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terça-feira, janeiro 26, 2016

Novo Banco de Desenvolvimento vai financiar energia renovável para os BRICS Leia mais: http://br.sputniknews.com/mundo/20160126/3408918/Novo-Banco-Desenvolvimento-vai-financiar-energia-renovavel-BRICS.html#ixzz3yOTRIGHM

BR.SPUTNIKNEWS


O vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), Paulo Nogueira Batista Jr., anunciou nesta terça-feira, 26, no Rio de Janeiro, que em abril o Banco dos BRICS anunciará os projetos de infraestrutura que vão receber os primeiros financiamentos aprovados pela instituição. Energia renovável será a prioridade.

"Depois de sete meses do início de operações do Banco em Xangai, estamos enfrentando vários desafios, como a estruturação e a finalização da primeira leva de projetos que, se espera, possam ser anunciados em abril. A ideia é divulgar um projeto em cada um dos cinco países-membros (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), no setor de energias renováveis, com ênfase em energia eólica, solar e hidrelétrica, numa segunda fase."

A cidade de Xangai, na China, abrigará a sede do Novo Banco de Desenvolvimento, o chamado Banco do BRICS

Vice-presidente revela 'primeiro passo' do banco dos BRICS
Durante a palestra promovida pelo Centro de Estudos Celso Furtado, na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Nogueira Batista detalhou os avanços que o NBD vem alcançando desde que iniciou suas operações em Xangai. Segundo ele, além de em energias renováveis, a primeira leva de crédito vai priorizar financiamentos para projetos de abastecimento de água, irrigação, saneamento, entre outras. Para tanto, os financiamentos serão concedidos de duas formas: no caso de Brasil e Rússia, os recursos serão repassados aos bancos nacionais de desenvolvimento (BNDES e VEB, respectivamente), enquanto para China, Índia e África do Sul, os empréstimos serão firmados em fundos soberanos desses países.
“No caso do Brasil, por exemplo, o NBD vai liberar recursos em dólar ao BNDES que, por sua vez, os repassará aos tomadores em reais. A previsão é que cada financiamento gire entre US$ 50 milhões e US$ 150 milhões e que no primeiro ano o Banco dos BRICS financie até 15 projetos no montante de US$ 1,5 bilhão a US$ 2 bilhões”, explica Nogueira Batista.

O vice-presidente do NBD lembra que a Rússia já adiantou duas parcelas de sua contribuição como país-membro, o que já deixa o Banco com um caixa de US$ 1 bilhão. “A ideia é que a captação de recursos seja feita também em modas nacionais dos países-membros, além de em dólar”, diz.


A expectativa é que, até o primeiro semestre deste ano, a instituição também capte recursos através da emissão em yuan remimbi. Pelo estatuto, o NBD tem um capital autorizado de US$ 100 bilhões e um capital subscrito de US$ 50 bilhões, divididos igualmente entre os cinco países do BRICS.

Quanto à remuneração dos projetos, o vice-presidente do NBD garante que as taxas de juros serão inferiores à média cobrada no mercado. A proposta é estabelecer uma taxa libor mais a cobrança de um spread reduzido que permita a liquidez das operações.

A estratégia para se atingir esse patamar, segundo ele, é manter uma estrutura administrativa operacional enxuta. Hoje, o Banco funciona como uma equipe de 50 pessoas, e a previsão é que o quadro chegue a 100 até o fim deste ano. Na esfera de governança corporativa, a instituição conta com um conselho de governadores (composto pelos ministros da Fazenda de cada um dos cinco países), um conselho de diretores (não residentes), presidência e quatro vice-presidências. A expectativa é que, com uma estrutura enxuta, se possa reduzir para até seis meses o prazo entre recebimento de proposta de financiamento, análise e liberação dos recursos. Em grandes corporações como Banco Mundial (BIRD), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), entre outros, esse prazo pode variar de 18 meses a dois anos.

Nogueira Batista lembra que a constituição do NBD é uma grande vitória dos BRICS pois, embora o grupo não seja tecnicamente um bloco, ele reúne países com visões próprias, mas com um senso comum de identificar e propor soluções, bem diferentes das americanas, europeias e asiáticas.

“Em primeiro lugar, o Banco nasce com uma preocupação do financiamento social e ambiental sustentável, o que não existe nas grandes organizações de crédito do Atlântico Norte. São visões comuns sobre problemas comuns. Outro ponto importante é que o Banco vai montar sua experiência contando com a expertise dos bancos nacionais de desenvolvimento locais, como o BNDES, no caso do Brasil. Uma outra questão igualmente importante é que a concessão de financiamento não terá como contrapartida a fixação de metas e normas na condução da política econômica do país tomador.”

