terça-feira, setembro 01, 2009

O Discurso do Presidente Lula no Pré-Sal

"Minha querida companheira Marisa Letícia,
Excelentíssimo senhor presidente do Senado, José Sarney,
Excelentíssimo presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer,
Ministra Dilma Roussef, ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República; ministro Edison Lobão, de Minas e Energia, em nome dos quais cumprimento todos os ministros aqui presentes,
Quero cumprimentar todos os governadores que vieram ao lançamento do pré-sal,
Quero cumprimentar as autoridades dos Superiores Tribunais aqui de Brasília,
Quero cumprimentar os nossos amigos senadores e deputados que estão presentes,
Quero cumprimentar os membros do corpo diplomático,
Quero cumprimentar os prefeitos aqui presentes,
Em nome dos empresários eu gostaria de cumprimentar o nosso companheiro José Sérgio Gabrielli, presidente da nossa gloriosa Petrobras,
E o Luciano Coutinho, presidente do BNDES,

Minhas amigas e meus amigos,

Hoje é um dia histórico.

O governo está enviando ao Congresso Nacional sua proposta do marco regulatório para a exploração de petróleo e gás no chamado pré-sal.

Estou seguro de que, nos próximos meses, os deputados e senadores, recolhendo também as contribuições de governadores e prefeitos, aperfeiçoarão as propostas do governo, trabalhando com responsabilidade, espírito público, compromisso com o país e, sobretudo, muita visão de futuro.

Estou seguro também de que o povo brasileiro entrará de corpo e alma nesse debate tão importante para o destino do Brasil e para o futuro dos nossos filhos.

Porque esse não é um assunto apenas para os iniciados e especialistas. Nem é tampouco um tema que deva ficar restrito somente ao parlamento. Ao contrário, ele interessa a todos e depende de todos.

Por isso mesmo, quero convocar cada brasileiro e cada brasileira a participar desse grande debate. Trabalhadores, donas de casa, lavradores, empresários, intelectuais, cientistas, estudantes, servidores públicos, todos podem e devem contribuir para que tomemos as melhores decisões.

Minhas amigas e meus amigos,

O chamado pré-sal contém jazidas gigantescas de petróleo e gás, situadas entre cinco e sete mil metros abaixo do nível do mar, sob uma camada de sal que, em certas áreas, alcança mais de 2 mil metros de espessura.

Não se pode ainda dizer, com certeza, quantos bilhões de barris o pré-sal acrescentará às reservas brasileiras. Mas já se pode dizer, com toda segurança, que ele colocará o Brasil entre os países com maiores reservas de petróleo do mundo.

Trata-se de uma das maiores descobertas de petróleo de todos os tempos. E em condições extremamente importantes: as reservas encontram-se num país de grandes dimensões, de grande população e de abundantes recursos naturais. Um país que conta com um regime político estável e instituições democráticas em pleno funcionamento. Um país pacífico que faz questão de viver em paz com seus vizinhos. Um país que possui uma economia sofisticada, com um parque industrial diversificado, uma agropecuária de ponta e um setor de serviços moderno. Um país que, tendo dado passos importantes na superação das desigualdades sociais, encontrou seu caminho e está maduro para dar um salto no desenvolvimento.

Como já disse em outra oportunidade, o pré-sal é uma dádiva de Deus. Sua riqueza, bem explorada e bem administrada, pode impulsionar grandes transformações no Brasil, consolidando a mudança de patamar de nossa economia e a melhoria das condições de vida de nosso povo.

Mas o pré-sal também apresenta perigos e desafios. Se não tomarmos as decisões acertadas, aquilo que é um bilhete premiado pode transformar-se em fonte de enormes problemas. países pobres que descobriram muito petróleo, mas não resolveram bem essa questão, continuaram pobres.

Outros caíram na tentação do dinheiro fácil e rápido. Passaram a exportar a toque de caixa todo o óleo que podiam e foram inundados por moedas estrangeiras. Resultado: quebraram suas indústrias e desorganizaram suas economias. E, assim, o que era uma dádiva transformou-se numa verdadeira maldição.

Para evitar esse risco, desde o primeiro instante, determinei à comissão de ministros que preparou o marco regulatório do pré-sal que trabalhasse em cima de três diretrizes básicas.

Primeira: o petróleo e o gás pertencem ao povo e ao Estado, ou seja, a todo o povo brasileiro. E o modelo de exploração a ser adotado, num quadro de baixo risco exploratório e de grandes quantidades de petróleo, tem de assegurar que a maior parte da renda gerada permaneça nas mãos do povo brasileiro.

A segunda diretriz é de que o Brasil não quer e não vai se transformar num mero exportador de óleo cru. Ao contrário, vamos agregar valor ao petróleo aqui dentro, exportando derivados, como gasolina, óleo diesel e produtos petroquímicos, que valem muito mais. Vamos gerar empregos brasileiros e construir uma poderosa indústria fornecedora dos equipamentos e dos serviços necessários à exploração do pré-sal.

A terceira diretriz: não vamos nos deslumbrar e sair por aí, como novos ricos, torrando dinheiro em bobagens. O pré-sal é um passaporte para o futuro. Sua principal destinação deve ser a educação das novas gerações, a cultura, o meio ambiente, o combate à pobreza e uma aposta no conhecimento científico e tecnológico, por meio da inovação. Vamos investir seus recursos naquilo que temos de mais precioso e promissor: nossos filhos, nossos netos, nosso futuro.

Ao examinar os projetos de lei que estamos enviando hoje ao Congresso, depois de tanto trabalho e estudo, vejo com satisfação que eles estão em perfeita sintonia com essas diretrizes.

Minhas amigas e meus amigos,

Uma mudança importante no marco regulatório será a adoção do modelo de partilha de produção no pré-sal e em outras áreas de potencial e características semelhantes. É uma mudança absolutamente necessária e justificada.

Estamos vivendo hoje um cenário totalmente diferente daquele que existia em 1997, quando foi aprovada a Lei 9.478, que acabou com o monopólio da Petrobras na exploração do petróleo e instituiu o modelo de concessão.

Naquela época, o mundo vivia um contexto em que os adoradores do mercado estavam em alta e tudo que se referisse à presença do Estado na economia estava em baixa. Vocês devem se lembrar como esse estado de espírito afetou o setor do petróleo no Brasil. Altas personalidades naqueles anos chegaram a dizer que a Petrobras era um dinossauro – mais precisamente, o último dinossauro a ser desmantelado no país. E, se não fosse a forte reação da sociedade, teriam até trocado o nome da empresa. Em vez de Petrobras, com a marca do Brasil no nome, a companhia passaria a ser a Petrobrax – sabe-se lá o que esse xis queria dizer nos planos de alguns exterminadores do futuro.

Foram tempos de pensamento subalterno. O país tinha deixado de acreditar em si mesmo. Na economia, campeava o desalento. O Brasil não conseguia crescer, sofria com altas taxas de juros, de desemprego, e juros estratosféricos, apresentava dívida externa elevadíssima e praticamente não tinha reservas internacionais. Volta e meia quebrava, sendo obrigado a pedir ao FMI ajuda, que chegava sempre acompanhada de um monte de imposições.

Além disso, não produzíamos o petróleo necessário para nosso consumo. Ferida, desestimulada e desorientada, a Petrobras vivia um momento muito difícil. Tinha dificuldades de captação externa e não contava com recursos próprios para bancar os investimentos. Nessa época, é bom lembrar – e a Dilma já falou – o preço do barril do petróleo estava em torno de US$ 19.

Hoje, nós vivemos um quadro é inteiramente diferente. Em primeiro lugar, os países e os povos descobriram na recente crise financeira internacional que, sem regulação e fiscalização do Estado, o deus-mercado é capaz de afundar o mundo num abrir e fechar de olhos. O papel do Estado, como regulador e fiscalizador, voltou, portanto, a ser muito valorizado.

A economia do Brasil vive também um novo momento. De 2003 a 2008, crescemos em média, 4,1% ao ano. Nos últimos dois anos, nosso crescimento foi superior a 5%. Nesse período, o país gerou cerca de onze milhões de empregos com carteira assinada. O desemprego caiu de 11,7% para 8%, em 2008. Hoje, as taxas de juros atuais são as menores de muitas décadas em nosso país.

Não só pagamos a dívida externa pública, como acumulamos reservas superiores a US$ 215 bilhões. E mais: reduzimos de modo consistente a miséria e as desigualdades sociais. Mais de 30 milhões de brasileiros saíram da linha da pobreza e 2 milhões ingressaram... e 20 milhões ingressaram na nova classe média, fortalecendo o mercado interno e dando vigoroso impulso à nossa economia.

O fato é que hoje temos uma economia organizada, pujante e voltada para o crescimento. Uma economia que foi testada na mais grave crise internacional desde 1929 e saiu-se muito bem na prova. Não só não quebramos, como fomos um dos últimos países a entrar na crise e estamos sendo um dos primeiros a sair dela. Antes, éramos alvo de chacotas e de imposições. Hoje, nossa voz, a voz do Brasil, é ouvida lá fora com muita atenção e com muito respeito.

Meus queridos companheiros e companheiras,

Desde o primeiro instante, meu governo deu toda força à Petrobras. Passamos a cuidar com muito carinho do nosso querido dinossauro. Os recursos da empresa destinados à pesquisa e ao desenvolvimento deram um salto de US$ 201 milhões, em 2003, para R$ 960 milhões, em 2008.

A companhia voltou a investir, aumentou a produção, abriu concursos para contratação de funcionários, encomendou plataformas, modernizou e ampliou refinarias, além de construir uma grande infra-estrutura de gás natural e entrar também na era de biocombustíveis.
Deixamos claro que nossa política era fortalecer, e não debilitar, a Petrobras. E a companhia – estimulada, recuperada e bem comandada – reagiu de forma impressionante.

Resultado: a Petrobras vive hoje um momento singular. É o orgulho do país. É a maior empresa do Brasil. É a quarta maior companhia do mundo ocidental. Entre as grandes petroleiras mundiais, é a segunda em valor de mercado. É um exemplo em tecnologia de ponta. Descobriu as reservas do pré-sal, um feito extraordinário, que encheu de admiração o mundo e de muito orgulho os brasileiros. É uma empresa com crédito e autoridade internacionais. Tanto que, nos últimos meses, levantou cerca de US$ 31 bilhões em empréstimos. Seus investimentos previstos até 2013 somam US$ 174 bilhões.

E ainda para ajudar, para completar, o preço do barril de petróleo oscila hoje em torno de US$ 65, mais do triplo do que em 1997.

Em suma, os tempos e o ambiente no mundo são outros. A situação da economia brasileira é outra. O Brasil e o prestígio do Brasil são outros. A Petrobras é outra. E outra também é a situação do mercado do petróleo.

Minhas amigas e meus amigos,

Também não há termos de comparação entre as áreas que vinham sendo exploradas até agora e as áreas do pré-sal.

No pré-sal, os riscos exploratórios são baixíssimos. A taxa de sucesso dos poços operados pela Petrobras na área é de 87%, sendo que nos blocos situados na Bacia de Santos ela é de 100%. Foram 13 poços perfurados. E nos 13 comprovou-se a existência de grandes quantidades de óleo e gás, com excelentes perspectivas de viabilidade econômica.

Nessas circunstâncias, seria um grave erro manter na área do pré-sal, de baixíssimo risco e grande rentabilidade, o modelo de concessões, apropriado apenas para blocos de grande risco exploratório e baixa rentabilidade.

No modelo de concessões, a União, proprietária do subsolo, permite que as companhias privadas procurem petróleo, mediante o pagamento de uma taxa chamada bônus de assinatura. Se elas encontrarem óleo ou gás, podem extraí-lo e comercializá-lo como quiserem. São donas do petróleo arrancado das entranhas da terra, porque, a partir da boca do poço, a União perde os direitos de propriedade, recebendo apenas uma parcela pequena da renda do petróleo, na forma de royalties e participações especiais.

Já no modelo de partilha, que prevalece em todo o mundo em áreas de baixo risco exploratório e grande rentabilidade, a União continuará dona da maior parte do petróleo e do gás mesmo depois de sua extração. Nesse modelo, o Estado não transfere toda a propriedade do óleo para grupos privados, mas fecha contratos para a exploração e a produção em determinada área – diretamente com a Petrobras ou, mediante licitação, no caso de outras companhias.

