FALTA DE ATENDIMENTO MÉDICO
Detentas morrem no maior presídio da América Latina
Após morte de detenta por leptospirose, Defensoria Pública reiterou pedido de interdição da Penitenciária Feminina de Sant´Ana (SP), por falta de médicos, má qualidade da água e infestação de ratos. Desde dezembro, cinco morreram.
Beatriz Camargo* – Da ONG Repórter Brasil
SÃO PAULO – Na última quarta-feira (18), a Defensoria Pública do Estado de São Paulo reiterou na Justiça seu pedido de interdição da Penitenciária Feminina de Sant'Ana, que abriga atualmente cerca de 2.700 mulheres – a capacidade da unidade, maior da América Latina, é de 2.516 pessoas.
O pedido anterior, feito em maio, baseava-se na falta de médicos e medicamentos, na má qualidade da água e na infestação do espaço por ratos e pombos doentes. No entanto, mesmo ainda sem sentença definitiva sobre o pedido, a Defensoria Pública resolveu reiterá-lo com veemência, depois de tomar conhecimento da morte de uma detenta por leptospirose, no último dia 23 de junho. O novo documento já está com o juiz corregedor da Vara de Execuções Criminais (VEC), Cláudio Amaral.
De acordo com a Defensoria, ocorreram pelo menos mais quatro mortes desde dezembro - uma delas por suicídio. Segundo o defensor público Geraldo Sanches, coordenador geral da Assistência Jurídica ao Preso no Estado, "todas as mortes poderiam ser evitadas a tempo".
"Em pleno século 21 não é possível admitir uma situação medieval como essa. É preciso fazer cessar imediatamente essas violações. Não há outra medida senão a imediata remoção das presas para outras unidades prisionais", declara a petição, assinada por Geraldo e pelas defensoras Carmen Sílvia Barros, coordenadora do Núcleo de Situação Carcerária, e Franciane de Fátima Marques, coordenadora da Assistência ao Preso na capital paulista. O defensor esclarece que, se não for possível a interdição total, "que seja interditado pelo menos um dos pavilhões e que vá se fazendo a limpeza e desratização".
Leptospirose
O novo pedido de interdição da Penitenciária foi motivado pela morte da detenta Juliana Santos da Silva. Segundo o que apurou a Defensoria, no dia 20 de junho ela foi levada ao Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário e, dois dias depois, às 23h31, transferida para o Hospital do Mandaqui, na região Norte da capital. Morreu algumas horas depois, às 6h40 do dia 23, em razão de uma parada cardio-respiratória.
A equipe médica do Mandaqui considerou que ela morreu por complicações causadas pela leptospirose. O Centro Hospitalar, no entanto, havia diagnosticado que Juliana tinha sífilis terciária. "O curioso é que o laudo do Mandaqui nem cita a sífilis", pontua o defensor Geraldo. Ele ressalta que a presa poderia sim estar com doença, em decorrência da queda da resistência provocada pela leptospirose, mas um quadro não exclui o outro.
"Além de colocar em risco as presas, há funcionários do Estado e inclusive os advogados conveniados da Defensoria que também estão em risco", alerta Geraldo Sanches. A leptospirose é uma doença transmitida pela urina de ratos contaminados e pode ser curada, desde que tratada logo que aparecem os sintomas, inicialmente parecidos com os da gripe. Os defensores pedem que se façam exames a partir do soro do sangue de Juliana, para que se confirme a causa de sua morte. "A mera indicação de leptospirose é suficiente para, desta vez, determinar a interdição do referido estabelecimento penal", conclui o documento.
A presença de ratos na Penitenciária Feminina de Sant'Ana é confirmada pelos advogados conveniados da Defensoria e pela própria diretoria da unidade, que justifica a presença de roedores pela "proximidade com o córrego", segundo ata da visita do juiz corregedor da VEC à unidade, no dia 29 de maio. As detentas disseram aos defensores que nos fins de semana, os familiares que as visitam costumam trazer comida e, enquanto comem, são atacados por ratazanas, que vêm atrás dos alimentos. Declararam ainda que os ratos também "freqüentam" as celas.
O juiz Cláudio Amaral escreveu no documento de sua visita ao local ter verificado que "foram jogados restos de comida nos pátios situados abaixo das grades externas das celas, o que favorece o aparecimento de pombos e ratos. A diretoria justificou ao juiz que a existência de ratos era por descuido das próprias encarceradas, já que ela "tinham sido orientadas sobre a necessidade de manter padrões mínimos de higiene, mas muitas não correspondem às orientações".
Cinco mortes
Outra morte é a da presa Soraya de Souza Cerqueira, no dia 15 de maio, que tinha diabetes em estado avançado e apresentava feridas abertas na pele. A Defensoria Pública diz que foram feitos oito pedidos pelos advogados da casa para que ela recebesse atendimento médico com urgência. Já a detenta Terezinha Rosa de Jesus faleceu hospitalizada no dia 24 de dezembro de 2006 - ainda não se sabe a causa -, e Hérica da Silva suicidou-se no dia 30 de maio.
Segundo os defensores, uma quinta detenta morreu de parada cardíaca há cerca de 15 dias, depois de sentir fortes dores no peito e não ser atendida. Ela já tinha duas pontes de safena e teria dado entrada no Hospital do Mandaqui já morta. Ainda não se conseguiu confirmar o nome desta mulher.
Inexistência de médico
Para Carmen, coordenadora do Núcleo de Situação Carcerária da Defensoria, a situação mais grave é a falta de atendimento à saúde. Desde novembro, com a saída da ONG Apac, que trabalhava junto à administração de Sant'Ana, não há médicos - antes havia oito.
Faltam também dentistas e psicólogos, denuncia o documento que solicita a interdição. O único atendimento a que as presas têm acesso vem da equipe de enfermaria, de visitas voluntárias de dois médicos e de consultas em hospitais públicos locais.
Existem três motoristas e apenas um carro para levar as presas a hospitais e a fóruns, sendo que há mais de 20 solicitações de audiência por dia. Assim, as presas perdem com freqüência as consultas marcadas. Mulheres com doenças graves como câncer, por exemplo, têm faltado a sessões de quimioterapia. As escoltas policiais são muitas vezes solicitadas, mas não comparecem. "Para audiência, a PM [Polícia Militar] leva, mas para hospital é mais difícil", pontua Carmen.
Os defensores visitaram a Penitenciária no dia 24 de maio e consideraram "lamentáveis" as instalações da unidade. A detenta Edna Lourenço da Silva mostrou aos defensores seu seio, que apresentava diversos caroços e do qual saía um líquido escuro e espesso. "Parecia petróleo mesmo. Eu nunca tinha visto uma coisa tão impressionante, em tantos anos de profissão", desabafa Carmen Sílvia Barros. Segundo a defensora, havia determinação judicial desde abril para que Edna fosse internada, o que ainda não tinha acontecido.
Além do que foi constatado pelos próprios defensores na Penitenciária, presas relataram que não estavam recebendo coquetel para portadoras de HIV nem remédios psicotrópicos, como anti-depressivos. Carmen afirma que as presas relataram ao grupo que a enfermaria recebe xarope e remédios para dor e que "muitas vezes, os remédios são entregues para as próprias presas redistribuírem [entre elas]".
Providências
Por meio da assessoria de imprensa do Fórum Criminal da Barra Funda, a Corregedoria da Vara de Execuções Criminais declara que, em princípio, acha conveniente não interditar o presídio, mas está aguardando as informações já requisitadas à Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) em virtude do pedido anterior da Defensoria.
Em sua ata de visita do dia 29 de maio à Sant'Ana, o juiz da VEC, Cláudio Amaral, solicita explicações à SAP sobre o atendimento médico, aconselha que ele seja diário na unidade e oficia "urgentes providências nesse sentido". Considera ainda que há um problema estrutural na distribuição, "bem como no que diz respeito ao fornecimento e da qualidade da água quente" e pede à SAP informações sobre uma eventual reforma.
Sobre os ratos, o juiz também frisa a necessidade de uma reforma, desta vez da rede de esgoto. Não há prazos estipulados para que a SAP responda às solicitações. Na segunda-feira (16), Cláudio Amaral reiterou o pedido de explicações à Secretaria, mas novamente sem prazos para que elas sejam dadas.
Em nota, a Coordenadoria de Saúde do Sistema Penitenciário, da SAP, declarou que "vem sendo realizada parceria com a Secretaria de Saúde com o intuito de intensificar o atendimento médico na unidade prisional" e que esta opera em "condições de segurança e disciplina".
O defensor Geraldo Sanchez avisa que, se o juiz decidir arquivar o caso e mudanças estruturais não forem feitas, vai recorrer à Corregedoria Geral. "Se ele [corregedor geral] não nos atender, temos que estudar juridicamente que medida tomar: ir ao Ministério da Justiça ou outro ministério ou até mesmo à Corte Internacional Interamericana de Direitos Humanos."
* Beatriz Camargo integra a ONG Repórter Brasil.
O objetivo deste blog é discutir um projeto de desenvolvimento nacional para o Brasil. Esse projeto não brotará naturalmente das forças de mercado e sim de um engajamento político que direcionará os recursos do país na criação de uma nação soberana, desenvolvida e com justiça social.
terça-feira, julho 24, 2007
Novas reflexões sobre a tragédia do Airbus
Confirmou-se a tese central de que o desastre da TAM deu-se num contexto de maximização de lucros. O governo admite que, mesmo depois do caos na malha aérea, aceitava o sistema deixado por seu anterior no qual as companhias definiam a política pública para o setor.
Bernardo Kucinski
Primeira nova reflexão
Confirmou-se por completo e ganhou musculatura a tese central do meu primeiro comentário, então apenas intuída, de que o desastre da TAM deu-se num contexto de maximização de lucros. A estratégia das companhias, que fez de Congonhas um centro nacional de redistribuição de passageiros (“hub”), foi explicada por Daniel Ritter no jornal Valor da sexta (20) e confirmada elo executivo da TAM José Hélcias, no Estadão desta terça (24):
“.. O modelo de negócios em vigor – aproveitamento de até 14 horas por dia das aeronaves para oferecer tarifas que nos últimos anos ficaram congeladas e até caíram - só se sustenta com o uso de hubs,” escreveu Daniel Ritter. “A centralização em Congonhas, com conexões para todo o país, permitia um maior aproveitamento das aeronaves, estávamos voando 14 horas por dia, contra 7 horas na década passada”, disse José Hélcias.
Nosso leitor Valdisnei diz que as companhias reduziram drasticamente o número de mecânicos de manutenção por aeronave. O Airbus da TAM voava há uma semana sem consertar o reverso, apesar do manual da empresa e normas da Anac obrigarem seu uso em pistas molhadas (1). Nem dava tempo de consertar. Só naquele dia, o avião já havia feito seis vôos, dois deles pousando em Congonhas. Em uma única semana, o Airbus A320 prefixo MBK fez nada menos que 43 vôos.
Nosso leitor Marco Nabuco lembra o cartaz exibido orgulhosamente pela TAM anos atrás, com os sete mandamentos do Comandante Rolim, fundador da empresa: “Nada substitui o lucro”, dizia o primeiro mandamento. Nessa lista, a segurança vinha em terceiro lugar. E o quarto mandamento falava de novo em lucro: “a maneia mais fácil de ganhar dinheiro é não perder”.
Esses mandamentos expressam o que os executivos modernos denominam “missão da empresa”. Eles mostram que a TAM foi instrumental na introdução da filosofia que transformou as concessões de serviços púbicos de transporte, na era neoliberal, em máquinas de fazer dinheiro.
Segunda nova reflexão
Ao anunciar a desativação de Congonhas como “hub”, o governo admite que, mesmo depois de instalado o caos na malha aérea, continuava aceitando criticamente o sistema deixado pelo governo anterior no qual as companhias definiam a política pública para o setor. Essa passividade estava implícita no meu primeiro comentário, mas não suficientemente enfatizada.
É o papel de um governo democrático impor limites ao mercado. Essa guinada de 180 graus, junto com outras recentes, entre as quais a valorização da caderneta de poupança (contra vontade dos bancos) e a proibição ao plantio de cana no Pantanal, pode sinalizar um novo modo de governar, liberto da ideologia neoliberal.
A tragédia trouxe assim o governo Lula à sua encruzilhada maior: ou parte para uma política verdadeiramente desenvolvimentista, que atropele a burocracia, ou será por ela atropelado de morte. Esse tipo de administração está obsoleto. Bastam os números do tráfego aéreo, que cresce a taxas de 20% ao ano.
Os mesmos jornais que apóiam os cortes no orçamento em nome do superávit primário trazem números constrangedores de como o contingenciamento – instrumento principal dessa política neoliberal – trava o PAC e impediu até mesmo a aplicação dos dois fundos aeronáuticos, com mais de R$ 2 bilhões em caixa oriundos de taxas já recolhidas para melhoria do setor.
Exacerba-se a contradição entre o desenvolvimento das forças produtivas e uma administração burocrática amarrada por leis e regulamentos concebidos duas décadas atrás para administrar a estagnação e não o crescimento. Na crise aérea, o governo Lula já é tratado como um estorvo.
Terceira reflexão
Desde o primeiro momento, deu-se a exploração político-partidária da tragédia, pela mídia e pelos principais líderes tucanos, José Serra e Tasso Jereissati. Assim como desastre se dá no contexto de uma crise generalizada do tráfego aéreo, sua politização também é uma extensão natural do processo de linchamento do governo Lula que vem desde o “mensalão”.
O ataque começou no momento mesmo da tragédia, quando os âncoras, sem informação suficiente para comentar as cenas espetaculares do incêndio, fixaram-se obsessivamente no problema da pista. Mesmo porque a pista foi liberada ainda sem as ranhuras previstas no projeto e o caos aéreo já durava dez meses.
Mas já naquela noite, os repórteres do Estadão ficaram sabendo que o avião voava há uma semana com o reverso travado: “Na noite do acidente , quatro comandantes confidenciaram à reportagem do Estado que o Airbus 320, destacado para o Vôo JJ3054, de Porto Alegre par São Paulo, voava com um dos reversos travado – ou ´pinado´, no jargão dos pilotos.” (2)
Só que o Estadão preferiu desprezar esse verdadeiro furo de reportagem que poderia mudar o rumo do noticiário. A Folha nem sabia do defeito no reverso. No dia seguinte, quarta-feira, Eliane Cantanhêde mandou à redação um primeiro diagnóstico que sensatamente apontava para: “falhas humanas e de equipamentos” como causas prováveis do desastre, num contexto de falta de ranhuras na pista, caos no transporte aéreo, stress dos pilotos e “ganância das companhias” (3). Mas os editores preferiam acusar Lula diretamente pelas mortes em chamada de primeira página da edição da quinta.
Nessa quinta à noite, o Jornal Nacional decide dar o destaque merecido à informação de que o avião voava com defeito no reverso. É como se tivesse havido um racha na frente midiática que protegia a imagem da empresa. Mais do que isso: reafirma-se o caráter do Jornal Nacional como instituinte da agenda nacional de debates. O “deu no Jornal Nacional” obrigou os dois jornais paulistas a darem manchete na sexta ao defeito do avião.
Mas a frente anti-Lula se recompõe parcialmente no sábado. William Bonner só faltou pedir desculpas pelo furo do dia anterior. E os dois jornais desprezaram o laudo do IPT divulgado na tarde do dia anterior, atestando que a pista nova estava em condições perfeitas de funcionamento, com índices de aderência e compactação muito acima dos limites mínimos exigidos pelas normas. A Folha deu num canto de página interna. O Estadão nem deu.
Felizmente, não é da natureza do jornalismo numa democracia omitir informações relevantes, menos ainda numa tragédia que matou mais de 200 pessoas. Aos poucos, a narrativa única e deliberadamente imprecisa que culpa a pista e poupa a TAM vai fissurando. A própria Folha traz mais e mais informações, numa narrativa paralela, de que avião voava com defeito e que esse defeito era relevante. A última é de um especialista em Airbus criticando a pouca importância dada a defeitos no reverso pelos manuais do fabricante do avião. Só que, nesse ínterim, o sensacionalismo do noticiário sobre as condições da pista levou ao boicote total das duas pistas em dia de chuva, pelos pilotos, ampliando ainda mais a crise.
(1) Conforme revelação do blog de Josias de Souza três dia depois, sábado, 21/07/2007.
(2) O Estado de S. Paulo - 20/07/07, dois dias depois.
(3) "Fatalidade?" - Folha de S. Paulo, 19/07/07
Bernardo Kucinski, jornalista e professor da Universidade de São Paulo, é colaborador da Carta Maior e autor, entre outros, de “A síndrome da antena parabólica: ética no jornalismo brasileiro” (1996) e “As Cartas Ácidas da campanha de Lula de 1998” (2000).
Bernardo Kucinski
Primeira nova reflexão
Confirmou-se por completo e ganhou musculatura a tese central do meu primeiro comentário, então apenas intuída, de que o desastre da TAM deu-se num contexto de maximização de lucros. A estratégia das companhias, que fez de Congonhas um centro nacional de redistribuição de passageiros (“hub”), foi explicada por Daniel Ritter no jornal Valor da sexta (20) e confirmada elo executivo da TAM José Hélcias, no Estadão desta terça (24):
“.. O modelo de negócios em vigor – aproveitamento de até 14 horas por dia das aeronaves para oferecer tarifas que nos últimos anos ficaram congeladas e até caíram - só se sustenta com o uso de hubs,” escreveu Daniel Ritter. “A centralização em Congonhas, com conexões para todo o país, permitia um maior aproveitamento das aeronaves, estávamos voando 14 horas por dia, contra 7 horas na década passada”, disse José Hélcias.
Nosso leitor Valdisnei diz que as companhias reduziram drasticamente o número de mecânicos de manutenção por aeronave. O Airbus da TAM voava há uma semana sem consertar o reverso, apesar do manual da empresa e normas da Anac obrigarem seu uso em pistas molhadas (1). Nem dava tempo de consertar. Só naquele dia, o avião já havia feito seis vôos, dois deles pousando em Congonhas. Em uma única semana, o Airbus A320 prefixo MBK fez nada menos que 43 vôos.
Nosso leitor Marco Nabuco lembra o cartaz exibido orgulhosamente pela TAM anos atrás, com os sete mandamentos do Comandante Rolim, fundador da empresa: “Nada substitui o lucro”, dizia o primeiro mandamento. Nessa lista, a segurança vinha em terceiro lugar. E o quarto mandamento falava de novo em lucro: “a maneia mais fácil de ganhar dinheiro é não perder”.
Esses mandamentos expressam o que os executivos modernos denominam “missão da empresa”. Eles mostram que a TAM foi instrumental na introdução da filosofia que transformou as concessões de serviços púbicos de transporte, na era neoliberal, em máquinas de fazer dinheiro.
Segunda nova reflexão
Ao anunciar a desativação de Congonhas como “hub”, o governo admite que, mesmo depois de instalado o caos na malha aérea, continuava aceitando criticamente o sistema deixado pelo governo anterior no qual as companhias definiam a política pública para o setor. Essa passividade estava implícita no meu primeiro comentário, mas não suficientemente enfatizada.
É o papel de um governo democrático impor limites ao mercado. Essa guinada de 180 graus, junto com outras recentes, entre as quais a valorização da caderneta de poupança (contra vontade dos bancos) e a proibição ao plantio de cana no Pantanal, pode sinalizar um novo modo de governar, liberto da ideologia neoliberal.
A tragédia trouxe assim o governo Lula à sua encruzilhada maior: ou parte para uma política verdadeiramente desenvolvimentista, que atropele a burocracia, ou será por ela atropelado de morte. Esse tipo de administração está obsoleto. Bastam os números do tráfego aéreo, que cresce a taxas de 20% ao ano.
Os mesmos jornais que apóiam os cortes no orçamento em nome do superávit primário trazem números constrangedores de como o contingenciamento – instrumento principal dessa política neoliberal – trava o PAC e impediu até mesmo a aplicação dos dois fundos aeronáuticos, com mais de R$ 2 bilhões em caixa oriundos de taxas já recolhidas para melhoria do setor.
Exacerba-se a contradição entre o desenvolvimento das forças produtivas e uma administração burocrática amarrada por leis e regulamentos concebidos duas décadas atrás para administrar a estagnação e não o crescimento. Na crise aérea, o governo Lula já é tratado como um estorvo.
Terceira reflexão
Desde o primeiro momento, deu-se a exploração político-partidária da tragédia, pela mídia e pelos principais líderes tucanos, José Serra e Tasso Jereissati. Assim como desastre se dá no contexto de uma crise generalizada do tráfego aéreo, sua politização também é uma extensão natural do processo de linchamento do governo Lula que vem desde o “mensalão”.
O ataque começou no momento mesmo da tragédia, quando os âncoras, sem informação suficiente para comentar as cenas espetaculares do incêndio, fixaram-se obsessivamente no problema da pista. Mesmo porque a pista foi liberada ainda sem as ranhuras previstas no projeto e o caos aéreo já durava dez meses.
Mas já naquela noite, os repórteres do Estadão ficaram sabendo que o avião voava há uma semana com o reverso travado: “Na noite do acidente , quatro comandantes confidenciaram à reportagem do Estado que o Airbus 320, destacado para o Vôo JJ3054, de Porto Alegre par São Paulo, voava com um dos reversos travado – ou ´pinado´, no jargão dos pilotos.” (2)
Só que o Estadão preferiu desprezar esse verdadeiro furo de reportagem que poderia mudar o rumo do noticiário. A Folha nem sabia do defeito no reverso. No dia seguinte, quarta-feira, Eliane Cantanhêde mandou à redação um primeiro diagnóstico que sensatamente apontava para: “falhas humanas e de equipamentos” como causas prováveis do desastre, num contexto de falta de ranhuras na pista, caos no transporte aéreo, stress dos pilotos e “ganância das companhias” (3). Mas os editores preferiam acusar Lula diretamente pelas mortes em chamada de primeira página da edição da quinta.
Nessa quinta à noite, o Jornal Nacional decide dar o destaque merecido à informação de que o avião voava com defeito no reverso. É como se tivesse havido um racha na frente midiática que protegia a imagem da empresa. Mais do que isso: reafirma-se o caráter do Jornal Nacional como instituinte da agenda nacional de debates. O “deu no Jornal Nacional” obrigou os dois jornais paulistas a darem manchete na sexta ao defeito do avião.
Mas a frente anti-Lula se recompõe parcialmente no sábado. William Bonner só faltou pedir desculpas pelo furo do dia anterior. E os dois jornais desprezaram o laudo do IPT divulgado na tarde do dia anterior, atestando que a pista nova estava em condições perfeitas de funcionamento, com índices de aderência e compactação muito acima dos limites mínimos exigidos pelas normas. A Folha deu num canto de página interna. O Estadão nem deu.
Felizmente, não é da natureza do jornalismo numa democracia omitir informações relevantes, menos ainda numa tragédia que matou mais de 200 pessoas. Aos poucos, a narrativa única e deliberadamente imprecisa que culpa a pista e poupa a TAM vai fissurando. A própria Folha traz mais e mais informações, numa narrativa paralela, de que avião voava com defeito e que esse defeito era relevante. A última é de um especialista em Airbus criticando a pouca importância dada a defeitos no reverso pelos manuais do fabricante do avião. Só que, nesse ínterim, o sensacionalismo do noticiário sobre as condições da pista levou ao boicote total das duas pistas em dia de chuva, pelos pilotos, ampliando ainda mais a crise.
(1) Conforme revelação do blog de Josias de Souza três dia depois, sábado, 21/07/2007.
(2) O Estado de S. Paulo - 20/07/07, dois dias depois.
