acompanho como jornalista, contribuinte e prestador de serviços ao iG a polêmica sobre a formação de uma grande empresa nacional de telefonia.

. Ou seja, uma tentativa tardia de consertar algumas das muitas lambanças do processo de privatização do Farol de Alexandria.

. Fariam parte dessa megaempresa a Brasil Telecom (controladora do iG) e a Telemar.

. O debate, no momento, se trava em torno da Telemar.

. Recentemente, como se viu, houve uma tentativa de “ambevizar” a Telemar.

. (Clique aqui para ler sobre a “ambevização” da Telemar)

. Em suma, seria uma operação em que os acionistas privados botavam a grana no bolso e deixavam a empresa e o bloco controlador a ver navios.

. Por trás, como uma das feiticeiras de Macbeth, o sempre-presente Daniel Dantas.

. O golpe certeiro errou o alvo, por causa da corajosa denúncia de Rubens Glasberg, editor da Teletime.

. Agora, a discussão é sobre a fusão das duas – BrT e Telemar.

. No centro do debate, a golden share, ou seja, aquela criação de Margaret Thatcher, que privatizou as empresas do Estado inglês, e reteve nas mãos do Estado uma ação com direito a veto, para não deixar – e olha que Thatcher não era estatizante – que os novos controladores privados botassem a grana no bolso e dessem uma banana para o publico.

. E aqui ainda se diz que a golden share é estatizante ...

. O Ministro das Comunicações é favor da golden share.

. Os ilustres membros do PT são e não são a favor da golden share.

. Aliás, se há uma área em que o PT navegue com uma ambigüidade suspeita é exatamente essa, a da telefonia...

. Os administradores da Telemar são contra a golden share.

. Especialmente um funcionário contratado, demissível ad nutum, o executivo Luiz Falco, que preside a Telemar.

. Ele fala como se fosse dono da Telemar.

. Parece o Roger Agnelli, presidente da Vale do Rio Doce, que a mídia conservadora (e golpista) elegeu como o padrão de “empresário”, que transformou uma empresa estatal num modelo privado

. Não é bem assim.

. Quando o sr. Agnelli ameaça transferir Carajás para Austrália, se o Governo não fizer os investimentos em infra-estrutura que a Miriam Leitão recomenda, é bom lembrar que ele não é o dono da Vale.

. Ele é um empregado, contratado pelos acionistas da Vale.

. É o caso do Sr. Falco.

. E quem controla a Telemar ?

. Se você somar a participação do BNDES (25%), fundos de pensão (20%) e Banco do Brasil, esses três, em conjunto, têm a maioria das ações que controlam a empresa.

. E o BNDES tem o direito de veto sobre as decisões estratégicas da empresa da Telemar.

. Direito que, aliás, nunca exerceu.

. Portanto, todo esse “trololó” da imprensa – como diria o presidente eleito José Serra – não passa de trololó.

. No caso da BrT, os fundos de pensão, em conjunto, têm a maioria.

. Portanto, a megafusão será decidida entre o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e a Ministra Dilma Roussef, que segue uma filosofia muito interessante: “o governo governa”.

. O Sr. Agnelli só vai transferir Carajás para a Austrália se os acionistas controladores quiserem...

E SE OS HERÓIS FOREM CRIMINOSOS?

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 604

Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil.






. A Procuradoria da Justiça Militar de Brasília ofereceu denúncia criminal (clique aqui para ler no Último Segundo) contra seis controladores de trafego aéreo.

. Eles são acusados de promover um motim que provocou o “caosaéreo” (clique aqui para ler sobre o “caosaéreo"), desacatar a autoridade e, com isso, interromper o funcionamento do Cindacta-1.

. Eles podem pegar uma cadeia de dois a quatro anos.

. Quem são esses, que a justiça pode vir a considerar criminosos?

. Quem são eles?

. São os heróis da mídia conservadora (e golpista).

. O caos que eles promoviam servia aos interesses da mídia conservadora (e golpista) de duas maneiras:

. Mostrar que o Presidente Lula é incompetente;

. Mostrar que os controladores eram incompetentes porque o Presidente Lula é incompetente.

. E os controladores passavam informação e desinformação à mídia conservadora (e golpista), porque sabiam que ela ajudaria a multiplicar os efeitos da crise – para prejudicar o Governo Lula.

. E, nessa confusão, os controladores, numa operação de óbvia chantagem política, mantinham a mídia e o Governo na coleira – e livravam a cara.

. E se a Justiça os considerar criminosos?

. O que dirá a mídia conservadora (e golpista) sobre o papel que desempenharam – o de cúmplices e algozes dos controladores?

. Não dirá nada.

. Porque essa mídia conservadora (e golpista) só tem uma lógica: derrubar o Presidente Lula.

VANITY FAIR – O BRAZIL PARA AMERICANOS

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 606


. Amiga minha, belíssima, por sinal, que está em Nova York, acaba de ler para mim, ao telefone, alguns tópicos da edição da Vanity Fair, de setembro.



