Eduardo Fagnani* | Publicado no Le Monde Diplomatique
Membro do grupo de economistas vinculado à Frente Brasil Popular
O objetivo de construir uma sociedade civilizada, democrática e socialmente justa deveria ser um dos núcleos de um projeto nacional. A Constituição de 1988 representa um marco do processo civilizatório do país. Pela primeira vez em mais de cinco séculos, ela assegurou formalmente a cidadania plena (direitos civis, políticos e sociais) para todos os brasileiros. O novo ciclo democrático inaugurado por ela, associado aos avanços sociais obtidos na década passada, contribuiu para a melhoria do padrão de vida da população, especialmente dos mais pobres.
Não obstante, o Brasil continua sendo um dos países mais desiguais do mundo. Essa marca tem raízes históricas ditadas pela industrialização tardia, pela curta e descontinuada experiência democrática e, especialmente, pelo longo passado escravocrata, cujo legado foi uma massa de analfabetos sem cidadania. Em pleno século XXI, o país ainda não foi capaz sequer de enfrentar desigualdades históricas herdadas de mais de três séculos de escravidão. Observe-se que, segundo estudo da ONU, a pobreza no Brasil tem cor: mais de 70% das pessoas vivendo em extrema pobreza no país são negras; 64% delas não completam a educação básica; 80% dos analfabetos brasileiros são negros; os salários médios dos negros são 2,4 vezes mais baixos que o dos brancos. No Rio de Janeiro, 80% das vítimas de homicídios resultantes de intervenções policiais são negras. A taxa de assassinatos de mulheres também tem clara dimensão racial. Entre 2003 e 2013, o assassinato de mulheres brancas caiu 10%; no mesmo período, o de negras subiu 54%.1
Segundo o Mapa da Violência, oBrasil ocupa o terceiro lugar, entre 85 países, no ranking de mortes de adolescentes. São 54,9 homicídios para cada 100 mil jovens de 15 a 19 anos, atrás apenas de México e El Salvador. A taxa brasileira é 275 vezes maior do que a de países como Áustria e Japão. Em média, dez adolescentes são assassinados por dia. O assassinato de jovens também tem cor. Morrem proporcionalmente sete negros para cada branco. No Maranhão morrem treze negros para cada branco.2
Nessas condições, o primeiro objetivo estratégico de um projeto civilizatório deveria ser enfrentar essas profundas desigualdades históricas. Em segundo lugar, preservar a inclusão social recente e aprofundar a cidadania social assegurada pela Constituição de 1988. Em terceiro, enfrentar as brutais desigualdades da renda, o que exige medidas voltadas para a revisão da estrutura tributária, a melhor distribuição da propriedade urbana e rural e a correção das desigualdades no mercado de trabalho. Quarto objetivo:
universalizar a cidadania social, pelo enfrentamento do déficit na oferta de serviços sociais públicos, que combina desigualdades no acesso entre classes sociais e entre regiões do país.
A criação de uma sociedade mais igualitária requer que a gestão macroeconômica crie um ambiente favorável para o objetivo de longo prazo de reduzir continuamente a desigualdade. O progresso material é vital para a melhoria generalizada das condições de vida da população. O crescimento continuado da produção e da renda é condição necessária para a estruturação do mundo do trabalho e a ampliação do bem-estar social.
Não obstante, o arcabouço institucional adotado pelos organismos internacionais desde os anos 1990, consubstanciado no chamado “tripé” macroeconômico, não converge para esses propósitos, pois visa unicamente preservar a riqueza financeira. A revisão desse arcabouço vem sendo introduzida por diversos países antes mesmo da crise internacional de 2008; e a própria ortodoxia internacional já o trata como o “velho consenso”. Mas, aqui no Brasil, o “tripé” macroeconômico, introduzido em 1999, tornou-se ideia fixa.
Qualquer crítica é considerada herética pelos ditadores do debate econômico nacional.
Fortalecer a indústria também é condição necessária para avançar no processo civilizatório. A experiência internacional ensina que nenhum país se tornou desenvolvido sem uma indústria forte e competitiva. Também seria necessário fortalecer a capacidade de financiamento do Estado. Há espaço para avançar na reforma tributária, na revisão dos incentivos fiscais e no combate à sonegação.
Taxas de juros estratosféricas ampliam continuamente as despesas financeiras, transferem renda para os mais ricos e enfraquecem a capacidade financeira dos governos para atuar em favor da redução das desigualdades.
Não existem perspectivas favoráveis para a construção de uma sociedade mais igualitária se esse projeto não for pensado na perspectiva da democracia. O contínuo aperfeiçoamento da democracia exige a reforma do sistema representativo, monopolizado pelos partidos e capturado pelo poder econômico. A mercantilização do voto e a ausência de partidos programáticos impõem limites ao presidencialismo de coalizão, tornando qualquer governo refém de interesses corporativos e fisiológicos. Essa é a raiz da corrupção generalizada do sistema político-partidário, que expõe as fraturas do modelo herdado do pacto conservador na transição para a democracia.
A criação de uma sociedade mais igualitária também requer o reforço do papel do Estado. Não há na história econômica do capitalismo nenhum caso de país que tenha se desenvolvido sem o concurso expressivo de seu Estado nacional. A democracia depende da pluralidade de ideias e, nesse sentido, é fundamental garantir que os meios de comunicação sejam o esteio de um debate plural sobre os problemas do Brasil e suas soluções, aprendendo com as lições de diversos países capitalistas desenvolvidos (Estados Unidos, França, Alemanha, Itália, Inglaterra, Espanha e Portugal, entre outros).
Repetindo 1954, 1961 e 1964
A crença nessa utopia foi possível desde a redemocratização dos anos 1980 até poucos anos atrás. Hoje somos devastados por uma sensação opressiva. A iminência de um golpe institucional – pois não há evidência de crime de responsabilidade cometido pela mandatária do país – e a ascensão ilegítima ao poder de representantes dos detentores da riqueza poderão convulsionar o país e aprofundar a captura e o restrito controle do Estado por parte desses setores. O golpe na democracia vem acompanhado pelo impeachmentda cidadania social. Trata-se de nova oportunidade para promover radical mudança na correlação de forças em benefício exclusivo do poder das finanças.
Nos últimos sessenta anos, a sociedade brasileira mudou para melhor. Mas as elites ainda adotam práticas dos anos 1950 e 1960. Continuam sendo “predatórias” e “incapazes de viver com o antagônico”. Como em 1964, “elas querem a derrubada do regime democrático. Elas não sabem e não conseguem conviver com o Estado democrático. Portanto, partem para sua destruição e dissolução, que ocorre através do golpe, ilegal e ilegítimo”.3
Às vésperas do segundo turno das eleições de 2014, um prócer da elite antidemocrática deu a senha do que viria a seguir. Repetiu em sua conta no Twitter4 a célebre frase de Carlos Lacerda, referindo-se a Getúlio Vargas: “Não pode ser candidato. Se for, não pode ser eleito. Se eleito, não pode tomar posse. Se tomar posse, não pode governar”.
Na verdade, a trama começou a ser tecida após as manifestações populares de 2013. Os oposicionistas foram sábios em “federalizar” a insatisfação popular contra a falência generalizada do sistema de representação política herdado do pacto conservador da transição para a democracia e as crônicas deficiências na oferta de serviços sociais, cuja responsabilidade é constitucionalmente compartilhada com governadores e prefeitos.
Em 2014, o “terrorismo” econômico encarregou-se de descontruir a gestão macroeconômica, com o objetivo de enfraquecer a candidatura oficial. A vitória da situação poderia representar mais doze anos de governo do Partido dos Trabalhadores. O fantasma de Lula em 2018 voltava a assustar, sendo imperativo vencer o pleito eleitoral. Economistas liberais, setores do mercado e a grande imprensa passaram a atribuir a perda do dinamismo econômico exclusivamente aos “excessos da intervenção” estatal, olvidando por completo a grave crise do capitalismo global em decorrência da debaclefinanceira de 2008 e seus desdobramentos. Na realidade, apesar de apresentar certa deterioração de alguns indicadores, o Brasil não apresentava, em nenhum aspecto considerado, um cenário de “crise terminal”, como foi difundido.5
Apesar das manobras, Dilma Rousseff venceu e tomou posse. Urgia, então, impedir a continuidade do governo ou sangrá-lo até as próximas eleições, para destruir o legado social dos governos petistas e ampliar a insatisfação popular dos mais pobres e das camadas médias, requisitos para fomentar as ações desestabilizadoras no front político-institucional. Esse ato foi encenado logo após outubro de 2014 e ao longo de 2015, paradoxalmente, contando com a ajuda do próprio governo, que adotou o programa econômico dos derrotados. O ato final poderá ser consumado nos próximos dias.