(3) "Fatalidade?" - Folha de S. Paulo, 19/07/07
Bernardo Kucinski, jornalista e professor da Universidade de São Paulo, é colaborador da Carta Maior e autor, entre outros, de “A síndrome da antena parabólica: ética no jornalismo brasileiro” (1996) e “As Cartas Ácidas da campanha de Lula de 1998” (2000).
Ecos do golpe de estado
Mídia eleva tom contra Lula. Ministro do STM sugere golpe
Editoriais e colunistas falam em “colapso do lulismo”, “corriola governamental” e incapacidade de governar o país. Ministro do Superior Tribunal Militar diz que “pessoas de bem vão se pronunciar como já fizeram em um passado não muito distante”.
Marco Aurélio Weissheimer - Carta Maior
PORTO ALEGRE – O tom das críticas ao governo Lula, em função da crise no setor aéreo, vem subindo crescentemente na mídia. O editorial do jornal O Estado de S. Paulo, nesta terça-feira (24), fala em “governo desacreditado” e “colapso do lulismo em matéria de permitir, em última análise, que o país funcione”. O Estadão refere-se ao Presidente da República como “o inexperiente Lula, o qual na irrefutável constatação de Orestes Quércia, em 1994, nunca dirigiu nem um carrinho de pipoca, antes de ambicionar o Planalto”. Na mesma direção, o colunista Clóvis Rossi, pergunta hoje, na Folha de S. Paulo: “se o país é incapaz de segurar um avião na pista, vai segurar o quê?”.
O jornal O Globo, também em editorial, diz que “a crise é mais profunda do que se quer fazer crer”. Também no Globo, Dora Kramer diz que “à corriola governamental tudo é permitido: agredir o público com grosseria, com leviandade, com futilidades, com fugas patéticas ao cumprimento dos deveres, com indiferença, vale qualquer coisa se a anarquia tem origem nas hostes governistas”. “Corriola”, em seu uso informal, significa “grupo de pessoas que agem desonestamente ou de forma inescrupulosa; quadrilha”.
Ministro do STM sugere golpe
O tom das palavras sobe também em alguns setores da sociedade. Além da desqualificação do governo federal, com o uso de adjetivos cada vez mais pesados, começam a aparecer também discursos de caráter golpista. Um exemplo:
“O que podemos dizer a esses ilustres jovens militares. Não desistam. Os certos não devem mudar e sim os errados. Podem ter certeza de que milhares de pessoas estão do lado de vocês. Um dia, não se sabe quando, mas com certeza esse dia já esteve mais longe, as pessoas de bem desse País vão se pronunciar, vão se apresentar, como já fizeram em um passado não muito longe, e aí sim, as coisas vão mudar, o sol da democracia e da Justiça brasileira vai voltar a brilhar”.
A declaração foi feita pelo ministro do Superior Tribunal Militar, Olympio Pereira da Silva Junior, durante a entrega de espadins a alunos que ingressaram nas academias militares do Exercito, Marinha e Aeronáutica, em julho deste ano. Ao saudar os novos alunos, Olympio Junior critica a situação política do país, faz uma apologia da honra, da moral e do patriotismo, lamentando que os jovens cadetes não poderão manusear os instrumentos militar que conhecerão no treinamento. Ele diz:
“Aqueles jovens, ainda puros, não sabem que vão estudar (e como vão estudar, durante toda a carreira) tudo sobre a arte da guerra e do combate e vão conhecer e aprender tudo sobre equipamentos e instrumentos militares, os mais modernos do mundo, mas que na realidade nunca irão manusear porque, no nosso País, não se acredita ser necessário a compra de armamento/equipamento militar para ficarmos em igualdade bélica a outras nações”. E critica a condição dos militares em relação aos demais funcionários públicos:
“Preparam-se, por toda a carreira, para dedicarem-se e ser fiel à Pátria, cuja honra, integridade e instituições deverão ser defendidas mesmo com o sacrifício da própria vida e têm, mesmo assim, seus vencimentos tão diferenciados de outros funcionários públicos que nunca deram nem vão dar nada ao País, pois dele só querem benesses, vantagens e lucros e o que é pior, porque ninguém faz nada a respeito e calam-se diante dessa imoralidade”.
O texto do ministro foi publicado em sites nacionalistas de direita como “A verdade sufocada” e “Terrorismo nunca mais”. Bacharel em Direito, Olympio Junior ingressou na carreira do Ministério Público Militar em 1976, tendo sido designado pelo então presidente, general Ernesto Geisel, para assumir a Procuradoria junto à Auditoria da Justiça Militar, em Juiz de Fora (MG). Desde 18 de novembro de 1994, é ministro do STM.
Qual é mesmo o papel da Justiça Militar no Brasil? Segundo o site do STM, é julgar “apenas e tão somente os crimes militares definidos em lei”. O texto de apresentação do órgão faz um elogio da “independência, altivez e serenidade do órgão”: “no período de regime militar de 1964 a 1984, levou juristas famosos na luta em defesa dos direitos humanos, como Heleno Fragoso, Sobral Pinto e Evaristo de Morais, a tecerem candentes elogios à independência, altivez e serenidade com que atuou o Superior Tribunal Militar na interpretação da Lei de Segurança Nacional e na aplicação dos vários Atos Institucionais”.
Há um caldo de cultura perigoso formando-se no ambiente político brasileiro.
Editoriais e colunistas falam em “colapso do lulismo”, “corriola governamental” e incapacidade de governar o país. Ministro do Superior Tribunal Militar diz que “pessoas de bem vão se pronunciar como já fizeram em um passado não muito distante”.
Marco Aurélio Weissheimer - Carta Maior
PORTO ALEGRE – O tom das críticas ao governo Lula, em função da crise no setor aéreo, vem subindo crescentemente na mídia. O editorial do jornal O Estado de S. Paulo, nesta terça-feira (24), fala em “governo desacreditado” e “colapso do lulismo em matéria de permitir, em última análise, que o país funcione”. O Estadão refere-se ao Presidente da República como “o inexperiente Lula, o qual na irrefutável constatação de Orestes Quércia, em 1994, nunca dirigiu nem um carrinho de pipoca, antes de ambicionar o Planalto”. Na mesma direção, o colunista Clóvis Rossi, pergunta hoje, na Folha de S. Paulo: “se o país é incapaz de segurar um avião na pista, vai segurar o quê?”.
O jornal O Globo, também em editorial, diz que “a crise é mais profunda do que se quer fazer crer”. Também no Globo, Dora Kramer diz que “à corriola governamental tudo é permitido: agredir o público com grosseria, com leviandade, com futilidades, com fugas patéticas ao cumprimento dos deveres, com indiferença, vale qualquer coisa se a anarquia tem origem nas hostes governistas”. “Corriola”, em seu uso informal, significa “grupo de pessoas que agem desonestamente ou de forma inescrupulosa; quadrilha”.
Ministro do STM sugere golpe
O tom das palavras sobe também em alguns setores da sociedade. Além da desqualificação do governo federal, com o uso de adjetivos cada vez mais pesados, começam a aparecer também discursos de caráter golpista. Um exemplo:
“O que podemos dizer a esses ilustres jovens militares. Não desistam. Os certos não devem mudar e sim os errados. Podem ter certeza de que milhares de pessoas estão do lado de vocês. Um dia, não se sabe quando, mas com certeza esse dia já esteve mais longe, as pessoas de bem desse País vão se pronunciar, vão se apresentar, como já fizeram em um passado não muito longe, e aí sim, as coisas vão mudar, o sol da democracia e da Justiça brasileira vai voltar a brilhar”.
A declaração foi feita pelo ministro do Superior Tribunal Militar, Olympio Pereira da Silva Junior, durante a entrega de espadins a alunos que ingressaram nas academias militares do Exercito, Marinha e Aeronáutica, em julho deste ano. Ao saudar os novos alunos, Olympio Junior critica a situação política do país, faz uma apologia da honra, da moral e do patriotismo, lamentando que os jovens cadetes não poderão manusear os instrumentos militar que conhecerão no treinamento. Ele diz:
“Aqueles jovens, ainda puros, não sabem que vão estudar (e como vão estudar, durante toda a carreira) tudo sobre a arte da guerra e do combate e vão conhecer e aprender tudo sobre equipamentos e instrumentos militares, os mais modernos do mundo, mas que na realidade nunca irão manusear porque, no nosso País, não se acredita ser necessário a compra de armamento/equipamento militar para ficarmos em igualdade bélica a outras nações”. E critica a condição dos militares em relação aos demais funcionários públicos:
“Preparam-se, por toda a carreira, para dedicarem-se e ser fiel à Pátria, cuja honra, integridade e instituições deverão ser defendidas mesmo com o sacrifício da própria vida e têm, mesmo assim, seus vencimentos tão diferenciados de outros funcionários públicos que nunca deram nem vão dar nada ao País, pois dele só querem benesses, vantagens e lucros e o que é pior, porque ninguém faz nada a respeito e calam-se diante dessa imoralidade”.
O texto do ministro foi publicado em sites nacionalistas de direita como “A verdade sufocada” e “Terrorismo nunca mais”. Bacharel em Direito, Olympio Junior ingressou na carreira do Ministério Público Militar em 1976, tendo sido designado pelo então presidente, general Ernesto Geisel, para assumir a Procuradoria junto à Auditoria da Justiça Militar, em Juiz de Fora (MG). Desde 18 de novembro de 1994, é ministro do STM.
Qual é mesmo o papel da Justiça Militar no Brasil? Segundo o site do STM, é julgar “apenas e tão somente os crimes militares definidos em lei”. O texto de apresentação do órgão faz um elogio da “independência, altivez e serenidade do órgão”: “no período de regime militar de 1964 a 1984, levou juristas famosos na luta em defesa dos direitos humanos, como Heleno Fragoso, Sobral Pinto e Evaristo de Morais, a tecerem candentes elogios à independência, altivez e serenidade com que atuou o Superior Tribunal Militar na interpretação da Lei de Segurança Nacional e na aplicação dos vários Atos Institucionais”.
Há um caldo de cultura perigoso formando-se no ambiente político brasileiro.
Irregularidades do PSDB em São Paulo
O líder do PT na Assembléia, Simão Pedro, disse em entrevista ao site Conversa Afiada do Paulo Henrique Amorim (www.ig.com.br) em 16 de julho, que os processos considerados irregulares pelo TCE ficaram todos parados na Comissão de Finanças da Assembléia .
Segundo Simão Pedro, até maio deste ano a Assembléia abafou todos os 388 processos irregulares da CDHU. “E há oito anos que a Assembléia não tomava decisão sobre esses processos”, disse Simão Pedro.
Esses processos do TCE chegam até a Assembléia como uma comunicação do Tribunal de Contas. O presidente da Assembléia encaminha esse processo para a Comissão de Finanças e Orçamento, que o transforma em um PDL (Projeto de Decreto Legislativo). Depois, o PDL vai para a Comissão de Fiscalização e Controle.
Só após percorrer esse caminho é que o processo vai para o plenário da Assembléia deliberar. Os deputados devem votar os PDL’s para decidir se enviam ao Ministério Público abrir processo ou arquivar.
Simão Pedro disse que quando o PT assumiu a presidência da Comissão de Finanças e Orçamento da Assembléia, em 2006, descobriu que havia 706 contratos irregulares parados na Comissão. Desses, 43% eram referentes à CDHU.
Segundo Simão Pedro, um deputado do então PFL, Claudine Crespo, que não foi reeleito, chegou a propor uma CPI para investigar o “arquivamento” desses contratos.
Simão Pedro disse que esse relatório é um “pente-fino” desses contratos que estavam parados na Comissão de Finanças e Orçamento. Segundo ele, ao todo a Assembléia tem mais de três mil contratos considerados irregulares pela CDHU parados.
Leia a íntegra da entrevista com Simão Pedro:
Simão Pedro – Vou bem, Paulo Henrique, satisfação falar com você e com os internautas aí do seu site.
Paulo Henrique Amorim – Muito obrigado. Deputado, nós gostaríamos de conversar sobre o fato de que o PT, a liderança do PT na Assembléia Legislativa, fez um trabalho que mostra que o Tribunal Regional de Contas, Tribunal de Contas do Estado, TCE, ele estudou... Localizou processos com irregularidades em obras feitas pela CDHU e essas irregularidades provocam um montante de R$ 2 bilhões e nada disso foi julgado pela Assembléia Legislativa, nada disso foi revisto pela Assembléia Legislativa de São Paulo. Eu gostaria de saber primeiro, como é que trabalhou a liderança do PT para conseguir levantar esses 398 processos do Tribunal de Contas do Estado?
Simão Pedro – Paulo Henrique, primeiro é bom frisar que esses 398 contratos considerados irregulares pelo Tribunal de Contas são referentes à CDHU e se refere somente ao período de 1998 a 2002. Na Assembléia, neste momento, tramitam cerca de três mil, cerca não, exatamente, três mil e trinta e um processos de contratos irregulares referentes ao governo Alckmin de 98 para cá. E há oito anos que a Assembléia não tomava decisão nenhuma sobre esses processos. Quando ele chega na Assembléia, ele chega com uma comunicação do Tribunal de Contas, o presidente encaminha para a Comissão de Finanças e Orçamento e ali ele é transformado em um Projeto de Decreto Legislativo. O presidente nomeia um relator e esse relator dá um parecer, depois vai para a Comissão de Fiscalização e Controle e só aí então vai para o plenário, para o plenário da Assembléia deliberar. Se envia ao Ministério Público para as providências, abrir processo, etc, e arquiva. Então foi um acaso, não digo foi um acaso, o PT assumiu a presidência da Comissão de Finanças e Orçamento no ano passado, foi o deputado Ênio Tato, e descobriu-se, ele como presidente, quis saber quais eram os processos que estavam parados nessa Comissão, descobriu que tinha 706 contratos parados naquela Comissão, 43% eram referentes à CDHU. Nós levantamos esse programa no ano passado e um deputado do PFL, que chama, chamava Claudinho Crespo, ele não foi reeleito, mas ele chegou até a propor um pedido de CPI para analisar esse, vamos dizer, “arquivamento”, entre aspas, desses contratos. O fato deles pararem ali, debaixo da mesa, sem qualquer providência, não é?! O que é que nós fizemos? Nós pegamos esses contratos, fizemos um pente fino a partir do assunto que interessa, que está em pauta, que é a CDHU. Só que isso nós fizemos agora, já nesta legislatura. Descobrimos então que destes 398 contratos da CDHU, fazem parte então, Paulo Henrique, dos 1.432 Projetos de Decreto Legislativo que estão ainda pela deliberação do plenário. Já tramitou pelas Comissões, aguardam deliberação do plenário. Então, desses 398 é que chegamos a esses números que você citou, ou seja, são 37 mil unidades envolvidas, unidades habitacionais que foram construídas e que envolvem aí a quantia de 2 bilhões e 400 milhões em valores atualizados pela nossa assessoria.
Paulo Henrique Amorim – Ou seja, desde 1998, passando por todo o governo Alckmin, há pelo menos 398 irregularidades, apontadas pelo Tribunal de Contas do Estado, elas envolvem R$ 2 bilhões e a Assembléia Legislativa de São Paulo abafou todas as apurações, é isso?
Simão Pedro – É mais ou menos isso, somente a partir da questão de ordem que eu fiz no dia, no início do mês de maio, cinco de mais, seis de maio precisamente, que fiz uma questão de ordem perguntando ao novo presidente que, quais são as providências que ele tomaria para que o plenário, ou que as Comissões, a Assembléia deliberarem sobre os projetos. Aí, no dia 6 de junho, ou seja, um mês depois, ele começou a pautar, nas deliberações do plenário, esses projetos. Nós chegamos agora, há cerca de um mês, votar cerca de uns 40, 45, e um critério do presidente foi colocar para a deliberação do plenário aqueles projetos que o Tribunal de Contas já havia aberto processo de investigação. E o, a par dessa informação do presidente, eu fiz um requerimento ao Tribunal de Contas perguntando quantos processos julgados irregulares eles encaminham direto ao Ministério Público. A informação que nós tivemos é que essa máfia das casinhas que foi estourada na região de Presidente Prudente foi uma ação da Polícia Civil e do Ministério Público a partir de uma comunicação do Tribunal de Contas. Até o momento o Tribunal não me respondeu. Também enviei um pedido de informação ao Tribunal, ao Ministério Público, perguntando ao doutor Rodrigo Pinho quantos processos, quantas comunicações eles haviam recebido, o Ministério Público recebeu, do Tribunal de Contas, ele também não me respondeu até o momento. Mas o grave é que são 3 mil e 31 processos considerados irregulares que estão parados na Assembléia Legislativa, 3 mil e 31.
Paulo Henrique Amorim – E eles envolvem que governos?
Simão Pedro – Basicamente os dois governos Alckmin, 98 até, vamos dizer, 2006. Vou te dar aqui, mais exatamente, olha: 1.432 estão já dependendo da deliberação do plenário. Desses 1.432 é que nós tiramos aqueles 398 da CDHU. E que são, para que o internauta entenda, não são... Muitos se referem a metrô, BR, Dersa, vários órgãos e empresas do governo do Estado de São Paulo. Outros 1.265 são comunicação que o Tribunal de Contas encaminhou a Assembléia Legislativa, mas que não foram ainda apreciadas pelas duas Comissões, 1.265. E 334 ainda não tinham ainda recebido. Ele passou pela Comissão de Finanças e Orçamento, recebeu um parecer, recebeu uma aprovação, uma... Pelo deputado designado pelo presidente da Comissão e vão ainda para a fiscalização e controle. O que se totaliza, então, os 3.031 processos irregulares que vem de 98.
Paulo Henrique Amorim – Agora, a sua expectativa, deputado, é que a Assembléia possa julgar essas irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas do Estado ou isso aí via acabar, de novo, em pizza?
Simão Pedro – Não, a nossa expectativa do PT é que, a partir do momento que fizemos a questão de ordem, que fizemos o pedido de informação ao Tribunal de Contas e fizemos o pedido de informação no Ministério Público, é cruzar o que é que já está sendo investigado pelo Ministério Público, o que é que o Ministério Público abriu de processo, o que que ficou parado e porque que ficou parado, essa é a questão que nós estamos querendo levantar. Há uma informação de um dos conselheiros do Tribunal de Contas que eu obtive informalmente, infelizmente, é que desses 398 contratos da CDHU, 41 deles receberam uma reforma através do parecer do relator designado e uma informação que a gente tem é que Goro Hama, que foi um ex-presidente da CDHU no governo Covas, ele usava essas reformas, o Tribunal considerava irregular, mandava para a Assembléia, na hora em que entrava na Comissão de Finanças, o relator, designado pelo então presidente ele... Eu não vou dizer a palavra lavava o, porque é muito forte, mas ele reformava o parecer do Tribunal e ali ficava parado. Depois o Goro Hama utilizava essa reforma do parecer pela Assembléia Legislativa em sua defesa nos processos que ele tinha na Justiça. Então nós queremos saber, nós vamos fazer esse levantamento ainda de quantos processos o Goro Hama ele utilizou essa reforma para se defender. O grave disso tudo também, Paulo Henrique é que esses processos, quando demoram dez anos, nove anos, quando eles chegam no Ministério Público, até o Ministério Público abrir a ação às vezes o crime já prescreveu. Então, isso é um escândalo que nós do PT não queremos ver engavetado, não queremos ver ele sendo utilizado dessa forma, ou seja, nós vamos querer apurar as responsabilidades e que se tomem as providências cabíveis apurando as responsabilidades de cada parte. Queremos saber por que que os presidentes seguravam isso, com qual objetivo o grau de responsabilidade que cada um tem nesse tipo de processo.
Paulo Henrique Amorim – Agora, deputado Simão Pedro, uma última questão, a CPI do deputado Bragato morreu, não é?
Simão Pedro – Não, ela não morreu, porque o presidente Vaz de Lima, na calada da noite, quando votamos a LDO na quarta-feira, quando a Assembléia já estava esvaziando ele resolveu fazer um comunicado e responder a uma questão de ordem do deputado Campos Machado e uma minha a respeito do porque que ele não implantava as CPIs, qual era o critério que ele utilizaria. E ele disse que utilizaria então o critério de ordem cronológica, que não tem fundamento no regimento interno, é um critério aleatório que ele utilizou e, não vou dizer coincidência porque na política não existe coincidência, mas é a mesma posição que o governador Serra tem defendido, por exemplo, quando ele acusou a bancada do PT de mentir sobre a pressão que o governo Serra faz sobre a Assembléia Legislativa para não abrir CPIs que não incomodem o governo, ele disse que o critério correto era a ordem cronológica. Coincidentemente foi o mesmo critério utilizado pelo presidente Vaz de Lima. São CPIs que serão implantadas e que hoje não tem mais uma relevância, não tem uma importância, vamos dizer assim, não é um assunto relevante para a sociedade neste momento. Nisso ele também joga para frente as CPIs que lhe incomoda. Da CDHU, se for nesse critério que ele vem adotando, que é a ordem cronológica vai ficar, provavelmente, para o ano que vem. Nós vamos entrar na Justiça, vou ao Supremo Tribunal Federal e vou ao Tribunal de Justiça reivindicar o direito de implantarmos essa CPI.
Paulo Henrique Amorim – O senhor tem como provar que o governador José Serra pressiona a bancada dele na Assembléia para não deixar abrir CPI?
Simão Pedro – Olha, provar eu não tenho, mas é só observar o comportamento dos da base de sustentação do governo. Até março os deputados assinavam requerimento da bancada do PT. A partir da nova legislatura, todos os deputados, com exceção do deputado do PV Major Olímpio, praticamente todos os deputados da base de sustentação não assinam mais os requerimentos de CPI do PT, do PSOL também. Como eu disse que em política não há coincidência, é só observar que no caso específico da CDHU, aí foi um caso a parte porque o deputado Mauro Bragato, quando ele pressionado pela opinião pública lá da região de Presidente Prudente até talvez para provar que não tinha problemas com a CDHU ou com as denúncias que estavam sendo feitas no momento que não envolvia o nome dele ainda, ele acabou assinando, como líder do PSDB, ele assinou e os outros líderes também acabaram assinando. Então, foi a única exceção, foi o único que, vamos dizer assim, conseguimos romper esse bloqueio que o governo tem feito e basta ver as coincidências aí da opinião do Serra com o do Vaz de Lima e o fato da base aliada do Serra na Assembléia entupir a pauta com um monte de CPI, todas com um número acima do exigido de assinaturas, eles colocaram 14 pedidos na nossa frente. Então, foi uma tática deliberada, afetada para impedir a oposição de ter que implantar as CPIs que incomodam ou que possam investigar ações dos entes públicos ligados ao governo Alckmin – Serra.
Paulo Henrique Amorim – Muito obrigado deputado Simão Pedro, é sempre um prazer contar com as suas explicações.
Simão Pedro – Paulo Henrique, muito obrigado pela oportunidade, muito obrigado mesmo, um grande abraço a você.
Paulo Henrique Amorim – Muito obrigado, um abraço.
Segundo Simão Pedro, até maio deste ano a Assembléia abafou todos os 388 processos irregulares da CDHU. “E há oito anos que a Assembléia não tomava decisão sobre esses processos”, disse Simão Pedro.
Esses processos do TCE chegam até a Assembléia como uma comunicação do Tribunal de Contas. O presidente da Assembléia encaminha esse processo para a Comissão de Finanças e Orçamento, que o transforma em um PDL (Projeto de Decreto Legislativo). Depois, o PDL vai para a Comissão de Fiscalização e Controle.
Só após percorrer esse caminho é que o processo vai para o plenário da Assembléia deliberar. Os deputados devem votar os PDL’s para decidir se enviam ao Ministério Público abrir processo ou arquivar.