. A Vanity Fair diz tudo o que o Brazil – e a mídia conservadora (e golpista) não costuma dizer.

. Vamos lá:

Na capa, Gisele Bundchen.

Tudo o que Hollywood queria ser e não é, o Brazil é.

Vida noturna, música, festas, fun – e sem culpa.

Ao nascer, o brazileiro tem direito à boa vida !

O pobre ao lado do rico.

O cirurgião plástico de manhã levanta a bunda das mulheres e de tarde conserta crianças com lábios leporinos.

Maleável e mais homogêneo e não tão hierárquico: como eles dizem,
todo mundo tem um “pé na cozinha”.

O mundo se divide em peito e bunda – Brazil é a capital mundial da bunda.

Todos nós somos um pouco brazileiros: o Brazil tem a maior população do Japão fora das lojas Prada.

Um presidente praticamente analfabeto, que veio de uma abissal pobreza rural governa um país que tem uma economia de um trilhão de dólares; surplus comercial; que aumentou o salário mínimo de US$ 50 para US$ 300; a inflação desabou e o crescimento está acima de 3%.


Todo mundo olha para a China que é vingativa e tem uma indústria que consome os recursos do mundo.

Olha para a Índia do século XXII, que tem uma infra-estrutura do século XIX e filosofia do século III.

E a Rússia, de coração negro e alma de marzipan, uma sociedade cruel e exploradora.

E ninguém parece prestar atenção ao quarto cavaleiro do futuro, o Brazil.

Que é tão grande quanto os Estados Unidos continental, tem 20% da água do mundo e tudo o que você plantar lá dá.

O Brazil tem uma capacidade de crescimento impressionante.

O Brazil é o segundo time de todo mundo.

Todas as associações que você fizer com o Brazil serão bem sucedidas e sexy: samba, Ipanema, bundas, futebol, floresta amazônica, e bio-fuel - o etanol.

O Brazil pode fornecer energia a metade do mundo, com o etanol.

E quando você entra num bar para tomar suco de frutas, as dez primeiras frutas você conhece. Das outras 12 que você nunca ouviu falar.

O Brazil é os Estados Unidos de 1850.

Com uma música muito melhor.

A CLASSE MÉDIA ALTA É A MAIS BAIXA"

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 605


"A classe média alta é a mais baixa da população. Ela está tão desesperada que corre atrás de qualquer coisa que se diga... O método de produzir a decadência para depois corrigir, a idéia do ‘quanto pior melhor’, é elaborado pela classe dominante. A classe dominante no Brasil é a mais pobre. A exigência de uma cidade como São Paulo é habitação, transporte e saúde.

A questão dos transportes é fundamental.... queimar petróleo para transportar uma pessoa de 60 quilos numa lataria de 700 quilos, que não anda, é um erro grave.

Acho que até isso não é assunto para mim, mas para Borges, Cortazar, Rabelais. Quando ouço, no rádio, que são 157,8 quilômetros de congestionamento, penso na linguagem de descalabros de Rabelais.

A classe chamada alta produz o seu próprio desastre. Você abandonou a cidade e a população pobre ocupou-a. Você abandona a cidade e funda outra, como Alphaville, porque teme a liberdade. A avenida São Luís, feita de habitações de alto luxo, não durou 15 anos.

Essa classe não lê, ou seja, ela está degenerada.

... acho que eles têm absoluta consciência e estão desesperados. É o imobilismo do aflito, como o naufrágio do Titanic: a orquestra não parou de tocar.

Acho que é essa consciência do próprio desastre que forma estados patológicos como o pânico. São pessoas que já não respeitam o outro. Estão num estado de delírio.

O mercado é um horizonte falso e, se ficar no comando do processo, só produzirá asneiras como os neoclássicos."


. Esses são alguns, poucos, trechos da entrevista que o genial arquiteto Paulo Mendes da Rocha concedeu a Ana Paula Sousa, da Carta Capital.