O Plano Temer
Em meados de 2015, em meio às tramas golpistas e antidemocráticas, o vice-presidente da República, Michel Temer, lançou seu programa de governo (“Uma Ponte para o Futuro”)6 e passou a montar o novo gabinete. O documento, que radicaliza e aprofunda o projeto liberal para o Brasil, propõe a “formação de uma maioria política, mesmo que transitória ou circunstancial”, em torno das propostas apresentadas. Contando com a colaboração de diversos economistas liberais, a iniciativa recebeu amplo apoio de parlamentares de diversos partidos da oposição, empresários e setores da mídia.
Num contexto em que a democracia poderá já ter sido violentada, a gestão macroeconômica será ainda mais ortodoxa. Armínio Fraga, um dos mentores da política econômica do “Programa Temer”, foi o coordenador do programa econômico de Aécio Neves em 2014. Naquela época, receitava “a defesa da volta do tripé como fio condutor da política econômica”, bem como a necessidade de reduzir a meta de inflação dos atuais 4,5%, um forte ajuste fiscal, a redução do intervencionismo do governo, a recuperação do câmbio flutuante para recompor o tripé e a autonomia jurídica do Banco Central.7 Recentemente, afirmou que “o Brasil precisa é de um ajuste enorme”, muito superior ao realizado na primeira administração Lula e pelo ministro Joaquim Levy. “Deveríamos ter uma meta de redução de 25 pontos percentuais do PIB da dívida bruta em alguns anos. E também deveríamos dobrar o grau de abertura em certo horizonte de tempo. São objetivos factíveis”, afirmou. Além disso, serão necessárias “reformas amplas e profundas”, com destaque para a reforma da Previdência e a desvinculação dos ajustes em relação ao salário mínimo e das fontes de financiamento das políticas sociais. “Nosso orçamento deveria ser 100% desvinculado, desindexado, forçando uma reflexão do Estado que queremos e podemos ter. Uma espécie de orçamento de base zero.”8
O aprofundamento das políticas econômicas de “austeridade” requer a radical supressão de direitos sociais e trabalhistas. Nesse caso, um dos focos é acabar com a cidadania social conquistada pela Constituição de 1988, marco do processo civilizatório brasileiro. Abre-se uma nova oportunidade para que esses setores concluam o serviço que vêm tentando fazer desde a Assembleia Nacional Constituinte.
A surrada tese ideológica do “país ingovernável” – sacada pelo então presidente José Sarney (1985-1990), num último gesto desesperado para evitar que a cidadania social fosse incluída na Carta Magna – voltou a ditar o rumo do debate imposto pelos representantes do mercado que conseguiram criar o “consenso” de que estabilizar a dinâmica da dívida pública requer a mudança no “contrato social da redemocratização”. Argumentam que os gastos “obrigatórios” (Previdência Social, assistência social, saúde, educação, seguro-desemprego, entre outros) têm crescido num ritmo que compromete as metas fiscais. Para eles, a crise atual decorre fundamentalmente da trajetória “insustentável” de aumento dos gastos públicos desde 1993, por conta dos direitos sociais consagrados pela Carta de 1988.9 Argumentam ainda que os juros elevados praticados no Brasil decorrem da “baixa poupança” do governo. Esta, por sua vez, é fruto da existência de “sociedades que provêm Estado de bem-estar social generoso com diversos mecanismos públicos de mitigação de riscos”.10A visão de que “o Estado brasileiro não cabe no PIB” também tem sido sentenciada por diversos representantes desse matiz.11
Em consonância com o “Plano Temer”, levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) aponta que tramitam no Congresso Nacional 55 projetos de lei e propostas de emenda constitucional que suprimem direitos sociais e trabalhistas, reduzem o papel do Estado e aprofundam mecanismos de controle fiscal.12
Depois do golpe
Faz parte da narrativa dos oposicionistas que, após o impeachment, haverá uma trégua política, condição necessária para a reorganização da economia. Difícil acreditar nessa possibilidade. Em primeiro lugar, porque falta legitimidade aos que serão “eleitos” pela manobra. Falta, sobretudo, legitimidade ética, pois praticamente todos os futuros mandatários da República – a começar pelo presidente da Câmara dos Deputados e o do Senado Federal, o aspirante a presidente da República, a maioria de seus apoiadores, grande parte dos parlamentares que integram a comissão de impeachment e aqueles que decidirão pela cassação no plenário – parecem estar envolvidos com algum “malfeito” no uso do dinheiro público. Em segundo lugar, as elites financeiras, políticas e midiáticas erram ao pressupor que a sociedade brasileira no século XXI é a mesma de meados do século passado. Ledo engano. Não somos mais um país agrário com uma sociedade politicamente desorganizada. Portanto, como aponta Safatle, a crença na trégua pós-impeachmenté falsa,“e os operadores do próximo Estado Oligárquico de Direito sabem disto muito bem”.13
O mais provável é o acirramento dos ânimos, da intolerância, da fratura ainda maior da sociedade e da luta de classes que está nas ruas. A governabilidade do país poderá depender de um Estado policial ainda mais severo que o utilizado em 1964. Agora, não basta intervir nos sindicatos.
O impeachment do processo civilizatório em pleno século XXI aí está, como que para comprovar que a democracia e a cidadania social são pontos fora da curva do capitalismo brasileiro. São corpos estranhos que os “capitalistas” nacionais ainda não aprenderam a usar, nem sequer em benefício de si mesmos.
* – Eduardo Fagnani é professor do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisador do Cesit (Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho).
O objetivo deste blog é discutir um projeto de desenvolvimento nacional para o Brasil. Esse projeto não brotará naturalmente das forças de mercado e sim de um engajamento político que direcionará os recursos do país na criação de uma nação soberana, desenvolvida e com justiça social.
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segunda-feira, abril 25, 2016
sexta-feira, março 18, 2016
Que país querem os coxinhas?
Os coxinhas dizem que querem o país deles de volta.
De que país eles estão falando?
Para devolver o Brasil à condição que eles querem, é preciso:
Jogar 36 milhões de pessoas na miséria, os mesmos que nós do PT tiramos,
Fazer retroceder para as classes E e D, os 40 milhões que nós colocamos na classe
C.
Duplicar o número de desempregados;
Tirar 70% do valor real do salário mínimo,
As pessoas mais pobres devolverem os milhões de automóveis e bens duráveis que compraram de 2003 a 2016;
Destruir os dois milhões de moradias que construímos;
Acabar com as cotas para negros nas federais, o ProUni, o FIES e fechar 18 novas universidades federais;
Para devolver aquele país idílico com que sonham os coxinhas, é preciso, ainda:
Aumentar o índice de Gini, com a desigualdade social ficando maior;
Reduzir em 10 anos a expectativa de vida do povo brasileiro, que quando pegamos era de 65 anos e passou para 75;
Aumentar a mortalidade infantil, principalmente nos Estados mais pobres, onde a reduzimos drasticamente;
Proibir pobre de andar de avião, tirando os dos aeroportos e os pondo nas rodoviárias.
No país dos sonhos dos coxinhas:
O Bolsa Família deverá ser extinto, pois na cabeça deles o programa incentiva a vagabundagem e o aumento de filhos;
O dólar deve ser baixo, mesmo quebrando as indústrias nacionais, a prioridade será preservar o direito sagrado dos coxinhas irem para Disney, ou Miami, comprarem quinquilharias;
No Brasil dos coxinhas:
Teríamos de desmontar 2 mil quilômetros de ferrovias que construímos nos últimos 13 anos;
Esburacar as rodovias brasileiras como estavam em 2002, ninguém se importava com o estado delas e as mortes que causavam;
Destruir todos os milhares de quilômetros de rodovias que duplicamos, pavimentamos e readequamos;
Fazer os nossos aeroportos que foram ampliados e modernizados retrocederem para o século XX;
Que saudade do país ideal dos coxinhas, em que:
Quem mandava no Brasil eram os Estados Unidos e o FMI;
O Brasil era um anão diplomático;
Não existia os BRICS;
Presidente brasileiro vivia de joelhos e de pires na mão perante a comunidade internacional;
Ministro tirava sapatos para entrar nos Estados Unidos, suspeito de ser terrorista;
Que bom o mundo dos coxinhas!