Simão Pedro disse que quando o PT assumiu a presidência da Comissão de Finanças e Orçamento da Assembléia, em 2006, descobriu que havia 706 contratos irregulares parados na Comissão. Desses, 43% eram referentes à CDHU.
Segundo Simão Pedro, um deputado do então PFL, Claudine Crespo, que não foi reeleito, chegou a propor uma CPI para investigar o “arquivamento” desses contratos.
Simão Pedro disse que esse relatório é um “pente-fino” desses contratos que estavam parados na Comissão de Finanças e Orçamento. Segundo ele, ao todo a Assembléia tem mais de três mil contratos considerados irregulares pela CDHU parados.
Leia a íntegra da entrevista com Simão Pedro:
Simão Pedro – Vou bem, Paulo Henrique, satisfação falar com você e com os internautas aí do seu site.
Paulo Henrique Amorim – Muito obrigado. Deputado, nós gostaríamos de conversar sobre o fato de que o PT, a liderança do PT na Assembléia Legislativa, fez um trabalho que mostra que o Tribunal Regional de Contas, Tribunal de Contas do Estado, TCE, ele estudou... Localizou processos com irregularidades em obras feitas pela CDHU e essas irregularidades provocam um montante de R$ 2 bilhões e nada disso foi julgado pela Assembléia Legislativa, nada disso foi revisto pela Assembléia Legislativa de São Paulo. Eu gostaria de saber primeiro, como é que trabalhou a liderança do PT para conseguir levantar esses 398 processos do Tribunal de Contas do Estado?
Simão Pedro – Paulo Henrique, primeiro é bom frisar que esses 398 contratos considerados irregulares pelo Tribunal de Contas são referentes à CDHU e se refere somente ao período de 1998 a 2002. Na Assembléia, neste momento, tramitam cerca de três mil, cerca não, exatamente, três mil e trinta e um processos de contratos irregulares referentes ao governo Alckmin de 98 para cá. E há oito anos que a Assembléia não tomava decisão nenhuma sobre esses processos. Quando ele chega na Assembléia, ele chega com uma comunicação do Tribunal de Contas, o presidente encaminha para a Comissão de Finanças e Orçamento e ali ele é transformado em um Projeto de Decreto Legislativo. O presidente nomeia um relator e esse relator dá um parecer, depois vai para a Comissão de Fiscalização e Controle e só aí então vai para o plenário, para o plenário da Assembléia deliberar. Se envia ao Ministério Público para as providências, abrir processo, etc, e arquiva. Então foi um acaso, não digo foi um acaso, o PT assumiu a presidência da Comissão de Finanças e Orçamento no ano passado, foi o deputado Ênio Tato, e descobriu-se, ele como presidente, quis saber quais eram os processos que estavam parados nessa Comissão, descobriu que tinha 706 contratos parados naquela Comissão, 43% eram referentes à CDHU. Nós levantamos esse programa no ano passado e um deputado do PFL, que chama, chamava Claudinho Crespo, ele não foi reeleito, mas ele chegou até a propor um pedido de CPI para analisar esse, vamos dizer, “arquivamento”, entre aspas, desses contratos. O fato deles pararem ali, debaixo da mesa, sem qualquer providência, não é?! O que é que nós fizemos? Nós pegamos esses contratos, fizemos um pente fino a partir do assunto que interessa, que está em pauta, que é a CDHU. Só que isso nós fizemos agora, já nesta legislatura. Descobrimos então que destes 398 contratos da CDHU, fazem parte então, Paulo Henrique, dos 1.432 Projetos de Decreto Legislativo que estão ainda pela deliberação do plenário. Já tramitou pelas Comissões, aguardam deliberação do plenário. Então, desses 398 é que chegamos a esses números que você citou, ou seja, são 37 mil unidades envolvidas, unidades habitacionais que foram construídas e que envolvem aí a quantia de 2 bilhões e 400 milhões em valores atualizados pela nossa assessoria.
Paulo Henrique Amorim – Ou seja, desde 1998, passando por todo o governo Alckmin, há pelo menos 398 irregularidades, apontadas pelo Tribunal de Contas do Estado, elas envolvem R$ 2 bilhões e a Assembléia Legislativa de São Paulo abafou todas as apurações, é isso?
Simão Pedro – É mais ou menos isso, somente a partir da questão de ordem que eu fiz no dia, no início do mês de maio, cinco de mais, seis de maio precisamente, que fiz uma questão de ordem perguntando ao novo presidente que, quais são as providências que ele tomaria para que o plenário, ou que as Comissões, a Assembléia deliberarem sobre os projetos. Aí, no dia 6 de junho, ou seja, um mês depois, ele começou a pautar, nas deliberações do plenário, esses projetos. Nós chegamos agora, há cerca de um mês, votar cerca de uns 40, 45, e um critério do presidente foi colocar para a deliberação do plenário aqueles projetos que o Tribunal de Contas já havia aberto processo de investigação. E o, a par dessa informação do presidente, eu fiz um requerimento ao Tribunal de Contas perguntando quantos processos julgados irregulares eles encaminham direto ao Ministério Público. A informação que nós tivemos é que essa máfia das casinhas que foi estourada na região de Presidente Prudente foi uma ação da Polícia Civil e do Ministério Público a partir de uma comunicação do Tribunal de Contas. Até o momento o Tribunal não me respondeu. Também enviei um pedido de informação ao Tribunal, ao Ministério Público, perguntando ao doutor Rodrigo Pinho quantos processos, quantas comunicações eles haviam recebido, o Ministério Público recebeu, do Tribunal de Contas, ele também não me respondeu até o momento. Mas o grave é que são 3 mil e 31 processos considerados irregulares que estão parados na Assembléia Legislativa, 3 mil e 31.
Paulo Henrique Amorim – E eles envolvem que governos?
Simão Pedro – Basicamente os dois governos Alckmin, 98 até, vamos dizer, 2006. Vou te dar aqui, mais exatamente, olha: 1.432 estão já dependendo da deliberação do plenário. Desses 1.432 é que nós tiramos aqueles 398 da CDHU. E que são, para que o internauta entenda, não são... Muitos se referem a metrô, BR, Dersa, vários órgãos e empresas do governo do Estado de São Paulo. Outros 1.265 são comunicação que o Tribunal de Contas encaminhou a Assembléia Legislativa, mas que não foram ainda apreciadas pelas duas Comissões, 1.265. E 334 ainda não tinham ainda recebido. Ele passou pela Comissão de Finanças e Orçamento, recebeu um parecer, recebeu uma aprovação, uma... Pelo deputado designado pelo presidente da Comissão e vão ainda para a fiscalização e controle. O que se totaliza, então, os 3.031 processos irregulares que vem de 98.
Paulo Henrique Amorim – Agora, a sua expectativa, deputado, é que a Assembléia possa julgar essas irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas do Estado ou isso aí via acabar, de novo, em pizza?
Simão Pedro – Não, a nossa expectativa do PT é que, a partir do momento que fizemos a questão de ordem, que fizemos o pedido de informação ao Tribunal de Contas e fizemos o pedido de informação no Ministério Público, é cruzar o que é que já está sendo investigado pelo Ministério Público, o que é que o Ministério Público abriu de processo, o que que ficou parado e porque que ficou parado, essa é a questão que nós estamos querendo levantar. Há uma informação de um dos conselheiros do Tribunal de Contas que eu obtive informalmente, infelizmente, é que desses 398 contratos da CDHU, 41 deles receberam uma reforma através do parecer do relator designado e uma informação que a gente tem é que Goro Hama, que foi um ex-presidente da CDHU no governo Covas, ele usava essas reformas, o Tribunal considerava irregular, mandava para a Assembléia, na hora em que entrava na Comissão de Finanças, o relator, designado pelo então presidente ele... Eu não vou dizer a palavra lavava o, porque é muito forte, mas ele reformava o parecer do Tribunal e ali ficava parado. Depois o Goro Hama utilizava essa reforma do parecer pela Assembléia Legislativa em sua defesa nos processos que ele tinha na Justiça. Então nós queremos saber, nós vamos fazer esse levantamento ainda de quantos processos o Goro Hama ele utilizou essa reforma para se defender. O grave disso tudo também, Paulo Henrique é que esses processos, quando demoram dez anos, nove anos, quando eles chegam no Ministério Público, até o Ministério Público abrir a ação às vezes o crime já prescreveu. Então, isso é um escândalo que nós do PT não queremos ver engavetado, não queremos ver ele sendo utilizado dessa forma, ou seja, nós vamos querer apurar as responsabilidades e que se tomem as providências cabíveis apurando as responsabilidades de cada parte. Queremos saber por que que os presidentes seguravam isso, com qual objetivo o grau de responsabilidade que cada um tem nesse tipo de processo.
Paulo Henrique Amorim – Agora, deputado Simão Pedro, uma última questão, a CPI do deputado Bragato morreu, não é?
Simão Pedro – Não, ela não morreu, porque o presidente Vaz de Lima, na calada da noite, quando votamos a LDO na quarta-feira, quando a Assembléia já estava esvaziando ele resolveu fazer um comunicado e responder a uma questão de ordem do deputado Campos Machado e uma minha a respeito do porque que ele não implantava as CPIs, qual era o critério que ele utilizaria. E ele disse que utilizaria então o critério de ordem cronológica, que não tem fundamento no regimento interno, é um critério aleatório que ele utilizou e, não vou dizer coincidência porque na política não existe coincidência, mas é a mesma posição que o governador Serra tem defendido, por exemplo, quando ele acusou a bancada do PT de mentir sobre a pressão que o governo Serra faz sobre a Assembléia Legislativa para não abrir CPIs que não incomodem o governo, ele disse que o critério correto era a ordem cronológica. Coincidentemente foi o mesmo critério utilizado pelo presidente Vaz de Lima. São CPIs que serão implantadas e que hoje não tem mais uma relevância, não tem uma importância, vamos dizer assim, não é um assunto relevante para a sociedade neste momento. Nisso ele também joga para frente as CPIs que lhe incomoda. Da CDHU, se for nesse critério que ele vem adotando, que é a ordem cronológica vai ficar, provavelmente, para o ano que vem. Nós vamos entrar na Justiça, vou ao Supremo Tribunal Federal e vou ao Tribunal de Justiça reivindicar o direito de implantarmos essa CPI.
Paulo Henrique Amorim – O senhor tem como provar que o governador José Serra pressiona a bancada dele na Assembléia para não deixar abrir CPI?
Simão Pedro – Olha, provar eu não tenho, mas é só observar o comportamento dos da base de sustentação do governo. Até março os deputados assinavam requerimento da bancada do PT. A partir da nova legislatura, todos os deputados, com exceção do deputado do PV Major Olímpio, praticamente todos os deputados da base de sustentação não assinam mais os requerimentos de CPI do PT, do PSOL também. Como eu disse que em política não há coincidência, é só observar que no caso específico da CDHU, aí foi um caso a parte porque o deputado Mauro Bragato, quando ele pressionado pela opinião pública lá da região de Presidente Prudente até talvez para provar que não tinha problemas com a CDHU ou com as denúncias que estavam sendo feitas no momento que não envolvia o nome dele ainda, ele acabou assinando, como líder do PSDB, ele assinou e os outros líderes também acabaram assinando. Então, foi a única exceção, foi o único que, vamos dizer assim, conseguimos romper esse bloqueio que o governo tem feito e basta ver as coincidências aí da opinião do Serra com o do Vaz de Lima e o fato da base aliada do Serra na Assembléia entupir a pauta com um monte de CPI, todas com um número acima do exigido de assinaturas, eles colocaram 14 pedidos na nossa frente. Então, foi uma tática deliberada, afetada para impedir a oposição de ter que implantar as CPIs que incomodam ou que possam investigar ações dos entes públicos ligados ao governo Alckmin – Serra.
Paulo Henrique Amorim – Muito obrigado deputado Simão Pedro, é sempre um prazer contar com as suas explicações.
Simão Pedro – Paulo Henrique, muito obrigado pela oportunidade, muito obrigado mesmo, um grande abraço a você.
Paulo Henrique Amorim – Muito obrigado, um abraço.
A lógica do golpe
Não importam os fatos, a mídia golpista quer derrubar o Presidente LULA.
1) Os editoriais dos jornalões atacam sistematicamente o presidente;
2) O avião da TAM tinha pousado antes com sucesso 2 vezes no mesmo dia em Congonhas. A segunda vez sob forte chuva. Isso evidencia que a pista não é a causa da tragédia do avião da TAM.
3) Assim como no acidente da Gol, em que os culpados foram os pilotos dos Estados Unidos, a mídia continua deturpando os fatos e colocando no governo a culpa pelo acidente.
4) A mídia tem desviado o foco da TAM e a negligência com a manutenção dessa empresa. Houve vários acidentes desde 1976 com a TAM e vários outros incidentes não comentados pela mídia golpista. Recentemnte dois aviões dessa empresa tiveram que arremeter em Congonhas. Um outro avião da TAM ficou sem orientação durante o vôo e foram guiados por rádio pelos controladores de vôo, que garantiram o pouso do avião. O poder financeiro da TAM talvez explique essa falta de foco na empresa.
5) É muito estranha a pane no CINDACTA IV, a probabilidade de ocorrer um pane nesse sistema é de 1 para 1 bilhão.
6) A Globo escalou até a Ana Maria Braga, que fez campanha para o alckmin, para fazer barulho com o acidente do avião da TAM.
7) Qualquer explicação lógica que não seja a pista é logo descartada pela mídia, que contrata um "consultor" para dar um parecer de acordo com a orientação do golpe.
8) A Central do Golpe está coordenando tudo isso. Há muitos interesses internos e externos de que o governo Lula não chegue a 2010. Esses interesses estão juntos na agenda do golpe de estado.
9) Quando aparecer a explicação técnica da queda do avião e ela não for a pista, a mídia centrará fogo em outro fato para desviar a atenção da explicação verdadeira.
10) A Central do Golpe, primeiro desferiu um golpe no Senado, com o caso Renan (cuja filha era do conhecimento da mídia há três anos)e com o Silas Rondeau, indicado por Sarney ( a globo chegou até a inventar um pacote marrom, contendo US$ 100 mil, prontamente desmentido pelo Molina, perito da Unicamp). Dessa forma o o apoio do governo ficaria manco no Congresso Nacional. E também poderia precipitar a saída do PMDB da coligação governista. Não é á toa, o nome da operação Xeque Mate da Polícia Federal, que envolveu o nome do irmão do presidente, e que não foi sequer indiciado pelo Ministério Público. Dessa forma, segundo eles, o presidente teria caído.
11) A queda do avíão foi providencial para a Central do Golpe. Eles estão usando tudo o que têem na mídia, 24 horas por dia ad nauseam, para culpar o governo, apesar dos fatos indicarem que a culpa pode ter sido da TAM. Depois da pane na CINDACTA IV, eles são capazes de TUDO para derrubar o governo. Nenhuma hipótese pode ser descartada, os interesses internos e externos são muitos.
12) O que está em jogo é um Projeto Naciona de Desenvolvimento, que está a caminho, com a anulação da dívida externa até o final do ano, a economia crescendo acima de 4%, distribuindo renda, inflação controlada, superávit comercial e perspectivas de melhoaras a cada anos.
13) Com a construção da usina nuclear de Angra 3 e da continuação do projeto do submarino nuclear o governo tem demonstrado a potências estrangeiras que age de forma autonoma, coisa que não ocorreu no 8 (longos) anos de fhc. O Brasil era um país subalterno dos interesses estrangeiros.
14) A negociação firme na Rodada de Doha da OMC, tem demonstrado que o país age de acordo com os seus interesses.
15) O Brasil pode sim se transformar numa potência com a políticas implantadas pelo Governo Lula. Esse é o medo de vários países. Os Estados Unidos, certa vez, disseram que não tolerariam outro Japão na América do Sul. A elite brasileira, que é subalterna aos interesses estrangeiros (por isso é uma sub-elite) tem medo de que o Brasil dando certo, os tucanos nunca mais voltem ao governo federal.
16) Esse é o jogo e o pano de fundo de todo esse barulho.
1) Os editoriais dos jornalões atacam sistematicamente o presidente;
2) O avião da TAM tinha pousado antes com sucesso 2 vezes no mesmo dia em Congonhas. A segunda vez sob forte chuva. Isso evidencia que a pista não é a causa da tragédia do avião da TAM.
3) Assim como no acidente da Gol, em que os culpados foram os pilotos dos Estados Unidos, a mídia continua deturpando os fatos e colocando no governo a culpa pelo acidente.
4) A mídia tem desviado o foco da TAM e a negligência com a manutenção dessa empresa. Houve vários acidentes desde 1976 com a TAM e vários outros incidentes não comentados pela mídia golpista. Recentemnte dois aviões dessa empresa tiveram que arremeter em Congonhas. Um outro avião da TAM ficou sem orientação durante o vôo e foram guiados por rádio pelos controladores de vôo, que garantiram o pouso do avião. O poder financeiro da TAM talvez explique essa falta de foco na empresa.
5) É muito estranha a pane no CINDACTA IV, a probabilidade de ocorrer um pane nesse sistema é de 1 para 1 bilhão.
6) A Globo escalou até a Ana Maria Braga, que fez campanha para o alckmin, para fazer barulho com o acidente do avião da TAM.
7) Qualquer explicação lógica que não seja a pista é logo descartada pela mídia, que contrata um "consultor" para dar um parecer de acordo com a orientação do golpe.
8) A Central do Golpe está coordenando tudo isso. Há muitos interesses internos e externos de que o governo Lula não chegue a 2010. Esses interesses estão juntos na agenda do golpe de estado.
9) Quando aparecer a explicação técnica da queda do avião e ela não for a pista, a mídia centrará fogo em outro fato para desviar a atenção da explicação verdadeira.
10) A Central do Golpe, primeiro desferiu um golpe no Senado, com o caso Renan (cuja filha era do conhecimento da mídia há três anos)e com o Silas Rondeau, indicado por Sarney ( a globo chegou até a inventar um pacote marrom, contendo US$ 100 mil, prontamente desmentido pelo Molina, perito da Unicamp). Dessa forma o o apoio do governo ficaria manco no Congresso Nacional. E também poderia precipitar a saída do PMDB da coligação governista. Não é á toa, o nome da operação Xeque Mate da Polícia Federal, que envolveu o nome do irmão do presidente, e que não foi sequer indiciado pelo Ministério Público. Dessa forma, segundo eles, o presidente teria caído.
11) A queda do avíão foi providencial para a Central do Golpe. Eles estão usando tudo o que têem na mídia, 24 horas por dia ad nauseam, para culpar o governo, apesar dos fatos indicarem que a culpa pode ter sido da TAM. Depois da pane na CINDACTA IV, eles são capazes de TUDO para derrubar o governo. Nenhuma hipótese pode ser descartada, os interesses internos e externos são muitos.
12) O que está em jogo é um Projeto Naciona de Desenvolvimento, que está a caminho, com a anulação da dívida externa até o final do ano, a economia crescendo acima de 4%, distribuindo renda, inflação controlada, superávit comercial e perspectivas de melhoaras a cada anos.
13) Com a construção da usina nuclear de Angra 3 e da continuação do projeto do submarino nuclear o governo tem demonstrado a potências estrangeiras que age de forma autonoma, coisa que não ocorreu no 8 (longos) anos de fhc. O Brasil era um país subalterno dos interesses estrangeiros.
14) A negociação firme na Rodada de Doha da OMC, tem demonstrado que o país age de acordo com os seus interesses.
15) O Brasil pode sim se transformar numa potência com a políticas implantadas pelo Governo Lula. Esse é o medo de vários países. Os Estados Unidos, certa vez, disseram que não tolerariam outro Japão na América do Sul. A elite brasileira, que é subalterna aos interesses estrangeiros (por isso é uma sub-elite) tem medo de que o Brasil dando certo, os tucanos nunca mais voltem ao governo federal.
16) Esse é o jogo e o pano de fundo de todo esse barulho.
Boicote aos golpistas
O REPÚBLICA VERMELHA E O BLOG AMIGOS DO PRESIDENTE A PARTIR DE HOJE INICIAMOS UMA CAMPANHA EM TODA BLOGSFERA DE BOICOTE AOS PATROCIANDORES DO JN. COPIE O TEXTO, COLE EM SEU BLOG ENVIE PELA SUA CORRENTE DE E-MAIL.
O leitor do blog disse: "Vamos devolver à Globo seu próprio veneno.Querem fazer política associando acidentes trágicos e erros da TAM à responsabilidade do governo Lula? Pois bem, vamos denunciar que os patrocinadores do JN estão financiando uma conspiração para derrubar um governo legítimo. Vamos denunciar que empresários que financiam o JN são como Carmona na Venezuela.
A massa da população que aprova Lula é maioria e tem o direito de ser bem informada e não ofendida. E essa massa é a maioria dos consumidos dos anunciantes. Só o boicote resolve, não apenas à audiência, mas principalmente o boicote a produtos e o repúdio aos patrocinadores..J Augusto"... Então, vamos a luta com o leitor...Saída é boicotar
No limite da idiotização
É normal que a Globo, Veja, Estadão, Folha, entre outros representantes convictos da imprensa manipulada – dita "burguesa" – explorem esse lado da privacidade e somem esforços na ridicularização, na massificação e na idiotização do público. Como dignos representantes da massa formadora de opinião, da elite dominante, o papel de alienadores não é mais do que natural. Cabe a nós povo reagir a tamanha mediocridade. Nós devemos nos unir e protestar contra a baixaria, sensassionalismo e a exploração na programação televisiva exercendo o direito de escolha como consumidores contra os patrocinadores de atrações que promovem a mentira, a desinformação, lavagem cerebral, para derrubar Lula. "Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania"
Os anunciantes é que mantém essa péssima programação televisiva no ar; a idéia aqui é iniciar um boicote, deixando de comprar os produtos anunciados por esses programas.Devemos nos mobilizar e reclamar, pressionar, boicotar os produtos dos patrocinadores de maus programas, lutar pelos nossos direitos de telespectadores. Sugiro que a gente comece a escrever e-mails', fazer petições para os patrocinadores - estes sim, os que mandam!.O Boicote é uma forma eficiente de resistência e protesto
O leitor do blog disse: "Vamos devolver à Globo seu próprio veneno.Querem fazer política associando acidentes trágicos e erros da TAM à responsabilidade do governo Lula? Pois bem, vamos denunciar que os patrocinadores do JN estão financiando uma conspiração para derrubar um governo legítimo. Vamos denunciar que empresários que financiam o JN são como Carmona na Venezuela.
A massa da população que aprova Lula é maioria e tem o direito de ser bem informada e não ofendida. E essa massa é a maioria dos consumidos dos anunciantes. Só o boicote resolve, não apenas à audiência, mas principalmente o boicote a produtos e o repúdio aos patrocinadores..J Augusto"... Então, vamos a luta com o leitor...Saída é boicotar
No limite da idiotização
É normal que a Globo, Veja, Estadão, Folha, entre outros representantes convictos da imprensa manipulada – dita "burguesa" – explorem esse lado da privacidade e somem esforços na ridicularização, na massificação e na idiotização do público. Como dignos representantes da massa formadora de opinião, da elite dominante, o papel de alienadores não é mais do que natural. Cabe a nós povo reagir a tamanha mediocridade. Nós devemos nos unir e protestar contra a baixaria, sensassionalismo e a exploração na programação televisiva exercendo o direito de escolha como consumidores contra os patrocinadores de atrações que promovem a mentira, a desinformação, lavagem cerebral, para derrubar Lula. "Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania"
Os anunciantes é que mantém essa péssima programação televisiva no ar; a idéia aqui é iniciar um boicote, deixando de comprar os produtos anunciados por esses programas.Devemos nos mobilizar e reclamar, pressionar, boicotar os produtos dos patrocinadores de maus programas, lutar pelos nossos direitos de telespectadores. Sugiro que a gente comece a escrever e-mails', fazer petições para os patrocinadores - estes sim, os que mandam!.O Boicote é uma forma eficiente de resistência e protesto
Passageiros pagarão passagem mais cara para terem segurança, diz Infraero
Passageiros pagarão passagem mais cara para terem segurança, diz Infraero
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A Infraero admitiu hoje que haverá um aumento nos preços das passagens aéreas em consequência da redução do número de vôos no aeroporto de Congonhas (SP). O presidente da Infraero, José Carlos Pereira, disse nesta segunda-feira que a prioridade do governo federal será garantir a segurança dos passageiros --mesmo que isso traga reflexos no reajuste das tarifas.