quinta-feira, agosto 09, 2007

PHILIPS:SINÔNIMO DE TENTATIVA DE GOLPE DE ESTADO

Imaginemos que uma empresa brasileira na Holanda crie um movimento golpista para derrubar a democracia desse país e implantar uma ditadura. Muitos holandeses seriam presos, torturados e mortos por resistirem a essa ditadura. Acabaria toda liberdade política e de expressão. Quem ganharia com isso seria uma minúscula elite golpista que passaria a destruir todos os ganhos sociais dos últimos anos. Qual seria a reação na Europa e no mundo? Pois é, o inimaginável acaba de acontecer com uma empresa holandesa operando no Brasil, a PHILIPS que está financiando um movimento para derrotar a jovem democracia brasileira. Aliando-se ao que há de mais fascista na sociedade, junto com a mídia conservadora e golpista e os partidos de oposição, criaram um movimento cujo único intuito é não respeitar o resultados das urnas nas últimas eleições presidenciais. O golpe que aconteceu no chile em 1973 também teve a participação de uma empresa transnacional, a AT&T, que junto com a CIA e os militares chilenos, mataram Salvador Allende e a pujante democracia chilena. E o resultado todos nós conhecemos, foi uma carnificina. Execuções, perseguições políticas, prisões clandestinas, milhares de mortos e desaparecidos. A elite chilena pôde se deleitar por muitos anos, aumentando a pobreza no país e a desigualdade social em nome de uma pseudo-modernidade. É lamentável, mas parece que as empresas transnacionais preferem as ditaduras à democracia e isso a PHILIPS está seguindo os passos de outras empresas que financiaram regimes ditadoriais e sangrentos. Devemos deixar bem claro a nossa revolta com a intromissão de uma empresa transnacional nos assuntos internos do Brasil. O embaixador da Holanda no Brasil deveria dar explicações porque a empresa do seu país quer uma ditadura no Brasil. O país tem eleições democráticas para todos os cargos eletivos. O Presidente LULA foi eleito por 62% dos eleitores brasileiros, massacrando nas urnas o candidato conservador Alckmin. O Partido dos Trabalhadores foi o vitorioso nas urnas e o PSDB foi o derrotado. Essa é a realidade que tem de ser respeitada. É lamentável e vergonhosa a postura da PHILISP no Brasil. Pelo menos quando formos comprar produtos eletrônicos devemos boicotar essa marca. NÃO VAMOS FINANCIAR A TENTATIVA DE GOLPE DE ESTADO COMPRANDO PRODUTOS PHILIPS. A MARCA PHILIPS DEVE SER BOICOTADA POR TODOS OS QUE AMAM A DEMOCRACIA. A MARCA PHILIPS SE JUNTOU AOS CANSADOS DE PERDER ELEIÇÕES E À MÍDIA CONSERVADORA (E GOLPISTA) PARA ATENTAR CONTRA A DEMOCRACIA BRASILEIRA. ABAIXO A PHILIPS.

A turma da bufunfa cansou

Paulo Nogueira Batista Jr A turma da bufunfa cansou


Cheguei ao Brasil na semana passada e li nos jornais que a elite se declara "cansada". Fiz então uma rápida pesquisa sociológica e constatei que, de fato, a turma da bufunfa está totalmente exausta. Há motivos para essa exaustão?


Talvez. Os bufunfeiros já tiveram momentos mais brilhantes e mais exaltados. A taxa de juro, por exemplo, continua muito alta, mas não é mais a mesma. Segundo levantamento da Uptrend Consultoria Econômica, a taxa básica de juro caiu para 7,7% em termos reais. De março a julho de 2003, a taxa real básica superava 16%. Entre abril e outubro de 2005, ela ficou acima de 13%. Bons tempos... A turma da bufunfa ficou na saudade.


Com a última redução de 0,5 ponto percentual determinada pelo Copom (Comitê de Política Monetária do BC), o Brasil perdeu para a Turquia a liderança mundial em matéria de juros reais. A remuneração de alguns fundos de investimento começou a se aproximar perigosamente do rendimento da aplicação popular – a modesta caderneta de poupança. Bufunfeiro que se preza jamais aceitará tal nivelamento.


Mas, convenhamos, a turma da bufunfa precisa moderar suas queixas. Nosso juro real básico ainda é mais de três vezes superior à média mundial. Os bancos continuam registrando lucros gordos, diria mesmo, obscenos. Graças à expansão do crédito, aos elevados "spreads" e às pesadas tarifas cobradas da clientela indefesa, os estabelecimentos bancários exibem extraordinária rentabilidade. Devem (ou deveriam) estar exultantes, e não "cansados".


Com a ampliação do crédito e a queda dos juros, a economia passou a crescer mais rapidamente. No primeiro semestre, a indústria cresceu quase 5% em relação a igual período do ano passado. As projeções para o PIB estão sendo revistas para cima.


O risco agora é que a turma da bufunfa consiga pressionar o Banco Central a frear a queda do juro. Na imprensa, já surgiram economistas bufunfeiros, ligados aos bancos, proclamando que o "forte" crescimento da indústria confirma os temores do Copom de que a economia está mais aquecida do que se esperava.


Mas seria um erro reduzir o ritmo de queda dos juros ou, pior ainda, interromper o processo de diminuição da Selic. A economia apenas começa a reagir. Não há indícios de pressão exagerada da demanda sobre a capacidade instalada. Essa última tem aumentado em razão da recuperação dos investimentos. A inflação e as expectativas de inflação estão controladas. Uma posição restritiva do BC agravaria o problema da excessiva valorização cambial, ressaltado por Benjamim Steinbruch em sua coluna na Folha de terça-feira (7).


Vamos ver como se comporta o Banco Central. Temos motivos para algum otimismo. Afinal, as mudanças recentes na diretoria do BC parecem ter arejado um pouco o ambiente por lá.