No modelo de partilha, as empresas são remuneradas com uma parcela do óleo extraído, suficiente para cobrir seus custos e investimentos e ainda proporcionar uma rentabilidade adequada ao risco do projeto. Já o Estado fica com a maior parte dos lucros da exploração e produção de petróleo, parte esta bem superior ao que recebe hoje no regime de concessão. A regra do modelo de partilha é clara: nas licitações, vence a empresa que oferecer a maior parcela do lucro da operação para o Estado e para o povo brasileiro.

Amigas e amigos,

Como no modelo de partilha a maior parte do petróleo, mesmo depois de extraído, continuará a pertencer ao Estado, ela controlará o processo de produção. Assim, ela poderá definir claramente o ritmo de extração, calibrando-o de acordo com os interesses nacionais, sem se subordinar às exigências do mercado. Dessa maneira, ficará mais fácil para o Brasil contornar os riscos inerentes à produção excessiva, que poderia inundar o país de dinheiro estrangeiro, desorganizando nossa economia – aquilo que os especialistas chamam de doença holandesa.

Além disso, poderemos produzir petróleo nas condições que mais convêm ao país. E desse modo poderemos aproveitar a riqueza do petróleo, que Deus nos deu, para produzir mais riqueza ainda com o nosso trabalho.

Dessa forma, consolidaremos uma poderosa e sofisticada indústria petrolífera, promoveremos a expansão da nossa indústria naval e converteremos o Brasil num dos maiores pólos mundiais da indústria petroquímica do mundo.

Trabalhando com essa perspectiva, encomendaremos – e produziremos aqui dentro – milhares e milhares de equipamentos, gerando emprego, salário e renda para milhões de brasileiros.

Minhas amigas e meus amigos,

Para gerir os contratos de partilha e os contratos de comercialização de petróleo e gás, zelando pelos interesses do Estado e do povo brasileiro, estamos criando uma nova empresa estatal na área do petróleo, a Petrosal.

Ela não concorrerá com a Petrobras, já que não participará da prospecção ou da exploração de petróleo e gás. Sua missão é inteiramente diferente. A nova estatal será, isso sim, a representante dos interesses do Estado brasileiro, o olho atento do povo brasileiro, acompanhando e fiscalizando a execução dos contratos firmados na área do pré-sal.

Será uma empresa enxuta, com corpo técnico altamente qualificado, formado por profissionais com experiência comprovada. Em vários países que adotaram o modelo de partilha, empresas com esse caráter revelaram-se imprescindíveis para defender os interesses públicos e nacionais nas negociações e na gestão de contratos e processos complexos e sofisticados como os que caracterizam a indústria petrolífera.
Minhas amigas e meus amigos,

Se vocês estão cansados, imaginem eu. Outra novidade importante é a criação do Fundo Social. Ele será responsável pela administração da renda do petróleo e pela sua aplicação em investimentos seguros e de boa rentabilidade, tanto no Brasil como no exterior.

De um lado, o novo fundo será uma mega-poupança, um passaporte para o futuro, que preservará e incrementará a renda do petróleo por muitas e muitas décadas. Os rendimentos do fundo serão canalizados, prioritariamente, para a educação, a cultura, o meio ambiente, a erradicação da pobreza e a inovação tecnológica. Vamos aproveitá-los para pagar a imensa dívida que o país tem com a educação e para permitir que a aplicação do conhecimento científico seja, na verdade, a nossa maior garantia do nosso futuro.

De outro lado, o novo fundo funcionará, também, como um dique contra a entrada desordenada de dinheiro externo, evitando seus efeitos nocivos e garantindo que nossa economia siga saudável, forte e baseada no trabalho e no talento dos milhões e milhões de brasileiros.

Assim, a renda gerada pela produção do pré-sal será administrada de forma planejada e inteligente. E seu ingresso na economia nacional será dosado de modo a fortalecê-la e a impulsioná-la, jamais a desorganizá-la.
Minhas amigas e meus amigos,

Não poderia deixar de prestar aqui uma sincera homenagem à Petrobras, a sua diretoria e a todo o seu corpo de funcionários.

A descoberta do pré-sal, que coloca o Brasil num novo patamar no cenário mundial, não foi fruto do acaso ou de um golpe de sorte. Ao contrário, ela só foi possível graças ao talento, à competência e à determinação da Petrobras. E também, é claro, graças ao revigoramento da empresa nos últimos anos, à recuperação da sua autoestima e aos investimentos crescentes em pesquisa e prospecção.

Poucas empresas no mundo têm hoje a experiência da Petrobras na exploração de petróleo em águas profundas e ultraprofundas. E nenhuma empresa petrolífera conhece e é capaz de obter resultados tão expressivos em nossa plataforma submarina como ela. Trata-se de um ativo, de um patrimônio de enorme valor, que deve ser bem e de forma extraordinária aproveitado.

Por isso mesmo, a Petrobras terá um status especial no marco regulatório do pré-sal. Será a única empresa operadora nessa província. Outras empresas poderão ter participação, inclusive majoritária, nos consórcios que explorarão os blocos contratados. Mas a operação – vale dizer, a exploração, o desenvolvimento, a produção e a desativação das instalações – estará sempre a cargo da nossa querida e orgulhos Petrobras.

Além disso, as reservas do pré-sal, que pertencem ao Estado e ao povo brasileiro, oferecem uma excelente oportunidade para que a União fortaleça a Petrobras para enfrentar os novos desafios. Nesse sentido, estamos enviando projeto de lei ao Congresso Nacional autorizando a União a promover aumento de capital da companhia. O valor total do aumento de capital será aquilo que a ministra Dilma já falou, de até cinco bilhões de barris equivalentes de petróleo, obviamente, relativos às jazidas contíguas às áreas que a empresa já detém no pré-sal.

Nos termos da lei, os acionistas minoritários que desejarem participar dessa chamada de capital poderão adquirir ações da companhia, o que contribuirá para reforçar economicamente nossa maior empresa nesse momento decisivo.

Se os acionistas minoritários não exercerem integralmente seus direitos de opção, a capitalização promovida pela União implicará aumento da participação do povo brasileiro no capital total da Petrobras.

Minhas amigas e meus amigos,

Nesse momento em que o Brasil discute o melhor caminho para se tornar um grande produtor mundial de petróleo, quero render minhas homenagens a todos os brasileiros que lutaram para que este sonho se transformasse em realidade.

Em primeiro lugar, homenageio os que acreditaram quando era mais fácil descrer. E não deram ouvidos às aves de mau agouro que, durante décadas, apregoaram aos quatro ventos que o Brasil não tinha petróleo. Foram, por isso, chamados de fanáticos e maníacos. Ainda bem que houve fanáticos que nos ensinaram a duvidar dos preconceitos e a ter fé em nossas próprias forças.

Rendo minha homenagem também aos que se insurgiram contra a ladainha que proclamava que, mesmo que o Brasil tivesse petróleo, não teria competência para explorá-lo. E que deveria deixar essa tarefa para o capital estrangeiro. Muitos foram tachados de lunáticos, prisioneiros de uma idéia fixa, como o grande e saudoso Monteiro Lobato, porque teimaram em lutar para que o Brasil explorasse suas riquezas. Benditos lunáticos que ensinaram o país a enxergar longe, em tempos de escuridão, e iluminaram os caminhos dos que vieram depois.

Rendo minha homenagem ainda aos que saíram às ruas em todo o país na campanha do “O Petróleo é nosso”, levando o presidente Getúlio Vargas a instituir o monopólio estatal do petróleo e a criar a Petrobras. Foi uma batalha travada em condições duríssimas. Basta ler os jornais da época, alguns em circulação até hoje, que ridicularizavam a campanha nacionalista. E eu digo: bendito nacionalismo, que permitiu que as riquezas da nação permanecessem em nossas mãos.

Rendo homenagem muito especial, por fim, a todos os que defenderam a Petrobras quando ela foi atacada ao longo de sua história – e ainda hoje – e aos funcionários e petroleiros que se mantiveram de pé quando a empresa passou a ser tratada como uma herança maldita do período jurássico. Benditos amigos e companheiros do dinossauro, que sobreviveu à extinção, deu a volta por cima, mostrou o seu valor. E descobriu o pré-sal – patrimônio da União, riqueza do Brasil e passaporte para o nosso futuro.

Olho para trás e vejo que há algo em comum em todos esses momentos, algo que unifica e dá sentido a essa caminhada, algo que nos trouxe até aqui e ao dia de hoje: é, sinceramente, a capacidade do povo brasileiro de acreditar em si mesmo e no nosso país. Foi em meio à descrença de tantos que querem falar em seu nome... O povo – principalmente ao povo – devemos esse momento atual.

É como se houvesse uma mão invisível – não a do mercado, da qual já falaram tanto, mas outra, bem mais sábia e permanente, a mão do povo – tecendo nosso destino e construindo nosso futuro. Não creio que seja uma coincidência o fato de a Petrobras ter descoberto as grandes reservas do pré-sal justamente num momento da vida política nacional em que o povo também descobriu em si mesmo grandes reservas de energia e de esperança. Num momento em que o país, deixando para trás o complexo de inferioridade que lhe inculcaram durante séculos, aprendeu como é bom andar de cabeça erguida e olhar com confiança para o futuro.

Muito obrigado, companheiros."

domingo, agosto 02, 2009





O presidente Lula, o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, e o ministro do Turismo, Luiz Barretto, estiveram em Belo Horizonte (MG) nesta sexta-feira (31/7), onde participam da formatura de turmas do Plano Setorial de Qualificação para beneficiários do Programa Bolsa Família (Planseq Bolsa Família) na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG).

Foram 457 formandos dos Municípios de Belo Horizonte, Betim, Florestal, Nova Lima, Matozinhos, Rio Acima e Rio Manso, beneficiários do Bolsa Família que fizeram cursos de pedreiro, encanador, pintor, eletricista e auxiliar de escritório.

A Grande BH tem outros 746 alunos matriculados em cursos nas áreas de construção civil e turismo.

O Planseq Bolsa Família é uma ação coordenada pelos Ministérios:
- do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS);
- Ministério do Trabalho e Emprego;
- Ministério do Turismo;
- Casa Civil.

Tem como meta qualificar 172,5 mil beneficiários do Bolsa Família em todo o País, sendo 146,6 mil na área da construção civil e 25,9 mil na área do turismo.

O propósito para o setor de construção civil é capacitar os beneficiários para as vagas surgidas com as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a meta é qualificar é 17,8 mil beneficiários na construção civil e 2,1 mil no turismo.

Atualmente, em todo o País, já são 128,3 mil inscritos e 24,8 beneficiários em sala da aula (20,5% do total de inscritos).

Beneficiários do bolsa família trabalham mais do que famílias mais abastadas

A secretária nacional de Assistência Social do MDS, Rosilene Rocha, destacou a importância do Planseq Bolsa Família como uma das ações voltadas para emancipação das famílias beneficiadas pelos programas sociais.

Segundo ela, os três principais objetivos do Bolsa Família são:
- O primeiro objetivo do Bolsa Família é matar a fome;
- manter os filhos na escola e observar calendário de vacinação;
- qualificação profissional das famílias pobres.

Rosilene Rocha lembrou, ainda, que os números do Bolsa Família demonstram que o programa tem sido um elemento de incentivo para os beneficiários se reestruturarem.

O Planseq reforça essa característica.

"Dados do IBGE e do Ibase mostram que entre os beneficiários do Bolsa Família, 77% estão em alguma atividade de trabalho, contra 73% verificado entre famílias não beneficiárias", pontuou.

Quem chama trabalhador que recebe bolsa-família de preguiçoso, é ignorante e imbecil, diz Lula

Em seu discurso o presidente Lula falou:

"Eu não me importo mais com isso (críticas). Eu atingi uma idade que não tenho mais o direito de se ofender com essas coisas...

... alguns dizem assim... o Bolsa-família é uma esmola ... o Bolsa-família é assistencialismo ... o Bolsa-família é demagogia ...

... Tem gente tão imbecil, tão ignorante, que fala que o Bolsa-família é para deixar as pessoas preguiçosas ... porque quem recebe o Bolsa-família não quer mais trabalhar ...

... a ignorância é de tal magnitude, que as pessoas pensam, que um ser humano vai ganhar R$ 85 e vai deixar de ter perspectiva de ganhar os R$ 616 que a Mônica [uma das formandas] vai ganhar tendo um trabalho decente ...

...As pessoas que pensam que o Bolsa Família é isso são as mesmas que acham que o cara mora num barraco na favela porque quer, que o povo é pobre porque é vagabundo, porque não quer trabalhar, estudar. Ou seja, essa forma simplista de ver as coisas não permite sequer que esse ignorante lembre que o País é dividido entre as pessoas que tiveram oportunidade e as que não tiveram oportunidade".