"Segurança tem que vir em primeiro lugar. Eu não disse que o aeroporto estava inseguro, mas chegou a hora de tomar medidas cautelares e isso pode significar, sim, um aumento de preços para os passageiros, que terão que pagar um pouco mais pela sua segurança", afirmou.
Presidente da Infraero diz que aumento da segurança vai aumentar preço da passagem
Pereira evitou adiantar, no entanto, o percentual do reajuste que deve atingir os passageiros. Mas disse acreditar que o aumento seja suave, sem grandes impactos no bolso dos passageiros. "O preço das passagens é caro, mas houve um barateamento forte nos últimos tempos. Se o preço de uma passagem passar de R$ 150 para R$ 155, não chega a ser nada fantástico nem vai levar a empresa à falência", afirmou.
Segundo o brigadeiro, o reajuste nas tarifas aéreas é um problema a ser administrado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
Durante reunião com a coordenação política esta manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu que pode haver aumentos nos preços das passagens aéreas em consequência das medidas decretadas pelo Conac (Conselho de Aviação Civil) na última sexta-feira, que reduzem o tráfego aéreo em Congonhas.
A avaliação de integrantes do governo é que, além de preços mais altos, ocorrerão transtornos aos usuários do transporte aéreo em decorrência da redução das atividades no aeroporto.
Os ministros reconheceram que, com a redução no número de vôos, as companhias aéreas terão gastos que vão ser automaticamente repassados aos consumidores. Além da redução no número de vôos, as medidas do Conac também determinam que os aviões pousem em Congonhas com peso menor --o que reduz o número de ocupações nos vôos e pode trazer prejuízos às companhias aéreas.
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A Infraero admitiu hoje que haverá um aumento nos preços das passagens aéreas em consequência da redução do número de vôos no aeroporto de Congonhas (SP). O presidente da Infraero, José Carlos Pereira, disse nesta segunda-feira que a prioridade do governo federal será garantir a segurança dos passageiros --mesmo que isso traga reflexos no reajuste das tarifas.
"Segurança tem que vir em primeiro lugar. Eu não disse que o aeroporto estava inseguro, mas chegou a hora de tomar medidas cautelares e isso pode significar, sim, um aumento de preços para os passageiros, que terão que pagar um pouco mais pela sua segurança", afirmou.
Presidente da Infraero diz que aumento da segurança vai aumentar preço da passagem
Pereira evitou adiantar, no entanto, o percentual do reajuste que deve atingir os passageiros. Mas disse acreditar que o aumento seja suave, sem grandes impactos no bolso dos passageiros. "O preço das passagens é caro, mas houve um barateamento forte nos últimos tempos. Se o preço de uma passagem passar de R$ 150 para R$ 155, não chega a ser nada fantástico nem vai levar a empresa à falência", afirmou.
Segundo o brigadeiro, o reajuste nas tarifas aéreas é um problema a ser administrado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
Durante reunião com a coordenação política esta manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu que pode haver aumentos nos preços das passagens aéreas em consequência das medidas decretadas pelo Conac (Conselho de Aviação Civil) na última sexta-feira, que reduzem o tráfego aéreo em Congonhas.
A avaliação de integrantes do governo é que, além de preços mais altos, ocorrerão transtornos aos usuários do transporte aéreo em decorrência da redução das atividades no aeroporto.
Os ministros reconheceram que, com a redução no número de vôos, as companhias aéreas terão gastos que vão ser automaticamente repassados aos consumidores. Além da redução no número de vôos, as medidas do Conac também determinam que os aviões pousem em Congonhas com peso menor --o que reduz o número de ocupações nos vôos e pode trazer prejuízos às companhias aéreas.
Infraero inicia amanhã obras de ranhuras em pista de Congonhas
Infraero inicia amanhã obras de ranhuras em pista de Congonhas
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A Infraero (estatal que administra os aeroportos) inicia amanhã as obras de realização do chamado "grooving" (ranhuras que ajudam no escoamento de água) na pista principal do aeroporto de Congonhas (SP). A estatal estima que as obras estarão concluídas entre 20 e 45 dias, pois será montada uma espécie de força-tarefa para a instalação do "grooving".
A Infraero alega que, normalmente, as obras para colocação do grooving seriam realizadas em pelo menos 47 dias --com uma média de instalação 40 metros de grooving por dia. Com a força-tarefa, o objetivo da Infraero é permitir que o grooving esteja instalado nos 1.940 metros da pista em tempo abaixo do previsto normalmente pela estatal.
Segundo a Infraero, as obras de instalação do grooving não vão impedir a reabertura da pista principal de Congonhas prevista para ocorrer até o final desta semana. A expectativa da Infraero é que a pista seja reaberta na próxima quinta-feira, às 19h, com a conclusão das obras no local.
Depois do acidente com o Airbus-A320 da TAM, a Polícia Federal retirou partes do asfalto para realizar perícia no local --o que impediu a reabertura da pista uma vez que as chuvas impediram a reparação dos buracos feitos no pavimento pelos peritos.
A estatal alega que as obras não vão interferir na reabertura da pista porque serão realizadas durante a madrugada, período em que não há pousos e decolagens no terminal.
Chuvas
As companhias aéreas e pilotos têm evitado operar em Congonhas sob chuva desde o acidente com o vôo 3054 da TAM. Na terça-feira passada (17), o Airbus A-320 da TAM passou pela pista principal de Congonhas, cruzou a avenida Washington Luís e atingiu um posto de gasolina e prédio da TAM Express. O choque provocou um incêndio de grandes proporções. O número total de mortos no acidente --o maior da história aeronáutica brasileira-- pode chegar a 200.
Há suspeitas de que a ausência do grooving na pista principal tenha contribuído para o acidente. Já a pista auxiliar é questionada pois, apesar de ter grooving, é mais curta --o que, conseqüentemente, dificultaria manobras em eventuais ocasiões de emergência.
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A Infraero (estatal que administra os aeroportos) inicia amanhã as obras de realização do chamado "grooving" (ranhuras que ajudam no escoamento de água) na pista principal do aeroporto de Congonhas (SP). A estatal estima que as obras estarão concluídas entre 20 e 45 dias, pois será montada uma espécie de força-tarefa para a instalação do "grooving".
A Infraero alega que, normalmente, as obras para colocação do grooving seriam realizadas em pelo menos 47 dias --com uma média de instalação 40 metros de grooving por dia. Com a força-tarefa, o objetivo da Infraero é permitir que o grooving esteja instalado nos 1.940 metros da pista em tempo abaixo do previsto normalmente pela estatal.
Segundo a Infraero, as obras de instalação do grooving não vão impedir a reabertura da pista principal de Congonhas prevista para ocorrer até o final desta semana. A expectativa da Infraero é que a pista seja reaberta na próxima quinta-feira, às 19h, com a conclusão das obras no local.
Depois do acidente com o Airbus-A320 da TAM, a Polícia Federal retirou partes do asfalto para realizar perícia no local --o que impediu a reabertura da pista uma vez que as chuvas impediram a reparação dos buracos feitos no pavimento pelos peritos.
A estatal alega que as obras não vão interferir na reabertura da pista porque serão realizadas durante a madrugada, período em que não há pousos e decolagens no terminal.
Chuvas
As companhias aéreas e pilotos têm evitado operar em Congonhas sob chuva desde o acidente com o vôo 3054 da TAM. Na terça-feira passada (17), o Airbus A-320 da TAM passou pela pista principal de Congonhas, cruzou a avenida Washington Luís e atingiu um posto de gasolina e prédio da TAM Express. O choque provocou um incêndio de grandes proporções. O número total de mortos no acidente --o maior da história aeronáutica brasileira-- pode chegar a 200.
Há suspeitas de que a ausência do grooving na pista principal tenha contribuído para o acidente. Já a pista auxiliar é questionada pois, apesar de ter grooving, é mais curta --o que, conseqüentemente, dificultaria manobras em eventuais ocasiões de emergência.
No dia do acidente, Airbus pousou 3 vezes em Congonhas
Agência Estado
Em São Paulo
O histórico de vôos do Airbus A320 da TAM diminui a possibilidade de que a chuva e a pista do Aeroporto de Congonhas tenham sido decisivas na tragédia que matou ao menos 199 pessoas. Isso porque, no dia do acidente, o avião de prefixo MBK já havia pousado duas vezes na pista principal do aeroporto, uma delas enquanto chovia quase três vezes mais do que no momento do desastre. Em nenhuma das aterrissagens houve queixas de pista escorregadia ou problemas mecânicos.
O primeiro pouso do Airbus em Congonhas ocorreu às 11h11 do dia 17. O avião, que fazia o vôo 3701 entre Brasília e São Paulo, encontrou muita chuva na chegada à capital paulista. De fato, entre 11 horas e meio-dia, a estação meteorológica do aeroporto registrou, em média, 1,5 milímetro de precipitação na pista principal. A aeronave pousou normalmente, os passageiros desceram e, 40 minutos depois, ela já estava pronta para decolar rumo ao Aeroporto de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte, onde chegou às 12h48.
Em Confins, a parada foi mais uma vez breve. Depois de 33 minutos no solo, o Airbus decolou mais uma vez com destino a São Paulo. O vôo 3219 chegou no horário previsto - 14h32. A chuva havia parado, mas a pista principal de Congonhas continuava encharcada. Segundo registros do Serviço Regional de Proteção ao Vôo, entre 14 e 15 horas, o índice de chuva foi zero no aeroporto. Desta vez, o intervalo até a decolagem seguinte foi maior, para que houvesse a troca da tripulação do Airbus. Assumiam o comando os pilotos Kleyber Lima e Henrique Stefanini di Sacco.
Foram eles que decolaram às 15h21 de Congonhas rumo ao Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, onde o avião da TAM aterrissou às 16h40. Depois de 36 minutos parados no Sul, os comandantes iniciaram o vôo 3054. O vôo para São Paulo durou uma hora e 35 minutos. A seqüência de vôo dos Airbus, que começou sua jornada às 6h52, no Aeroporto de Campo Grande (MS), demonstra que a TAM utilizava ao máximo a aeronave. Até o acidente, às 18h51, o avião havia feito sete vôos, apesar de estar com o reverso direito (freio aerodinâmico acoplado às turbinas) inoperante - "pinado". A companhia alega que o manual do fabricante permite a utilização da aeronave com esse problema por até dez dias, quando o conserto deve ser realizado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo
Em São Paulo
O histórico de vôos do Airbus A320 da TAM diminui a possibilidade de que a chuva e a pista do Aeroporto de Congonhas tenham sido decisivas na tragédia que matou ao menos 199 pessoas. Isso porque, no dia do acidente, o avião de prefixo MBK já havia pousado duas vezes na pista principal do aeroporto, uma delas enquanto chovia quase três vezes mais do que no momento do desastre. Em nenhuma das aterrissagens houve queixas de pista escorregadia ou problemas mecânicos.
O primeiro pouso do Airbus em Congonhas ocorreu às 11h11 do dia 17. O avião, que fazia o vôo 3701 entre Brasília e São Paulo, encontrou muita chuva na chegada à capital paulista. De fato, entre 11 horas e meio-dia, a estação meteorológica do aeroporto registrou, em média, 1,5 milímetro de precipitação na pista principal. A aeronave pousou normalmente, os passageiros desceram e, 40 minutos depois, ela já estava pronta para decolar rumo ao Aeroporto de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte, onde chegou às 12h48.
Em Confins, a parada foi mais uma vez breve. Depois de 33 minutos no solo, o Airbus decolou mais uma vez com destino a São Paulo. O vôo 3219 chegou no horário previsto - 14h32. A chuva havia parado, mas a pista principal de Congonhas continuava encharcada. Segundo registros do Serviço Regional de Proteção ao Vôo, entre 14 e 15 horas, o índice de chuva foi zero no aeroporto. Desta vez, o intervalo até a decolagem seguinte foi maior, para que houvesse a troca da tripulação do Airbus. Assumiam o comando os pilotos Kleyber Lima e Henrique Stefanini di Sacco.
Foram eles que decolaram às 15h21 de Congonhas rumo ao Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, onde o avião da TAM aterrissou às 16h40. Depois de 36 minutos parados no Sul, os comandantes iniciaram o vôo 3054. O vôo para São Paulo durou uma hora e 35 minutos. A seqüência de vôo dos Airbus, que começou sua jornada às 6h52, no Aeroporto de Campo Grande (MS), demonstra que a TAM utilizava ao máximo a aeronave. Até o acidente, às 18h51, o avião havia feito sete vôos, apesar de estar com o reverso direito (freio aerodinâmico acoplado às turbinas) inoperante - "pinado". A companhia alega que o manual do fabricante permite a utilização da aeronave com esse problema por até dez dias, quando o conserto deve ser realizado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo
Fatos relevantes na queda do avião
Alguns fatos relevantes para entender a queda do Airbus A320 da TAM:
1) O avião com prefixo PR-MRK, foi fabricado em 1998 e incorporado à frota da TAM em 2006;
2) O Airbus A320 começou a voar comercialmente em 1987;
3) Ele pode pousar em pistas de no mínimo 1.300 metros.
4) A pista principal de Congonhas tem 1.900 metros e a auxiliar 1.500 metros.
5) As pistas foram repavimentadatas recentemente. A auxiliar já recebeu as ranhuras (grooving)e a principal, depois de esperar pelo processo de secagem do concreto asfáltico, começa a recebê-las a partir dessa semana;
6)O Instituto de Pesquisas Tecnológicas, vinculado ao governo de São Paulo, atestou que as pistas apresentam qualidade superior aos padrões internacionais;
7) O avião da TAM estava com o reverso direito imobilizado. Esse equipamento que faz parte da turbina do avião, redireciona o ar para a frente, ajudando a freá-lo.
8) Segundo a TAM, o manual da Airbus, indica que o avião pode operar nessas condições por até 10 dias.
9) A pista de Congonhas é uma pista curta, dessa forma as aeronaves precisam estar funcionando 100%.
10) A aeronave da TAM estava com 187 passageiross a bordo, ou seja, com lotação total.
11) Segundo um piloto que trabalhou na Varig, quando o vôo se dirigia para Congonhas essa empresa reduzia em 18% o número de passageiros. Assim o avião ficava mais leve e aterrissava com mais segurança.
12)No dia do acidente o avião já tinha pousado 2 vezes em Congonhas. Na segunda vez com chuva mais forte do que na terceira e última vez. Esse fato diminui muito a chance da causa do acidente estar na pista. O avião já havia apresentado problemas no sábado e na segunda-feira, anterior ao dia do acidente.
13) No pouso em que aconteceu o acidente, o avião desceu com velocidade 4 vezes superior ao normal.
14) Segundo especialistas, não há grooving no mundo que pudesse segurar o avião com aquela velocidade.
15) Depois do acidente, houve vários incidentes com aviões da TAM em Congonhas. Duas arremetidas e um avião que estava seguindo para manutenção, teve de voltar ao aeroporto de Belém por causa de luzes no painel, indicando irregularidades.
16) Desde 1976, que aeronaves da TAM vêem caindo. Isso indica negligência da empresa com a matutenção dos aviões.
1) O avião com prefixo PR-MRK, foi fabricado em 1998 e incorporado à frota da TAM em 2006;
2) O Airbus A320 começou a voar comercialmente em 1987;
3) Ele pode pousar em pistas de no mínimo 1.300 metros.
4) A pista principal de Congonhas tem 1.900 metros e a auxiliar 1.500 metros.
5) As pistas foram repavimentadatas recentemente. A auxiliar já recebeu as ranhuras (grooving)e a principal, depois de esperar pelo processo de secagem do concreto asfáltico, começa a recebê-las a partir dessa semana;
6)O Instituto de Pesquisas Tecnológicas, vinculado ao governo de São Paulo, atestou que as pistas apresentam qualidade superior aos padrões internacionais;
7) O avião da TAM estava com o reverso direito imobilizado. Esse equipamento que faz parte da turbina do avião, redireciona o ar para a frente, ajudando a freá-lo.
8) Segundo a TAM, o manual da Airbus, indica que o avião pode operar nessas condições por até 10 dias.
9) A pista de Congonhas é uma pista curta, dessa forma as aeronaves precisam estar funcionando 100%.
10) A aeronave da TAM estava com 187 passageiross a bordo, ou seja, com lotação total.
11) Segundo um piloto que trabalhou na Varig, quando o vôo se dirigia para Congonhas essa empresa reduzia em 18% o número de passageiros. Assim o avião ficava mais leve e aterrissava com mais segurança.
12)No dia do acidente o avião já tinha pousado 2 vezes em Congonhas. Na segunda vez com chuva mais forte do que na terceira e última vez. Esse fato diminui muito a chance da causa do acidente estar na pista. O avião já havia apresentado problemas no sábado e na segunda-feira, anterior ao dia do acidente.
13) No pouso em que aconteceu o acidente, o avião desceu com velocidade 4 vezes superior ao normal.
14) Segundo especialistas, não há grooving no mundo que pudesse segurar o avião com aquela velocidade.
15) Depois do acidente, houve vários incidentes com aviões da TAM em Congonhas. Duas arremetidas e um avião que estava seguindo para manutenção, teve de voltar ao aeroporto de Belém por causa de luzes no painel, indicando irregularidades.
16) Desde 1976, que aeronaves da TAM vêem caindo. Isso indica negligência da empresa com a matutenção dos aviões.
sábado, julho 21, 2007
Democracia em risco
Eduardo Guimarães
http://edu.guim.blog.uol.com.br
Há pouco mais de oito meses, expressiva maioria dos eleitores habilitados a votar no condutor da nação, no líder político de todos os brasileiros para o quadriênio seguinte, decidiram, pela segunda vez em quatro anos, que esse líder e condutor seria o pernambucano, ex-sindicalista, ex-torneiro mecânico Luis Inácio Lula da Silva. Ele recebeu mandato de 63% dos eleitores que escolheram algum candidato a presidente. De acordo com a Constituição brasileira, portanto, esse homem, esse cidadão chamado Lula recebeu os poderes e os deveres de presidente da República Federativa do Brasil. Seus deveres vêm sendo cobrados da forma mais rígida que se possa conceber, o que não se questiona de forma alguma. Contudo, seu direito de receber um tratamento condizente com o mandato popular que recebeu vem sendo violado de forma inaceitável.
A democracia, a Constituição Federal e o próprio senso comum ordenam que qualquer pessoa que se proponha ao serviço público submeta-se a críticas. Estas, no entanto, devem se pautar pelo respeito ao desejo da maioria dos brasileiros que recentemente foi expresso nas urnas e que, segundo sondagens de opinião empreendidas por meio de método reconhecido pela lei eleitoral e por todas as normas internacionais, é solidamente favorável ao atual presidente da República depois de oito meses de sua segunda eleição e de quatro anos e oito meses da primeira. Tais críticas vêm tratando o homem que os brasileiros escolheram legitimamente para liderá-los como se fosse um meliante, um irresponsável, um homem sem moral e sem história.
É fato inquestionável sobre Lula, por menos que queiram reconhecer seus adversários políticos, tanto os declarados quanto os não-assumidos, que ele tem, sim, o respeito de seu povo. Dessa maneira, não será uma multidão de noventa mil ou de novecentas mil pessoas, ainda mais se selecionadas por preferências políticas ou por capacidade financeira, que poderá atropelar os fatos acusando o homem que os brasileiros escolheram e apóiam para governá-los de ser autor de duas catástrofes que, ao menos em relação a uma delas, todas as investigações provaram que decorreu de fator independente do controle das autoridades. Essa catástrofe foi a que ocorreu entre o Boeing da companhia aérea Gol e o jatinho Legacy no fim do ano passado. O exame das caixas-pretas das duas aeronaves mostrou que os pilotos do jatinho, dois norte-americanos, desligaram equipamentos de segurança da aeronave tais como o transponder e o rádio. Essa foi a causa daquele acidente detectada por todas investigações que o desastre sofreu. O resto são suposições e insinuações sem provas.
Sobre o desastre do dia 17 último em São Paulo, líderes políticos de oposição ao governo federal e manchetes e artigos de jornal - que, explícita ou implicitamente, fizeram coro com essa oposição e acusaram o presidente Lula de autor do "assassinato de mais de 250 pessoas" - precipitaram-se irresponsável e até criminosamente, não só pelo linchamento sumário que promoveram da autoridade maior do país sem qualquer base em fatos mas também por disseminarem pânico num momento em que a situação nos aeroportos vem tendendo à exacerbação de ânimos de forma a ocasionar até confrontos físicos, perturbando a ordem pública.
Tal qual ocorreu e continua ocorrendo na Venezuela, um setor político, ideológico, social, econômico e até étnico da sociedade quer fazer prevalecer suas preferências políticas sobre as da maioria por meio do controle que exerce sobre os meios de comunicação. E o pior é que esse controle decorre do simples fato de essa parcela da sociedade estar no topo estreito da pirâmide da renda nacional, como bem mostram os dados técnicos de pesquisas de opinião sobre quais foram os setores que fizeram e que não fizeram a opção eleitoral que redundou na eleição do atual presidente da República.
Com base nos argumentos que apresentei, exorto o conjunto da sociedade a condenar o açodamento, a intolerância, a leviandade, a pressa e, sobretudo, a má-fé de apontar culpas à revelia dos fatos por conta de interesses políticos como vêm fazendo os meios de comunicação, que têm ignorado provas em benefício de especulações. Exorto, pois, a sociedade brasileira a não misturar o desastre aéreo do ano passado e o atual com as operações-tartaruga de controladores de vôo que geraram o que a mídia optou por chamar de "apagão aéreo", numa alusão visivelmente mal-intencionada ao racionamento de energia elétrica ocorrido no final do segundo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
A vontade da maioria jamais terá direito de sufocar a da minoria. Entretanto, é antidemocrático os meios de comunicação sufocarem ou diminuírem o peso de opiniões que os contradigam. Democracia é convivência civilizada entre divergentes, é garantia de espaço para todos apresentarem suas razões e, por força disso, não comporta "mecanismos" que façam preponderar artificialmente alguma dessas razões. Essa anomalia, infelizmente, está ocorrendo em larga escala neste país de uma forma que está envenenando a nossa sociedade exatamente como vem ocorrendo na Venezuela, onde a sociedade vem se dividindo em classe sociais e étnicas de forma dramática. Trazer o debate político para esfera mais civilizada, democrática e serena, pois, é dever de todo brasileiro consciente preocupado com o bem comum.
http://edu.guim.blog.uol.com.br
Há pouco mais de oito meses, expressiva maioria dos eleitores habilitados a votar no condutor da nação, no líder político de todos os brasileiros para o quadriênio seguinte, decidiram, pela segunda vez em quatro anos, que esse líder e condutor seria o pernambucano, ex-sindicalista, ex-torneiro mecânico Luis Inácio Lula da Silva. Ele recebeu mandato de 63% dos eleitores que escolheram algum candidato a presidente. De acordo com a Constituição brasileira, portanto, esse homem, esse cidadão chamado Lula recebeu os poderes e os deveres de presidente da República Federativa do Brasil. Seus deveres vêm sendo cobrados da forma mais rígida que se possa conceber, o que não se questiona de forma alguma. Contudo, seu direito de receber um tratamento condizente com o mandato popular que recebeu vem sendo violado de forma inaceitável.