Por fim, uma nota de caráter estritamente pessoal. Eu estava, confesso, com uma certa saudade da turma da bufunfa e das suas manifestações pitorescas. Em Washington, os ruídos da bufunfa tupiniquim não repercutem.


E as suas contrapartes nos Estados Unidos são bem mais discretas. Não imagino, por exemplo, que o presidente da subsidiária da Philips nos Estados Unidos se animasse a congregar patrocinadores de eventos e publicitários para lançar um "convite à meditação", de caráter "apartidário", em protesto, digamos, contra a guerra no Iraque ou o colapso de pontes. O companheiro Bush subiria pelas paredes.


Lá as companhias estrangeiras têm que ser mais cautelosas.


Texto originalmente publicado na edição desta quinta-feira (9) da Folha de S.Paulo

PSDB BATE A PORTA NA CARA DA MÍDIA

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 599

. O PSDB é um partido interessante: faz convenções de portas fechadas e joga para a arquibancada de porta aberta.

. O PSDB se trancou aqui em São Paulo num seminário para bolar uma estratégia para enfrentar o Presidente Lula.

. Os gurus do partido admitem que a bandeira da moralidade não colou em Lula.

. A economia navega em céu de brigadeiro (clique aqui para ler que o Bradesco acha que o PIB vai crescer 5,2% este ano).

. O Governo Lula consegue fazer a economia crescer enquanto promove a inclusão social.

. O PT quebrou a cara quando não entendeu que o Plano Real ia dar certo.

. Hoje, o PSDB quebra a cara enquanto não entende que tem aí uma nova classe “C” – “C”, de “média” – que compra casa própria, automóvel, motocicleta, põe os filhos na escola e viaja de avião para visitar os parentes no Nordeste.

. O que fazer ?

. Para discutir isso, o partido se fecha em copas.

. Por que o PSDB fechou as portas e não deixou nem a mídia conservadora (e golpista) entrar ?

. O que será que disseram lá dentro que nem essa mídia tão benevolente pôde entrar ?

. Jogar para a arquibancada, porém, é um exercício público...

. FHC, o Farol de Alexandria, aquele que lançava luzes sobre a Antiguidade, e porta-voz vitalício dos tucanos, saiu do seminário para dizer que o Congresso não deve renovar a CPMF.

. Quem criou a CPMF ? O Farol.

. O Farol reclama da impunidade.

. Que é preciso punir os culpados (?) pelo acidente da TAM, diz ele.

. Que culpados ?

. A moedinha do Rodrigo Bocardi, do Jornal Nacional ?

. A posta escorregadia da mídia conservadora (e golpista) ?

. O asfalto do IPT ?

. O Farol já sabe quem é o culpado ?

. Quem disse que o “culpado” ficará impune ?

. Não interessa: é preciso punir os culpados: “Segundo o tucano, o problema que hoje mais irrita o brasileiro é a impunidade. FHC defendeu a investigação do acidente com o vôo 3054 da TAM e punição para os culpados para evitar a impunidade, que para o ex-presidente é a "chave de tudo" e a solução para resgatar a credibilidade no sistema. Tem que apurar [a responsabilidade do acidente]. Apurado, tem que punir, porque se não punir, o povo não tem confiança", afirmou à Folha online.

. Quem tinha um “Engavetador Geral da República” ?

. Quem comprou votos para aprovar a re-eleição ?

. Onde foi parar o dinheiro do Bamerindus para a campanha de FHC à presidência ?

. O que o Farol acertou com Daniel Dantas na antevéspera de destituir a diretoria da Previ e colocar lá os amigos de Dantas ?

. Alguém foi em cana por causa da “pasta rosa” ?

. O chefe da campanha de FHC e de José Serra era a Madre Superiora ou Ricardo Sérgio de Oliveira ?

. Sobre Renan Calheiros, o Farol, agora, prefere calar-se.

. O Governador Requião deve saber como explicar esse silêncio revelador.

Economia crescerá 5,2%

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 598



. A newsletter econômica do Bradesco acaba de divulgar uma reavaliação do que vai acontecer na economia este ano :



“Depec-Bradesco revisa projeção de crescimento do PIB de 2007 para 5,2%

Revisamos nossa projeção de crescimento do PIB de 4,9% para 5,2% em 2007 e mantemos a projeção de 4,6% para 2008. A projeção para este ano é semelhante à do FMI para a economia mundial, também em 2007. Em 2005 e 2006, a economia brasileira cresceu menos do que a economia mundial. A nossa revisão foi motivada pela incorporação de novas informações e pela percepção de que os principais indutores do crescimento terão um impacto mais forte do que o imaginado na expansão deste ano. As condições gerais da política monetária, do crédito (volumes, prazos, taxas e spreads bancários), da massa salarial, do clima de otimismo entre empresários e consumidores, do comportamento do câmbio e dos preços e da recuperação do quantum exportado, entre outros, têm gerado aumento dos investimentos e do consumo não vistas nos dois anos anteriores.”