Banco do BRICS vai atender parte da demanda global de US$ 1 trilhão para infraestrutura

Nogueira Batista diz que o multilateralismo econômico – depois de tantos fracassos em tentar estabelecer um parâmetro de crescimento – está sendo substituído aos poucos pela visão multipolar defendida por países emergentes. A criação do Banco Asiático de Investimentos em Infraestruturas (BAII), no ano passado, com capital de US$ 100 bilhões foi uma espécie de resposta chinesa às tentativas de isolar o país no cenário econômico mundial com a formação do Tratado de Livre Comércio Trans-Pacífico (TTP), idealizado pelos Estados Unidos que reúne 12 países, detém 40% do PIB mundial, 793 milhões de consumidores e que pode gerar US$ 223 bilhões anuais a partir de 2025.

E campo para financiar projetos não vai faltar ao Banco dos BRICS. Segundo cálculos recentes, o déficit de investimento em projetos mundiais de infraestrutura chega a US$ 1 trilhão por ano. Só em energia elétrica são cerca de 1 bilhão de pessoas sem acesso.



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quarta-feira, julho 08, 2015

"BRICS deixam o mundo menos dependente de uma única fonte de poder"

Entrevista - Celso Amorim

por Deutsche Welle —
Ex-ministro Celso Amorim diz que o grupo pode oferecer alternativas ao sistema financeiro mundial, diante da falta de vontade dos países do G7 para reformar os organismos internacionais

Por Francis França

Os líderes dos BRICS – grupo composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – se reúnem pela sétima vez este ano para discutir como tornar o fórum informal de países emergentes em um instrumento eficaz de desenvolvimento. Um passo decisivo já foi dado: todos os países ratificaram a criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), mais conhecido como banco dos Brics, que deve começara a operar no início de 2016.

Para o ex-ministro Celso Amorim, que ocupou as pastas das Relações Exteriores (1993-1995 e 2003-2010) e da Defesa (2011-2015), os Brics podem oferecer alternativas ao sistema financeiro mundial diante da incapacidade do G7 – grupo formado por Estados Unidos, Alemanha, Canadá, França, Itália, Japão e Reino Unido – de reformar os organismos internacioanais.

DW Brasil: Há quem diga que os países que compõem os Brics têm muito pouco em comum além do desempenho econômico – como, por exemplo, em questões de direitos humanos, proteção ambiental, defesa etc. O que mantém a unidade dos BRICS?

Celso Amorim: Eu diria que o que nos levou a uma aproximação inicialmente foi um movimento entre três países que tinham, sim, muitas afinidades, que é o chamado IBAS: Índia, Brasil e África do Sul. E a Rússia e a China – países que não se encaixam na lógica do G7 [grupo formado por Estados Unidos, Alemanha, Canadá, França, Itália, Japão e Reino Unido], mas, ao mesmo tempo, não podem ser considerados meros países em desenvolvimento – fizeram várias ações indiretas para, de alguma maneira, se aproximar do IBAS. Em 2006 o ministro russo [do Exterior], [Serguei] Lavrov, propôs que nós tentássemos fazer algumas conversas envolvendo o grupo dos Bric, que na época não englobava a África do Sul. Finalmente, depois de uma longa história, temos os Brics como eles são hoje desde 2011, um grupo de países que têm a afinidade, talvez, de não compartilhar algumas das afinidades do G7.

DW: Que afinidades não compartilhadas com o G7 seriam essas?

CA: Há um interesse comum dos países dos Brics, por exemplo, em reformar a estrutura do FMI, o sistema de cotas, o que já deveria ter ocorrido. Além de buscar mecanismos de autofinanciamento dentro do próprio grupo, ou de servir de base para financiamento de outros países em desenvolvimento. Há várias coisas que aproximam os Brics, apesar das diferenças em alguns aspectos que você mencionou – que, aliás, não são tão grandes como parecem. Porque, em relação à questão dos direitos humanos, você tem problema de racismo, de tratamento discriminatório de imigrantes, que também são problemas de direitos humanos, em países desenvolvidos. Mas essa já é outra questão.

DW: No próximo ano deve começar a funcionar o banco dos Brics, que terá atuação similar à do Banco Mundial, e um fundo de contingenciamento para crises com papel similar ao do FMI. Os Brics chegaram ao ponto em que podem oferecer de fato uma alternativa às instituições financeiras internacionais já estabelecidas?