A corrupção era de 3,8% do PIB e não 0,8% da atual e que continua sendo combatida diuturnamente;
Havia o engavetador geral para esconder a corrupção do governo;
A mídia fazia parte do esquema e escondia todas as falcatruas;
Empresas estatais eram vendidas a preço de banana, com gordas comissões para integrantes do partido do governo;
Os coxinhas querem o país deles de volta, mas que país é este que eles querem resgatar, junto com Sérgio Moro e Globo?
O país da desigualdade, da corrupção, da fome, do desemprego, da violência e da falta de perspectiva de futuro?
Um país vassalo dos Estados Unidos, que ficaria com o pré sal para tornar os irmãos Koch mais ricos?
Um país onde as taxas básicas de juros chegaria a 45% ao ano?
Para quem esse país do passado serviu?
Aos mais pobres e necessitados? Não.
Era uma plutocracia, onde a empregada doméstica não tinha nenhum direito trabalhista.
Pobre não tinha direito a frequentar uma universidade.
Quem sabe nessa onda reformista dos coxinhas eles não queiram até restaurar a escravidão?
Ou a volta da prisão, tortura e assassinato para quem não seja coxinha, como era em período recente da história brasileira?
O país sonhado pelos coxinhas é um paraíso para eles e um inferno para o povo brasileiro.
Coxinhas querem privilégios, a barbárie, a inquisição e uma ditadura conduzida por Moro, Bolsonaro e Globo.
Evaristo Jararaca
De que país eles estão falando?
Para devolver o Brasil à condição que eles querem, é preciso:
Jogar 36 milhões de pessoas na miséria, os mesmos que nós do PT tiramos,
Fazer retroceder para as classes E e D, os 40 milhões que nós colocamos na classe
C.
Duplicar o número de desempregados;
Tirar 70% do valor real do salário mínimo,
As pessoas mais pobres devolverem os milhões de automóveis e bens duráveis que compraram de 2003 a 2016;
Destruir os dois milhões de moradias que construímos;
Acabar com as cotas para negros nas federais, o ProUni, o FIES e fechar 18 novas universidades federais;
Para devolver aquele país idílico com que sonham os coxinhas, é preciso, ainda:
Aumentar o índice de Gini, com a desigualdade social ficando maior;
Reduzir em 10 anos a expectativa de vida do povo brasileiro, que quando pegamos era de 65 anos e passou para 75;
Aumentar a mortalidade infantil, principalmente nos Estados mais pobres, onde a reduzimos drasticamente;
Proibir pobre de andar de avião, tirando os dos aeroportos e os pondo nas rodoviárias.
No país dos sonhos dos coxinhas:
O Bolsa Família deverá ser extinto, pois na cabeça deles o programa incentiva a vagabundagem e o aumento de filhos;
O dólar deve ser baixo, mesmo quebrando as indústrias nacionais, a prioridade será preservar o direito sagrado dos coxinhas irem para Disney, ou Miami, comprarem quinquilharias;
No Brasil dos coxinhas:
Teríamos de desmontar 2 mil quilômetros de ferrovias que construímos nos últimos 13 anos;
Esburacar as rodovias brasileiras como estavam em 2002, ninguém se importava com o estado delas e as mortes que causavam;
Destruir todos os milhares de quilômetros de rodovias que duplicamos, pavimentamos e readequamos;
Fazer os nossos aeroportos que foram ampliados e modernizados retrocederem para o século XX;
Que saudade do país ideal dos coxinhas, em que:
Quem mandava no Brasil eram os Estados Unidos e o FMI;
O Brasil era um anão diplomático;
Não existia os BRICS;
Presidente brasileiro vivia de joelhos e de pires na mão perante a comunidade internacional;
Ministro tirava sapatos para entrar nos Estados Unidos, suspeito de ser terrorista;
Que bom o mundo dos coxinhas!
A corrupção era de 3,8% do PIB e não 0,8% da atual e que continua sendo combatida diuturnamente;
Havia o engavetador geral para esconder a corrupção do governo;
A mídia fazia parte do esquema e escondia todas as falcatruas;
Empresas estatais eram vendidas a preço de banana, com gordas comissões para integrantes do partido do governo;
Os coxinhas querem o país deles de volta, mas que país é este que eles querem resgatar, junto com Sérgio Moro e Globo?
O país da desigualdade, da corrupção, da fome, do desemprego, da violência e da falta de perspectiva de futuro?
Um país vassalo dos Estados Unidos, que ficaria com o pré sal para tornar os irmãos Koch mais ricos?
Um país onde as taxas básicas de juros chegaria a 45% ao ano?
Para quem esse país do passado serviu?
Aos mais pobres e necessitados? Não.
Era uma plutocracia, onde a empregada doméstica não tinha nenhum direito trabalhista.
Pobre não tinha direito a frequentar uma universidade.
Quem sabe nessa onda reformista dos coxinhas eles não queiram até restaurar a escravidão?
Ou a volta da prisão, tortura e assassinato para quem não seja coxinha, como era em período recente da história brasileira?
O país sonhado pelos coxinhas é um paraíso para eles e um inferno para o povo brasileiro.
Coxinhas querem privilégios, a barbárie, a inquisição e uma ditadura conduzida por Moro, Bolsonaro e Globo.
Evaristo Jararaca
quarta-feira, março 09, 2016
Teoria da conspiração ? : O que está em jogo por trás do golpe no Brasil
Esse texto foi escrito em 13 de outubro de 2013
http://ecoepol.blogspot.com.br/2015/10/teoria-da-conspiracao-o-que-esta-em.html
Evaristo Almeida*
Desde o início do governo Lula em 2003, a subelite brasileira, que defende os interesses de outros países, vem tentando tomar o poder. Primeiro tentaram com o chamado processo do mensalão, que muito adequadamente foi apelidado de mentirão.
Nesse processo várias irregularidades jurídicas foram cometidas para atingir os objetivos da direita brasileira, como condenações sem provas como reconheceu uma ministra do Supremo Tribunal Federal, réus sem direito a fórum privilegiado que foram julgados diretamente pelo STF, o que não ocorreu com o mensalão tucano que foi desmembrado; usaram a chamada teoria do domínio de fato, cuja aplicabilidade nesse caso foi criticada pelo próprio Claus Roxin, o criador da tese.
E o pior, o objetivo era acabar com o governo e não com a corrupção, pois o mensalão do PSDB, mesmo sendo mais antigo, até o momento não foi julgado e provavelmente nunca será.
Ainda assim, com todas essas armações, a subelite brasileira continuou perdendo as eleições, mesmo tendo a grande imprensa como aliada, difundindo mentiras e principalmente o ódio contra o governo e o PT. Diariamente a classe média brasileira recebe uma dose de veneno dos três grandes jornais brasileiros e semanalmente, através das três grandes revistas semanais.
Isso fomentou em membros dessa classe um ódio visceral contra o PT, chegando a ser patológico. Agressões contra petistas passaram a ser constantes nas ruas, restaurantes e locais públicos em geral. Recentemente, uma pessoa vinda do litoral paulista esteve em risco, junto com a família, porque ainda tem o adesivo da campanha de 2014 aderida no carro.
Dois carrões, esses SUVs, fecharam-no e quase provocaram uma batida só por causa disso, além das agressões verbais que foram muitas.
Com a perda da eleição em 2010, a subelite brasileira, através dos seus partidos, dos meios de comunicação e estamentos do Estado brasileiro, começaram a unificar o pensamento e as ações. A imprensa praticamente reproduz as mesmas matérias, provavelmente construídas pelas mesmas pessoas que usam processos semióticos para induzir um conjunto de conceitos ideológicos, de interesse dessa classe social, que vão sendo assimilados pela população.
A partir de 2011, várias ações foram sendo feitas para que a oposição ao governo federal ganhasse as eleições de 2014. Estavam certos que venceriam essas eleições.
Para isso além do que já vinham fazendo, trouxeram a tona a operação lava jato e as acusações contra a Petrobras.
Esses dois movimentos, mas o ataque cerrado da grande imprensa brasileira garantiria a vitória da oposição.
Nessa operação entram em cena dois fatos importantes, um é a espionagem da agência estadunidense NSA, que teve acesso a informações do governo federal e da Petrobras, divulgado pelo Wikileaks, fato que fez com que a presidenta cancelasse sua viagem aos Estados Unidos.