. Vale a pena ressaltar que um dos indutores do crescimento deste ano é, segundo o Bradesco, o “clima de otimismo entre empresários e consumidores”...

. O diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco é o respeitado economista Octavio de Barros.

terça-feira, agosto 07, 2007

Jornalismo e barbárie

A folha de são paulo, assim como todos os jornalões brasileiros apoiram o golpe de estado de 1964. Foram cúmplices da prisão, tortura e assassinato de muitos brasileiros. Na década de 1970, a folha ainda emprestou os carros da empresa para o transporte de presos políticos. Dessa forma o jornal cresceu, à sombra da ditadura militar. No final dos anos 1970, a ditadura implantada por um movimento idêntico ao "cansei", intitulado "marcha pela família, por deus e pela liberdade" em 1964, dava sinais de cansaço. O movimento social se articulava e a luta pela redemocratização ganhava corpo. Foi aí que a folha deu o grande salto, contratou um jornalista talentoso e ético, chamado Claudio Abramo, que deu uma reviravolta na qualidade do jornal. De cara a folha abriu espaço para todos os intelectuais que tinham sido banidos do país, com a abertura de 1979. Foram criados amplos espaços de debates em que o contraditório era marca registrada. Foram nas páginas da folha que o "Movimento pelas Diretas Já" ganhou espaço para aparecer, enquanto a globo escondia a luta pela democracia. Ela também deu espaço para o debate da Teologia da Libertação. O Claudio Abramo foi rifado pelo dono do jornal, a pedido dos militares, mas o projeto seguiu curso, com a cobertura de todos os grandes movimentos da década de 1980. A folha também apoiou o collor em 1989, mas assim que esse assumiu o governo, fez uma devassa nas contas da empresa, o que não agradou muitos os frias, que passaram da bajulação para a oposição. Nos anos 1990, o jornal aderiu ao neoliberalismo, apoiando todas as iniciativas nesse sentido. Deu forte apoio ao fhc em 1994 e 1998. O jornal se tucanizou de vez, apesar de manter nas suas páginas textos do Aluysio Biondi, da Maria da Conceição Tavares, do Aloisio Mercadante, do Belluzzo e de outros que faziam críticas severas a política econômica dos tucanos. Com o poder total nas mãos do frias filho, a coisa degringolou e o jornal perdeu totalmente a sua posição do debate crítico e aberto. Num progama Roda Viva, o então diretor de redação foi entrevistado por um monte de jornalistas baba ovos, que mais puxaram o saco do patrão do que fizeram perguntas que pudessem desconcertá-lo. Ele tentou passar a imagem de um pensador, mas a impressão que ficou é daqueles garotos chatos que são o dono da bola, apesar de serem pernas de pau. Afinal, o cara é diretor de redação por direito hereditário e não talento. No jornal foi implantada a ditadura tucana. A partir dai foi proibido falar mal do psdb e qualquer político que dele faça parte. Os frias, assim como toda mídia conservadora (e golpista) brasileira são condescendentes com os tucanos. Irregularidades do psdb, fartamente documentadas como a Lista de Furnas, da No$$a Caixa, CDHU, Rodoanel, Daslu entre tantas outras, são tratadas de forma superficial. A folha conseguiu levar o serra à prefeitura (atacando de forma traiçoeira a Marta) e ao governo de São Paulo (sob forte proteção no caso do dossiê). Na prefeitura o tucano fez um governo genérico e pífio com forte apoio da mídia e no governo estadual ainda não implacou um projeto que traga inclusão para todos os cidadãos paulistas. Vários programas sociais implantados na cidade de São Paulo foram simplesmente abandonados. Para a folha não interessa, a classe média estando sendo atendida, perifeira não importa. O frias está trabalhando arduamente para fazer o serra presidente. Para tanto faz oposição sistemática e desleal ao governo LULA. A folha é a síntese da elite branca de São Paulo. Os outros não importam, o que eles querem é se sentirem acima de todos, mesmo que para isso a maior parte da população precise ser excluída socialmente. A elite paulista, assim como a folha de são paulo, representam a barbárie. O processo civilizatório ainda não chegou nessas plagas paulistas. Está em processo a luta entre a manutenção da barbárie, no projeto do psdb, encampado pela folha e impren$a no geral e o projeto civilizatório do PT e dos partidos progressistas. O "anciem regimen" se nega a abrir espaço para o novo. Mas a bastilha há de cair e o povo brasileiro poderá ter direito a uma vida melhor.
Obs: Esse texto foi escrito de memória, portanto deve haver alguns erros de datas e ou fatos

Máximas e Mínimas 594

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 594


. O M&M “Elite branca, teu nome é São Paulo” (clique aqui para ler) provocou uma fulminante reação de fúria que se manifestou nos comentários que se seguem ao texto.

. Este é o mundo maravilhosamente democrático e muitas vezes anárquico da internet.