José Paulo Kupfer
Bolsa-família: muito barulho por nada
É impressionante a resistência das elites brasileiras a distribuir a renda neste país. Esta é uma frase que escrevo, de tempos em tempos, há muitos e muitos anos. Lamento muitíssimo repeti-la tanto. Mas não tem jeito: a resistência é incansável, férrea. Muito impressionante mesmo.
O último exemplo é a gritaria com o reajuste dos benefícios do Bolsa-família. O aumento de 9,68% decidido pelo governo, a vigorar a partir de setembro, desencadeou uma onda de ataques à decisão. De generosidade com o bolso alheio à falta de provisão para fazer o bem com o dinheiro dos outros, o governo está sendo malhado como um judas fora de época.
Atacam, de cara, o reajuste. Se tomassem meio minuto para consultar números básicos, verificariam que se trata de uma crítica sem base. De 2003, quando as bolsas começaram a ser pagas, até o novo valor do benefício, previsto para vigorar até 2011, o aumento da bolsa ficou em 40,07%. No período, considerando índices de 4,5% em 2009 e 2010, o IPCA variou 41,07%. Ou seja, o valor real do benefício permanece praticamente o mesmo desde o início do programa.
Escandalizam-se com o fato de que não há previsão orçamentária para fazer frente ao aumento agora decretado. Ora, ora, senhores, mas qual é o drama? O Bolsa-família, até o fim do ano, com a incorporação de mais 1,3 milhão de famílias, alcançará cerca de 13 milhões de famílias, e nem assim absorverá mais de 0,8% do Orçamento da União. Falando na língua que os críticos entendem bem: um corte de 0,1 ponto percentual na taxa Selic paga toda a conta do programa.
Além de bater nos “estragos” fiscais que, na visão deles, o reajuste provocaria, os soldados da resistência à distribuição de renda desceram da prateleira aquele amontoado de argumentos de palanque, sem sustentação nos fatos, a respeito da falta de mecanismos de saída do Bolsa-família e seu caráter assistencialista. Triste ver como encaram os brasileiros em situação de pobreza e miséria como meros números que perturbam o equilíbrio fiscal.
Se fossem lá ver ou, pelo menos, procurassem se informar com terceiros independentes sobre o que ocorre nas áreas em que o Bolsa-família opera, correriam menos riscos de se surpreender, como se surpreenderam ao descobrir que o programa funcionava e alcançava, com inesperada eficácia, o público-alvo.
Você sabe como se chama a porta de saída do Bolsa-Família? Chama-se Planseq. Veja abaixo:
Certificados de conclusão de curso serão entregues, na próxima segunda-feira (3/8) em Goiânia, aos formandos do Plano Setorial de Qualificação (Planseq-Bolsa Família), na área de turismo.
Planseq - O Planseq-Bolsa Família é uma ação coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Ministério do Trabalho e Emprego e Casa Civil e tem como meta qualificar 172,5 mil beneficiários do Bolsa Família em todo o País, sendo 146,6 mil na área da construção civil e 25,9 mil na área do turismo. O propósito para o setor de construção civil é capacitar os beneficiários para as vagas surgidas com as obras do PAC.
Público alvo – O Planseq-Bolsa Família foi idealizado para atender beneficiários do programa de transferência de renda, homens e mulheres que tenham mais de 18 anos e pelo menos a 4ª sé rie do ensino fundamental completa. A participação não é obrigatória e o beneficiário não será excluído do Bolsa Família se fizer os cursos. Além de Belo Horizonte, as aulas serão ministradas em outras 11 regiões metropolitanas do País (Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Curitiba e Porto Alegre) e mais as cidades de Vitória, Goiânia, Palmas, São Luís, Aracaju, Maceió e Campo Grande.
Na área do Turismo, as vagas serão distribuídas pelas capitais e o Distrito Federal (com exceção de Rio Branco, Porto Velho e Teresina). Os cursos são de garçom, cozinheiro, padeiro, barman, mensageiro, camareiro, atendente de agência de viagens e auxiliar de eventos e têm duração média de 200 horas, divididas entre teoria e prática. Eles são gratuitos e os participantes receberão transporte e lanche. As inscrições são feitas nas agências do Sistema Nacional de Emprego (Sine) ou nos Centro s de Referência de Assistência Social (CRAS).







Brasil poderá assumir a liderança mundial num projeto reformista que implique uma mudança multidimensional “conduzida por homens de boa vontade para criar uma nova civilização”.

”Nosso pensamento está muito preso ao passado”




Para Edgar Morin, intelectuais devem ampliar participação nas reformas do mundo atual

Antonio Gonçalves Filho - O Estado SP





Aos 88 anos, o filósofo, sociólogo, historiador e economista francês Edgar Morin trocou a revolução (”reduzida a uma dimensão violenta”) pela metamorfose, que, para ele, traduz uma “transformação natural e radical”; ao mesmo tempo, prossegue investindo contra a onda neoliberal que virou tsunami no mundo globalizado e, sobretudo, proclama o surgimento de uma religião da fraternidade, resultante do fato “de estarmos perdidos e, assim, necessitarmos uns dos outros”. Se há, como sempre, combatividade em suas palavras, o que se nota hoje neste que se destaca como um dos mais vigorosos pensadores em atividade na Europa é uma absoluta crença num futuro mais humanista - que, para tanto, passa pelo Brasil.

Morin, a propósito, passou pelo País no último mês, a convite do diretor regional do Sesc São Paulo, Danilo Santos de Miranda. Veio para o relançamento da página dedicada a ele no Portal SescSP. E aproveitou para proferir - com o apoio do espaço cultural Universo do Conhecimento -, uma palestra sobre a urgência de um novo modelo geopolítico, Pensar o Sul. Depois dela, recebeu a reportagem do Estado para uma entrevista exclusiva.

Nela, Morin anunciou uma nova montagem de seu clássico documentário Crônica de Um Verão, feito em parceria com Jean Rouch em 1960. Comentou também assuntos relacionados a três livros seus recentemente lançados, O Ano Zero da Alemanha (Editora Sulina, 319 págs., R$ 60) e, pela Bertrand Brasil, O Mundo Moderno e a Questão Judaica (208 págs., R$ 35), Cultura e Barbárie Europeias (108 págs., R$ 29), e o segundo volume de Cultura de Massas no Século XX - Necrose (208 págs., R$ 35).

De todos, o mais controvertido talvez seja O Mundo Moderno e a Questão Judaica, em que Morin - judeu marrano que abordou, entre outros temas, o preconceito racial em Crônica de Um Verão - afirma que o Estado de Israel possui uma marca dominadora e colonizadora. Na entrevista, ele não se mostra otimista a respeito de uma solução política entre judeus e palestinos. Defende a intervenção no plano internacional dos EUA e países europeus - e não teme que o chamem mais uma vez de traidor. Lembra que já foi chamado assim em relação à França por sua oposição à guerra da Argélia e também de “traidor do socialismo” por haver resistido à sedução stalinista. Está pronto para ser chamado de “traidor dos judeus” por ter manifestado sua “compaixão pelos palestinos que sofrem as misérias e humilhações de uma ocupação”.

Na entrevista a seguir são reproduzidos excertos de uma conversa que durou mais de três horas. Entusiasmado, Edgar Morin pediu que ela se prolongasse por mais um dia, pois queria falar sobre a “grandeza do Brasil”. Como Stefan Zweig, ele acredita que este seja mesmo “o país do futuro”, mas que precisa, antes, enfrentar seu maior obstáculo: a corrupção. E sugere para isso uma reforma no campo educacional, defendendo a transdisciplinaridade e o incentivo à ideia de solidariedade, que irá prevalecer necessariamente no futuro, segundo o filósofo.

Os trunfos do Brasil em relação ao restante do mundo, diz Morin, estão na miscigenação cultural e na biodiversidade da Amazônia. Se o País souber aproveitar isso, assegura, poderá assumir a liderança mundial num projeto reformista que implique uma mudança multidimensional “conduzida por homens de boa vontade para criar uma nova civilização”.

Certa vez o senhor disse que, para a educação reformar o espírito, ela precisaria ser reformada. Como a educação pode mudar num mundo em que o conhecimento parece servir mais a interesses econômicos que culturais?

É sempre o problema da transformação das instituições. Nesse sentido, é conveniente lembrar o exemplo da Universidade de Berlim criada por um educador prussiano liberal, Humboldt, no começo do século 19 (em 1810), e que marcou profundamente a educação europeia, fornecendo o modelo de outras universidades ocidentais. Da mesma forma, o pensamento neoliberal fornece hoje um modelo de universidade que precisa ser revisto, para que a reforma educacional acompanhe uma reforma moral, baseada na solidariedade planetária, e melhore a qualidade de vida. Para isso é preciso mudar nosso modo de pensar. Ou seja, no lugar de separar o conhecimento em compartimentos, devemos pensar como a complexidade pode levar a um conexão entre esses vários modos de pensar. Há, hoje, algumas universidades que resistem ao processo de uniformização do conhecimento, e uma delas fica no Peru, o que me leva a crer que uma reforma educacional acontecerá primeiro na América Latina e só depois na Europa. No Brasil, por exemplo, vejo algumas iniciativas na escola secundária que poderão frutificar, assim como nos centros de formação do professor.

O senhor fala muito em reforma. Parece que a palavra revolução foi abolida de seu vocabulário. O tempo das revoluções chegou ao fim?

Bem, eu prefiro trocar a palavra revolução, que está desgastada pelo uso, por metamorfose. E por quê? Porque a palavra revolução foi reduzida a uma dimensão violenta. Essa violência cria apenas sistemas autoritários, como bem provou a União Soviética. Já a metamorfose permite uma transformação natural e radical como a de uma borboleta, que se destrói e se constrói para se transformar, para adquirir novas habilidades, como a de voar.

Já que tocou nesse tema, o da metamorfose, num de seus livros, O Homem e a Morte, o senhor fala de religião como um problema fundamental da humanidade, uma dificuldade de aceitar o fim. Deus ainda é um conjunto de ideias ou ele tomou outra configuração à medida que o senhor se aproxima do seu centenário?

No livro mencionado, parto da constatação de que, desde que os seres humanos surgiram, essa é uma questão fundamental da humanidade, sempre às voltas, desde tempos remotos, com religiões que tentam superar a morte. Então, temas como o renascimento e as religiões salvacionistas precisam ser estudados - a história de um Deus que morre e renasce, como a de Jesus, é fascinante. Nas sociedades arcaicas existem os espectros, os espíritos dos mortos, mas não Deus, e sim deuses, que são ideias, mas que obrigam comunidades a exigir sacrifícios humanos. Então, a questão é saber se as sociedades modernas podem viver sem religião. Não acredito em religiões de revelação, como o cristianismo e o islamismo, mas, além delas e das arcaicas, existe ainda uma terceira religião, que eu classificaria de laica, ou a religião da fraternidade humana. Estamos perdidos num pequeno planeta dentro de um sistema e, justamente por estarmos perdidos, precisamos ajudar uns aos outros. Assim, ou enfrentamos a metamorfose ou seremos destruídos.

A ideia de que se pode ser feliz, apesar disso, acompanha o senhor há pelo menos meio século, desde que rodou com o cineasta Jean Rouch o documentário Crônica de Um Verão, para o qual foi cunhada a expressão “cinéma verité”. Há mesmo uma possibilidade que o cinema seja a expressão da verdade, se ele passa por um processo de montagem, sempre um ato subjetivo, eletivo?

Quando rodamos Crônica de Um Verão, novos equipamentos cinematográficos estavam sendo testados, entre eles gravadores de som direto, que nos permitiram sair às ruas e perguntar aos entrevistados se eles se consideravam felizes. Fui muito influenciado na época pela linguagem de Robert Flaherty e Dziga Vertov e por um filme de Lionel Rogosin, rodado um ano antes de nosso documentário e chamado Come Back Africa (sobre o apartheid na África do Sul e como a separação racial afetou a vida de todos, do cidadão comum à cantora Miriam Makeba). Inicialmente, após um jantar, pensamos, eu e Jean Rouch, em chamar o filme de Como Vive Você? Já, então, pretendíamos explorar a questão da felicidade não apenas do ponto de vista material, mas psicológico. Temendo que ficasse um pouco monótono por conta dos depoimentos e das discussões sobre racismo e a guerra da Argélia, resolvemos incluir cenas de Saint-Tropez para introduzir um elemento alegre, o que resultou no título final. Na época, fomos muito criticados por conta da expressão “cinéma verité”. Diziam que não éramos portadores de nenhuma verdade, que tudo não passava de uma interpretação, e nos defendíamos dizendo que não tínhamos a pretensão de representar a verdade, e sim de procurar por ela. Não via o filme desde a morte de Jean Rouch (ocorrida em 2004) e, ao revê-lo, no ano passado, senti que ele está mais atual que nunca, ao falar da juventude desorientada dos anos 1960, que se parece muito com a de agora. Rodamos mais de 25 horas e ainda há muito material - que eu julgava perdido -, para explorar sobre ele. Recuperamos os negativos e estamos remontando com quatro horas de duração, pois a montagem original foi um massacre. Talvez possamos ter uma nova versão do filme em 2010.