CA: É um teste, sem tentar não podemos saber. A realidade é que, em grande parte, a criação desses mecanismos decorre da incapacidade ou da falta de vontade política dos países mais ricos, especialmente os do G7, em reformar os órgãos internacionais. Se nós tivéssemos tido uma reforma adequada do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, talvez não fosse nem necessária a criação do banco dos Brics. Talvez seja útil, de qualquer forma, ter uma alternativa de financiamento, mas ela teria sido menos urgente se essas reformas tivessem ocorrido. E eu acho que os Brics colaboram com uma coisa muito importante, que é a formação de um mundo mais multipolar, menos dependente de um único grupo ou de uma única fonte de poder.

DW: E o que o banco dos Brics faria diferente do Banco Mundial?

CA: Talvez oferecer financiamentos com exigências menos drásticas e menos burocráticas do que o Banco Mundial, porque eles administram o detalhe do detalhe da aplicação dos recursos, com muito pouca margem para a autonomia do país. E os Brics, como ainda são países em desenvolvimento, que enfrentam ou enfrentaram recentemente problemas econômicos, têm uma compreensão melhor de outros aspectos dos países em desenvolvimento, inclusive o desejo de dignidade, de autonomia, que são aspectos que, às vezes, as instituições financeiras internacionais desprezam. Veja o que está ocorrendo agora na Grécia, por exemplo, e todo o impacto que isso pode ter para a Europa.

DW: Se o banco dos Brics existisse hoje, ele seria uma alternativa para a Grécia?

CA: Ah, é uma boa pergunta... não sei se a Grécia quereria, nem estou sugerindo que isso ocorresse, nem ninguém está querendo que a Grécia saia da União Europeia ou do euro, onde ela tem ligações regionais. E essas coisas são muito importantes também, nós não podemos desconsiderá-las.

DW: Mas ele abriria outras possibilidades nas negociações da dívida grega...

CA: A questão é que as tradicionais fontes de poder financeiro não estão conseguindo resolver seus próprios problemas, como no caso da Grécia. Então é preciso, sim, procurar alternativas. A gente não pode, de antemão, ter certeza de que elas vão dar certo, mas elas podem servir como um elemento de emulação que ajude os próprios países mais ricos, do G7, a compreenderem que é necessário haver uma reforma do sistema de cotas do FMI e do Banco Mundial. Da mesma forma que a Alemanha busca uma reforma do Conselho de Segurança, da qual ela deseja ser membro permanente – junto com o Brasil, por sinal –, também é necessário mudar o sistema financeiro internacional, porque ele não corresponde mais às realidades dos dias de hoje.

DW: Na semana passada, a presidente Dilma esteve em Washington, onde se encontrou com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e nesta semana, na Cúpula dos Brics, senta-se à mesa com Vadimir Putin, que aparentemente voltou a ser um inimigo do Ocidente. Como o senhor avalia essa estratégia? O Brasil pode se beneficiar fazendo alianças de todos os lados ou pode acabar em meio a um duelo de gigantes?

CA: Bom, o Brasil também é um gigante. Nós somos metade da América do Sul, em termos de território e população, um pouco mais da metade em matéria de PIB. Não somos um gigante econômico, ainda, mas mesmo assim somos, apesar de toda a crise, a sétima economia do mundo, então não é algo tão desprezível quanto possa parecer. Aliás, é uma economia maior que a da Rússia. Eu acho que é natural que o Brasil procure diversificar suas relações.

DW: Em Washington, falou-se inclusive em uma disposição para um acordo de livre comércio com os Estados Unidos...

CA: Para dizer francamente, eu não creio em um acordo de livre comércio com os Estados Unidos. Eu participei ativamente da tentativa de negociação da Alca [Área de Livre Comércio das Américas] quando era ministro das Relações Exteriores no governo do presidente Lula. Participei de boa fé. O Brasil fez as propostas que achava que deveriam ser feitas, mas vi que havia muitas dificuldades. As exigências que eles nos faziam em matéria de solução de controvérsias para patentes de remédios, por exemplo, iam contra as normas da Organização Mundial do Comércio. Eu acho que um acordo de livre comércio primeiro teria que ser com o Mercosul, que já é uma união aduaneira. Pode haver acordos de facilitação de comércio, acordos até de facilitação de investimentos, tudo isso eu acho muito saudável e positivo, com os Estados Unidos, com a Europa e também com a China. Por que não? Se a China tem hoje excesso de capital e necessidade de investir, e se o investimento nos interessar, por que não? Nunca é bom colocar todos os ovos numa mesma cesta.