. Poucas vezes me espinafraram tanto tão rápido.

. Sinto-me na obrigação de voltar ao assunto para dar explicações adicionais.

. Considero que nós, brasileiros, temos uma certa dificuldade para dar nomes aos bois.

. Como observam Mino Carta e o professor Wanderley Guilherme dos Santos, só no Brasil é que a mídia conservadora finge que é objetiva e imparcial.

. E ninguém chama a mídia brasileira de conservadora e golpista, como é.

. O mesmo fenômeno se reproduz quando se explicita que São Paulo tem uma elite branca, como disse Cláudio Lembo, o melhor governador de São Paulo dos últimos anos.

. E, aqui, no Conversa Afiada, se diz também que a elite branca de São Paulo tem uma aspiração separatista.

. Isto não é novo.

. Nem é uma singularidade brasileira ou paulista.

. Este mesmo fenômeno divide, por exemplo, a Itália e a Alemanha.

. E nos Estados Unidos provocou uma Guerra Civil.

. Não dar nomes aos bois significa não querer resolver o assunto.



Clique aqui para ler "Não Coma Gato por Lebre".

VENDA DE MOTOCICLETAS EXPLODE

O presidente da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos), Sérgio Reze, disse em entrevista a Paulo Henrique nesta terça-feira, dia 07, que a venda de motocicletas deve crescer 28% este ano em relação a 2006 (clique aqui para ouvir o áudio).

Segundo Reze, a indústria automobilística brasileira já vendeu 910 mil motocicletas este ano. A expectativa da Fenabrave é fechar o ano com 1,6 milhão de motocicletas vendidas.

“É explosivo. Esse é o consumidor que não figura nas estatísticas da análise da capacidade do brasileiro de comprar”, disse Reze.

Sérgio Reze disse que a venda de motocicletas atinge a base da pirâmide. “É o consumidor de menor poder aquisitivo dentro dessa base da pirâmide. E este segmento (de motocicletas) está crescendo desde 1993, ininterruptamente”, disse Reze.

A indústria automobilística bateu mais um recorde em Julho, com 217,4 mil unidades vendidas. A alta nas vendas foi de 9,4% em relação a junho deste ano.

Sérgio Reze disse que a segurança que a estabilidade econômica e o controle da inflação passam para o consumidor ajuda nesse crescimento. Segundo ele, não só a facilidade de acesso ao crédito como a ampliação dos prazos agrega um número cada vez maior de consumidores.

Segundo Reze, com a ampliação do prazo, o consumidor que pode pagar uma prestação de R$ 700, por exemplo, passa a comprar um veículo com maior valor agregado.

“Ele compra um carro de maior valor agregado. Uma coisa que lhe dê mais satisfação. O consumidor compra, por exemplo, os itens de segurança, como air bag e ABS; os itens de conforto como os novos CDs, MP3”, disse Reze.

Leia a íntegra da entrevista com Sérgio Reze:


Paulo Henrique Amorim – O número de automóveis vendidos em julho foi de 217 mil, um crescimento de 9,4% em relação a junho. Junho já tinha sido um mês de recorde. Pra entender esse fenômeno eu vou conversar com o meu amigo Sérgio Reze, presidente da Fenabrave. Como é que vai, Sérgio?

Sérgio Reze – Tudo bem. E você, como está, Paulo? Uma saudação aos seus ouvintes.



Paulo Henrique Amorim – Muito obrigado. Como é que vocês da Fenabrave estão analisando esses números? O que faz com que se tenha recordes consecutivos e qual a expectativa de vocês pra 2007?



Sérgio Reze – Olha, tem sido recorrente porque esse ano praticamente todos os meses os desempenhos vem sendo muito bons. Inclusive com o crescimento agora desses últimos 90 dias acima das expectativas, tá certo? O que acontece? A economia brasileira tem uma estabilidade que já vem mantendo já praticamente desde o início do Plano Real com pequenos tropeços, mas o consumidor está encontrando nesses últimos 4 anos do Governo Lula e já nesse início de novo mandato que a manutenção da política econômica com o controle da inflação, controle dos gastos fiscais, isso passa uma sensação ao consumidor de equilíbrio. A queda da taxa de juros, os bancos estão com muito dinheiro em seu poder, precisam aplicar esses recursos e o setor é um dos setores onde a rentabilidade para os bancos é atraente e a...



Paulo Henrique Amorim – Para financiamento de compra de veículos?



Sérgio Reze – É, o financiamento de veículos. Esse financiamento, se você fazia ele em 24, 36 meses, você segurava uma boa parte, uma boa camada da população que ficava sem poder de compra. Com o aumento dos prazos para 48, 60 meses, 72 meses, esse cliente, esse consumidor foi agregado a comprar. Ele foi conduzido a comprar praticamente por essa oferta maciça de recuros, do financiamento.



Paulo Henrique Amorim – Você diria então que a chave da operação para entender essa quebra consecutiva de recordes é a facilidade de crédito?