A democracia, a Constituição Federal e o próprio senso comum ordenam que qualquer pessoa que se proponha ao serviço público submeta-se a críticas. Estas, no entanto, devem se pautar pelo respeito ao desejo da maioria dos brasileiros que recentemente foi expresso nas urnas e que, segundo sondagens de opinião empreendidas por meio de método reconhecido pela lei eleitoral e por todas as normas internacionais, é solidamente favorável ao atual presidente da República depois de oito meses de sua segunda eleição e de quatro anos e oito meses da primeira. Tais críticas vêm tratando o homem que os brasileiros escolheram legitimamente para liderá-los como se fosse um meliante, um irresponsável, um homem sem moral e sem história.
É fato inquestionável sobre Lula, por menos que queiram reconhecer seus adversários políticos, tanto os declarados quanto os não-assumidos, que ele tem, sim, o respeito de seu povo. Dessa maneira, não será uma multidão de noventa mil ou de novecentas mil pessoas, ainda mais se selecionadas por preferências políticas ou por capacidade financeira, que poderá atropelar os fatos acusando o homem que os brasileiros escolheram e apóiam para governá-los de ser autor de duas catástrofes que, ao menos em relação a uma delas, todas as investigações provaram que decorreu de fator independente do controle das autoridades. Essa catástrofe foi a que ocorreu entre o Boeing da companhia aérea Gol e o jatinho Legacy no fim do ano passado. O exame das caixas-pretas das duas aeronaves mostrou que os pilotos do jatinho, dois norte-americanos, desligaram equipamentos de segurança da aeronave tais como o transponder e o rádio. Essa foi a causa daquele acidente detectada por todas investigações que o desastre sofreu. O resto são suposições e insinuações sem provas.
Sobre o desastre do dia 17 último em São Paulo, líderes políticos de oposição ao governo federal e manchetes e artigos de jornal - que, explícita ou implicitamente, fizeram coro com essa oposição e acusaram o presidente Lula de autor do "assassinato de mais de 250 pessoas" - precipitaram-se irresponsável e até criminosamente, não só pelo linchamento sumário que promoveram da autoridade maior do país sem qualquer base em fatos mas também por disseminarem pânico num momento em que a situação nos aeroportos vem tendendo à exacerbação de ânimos de forma a ocasionar até confrontos físicos, perturbando a ordem pública.
Tal qual ocorreu e continua ocorrendo na Venezuela, um setor político, ideológico, social, econômico e até étnico da sociedade quer fazer prevalecer suas preferências políticas sobre as da maioria por meio do controle que exerce sobre os meios de comunicação. E o pior é que esse controle decorre do simples fato de essa parcela da sociedade estar no topo estreito da pirâmide da renda nacional, como bem mostram os dados técnicos de pesquisas de opinião sobre quais foram os setores que fizeram e que não fizeram a opção eleitoral que redundou na eleição do atual presidente da República.
Com base nos argumentos que apresentei, exorto o conjunto da sociedade a condenar o açodamento, a intolerância, a leviandade, a pressa e, sobretudo, a má-fé de apontar culpas à revelia dos fatos por conta de interesses políticos como vêm fazendo os meios de comunicação, que têm ignorado provas em benefício de especulações. Exorto, pois, a sociedade brasileira a não misturar o desastre aéreo do ano passado e o atual com as operações-tartaruga de controladores de vôo que geraram o que a mídia optou por chamar de "apagão aéreo", numa alusão visivelmente mal-intencionada ao racionamento de energia elétrica ocorrido no final do segundo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
A vontade da maioria jamais terá direito de sufocar a da minoria. Entretanto, é antidemocrático os meios de comunicação sufocarem ou diminuírem o peso de opiniões que os contradigam. Democracia é convivência civilizada entre divergentes, é garantia de espaço para todos apresentarem suas razões e, por força disso, não comporta "mecanismos" que façam preponderar artificialmente alguma dessas razões. Essa anomalia, infelizmente, está ocorrendo em larga escala neste país de uma forma que está envenenando a nossa sociedade exatamente como vem ocorrendo na Venezuela, onde a sociedade vem se dividindo em classe sociais e étnicas de forma dramática. Trazer o debate político para esfera mais civilizada, democrática e serena, pois, é dever de todo brasileiro consciente preocupado com o bem comum.
A manipulação do jornal o globo
O GLOBO FECHA A BOLSA DE NOVA YORK
O Banco Central alterou a fórmula de cálculo da TR. O que mudou foi o valor de um parâmetro utilizado no cálculo da TR. Como a taxa Selic está em queda, havia o risco de a TR ser negativa. Essa redução do chamado “parâmetro B” impede que a TR seja negativa.
A redução desse parâmetro impede também que a caderneta de poupança tenha um rendimento superior a qualquer outra aplicação financeira. Na edição desta sexta-feira, dia 20, o jornal O Globo, chamou isso de “garfada na caderneta” (Economia, página 25).
O professor de economia brasileira da Trevisan Escola de Negócios, Pedro Raffy, disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim que se o Banco Central não alterasse a fórmula de cálculo da TR para controlar o rendimento da caderneta de poupança, “o mundo inteiro iria querer investir na caderneta de poupança do Brasil” (clique aqui para ouvir o áudio).
“O cálculo da TR se origina da Selic. Quanto menor a Selic, maior será a proporção de rendimento da TR com a fórmula antiga... A questão é que proporcionalmente à Selic, o valor do rendimento da caderneta de poupança seria muito mais alto do que qualquer outra aplicação financeira, caso não ocorresse a mudança no redutor”, disse Raffy.
“A Bolsa de Nova York iria fechar, não é isso?” – perguntou Paulo Henrique Amorim.
“Quase isso... (viria todo mundo) aplicar em poupança no Brasil. Inclusive é um investimento garantido pelo fundo garantidor de crédito”, disse Raffy.
“Seria uma situação peculiar: ‘Bolsa de Nova York fecha e investidores vêm aplicar em poupança no Brasil’. Seria uma manchete bonita de dar”, disse Paulo Henrique Amorim.
“Já pensou?”, rebateu o professor Raffy.
Leia a íntegra da entrevista com o professor Pedro Raffy:
Paulo Henrique Amorim – O Banco Central fez uma mudança no cálculo da TR para a Poupança e para entender o que isso pode significar eu vou conversar com o professor Pedro Raffy, ele é professor de Economia Brasileira da Trevisan Escola de Negócios. Professor Raffy, o senhor vai bem?
Pedro Raffy – Tudo bem.
Paulo Henrique Amorim – Se o senhor pudesse explicar para o nosso leitor, para o nosso internauta, exatamente o que o governo fez e o que significa eu agradeceria muito.
Pedro Raffy – O Banco Central alterou o valor de um parâmetro utilizado no cálculo da Taxa Referencial, que é a taxa que remunera a Caderneta de Poupança e algumas outras aplicações e operações do mercado financeiro. Essa operação ocorreu especificamente no parâmetro “b”, que é um parâmetro utilizado no redutor para atingir o valor da Taxa Referencial. Como a Selic vem caindo nos últimos meses, e nós tivemos a última redução para 11,5% ao ano, havia um risco de a TR ser negativa, dependendo das condições. Então, o Banco Central foi obrigado a reduzir o valor do parâmetro “b”. Essa redução do valor do parâmetro “b” impede que a TR seja negativa.
Paulo Henrique Amorim – Então, isso beneficia quem depositou em poupança.
Pedro Raffy – Exatamente. Na verdade, quem tem aplicações na Caderneta de Poupança, com a mudança nesse redutor terá um benefício nesse novo cenário de redução de uma taxa de juros da ordem de 11,5% ao ano e que provavelmente encerrará o ano com nível inferior a 11%.
Paulo Henrique Amorim – Agora, com relação à comparação da Caderneta de Poupança com os investimentos em Renda Fixa e os investimentos em Renda Variável, como fica a competitividade da Poupança agora?
Pedro Raffy – A Poupança está se tornando cada vez mais competitiva. Apesar de a rentabilidade da Caderneta de Poupança ser menor que a rentabilidade dos Fundos de Renda Fixa e DI, o Imposto de Renda existente no Fundo de Renda Fixa e no DI fazem com que a rentabilidade final seja menor do que a Caderneta de Poupança. E isso já está acontecendo. E nós podemos verificar isso na migração de volume financeiro dos fundos para a Caderneta de Poupança.
Paulo Henrique Amorim – E esse é um fenômeno que já está ocorrendo?
Pedro Raffy – Sim, já vem ocorrendo.
Paulo Henrique Amorim – E com relação ao depositário da Poupança, frequentemente um depositário de renda mais baixa, o senhor acredita que haverá uma tendência de aumentar os depósitos em Poupança com essa mudança?
Pedro Raffy – Na verdade, o investidor de baixa renda já utiliza a Caderneta de Poupança...
Paulo Henrique Amorim – Mas eu pergunto: isso deve se acentuar agora, com essa vantagem?
Pedro Raffy – Sim, nós já observamos esse movimento já. É claro que parte do Fundo de Renda Fixa também migrou para o Fundo de Renda Variável, que são os fundos que destinam parte de suas aplicações ao mercado acionário. Porque a rentabilidade que nós demos ela tende a se aproximar de rentabilidade de uma economia estabilizada, portanto, uma rentabilidade de 6%, 7% ao ano.
Paulo Henrique Amorim – Agora, eu gostaria que o senhor me ajudasse a entender o seguinte: o caderno de economia do jornal O Globo, de hoje, abre com a seguinte manchete: “Garfada na caderneta - BC altera cálculos da TR para atenuar perdas, mas rendimento cairá quase 10%”. Como compatibilizar a essa informação com a sua informação de que o investidor em Caderneta de Poupança se beneficiará?
Pedro Raffy – É que funciona da seguinte forma: a TR, o cálculo da TR se origina da Selic.
Paulo Henrique Amorim – Certo.
Pedro Raffy – Quanto menor a Selic, maior será a proporção de rendimento da TR com a fórmula antiga. Apesar de ocorrer, de fato, uma redução no rendimento da Caderneta de Poupança, promovida pela fórmula, desse rendimento proporcionalmente a rendimentos de títulos públicos, fundos de investimentos etc., ele aumenta. A questão é que proporcionalmente à Selic, o valor do rendimento da Caderneta de Poupança seria muito mais alto do que qualquer outra aplicação financeira, caso não ocorresse a mudança n o redutor.
Paulo Henrique Amorim – Então é uma mudança inevitável em relação à queda da Selic e a Popança continuará competitiva em relação aos outros ativos.
Pedro Raffy – Sim.
Paulo Henrique Amorim – É essa a sua resposta?
Pedro Raffy – Sim.
Paulo Henrique Amorim – Então não houve uma garfada na Poupança.
Pedro Raffy – É que se o redutor antigo fosse mantido, se a metodologia antiga fosse mantida, a rentabilidade seria maior. Então, desse ponto de vista ocorreu uma redução, mas não seria adequado nós termos um rendimento de Caderneta de Poupança tão alto dada a nova realidade do mercado financeiro, da taxa Selic.
Paulo Henrique Amorim – E o mundo inteiro viria aplicar em Caderneta de Poupança no Brasil?
Pedro Raffy – Exatamente.
Paulo Henrique Amorim – A Bolsa de Nova York ia fechar, não é isso?
Pedro Raffy – Quase isso, viu.
Paulo Henrique Amorim – Fechava a Bolsa de Nova York e vinha todo mundo aplicar em Poupança no Brasil.
Pedro Raffy – Aplicar em Poupança. Que inclusive é um investimento garantido pelo Fundo Garantidor de Crédito.
Paulo Henrique Amorim – Seria uma situação peculiar: Bolsa de Nova York fecha e investidores viriam aplicar em Poupança no Brasil.
Pedro Raffy – Já pensou?
Paulo Henrique Amorim – Seria uma manchete bonita de dar. Veja o senhor o que faz a imprensa brasileira!
Pedro Raffy – Pois é. Mas é importante. Precisamos da imprensa.
Paulo Henrique Amorim – Melhor com ela do que sem ela.
Pedro Raffy – Sem dúvida.
Paulo Henrique Amorim – Um abraço, professor, obrigado.
Pedro Raffy – Outro, tchau.
O Banco Central alterou a fórmula de cálculo da TR. O que mudou foi o valor de um parâmetro utilizado no cálculo da TR. Como a taxa Selic está em queda, havia o risco de a TR ser negativa. Essa redução do chamado “parâmetro B” impede que a TR seja negativa.
A redução desse parâmetro impede também que a caderneta de poupança tenha um rendimento superior a qualquer outra aplicação financeira. Na edição desta sexta-feira, dia 20, o jornal O Globo, chamou isso de “garfada na caderneta” (Economia, página 25).
O professor de economia brasileira da Trevisan Escola de Negócios, Pedro Raffy, disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim que se o Banco Central não alterasse a fórmula de cálculo da TR para controlar o rendimento da caderneta de poupança, “o mundo inteiro iria querer investir na caderneta de poupança do Brasil” (clique aqui para ouvir o áudio).
“O cálculo da TR se origina da Selic. Quanto menor a Selic, maior será a proporção de rendimento da TR com a fórmula antiga... A questão é que proporcionalmente à Selic, o valor do rendimento da caderneta de poupança seria muito mais alto do que qualquer outra aplicação financeira, caso não ocorresse a mudança no redutor”, disse Raffy.
“A Bolsa de Nova York iria fechar, não é isso?” – perguntou Paulo Henrique Amorim.
“Quase isso... (viria todo mundo) aplicar em poupança no Brasil. Inclusive é um investimento garantido pelo fundo garantidor de crédito”, disse Raffy.
“Seria uma situação peculiar: ‘Bolsa de Nova York fecha e investidores vêm aplicar em poupança no Brasil’. Seria uma manchete bonita de dar”, disse Paulo Henrique Amorim.
“Já pensou?”, rebateu o professor Raffy.
Leia a íntegra da entrevista com o professor Pedro Raffy:
Paulo Henrique Amorim – O Banco Central fez uma mudança no cálculo da TR para a Poupança e para entender o que isso pode significar eu vou conversar com o professor Pedro Raffy, ele é professor de Economia Brasileira da Trevisan Escola de Negócios. Professor Raffy, o senhor vai bem?
Pedro Raffy – Tudo bem.
Paulo Henrique Amorim – Se o senhor pudesse explicar para o nosso leitor, para o nosso internauta, exatamente o que o governo fez e o que significa eu agradeceria muito.
Pedro Raffy – O Banco Central alterou o valor de um parâmetro utilizado no cálculo da Taxa Referencial, que é a taxa que remunera a Caderneta de Poupança e algumas outras aplicações e operações do mercado financeiro. Essa operação ocorreu especificamente no parâmetro “b”, que é um parâmetro utilizado no redutor para atingir o valor da Taxa Referencial. Como a Selic vem caindo nos últimos meses, e nós tivemos a última redução para 11,5% ao ano, havia um risco de a TR ser negativa, dependendo das condições. Então, o Banco Central foi obrigado a reduzir o valor do parâmetro “b”. Essa redução do valor do parâmetro “b” impede que a TR seja negativa.
Paulo Henrique Amorim – Então, isso beneficia quem depositou em poupança.
Pedro Raffy – Exatamente. Na verdade, quem tem aplicações na Caderneta de Poupança, com a mudança nesse redutor terá um benefício nesse novo cenário de redução de uma taxa de juros da ordem de 11,5% ao ano e que provavelmente encerrará o ano com nível inferior a 11%.
Paulo Henrique Amorim – Agora, com relação à comparação da Caderneta de Poupança com os investimentos em Renda Fixa e os investimentos em Renda Variável, como fica a competitividade da Poupança agora?
Pedro Raffy – A Poupança está se tornando cada vez mais competitiva. Apesar de a rentabilidade da Caderneta de Poupança ser menor que a rentabilidade dos Fundos de Renda Fixa e DI, o Imposto de Renda existente no Fundo de Renda Fixa e no DI fazem com que a rentabilidade final seja menor do que a Caderneta de Poupança. E isso já está acontecendo. E nós podemos verificar isso na migração de volume financeiro dos fundos para a Caderneta de Poupança.
Paulo Henrique Amorim – E esse é um fenômeno que já está ocorrendo?
Pedro Raffy – Sim, já vem ocorrendo.
Paulo Henrique Amorim – E com relação ao depositário da Poupança, frequentemente um depositário de renda mais baixa, o senhor acredita que haverá uma tendência de aumentar os depósitos em Poupança com essa mudança?
Pedro Raffy – Na verdade, o investidor de baixa renda já utiliza a Caderneta de Poupança...
Paulo Henrique Amorim – Mas eu pergunto: isso deve se acentuar agora, com essa vantagem?
Pedro Raffy – Sim, nós já observamos esse movimento já. É claro que parte do Fundo de Renda Fixa também migrou para o Fundo de Renda Variável, que são os fundos que destinam parte de suas aplicações ao mercado acionário. Porque a rentabilidade que nós demos ela tende a se aproximar de rentabilidade de uma economia estabilizada, portanto, uma rentabilidade de 6%, 7% ao ano.
Paulo Henrique Amorim – Agora, eu gostaria que o senhor me ajudasse a entender o seguinte: o caderno de economia do jornal O Globo, de hoje, abre com a seguinte manchete: “Garfada na caderneta - BC altera cálculos da TR para atenuar perdas, mas rendimento cairá quase 10%”. Como compatibilizar a essa informação com a sua informação de que o investidor em Caderneta de Poupança se beneficiará?
Pedro Raffy – É que funciona da seguinte forma: a TR, o cálculo da TR se origina da Selic.
Paulo Henrique Amorim – Certo.
Pedro Raffy – Quanto menor a Selic, maior será a proporção de rendimento da TR com a fórmula antiga. Apesar de ocorrer, de fato, uma redução no rendimento da Caderneta de Poupança, promovida pela fórmula, desse rendimento proporcionalmente a rendimentos de títulos públicos, fundos de investimentos etc., ele aumenta. A questão é que proporcionalmente à Selic, o valor do rendimento da Caderneta de Poupança seria muito mais alto do que qualquer outra aplicação financeira, caso não ocorresse a mudança n o redutor.
Paulo Henrique Amorim – Então é uma mudança inevitável em relação à queda da Selic e a Popança continuará competitiva em relação aos outros ativos.
Pedro Raffy – Sim.
Paulo Henrique Amorim – É essa a sua resposta?
Pedro Raffy – Sim.
Paulo Henrique Amorim – Então não houve uma garfada na Poupança.
Pedro Raffy – É que se o redutor antigo fosse mantido, se a metodologia antiga fosse mantida, a rentabilidade seria maior. Então, desse ponto de vista ocorreu uma redução, mas não seria adequado nós termos um rendimento de Caderneta de Poupança tão alto dada a nova realidade do mercado financeiro, da taxa Selic.
Paulo Henrique Amorim – E o mundo inteiro viria aplicar em Caderneta de Poupança no Brasil?
Pedro Raffy – Exatamente.
Paulo Henrique Amorim – A Bolsa de Nova York ia fechar, não é isso?
Pedro Raffy – Quase isso, viu.
Paulo Henrique Amorim – Fechava a Bolsa de Nova York e vinha todo mundo aplicar em Poupança no Brasil.
Pedro Raffy – Aplicar em Poupança. Que inclusive é um investimento garantido pelo Fundo Garantidor de Crédito.
Paulo Henrique Amorim – Seria uma situação peculiar: Bolsa de Nova York fecha e investidores viriam aplicar em Poupança no Brasil.
Pedro Raffy – Já pensou?
Paulo Henrique Amorim – Seria uma manchete bonita de dar. Veja o senhor o que faz a imprensa brasileira!
Pedro Raffy – Pois é. Mas é importante. Precisamos da imprensa.
Paulo Henrique Amorim – Melhor com ela do que sem ela.
Pedro Raffy – Sem dúvida.
Paulo Henrique Amorim – Um abraço, professor, obrigado.
Pedro Raffy – Outro, tchau.
A pergunta que não quer calar
Brazil-zil-zil
A mídia malha a situação e poupa a oposição, com empenho e desfaçatez dignos da medalha de ouro, recordistas mundiais. E me permito contar um episódio que remonta à segunda 16, e que não foi registrado por jornal algum, ou por qualquer órgão midiático.
O governador do Paraná, Roberto Requião, naquela tarde visita o presidente Lula no Palácio do Planalto, para um encontro como de hábito cordial. Em seguida, o governador, em toda a sua corajosa imponência, dirigi-se ao Comitê de Imprensa do próprio Palácio.
Requião tem sido um dos alvos preferidos dos ataques da mídia. Suas relações com os jornalistas são tensas, mas ele não hesita na provocação, e pergunta por que, em outros tempos, “vocês não falaram do filho de Fernando Henrique?” Outro rebento fora do matrimônio, como no caso de Renan Calheiros. A aventura de FHC, do conhecimento até do mundo mineral, é anterior à sua primeira eleição em 1994, e a jovem brindada pelos favores do príncipe dos sociólogos foi mais uma jornalista em atividade em Brasília, Miriam Dutra.
A pergunta de Requião deixa os credenciados do comitê entre atônitos e perplexos. Alguém balbucia que a comparação não cabe, os casos são diferentes. Impávido, o governador ergue o sobrolho e clama: “Por quê?” Logo explica: “Quem sustentou o filho do ex-presidente foi, desde o nascimento, uma empresa privada, a Globo da família Marinho”.
A bem da tranqüilidade familiar de FHC, e do seu desempenho na Presidência, Miriam Dutra e seu filho foram enviados ao exterior, no resguardo. Consta que voltaram para o País faz pouco tempo. Fez-se o silêncio no comitê, e o governador se foi, a dar risadas.
Agora, sou eu quem pergunta: alguém leu, ou ouviu, relato desse episódio? E então, volto à carga: qual é o país do mundo que se diz democrático, e goza de liberdade de expressão, onde um governador de estado, ou qualquer figura pública importante, fala de um ex-presidente da República igual a Requião, diante de uma matilha de perdigueiros da informação, e a mídia fecha-se em copas? Não conheço outro, além do Brazil-zil-zil.
enviada por mino
A mídia malha a situação e poupa a oposição, com empenho e desfaçatez dignos da medalha de ouro, recordistas mundiais. E me permito contar um episódio que remonta à segunda 16, e que não foi registrado por jornal algum, ou por qualquer órgão midiático.
O governador do Paraná, Roberto Requião, naquela tarde visita o presidente Lula no Palácio do Planalto, para um encontro como de hábito cordial. Em seguida, o governador, em toda a sua corajosa imponência, dirigi-se ao Comitê de Imprensa do próprio Palácio.
Requião tem sido um dos alvos preferidos dos ataques da mídia. Suas relações com os jornalistas são tensas, mas ele não hesita na provocação, e pergunta por que, em outros tempos, “vocês não falaram do filho de Fernando Henrique?” Outro rebento fora do matrimônio, como no caso de Renan Calheiros. A aventura de FHC, do conhecimento até do mundo mineral, é anterior à sua primeira eleição em 1994, e a jovem brindada pelos favores do príncipe dos sociólogos foi mais uma jornalista em atividade em Brasília, Miriam Dutra.