DW: A China, aliás, está fazendo investimentos maciços na América Latina. Há quem alerte para o risco de se criar uma dependência chinesa. Mesmo no banco dos Brics, o maior aporte vem da China. O senhor acredita que exista esse risco?

CA: Cada país defende seus interesses, isso é normal. Por isso mesmo é interessante para o Brasil, e para outros países de porte equivalente ao do Brasil, ter uma relação diversificada. Ninguém quer trocar uma dependência por outra. A China tem no momento um grande poder, uma grande capacidade de investimento, e isso tem lados positivos, porque pode ajudar no desenvolvimento da nossa infraestrutura, mas não vou dizer que não haja um certo risco. Mas as relações têm que ser equilibradas. Por isso acho muito correto que a presidente Dilma tenha recebido o primeiro-ministro chinês no Brasil, tenha ido aos Estados Unidos e agora vá se reunir com os Brics.

DW: Quando eu falei em duelo de gigantes, o senhor disse que o Brasil também é um gigante. Qual é o potencial do país na arena internacional, na sua opinião?

CA: O que eu posso dizer é que a minha experiência, tanto como Embaixador na ONU como ministro das Relações Exteriores por quase dez anos, e mesmo como ministro da Defesa, indica que o Brasil tem um potencial muito grande de servir como facilitador de diálogos. No caso do Oriente Médio, o Brasil tem uma boa relação com os países e, ao mesmo tempo, não tem interesses próprios a defender, não dependemos tão diretamente do fornecimento do petróleo deles. Isso nos dá uma margem melhor [de negociação]. Concretamente, nos foi pedido [em 2010] que ajudássemos no diálogo com o Irã sobre seu programa nuclear. Isso correspondeu a um pedido do presidente Obama, que disse: 'nós precisamos de amigos que possam falar com quem nós não podemos falar'. E, juntamente com a Turquia, obtivemos uma declaração do governo iraniano que, se tivesse sido aceita, teria dado uma base muito melhor para o acordo que está sendo discutido agora.

O Brasil tem capacidade de atuar positivamente em várias situações. Na nossa região é óbvio: o próprio presidente Obama citou o que o Brasil já havia feito em Cuba. Mesmo que a gente não tenha atuado na mediação final para o restabelecimento das relações [EUA-Cuba], todos esses anos o Brasil procurou aumentar o diálogo, sempre levando uma mensagem positiva, por exemplo, quando se discutiu a revogação da suspensão de Cuba da OEA [Organização dos Estados Americanos] em 2009. Aliás, nos casos de Cuba e do Irã, ao adotar como regra o engajamento e não a confrontação, a política externa norte americana está ficando cada vez mais parecida com a política externa brasileira.

Eu acho que essa capacidade do Brasil tem a ver com seu tamanho, mas também com uma certa abertura, uma capacidade de compreensão dos interesses de vários países e de várias culturas. O Brasil é um país novo, dinâmico, não fica preso demais no passado.

Banco dos BRICS poderá começar a emitir créditos já a partir de abril de 2016 Leia mais: http://br.sputniknews.com/mundo/20150708/1510487.html#ixzz3fKi4as3n

O presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), indiano Kundapur Vaman Kamath, revelou nesta quarta-feira, durante o Fórum Financeiro dos BRICS, em Ufa, que a entidade poderá começar a emitir empréstimos já a partir de abril do ano que vem.

A acordo de criação do Novo Banco de Desenvolvimento foi assinado um ano atrás, no Brasil. Segundo revelou anteriormente o ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, os primeiros projetos aptos a receber financiamento da nova entidade serão anunciados já em 2015. Segundo ele, trata-se, antes de tudo, de projetos de infraestrutura relacionados à Rota de Seda da China.

O Fórum Financeiro contou com a participação de altos representantes da economia russa, como o presidente do Vneshekonombank, Vladimir Dmitriev, e o presidente da Câmara de Comércio e Indústria da Rússia, Sergei Katyrin, que anteriormente, no mesmo dia, tinha participado do Fórum de Negócios.

O Brasil foi representado no evento pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento e Sustentabilidade (BNDES), Luciano Coutinho, que concedeu uma entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, na qual frisou a importância do Banco dos BRICS para o comércio internacional. Para Coutinho, o Banco dos BRICS deve servir como um instrumento de atração de mais investimentos e de maior coesão dos bancos de desenvolvimento nacionais dos países-membros.