No livro que acaba de ser lançado no Brasil, O Mundo Moderno e a Questão Judaica, o senhor afirma que o Estado de Israel tem uma marca colonizadora e dominadora. Como vê a solução para o impasse da questão palestina e o futuro das relações entre judeus e palestinos?

Chegamos ao momento crítico da situação. Israel não abre mão de seu atual modelo de desenvolvimento econômico, que implica a expansão territorial e a afirmação de sua marca colonizadora. O tempo da paz se desintegrou. Vale dizer, Israel passou de uma concessão sionista, socialista, de esquerda, para uma concepção nacionalista, com a religião ocupando cada vez mais o papel principal nessa história. Acho que essa desintegração impede que qualquer tipo de negociação de fato aconteça. Além disso, há o problema da Palestina, dividida em duas, sendo o Hamas outro grande obstáculo para a paz. Infelizmente, mesmo com a mudança da política americana após a saída de Bush, Obama ainda terá de enfrentar o conservadorismo de quem detém o poder em Israel. Temos a solução nas mãos, mas a política de Israel é contra ela. Só acredito numa pressão internacional forte dos EUA e da Europa, que até agora se mostrou passiva.

Nesse sentido, um dos problemas críticos do mundo globalizado parece ser o inevitável choque de civilizações. Parece cada vez mais grave o confronto entre a cultura ocidental laica e o fundamentalismo islâmico. Trata-se de um conflito entre o mundo ancestral e a modernidade?

Não diria que se trata propriamente de um conflito entre o mundo moderno e a ancestralidade. Seria um choque de civilizações se o mundo muçulmano não estivesse ocidentalizado. O problema é a identificação da cultura islâmica com o radicalismo de organizações terroristas. No desespero dos países árabes-islâmicos, onde a democracia fracassou, o povo se agarra na lei islâmica com tábua de salvação. Ocorre o mesmo do lado de Israel, onde a visão religiosa escamoteia um problema nacionalista. Não se trata, mais uma vez, de um choque das civilizações, mas de um retorno à barbárie.

O Brasil escaparia a essa barbárie? O senhor costuma dizer que a pluralidade do País reflete a grandeza do Brasil, um possível modelo para o mundo. Como e onde vê essa grandeza?

Para alguém que vem da Europa, um continente de nacionalidades fechadas, o Brasil sempre me pareceu aberto a outras etnias - e é essa civilização da mestiçagem brasileira que me interessa. Vejo a grandeza do Brasil na pluralidade étnica de Salvador e na biodiversidade da Amazônia. Acho, porém, que é importante a restituição dos territórios e o reconhecimento das culturas das populações indígenas, porque o mundo considera a Amazônia patrimônio da humanidade, mas pensa pouco na preservação dessas culturas. A noção de desenvolvimento hoje corrente pode ser devastadora para os índios - e não apenas para eles, mas para toda a humanidade, considerando que a integração dos índios à sociedade não pode significar a desintegração da cultura indígena. Isso pode trazer consequências graves, como a degradação da floresta pelo uso de pesticidas nos projetos agrícolas dos latifundiários. Claro, há também a questão urbana e a favelização das cidades, tão grave como o crescimento do número de carros em circulação. O Brasil é um país pacífico, sem espírito colonialista ou de revanche contra os outros. É também um país em desenvolvimento, embora esse desenvolvimento seja o da classe média - o que pode representar no futuro uma intoxicação consumista. É preciso, antes de consumir, recuperar o hábito de reparar os objetos para que o mundo não vire um depósito de sucata.

O senhor falou da grandeza da Amazônia. Como vê, então, a possibilidade de proteger a floresta com a precária educação ambiental dos invasores?

Assentar os migrantes é, de fato, um grande problema, e acho que a demora em fazer uma reforma agrária no Nordeste pode significar o avanço da agroindústria na Amazônia, um perigo para a ecologia, como já disse. Infelizmente, a corrupção no Brasil ainda é muito grande - considero mesmo o problema principal do País. Respeito profundamente o passado e o presente do presidente Lula, mas acho que ele tem de enfrentar essa máquina infernal do liberalismo econômico que ainda vai destruir a Amazônia e as culturas indígenas, que são não só um patrimônio brasileiro, mas de toda a humanidade.

Sendo a Amazônia um patrimônio universal, o senhor acredita que o mundo assistirá passivamente à destruição da floresta ou que o Brasil será forçado a permitir a vigilância - vale dizer, a intervenção - estrangeira?

A África arranjou um jeito de parar com a devastação ao pressionar os países ricos a ajudar economicamente quem vive da exploração da madeira. O Brasil não é um país pobre, mas vai precisar da ajuda internacional para proteger esse patrimônio - porque não se trata só do território amazônico, mas da água, um bem universal. E também da solidariedade. Essa é a palavra que vai reger o futuro da humanidade, não mais o individualismo e a burocratização, que é o reverso da solidariedade. A grandeza do Brasil será um exemplo para essa civilização do futuro, que eu chamo de civilização do Sul, calorosa em oposição à cultura anglo-saxônica. Essa não suporta o toque e, infelizmente, influenciou muito a cultura brasileira, que sempre subestimou sua capacidade. O brasileiro não só assimila bem outras culturas, mas demonstra uma curiosidade inusual, uma cordialidade única.

Seu discurso sobre solidariedade e um futuro mais humanista contrasta com o literário. A literatura contemporânea parece mais inclinada à distopia. Como o senhor analisa esse ceticismo dos escritores?

A crise da humanidade deve-se em parte a uma crise do pensamento. A filosofia contemporânea está muito presa ao passado. O mundo dos intelectuais é, ao mesmo tempo, positivo e negativo. Nunca se precisou tanto deles e, ao mesmo tempo, nunca se viu tanta superficialidade nesse mundo. Penso num romance de Victor Hugo que se chama Quatrevingt-Treize (alusão ao ano 1793, em que Luís 16 foi decapitado e Robespierre espalhou o terror). Trata-se de um romance que mostra o horror provocado também por intelectuais de diferentes ideologias - um herói é condecorado por bravura e ao mesmo tempo condenado por negligência. Também é um ajuste de contas de Hugo com a história francesa e a própria história. É difícil escrever sem refletir sobre o presente, imaginando apenas o futuro. Temos de interagir com o mundo, participar dele, não apenas observar o que acontece. É o que mostra Muriel Barbery em L?Élégance du Hérisson (romance sobre um intelectual autodidata que, disfarçado de zelador inculto, interage com os moradores de seu prédio, entre eles um japonês). Recomendo entusiasticamente. É uma pequena maravilha.

A cultura francesa perdeu o lugar que ela tinha no mundo. Ao que o senhor atribui essa falta de interesse?

Estamos falando da hegemonia da cultura norte-americana, mas é preciso lembrar a época do nouveau roman e da nouvelle vague, quando a cultura francesa estava no auge. Tratava-se, então, de uma literatura e um cinema experimental. O nouveau roman introduziu não apenas inovações que mudaram radicalmente o romance, como abordou temas até então ausentes na literatura. A nouvelle vague também foi um momento histórico importante, permitindo o advento do cinema de autor e uma liberdade nunca antes vista na escolha dos assuntos, não só na França como no resto do mundo. Isso vale tanto para os EUA como para o Brasil, se considerarmos o Cinema Novo como descendente da nouvelle vague. Não tenho acompanhando a produção contemporânea, mas a reverberação do movimento é inegável. Basta citar dois exemplos de ousadia não só formal como temática: Amores Perros e 21 Gramas, do mexicano Alejandro González Iñárritu. São filmes soberbos, ao lado do mais recente, Babel.

Frases

“O pensamento neoliberal fornece hoje um modelo de universidade que precisa ser revisto, para que a reforma educacional
acompanhe uma reforma moral e melhore a qualidade de vida. Para isso é preciso mudar nosso modo de pensar. No lugar de separar o
conhecimento em compartimentos, devemos pensar como a complexidade pode levar a um conexão entre vários modos de
pensar.”

“Não acredito em religiões de revelação, como o cristianismo e o
islamismo, mas, além delas e das arcaicas, existe ainda uma terceira religião, que eu classificaria de laica, ou a religião a
Fraternidade humana.Estamos perdidos num pequeno planeta
dentro de um sistema e, justamente por estarmos perdidos, precisamos ajudar uns aos outros.”

“O Brasil é um país em desenvolvimento, embora ele seja o da classe média, o que pode representar no futuro uma
Intoxicação consumista. É preciso recuperar o hábito de reparar os objetos para que o mundo não vire um depósito de sucata.”

A corrida pelo poder



Antonio Gonçalves Filho





O livro de estréia de Edgar Morin, O Ano Zero da Alemanha (1946), escrito quando ele tinha apenas 25 anos, acaba de ganhar sua primeira tradução brasileira. A obra chega no mesmo momento em que é lançado aqui O Mundo Moderno e a Questão Judaica. Entre ambos, a distância de 63 anos não diminuiu a importância do primeiro, que trata de um tema correlato: a corrida pelo poder. Se, em O Ano Zero da Alemanha, Morin analisa o momento de transição em que as potências mundiais disputam o espólio alemão após a morte de Hitler, em O Mundo Moderno e a Questão Judaica ele mostra como os acordos internacionais só servem para tornar ainda mais explosiva uma região marcada pela violência das disputas territoriais, analisando a ação de um Estado que nasceu justamente das ruínas do nazismo.

Dois outros livros de Morin também lançados este ano dialogam entre si: Cultura e Barbárie Europeias e o segundo volume de Cultura de Massas no Século XX. No primeiro, o ensaísta propõe uma reflexão sobre o avanço da barbárie. A obra mostra como a Europa sobreviveu a cinco séculos de dominação bárbara. No segundo volume de seu estudo sobre massificação cultural, apropriadamente batizado de Necrose, Morin analisa o tecido morto de um organismo que sobrevive às crises que estouram entre 1965 e 1975, obrigando o mundo a repensar o conceito de cultura, que, para o filósofo, significa a capacidade de quebrar, de transgredir as fronteiras entre os diferentes domínios do saber. Este, aliás, é o tema de seu livro Diálogo sobre a Natureza Humana, escrito com Boris Cyrulnik.

Um mosaico de sequências em oposição


Antonio Gonçalves Filho





É primorosa a edição de Crônica de Um Verão lançada pela Videofilmes. Vem com um encarte que traz o manifesto de Edgar Morin sobre o cinéma verité e faixas comentadas por Eduardo Escorel, Eduardo Coutinho e Carlos Alberto Mattos. No entanto, uma nova versão ampliada do documentário - que inaugurou o cinéma verité com base na experiência de Flaherty e nas teorias de Dziga Vertov -, deverá sugerir outras leituras. A montagem está sendo supervisionada pelo próprio Morin (uma vez que Jean Rouch não está mais entre nós).

Não se trata apenas de um problema técnico, esse o de reduzir 25 horas filmadas a quatro ou cinco horas. É certo que há meio século já foi difícil para a dupla Rouch-Morin extrair do material original um filme de apenas 85 minutos - ainda mais uma produção ambiciosa que usava a palavra ?verdade? para se vender. A simples transformação do tempo real em cinematográfico, segundo Morin, era capaz de produzir novos significados a partir da montagem - e, se na época, já foi difícil juntar depoimentos heterogênios sobre um tema um tanto vago - como você vive? -, 50 anos depois parece uma tarefa impossível.

Pelo menos agora Morin não será pressionado pela produtora, a Argos Filmes, a montar um filme palatável. Ele promete uma edição sem concessões. Em 1960, Morin concebeu essa montagem com base numa cronologia, que começava na primavera e terminava no outono, acompanhando a evolução de certo número de pessoas escolhidas para dar depoimentos sobre seu cotidiano - de um operário da Renault a jovens africanos imigrantes, passando por um mecânico e uma pesquisadora.