A pergunta de Requião deixa os credenciados do comitê entre atônitos e perplexos. Alguém balbucia que a comparação não cabe, os casos são diferentes. Impávido, o governador ergue o sobrolho e clama: “Por quê?” Logo explica: “Quem sustentou o filho do ex-presidente foi, desde o nascimento, uma empresa privada, a Globo da família Marinho”.
A bem da tranqüilidade familiar de FHC, e do seu desempenho na Presidência, Miriam Dutra e seu filho foram enviados ao exterior, no resguardo. Consta que voltaram para o País faz pouco tempo. Fez-se o silêncio no comitê, e o governador se foi, a dar risadas.
Agora, sou eu quem pergunta: alguém leu, ou ouviu, relato desse episódio? E então, volto à carga: qual é o país do mundo que se diz democrático, e goza de liberdade de expressão, onde um governador de estado, ou qualquer figura pública importante, fala de um ex-presidente da República igual a Requião, diante de uma matilha de perdigueiros da informação, e a mídia fecha-se em copas? Não conheço outro, além do Brazil-zil-zil.
enviada por mino
Direto da Olivetti do Mino Carta
Sobre ACM
Conheci Antonio Carlos Magalhães nos começos dos anos 70, e tive com ele uma relação de mais de 30 anos, a seu modo muito singular. Em visita à Editora Abril, então ancorada às margens do Tietê, ACM fez questão de conhecer o diretor de redação de Veja. Foi muito cordial. Fora prefeito nomeado de Salvador e há pouco tempo a ditadura militar o alçara à governança do seu estado. Dois, ou três anos depois, quando eu ainda dirigia Veja, fui dar uma palestra em um convescote de jornalistas em Salvador. Pronunciei as coisas de sempre, e como sempre destinadas a irritar os donos do poder. Nem por isso, o governador deixou de me convidar para um jantar em família no Palácio da Ondina, residencial oficial no topo de um morro. Como da vez anterior, muito afável e disposto a ouvir as minhas criticas. Sem pestanejar. Pouco tempo depois, sai de Veja, em beneficio da chantagem que o então ministro da Justiça (Justiça?), Armando Falcão, exercia há tempo sobre a Editora Abril. Aprovaria um empréstimo de 50 milhões de dólares da Caixa Econômica Federal à editora, desde que eu fosse demitido. Preferi me demitir. Enquanto o governador nomeado de São Paulo, Paulo Egydio Martins, escondia-se para evitar qualquer contato comigo, ACM ligou e me convidou para seguir para a Bahia, para assumir o controle da operação que visava a criação de um jornal. Carlista, obviamente. Declinei, mas não me envergonho de dizer que fiquei tocado, embora identificasse no gesto o desafio do mandatário da capitania hereditária. Oito anos após, ao se formar a chamada Aliança Democrática e foi lançada a candidatura de Tancredo Neves às indiretas, fui ancora de um programa na TV Record, então de propriedade da família Machado de Carvalho. Chamava-se “Jogo de Carta”, e ali, por mais de uma hora, entrevistei ACM, que figurava entre os cabos eleitorais de Tancredo. Mais um galope do tempo, e eis que o programa começa a desagradar o governo Sarney. O presidente não se dá bem com criticas, e seu ministro das Comunicações, Antonio Carlos Magalhães, inaugura uma temporada de pressões sobre Paulinho Machado de Carvalho, no comando da Record. É crise arrastada, que atinge o ponto de ruptura no momento da demissão de Dílson Funaro do ministério da Fazenda, primeiro terço de 1987. Prevista a saída do ministro em uma segunda, sei de tudo na sexta anterior, graças a um informante especial, o professor Luis Gonzaga Belluzzo, assessor de Funaro, com quem janto naquele dia. Combinamos uma gravação do meu programa na tarde de domingo, iria ao ar na noite de segunda, quando a demissão já estaria consumada. A gravação se deu, convoquei Luis Nassif para colaborar na tarefa. O suave professor não é de fazer estardalhaço e muito menos fofocas, disse algo, com comedimento, sobre as interferências do genro de Sarney, Jorge Murad, e da filha Roseana, coisa pouca, a bem da verdade, a despeito de entrelinhas mais ricas para bons entendedores. A demissão ocorreu dentro da programação, e na noite de segunda o “Jogo de Cartas” foi transmitido após o fato consumado. Naquele tempo, eu dirigia a revista Senhor, na Editora Três, e ao chegar de manhã à redação fui alvejado por um telefonema de Ulysses Guimarães. Estava muito agitado, disse, em tom insolitamente alterado: “Que vocês inventaram ontem a noite, o Planalto está em polvorosa”. Expliquei. Pediu-me uma cópia do tape. A agitação alcançou a Record. Fui claro com Paulinho Machado de Carvalho: “O próximo programa é com prefeitos do interior de São Paulo, mas o outro é com o Brizola”. O primeiro não deu problemas, está claro. Por ocasião do segundo, ao chegar o engenheiro Leonel percebi a inquietação geral. Uma equipe de censores estava de prontidão atrás dos vidros de uma salinha de controle. O programa foi ao ar às 2,30 da manhã, depois de um filme interminável que vagamente evocava as aventuras submarinas do capitão Nemo. De manhã fui à Record e disse ao Paulinho: “Olha, estou fora, mas entendo seus problemas com o ACM, e nós vamos ficar amigos”. Somos até hoje. Paulinho lançou um livro de memórias, recentemente, e eu entrei na fila dos autógrafos. Dedicou-me uma frase afetuosa, com referência às malvadezas daquele tempo. ACM ganhou mais uma parada, Sarney perdeu um crítico. Levei na esportiva, sou sincero. E em relação ao imperador da Bahia passei a me portar pragmaticamente. Sem panos quentes e sem rancores vãos. De sorte que, quando ele se tornou o condestável da candidatura de Fernando Henrique Cardoso em 1994, fui entrevistá-lo em Salvador, juntamente com Bob Fernandes. Foi a capa da segunda edição de CartaCapital, então ainda mensal. Estive em Salvador faz dias, ouvi de opositores ferrenhos de ACM: “Foi a melhor entrevista do homem”. Anos após, a mesma CartaCapital publicou mais de uma reportagem sobre as malvadezas de Toninho, mas só nos tempos da chamada crise do mensalão ele agrediu a mim e a revista de maneiras diversas e sempre injuriosas. Como se sabe, a morte não falha. Não me regozijo com esta, no entanto. Sei apenas que ACM foi um modelo de oligarca, intérprete perfeito de nossa história medieval, ainda em pleno andamento.
enviada por mino
Conheci Antonio Carlos Magalhães nos começos dos anos 70, e tive com ele uma relação de mais de 30 anos, a seu modo muito singular. Em visita à Editora Abril, então ancorada às margens do Tietê, ACM fez questão de conhecer o diretor de redação de Veja. Foi muito cordial. Fora prefeito nomeado de Salvador e há pouco tempo a ditadura militar o alçara à governança do seu estado. Dois, ou três anos depois, quando eu ainda dirigia Veja, fui dar uma palestra em um convescote de jornalistas em Salvador. Pronunciei as coisas de sempre, e como sempre destinadas a irritar os donos do poder. Nem por isso, o governador deixou de me convidar para um jantar em família no Palácio da Ondina, residencial oficial no topo de um morro. Como da vez anterior, muito afável e disposto a ouvir as minhas criticas. Sem pestanejar. Pouco tempo depois, sai de Veja, em beneficio da chantagem que o então ministro da Justiça (Justiça?), Armando Falcão, exercia há tempo sobre a Editora Abril. Aprovaria um empréstimo de 50 milhões de dólares da Caixa Econômica Federal à editora, desde que eu fosse demitido. Preferi me demitir. Enquanto o governador nomeado de São Paulo, Paulo Egydio Martins, escondia-se para evitar qualquer contato comigo, ACM ligou e me convidou para seguir para a Bahia, para assumir o controle da operação que visava a criação de um jornal. Carlista, obviamente. Declinei, mas não me envergonho de dizer que fiquei tocado, embora identificasse no gesto o desafio do mandatário da capitania hereditária. Oito anos após, ao se formar a chamada Aliança Democrática e foi lançada a candidatura de Tancredo Neves às indiretas, fui ancora de um programa na TV Record, então de propriedade da família Machado de Carvalho. Chamava-se “Jogo de Carta”, e ali, por mais de uma hora, entrevistei ACM, que figurava entre os cabos eleitorais de Tancredo. Mais um galope do tempo, e eis que o programa começa a desagradar o governo Sarney. O presidente não se dá bem com criticas, e seu ministro das Comunicações, Antonio Carlos Magalhães, inaugura uma temporada de pressões sobre Paulinho Machado de Carvalho, no comando da Record. É crise arrastada, que atinge o ponto de ruptura no momento da demissão de Dílson Funaro do ministério da Fazenda, primeiro terço de 1987. Prevista a saída do ministro em uma segunda, sei de tudo na sexta anterior, graças a um informante especial, o professor Luis Gonzaga Belluzzo, assessor de Funaro, com quem janto naquele dia. Combinamos uma gravação do meu programa na tarde de domingo, iria ao ar na noite de segunda, quando a demissão já estaria consumada. A gravação se deu, convoquei Luis Nassif para colaborar na tarefa. O suave professor não é de fazer estardalhaço e muito menos fofocas, disse algo, com comedimento, sobre as interferências do genro de Sarney, Jorge Murad, e da filha Roseana, coisa pouca, a bem da verdade, a despeito de entrelinhas mais ricas para bons entendedores. A demissão ocorreu dentro da programação, e na noite de segunda o “Jogo de Cartas” foi transmitido após o fato consumado. Naquele tempo, eu dirigia a revista Senhor, na Editora Três, e ao chegar de manhã à redação fui alvejado por um telefonema de Ulysses Guimarães. Estava muito agitado, disse, em tom insolitamente alterado: “Que vocês inventaram ontem a noite, o Planalto está em polvorosa”. Expliquei. Pediu-me uma cópia do tape. A agitação alcançou a Record. Fui claro com Paulinho Machado de Carvalho: “O próximo programa é com prefeitos do interior de São Paulo, mas o outro é com o Brizola”. O primeiro não deu problemas, está claro. Por ocasião do segundo, ao chegar o engenheiro Leonel percebi a inquietação geral. Uma equipe de censores estava de prontidão atrás dos vidros de uma salinha de controle. O programa foi ao ar às 2,30 da manhã, depois de um filme interminável que vagamente evocava as aventuras submarinas do capitão Nemo. De manhã fui à Record e disse ao Paulinho: “Olha, estou fora, mas entendo seus problemas com o ACM, e nós vamos ficar amigos”. Somos até hoje. Paulinho lançou um livro de memórias, recentemente, e eu entrei na fila dos autógrafos. Dedicou-me uma frase afetuosa, com referência às malvadezas daquele tempo. ACM ganhou mais uma parada, Sarney perdeu um crítico. Levei na esportiva, sou sincero. E em relação ao imperador da Bahia passei a me portar pragmaticamente. Sem panos quentes e sem rancores vãos. De sorte que, quando ele se tornou o condestável da candidatura de Fernando Henrique Cardoso em 1994, fui entrevistá-lo em Salvador, juntamente com Bob Fernandes. Foi a capa da segunda edição de CartaCapital, então ainda mensal. Estive em Salvador faz dias, ouvi de opositores ferrenhos de ACM: “Foi a melhor entrevista do homem”. Anos após, a mesma CartaCapital publicou mais de uma reportagem sobre as malvadezas de Toninho, mas só nos tempos da chamada crise do mensalão ele agrediu a mim e a revista de maneiras diversas e sempre injuriosas. Como se sabe, a morte não falha. Não me regozijo com esta, no entanto. Sei apenas que ACM foi um modelo de oligarca, intérprete perfeito de nossa história medieval, ainda em pleno andamento.
enviada por mino
A despeito da mídia conservadora (e golpista)
LULA 54% X 18% FHC
Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas 527
. “O presidente Lula atravessou praticamente incólume as tempestades que enfrentou até agora: 61% dos entrevistados aprovam a atuação do governo, contra 33% que desaprovam.”
(Isso, aliás, é parecido com a diferença que separou Lula de Serra e de Alckmin nas eleições: 61% a 39%.)
“Uma avaliação muito próxima do apogeu do sucesso, alcançado no mês de outubro de 2006 (63% de aprovação), quando conquistou a reeleição.”
É o que diz Maurício Dias, na reportagem “A Armadura do Presidente”, da Carta Capital que chega esta sexta-feira às bancas.
. A pesquisa da Vox Populi/Carta Capital/Band mostra também que os brasileiros acreditam mais na fala do Presidente do que na imprensa.
. A pesquisa tem uma pergunta muito interessante: “Mesmo sabendo que não teremos eleição para presidente este ano e que nem Fernando Henrique Cardoso nem Lula são candidatos hoje, ainda assim, se houvesse eleição hoje, em qual deles você votaria?”
. Resposta: Fernando Henrique: 18%.
. Lula: 54%.
. Legenda da Carta Capital: “Como de costume, Lula bate FHC em qualquer comparação de popularidade.”
. Conclusão de Marcos Coimbra, da Vox Populi: "O Presidente Lula continua a superar todos os antecessores em termos de popularidade".
Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas 527
. “O presidente Lula atravessou praticamente incólume as tempestades que enfrentou até agora: 61% dos entrevistados aprovam a atuação do governo, contra 33% que desaprovam.”
(Isso, aliás, é parecido com a diferença que separou Lula de Serra e de Alckmin nas eleições: 61% a 39%.)
“Uma avaliação muito próxima do apogeu do sucesso, alcançado no mês de outubro de 2006 (63% de aprovação), quando conquistou a reeleição.”
É o que diz Maurício Dias, na reportagem “A Armadura do Presidente”, da Carta Capital que chega esta sexta-feira às bancas.
. A pesquisa da Vox Populi/Carta Capital/Band mostra também que os brasileiros acreditam mais na fala do Presidente do que na imprensa.
. A pesquisa tem uma pergunta muito interessante: “Mesmo sabendo que não teremos eleição para presidente este ano e que nem Fernando Henrique Cardoso nem Lula são candidatos hoje, ainda assim, se houvesse eleição hoje, em qual deles você votaria?”
. Resposta: Fernando Henrique: 18%.
. Lula: 54%.
. Legenda da Carta Capital: “Como de costume, Lula bate FHC em qualquer comparação de popularidade.”
. Conclusão de Marcos Coimbra, da Vox Populi: "O Presidente Lula continua a superar todos os antecessores em termos de popularidade".
O que a Blogosfera Lulista já sabia
MÍDIA FOI CONTRA LULA EM 2006, MOSTRA LIVRO
O livro “A Mídia nas Eleições de 2006”, da editora Fundação Perseu Abramo, organizado pelo sociólogo e jornalista, pesquisador sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política da UnB, Venício Artur de Lima, mostra que a mídia adotou uma postura partidarizada contra o Presidente Lula nas eleições de 2006.
O professor Venício de Lima disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta sexta-feira, dia 20, que um estudo do Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro), publicado no livro, mostra que “não há como se concluir que a cobertura não tenha sido partidarizada” (clique aqui para ouvir o áudio).
“Há uma concordância básica de que houve de fato nas eleições de 2006 um desequilíbrio muito grande na cobertura e que esse desequilíbrio favorecia um dos candidatos”, disse Lima.
Segundo o professor Venício de Lima, o desequilíbrio e a partidarização contra Lula é mais evidente nas colunas de opinião dos grandes jornais. “É onde a proporção é mais gritante... no caso do Observatório Brasileiro de Mídia, que fez essa observação detalhada, a divergência mais gritante, o desequilíbrio mais gritante é em relação aos articulistas”, disse Lima.
O professor Venício de Lima disse que o livro reúne o estudo de diferentes institutos que acompanharam a cobertura da mídia nas eleições de 2006 com metodologias diferentes. E todos eles chegaram à mesma conclusão: a cobertura foi partidarizada contra Lula.
“Esses institutos, embora não estivessem trabalhando exatamente no acompanhamento da cobertura dos mesmos jornais e revistas e embora tivessem usando metodologias relativamente diferentes, embora não totalmente diferentes, chegaram a conclusões praticamente idênticas: no acompanhamento da cobertura fica claro que houve uma preferência na cobertura por um dos candidatos em detrimento de outro”, disse Lima.
Segundo Venício de Lima, no caso dos articulistas dos principais jornais e revistas brasileiras, a proporção de colunas favoráveis ao candidato Alckmin em relação às colunas desfavoráveis ao candidato Lula é de quatro para um.
O professor Venício de Lima fala também que os sites e blogs da internet aumentaram sua importância no debate eleitoral. Esse tema é tratado nos capítulos três e nove do livro “A Mídia nas Eleições de 2006”.
Para falar sobre a importância da internet, Lima citou Sérgio Amadeu, que ele diz: “78% dos que utilizam a internet afirmam utilizar a rede para se comunicar. O que isso significa? Um conjunto de atividades tais como enviar e receber e-mails (83%), trocar mensagens instantâneas (49%) e acessar sites de relacionamento (47%), tais como o Orkut e participar de chats (35%)”.
“Aí, o Sérgio Amadeu conclui o seguinte: é exatamente aí que está a importância da rede na política. Ela serviu para a organização das forças, das lideranças de opinião, da articulação de pessoas politicamente ativas nos seguimentos médios”, disse Lima
Segundo Lima, mesmo que haja muita gente que ainda não tenha acesso à internet, aqueles que acessam são líderes de opinião.
Leia a íntegra da entrevista com o professor Venício de Lima:
Paulo Henrique Amorim – A editora Fundação Perseu Abramo acaba de lançar o livro "A Mídia nas Eleições 2006" organizado pelo professor Venício A. de Lima e eu tenho o professor Venício agora no telefone. Professor, como é que vai o senhor?
Venício de Lima – Tudo bem, Paulo, e você?
Paulo Henrique Amorim – É um prazer falar com o senhor.
Venício de Lima – O prazer é meu, Paulo.
Paulo Henrique Amorim – Tenho muito orgulho de fazer parte desse trabalho que o senhor elaborou na companhia da Alessandra Aldeia, Antonio Albino Canelas Rubin, Bernardo Kucinski (que foi meu colega na Veja), Clóvis Barros Filho, Gabriel Mendes, Kjeld Jacobson, Luís Felipe Miguel, Luís Nassif (meu colega aqui do iG), Marcelo Coutinho, Marcos Coimbra, Marcus Figueiredo, Renato Rovai, Sérgio Amadeu da Silveira, Vladimir Safatle. Mas, quem concebeu isso e quem conseguiu organizar isso com muita rapidez e numa edição primorosa foi o senhor, professor. Eu gostaria de tocar alguns pontos que o senhor tem na sua introdução geral.
Venício de Lima – Pois não, Paulo.
Paulo Henrique Amorim – Primeiro o senhor menciona que uma das conclusões dos estudos publicados é que houve um desequilíbrio da cobertura jornalística dos candidatos verificados pelos institutos independentes de pesquisa. O senhor podia resumir a sua consideração aqui para os nossos internautas, eleitores do iG?
Venício de Lima – Com certeza. Essa, na verdade é a, vamos dizer assim, a premissa básica do livro, porque a partir da constatação desse desequilíbrio, é que são feitas as análises e outras interpretações que tem presentes no livro, inclusive a sua importantíssima contribuição. Na verdade, essas eleições de 2006 elas foram acompanhadas por institutos de pesquisas independentes, um ligado a uma instituição tradicional universitária que são as Faculdades Candido Mendes no Rio de Janeiro, o Iuperg, que tem um instituto próprio que é o Doxa que é liderado há muitos anos, sob a liderança do Marcos Figueiredo e tem a colaboração de vários pesquisadores, entre eles, Alessandra Aldé e o Gustavo que escreveram esse resumo dos resultados que o livro publica, o Observatório Brasileiro de Mídia que é o capitulo brasileiro do Media Watch Global, que é uma ONG com sede em Paris e que tem capítulos no Brasil, na Venezuela, em vários outros países, na França, na Itália que também fez o acompanhamento da mídia impressa e também a PUC do Rio Grande do Sul fez um acompanhamento no Datamedia, que é ligado à Famecos, que é a Faculdade de Comunicação, mas infelizmente por questão de prazo, você até mencionou isso, muito reduzido para organizar e preparar o livro, a contribuição da Famecos acabou não chegando a tempo. Mas, esses institutos, embora não estivessem trabalhando exatamente no acompanhamento da cobertura dos mesmos jornais e revistas e embora tivessem utilizados metodologias relativamente diferentes, embora não totalmente diferentes, chegaram a conclusões praticamente idênticas. No acompanhamento da cobertura fica absolutamente claro que ouve uma preferência na cobertura por um dos candidatos, em detrimento de outro, em alguns casos, por exemplo, bastante claro, dos articulistas dos principais jornais e revistas brasileiros a proporção de colunas favoráveis ao candidato Alckmin em relação às colunas desfavoráveis ao candidato Lula é na proporção de quatro para um.
Paulo Henrique Amorim – Nossa!
Venício de Lima – Então, a conclusão, por exemplo, do Iuperg, do trabalho do Iuperg, que é um instituto acima de qualquer suspeita é de que não há como se concluir de que a cobertura não tenha sido partidarizada. O Observatório Brasileiro de Mídia conclui que houve um desequilíbrio importante na cobertura. Da mesma forma a Famecos chaga a mesma conclusão mesmo sendo institutos independentes com metodologias relativamente diferentes e não necessariamente observamos não os mesmos veículos. Então, há uma concordância básica de que houve de fato nas Eleições de 2006 um desequilíbrio muito grande nas coberturas e que esse desequilíbrio favorecia um dos candidatos.
Paulo Henrique Amorim – E esse desequilíbrio é mais notável entre os colunistas?
Venício de Lima – É onde a proporção é mais gritante. Mas, no conjunto da cobertura, porque essa análise é um pouco complicada porque ela tem que ser feita, a metodologia exige um certo rigor, então você acompanha editoriais, artigos, colunas, reportagens, manchetes de capa, então o caso, por exemplo, do Observatório Brasileiro de Mídia que fez essa observação detalhada, a divergência mais gritante, o desequilíbrio mais gritante é em relação aos articulistas, mas eu não sei exatamente, porque o acompanhamento foi feito semanalmente, então, houve semanas em que esse desequilíbrio, sobretudo às vésperas da realização do primeiro turno, o desequilíbrio é absolutamente desproporcional.
Paulo Henrique Amorim – Apesar da imprensa brasileira se cobrir do manto de uma certa objetividade. Eu lhe perguntaria outra coisa, professor. Tem um outro capítulo da sua introdução que diz: prevaleceu uma atitude de hostilidade ao candidato Lula entre os jornalistas da grande mídia. Como o senhor define essa hostilidade e o que é que o senhor chama de jornalistas da grande mídia.
Venício de Lima – Pois é, isso aí... Na verdade o que eu tentei fazer na introdução foi fazer uma síntese dos pontos mais relevantes dos onze capítulos do livro. O livro, eu acho que é necessário fazer essa explicação, o livro foi organizado em torno de três perguntas principais. “Como foi a cobertura jornalística?”, então tem o relato dessa cobertura que eu descrevi, até eu esqueci de incluir também um instituto ligado à escola de propaganda e marketing fez um acompanhamento pioneiro da internet, dos blogs interativos...
Paulo Henrique Amorim – Vamos falar nisso daqui a pouco.