Também presente no fórum, o presidente do Banco de Desenvolvimento da China, Zheng Zhijie, informou que até no final do primeiro trimeste de 2015 o volume de créditos emitidos foi de 58,9 bilhões de dólares para os países do BRICS, e de 41,5 bilhões de dólares para os países da Organização de Cooperação de Xangai (SCO).



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Opinião: Banco do BRICS vai servir à agenda político-econômica internacional Leia mais: http://br.sputniknews.com/opiniao/20150708/1511653.html#ixzz3fKhoPtGM

No momento em que começa em Ufá, na Rússia, a 7.ª Conferência de Cúpula do BRICS, o economista e especialista em Relações Internacionais José Niemeyer analisa a função e a projeção do Novo Banco de Desenvolvimento e do Acordo Contingente de Reservas do BRICS.

José Niemeyer, coordenador dos cursos de Relações Internacionais do Ibmec-Rio, acredita que o Banco do BRICS e o Acordo Contingente de Reservas sejam uma espécie de atualização, respectivamente, do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional. Ele pensa, inclusive, “que o convite para Paulo Nogueira Batista Júnior ser o vice-presidente do Banco – ele que tem uma experiência muito grande no FMI – se dá em função de essa instituição não servir necessariamente aos BRICS, mas servir à política, às agendas determinadas de cada um dos países”.

O Professor Niemeyer esclarece: “Na hora em que, por exemplo, a Rússia precisar ter um papel mais assertivo com relação à ajuda financeira a países europeus como a Grécia. É um Banco dos BRICS, mas que vai servir para a agenda de cada um dos países que fazem parte do grupo na perspectiva do sistema financeiro internacional. Não vai ficar restrito. Não vai ser um Banco para os BRICS. Será a oferta de mais uma instituição financeira para o equilíbrio e para a política internacional, para as trocas dentro da política internacional, a partir da abordagem econômico-financeira.”

“A Rússia já está falando em auxílio à Grécia”, observa José Niemeyer. “E aí o Banco do BRICS vai ser um meio fundamental, estratégico. Não porque ele vá emprestar dinheiro para a Grécia, não é isso. Quando se cria uma nova instituição financeira, azeitam-se mais as relações entre as outras instituições, há mais competição dentro desse grupo de instituições. Isso pode ajudar países que estão necessitados e pode fazer com que a Rússia, por exemplo, seja mais protagonista na ajuda a esses países.



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Banco BRICS vai iniciar reformas econômicas globais

Os líderes dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) vão realizar a primeira reunião do Novo Banco de Desenvolvimento durante a sétima cúpula dos BRICS na Rússia.
A reunião nomeará a primeira equipa de gestão do banco, incluindo o presidente e quatro vice-presidentes. A equipa de gestão passará a trabalhar na sede do banco de Xangai, que começará a operar no final de 2015 ou no início de 2016.

"A alta eficiência reflete a boa cooperação entre os países dos BRICS e também mostra o desejo de iniciar imediatamente a nova instituição financeira para ajudar o seu desenvolvimento", disse Samir Saran, vice-presidente da Fundação de Pesquisa e Observação, com sede na Índia.

Irá o banco vai ameaçar o sistema financeiro atual? O novo banco não tem intenção de ameaçar ninguém e acolhe financiamento dos países desenvolvidos. Ele vai melhorar a coordenação e a cooperação com as instituições financeiras, evitando a concorrência.

O banco vai cobrir as deficiências do atual sistema financeiro, fornecerá uma plataforma de financiamento conveniente para os países em desenvolvimento e aliviará a escassez de fundos para infraestrutura global.

O banco terá uma capitalização inicial de 100 bilhões de dólares. Metade deste dinheiro é dos países dos BRICS. Banker K.V. Kamath será seu o primeiro presidente, enquanto outros dois dirigentes virão da Rússia e do Brasil.

Paulo Nogueira Batista, responsável do Fundo Monetário Internacional (FMI), disse que os países dos BRICS têm vindo a desempenhar um papel vital na economia global, mas isso não se reflete no FMI.

Luis António Paulino, professor da Universidade de São Paulo, Brasil, disse que, anteriormente, a ordem financeira era determinada pelos países desenvolvidos. Mas a ordem econômica mundial está mudando rapidamente. O aparecimento dos BRICS simboliza o início de uma nova ordem econômica mundial. O BRICS irá desempenhar um novo papel na economia mundial.



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