E o Globo continua sua saga anti-impostos. Nada que espante muito. Em 1954, o Globo afirmava, orgulhoso: "em suma, desejamos falar sempre por aquela imensa maioria de brasileiros que o sr.João Gourlart, em seu arrivismo oratório, denomina 'os reacionários' ".
Chato eu vir aqui cumprir o papel de advogado do diabo, quer dizer, dos impostos, mas me preocupa observar como esta nova bandeira da oposição vai, aos poucos, tomando corpo. O que está em jogo não é somente a questão tributária, mas os altos interesses nacionais. A classe média, mais uma vez, entra como massa de manobra das elites. A classe média brasileira é muito abestalhada. Acha que é rica em relação aos pobres e pobre em relação aos ricos. Ideologicamente, é o segmento mais cobiçado pelas diferentes forças partidárias, midiáticas, políticas. De fato, é fundamental, para uma determinada força política, conquistar a classe média. Não para alcançar o poder, pois quem decide eleição hoje é o voto do pobre e as doações de campanha dos ricos. O apoio da classe média, todavia, é importante para consolidar o poder no longo prazo. Por isso, o DEM, orientado pelo arguto César Maia, está procurando se firmar como o partido da classe média.
No entanto, do meu ponto-de-vista, o que acontece é uma grande operação de iludir a classe média, de fazê-la pensar que ficará melhor ao lado dos ricos do que dos pobres. A grande mídia, por exemplo, tenta se vender como defensora dos interesses da classe média quando, em verdade, seu único interesse está na classe alta. A disparidade de renda entre a reduzida mas poderosa classe alta e a classe média, no Brasil, é abissal. E a classe média, deslumbrada com suas conquistas materiais diante da maioria pobre, não enxerga com clareza essas diferenças, até porque não são exploradas pela mídia.
A manchete do Globo de hoje (domingo, 16/03/2008) é: Brasileiro paga mais IR que contribuintes de países ricos. Bem, em primeiro lugar, temos uma mentira, ou desinformação, logo desmentida no subtítulo: "Seis das nações de IDG mais alto têm impostos menor para a classe média". Não se trata de brasileiros, mas de classe média. Tudo bem, distorção sem tanta importância. Passemos para a matéria principal, na capa do caderno de Economia.
O jornal traz uma tabela (imagem no início do texto) com seis colunas. São elas: nome dos países selecionados, posição no ranking do IDH (desenvolvimento humano), taxa de analfabetismo, expectativa de vida, renda per capita anual e alíquota do IR (Imposto de Renda) da classe média.
A colunas que interessa diretamente à matéria é a da alíquota do IR, que mostra que a classe média brasileira paga 27,5% de IR enquanto a classe média da Islândia (país número 1 do ranking da ONU) paga somente 23,5%. Outros países também tem alíquota menor que a do Brasil.
O que a matéria omite é o seguinte: a renda per capita da Islândia é de US$ 36.510 anuais, contra US$ 8.402 no Brasil. Ou seja, o islandês que paga 23,5% de IR desembolsa, por ano, US$ 8.397, enquanto o brasileiro gasta anualmente US$ 2.310 de IR. Considerando que o preço de uma aspirina é igual no Brasil e na Islândia, o poder de compra dos impostos, per capita, são muito superiores na Islândia do que no Brasil. Em termos absolutos, portanto, o islandês paga um IR mais de três vezes superior ao que paga o brasileiro.
A matéria diz que a classe média paga impostos por serviços públicos que não usa, reiterando o lugar comum de que os impostos no Brasil são altos e o serviço público é uma droga. Sobre o primeiro item, outra balela. A classe média usa, e muito, o serviço público, e quando paga plano de saúde ou educação privada, tem desconto no IR. O segundo item é uma idiotice, porque se o serviço público no Brasil é ruim, é evidente que não é cortando sua fonte de recursos que ele vai melhorar.