Todos esses personagens emergem da vida cotidiana para falar de seus sonhos e discutir temas como a guerra da Argélia, as relações inter-raciais e o exibicionismo moderno (o biquíni acabava de conquistar Saint-Tropez). A montagem de Rouch desses depoimentos chegou a uma edição final de sete horas. A de Morin, quatro. Morin eliminou três horas. Rouch não concordou. Morin queria um mosaico “composto de sequências em oposição” conduzidas pelo tema “como você vive”. Rouch queria um filme mais biográfico. Para complicar, o produtor Anatole Dauman não dava nenhum crédito a Morin e tampouco aceitava a montagem de Rouch.

Revendo o filme, é compreensível a preocupação do produtor. Os próprios personagens não gostam muito do resultado. Nem mesmo os realizadores. Ficam frustrados e decidem que o ideal seria fazer uma versão de quatro horas para ser exibida em cineclubes, porque Crônica de Um Verão não era apenas um filme etnográfico como os outros de Rouch, mas um documentário “existencial”. E isso implica assumir o olho da câmera como psicanalítico. Não foi por acaso que alguns críticos, na época, acusaram a dupla Rouch-Morin de fazer psicanálise com ela. Teriam os dois o direito de convocar pessoas para um projeto como esse?

Passados quase 50 anos, essa é uma pergunta ainda difícil de responder, especialmente quando se acompanha o depoimento de uma deprimida. O filme é híbrido e desordenado, como admite Morin, mas de uma coisa ninguém pode acusá-lo: falta de ousadia.

sexta-feira, julho 31, 2009

O Copom e as Contas Públicas

Hoje o Comitê de Política Monetária – Copom completa treze anos e um mês de existência. Nasceu em 20 de junho de 1996 com a finalidade de estabelecer as diretrizes da política monetária e a taxa básica de juros Selic.



A sistemática de "metas para a inflação" como diretriz de política monetária foi regulamentada pelo Decreto 3.088 de 21/06/99. Desde então, a política monetária passou a ter como objetivo cumprir as metas para a inflação definidas pelo Conselho Monetário Nacional. O único instrumento para isso é a Selic.



Desde o início do funcionamento do Copom até 19 de julho de 2006, a Selic esteve acima de 15% ao ano, com média neste período de 20,5%, inflação de 6,9%, ou seja, uma taxa real de 12,8%! Só a partir de 20 de julho de 2006, ou seja, há três anos que a Selic passou a ficar abaixo de 15% ao ano. Assim, desde a existência do Copom até três meses atrás é provável que o Brasil tenha ostentado o desonroso título de campeão mundial da mais alta taxa básica de juros. Essa é a maior distorção macroeconômica da economia brasileira que contribuiu para travar o crescimento econômico e causar forte dano às finanças públicas.



Como a Selic baliza de forma direta ou indireta todas as demais taxas de juros da dívida pública, ela é a determinante básica das despesas com juros nas contas públicas do País. De forma direta, ela atua na proporção que representa na composição da divida em títulos selicados e de forma indireta para os demais títulos, pois o investidor toma sua decisão de aplicação nas várias modalidades de títulos comparando a rentabilidade delas com a proporcionada pela Selic.



Para estimar o impacto fiscal de uma política monetária diferente da praticada desde o início de 1997 até fins de 2008, admitindo que o setor público fizesse o mesmo esforço fiscal efetuado, ou seja, fossem mantidos os mesmos superávits primários – diferença entre as receitas e despesas exclusive os juros – a dívida líquida do setor público poderia estar hoje zerada caso a Selic média fosse de 13,6% ao ano ao invés da ocorrida de 18,7%. Nessa condição, a economia proporcionada pela redução das despesas com juros de 1997 a 2008 atingiria em valores atuais R$ 1,4 trilhões!



Esta Selic média de 13,6% é 2,6 vezes maior do que a praticada pelos 30 países membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesse mesmo período, que foi de 5,1%.



O que importa para as contas públicas não é o resultado primário, mas sim o resultado nominal, que é a diferença entre todas as receitas e despesas, inclusive as financeiras. Sua evolução tem sido favorável. De 1995 até 2002, o déficit nominal médio anual foi de 6,6% do PIB e sempre acima de 4% nesses anos. A partir de 2003, ficou abaixo de 4% e a média 2003 a 2008 foi de 3,0%. O melhor resultado ocorreu em 2008 quando o déficit foi de 2,1%. Para este ano poderá subir para 3%, pois as despesas com juros tendem a atingir 5% do PIB. Quando comparado internacionalmente, o Brasil está em posição favorável. Excluindo os Estados Unidos, cujo déficit pode ultrapassar 13% neste ano, a maioria dos países desenvolvidos poderá apresentar déficits acima de 6%.



A tendência da inflação no mundo e no Brasil é de se manter em níveis baixos devido à queda acentuada do comércio internacional, que obriga as empresas a direcionar parte substancial desta perda para seu mercado interno, além da redução da demanda interna em termos de consumo e investimentos. Caso o Copom avalie isso e venha a decidir por posicionar a Selic mais em linha com a prática da maioria dos bancos centrais, as despesas com juros poderão cair, abrindo espaço para reduções no superávit primário, fortalecendo políticas contracíclicas e possibilitando melhores resultados fiscais. Caso contrário, o País continuará a ter que suportar despesas com juros, que nos últimos doze meses encerrados em maio atingiram R$ 159 bilhões, o mesmo nível ocorrido desde 2005.



Despesa de tal monta limita políticas contracíclicas de desonerações tributárias, impede a queda na carga tributária e maiores investimentos nas áreas sociais e na infraestrutura.



Como a atividade econômica neste ano aponta para pouco ou nenhum crescimento do PIB, o principal impacto nas contas públicas é de queda real na arrecadação, como verificado neste primeiro semestre. As ações fiscais contracíclicas sem a redução dos juros e aumento da arrecadação, apesar da redução do superávit fiscal, podem caminhar assim para o seu esgotamento.



Para o País retomar o desenvolvimento econômico com contas públicas em equilíbrio é absolutamente necessário que o Copom continue reduzindo a Selic no ritmo das últimas reuniões, até atingir níveis compatíveis com a realidade internacional, o que já poderia ter sido feito.

O Fretado em São Paulo









O serviço de ônibus fretado atende a uma parcela da população de maior renda. São pessoas que moram em cidades num raio de até 100 quilômetros da capital ou em bairros distantes e trabalham na cidade de São Paulo. Apesar de possuírem automóvel, preferem a comodidade do ônibus em que podem ir lendo o jornal, livro ou até mesmo dormindo, além da economia com combustível, pedágio e estacionamento.

A cidade de São Paulo não oferece um transporte público de qualidade. A rede metroviária é a menor entre as grandes capitais do mundo. O metrô de São Paulo é o mais lotado de todos; na linha 3 – Vermelha chegam a ser transportados mais de nove passageiros por metro quadrado, sendo que os técnicos recomendam o máximo de seis. A rede da CPTM que atende a cidade também não apresenta qualidade. Trens velhos e superlotados, estações centenárias sem acessibilidade e conforto configuram o quadro caótico da empresa.

A gestão do transporte sobre pneus a cargo da Prefeitura de São Paulo também não anda bem das pernas. O sistema, que na gestão da petista Marta Suplicy era bem avaliado pelos usuários, agora apresenta um baixo desempenho. Isso porque a gestão Serra/Kassab não continuou o projeto do Interligado deixado pela administração anterior.

A construção de corredores de ônibus foi pífia. Apenas poucos quilômetros do corredor da Avenida Vereador Diniz foram construídos e o Expresso Tiradentes, que já se encontrava parcialmente pronto, teve continuidade. O corredor de ônibus é essencial para aumentar a velocidade dos ônibus e melhorar a mobilidade urbana.

Além disso, a gestão Kassab não gerencia de forma adequada os corredores que estão prontos. Há invasão da faixa exclusiva para ônibus por carros particulares sem que haja fiscalização. O pavimento de boa parte deles está repleto de buracos, o que reduz a velocidade e causa desconforto aos passageiros.

A Prefeitura tinha anunciado a construção de seis corredores, mas houve resistência de alguns moradores de regiões de classe média e editoriais contrários de alguns jornais, causando o recuo do prefeito.

A renovação da frota está parada e as empresas foram autorizadas a rodarem com ônibus velhos, o que os contratos não permitem. O Interligado prevê ainda a construção de mais terminais de ônibus para facilitar o transbordo de passageiros, a instalação de GPS (sistema de localização e monitoramento) em todos os ônibus e modernização da gestão das empresas. Pelo cronograma inicial, ele deveria estar integralmente implantado, com mais de 300 quilômetros de corredores de ônibus, frota renovada constantemente, novos terminais e serviço de qualidade em 2008.

Nada disso foi feito e a Prefeitura tem optado pelo transporte individual em detrimento do coletivo. Houve redução da frota com aumento do número de passageiros. Como resultado a qualidade do transporte público ofertado pelo município piorou com ônibus cheios e desconforto dos usuários.

E esse sistema é o principal da cidade, pois transporta mais de oito milhões de pessoas diariamente, segundo dados da SPTrans, enquanto o Metrô transporta 3,5 milhões. De janeiro a maio de 2009, houve crescimento de 15,21% no número de passageiros nos ônibus municipais, sem contrapartida no aumento da frota.

O prefeito, ao invés de priorizar o transporte municipal sob sua gestão, criou o factóide de estar investindo no Metrô. Na verdade, do bilhão prometido, menos da metade chegou de fato à Companhia do Metropolitano de São Paulo. E como a Companhia não possui projetos para alavancá-lo, esse dinheiro ainda não está sendo gasto. Deveria primeiro ter terminado o Interligado que está só pela metade, oferecendo um serviço de qualidade para os usuários do transporte municipal que é a obrigação do prefeito Kassab. Depois de pronto o Interligado, aí sim, mandar recursos para o Metrô, que é da alçada do governado estadual.

A cidade de São Paulo precisa de pelo menos 200 quilômetros de Metrô, possui somente 61,3 quilômetros. Mas enquanto a cidade não tem essa malha, uma rede municipal eficiente poderia no médio prazo suprir a necessidade de transporte coletivo da metrópole.

É assim que cada vez mais o paulistano corre para o automóvel como meio de locomoção. E à medida que isso ocorre, os congestionamentos também aumentam proporcionalmente. E a Prefeitura sob gestão do Kassab não sabe o que fazer. Não tem proposta.

Primeiro, além de investir pesado no transporte municipal, deveria montar uma rede de semáforos inteligentes para melhorar o fluxo. É muito comum atualmente vários faróis ficarem apagados, prejudicando o trânsito em vias muito movimentadas. Em dia de chuva isso é uma constante. Contratar mais profissionais para a Companhia de Engenharia de Trânsito – CET, orientar e fiscalizar o trânsito dotá-los de equipamentos de comunicação e de guinchos para retirar rapidamente os veículos que quebram na via.

São soluções sistêmicas que exigem competência e planejamento. Na gestão paulistana nada disso está presente. O prefeito escolheu o caminho mais fácil e transformou o serviço de ônibus fretado em bode expiatório.

Provocou o caos em várias vias da cidade e está dificultando a vida de milhares de pessoas que utilizam o sistema para trabalhar. Além disso, incentiva a utilização do veículo particular, pois muitos usuários manifestaram que a partir de agora, pelas dificuldades impostas, vão preferir ir de carro a usar o transporte público pela má qualidade ofertada. Ou seja, tende a piorar o trânsito da cidade.

Os passageiros do fretado tiveram seus custos de transportes aumentados, por serem obrigados a pegar o metrô e mais um ônibus para chegar ao trabalho, terão desembolso adicional de R$ 187,50 por mês, ou R$ 2.062,50 anualmente.

A gestão dos transportes em São Paulo está sendo feita de improviso. Falta planejamento, competência e prioridade ao transporte público. Uma cidade com mais de 11 milhões de habitantes não pode ficar a mercê de uma gestão que não sabe o que faz e que não tem projetos.

segunda-feira, julho 27, 2009

Os jornalistas brasileiros

Os jornalistas brasileiros foram uma categoria de suma importância no combate a ditadura militar e na redemocratização do país. Vários foram perseguidos pela ditadura, presos, torturados e mortos como é o caso do Vladimir Herzog.

Os jornalistas se formavam na própria redação. Muitos vinham de famílias de baixa renda e após serem linotipistas acabavam por se transformarem em jornalistas. Fato que não acontece mais atualmente, pois pessoas de baixa renda dificilmente conseguem emprego de jornalista numa redação.