Sérgio Reze – A facilidade de crédito, sem dúvida, mas não só a facilitação do crédito, mas a ampliação dos prazos desse crédito. Agora, eu queria chamar a atenção, Paulo Henrique, a gente fala só automóvel comercial leve, nós temos um segmento de motocicleta que é a base da pirâmide. É o consumidor de menor poder aquisitivo dentro dessa base da pirâmide. Ora, este segmento está crescendo desde 1993 ininterruptamente.



Paulo Henrique Amorim – Que coisa!



Sérgio Reze – Pois é. São aqueles que compram moto 725, você vai falar: “É um motoboy?” Não, não é. O Nordeste, por exemplo, que não tem os motoboys como aqui em São Paulo, o Nordeste é o segundo maior emplacador de motos do Brasil.



Paulo Henrique Amorim – Qual é o primeiro?



Sérgio Reze – O primeiro é São Paulo. É o Estado de São Paulo. Então, você sente o que? Você sente que existe um poder de compra, vamos dizer, “escondido”, que está aparecendo significativamente, nesse setor você já verifica. Um outro detalhe, Paulo Henrique, você pode observer, é o seguinte: com o aumento dos prazos, aquele que podia pagar, por exemplo, R$ 700 por mês para comprar um veículo em 36 meses, com 60 meses ele podendo pagar o mesmo valor ou ligeiramente menor, ele compra um carro de maior valor agregado, uma coisa que lhe dê maior satisfação.



Paulo Henrique Amorim – Uma cilindrada maior...



Sérgio Reze – Não só isso. Os itens, por exemplo, de segurança, como airbag, ABS, os itens de conforto, como os novos tipo de CD mp3, essa coisa toda. Então, você vai, o país vai crescendo com essa coisa toda. Então, a nossa visão é de que o governo sinaliza, com toda a nitidez a manutenção da estabilidade, a inflação sob controle, as taxas de juros devem cair ainda mais, elas vão caindo naturalmente e nós achamos que até o final do Governo Lula, eu não digo um crescimento já assim como está acontecendo esse ano, mas crescer, continuaremos a crescer pelo menos até o fim do Governo Lula.



Paulo Henrique Amorim – Agora, uma última coisa, Sérgio. Quanto é que você acha que vende de moto esse ano?



Sérgio Reze – A venda de motocicletas este ano, nós estamos com, até agora acumulado, 910 (mill). Mas a nossa previsão é em torno de 1,6 milhão motos.



Paulo Henrique Amorim – Isso significará um crescimento de quanto em relação ao ano passado?



Sérgio Reze – O crescimento em relação ao ano passado será de 28%.



Paulo Henrique Amorim – Nossa Senhora...



Sérgio Reze – É explosivo. Esse é o consumidor que não segura nas estatísticas, da análise da capacidade do brasileiro comprar.



Paulo Henrique Amorim – É verdade. Perfeito, Sérgio, é sempre muito esclarecedor falar com você.



Sérgio Reze – Muito obrigado Paulo, desponha, sempre às suas ordens.

IBGE: INDÚSTRIA CRESCE HÁ NOVE MESES CONSECUTIVOS

IBGE: INDÚSTRIA CRESCE HÁ NOVE MESES CONSECUTIVOS


A gerente regional da PIM (Pesquisa Industrial Mensal) do IBGE, Isabela Nunes, disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta terça-feira, dia 07, que a indústria brasileira tem um ciclo de crescimento de nove meses seguidos (clique aqui para ouvir o áudio).

“A indústria nacional cresce há nove meses consecutivos em relação ao mês anterior, acumulando 6,8% de crescimento neste período”, disse Isabela.

A Pesquisa Industrial Mensal que o IBGE divulgou nesta terça-feira mostra que a produção industrial do Brasil cresceu em todas as 14 regiões pesquisadas. Ainda segundo dados do IBGE, a indústria brasileira cresceu 4,8% no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2006. Este foi o melhor resultado da história no período.

Isabela Nunes disse que os bens de capital, a produção de automóveis e o setor agrícola puxaram a indústria brasileira neste primeiro semestre de 2007.

“Setores de bens de capital está crescendo bastante forte e a indústria automobilística também... E a gente não pode esquecer que tem nessa produção crescente de bens de capital uma recuperação do setor agrícola”, disse Isabela.

Leia a íntegra da entrevista com Isabela Nunes:

Paulo Henrique Amorim – Eu vou conversar agora com a economista Isabela Nunes, ela é gerente regional do IBGE, ela analisa a Pesquisa Industrial Mensal, como vai dona Isabela, tudo bem?

Isabela Nunes – Tudo bem.

Paulo Henrique Amorim – Dona Isabela, nós temos dois números importantes, no número de hoje, com a análise do crescimento industrial por região, todas as regiões cresceram em junho, não é isso?

Isabela Nunes – Exatamente, no primeiro semestre e em junho, todas as regiões fecham o primeiro semestre com resultados positivos.