Acho interessante que se discuta a questão tributária no Brasil. Mas seria interessante que a imprensa fizesse pressão para que o Legislativo aprovasse uma reforma tributária que tornasse a cobraça de impostos mais racional e mais justa no país. Ora, e o que diz Miriam Leitão? Escuta essa: "O Brasil não fez até agora, nem fará, estas reformas este ano. Do ponto de vista legislativo, 2008 está quase terminando". Estamos na metade de março! E o Congresso esteve em recesso até o dia 2 de fevereiro! Como Leitão quer que o Congresso aprove uma das mais importantes reformas estruturais em tão pouco tempo? Por que ela, como força política que é, como quarto poder, não incentiva que a reforma tributária seja aprovada este ano? Por que não interessa a ela que o Brasil efetivamente se modernize?
Em sua coluna de hoje, aliás, Miriam Leitão superou a si mesma em matéria de agourar o futuro do país. Olha só que pérola: "O Brasil não está preparado para nenhum cenário (...) Se tudo der certo, haverá colapso (...) Se for contaminado [pela crise americana], o país enfrentará uma crise (...)"
É isso mesmo. O futuro é ruim mesmo se "tudo der certo". Essa é a Miriam Leitão que eu conheço. Parabéns por essa injeção de otimismo.
E ontem (sábado, 15/03), o Globo publicou um editorial interessante, sugestivamente intitulado "Um bicho papão". O próprio título revela a infantilização do leitor "ideal" do Globo, identificado como um anti-lulista, reacionário, "homem de bem", furioso, admirador do capitão Nascimento. Embora leve o chapéu "Outra opinião", o texto de Sacha Calmon, advogado, retrata fielmente as opiniões mil vezes repetidas do jornal. Olha o que diz o texto: "na verdade, a estabilidade deve ser creditada à macroeconomia do real, jamais aos diretores do BC lulista". Está aí a velha retórica, infantil, birrenta, de continuar atribuindo qualquer fator positivo da economia atual a governos passados e tudo de ruim ao governo atual. Leiam esse raciocínio: "Os norte-americanos baixam juros e tributos para crescer o setor privado (...)". Sacha se refere às medidas recentes do governo americano, para controlar uma das piores crises financeiras da história recente. Olha só, Sacha usa como referência um país em crise, que está injetando dezenas de bilhões do Tesouro Nacional (our, my, your money) em bancos, um país cujo governo gastou centenas de bilhões de dólares numa guerra idiota, que resultou em 1 milhão de mortos, aumento do terrorismo, aumento dos preços do petróleo, aumento da insegurança internacional, além da destruição total de um belo e rico país.
E ainda fala de juros altos sem lembrar que, por incrível que pareça, os nossos juros estão em seu patamar mais baixo em mais de duas décadas.
Voltando à Miriam Leitão, ela volta a menosprezar o crescimento do PIB. Teve início a tarefa hercúlea de minimizar os danos políticos provocados pelo anúncio do crescimento econômico de 5,4% registrado em 2007. O Brasil deve ser o único país do mundo onde economistas e colunistas de jornal ficam tristes quando o PIB cresce. Mais uma vez, compara-se Brasil à China. Ora, meus caros, a China é comunista, tem partido único, governo absolutamente centralizado, sem liberdade de imprensa. Não tem previdência rural, e a previdência social corresponde a um valor irrisório. O Brasil cresce com democracia, com todas as liberdades e seus custos, que são altos. Também não vale comparar com a Índia, com seu sistema de castas e a sua miséria grassando, impune e não combatida, em todo país. Também não vale comparar com a Rússia, maior exportadora de petróleo do mundo, num momento em que o petróleo está quase 120 dólares o barril.