O outro é a chegada em 2013 da embaixadora dos Estados Unidos Liliana Ayalde, que chefiava a embaixada paraguaia, antes do golpe contra Fernando Lugo.
Várias matérias publicadas referendaram os indícios do envolvimento da embaixadora no golpe daquele país, inclusive o Whikileaks, https://wikileaks.org/plusd/cables/09ASUNCION675_a.html, pela EBC, http://www.ebc.com.br/noticias/internacional/2013/02/paraguai-os-eua-e-o-impeachment e também na Carta Maior http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/O-Golpe-de-Estado-no-Paraguai-e-a-America-do-Sul%0D%0A/6/25446.
O motivo econômico para o golpe de estado
O petróleo é o principal motivo para um golpe no Brasil, advindo de que os Estados Unidos estão perdendo o controle no Oriente Médio, com a ação russa na Síria.
O petróleo para os Estados Unidos tem dois pontos principais, o principal deles é a garantia do fornecimento para o maior consumidor mundial, junto com a China. O segundo é o petrodólar, acordo que faz com a transação na compra e venda de petróleo seja efetuada em dólar. Isso garante ao emissor dessa moeda um cheque especial, podendo se endividar eternamente pagando com a impressão do dólar. Como o resto do mundo demanda essa moeda, não traz efeitos inflacionários.
Quem se insurgiu contra essa prática como o Iraque e a Líbia foram invadidos e o país destruído.
Para sorte e azar do Brasil, descobrimos a principal província petrolífera do século XXI, chamada de pré-sal que pode ter 300 bilhões de barris de óleo de excelente qualidade.
A sorte prevalecerá se conseguirmos o controle nacional sobre essas reservas, com a Petrobras sendo a única exploradora e mantido o regime de partilha, o Brasil poderá ser um país desenvolvido, com uma indústria offshore e com essa riqueza distribuída, o nosso povo terá um padrão de vida muito melhor.
O nosso risco ou azar, é que exceto a Noruega, país com grandes reservas petrolíferas, os demais foram alvos de todos os meios usados para que as reservas petrolíferas passassem para o controle estrangeiro.
Uma das pragas do Oriente Médio é justamente a riqueza abrigada no seu subsolo, com governos despóticos apoiados pelo Ocidente, invasão e guerra permanente.
E neste cenário da operação Lava Jato segue metódica, com informações privilegiadas e seletividade, junto com a grande imprensa, ajudou nos objetivos das petroleiras estrangeiras na desconstrução da Petrobras, apesar da empresa valer muitas vezes mais no mercado, estar mais rentável e ter aumentado as reservas de petróleo, tendo por base o ano de 2002.
Juntaram as empresas de engenharia nacional no chamado petrolão para martelar diuturnamente de que deveriam acabar com essas empresas, porque estavam metidas em corrupção. Agiram como se em outros países, ricos ou pobres a corrupção não existisse.
Passaram para a população a idéia de que a corrupção é um mal que afeta unicamente o povo brasileiro. Essa é a síntese desse processo todo.
Como se as empresas capitalistas não fossem em sua essência corruptas e se medidas saneadoras já não tivessem sido tomadas.
O escândalo do trensalão em São Paulo foi praticado por empresas francesa, japonesa, alemã e brasileira, que provocaram um rombo de pelo menos R$ 1 bilhão nos cofres públicos, segundo o Ministério Público.
A corrupção de militares alemães por uma grande empresa estadunidense na venda de caças na década de 1960 provocou um grande escândalo, mas nem por isso a empresa foi fechada. Esse fato está em https://en.wikipedia.org/wiki/Lockheed_bribery_scandals,
O grande golpe de corrupção privado foi o de 2008, em que grandes empresas financeiras, da área de seguros e bancos provocaram a crise do subprime, que causou um prejuízo de US$ 780 bilhões aos contribuintes dos Estados Unidos, desemprego e crise econômica e ninguém foi preso, tema do documentário Inside Job em http://www.filmesonlinegratis.net/assistir-trabalho-interno-dublado-online.html.
A grande mídia brasileira e estrangeira, junto com funcionários públicos, inclusive alguns que estudaram nos Estados Unidos, montaram um grande esquema para tirar o pré-sal do controle da Petrobras e num futuro próximo a empresa ser privatizada, sob o argumento de que empresa pública é essencialmente corrupta e a privada não, outra falácia.
Quem ganharia com tudo isso seriam as grandes empresas petrolíferas estadunidenses e européias.
E o Brasil veria de novo sua riqueza ir enriquecer outros povos, como aconteceu no ciclo da cana-de-açúcar e do ouro, que os europeus ganharam tudo e nós ficamos com a herança da escravidão e os buracos em Ouro Preto.
Além do petróleo e da Petrobras, os países que ganham com o golpe ainda ocupariam o espaço das empresas de engenharia nacionais e poderiam exportar bens, como navios e plataformas para a exploração do pré-sal no Brasil, o que atualmente não é possível.
Para tentar isso eles contam com apoio de senadores e deputados que apresentaram projetos leis para tentar tirar o pré-sal do povo brasileiro. Os projetos estão tramitando e o processo está em andamento.
A traição em 1789 por Joaquim Silvério dos Reis causou a morte de Tiradentes e o Brasil continuou como colônia, essa trama se for efetivada por esses parlamentares, condenará o Brasil a ser ad perpetum um país subdesenvolvido, causará pobreza, tirando a chance de uma vida melhor à milhões de brasileiros e o país voltará à condição do que já foi um dia, colônia.
É um crime de lesa pátria, que vai contra os interesses do nosso povo.
Os motivos geopolíticos para o golpe
Um novo mundo está em nascimento, mas o velho, baseado na unipolaridade dos Estados Unidos, recusa-se a acabar.
A maior porção de terra, a Eurásia, ou a hurt land, na qual fazem parte a Russia e a China, novos atores no cenário mundial, estão construindo laços comerciais, culturais e estratégicos que mudam o eixo estratégico do mundo.
Construção de ferrovias de alta velocidade, de exploração de gás petróleo e formação de blocos, como o BRICS, estão avançando rapidamente, sob liderança desses países.
Os Estados Unidos, com a pax americana já não convencem ninguém e a Europa perdeu o protagonismo, principalmente com a crise econômica que está assolando países como Grécia, Espanha e Portugal, ameaçando a unidade da União Européia e do euro.
Enquanto isso, no continente latino americano vários países se reconstruíram das ditaduras implantadas pelos Estados Unidos com as subelites locais nas décadas de 1960 e 1970, e da derrocada do neoliberalismo, fundamentalismo econômico, sem base científica, que afundou o nosso continente em crises econômicas e sociais na década de 1990.
O Brasil é o país mais importante dessa porção de terra do mundo, sem nenhuma pretensão imperialista. E o nosso país tem garantido a democracia em vários países que sofreram processos de golpes de estado, como a Venezuela, Bolívia, Equador e Argentina, através de instituições como o Mercosul e a Unasul.
Mesmo com esses instrumentos não conseguimos barrar os golpes em Honduras e no Paraguai.
Outro fator importante são os acordos comerciais, como o Trans-Pacífico (TPP), o Trans-Atlântico (TPA) e o Tratado de Serviços (TISA).
Quem está puxando esses tratados são os Estados Unidos e os países europeus e representam a morte da democracia nos países que aderirem a eles, pois todos os direitos sociais, o parlamento e iniciativas governamentais seguirão ritos que beneficiam as grandes empresas transnacionais.
Então, um Brasil, sob controle da oposição, como escreveu Fernando Henrique Cardoso, aderiria a um tratado desses, em nome da modernidade. Ser colônia para ele é ser moderno.
E sairia dos BRICS, para tentar enfraquecer esse bloco, principalmente depois da criação do banco de desenvolvimento, que substituirá o Banco Mundial e do arranjo financeiro, que substituirá o FMI. É uma libertação do mundo do acordo de Bretton Woods.
É tudo o que os países centrais não querem, pois contam com a chantagem financeira feita através do BIRD e do FMI, que eles controlam para conseguirem o controle político e econômico de países que são obrigados a abrir mão da soberania para acessarem linhas de crédito oferecidas por esses organismos.
E a América Latina ficaria sem pai nem mãe, pois os golpistas estariam livres para derrubar regimes democráticos, pintados de ditaduras pela grande imprensa, como a Venezuela.