Venício de Lima – Então, a primeira parte foi essa. A segunda foi “Qual é o papel da mídia?” e a terceira que é uma parte mais pró-ativa, vamos dizer assim, que tenta responder a questão de que é necessário fazer para aprimorar ao aprendizado da democracia brasileira. Então, nessa primeira parte são os relatos das pesquisas. Na segunda parte, são as análises. Uma das análises que foi feita, aliás pelo professor Bernardo Kucinski, ele relata casos de experiência individual e de observação que ele vem fazendo do comportamento dos jornalistas, da grande imprensa brasileira, dos principais jornais, das principais redes de televisão, das principais revistas ao longo dos últimos processos eleitorais. Sobretudo os processos eleitorais das últimas eleições presidenciais sempre envolveram a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva e são essas em relação a esse candidato que ele observa. E ele então conclui que desenvolveu-se entre os jornalistas um sentimento anti-lulista e que isso vai se consolidando e que essa, provavelmente é uma das explicações para esse desequilíbrio tão acentuado que se manifesta nas pesquisas, em relação à cobertura.
Paulo Henrique Amorim – É um sentimento, digamos, pessoal em relação à figura do Presidente da República.
Venício Lima – Foi internalizado pelos jornalistas ele verifica isso em várias situações eu teria que retomar o artigo para, o capítulo, para rever exatamente as situações, mas é um capítulo muito bem construído em uma série de eventos.
Paulo Henrique Amorim – Professor, o senhor fala que os blogs na internet aumentaram a sua importância no debate eleitoral. Nós estamos conversando aqui num âmbito de um site na internet. O que é que o senhor quer dizer com isso? Ou o que é que o livro demonstra isso que o senhor fala que os capítulos três e nove do livro que tratam exatamente disso?
Venício de Lima – Pois é, aí nós temos não só a pesquisa que foi feita por esse grupo liderado pelo professor Vladimir Safatle, que é professor também de filosofia da Universidade de São Paulo, e ele coordena a pós-graduação da Escola Superior de Propaganda e Marketing aí de São Paulo, foi feita uma pesquisa por ele, pelo Marcelo Coutinho que também trabalha no Ibope e foi feita também pelo Clóvis Barros Filho, também professor da USP, professor conhecido que tem várias publicações e tal. Tem o capítulo dele e tem o capítulo Sérgio Amadeu que também é professor das faculdades aí da Casper Líbero e eu até confesso publicamente para você que eu sempre fui muito resistente a reconhecer, tendo em vista todos os dados de exclusão digital que o país tem, eu sempre fui muito resistente em reconhecer a importância da internet, não é?
Paulo Henrique Amorim – (risos).
Venício de Lima – (risos) Mas a partir dessas eleições, eu tive que dar meu braço a torcer. Eu separei pra você aqui, porque eu estava exatamente esperando que a gente fosse conversar, uma citação curtíssima do texto do Sérgio Amadeu, que ele fala o seguinte: 78% dos que utilizam a internet afirmam utilizar a rede para se comunicar. O que isso significa? Um conjunto de atividades tais como enviar e receber e-mails (83%), trocar mensagens instantâneas (49%) e acessar sites de relacionamento (47%), tais como o Orkut e participar de chats (35%). Aí, o Sérgio Amadeu conclui o seguinte: é exatamente aí que está a importância da rede na política. Ela serviu pra a organização das forças, das lideranças de opinião, da articulação de pessoas politicamente ativas nos seguimentos médios. Porque veja só: mesmo que haja, e de fato há ainda um contingente imenso da população brasileira que está fora do universo, diretamente fora do universo da internet, aqueles que acessam são líderes de opinião. Então, está havendo, e isso faz parte de um outro argumento que eu tenho pessoalmente defendido há muito tempo e que aí no livro é defendido também pelo professor Albino Rubin, da Universidade Federal da Bahia, de que está havendo um deslocamento da liderança de opinião tradicional, que era exercida, continua sendo, mas ela está sendo exercida em menor escala, pelos líderes de opinião tradicionais que estão sobretudo na mídia impressa. Está havendo um deslocamento dessas lideranças tradicionais para esses líderes da sociedade civil organizada que tem contado exatamente com esse imenso contingente que está excluído da internet, mas a liderança, não. Então, é essa liderança que usa a internet sobretudo para se comunicar, com sites de relacionamentos, que consulta os blogs, que tem possibilidade de acessar a informação que não está presente na grande mídia, esses líderes fazem a mediação da informação que chega de fato à grande maioria da população brasileira, exercendo um papel que é tradicional na comunicação de massa, esses dois fluxos da comunicação intermediada sempre por lideranças. Então, esse é um fenômeno que nas últimas eleições parece ter ficado muito claro, porque, a sociedade civil que é, num certo sentido, ignorada pela grande mídia, vem acontecendo no Brasil e que há vários exemplos disso, está sendo exercida exatamente por lideranças que têm acesso e faz uso das informações da internet.
Paulo Henrique Amorim – Professor, nessa sua introdução, que procura resumir o trabalho do conjunto de autores, há dois capítulos que eu gostaria que o senhor comentasse num só. A mídia entrou na agenda pública de discussão e a credibilidade da grande mídia foi colocada em questão e o senhor cita um autor por quem eu tenho uma profunda admiração, o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, que havia avançado a hipótese na democracia as instituições vulneráveis a extorsões seria o grande poder da mídia de gerar instabilidade política. O senhor podia comentar os trabalhos expostos publicados no livro que o senhor organizou, nesses dois capítulos A mídia entrou na agenda e A credibilidade da mídia?
Venício de Lima – Pois é, vamos começar por essa questão da credibilidade, o Wanderley Guilherme, que é um cientista político importante no Brasil, sobretudo durante o período da cobertura da crise política de 2005 ele teve uma posição importantíssima, ele tinha uma coluna no jornal Valor Econômico e lá ele avançou a hipótese, que eu comento na introdução, de que, ao contrário do que acontecia em países, chamados de primeiro mundo na Europa e sobretudo nos Estados Unidos, o Brasil, a grande mídia brasileira, ela, num certo sentido, estava protegida das crises de credibilidade que ela não tinha uma empresa regional forte e ela, portanto, não era contestada em nível local e regional. Então, o contra argumento que aparece e que eu mesmo venho insistindo nele que está corroborado em vários, ele está presente, embora não necessariamente de forma explícita, em vários capítulos do livro de no Brasil também não existir uma mídia regional forte, a cobertura, esses outros fatores, por exemplo, esse deslocamento das lideranças de opinião que eu comentei a pouco, e a cobertura que foi oferecida pela grande mídia, não só para a crise política de 2005, mas também para as eleições de 2006, fez com que, mesmo não havendo essa condição que o Wanderley aponta com muita propriedade, a grande mídia entrasse em debate e a sua credibilidade fosse questionada. Eu, inclusive, arrolo aí na introdução um exemplo extremamente forte que foi relatado em uma matéria excepcional pela Ana Paula Souza na Carta Capital, de uma visita que ela fez a um grupo na periferia de São Paulo, não me lembro exatamente agora a localidade.
Paulo Henrique Amorim – Jardim Ângela.
Venício de Lima – Exatamente, exatamente. Na verdade, tem lá um grupo de rapazes que tem um financiamento, conseguiu um financiamento na prefeitura um tempo atrás aí de São Paulo, criou-se um grupo de discussão especificamente sobre a mídia e eles então convidaram o Mino Carta para debater com ele o filme Cidadão Kane. E o Mino não pode ir, mandou a Ana Paula e ela fez uma matéria mostrando exatamente a capilaridade dessa discussão, quer dizer, que atingiu a periferia dos grandes centros, os grupos de jovens como esses. E cada um de nós, você certamente mais do que eu, sabe que nos últimos meses, eu diria até também nos últimos dois anos, eu, por exemplo, que passei boa parte da vida profissional dentro da universidade, recebi convites para participar de debates a nível de seminários acadêmicos e promoções desse tipo, conferências acadêmicas e etc., nos últimos anos eu tenho recebido muito mais convites de sindicatos, igrejas, organizações da sociedade civil que não tem nada a ver com a mídia e que estão preocupados com o papel da mídia. Então, permeando esses textos do livro fica muito claro que mesmo talvez contra a vontade da grande mídia ela sim entrou no debate público.
Paulo Henrique Amorim – Entrou na dança.
Venício de Lima – Entrou na dança. E a sua credibilidade que aparentemente estava protegida por falta de uma imprensa regional forte, como acontece em outros países, outros fatores fizeram que, independente disso, que a credibilidade também entrasse em questão e, aliás, o resultado das eleições são uma prova disso.
Paulo Henrique Amorim – Claro, claro. Foi até uma, o senhor menciona, um descolamento da opinião da mídia e da opinião do público eleitor.
Venício de Lima – Exatamente.
Paulo Henrique Amorim – Agora, uma última questão, professor, não quero tomar o tempo que o senhor dispõe. E aí, como é que se saí dessa? O que esse livro oferecerá aos seus leitores como perspectiva? Como é que se sai desse enrosco de ter uma mídia partidarizada, digamos assim?
Venício de Lima – Pois é, nós tivemos essa preocupação quando discuti com a editora a proposta do livro eu insisti muito porque achava que nós deveríamos oferecer pelo menos um capítulo credenciado, escrito por alguém que conhecesse as alternativas que existem pelo mundo inteiro de regulação da mídia num país, numa democracia como a nossa para exatamente caminhar nessa direção. Nós fizemos isso com o belíssimo capítulo do professor Luís Felipe Miguel, aqui do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília que faz um texto onde ele faz um levantamento dos modelos normativos que existem de organização da mídia no mundo e mostra, discute o tipo de regulação necessária para que situações de desequilíbrio, como essas que foram identificadas nas pesquisas que esses institutos independentes de pesquisa fizeram, e que dominaram todo o processo eleitoral de 2006 não se repitam. Então eles sugerem medidas no sentido de regulação do conteúdo, desconcentração da capacidade de produzir informação, dissociação e da possibilidade de difundir discurso de controle do poder econômico, que em outras palavras é a questão da propriedade cruzada, o controle da publicidade comercial, geração de um setor forte e independente de radiodifusão pública, eu acredito que até já estamos caminhando nessa direção com a iniciativa de construção de um sistema público inicialmente de televisão e depois também de rádio, que está sendo liderado pelo ministro Franklin Martins que, aliás, isso é uma norma constitucional que nunca foi cumprida, enfim. Então, há produção independente algumas dessas sugestões, inclusive, elas são normas constitucionais brasileiras que nunca foram cumpridas. É que nunca foram regulamentadas. Mas enfim, mas há um capítulo, quer dizer, um capítulo com base na discussão que a ciência política contemporânea faz dessas questões indicando as direções de avanços possíveis.
Paulo Henrique Amorim – Eu agradeço muitíssimo primeiro o fato de me ter convidado a dar essa modesta contribuição ao seu livro excelente.
Venício de Lima – Que isso, Paulo...
Paulo Henrique Amorim – Agradeço a sua disponibilidade para nos dar essa entrevista, nós vamos transformar isso num arquivo de áudio, de vídeo, e o senhor terá a demonstração concreta do poder da internet (risos).
Venício de Lima – (risos).
Paulo Henrique Amorim – Eu gostaria de fazer uma última menção, se o senhor
permite, a Raquel Matsushita e Marina Mattos produziram uma capa belíssima...
Venício Lima – Excelente!
Paulo Henrique Amorim – Belíssima! Capa de prêmio, professor.
Venício de Lima – Muito boa a capa.
Paulo Henrique Amorim – Sensacional!
Venício de Lima – Muito obrigado, Paulo.
Paulo Henrique Amorim – Professor, um grande abraço e parabéns.
Venício de Lima – Para você também, obrigado pela sua contribuição.
Paulo Henrique Amorim – Que isso... Um grande abraço.
Venício de Lima – Tchau.
O livro “A Mídia nas Eleições de 2006”, da editora Fundação Perseu Abramo, organizado pelo sociólogo e jornalista, pesquisador sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política da UnB, Venício Artur de Lima, mostra que a mídia adotou uma postura partidarizada contra o Presidente Lula nas eleições de 2006.
O professor Venício de Lima disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta sexta-feira, dia 20, que um estudo do Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro), publicado no livro, mostra que “não há como se concluir que a cobertura não tenha sido partidarizada” (clique aqui para ouvir o áudio).
“Há uma concordância básica de que houve de fato nas eleições de 2006 um desequilíbrio muito grande na cobertura e que esse desequilíbrio favorecia um dos candidatos”, disse Lima.
Segundo o professor Venício de Lima, o desequilíbrio e a partidarização contra Lula é mais evidente nas colunas de opinião dos grandes jornais. “É onde a proporção é mais gritante... no caso do Observatório Brasileiro de Mídia, que fez essa observação detalhada, a divergência mais gritante, o desequilíbrio mais gritante é em relação aos articulistas”, disse Lima.
O professor Venício de Lima disse que o livro reúne o estudo de diferentes institutos que acompanharam a cobertura da mídia nas eleições de 2006 com metodologias diferentes. E todos eles chegaram à mesma conclusão: a cobertura foi partidarizada contra Lula.
“Esses institutos, embora não estivessem trabalhando exatamente no acompanhamento da cobertura dos mesmos jornais e revistas e embora tivessem usando metodologias relativamente diferentes, embora não totalmente diferentes, chegaram a conclusões praticamente idênticas: no acompanhamento da cobertura fica claro que houve uma preferência na cobertura por um dos candidatos em detrimento de outro”, disse Lima.
Segundo Venício de Lima, no caso dos articulistas dos principais jornais e revistas brasileiras, a proporção de colunas favoráveis ao candidato Alckmin em relação às colunas desfavoráveis ao candidato Lula é de quatro para um.
O professor Venício de Lima fala também que os sites e blogs da internet aumentaram sua importância no debate eleitoral. Esse tema é tratado nos capítulos três e nove do livro “A Mídia nas Eleições de 2006”.
Para falar sobre a importância da internet, Lima citou Sérgio Amadeu, que ele diz: “78% dos que utilizam a internet afirmam utilizar a rede para se comunicar. O que isso significa? Um conjunto de atividades tais como enviar e receber e-mails (83%), trocar mensagens instantâneas (49%) e acessar sites de relacionamento (47%), tais como o Orkut e participar de chats (35%)”.
“Aí, o Sérgio Amadeu conclui o seguinte: é exatamente aí que está a importância da rede na política. Ela serviu para a organização das forças, das lideranças de opinião, da articulação de pessoas politicamente ativas nos seguimentos médios”, disse Lima
Segundo Lima, mesmo que haja muita gente que ainda não tenha acesso à internet, aqueles que acessam são líderes de opinião.
Leia a íntegra da entrevista com o professor Venício de Lima:
Paulo Henrique Amorim – A editora Fundação Perseu Abramo acaba de lançar o livro "A Mídia nas Eleições 2006" organizado pelo professor Venício A. de Lima e eu tenho o professor Venício agora no telefone. Professor, como é que vai o senhor?
Venício de Lima – Tudo bem, Paulo, e você?
Paulo Henrique Amorim – É um prazer falar com o senhor.
Venício de Lima – O prazer é meu, Paulo.
Paulo Henrique Amorim – Tenho muito orgulho de fazer parte desse trabalho que o senhor elaborou na companhia da Alessandra Aldeia, Antonio Albino Canelas Rubin, Bernardo Kucinski (que foi meu colega na Veja), Clóvis Barros Filho, Gabriel Mendes, Kjeld Jacobson, Luís Felipe Miguel, Luís Nassif (meu colega aqui do iG), Marcelo Coutinho, Marcos Coimbra, Marcus Figueiredo, Renato Rovai, Sérgio Amadeu da Silveira, Vladimir Safatle. Mas, quem concebeu isso e quem conseguiu organizar isso com muita rapidez e numa edição primorosa foi o senhor, professor. Eu gostaria de tocar alguns pontos que o senhor tem na sua introdução geral.
Venício de Lima – Pois não, Paulo.
Paulo Henrique Amorim – Primeiro o senhor menciona que uma das conclusões dos estudos publicados é que houve um desequilíbrio da cobertura jornalística dos candidatos verificados pelos institutos independentes de pesquisa. O senhor podia resumir a sua consideração aqui para os nossos internautas, eleitores do iG?
Venício de Lima – Com certeza. Essa, na verdade é a, vamos dizer assim, a premissa básica do livro, porque a partir da constatação desse desequilíbrio, é que são feitas as análises e outras interpretações que tem presentes no livro, inclusive a sua importantíssima contribuição. Na verdade, essas eleições de 2006 elas foram acompanhadas por institutos de pesquisas independentes, um ligado a uma instituição tradicional universitária que são as Faculdades Candido Mendes no Rio de Janeiro, o Iuperg, que tem um instituto próprio que é o Doxa que é liderado há muitos anos, sob a liderança do Marcos Figueiredo e tem a colaboração de vários pesquisadores, entre eles, Alessandra Aldé e o Gustavo que escreveram esse resumo dos resultados que o livro publica, o Observatório Brasileiro de Mídia que é o capitulo brasileiro do Media Watch Global, que é uma ONG com sede em Paris e que tem capítulos no Brasil, na Venezuela, em vários outros países, na França, na Itália que também fez o acompanhamento da mídia impressa e também a PUC do Rio Grande do Sul fez um acompanhamento no Datamedia, que é ligado à Famecos, que é a Faculdade de Comunicação, mas infelizmente por questão de prazo, você até mencionou isso, muito reduzido para organizar e preparar o livro, a contribuição da Famecos acabou não chegando a tempo. Mas, esses institutos, embora não estivessem trabalhando exatamente no acompanhamento da cobertura dos mesmos jornais e revistas e embora tivessem utilizados metodologias relativamente diferentes, embora não totalmente diferentes, chegaram a conclusões praticamente idênticas. No acompanhamento da cobertura fica absolutamente claro que ouve uma preferência na cobertura por um dos candidatos, em detrimento de outro, em alguns casos, por exemplo, bastante claro, dos articulistas dos principais jornais e revistas brasileiros a proporção de colunas favoráveis ao candidato Alckmin em relação às colunas desfavoráveis ao candidato Lula é na proporção de quatro para um.
Paulo Henrique Amorim – Nossa!
Venício de Lima – Então, a conclusão, por exemplo, do Iuperg, do trabalho do Iuperg, que é um instituto acima de qualquer suspeita é de que não há como se concluir de que a cobertura não tenha sido partidarizada. O Observatório Brasileiro de Mídia conclui que houve um desequilíbrio importante na cobertura. Da mesma forma a Famecos chaga a mesma conclusão mesmo sendo institutos independentes com metodologias relativamente diferentes e não necessariamente observamos não os mesmos veículos. Então, há uma concordância básica de que houve de fato nas Eleições de 2006 um desequilíbrio muito grande nas coberturas e que esse desequilíbrio favorecia um dos candidatos.
Paulo Henrique Amorim – E esse desequilíbrio é mais notável entre os colunistas?
Venício de Lima – É onde a proporção é mais gritante. Mas, no conjunto da cobertura, porque essa análise é um pouco complicada porque ela tem que ser feita, a metodologia exige um certo rigor, então você acompanha editoriais, artigos, colunas, reportagens, manchetes de capa, então o caso, por exemplo, do Observatório Brasileiro de Mídia que fez essa observação detalhada, a divergência mais gritante, o desequilíbrio mais gritante é em relação aos articulistas, mas eu não sei exatamente, porque o acompanhamento foi feito semanalmente, então, houve semanas em que esse desequilíbrio, sobretudo às vésperas da realização do primeiro turno, o desequilíbrio é absolutamente desproporcional.
Paulo Henrique Amorim – Apesar da imprensa brasileira se cobrir do manto de uma certa objetividade. Eu lhe perguntaria outra coisa, professor. Tem um outro capítulo da sua introdução que diz: prevaleceu uma atitude de hostilidade ao candidato Lula entre os jornalistas da grande mídia. Como o senhor define essa hostilidade e o que é que o senhor chama de jornalistas da grande mídia.
Venício de Lima – Pois é, isso aí... Na verdade o que eu tentei fazer na introdução foi fazer uma síntese dos pontos mais relevantes dos onze capítulos do livro. O livro, eu acho que é necessário fazer essa explicação, o livro foi organizado em torno de três perguntas principais. “Como foi a cobertura jornalística?”, então tem o relato dessa cobertura que eu descrevi, até eu esqueci de incluir também um instituto ligado à escola de propaganda e marketing fez um acompanhamento pioneiro da internet, dos blogs interativos...
Paulo Henrique Amorim – Vamos falar nisso daqui a pouco.
Venício de Lima – Então, a primeira parte foi essa. A segunda foi “Qual é o papel da mídia?” e a terceira que é uma parte mais pró-ativa, vamos dizer assim, que tenta responder a questão de que é necessário fazer para aprimorar ao aprendizado da democracia brasileira. Então, nessa primeira parte são os relatos das pesquisas. Na segunda parte, são as análises. Uma das análises que foi feita, aliás pelo professor Bernardo Kucinski, ele relata casos de experiência individual e de observação que ele vem fazendo do comportamento dos jornalistas, da grande imprensa brasileira, dos principais jornais, das principais redes de televisão, das principais revistas ao longo dos últimos processos eleitorais. Sobretudo os processos eleitorais das últimas eleições presidenciais sempre envolveram a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva e são essas em relação a esse candidato que ele observa. E ele então conclui que desenvolveu-se entre os jornalistas um sentimento anti-lulista e que isso vai se consolidando e que essa, provavelmente é uma das explicações para esse desequilíbrio tão acentuado que se manifesta nas pesquisas, em relação à cobertura.
Paulo Henrique Amorim – É um sentimento, digamos, pessoal em relação à figura do Presidente da República.
Venício Lima – Foi internalizado pelos jornalistas ele verifica isso em várias situações eu teria que retomar o artigo para, o capítulo, para rever exatamente as situações, mas é um capítulo muito bem construído em uma série de eventos.
Paulo Henrique Amorim – Professor, o senhor fala que os blogs na internet aumentaram a sua importância no debate eleitoral. Nós estamos conversando aqui num âmbito de um site na internet. O que é que o senhor quer dizer com isso? Ou o que é que o livro demonstra isso que o senhor fala que os capítulos três e nove do livro que tratam exatamente disso?
Venício de Lima – Pois é, aí nós temos não só a pesquisa que foi feita por esse grupo liderado pelo professor Vladimir Safatle, que é professor também de filosofia da Universidade de São Paulo, e ele coordena a pós-graduação da Escola Superior de Propaganda e Marketing aí de São Paulo, foi feita uma pesquisa por ele, pelo Marcelo Coutinho que também trabalha no Ibope e foi feita também pelo Clóvis Barros Filho, também professor da USP, professor conhecido que tem várias publicações e tal. Tem o capítulo dele e tem o capítulo Sérgio Amadeu que também é professor das faculdades aí da Casper Líbero e eu até confesso publicamente para você que eu sempre fui muito resistente a reconhecer, tendo em vista todos os dados de exclusão digital que o país tem, eu sempre fui muito resistente em reconhecer a importância da internet, não é?
Paulo Henrique Amorim – (risos).