Na década de 1990 com o neoliberalismo, o jornalismo virou uma mercadoria como outra qualquer. O que importa é o quanto vai render. Principalmente depois da passagem dos tucanos pelo governo federal. Abriu-se a caixa de pandora e no jornalismo brasileiro passou ao vale tudo. Atualmente na grande imprensa mercantil o que importa é o interesse das famílias donas dos meios de comunicação. A verdade fatual não é mais buscada e sim o quanto a informação publicada vai render a essas famílias.

O jornalista não tem liberdade de escrever sobre o que acha de determinado assunto. Atualmente é impossível um jornalista do chamado Partido da Imprensa Golpista, composta pela Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Globo, rádio CBN, Rede Globo, revista Veja e de outros veículos de comunicação, escrever qualquer matéria positiva sobre o governo Lula. Ou então negativa sobre o governador José Serra. Aliás, Serra, segundo informações da própria imprensa, liga para os donos dos jornais pedindo a cabeça de quem escreve algo contra seu governo. Ele instalou o terror nas redações.

Como escreveu Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra, fica patente que só tem liberdade de expressão quem tem capital e manda as redações escreverem de acordo com a determinação mercantil da empresa.

E essas empresas capitaneadas principalmente pelas famílias Marinho, Mesquita, Frias e Civita, apesar de haver outras, determinaram que são oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Isso por motivos ideológicos, visto que essas famílias não são democráticas, apoiaram o golpe de estado de 1964 e porque o governo Lula não atende aos interesses mercantis delas. Quando o governo federal pulveriza as verbas publicitárias para distribuí-las melhor entre vários veículos, grupos empresariais como Folha, Estado, Globo e Abril deixam de ganhar milhões de reais.

O contrário acontece no governo de São Paulo, que em troca de blindagem, gasta milhões de recursos públicos com elas. São verbas como as que foram para a Rede Globo de propaganda da Sabesp (no Acre), da assinatura de revistas da Editora Abril e de jornais do grupo Folha.

Assim José Serra, como foi com Collor de Mello, tem apoio desses meios de informação. Eles estão fechados para usarem de todos os meios para tentá-lo colocar na presidência da república. Todas as notícias que são desfavoráveis a Serra e ao seu partido, o PSDB não são publicadas ou são escondidas em páginas internas. O mesmo se estende ao seu preposto, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab e seu partido o DEM.

Isso quebra qualquer sentido de imparcialidade do jornalismo. É só ler as matérias das capas dos jornais para perceber que sempre tem uma matéria negativa ao governo federal e no governo do Estado de São Paulo nem se toca.

E não faltam motivos para se investigar o governo de José Serra e seu partido. A começar pelo Rodoanel, obra superfaturada, conforme relatório do Tribunal de Contas da União - TCU, ao cartão corporativo estadual que não preza pela transparência, à CDHU, ao descalabro administrativo do Rio Grande do Sul, aos escândalos do prefeito Beto Richa de Curitiba.

No Senado Federal, a ordem das famílias midiáticas é derrubar o presidente José Sarney. Não por amor a moralidade pública ou outra causa nobre. Mas para assumir o senador tucano Marconi Perillo de quem há denúncias graves e a partir dessa cabeça de ponte desestabilizar o governo Lula e tentar o impeachment. Isso porque a aposta que a oposição fez da crise econômica deu em marolinha, a candidata Dilma vem crescendo exponencialmente no jogo sucessório e ficou bem claro que o candidato José Serra empacou e não cresce mais.

De forma orgânica a mídia tem batido todo dia no presidente do senado. Todos os jornais, portais, revistas e demais meios de comunicação são pautados por alguma notícia desfavorável ao Sarney. Falar do senador tucano Arthur Virgílio e o empréstimo com Agaciel Maia nem pensar, ou do demista Efraim Morais e as dezenas de fantasmas. O objetivo da mídia não é a lisura dos negócios públicos e sim os ganhos que possam vir a ter com um governo tucano. O Quércia era o demônio para a imprensa quando apoiava o PT em São Paulo e agora virou o queridinho da mídia por apoiar os tucanos.

Somente com a queda de José Sarney e Marconi Perillo ficando na presidência é que os tucanos, demistas e pepistas têm alguma chance em 2010. Poderão dificultar as obras do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, aprovação de leis que são essenciais ao governo e ainda poderão entrar com pedido de impeachment do presidente Lula. Esse é o objetivo central.

E disso sabem os jornalistas que publicam as matérias diariamente nos jornais. Ninguém é ingênuo. Esses jornalistas são oriundos da classe média brasileira. Muitos deles são ideologicamente fechados com o PSDB. Seguem de forma bovina o que mandam os donos das redações. Alugam o corpo do pescoço para cima.

A cobertura que estão fazendo para criar fatos para a CPI da Petrobras é vergonhosa. Estão mentindo, distorcendo fatos e agindo até de forma fascista. Basta ver as respostas desmentindo tudo, que a Petrobras vem dando no blog Fatos e Dados.

A empresa foi porcamente gerida na gestão tucana e os jornalistas nem se lixaram para o destino dela e do país.

Na gestão petista o lucro, investimento, produtividade e prêmios internacionais cresceram exponencialmente. E a empresa é atacada. Duvido que a Rede Globo, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo ou a Editora Abril tenham uma administração mais eficiente. Pelo contrário essas empresas, vira e mexe, estão de pires na mão atrás de recursos do BNDES e de salvação governamental.

Ao mexer com a Petrobras os jornalistas brasileiros estão tentando destruir um patrimônio que é de todo povo brasileiro. Estão agindo como os oficiais nazistas que em Nuremberg, disseram que cumpriram ordens. Serão julgados pela história.

Na seleção para trabalhar nos veículos que compõem o Partido da Imprensa Golpistas, o jornalista selecionado precisa ter a ideologia de direita, ou então vender o corpo do pescoço para cima. Triste realidade para uma categoria que era vista como elitista.

Mas nem tudo está perdido, pois tem outros veículos como Carta Capital, Revista do Brasil Fórum, entre outros que estão trabalhando de forma correta. Nessas redações há liberdade de imprensa, pois o jornalista não é obrigado a se prostituir. Ele escreve o que acha que deve, de acordo com a sua consciência.

Isso coloca na ordem do dia a necessidade de democratização de acesso aos meios de comunicação. O BNDES pode abrir linha de financiamento para fortalecer outras empresas de comunicação e que novas sejam criadas. Também portais devem ser criados e estimulados na internet além de popularização da banda larga. As rádios comunitárias precisam de apoio e o espectro eletromagnético (cada canal pode se transformar em quatro) da televisão digital deverá ser distribuído para instituições como sindicatos, ONGs e outras que representem o povo brasileiro.

Não dá mais para meia dúzia de famílias determinarem o que vai ser informado ao povo brasileiro de acordo com os seus interesses ideológicos e financeiros.

Na I Conferência de Comunicação esse tema precisa ser tratado. Só haverá democracia no Brasil quando não houver concentração midiática e esses meios passarem por controle social, como é feito nos países desenvolvidos.

Isso também será muito bom para a categoria dos jornalistas, pois não precisarão mais vender o corpo do pescoço para cima para manter os seus empregos e poderão contribuir para a construção de uma nação justa e desenvolvida, que precisa de um jornalismo fatual e imparcial.

Por que o Globo e o PiG estão mais aflitos do que nunca



Saiu no Globo, na primeira página deste sábado: “Governo errou total de mortos por gripe suína. O Ministério da Saúde reconheceu ter errado ao anunciar anteontem que o numero de mortos por gripe suína já chegara a 34. Cinco casos foram incluídos indevidamente na lista. Ontem, com a confirmação de mais quatro vitimas em São Paulo, o total de óbitos no Brasil chegou a 33.”



Por Paulo Henrique Amorim, no Conversa Afiada



Este é o sexto título da primeira página do Globo contra o Governo Lula, neste sábado. De todos os jornais impressos – em vias de extinção – do PiG (Partido da Imprensa Golpista), o Globo é o mais desatinado.A “notícia” sobre os números da gripe suína chega a ser ridícula.O Globo e a Globo joga todas as fichas na crise com que pretende derrubar o Presidente Lula.



Qual crise? Qualquer crise. A do Sarney. A da Petrobrás. A gripe suína. Qualquer uma serve. Desde que o Presidente Lula caia. Ou não faça o sucessor.



Falta pouco para a eleição e o Globo, o PiG e a elite branca (e separatista no caso de São Paulo) não têm candidato a Presidente da Republica. E o que é pior: podem perder o centro de operações golpistas, o Governo de São Paulo, com a provável vitória de Ciro Gomes.



Pela primeira vez, São Paulo deve vir a ter um governador de inclinação trabalhista — e isso se tornará possível com o descalabro que é a administração demo-tucana, por 15 anos.



O Globo, o PiG e a elite branca não podem deixar a Dilma tomar posse, porque ela significa um prolongamento do Governo Lula, com um porrete na mão. Dilma não é Lula. Dilma não vai perder a oportunidade histórica que o Presidente Lula perdeu: apressar o fim e criar alternativa ao PiG.



Dilma vai para cima do PiG — é o que se deduz do que ela já fez com a Folha. Desmoralizou a Folha e a ficha policial fraudada. (O Presidente Lula engoliu tudo em seco, sem esboçar reação diante dos mais sórdidos ataques que sofreu do PiG.)



Mas, a Globo, em especial, tem outro motivo para estar aflita. Nós éramos felizes e não sabíamos, disse, um dia, um diretor da Globo, ao se referir à chegada da internet. A hegemonia da Globo é uma questão de tempo. No campo específico do mercado de televisão, ela passou a enfrentar um concorrente — a Record — que tem bala na agulha.



Por causa da Record, Silvio Santos resolveu também botar bala na agulha. E a Globo sofre do mal que aflige todas as redes de televisão abertas no mundo: a iminente concorrência da televisão na internet.



A Globo detém entre 45 e 50% da audiência da tevê aberta brasileira. Com isso, ela detém entre 70 e 75% da publicidade da tevê aberta brasileira. Se a TV é responsável por 50% de toda a verba de publicidade do Brasil, a TV Globo, uma única empresa, controla entre 35 e 40% de toda indústria publicitária do país.



Ou seja, com menos de 50% da audiência, ela põe no bolso — uma única empresa — põe no bolso R$ 0,35 de cada R$ 1 investido em publicidade no país. Isso só é possível na subdemocracia brasileira. E nenhuma nova democracia do mundo — com exceção da Rússia, talvez — ocorre essa concentração.



Isso só é possível porque o Legislativo, o Executivo e o Judiciário têm medo da Globo. Quando o Supremo Presidente Gilmar Dantas tomou posse na Suprema Presidência do Supremo, quem estava na primeira fila, em posição proeminente, era um dos filhos do Roberto Marinho.



No dia seguinte à vitória na eleição de 2002 (quando deu uma surra no Serra por 61% a 39%) o presidente eleito Lula ancorou o jornal nacional. O chefe do lobby da Globo em Brasília, Evandro Guimarães, atende no Congresso pelo nome de “Senador Evandro”. Muitas das leis que regem a indústria de comunicação no Brasil são de sua autoria, ainda que assinadas por insignes congressistas (de quase todos os partidos…).



O problema da Globo, neste momento, não é apenas a falta de candidato. (A relação dos filhos do Roberto Marinho — eles não têm nome próprio — com o Zé Pedágio é estrutural, genética.) O problema é que Zé Pedágio não ganha.



Nassif acha que ele apanha se for candidato a Presidente. Aliás, a Dilma deve achar que ele é o adversário ideal — para perder. Como o Dr. Tancredo sempre achou que outro paulista, o Maluf, era o candidato ideal — para perder…



Neste momento, o desespero da Globo se deve, também, à Conferência da Comunicação marcada para 1º de dezembro. É uma conferência para discutir tudo sobre comunicação. Com membros de diversos setores da sociedade brasileira. De onde pode sair uma legislação do tipo “Lei da Comunicação de Massa”, que Sergio Motta começou a redigir, Fernando Henrique jogou fora depois que ele morreu, e nunca o presidente Lula tratou de ressuscitá-la.



O projeto de Lei de Comunicação de Massa não tem nada que já não exista na legislação americana, onde prevalece um regime de concorrência privada na televisão e onde o capitalismo é ainda mais selvagem do que aqui.



A Globo teme que depois da Record, do novo SBT, e da internet ainda venha alguém com uma ideia de jerico para contestar a hegemonia obscena que ela detém no mercado brasileiro. E o perigo de a internet se anabolizar com o dinheiro das teles? E aparecer vídeo em celular e em computador e o “Caminho das Índias” virar commodity.