Essa é a essência o que está por trás desse golpe de estado que estão tentando implantar no Brasil.
Final
O Brasil passa por um momento crucial em que a democracia conquistada a duras penas, a ascensão social, direitos trabalhistas e civis, a soberania brasileira e o futuro do país estão em risco.
A oposição, que não conseguiu ganhar as quatro últimas eleições para a presidência, resolveu partir para o golpe de estado, junto com a grande imprensa brasileira e partes de instituições estatais.
Subjacente a tudo isso, de forma dissimulada, estão interesses estrangeiros no Brasil e na América Latina que querem de novo o protagonismo colonialista que sempre tiveram.
A cobiça do pré-sal por povos estrangeiros, a privatização da Petrobras e a abertura do mercado brasileiro para produtos de exploração offshore de petróleo, é parte da força que se esconde atrás desse processo.
A saída do Brasil dos BRICS, a entrada subalterna no TPP, TPA ou TISA, poriam fim a qualquer projeto de inserção soberana do país no mundo.
As democracias da América Latina também estariam em risco.
Assim como na batalha de Stalingrado, a nossa luta de hoje é entre a civilização ou a barbárie.
A oposição brasileira quer o retrocesso do país e além de representar os próprios interesses oligárquicos estão a serviço de interesses obscuros de outros povos.
Defender a democracia e o resultado da eleição de 2014 é garantir um futuro promissor para o nosso país.
Como escreveu Ricardo Semler, nunca se roubou tão pouco como agora, que pode ser lido em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/196552-nunca-se-roubou-tao-pouco.shtml.
Graças aos governos do PT, a corrupção que já foi de 5% do PIB, passou para 3,1% e seria de 0,8%. E vai continuar diminuindo.
Isso demonstra o quanto a roubalheira vem sendo combatida desde 2003, o que está assustando muita gente da subelite brasileira que se acostumou a usar o Estado brasileiro em benefício próprio e isso está acabando.
Estão usando a corrupção como falsa bandeira; não é para acabar com os maus feitos, mas para que eles continuem por mais 500 anos.
·Economista, Mestre em Economia Política – PUC-SP
http://ecoepol.blogspot.com.br/2015/10/teoria-da-conspiracao-o-que-esta-em.html
Evaristo Almeida*
Desde o início do governo Lula em 2003, a subelite brasileira, que defende os interesses de outros países, vem tentando tomar o poder. Primeiro tentaram com o chamado processo do mensalão, que muito adequadamente foi apelidado de mentirão.
Nesse processo várias irregularidades jurídicas foram cometidas para atingir os objetivos da direita brasileira, como condenações sem provas como reconheceu uma ministra do Supremo Tribunal Federal, réus sem direito a fórum privilegiado que foram julgados diretamente pelo STF, o que não ocorreu com o mensalão tucano que foi desmembrado; usaram a chamada teoria do domínio de fato, cuja aplicabilidade nesse caso foi criticada pelo próprio Claus Roxin, o criador da tese.
E o pior, o objetivo era acabar com o governo e não com a corrupção, pois o mensalão do PSDB, mesmo sendo mais antigo, até o momento não foi julgado e provavelmente nunca será.
Ainda assim, com todas essas armações, a subelite brasileira continuou perdendo as eleições, mesmo tendo a grande imprensa como aliada, difundindo mentiras e principalmente o ódio contra o governo e o PT. Diariamente a classe média brasileira recebe uma dose de veneno dos três grandes jornais brasileiros e semanalmente, através das três grandes revistas semanais.
Isso fomentou em membros dessa classe um ódio visceral contra o PT, chegando a ser patológico. Agressões contra petistas passaram a ser constantes nas ruas, restaurantes e locais públicos em geral. Recentemente, uma pessoa vinda do litoral paulista esteve em risco, junto com a família, porque ainda tem o adesivo da campanha de 2014 aderida no carro.
Dois carrões, esses SUVs, fecharam-no e quase provocaram uma batida só por causa disso, além das agressões verbais que foram muitas.
Com a perda da eleição em 2010, a subelite brasileira, através dos seus partidos, dos meios de comunicação e estamentos do Estado brasileiro, começaram a unificar o pensamento e as ações. A imprensa praticamente reproduz as mesmas matérias, provavelmente construídas pelas mesmas pessoas que usam processos semióticos para induzir um conjunto de conceitos ideológicos, de interesse dessa classe social, que vão sendo assimilados pela população.
A partir de 2011, várias ações foram sendo feitas para que a oposição ao governo federal ganhasse as eleições de 2014. Estavam certos que venceriam essas eleições.
Para isso além do que já vinham fazendo, trouxeram a tona a operação lava jato e as acusações contra a Petrobras.
Esses dois movimentos, mas o ataque cerrado da grande imprensa brasileira garantiria a vitória da oposição.
Nessa operação entram em cena dois fatos importantes, um é a espionagem da agência estadunidense NSA, que teve acesso a informações do governo federal e da Petrobras, divulgado pelo Wikileaks, fato que fez com que a presidenta cancelasse sua viagem aos Estados Unidos.
O outro é a chegada em 2013 da embaixadora dos Estados Unidos Liliana Ayalde, que chefiava a embaixada paraguaia, antes do golpe contra Fernando Lugo.
Várias matérias publicadas referendaram os indícios do envolvimento da embaixadora no golpe daquele país, inclusive o Whikileaks, https://wikileaks.org/plusd/cables/09ASUNCION675_a.html, pela EBC, http://www.ebc.com.br/noticias/internacional/2013/02/paraguai-os-eua-e-o-impeachment e também na Carta Maior http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/O-Golpe-de-Estado-no-Paraguai-e-a-America-do-Sul%0D%0A/6/25446.
O motivo econômico para o golpe de estado
O petróleo é o principal motivo para um golpe no Brasil, advindo de que os Estados Unidos estão perdendo o controle no Oriente Médio, com a ação russa na Síria.
O petróleo para os Estados Unidos tem dois pontos principais, o principal deles é a garantia do fornecimento para o maior consumidor mundial, junto com a China. O segundo é o petrodólar, acordo que faz com a transação na compra e venda de petróleo seja efetuada em dólar. Isso garante ao emissor dessa moeda um cheque especial, podendo se endividar eternamente pagando com a impressão do dólar. Como o resto do mundo demanda essa moeda, não traz efeitos inflacionários.
Quem se insurgiu contra essa prática como o Iraque e a Líbia foram invadidos e o país destruído.
Para sorte e azar do Brasil, descobrimos a principal província petrolífera do século XXI, chamada de pré-sal que pode ter 300 bilhões de barris de óleo de excelente qualidade.
A sorte prevalecerá se conseguirmos o controle nacional sobre essas reservas, com a Petrobras sendo a única exploradora e mantido o regime de partilha, o Brasil poderá ser um país desenvolvido, com uma indústria offshore e com essa riqueza distribuída, o nosso povo terá um padrão de vida muito melhor.
O nosso risco ou azar, é que exceto a Noruega, país com grandes reservas petrolíferas, os demais foram alvos de todos os meios usados para que as reservas petrolíferas passassem para o controle estrangeiro.
Uma das pragas do Oriente Médio é justamente a riqueza abrigada no seu subsolo, com governos despóticos apoiados pelo Ocidente, invasão e guerra permanente.
E neste cenário da operação Lava Jato segue metódica, com informações privilegiadas e seletividade, junto com a grande imprensa, ajudou nos objetivos das petroleiras estrangeiras na desconstrução da Petrobras, apesar da empresa valer muitas vezes mais no mercado, estar mais rentável e ter aumentado as reservas de petróleo, tendo por base o ano de 2002.
Juntaram as empresas de engenharia nacional no chamado petrolão para martelar diuturnamente de que deveriam acabar com essas empresas, porque estavam metidas em corrupção. Agiram como se em outros países, ricos ou pobres a corrupção não existisse.
Passaram para a população a idéia de que a corrupção é um mal que afeta unicamente o povo brasileiro. Essa é a síntese desse processo todo.
Como se as empresas capitalistas não fossem em sua essência corruptas e se medidas saneadoras já não tivessem sido tomadas.
O escândalo do trensalão em São Paulo foi praticado por empresas francesa, japonesa, alemã e brasileira, que provocaram um rombo de pelo menos R$ 1 bilhão nos cofres públicos, segundo o Ministério Público.