Venício de Lima – (risos) Mas a partir dessas eleições, eu tive que dar meu braço a torcer. Eu separei pra você aqui, porque eu estava exatamente esperando que a gente fosse conversar, uma citação curtíssima do texto do Sérgio Amadeu, que ele fala o seguinte: 78% dos que utilizam a internet afirmam utilizar a rede para se comunicar. O que isso significa? Um conjunto de atividades tais como enviar e receber e-mails (83%), trocar mensagens instantâneas (49%) e acessar sites de relacionamento (47%), tais como o Orkut e participar de chats (35%). Aí, o Sérgio Amadeu conclui o seguinte: é exatamente aí que está a importância da rede na política. Ela serviu pra a organização das forças, das lideranças de opinião, da articulação de pessoas politicamente ativas nos seguimentos médios. Porque veja só: mesmo que haja, e de fato há ainda um contingente imenso da população brasileira que está fora do universo, diretamente fora do universo da internet, aqueles que acessam são líderes de opinião. Então, está havendo, e isso faz parte de um outro argumento que eu tenho pessoalmente defendido há muito tempo e que aí no livro é defendido também pelo professor Albino Rubin, da Universidade Federal da Bahia, de que está havendo um deslocamento da liderança de opinião tradicional, que era exercida, continua sendo, mas ela está sendo exercida em menor escala, pelos líderes de opinião tradicionais que estão sobretudo na mídia impressa. Está havendo um deslocamento dessas lideranças tradicionais para esses líderes da sociedade civil organizada que tem contado exatamente com esse imenso contingente que está excluído da internet, mas a liderança, não. Então, é essa liderança que usa a internet sobretudo para se comunicar, com sites de relacionamentos, que consulta os blogs, que tem possibilidade de acessar a informação que não está presente na grande mídia, esses líderes fazem a mediação da informação que chega de fato à grande maioria da população brasileira, exercendo um papel que é tradicional na comunicação de massa, esses dois fluxos da comunicação intermediada sempre por lideranças. Então, esse é um fenômeno que nas últimas eleições parece ter ficado muito claro, porque, a sociedade civil que é, num certo sentido, ignorada pela grande mídia, vem acontecendo no Brasil e que há vários exemplos disso, está sendo exercida exatamente por lideranças que têm acesso e faz uso das informações da internet.
Paulo Henrique Amorim – Professor, nessa sua introdução, que procura resumir o trabalho do conjunto de autores, há dois capítulos que eu gostaria que o senhor comentasse num só. A mídia entrou na agenda pública de discussão e a credibilidade da grande mídia foi colocada em questão e o senhor cita um autor por quem eu tenho uma profunda admiração, o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, que havia avançado a hipótese na democracia as instituições vulneráveis a extorsões seria o grande poder da mídia de gerar instabilidade política. O senhor podia comentar os trabalhos expostos publicados no livro que o senhor organizou, nesses dois capítulos A mídia entrou na agenda e A credibilidade da mídia?
Venício de Lima – Pois é, vamos começar por essa questão da credibilidade, o Wanderley Guilherme, que é um cientista político importante no Brasil, sobretudo durante o período da cobertura da crise política de 2005 ele teve uma posição importantíssima, ele tinha uma coluna no jornal Valor Econômico e lá ele avançou a hipótese, que eu comento na introdução, de que, ao contrário do que acontecia em países, chamados de primeiro mundo na Europa e sobretudo nos Estados Unidos, o Brasil, a grande mídia brasileira, ela, num certo sentido, estava protegida das crises de credibilidade que ela não tinha uma empresa regional forte e ela, portanto, não era contestada em nível local e regional. Então, o contra argumento que aparece e que eu mesmo venho insistindo nele que está corroborado em vários, ele está presente, embora não necessariamente de forma explícita, em vários capítulos do livro de no Brasil também não existir uma mídia regional forte, a cobertura, esses outros fatores, por exemplo, esse deslocamento das lideranças de opinião que eu comentei a pouco, e a cobertura que foi oferecida pela grande mídia, não só para a crise política de 2005, mas também para as eleições de 2006, fez com que, mesmo não havendo essa condição que o Wanderley aponta com muita propriedade, a grande mídia entrasse em debate e a sua credibilidade fosse questionada. Eu, inclusive, arrolo aí na introdução um exemplo extremamente forte que foi relatado em uma matéria excepcional pela Ana Paula Souza na Carta Capital, de uma visita que ela fez a um grupo na periferia de São Paulo, não me lembro exatamente agora a localidade.
Paulo Henrique Amorim – Jardim Ângela.
Venício de Lima – Exatamente, exatamente. Na verdade, tem lá um grupo de rapazes que tem um financiamento, conseguiu um financiamento na prefeitura um tempo atrás aí de São Paulo, criou-se um grupo de discussão especificamente sobre a mídia e eles então convidaram o Mino Carta para debater com ele o filme Cidadão Kane. E o Mino não pode ir, mandou a Ana Paula e ela fez uma matéria mostrando exatamente a capilaridade dessa discussão, quer dizer, que atingiu a periferia dos grandes centros, os grupos de jovens como esses. E cada um de nós, você certamente mais do que eu, sabe que nos últimos meses, eu diria até também nos últimos dois anos, eu, por exemplo, que passei boa parte da vida profissional dentro da universidade, recebi convites para participar de debates a nível de seminários acadêmicos e promoções desse tipo, conferências acadêmicas e etc., nos últimos anos eu tenho recebido muito mais convites de sindicatos, igrejas, organizações da sociedade civil que não tem nada a ver com a mídia e que estão preocupados com o papel da mídia. Então, permeando esses textos do livro fica muito claro que mesmo talvez contra a vontade da grande mídia ela sim entrou no debate público.
Paulo Henrique Amorim – Entrou na dança.
Venício de Lima – Entrou na dança. E a sua credibilidade que aparentemente estava protegida por falta de uma imprensa regional forte, como acontece em outros países, outros fatores fizeram que, independente disso, que a credibilidade também entrasse em questão e, aliás, o resultado das eleições são uma prova disso.
Paulo Henrique Amorim – Claro, claro. Foi até uma, o senhor menciona, um descolamento da opinião da mídia e da opinião do público eleitor.
Venício de Lima – Exatamente.
Paulo Henrique Amorim – Agora, uma última questão, professor, não quero tomar o tempo que o senhor dispõe. E aí, como é que se saí dessa? O que esse livro oferecerá aos seus leitores como perspectiva? Como é que se sai desse enrosco de ter uma mídia partidarizada, digamos assim?
Venício de Lima – Pois é, nós tivemos essa preocupação quando discuti com a editora a proposta do livro eu insisti muito porque achava que nós deveríamos oferecer pelo menos um capítulo credenciado, escrito por alguém que conhecesse as alternativas que existem pelo mundo inteiro de regulação da mídia num país, numa democracia como a nossa para exatamente caminhar nessa direção. Nós fizemos isso com o belíssimo capítulo do professor Luís Felipe Miguel, aqui do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília que faz um texto onde ele faz um levantamento dos modelos normativos que existem de organização da mídia no mundo e mostra, discute o tipo de regulação necessária para que situações de desequilíbrio, como essas que foram identificadas nas pesquisas que esses institutos independentes de pesquisa fizeram, e que dominaram todo o processo eleitoral de 2006 não se repitam. Então eles sugerem medidas no sentido de regulação do conteúdo, desconcentração da capacidade de produzir informação, dissociação e da possibilidade de difundir discurso de controle do poder econômico, que em outras palavras é a questão da propriedade cruzada, o controle da publicidade comercial, geração de um setor forte e independente de radiodifusão pública, eu acredito que até já estamos caminhando nessa direção com a iniciativa de construção de um sistema público inicialmente de televisão e depois também de rádio, que está sendo liderado pelo ministro Franklin Martins que, aliás, isso é uma norma constitucional que nunca foi cumprida, enfim. Então, há produção independente algumas dessas sugestões, inclusive, elas são normas constitucionais brasileiras que nunca foram cumpridas. É que nunca foram regulamentadas. Mas enfim, mas há um capítulo, quer dizer, um capítulo com base na discussão que a ciência política contemporânea faz dessas questões indicando as direções de avanços possíveis.
Paulo Henrique Amorim – Eu agradeço muitíssimo primeiro o fato de me ter convidado a dar essa modesta contribuição ao seu livro excelente.
Venício de Lima – Que isso, Paulo...
Paulo Henrique Amorim – Agradeço a sua disponibilidade para nos dar essa entrevista, nós vamos transformar isso num arquivo de áudio, de vídeo, e o senhor terá a demonstração concreta do poder da internet (risos).
Venício de Lima – (risos).
Paulo Henrique Amorim – Eu gostaria de fazer uma última menção, se o senhor
permite, a Raquel Matsushita e Marina Mattos produziram uma capa belíssima...
Venício Lima – Excelente!
Paulo Henrique Amorim – Belíssima! Capa de prêmio, professor.
Venício de Lima – Muito boa a capa.
Paulo Henrique Amorim – Sensacional!
Venício de Lima – Muito obrigado, Paulo.
Paulo Henrique Amorim – Professor, um grande abraço e parabéns.
Venício de Lima – Para você também, obrigado pela sua contribuição.
Paulo Henrique Amorim – Que isso... Um grande abraço.
Venício de Lima – Tchau.
IPT atesta pista de Congonhas
SÃO PAULO - Uma análise realizada pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), na pista principal do Aeroporto de Congonhas, concluiu que o asfalto no local tem condições de atrito acima do padrão internacional de qualidade, mesmo sem as ranhuras para o escoamento de água. As informações são do jornal “Folha de S. Paulo”.
Segundo um relatório parcial do instituto, mesmo sem o sistema de ranhuras, chamadas de “grooving”, a pista do terminal passou pelo teste de atrito em pista molhada. O IPT aplicou um teste conhecido como "mumeter", em que simuladores de rodas recebem película de 1 milímetro de água para verificar a aderência do asfalto.
Nos testes realizados, o coeficiente de atrito nos locais onde os pneus das aeronaves costumam tocar a pista durante o pouso ficou entre 0,68 e 0,73. Segundo a “Folha”, o parâmetro brasileiro é de 0,5 e o da Organização de Aviação Civil Internacional é de 0,42. O IPT informou que se o valor estiver abaixo de 0,52, devem ser planejadas atividades de manutenção.
Segundo a publicação, a medição foi realizada quatro dias antes do acidente com o Airbus da TAM na última terça-feira. Ela faria parte de um relatório completo, que foi antecipado devido ao acidente.
O instituto também verificou que o asfalto da pista principal de Congonhas apresenta resistência entre 89% e 96%, quando o mínimo requerido é de 70%.
O IPT entregará, na próxima sexta-feira, parte de sua auditagem técnica, contratada pela Infraero, sobre as obras na pista principal do Aeroporto de Congonhas. Os demais relatórios serão entregues nos dias 7 e 17 de agosto.
A auditagem do IPT busca o controle tecnológico de itens da obra, como materiais utilizados e processo construtivo. Ela servirá para a Infraero comparar os relatórios do IPT com os controles das obras feitos pelo consórcio OAS/Galvão, que fez a revitalização da pista principal do aeroporto.
Segundo um relatório parcial do instituto, mesmo sem o sistema de ranhuras, chamadas de “grooving”, a pista do terminal passou pelo teste de atrito em pista molhada. O IPT aplicou um teste conhecido como "mumeter", em que simuladores de rodas recebem película de 1 milímetro de água para verificar a aderência do asfalto.
Nos testes realizados, o coeficiente de atrito nos locais onde os pneus das aeronaves costumam tocar a pista durante o pouso ficou entre 0,68 e 0,73. Segundo a “Folha”, o parâmetro brasileiro é de 0,5 e o da Organização de Aviação Civil Internacional é de 0,42. O IPT informou que se o valor estiver abaixo de 0,52, devem ser planejadas atividades de manutenção.
Segundo a publicação, a medição foi realizada quatro dias antes do acidente com o Airbus da TAM na última terça-feira. Ela faria parte de um relatório completo, que foi antecipado devido ao acidente.
O instituto também verificou que o asfalto da pista principal de Congonhas apresenta resistência entre 89% e 96%, quando o mínimo requerido é de 70%.
O IPT entregará, na próxima sexta-feira, parte de sua auditagem técnica, contratada pela Infraero, sobre as obras na pista principal do Aeroporto de Congonhas. Os demais relatórios serão entregues nos dias 7 e 17 de agosto.
A auditagem do IPT busca o controle tecnológico de itens da obra, como materiais utilizados e processo construtivo. Ela servirá para a Infraero comparar os relatórios do IPT com os controles das obras feitos pelo consórcio OAS/Galvão, que fez a revitalização da pista principal do aeroporto.
sexta-feira, julho 20, 2007
A reformulaçao necessária
O país precisa repensar todo o transporte aéreo. A começar pelas companhias. Nos últimos anos várias companhias aéreas brasileiras foram extintas. Companhias como a Vasp, Transbrasil e Varig. Também o transporte aéreo regional foi quase extinto. Voar direto para uma cidade de menor dimensão no Brasil é impossível. As companhias aéreas que ficaram viram aumentar de repente a demanda por passagens aéreas. E pior, como não houve planejamento, não há aviões disponíveis para atendê-la. Dessa forma as companhias maximizam as aeronaves que possuem. Praticam o overbooking (venda de passagens superior ao de assentos) e demoram ao máximo na manutenção dos aviões. Elas, principalmente a TAM é que criaram o caos aéreo, pois aproveitaram o motim dos controladores e venderam passagens a mais. Como havia o problema do controle, a responsabilidade foi toda para o Governo Federal. Quanto a manutenção, pelos problemas que as aeronaves da TAM vêem apresentando está claro que eles a deixaram em segundo plano. Os aviões atualmente voam até 17 horas diárias. É necessário que a Agência Nacional de Aviação Civil comece a atuar. Primeiro coibindo o uso do overbooking e segundo fiscalizando severamente as condições das aeronaves, checando se a manutenção preventiva está sendo feita e principalmente a corretiva. A ANAC precisa acabar com a farra do boi que se converteu a aviação brasileira. Também é necessária uma atenção especial para checar se a tripulação não está trabalhando horas demais. São inúmeras as queixas. Isso coloca em risco a segurança de todos que estão no avião. Depois o Governo precisa atentar para os controladores. Precisa atuar no ensino, melhorando a capacidade técnica desses profissionais, nos equipamentos e nos salários. Controlador de vôo é elemento essencial na segurança do vôo e ele precisa ter dedicação exclusiva a esse trabalho, sendo proibido o exercício de qualquer outra função por eles. Quanto aos aeroportos, o país vem desde 2003, modernizando os principais aeroportos. No Estado de São Paulo é onde a situação é mais caótica. Na Região Metropolitana de São Paulo há necessidade da construção de mais um aeroporto, além da construção de mais uma pista em Cumbica e da ampliação de Viracopos. Na cidade de São Paulo o aeroporto Campo de Marte pode ser adequado para aviação executiva, basta ampliá-lo e modernizá-lo. Quanto a aviação regioanl é necessário o apoio as empresas que o operam. Principalmente, através do crédito para adquirir aeronaves da Embraer e colocação do subsídio cruzado em que as rotas mais lucrativas financiam as de menor demanda. O Governo Federal precisa fazer uma Agenda Aeroportos e atuar de forma consistente e sistemática para melhorar a qualidade e segurança do vôo no Brasil.
Outros idos
A imagem que se tem do aeroporto de Congonhas é a dos Electras II. Esse turbo-hélice, quadrireator, fabricado nos Estados Unidos tinha tudo para ser um sucesso de venda. A entrada dos jatos, principalmente do 707 da Boeing, deu um papel secundário a esse avião. Ficou por mais de duas décadas fazendo a ponte aérea Rio-São Paulo, sem nenhum acidente. Quando da necessidade da troca das aeronaves por aviões mais modernos, a Varig, que era dona dos Electras II, fez vários testes. Pelo tamanho das pistas do aeroporto Santos Dumont e o de Congonhas, estava difícil escolher um jato de maior dimensão. A Boeing enviou um 737-300 para fazer os testes. Os pilotos estadunidenses mostraram como decolar e pousar nos dois aeroportos. A Varig decidiu que a tripulação que faria a ponte aérea com esses aparelhos, seria exclusiva, eles não passariam para outras linhas. É fácil de compreender, tanto o equipamento, quanto a tripulação trabalham no limite na operação desses aeroportos. O estresse de ambos é muito grande. E operando em aeroportos encravados dentro das cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. Dessa forma, é incompreensível, como um Airbus A 320, operando em situações limites, fique tantos dias com um dos reversores desativados. Foi no mínimo irresponsável a atuação da TAM. Parece que os tempos mudaram, vivemos os tempos do capital financeiro, em que tudo o que interessa são os lucros das empresas. As pessoas são meras mercadorias.
Até quando?
O PT precisa repensar a sua estratégia para lidar com a mídia. Primeiro é necessário reforçar a imprensa sindical que já existe, melhorar em muito os sítios do Partido e criar um canal direto, via envio de material com informação para os filiados. A imprensa sindical precisa ser reprensada, ampliada e melhorada. Ela é o canal direto com os trabalhadores. Precisa nessa imprensa preparar o senso crítico dos trabalhadores para a mídia conservadora (e golpista). A Revista do Brasil precisa ganhar fôlego e agilidade, precisa ser semanal. É um belo projeto que se usado de forma consistente dará um fôlego maior ao Partido nessa guerra que a mídia faz contra o PT. Os sítios que o Partido possui precisam ganhar agilidade e se tornarem mais atraentes. O Partido ainda pode enviar para os filiados um informativo sintetizando os últimos acontecimentos, do ponto de vista dos trabalhadores. O PT ainda precisa de um assessoria de imprensa, que a cada desafio, enfrente a mídia de maneira profissional. O Partido dos Trabalhadores não pode mais ficar acuado. É necessário também discutir a democratização dos meios de informação. do contrário não teremos democracia no Brasil. Tudo isso custa dinheiro, mas se o Partido fizer uma gestão eficiente das finanças é possível colocar em prática.
Mídia, urubus e aspirinas
Jornalista no Brasil além de alugar o corpo do pescoço para cima, agora também virou sinônimo de urubu. Nem bem havia acontecido a tragédia com o Airbus A320 da TAM e um bando de devoradores de carne humana estavam a se banquetear. Dessa vez, usando a desgraça alheia para fazer oposição política. Alguns nomes do jornalismo nativo como eliane cantanhêde, joemir betting, datena, cabrini, brito jr., willian bonner, willian waack, lucia hipolito et caterva não merecem o respeito do povo brasileiro. Usaram e abusaram do desastre aéreo, da dor das famílias. Vale tudo contra o Governo Federal, até golpe abaixo da cintura. Como sempre repete Mino Carta, é o pior jornalismo do mundo. Jornais como folha de são paulo, estado de são paulo e o globo, nem merecem esse nome. TODOS eles apoiaram o golpe de estado de 1964. Ajudaram a acabar com a democracia brasileira, com a prisão, tortura e morte de muitos brasileiros. Usam de expediente nazista, criado por joseph goebells para implantar o regime na Alemanha. A técnica consiste em ficar reprisando um fato ad nausean até que vire verdade. Também explorar o sentimento das pessoas. Quem não fica sensível com uma tragédia dessa magnitude? Assim 24 horas de reprise do acidente, dor e lágrimas leva o telespectador a somar com eles. Dá nojo de tudo dessa tramóia todas, ai a razão das aspirinas.
quarta-feira, julho 18, 2007
Um projeto de nação
O Brasil ficou 25 anos parado. Desde a crise da dívida externa em 1982, o país só trabalhou para pagar dívida externa e intera. De lá para cá o país abriu mão de um Projeto de Nação. É necessário a retomada desse projeto. E isso só é possível com a construção da capacidade do Estado em ser um elemento atuante. Precisamos voltar a planejar o médio e longo prazo do país. O governo Lula através do Plano de Aceleração do Crescimento, do Programa de Desenvolvimento da Educação e do Plano de Segurança vem retomando esse projeto. Na construção de um país o Estado deve ser o indutor central. Nunca o destino de um povo deve ser deixado nas mãos do mercado. nenhum país do mundo se desenvolveu sem uma atuação ativa do Estado. Isso o Brasil está no Governo Lula fazendo.
Banco Central corta juros
Pela 17ª vez em seguida o Banco Central reduz os juros. A queda foi de 0,5 ponto, e o juro básico agora é 11,5 pontos ao ano. Dessa forma a taxa real cai para 7,2 pontos percentuais (comparando uma inflação de 4%). Isso significa que o governo vai pagar menos pela sua dívida mobiliária (títulos públicos)indexados a taxa Selic. O cálculo é que com a queda efetuada, o governo já economizou mais de 30 bilhões no pagamento de juros. Vale lembrar que esses juros vão para as 20.000 famílias mais ricas do país. Essas famílias de rentistas possuem 80% da dívida mobiliária do governo. É uma distribuição de renda ao contrário, tirando dos mais pobres, via impostos e dando para os mais ricos, via pagamento de juros. Felizmente o Brasil está se aproximando rapidamente dos juros reais pagos pelos países no mesmo nível de desenvolvimento que o nosso. Dessa forma há mais dinheiro para investimento em moradia, saneamento, eduação e saúde, coisas que o nosso povo tanto precisa.
Aviação virou fato político
A mídia ajudou a criar parte dessa tragédia. Ela praticamente incentivou a greve dos controladores de vôo. Transformaram a aviação brasileira em fato político. É o vale tudo. Eu estava no aeroporto e os jornalistas passavam como corvo, querendo saber quem tinha vôo atrasado. Como o pessoal disse que não eles nem se interessaram. Os jornalistas devem estar contentes, junto aos seus donos (a oligarquia midiática) que fazem oposição ao governo Lula. Faltava para corroborar a tese de caos aéreo um acidente de grande proporção. Estão até juntando o acidente da Gol com esse. Não se deram ao trabalho de explicar ao povo que o acidente da Gol foi provocado pela irresponsabilidade dos pilotos estadunidenses. Mas para quê racionalidade? O que vale agora é quem vai destilar mais impropérios. É um caso perdido.
O que aconteceu?
Vários jornalistas chegaram a dizer que não houve investimentos no setor aéreo, como não cara pálida? E a reforma de vários aeroportos e das pistas de Congonhas? O aeroporto é seguro? Quem vai dizer serão as investigações, mas fica difícil acreditar que num setor tão técnico e cheio de especialistas alguém liberaria uma pista sem as mínimas condições de uso. Na pista principal só falta as ranhuras (grooving) que facilita a dispersão da água. No dia 16/07 um avião derrapou em Congonhas, mas em função de um pneu furado. Segundo especialistas não há motivos para supor que a causa do acidente tenha sido a falta das ranhuras. De qualquer forma é preciso esperar mais fatos e o conteúdo da caixa preta para saber o que de fato aconteceu. Agora à noite apareceu um vídeo em que o avião acidentado desce com velocidade acima do normal para a aterrisagem. É um fato novo que deve ser levado em conta. O que fica é a tristeza das famílias e do país por mais essa tragédia.
As faces de duas tragédias
Em meio a tragédia do avião da Tam, uma verdadeira matilha saiu a campo. Ao contrário da tragédia do Metrô, em janeiro deste ano, em que os jornalistas brasileiros não ligaram o fato ao psdb, nem ao serra ou ao alckmin,a imprensa nativa martela 24 horas que a culpa é do governo federal. Até hoje nunca fizeram uma mísera pergunta ao serra sobre a tragédia. O serra também nunca deu nenhuma declaração. Ao contrário do desastre do Metrô, o serra junto ao kassab foram a campo, dando entrevista a torto e a direito. O joemir betting, datena, marcelo rezende et caterva viraram especialistas em aeronáutica. Antes de sair qualquer laudo já deram o veredito, foi a pista inacabada.
terça-feira, junho 19, 2007
O Brasil endividado
O que dizer de um governo que multiplicou a dívida do Brasil por dez (de cerca de R$ 60 bilhões passou para mais de R$ 600 bilhões)?, ou que simplesmente pegou o governo com uma relação dívida/PIB de cerca de 30% e entregou com 57%, praticamente dobrando a relação dívida/PIB ? É por isso que a elite gosta do FHC, eles nunca ganharam tanto dinheiro, graças a esse endividamento. Recursos que iriam para a educação, saúde, infraestrutura e justiça social.
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