Paulo Henrique Amorim – Qual foi o resultado mais exuberante?

Isabela Nunes – O que mostram esses resultados é uma confirmação do atual ciclo de crescimento do Brasil onde os Estados, onde tem uma presença muito forte daqueles setores que estão mais dinâmicos na industrial nacional, como por exemplo: o setor de bens de capital, especialmente aquele seguimento ligado aos investimentos, uma recuperação do setor agrícola, portanto os Estados do Sul, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, São Paulo, onde tem uma produção grande de bens de capital e também Minas Gerais, representando aquele Estado onde a produção de automóveis, principalmente a indústria automotora, que também está presente nesses outros Estados que eu comentei, é bastante significativa.

Paulo Henrique Amorim – Está certo. Quer dizer que nós estamos falando de bens de capital da indústria ligada à atividade agrícola e também de automóvel?

Isabela Nunes – Exatamente.

Paulo Henrique Amorim – Esses são os caminhões que puxam a indústria.

Isabela Nunes – Sem dúvida. Os setores de bens de capital está crescendo bastante forte e a indústria automobilística também.

Paulo Henrique Amorim – Bens de capital está crescendo em que ritmo?

Isabela Nunes – O bens de capital está crescendo três vezes mais do que a média nacional. É um segmento que vem crescendo bastante forte, o que traz, nesse ciclo de crescimento, uma qualidade maior na medida que esses investimentos vão ficar na indústria, em alguns segmentos desses vão estar a infra-estrutura e vão permanecer na indústria. Então, essa qualidade de crescimento ela é expressiva quando vem puxada por bens de capital.

Paulo Henrique Amorim – Isso significa que as empresas e as indústrias estão investindo em crescimento.

Isabela Nunes – Sem dúvida.

Paulo Henrique Amorim – Quando a gente fala de bens de capital a gente está falando em investimento novo.

Isabela Nunes – Exatamente. A gente está falando de capacidade e a gente não pode esquecer que tem aí também nessa produção crescente de bens de capital uma recuperação do setor agrícola que no ano de 2007 vem com um estímulo com um aumento da renda agrícola, os agricultores estão mais capitalizados e, portanto, eles estão podendo investir mais, demandando mais as máquinas agrícolas que têm um alto valor agregado e que são bens de capital.

Paulo Henrique Amorim – Máquinas Agrícolas...

Isabela Nunes – Exatamente.

Paulo Henrique Amorim – O IBGE divulgou nessa semana, desculpe, ontem, a informação de que a Indústria cresceu, no primeiro semestre 4,8% e, aparentemente, esse é o maior resultado, no semestre, é o maior resultado da história do índice.

Isabela Nunes – É verdade. Esse ciclo de crescimento ele é mais forte, a gente fechou um outro ano muito positivo foi o de 2004, a Indústria fechou com 8,3% e a gente já está com 4,8% na metade, no semestre.

Paulo Henrique Amorim – Por que a senhora fala em ciclo de crescimento?

Isabela Nunes – Porque a gente tem, para a indústria nacional nove taxas de crescimento frente ao mês anterior consecutivo, em termos de indústria nacional, a indústria nacional cresce há nove meses consecutivos, em relação ao mês anterior, acumulando 6,8% de crescimento nesse período, essa qualidade de crescimento...

Paulo Henrique Amorim – Isso em nove meses?

Isabela Nunes – Em nove meses, 3,8 em nove meses, e São Paulo cresce, há cinco meses, acumulando 6,7. Ou seja, uma taxa bastante próxima do Brasil com apenas cinco meses, por que isso? Porque São Paulo você tem uma presença muito forte desses segmentos que eu comentei com você de bens de capital e de automóveis.

Paulo Henrique Amorim – Ligada à agricultura...

Isabela Nunes - ... e a produção de veículos.

Paulo Henrique Amorim – Então está muito bom, a última pergunta que eu faria à senhora seria a seguinte, na sua opinião dona Isabela, isso aí terá que impacto no crescimento do PIB? Eu sei que o IBGE tem pavor de fazer previsão, mas aqui numa conversa telefônica, a gente poderia especular um pouco sobre isso.

Isabela Nunes – É, eu acho que um bom resultado da produção industrial é sempre um bom número para o PIB, na medida que a indústria ela é um segmento que tem melhores salários, tem mais capacidade de fazer giro na economia, então, portanto, bons resultados na indústria sempre vão favorecer o PIB como um todo. O PIB não é só indústria, também tem o setor de comércio, o setor de serviço, mas se a indústria, na medida que a indústria se desenvolve, outros segmentos em cadeia também se desenvolvem, os serviços se desenvolvem, portanto é uma qualidade superior para o crescimento total do PIB.

Paulo Henrique Amorim – Está muito bom, foi um grande prazer falar com a senhora, dona Isabela.

Isabela Nunes – Muito obrigada.

Paulo Henrique Amorim – Obrigado.