A corrupção de militares alemães por uma grande empresa estadunidense na venda de caças na década de 1960 provocou um grande escândalo, mas nem por isso a empresa foi fechada. Esse fato está em https://en.wikipedia.org/wiki/Lockheed_bribery_scandals,
O grande golpe de corrupção privado foi o de 2008, em que grandes empresas financeiras, da área de seguros e bancos provocaram a crise do subprime, que causou um prejuízo de US$ 780 bilhões aos contribuintes dos Estados Unidos, desemprego e crise econômica e ninguém foi preso, tema do documentário Inside Job em http://www.filmesonlinegratis.net/assistir-trabalho-interno-dublado-online.html.
A grande mídia brasileira e estrangeira, junto com funcionários públicos, inclusive alguns que estudaram nos Estados Unidos, montaram um grande esquema para tirar o pré-sal do controle da Petrobras e num futuro próximo a empresa ser privatizada, sob o argumento de que empresa pública é essencialmente corrupta e a privada não, outra falácia.
Quem ganharia com tudo isso seriam as grandes empresas petrolíferas estadunidenses e européias.
E o Brasil veria de novo sua riqueza ir enriquecer outros povos, como aconteceu no ciclo da cana-de-açúcar e do ouro, que os europeus ganharam tudo e nós ficamos com a herança da escravidão e os buracos em Ouro Preto.
Além do petróleo e da Petrobras, os países que ganham com o golpe ainda ocupariam o espaço das empresas de engenharia nacionais e poderiam exportar bens, como navios e plataformas para a exploração do pré-sal no Brasil, o que atualmente não é possível.
Para tentar isso eles contam com apoio de senadores e deputados que apresentaram projetos leis para tentar tirar o pré-sal do povo brasileiro. Os projetos estão tramitando e o processo está em andamento.
A traição em 1789 por Joaquim Silvério dos Reis causou a morte de Tiradentes e o Brasil continuou como colônia, essa trama se for efetivada por esses parlamentares, condenará o Brasil a ser ad perpetum um país subdesenvolvido, causará pobreza, tirando a chance de uma vida melhor à milhões de brasileiros e o país voltará à condição do que já foi um dia, colônia.
É um crime de lesa pátria, que vai contra os interesses do nosso povo.
Os motivos geopolíticos para o golpe
Um novo mundo está em nascimento, mas o velho, baseado na unipolaridade dos Estados Unidos, recusa-se a acabar.
A maior porção de terra, a Eurásia, ou a hurt land, na qual fazem parte a Russia e a China, novos atores no cenário mundial, estão construindo laços comerciais, culturais e estratégicos que mudam o eixo estratégico do mundo.
Construção de ferrovias de alta velocidade, de exploração de gás petróleo e formação de blocos, como o BRICS, estão avançando rapidamente, sob liderança desses países.
Os Estados Unidos, com a pax americana já não convencem ninguém e a Europa perdeu o protagonismo, principalmente com a crise econômica que está assolando países como Grécia, Espanha e Portugal, ameaçando a unidade da União Européia e do euro.
Enquanto isso, no continente latino americano vários países se reconstruíram das ditaduras implantadas pelos Estados Unidos com as subelites locais nas décadas de 1960 e 1970, e da derrocada do neoliberalismo, fundamentalismo econômico, sem base científica, que afundou o nosso continente em crises econômicas e sociais na década de 1990.
O Brasil é o país mais importante dessa porção de terra do mundo, sem nenhuma pretensão imperialista. E o nosso país tem garantido a democracia em vários países que sofreram processos de golpes de estado, como a Venezuela, Bolívia, Equador e Argentina, através de instituições como o Mercosul e a Unasul.
Mesmo com esses instrumentos não conseguimos barrar os golpes em Honduras e no Paraguai.
Outro fator importante são os acordos comerciais, como o Trans-Pacífico (TPP), o Trans-Atlântico (TPA) e o Tratado de Serviços (TISA).
Quem está puxando esses tratados são os Estados Unidos e os países europeus e representam a morte da democracia nos países que aderirem a eles, pois todos os direitos sociais, o parlamento e iniciativas governamentais seguirão ritos que beneficiam as grandes empresas transnacionais.
Então, um Brasil, sob controle da oposição, como escreveu Fernando Henrique Cardoso, aderiria a um tratado desses, em nome da modernidade. Ser colônia para ele é ser moderno.
E sairia dos BRICS, para tentar enfraquecer esse bloco, principalmente depois da criação do banco de desenvolvimento, que substituirá o Banco Mundial e do arranjo financeiro, que substituirá o FMI. É uma libertação do mundo do acordo de Bretton Woods.
É tudo o que os países centrais não querem, pois contam com a chantagem financeira feita através do BIRD e do FMI, que eles controlam para conseguirem o controle político e econômico de países que são obrigados a abrir mão da soberania para acessarem linhas de crédito oferecidas por esses organismos.
E a América Latina ficaria sem pai nem mãe, pois os golpistas estariam livres para derrubar regimes democráticos, pintados de ditaduras pela grande imprensa, como a Venezuela.
Essa é a essência o que está por trás desse golpe de estado que estão tentando implantar no Brasil.
Final
O Brasil passa por um momento crucial em que a democracia conquistada a duras penas, a ascensão social, direitos trabalhistas e civis, a soberania brasileira e o futuro do país estão em risco.
A oposição, que não conseguiu ganhar as quatro últimas eleições para a presidência, resolveu partir para o golpe de estado, junto com a grande imprensa brasileira e partes de instituições estatais.
Subjacente a tudo isso, de forma dissimulada, estão interesses estrangeiros no Brasil e na América Latina que querem de novo o protagonismo colonialista que sempre tiveram.
A cobiça do pré-sal por povos estrangeiros, a privatização da Petrobras e a abertura do mercado brasileiro para produtos de exploração offshore de petróleo, é parte da força que se esconde atrás desse processo.
A saída do Brasil dos BRICS, a entrada subalterna no TPP, TPA ou TISA, poriam fim a qualquer projeto de inserção soberana do país no mundo.
As democracias da América Latina também estariam em risco.
Assim como na batalha de Stalingrado, a nossa luta de hoje é entre a civilização ou a barbárie.
A oposição brasileira quer o retrocesso do país e além de representar os próprios interesses oligárquicos estão a serviço de interesses obscuros de outros povos.
Defender a democracia e o resultado da eleição de 2014 é garantir um futuro promissor para o nosso país.
Como escreveu Ricardo Semler, nunca se roubou tão pouco como agora, que pode ser lido em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/196552-nunca-se-roubou-tao-pouco.shtml.
Graças aos governos do PT, a corrupção que já foi de 5% do PIB, passou para 3,1% e seria de 0,8%. E vai continuar diminuindo.
Isso demonstra o quanto a roubalheira vem sendo combatida desde 2003, o que está assustando muita gente da subelite brasileira que se acostumou a usar o Estado brasileiro em benefício próprio e isso está acabando.
Estão usando a corrupção como falsa bandeira; não é para acabar com os maus feitos, mas para que eles continuem por mais 500 anos.
·Economista, Mestre em Economia Política – PUC-SP
terça-feira, março 08, 2016
A questão do câmbio
Evaristo Almeida
Outro dia discutindo com uma coxinha no banco, ela me falou sobre o valor do dólar, acusando Dilma de ter perdido o controle sobre a moeda. Eu lhe disse que o câmbio atual perto de R$ 4,00, deveria estar acima de R$ 7,00 se fosse seguir a taxa que foi entregue ao governo Lula em 2003.
Como nós não temos imprensa que presta, salvo os blogueiros sujos e uma ou outra publicação, os jornalistas coxinhas empregados das oligarquias midiáticas, trabalham contra o país e o governo ao não explicarem o porquê da variação cambial.
Quando Lula pegou o governo no início do ano de 2003, o câmbio estava muito alto por conta das políticas econômicas desastrosas do governo Fernando Henrique. Para quem não lembra a taxa de juros Selic estava em torno de 25% ao ano e o juro real em 11%.
A economia brasileira estava totalmente desestruturada, devendo ao Fundo Monetário Internacional, taxa de risco país acima dos dois mil pontos, alta taxa de desemprego, entre outras desgraças que afligiam o povo brasileiro.
Vamos ao câmbio, as empresas brasileiras estavam fortemente alavancadas em empréstimos em dólar em 2003, vamos imaginar que elas contraíram as dívidas com o dólar valendo R$ 2,00. Um empréstimo de US$ 100 milhões é igual a R$ 200 milhões. Quando o câmbio dobra e vai a R$ 4,00, do dia para a noite a dívida dobra e vai a R$ 400 milhões.