A Globo não resiste ao YouTube. Os custos fixos da Globo exigem que ela detenha 70, 75% da verba de publicidade do Brasil. É por isso que o Globo e a Globo estão desesperados. E dizem que o governo não sabe contar os mortos da gripe suína… O que pode sair de uma Conferencia da Comunicação num ambiente eleitoral?



O Globo, o PiG e a elite branca estavam acostumados a fazer a agenda do país. Determinar o que estava na pauta e o que não poderia entrar em pauta. A queda do muro do neoliberalismo, o governo Lula e a internet mudaram a pauta.



E se vier uma nova pauta para a indústria da comunicação? Uma que nem o Senador Evandro seja capaz de segurar?

Lançado o livro "A Ditadura da Mídia"




A mídia hegemônica vive um paradoxo. Ela nunca foi tão poderosa no mundo e no Brasil, em decorrência dos avanços tecnológicos nos ramos das comunicações e das telecomunicações, do intenso processo de concentração e monopolização do setor nas últimas décadas e da criminosa desregulamentação do mercado que a deixou livre de qualquer controle público. Atualmente, ela exerce a sua brutal ditadura midiática, manipulando informações e deturpando comportamentos. Na crise de hegemonia dos partidos burgueses, a mídia hegemônica confirma uma velha tese do revolucionário italiano Antonio Gramsci e transforma-se num verdadeiro “partido do capital”.

Por outro lado, ela nunca esteve tão vulnerável e sofreu tantos questionamentos da sociedade. No mundo todo, cresce a resistência ao poder manipulador da mídia, expresso nas mentiras ditadas pela CNN e Fox para justificar a invasão dos EUA no Iraque, na sua ação golpista na Venezuela ou na cobertura tendenciosa de inúmeros processos eleitorais. Alguns governantes, respaldados pelas urnas, decidem enfrentar, com formas e ritmos diferentes, esse poder que se coloca acima do Estado de Direito. Na América Latina rebelde, as mudanças no setor são as mais sensíveis.

No caso do Brasil, a mídia controlada por meia dúzia de famílias também esbanja poder, mas dá vários sinais de fragilidade. Na acirrada disputa sucessória de 2006, o bombardeio midiático não conseguiu induzir o povo ao retrocesso político. Pesquisas recentes apontam queda de audiência da poderosa TV Globo e da tiragem de jornalões tradicionais. O governo Lula, com todas as suas vacilações, adota medidas para se contrapor à ditadura midiática, como a criação da TV Brasil e a convocação da primeira Conferência Nacional de Comunicação.

Este quadro, com seus paradoxos, coloca em novo patamar a luta pela democratização da mídia e pelo fortalecimento de meios alternativos, contra-hegemônicos, de informação. Este desafio se tornou estratégico. Sem enfrentar a ditadura midiática não haverá avanços na democracia, nas lutas dos trabalhadores por uma vida mais digna, na batalha histórica pela superação da barbárie capitalista e nem mesmo na construção do socialismo. Aos poucos, os partidos de esquerda e os movimentos sociais percebem que esta luta estratégica exige o reforço dos veículos alternativos, a denúncia da mídia burguesa e uma plataforma pela efetiva democratização da comunicação.

O livro A ditadura da mídia tem o modesto objetivo de contribuir com este debate. Não é uma obra acadêmica, mas uma peça de denúncia política. Ela não é neutra nem imparcial, mas visa desmascarar o nefasto poder da mídia hegemônica e formular propostas para a democratização dos meios de comunicação. O livro foi prefaciado pelo professor Venício A. de Lima, um dos maiores especialista no tema no país, e apresenta também um comentário do jornalista Laurindo Lalo Leal Filho, ouvidor da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Ele reúne cinco capítulos:

1- Poder mundial a serviço do capital e das guerras;
2- A mídia na berlinda na América Latina rebelde;
3- Concentração sui generis e os donos da mídia no Brasil;
4- De Getúlio a Lula, histórias da manipulação da imprensa;
5- Outra mídia é urgente: as brechas da democratização.

O exemplar custa R$ 20,00. Na venda de cotas para entidades (acima de 50 exemplares), o valor unitário é de R$ 10,00. Para adquirir sua cota, escreva para: aaborges1@uol.com.br.

quinta-feira, julho 23, 2009

Selic cai 0,5%. Juros reais cai a 4,4% ao ano


O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) cortou hoje (22) a
taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual.
Os juros caíram de 9,25% para 8,75% ao ano.
Foi a quinta redução da taxa Selic em 2009, no total de 5 pontos percentuais, pois a
taxa começou o ano em 13,75%.
Com a decisão de hoje, os juros reais calculados para os próximos 12 meses
(descontada a inflação) caem dos atuais 4,9% para 4,4% ao ano.
Em nota à imprensa, o Copom informou que a decisão foi unânime.
Em um movimento inédito, o Brasil se distancia do pódio de juros reais mais altos do
mundo e ocupa agora a quinta posição do ranking elaborado pela Uptrend Consultoria
Econômica, com base das 40 maiores economias.
As taxas de juros reais mais elevados são:
- Venezuela: 20,3% ao ano.
- China: 7,1% ao ano;
- Hungria: 5,6% ao ano;
- Tailândia: 5,5% ao ano;
- Argentina 4,9% ao ano.

A imprensa elitista brasileira é partidária e ideológica



Nossa imprensa se diz apartidária. Será que o PSDB, DEM e PPS não são mais partidos políticos? Até a eleição de 2010, o jornal Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, O Globo e as organizações Globo vão azucrinar o governo federal como nunca antes fizeram com qualquer outro governo. Tudo isso para tentar colocar de novo no poder os partidos que hoje estão na oposição, principalmente o governador José Serra, que nessa eleição tomará o lugar quem em 1989 foi ocupado por Fernando Collor de Melo. Assim a mídia vai piorando as matérias à medida que chegar perto do pleito de 2010. As manchetes dos jornais que o digam, principalmente O Globo que, segundo o blog da Petrobrás, muitas das matérias publicadas contra a empresa são manipuladas, preconceituosas e mentirosas. Aliás, a imprensa brasileira mantém matérias contra a Petrobras, para manter na ordem do dia a CPI da Petrobras, que ela tem interesse, pois a mídia brasileira acha que o petróleo brasileiro não deve beneficiar os brasileiros e sim as empresas multinacionais e contra José Sarney. O objetivo é derrubar o José Sarney da presidência do Senado para assumir o tucano Marconi Perillo, sobre o qual repousam denúncias tão ou mais graves do que as de Sarney. Já que é para moralizar, a imprensa também deveria pautar o governo corrupto de Yeda Crusius no Rio Grande do Sul, o de Beto Richa em Curitiba no Paraná e as denúncias de merenda estragada, propina da Alstom em São Paulo. Mas o objetivo não é a moralidade pública e sim desestabilizar o excelente governo do presidente metalúrgico.

quarta-feira, julho 22, 2009

MP investiga mulher que deu "Prêmio-Mico" a Zé Pedágio


O Ministério Público do Estado de Santa Catarina investiga denúncia de irregularidade no Hospital Municipal Ruth Cardoso, de Balneário Camboriu (SC). O hospital foi construído por meio de uma parceria entre prefeitura, governo estadual e a ONG Organização Mundial da Família (WFO), que é presidida pela dra. Deise Kusztra a mesma que deu um “Prêmio-Mico ao governador José Serra.

O hospital está pronto há oito meses sem que tenha sido inaugurado. O MP apura a responsabilidade do caso, pois o Ruth Cardoso corre o risco de ter suas instalações e equipamentos deteriorados.

A partir de uma indicação do amigo navegante Claudiney, o Conversa Afiada apurou que a denúncia contra a Dra. Deise Kusztra, da WFO, é iniciativa do próprio prefeito da cidade, Edson Renato Dias (PSDB). Apesar de ser tucano, o prefeito atende pelo apelido de “Periquito”.

Veja abaixo o post do blog Onipresente, indicado pelo Claudiney:

Ministério Público quer saber detalhes sobre Hospital Municipal Ruth Cardoso

Informa Aderbal Machado em

http://www.aderbalmachado.com.br/noticia/noticia.php?id=4582

http://abcnoticias.com.br/noticia/noticia.php?id=4583

(Esse Hospital fica no Balneário de Camboriú)

O Dona Ruth Cardoso, onde foram investidos R$ 27 milhões numa parceria entre governo do estado, município e a Organização Mundial da Família (WFO). Com instalações prontas a cerca de oito meses, desde o final do ano passado, o hospital esta fechado e os equipamentos correm risco de deterioração porque há impasse no governo municipal sobre a forma de gestão e custeio das despesas.

Após análise da resposta da requisição ministerial efetuada pelo Ministério Público da Comarca de Camboriú, sobre as obras e funcionamento do Hospital Municipal Ruth Cardoso, a Promotoria de Justiça requisitou informações a várias entidades, dentre elas, a WOF (Organização Mundial da Família)presidida pela Dra. Deise Kusztra sobre a comprovação do cumprimento das obrigações contratadas com a municipalidade. A prefeitura acusa a entidade de descumprimento de vários itens previstos no contrato.

Mesmo procedimento foi inteposto à Secretaria de Estado da Saúde, com o intuito de proceder uma vistoria no estabelecimento hospitalar, a fim de verificar se já restaram sanada todas as irregularidades apontadas em parecer técnico, elaborado pelo Núcleo de Análise de Projetos Básicos de Arquitetura, órgão vinculado a Diretoria de Vigilância Sanitária Estadual.

Leia a íntegra no blog Onipresente

E veja também o que diz o blog do MP de Santa Catarina sobre esse caso:

Após análise da resposta da requisição ministerial efetuada pelo Ministério Público da Comarca, ofertada pelo Senhor Prefeito Municipal, sobre as obras e funcionamento do Hospital Municipal, esta Promotoria de Justiça está requisitando informações adicionais e esclarecedoras as entidades O.M.F (Organização Mundial da Família) e a UNAPMIF (União Nacional das Assoc. de Proteção à Maternidade, infância, Família e Entidades Sociais Afins) sobre a comprovação do cumprimento das obrigações contratadas com a municipalidade, já que esta informa a inadimplência daquelas em alguns itens previstos no contrato;
Igualmente, foi requisitado a Secretaria de Estado da Saúde, para realizar uma vistoria no estabelecimento hospitalar, a fim de verificar se já restou sanada todas as irregularidades apontadas em parecer técnico nr. 112/ANARQ/07, elaborado pelo Núcleo de Análise de Projetos Básicos de Arquitetura, órgão vinculado a Diretoria de Vigilância Sanitária Estadual e, se ainda persistir alguma, esta obsta o regular e bom funcionamento do nosocômio;
Ainda, requisitou-se ao Sr. Prefeito Municipal para informar quem está realizando a manutenção, conservação e segurança dos equipamentos, utensílios, móveis em geral, que se encontram no interior do estabelecimento hospitalar e, sendo outro órgão público ou privado, comprovar documentalmente; Como também declinar uma previsão de tempo para a abertura e funcionamento do referido hospital.

No sítio http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=14673

FRAUDE


Honduras: Milhares marcham por democracia e contra Zelaya

Essa é a informação principal do portal Terra às 19:00 horas do dia 22 de julho. Primeiro na foto aparecem um punhado de pessoas e não milhares como diz o portal. Será que o portal Terra apoia o golpe de estado em Honduras? Porque não noticia as mortes que estão ocorrendo de quem não aceita o golpe e está lutando pelo restabelecimento da democracia? Por que não diz da censura a imprensa que está ocorrendo no país pelos golpistas? As pessoas da foto não parecem gente da população mais pobre de Honduras e sim da elite. Esse golpe de estado não dará certo, apesar do apoio do Partido da Imprensa Golpista que o apóia. O jornalismo praticado no Brasil é vergonhoso. A democracia não é um bem superior ao jornalismo brasileiro. Não é à toa que o jornal Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e O Globo apoiaram de forma emtusiamada o golpe militar de 1964 no Brasil. Bem parecido com esse que está ocorrendo em Honduras.

domingo, julho 19, 2009

O Partido da Imprensa Golpista



A denominação de Partido da Imprensa Golpista - PIG para a grande mídia mercantil brasileira nasceu no sítio Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorim.

Ela foi elaborada ao se constatar que o jornalismo brasileiro age de modo sincronizado e militante para derrubar o excelente governo Lula. As pautas dos meios de comunicação que fazem parte do PIG são feitas de forma uniforme, centralizada e com o mesmo objetivo.

Faz parte do PIG toda a grande mídia brasileira, mas os que se destacam são os jornais Folha de São Paulo, O Globo e o Estado de São Paulo, a rádio CBN, a televisão Globo e a revista Veja. Eles se revezam em criar factóides que depois coincidentemente são repercutidos nos demais membros do PIG.