Se essa taxa persistisse muitas empresas brasileiras quebrariam e afundariam ainda mais a recessão.
O governo Lula tomou medidas duras que restabeleceram a confiança na economia brasileira que foram exitosas, fazendo com a economia reagisse e aos poucos a taxa cambial foi caindo, salvando dezenas de empresas, de empregos e fazendo uma das mais fantásticas retomadas econômicas da nossa história.
No ano de 2008 houve uma das mais graves crises econômicas do capitalismo, conhecida como subprime, que quebrou a economia dos Estados Unidos e espalhou o medo pelo mundo inteiro e atingindo fortemente a Europa.
Essa crise, de início ficou restrita ao coração do capitalismo mundial, acabou sendo conduzida aos países emergentes quando afetou a capacidade dos Estados Unidos e da Europa comprarem da China, o que fez com a economia chinesa reduzisse o seu crescimento, afetando as chamadas commodities, principalmente petróleo, soja e minério, que afetou fortemente as economias emergentes como a brasileira.
Outro fato importante foi o aumente da base monetária dos Estados Unidos, que jogou trilhões de dólares na economia para reanimá-la.
Esse processo desvalorizou o dólar e valorizou quase todas as moedas do mundo, inclusive a nossa, afetando a nossa capacidade de exportação.
Nesses anos todos usamos muito o fator cambial como medida para segurar os preços, o que também foi um erro grave da política brasileira nos últimos 20 anos, com exceção no período do final do governo Fernando Henrique, onde o mercado jogou a taxa cambial para a estratosfera, como descrito no início desse artigo.
Com a crise mundial e o fim da injeção de dólar no mercado mundial, o natural é que o dólar se valorizasse como ocorreu.
E o mundo ainda aguarda um aumento da taxa de juros nos Estados Unidos, o que pode elevar ainda mais a taxa cambial.
Mesmo levando em conta a desvalorização que ocorreu, a taxa cambial brasileira, se fosse levado em conta a inflação brasileira no período, subtraindo a inflação estadunidense, a taxa atualmente seria de R$ 7,00.
O câmbio mexe muito com a classe média, pois com a valorização cambial acabou a festa para comprar bugigangas na Flórida. Os turistas brasileiros estavam entre os que mais gastavam nos Estados Unidos.
O mercado interno também tinha sido invadido por produtos estrangeiros, quebrando o balanço de pagamentos do país.
O Brasil não pode de novo cair na armadilha de valorização cambial, como foi principalmente no período de decretação do Plano Real. Isso quebrou a indústria brasileira, pulverizando milhões de empregos de qualidade.
A China manteve o Yuan em 8 por dólar durante 30 anos e com isso se transformou na indústria do mundo.
A desvalorização cambial que ocorreu nesse início do ano é mais do que bem vinda para o Brasil, já estamos exportando bens industriais, mantendo empregos nessas empresas.
O câmbio é coisa muito séria e apesar de frustrar os passeios da classe média na Disneyworld pode ser elemento importante na retomada do crescimento econômico, fator importante para todos os brasileiros e brasileiras.
Outro dia discutindo com uma coxinha no banco, ela me falou sobre o valor do dólar, acusando Dilma de ter perdido o controle sobre a moeda. Eu lhe disse que o câmbio atual perto de R$ 4,00, deveria estar acima de R$ 7,00 se fosse seguir a taxa que foi entregue ao governo Lula em 2003.
Como nós não temos imprensa que presta, salvo os blogueiros sujos e uma ou outra publicação, os jornalistas coxinhas empregados das oligarquias midiáticas, trabalham contra o país e o governo ao não explicarem o porquê da variação cambial.
Quando Lula pegou o governo no início do ano de 2003, o câmbio estava muito alto por conta das políticas econômicas desastrosas do governo Fernando Henrique. Para quem não lembra a taxa de juros Selic estava em torno de 25% ao ano e o juro real em 11%.
A economia brasileira estava totalmente desestruturada, devendo ao Fundo Monetário Internacional, taxa de risco país acima dos dois mil pontos, alta taxa de desemprego, entre outras desgraças que afligiam o povo brasileiro.
Vamos ao câmbio, as empresas brasileiras estavam fortemente alavancadas em empréstimos em dólar em 2003, vamos imaginar que elas contraíram as dívidas com o dólar valendo R$ 2,00. Um empréstimo de US$ 100 milhões é igual a R$ 200 milhões. Quando o câmbio dobra e vai a R$ 4,00, do dia para a noite a dívida dobra e vai a R$ 400 milhões.
Se essa taxa persistisse muitas empresas brasileiras quebrariam e afundariam ainda mais a recessão.
O governo Lula tomou medidas duras que restabeleceram a confiança na economia brasileira que foram exitosas, fazendo com a economia reagisse e aos poucos a taxa cambial foi caindo, salvando dezenas de empresas, de empregos e fazendo uma das mais fantásticas retomadas econômicas da nossa história.
No ano de 2008 houve uma das mais graves crises econômicas do capitalismo, conhecida como subprime, que quebrou a economia dos Estados Unidos e espalhou o medo pelo mundo inteiro e atingindo fortemente a Europa.
Essa crise, de início ficou restrita ao coração do capitalismo mundial, acabou sendo conduzida aos países emergentes quando afetou a capacidade dos Estados Unidos e da Europa comprarem da China, o que fez com a economia chinesa reduzisse o seu crescimento, afetando as chamadas commodities, principalmente petróleo, soja e minério, que afetou fortemente as economias emergentes como a brasileira.
Outro fato importante foi o aumente da base monetária dos Estados Unidos, que jogou trilhões de dólares na economia para reanimá-la.
Esse processo desvalorizou o dólar e valorizou quase todas as moedas do mundo, inclusive a nossa, afetando a nossa capacidade de exportação.
Nesses anos todos usamos muito o fator cambial como medida para segurar os preços, o que também foi um erro grave da política brasileira nos últimos 20 anos, com exceção no período do final do governo Fernando Henrique, onde o mercado jogou a taxa cambial para a estratosfera, como descrito no início desse artigo.
Com a crise mundial e o fim da injeção de dólar no mercado mundial, o natural é que o dólar se valorizasse como ocorreu.
E o mundo ainda aguarda um aumento da taxa de juros nos Estados Unidos, o que pode elevar ainda mais a taxa cambial.
Mesmo levando em conta a desvalorização que ocorreu, a taxa cambial brasileira, se fosse levado em conta a inflação brasileira no período, subtraindo a inflação estadunidense, a taxa atualmente seria de R$ 7,00.
O câmbio mexe muito com a classe média, pois com a valorização cambial acabou a festa para comprar bugigangas na Flórida. Os turistas brasileiros estavam entre os que mais gastavam nos Estados Unidos.
O mercado interno também tinha sido invadido por produtos estrangeiros, quebrando o balanço de pagamentos do país.
O Brasil não pode de novo cair na armadilha de valorização cambial, como foi principalmente no período de decretação do Plano Real. Isso quebrou a indústria brasileira, pulverizando milhões de empregos de qualidade.
A China manteve o Yuan em 8 por dólar durante 30 anos e com isso se transformou na indústria do mundo.
A desvalorização cambial que ocorreu nesse início do ano é mais do que bem vinda para o Brasil, já estamos exportando bens industriais, mantendo empregos nessas empresas.
O câmbio é coisa muito séria e apesar de frustrar os passeios da classe média na Disneyworld pode ser elemento importante na retomada do crescimento econômico, fator importante para todos os brasileiros e brasileiras.
terça-feira, fevereiro 09, 2016
A liberdade como expressão do contraditório
Por: Laerte Fedrigo*, publicado na Tribuna Regional
A Ciência Econômica concebe a economia como sendo o processo de transformação da natureza por meio do trabalho. Por esse caminho, o homem foi se distanciando dos outros animais. Em lugar de colher os frutos oferecidos pela natureza, ele passou a viver em função do trabalho, desenvolvendo características essencialmente humanas, a liberdade criativa e a liberdade de escolha, dando sentido à própria vida. Esse progresso implicou no aumento da capacidade produtiva da sociedade. Quanto mais complexas as ferramentas, maior o domínio do homem sobre a natureza e maior a produtividade do trabalho, o que resultou na geração de excedentes, apropriados por uma classe numericamente reduzida, consubstanciando, na história, os diferentes modos de produção: o modo escravista, o modo feudal e o modo capitalista.