A ideologia do PIG é a da direita conservadora das elites brasileiras. A mesma que norteou o golpe de estado de 1964, que o PIG apoiou de forma entusiasmada. Ela se assenta, sobretudo nos partidos PSDB, DEM e PPS. Esses partidos são protegidos pelo PIG, principalmente quando paira qualquer denúncia de corrupção sobre algum membro deles. Vide o governo tucano da Yeda Crusius no Rio Grande do Sul, ou do Beto Richa de Curitiba. Quase nenhuma linha, e quando fazem alguma matéria a produzem em tom defensivo.

O Estado de São Paulo, do governador tucano José Serra é um capítulo a parte. O PIG o blindou totalmente. A CPI da CDHU que foi implantada na Assembléia Legislativa de São Paulo não teve quase nenhuma repercussão na imprensa. Aliás, a ALESP não tem cobertura do jornalismo, a oposição ao governador José Serra não é ouvida. Isso é que é democracia. Enquanto a oposição ao governo Lula tem espaço garantido no Jornal Nacional, a oposição estadual em São Paulo nunca aparece. Motivos não faltam como o caso Alstom, o superfaturamento no Rodoanel (conforme relatório do Tribunal de Contas da União), a linha 4 – Amarela do Metrô, entre outros.

A blindagem do PIG também é estendida ao seu preposto, o prefeito da cidade de São Paulo, Gilberto Kassab. A imprensa mercantil foi fator essencial na reeleição do Kassab. Enquanto malhava a candidata do PT, protegia o prefeito. E hoje vemos que o Kassab superestimou a receita no orçamento da capital, a merenda servida as crianças da cidade apresentam condições higiênicas inadequadas, o transporte público está ruim, a saúde está aquém das condições da cidade, entre outras mazelas. Mas, como os filhos dos donos dos meios de comunicação não estudam em escola pública, eles não usam a saúde municipal e não andam de transporte coletivo, tanto faz. Não há críticas ao Gilberto Kassab, do DEM, no jornalismo paulistano. O SPTV da Globo, comandado pelo Carlos Tramontina nunca critica o prefeito. E também a oposição na Câmara Municipal nunca é ouvida.

O PIG não é só contra o governo Lula e o Partido dos Trabalhadores, ele é contra tudo que é política de esquerda no mundo e na América Latina. Os jornais brasileiros fizeram um carnaval contra o terceiro mandato de Hugo Chávez, presidente da Venezuela, mas se calaram quando o presidente Álvaro Uribe, da Colômbia obteve a possibilidade do terceiro mandato. Assim como noticiam de forma burocrática o golpe em Honduras.

No mundo, o PIG está ideologicamente muito próximo do Partido Republicano dos Estados Unidos. Apoiou o golpe de estado na Venezuela, de forma dissimulada o de Honduras, a invasão do Iraque, da Faixa de Gaza por Israel e sempre repercutiu a versão do Departamento de Estado estadunidense sobre todas as questões mundiais. Até parece que há um PIG mundial e o brasileiro é apenas uma filial. Nunca nenhum comentarista brasileiro se posicionou contra a tortura em Guantánamo, feita pelos Estados Unidos. Aliás, tudo que esse país faz, tem o respaldo do PIG.

Na economia o PIG é neoliberal, acha que políticas de equalização de renda, como o Bolsa-Família é esmola por atingir os mais pobres, que o Estado não deve intervir na economia, apesar de no mundo inteiro, essa intervenção estar acontecendo, pois senão teríamos a maior crise econômica de todos os tempos. O PIG desconversa sobre a presença do Estado na economia quando o Citibank e a General Motors foram estatizadas para evitar a derrocada dessas empresas. Dessa forma o mercado tão defendido pelo PIG não é tão eficiente assim. A mão invisível de Smith sumiu e aparece agora a mão visível do Estado.

Para o Partido da Imprensa Golpista os gastos efetuados pelo Estado com custeio são sempre ruins. Os jornalistas não explicam que do custeio está a manutenção de escolas, hospitais, de rodovias e de toda estrutura do Estado. Essa estrutura atende aos mais pobres. Como as famílias dos meios de comunicação não usam essa estrutura, assim como a maioria dos jornalistas que trabalham nessas empresas, eles criticam esses gastos. Para isso têm até um nome que é figurinha carimbada para fazer a crítica, o do economista Raul Veloso. Esse por certo não usa serviços públicos, pois é muito bem pago para dizer o que diz.

Qualquer relatório do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional - FMI, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE ou de qualquer outra instituição falando mal do Brasil, terá toda repercussão do PIG. Isso sem qualquer crítica, sem questionar métodos ou defender o país. Aliás, o Partido da Imprensa Golpista tem vergonha de ser brasileira, a sua ideologia é a da elite brasileira, de subordinação aos países desenvolvidos. São vassalos do mundo rico.

O grande ideólogo do PIG é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Sim o mesmo, que casuisticamente mudou a Constituição para obter a reeleição. Foi um ato ilegal e comprando votos do Congresso Nacional para votar a favor da emenda. Mesmo sendo imoral, teve apoio do PIG. Fernando Henrique foi um senador obscuro, que graças a se apossar do Plano Real, feita pelo presidente Itamar Franco, foi eleito presidente da República. Quebrou o país três vezes, multiplicou por dez a dívida pública, aumentou à carga tributária em cerca de 10% do PIB, elevação a dívida pública de 30% do PIB para 57%, o desemprego chegou a níveis estratosféricos, privatizou a telefonia, que atualmente, apesar de ter uma das tarifas mais caras do mundo, apresenta um dos piores serviços. Deu de graça a Vale do Rio Doce, boa parte da Petrobras e várias outras empresas. Pois bem, para o PIG esse é o verdadeiro estadista, apesar de ter sido um péssimo governante para o povo brasileiro, que não o quer mais nem como vereador.

No jornalismo, atualmente o membro mais feroz do PIG é a Folha de São Paulo, que depois que a Veja se queimou em sucessivas matérias que acabaram com a credibilidade da revista, a Folha assumiu a posição de cachorro louco contra o excelente governo do presidente Lula, que tem 80% de aprovação do povo brasileiro. O irônico nisso tudo é a propaganda do jornal dizer que ele é apartidário. Desde quando o PSDB deixou de ser um partido político?

A Folha queima os últimos cartuchos adquiridos na década de 1980, quando saiu na frente dos outros periódicos cobrindo grandes movimentos populares, como a Diretas-Já. Atualmente sobre o comando do Otavio Frias Filho, o jornal trabalha com o fígado não com a razão. Principalmente porque, ao contrário do que aconteceu no passado, quando o jornal era lido pela esquerda, atualmente o seu leitor é das classes A e B, os mais conservadores no espectro político-partidário brasileiro. Dessa forma até 2010, a Folha e o sítio UOL sempre estamparão manchetes negativas ao governo federal. Quando a notícia for positiva ou não publicarão ou darão um jeito de apresentá-la de forma negativa como aconteceu muitas vezes recentemente. Os militantes mais fiéis da ideologia do jornal são a Eliane Cantanhêde, Josias de Souza, Clóvis Rossi, entre outros.

Na televisão, o Jornal da Globo é o mais reacionário, apesar dos jornais apresentados pelo Boris Casoy, na Bandeirantes e o Carlos Nascimento, no SBT, não ficarem muito longe. O tom professoral do Willian Waack e a cara de desesperada da Cristiane Pelajo dão o rumo ao jornal. Nunca falam bem do governo federal e chegaram ao requinte de apresentar uma matéria de extração de petróleo no interior da selva amazônica sem citar o nome Petrobras.

A Rede Globo dispensa apresentação quando da manipulação de matérias visando beneficiar seus candidatos, como o Fernando Collor de Mello que as Organizações Globo, apoiou e elegeu. Atualmente o Collor foi substituído pelo governador José Serra que tem torrado montanhas de dinheiro público com propaganda na emissora, principalmente com a Sabesp e o Metrô. Assim, como em 2006 ajudou ao Alckmin a chegar ao primeiro turno, a Globo tentará o mesmo com o Serra.

No rádio, a CBN e a Rádio Jovem Pan se destacam. A CBN tem um time de primeira, quando é para falar mal do governo federal e bem do Serra. Nela trabalham a Miriam Leitão, o Heródoto Barbeiro, o Milton Jung, Lucia Hipólito, Carlos Sardemberg, Gilberto Dimenstein e o Arnaldo Jabor.

O PIG é preconceituoso, principalmente quando trata de movimentos organizados como o Movimento Sem Terra – MST, sindical como ficou evidenciado em matéria do jornal O Globo que critica a participação de sindicalistas na Petrobras, mesmo eles sendo funcionários da empresa; estudantil, como o Congresso da Une que não teve cobertura e demais movimentos que sempre são criminalizados.

A manipulação faz parte das táticas do Partido da Imprensa Golpista. Os ataques diários contra a Petrobras dão a dimensão de como estão desesperados. É só consultar o blog Fatos e Dados da Petrobras para verificar que manchetes dos jornais O Globo, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo entre outras são mentirosas. A empresa vem desmentindo diuturnamente esses jornais.

Quando a Petrobras era dirigida pelos tucanos, sendo preparada para ser privatizada e vários acidentes ocorreram entre eles o afundamento da maior plataforma de petróleo do mundo a P-36, a imprensa brasileira não tratava de forma pejorativa a empresa como vem fazendo atualmente.

Na gestão petista multiplicaram-se os lucros, os investimentos e a imagem da empresa no mundo. Recentemente ela ganhou um prêmio como a 4ª melhor empresa do mundo, saiu de 63ª para 34ª maior empresa do mundo, descobriu o petróleo no pré-sal e representa 10% do PIB brasileiro. A empresa tem sido elogiada pelo mundo inteiro a não ser no Brasil.

O jornalismo brasileiro se aliou a oposição do PSDB, DEM e PPS, para tentar quebrar a empresa. Notícias que são desmentidas são publicadas diariamente de forma desavergonhada. O PIG segue a máxima de Joseph Goebbels, propagandista de Hitler, de que uma mentira repetida mil vezes se transforma em verdade. É nessa tecla que batem.

Só não contavam que a Petrobras iria criar o blog e desmenti-los. Esse jornalismo envergonha o país. O objetivo deles além de desestabilizar o excelente governo Lula é que o petróleo do pré-sal fique com as empresas multinacionais que estão descontentes com os rumos que a exploração petrolífera vem tendo no Brasil. Para o PIG, assim como ocorreu com o ouro das Minas Gerais, no período colonial, indo parar na Inglaterra e financiar a revolução industrial, o país deve ficar com uma pequena porção dos frutos da exploração petrolífera, o grosso da riqueza deve ir para o exterior, via remessa de lucros e dividendos.

O objetivo do governo Lula é que a maior parte da riqueza do petróleo fique no Brasil e vá constituir um fundo para construir um sistema educacional decente para o povo brasileiro, para a saúde e infra-estrutura.
Pela primeira vez um recurso natural vai beneficiar o povo brasileiro como um todo e não apenas uma pequena elite que sempre se apropriou das riquezas do país.

O Partido da Imprensa Golpista, assim como o PSDB, DEM e PPS são contrários a que isso aconteça. Eles agem em consonância com os interesses estrangeiros.

Desenvolver o país e melhorar a vida do povo brasileiro não interessa. Os interesses do PIG com a oposição são imediatos. É a implantação das mesmas políticas necrófilas que foram implantadas pelos PSDB no período em que governaram o país junto com o DEM e o PPS.

É isso, o objetivo deles é destruir de novo o Brasil e para isso vão manipular manchetes, inventar crises políticas e tentar desestabilizar o excelente governo Lula.

A liberdade de imprensa só existe para as famílias que são donas dos meios de comunicação. Eles podem tentar moldar o país sob a sua ótica, em benefício deles mesmos e em detrimento da população brasileira.

Urge a democratização dos meios de comunicação. Para isso é necessário o controle social como ocorre nos países ricos, a responsabilidade pelo que é publicado, novas normas de concessão de rádio e televisão, melhor distribuição das verbas públicas de propaganda, visando ampliar o número de periódicos, a democratização da internet, via barateamento da banda larga para que o povo tenha outros meios para se informar.

Assim ganha importância a primeira conferência de comunicação que ocorrerá em dezembro desse ano. Essa conferência poderá indicar novos rumos que tirem o país da ditadura midiática em que hoje se encontra.

Somente com a democratização dos meios de comunicação poderemos construir uma democracia e uma nação justa e desenvolvida no Brasil.