Em cada tempo dessa história foi necessária uma ideologia que justificasse moralmente as contradições do sistema econômico. Para impedir a mobilidade social ascendente, a ética paternalista cristã, ideologia do feudalismo, condenou a usura e obrigou a prática do justo preço, práticas essas que viraram as virtudes do modo capitalista de produção. A burguesia operou esse milagre difundindo os ideais liberais, segundo os quais o indivíduo sabe o melhor destino a dar aos recursos e o faz sempre da forma mais eficiente, devendo, porquanto, ter a liberdade: a livre iniciativa. Nas entrelinhas do texto de Adam Smith, pai do liberalismo, fica evidente que o indivíduo seria o capitalista, que deveria ter a liberdade de explorar o outro, acumulando riquezas em proveito próprio. Como na concepção protestante os homens se justificam pela fé e não pelas boas ações, desde então o indivíduo acumula riquezas, explorando o outro, e no final de semana vai à igreja dar o testemunho da sua fé.
Graças aos impulsos individualistas, o capitalismo se desenvolveu de forma triunfante. Da primeira revolução industrial à nanotecnologia; do capitalismo concorrencial ao capitalismo globalizado. Do obscurantismo, miramos o espaço; a medicina se renovou e a biogenética prolongou a vida. Não obstante, o capitalismo fragmentou o processo produtivo, extirpando a liberdade criativa dos homens e mulheres. Negando o processo histórico, a criação se tornou obra dos deuses e o trabalho, um movimento repetitivo, um fardo para o trabalhador que, desprovido da noção de totalidade, só se sente feliz nas suas funções animais, em detrimento das funções humanas. Do medo do inferno, porquanto, migramos para o tempo do capital fetiche, da missa aeróbica, da banalização do humano.
Como a liberdade criativa não pertence mais ao mundo dos homens, o que resta é a ilusão da liberdade de escolha. Se por um lado a apropriação da criatividade é cada vez mais privada, por outro, do ponto de vista do consumo, a sensação é a de que ela é cada vez mais democratizada. A cada instante uma nova tecnologia é apresentada e facilmente difundida para o deleite de homens e mulheres. Essa difusão do uso das novas tecnologias dá a sensação de participação direta nas decisões de poder. Neste contexto, podemos inserir, por exemplo, a primavera árabe. As escolhas, no entanto, deveriam ser resultantes das diferenças, mas o mercado não respeita as diferenças. O que prevalece é a ditadura do consumo. O marketing agressivo camufla a racionalidade dos mortais comuns, levando-os ao consumo por impulso. Em lugar de possuirmos as coisas, as coisas nos possuem.
Qual seria, então, a perspectiva utópica de futuro? Ao que parece, o tempo histórico da superação da sociedade do trabalho se avizinha. Na era do capitalismo globalizado, a reprodução ampliada do capital passou a se dar na sua forma mais abstrata, como capital financeiro. Mesmo quando passa por outras formas de mercadoria, a produção é cada vez mais intensiva em tecnologia, desdobrando-se na crescente substituição do trabalho presente pelo trabalho pretérito. Não estaria em curso a concepção de uma economia sem a necessidade do emprego de homens e mulheres, abrindo precedentes para a superação da condenação bíblica de se viver com o suor do próprio rosto? A classe trabalhadora estaria impedida de negar o sistema, mas a humanidade não estaria dando o grande salto para o reino da liberdade? Embora viver não seja preciso, é imperativo acreditar na possibilidade de se chegar ao paraíso. Que venha a Sociedade dos Homens Livres.
_______
*Bacharel em Ciências Econômicas pela PUC/SP, onde obteve também o título de Mestre em Economia Política. É professor de Economia.
quarta-feira, fevereiro 03, 2016
Tempo de despertar
Por: Laerte Fedrigo*, publicado na Tribuna Regional
Tenho o privilégio de ocupar este espaço. Considerando as características do público que prioritariamente leem as matérias, decidi abordar as contradições do nosso tempo. Não pretendo ferir rente ou atirar farpas. Tampouco arregimentar seguidores. Meu propósito é elucidar aspectos relevantes e preocupantes do processo civilizatório, tendo como foco meus medos e angústias, minhas expectativas e esperanças. Aprecie com moderação.
Vivemos um tempo líquido. A cada instante uma nova tecnologia é apresentada para o deleite de homens e mulheres. O Iphone não é mais só um desejo de consumo. Virou objeto sexual. No ônibus, no trem ou na sala de aula, os gemidos chamam atenção: o ponto G mudou de lugar. Apesar de conectados, estamos todos solitários, numa espécie de transe, onde o afeto se atrela à angústia e se expressa pela ira. Em algum quarto dos EUA, da Alemanha, da Rússia ou do meu sobrinho no Brasil, uma mensagem é disparada a cada instante. As notícias se espalham em tempo recorde, causando rebuliços e revoluções. Em segundos, a mentira vira verdade e a verdade vira mentira e tudo o que é sólido desmancha no ar.
Vivemos um tempo de capital fetiche. O dinheiro circula e se reproduz pelas ondas da internet e, mesmo quando passa por outras formas de mercadoria, a produção é cada vez mais intensiva em tecnologia, com a contínua substituição do trabalho presente pelo trabalho pretérito. Do obscurantismo, miramos o espaço, supernovas, buracos negros. A medicina se renova e a biogenética prolonga a vida. Pela primeira vez na história da humanidade, vislumbramos a possibilidade de superação da condenação bíblica de se viver com o suor do próprio rosto. Em contraposição, o processo civilizatório está sendo levado para uma nova encruzilhada, com a crise subjetiva, de pertencimento, manifesta pela xenofobia, pelo fanatismo e pelo arrefecimento da política.
Vivemos um tempo de distopia. No passado, a acumulação de capital produzia, por dentro de suas contradições, iniciativas coletivas e libertárias de enfrentamento. À medida que se desenvolviam as forças produtivas, o movimento social se fortalecia em torno das associações, dos sindicatos e dos partidos. Entre tentativas e erros, abalamos o mundo em diferentes ocasiões na América, na Europa, na África e na Ásia. Numa era de extremos, enfrentamos impérios e ditaduras. Nesses tempos líquidos, porém, as iniciativas são conservadoras, fragmentadas, individualizadas, fetichizadas. Projetar o futuro é um exercício que exige compromisso. Como tudo se modifica rapidamente, todos querem o agora, rápido, sem pesar consequências. Todos buscam um lugar ao sol, levando o coletivo para a penumbra. Os sonhos se divorciaram. A perspectiva utópica foi prejudicada e deu lugar à missa aeróbica, à banalização do humano.
Vivemos o tempo da história. No final dos anos oitenta, Francis Fukuyama afirmou que o capitalismo teria levado a humanidade ao cume de sua evolução, o que equivaleria ao fim da história. Essa heresia embalou a onda neoliberal que varreu direitos sociais e promoveu uma espécie de folia financeira, com constantes crises, ampliando as diferenças sociais da população em geral, inclusive nas economias centrais. O que dizer dos milhões e milhões de pessoas espalhadas pelo mundo que não têm trabalho e moradia digna, abaixo da linha da pobreza? Hobsbawm dizia que não poderíamos construir um futuro reconhecível pelo prolongamento do passado ou do presente. Por esse caminho iríamos fracassar e o preço do fracasso seria a escuridão. Concordo com ele. Enquanto existir sobre a terra um homem ou uma mulher sem condições dignas de sobrevivência; enquanto não for reestabelecida a integração da sociedade com a natureza, nenhum sistema econômico triunfará.
É tempo de resgatar utopias. É verdade: a humanidade não conseguiu dar o grande salto para o reino da liberdade. Mas, como diria Antônio Cândido, mesmo sabendo da improbabilidade, precisamos agir cotidianamente como se fosse possível chegar ao paraíso. Do contrário, cairemos no inferno. Cair no inferno soa como suicídio coletivo. Não o fim da história, mas do processo civilizatório. A bandeira da luta por um mundo melhor precisa continuar tremulando. Os instrumentos para esta luta cotidiana estão à disposição. Qual é o seu instrumento? De que lado você está? Decida-se!
* Bacharel em Ciências Econômicas pela PUC/SP, onde obteve também o título de Mestre em Economia Política. É professor de Economia.
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