O crescimento econômico brasileiro em 2007 tem que ser comparado, em primeiro lugar, com o crescimento econômico brasileiro dos últimos anos. Em segundo lugar, tem que ser analisado em profundidade. Que regiões, que setores, que camadas sociais cresceram? Outra questão fundamental: cresceu com inflação? Considerando esses dados, o crescimento verificado no Brasil não tem paralelo no mundo. Cresceu sem inflação, cresceu distribuindo renda, incluindo milhões de pessoas no mercado de consumo, cresceram as regiões mais pobres, cresceram os setores estruturais, a indústria de base, que prepara o país para mais crescimento no futuro, a venda de computadores, que já ultrapassou a de televisores. Sem contar que foi em 2007 que o Brasil registrou a descoberta dos novos campos gigantes de petróleo e gás, o que não é, definitivamente, um detalhe insignificante a ser omitido em análises econômicas.
O que acho curioso é os analistas afirmarem a importância do Brasil repensar o sistema tributário e quando o governo acena com a reforma tributária para este ano, não haver nenhuma pressão para que a mesma seja aprovada. Ao contrário, a oposição sinaliza com um comportamento apenas negativo, de obstruir os trabalhos legislativos, e contam com a... simpatia da mídia! É esquizofrênico, é contraditório. Tudo por quê? Para a reforma tributária não ser aprovada durante o governo Lula?
E ainda temos essas distorções da realidade tributária. O Brasil é um país caro, um país com mais de 40% de seu território ocupado pela chamada Amazônia Legal, uma região que gera pouca riqueza, mas que é crucial para o equilíbrio ambiental do mundo. Os impostos no Brasil são altos, mas é importante explicar as causas disso. Temos uma renda per capita baixa e uma grande massa populacional que paga pouco ou nada de imposto. Conforme as massas pobres forem sendo incluídas no mercado de consumo, como já está ocorrendo, e a um ritmo bastante acelerado, "a conta" do governo poderá ser dividida por mais gente. O crescimento do PIB e do PIB per capita também ajudará a reduzir a carga tributária, porque permitirá que o governo reduza os percentuais tributários sem prejudicar seu orçamento, que também precisa continuar crescendo, para fazer frente às necessidades de investimentos estrututais, sociais, ambientais e culturais.
Essa cruzada anti-tributária da mídia, do jeito que está sendo conduzida, aparenta ser apenas mais um movimento político-partidário, para jogar a classe média contra o governo. Por exemplo, se a mídia estivesse tão interessada em reduzir os tributos da classe média, ajudaria a pressionar a aprovação do imposto sobre as grandes fortunas, que existe em todos os países desenvolvidos. Aliás, essa é uma das razões principais da carga "relativamente" leve sobre as classes médias européias: suas elites financeiras são draconiamente tributadas. Porque será que a Miriam Leitão não fala sobre isso, héin?
O Globo, assim como a mídia, vem construindo, uma verdadeira mitologia anti-estatal. Essa é, a meu ver, a maior esquizofrenia da oposição partidária. PSDB e DEM querem o poder do Estado, mas compartilham dessa visão anti-estatal. O mínimo que se pede de autoridades do Estado é que valorizem o papel do Estado. Tucano-demos, além disso, são demagogos na questão tributária, visto que, no poder, foram o governo que mais elevou a carga tributária. Nos oito anos de FHC, a carga tributária cresceu 42%, enquanto nesses cinco anos de Lula, o crescimento foi de apenas 6%, com uma outra diferença básica: enquanto na era fernandista o desemprego e a informalidade da economia cresceram, nos anos lulistas ocorreu o contrário, caiu o desemprego e caiu a informalidade, o que explicaria inclusive esse aumento da carga. Sem falar das operações da PF e da Receita contra grandes sonegadores, que aumentaram muito de intensidade nos últimos anos.
Ah, detalhe, você sabia que o principal imposto do país é o ICMS, cobrado pelas federações? Ninguém quer falar nisso, né? Ninguém quer falar também que uma das metas do PAC, Programa de Aceleração do Crescimento, é justamente reduzir significativamentea carga tributária no Brasil, sobretudo da União.
Nos planos do PAC, consta a redução dos gastos com pessoal, por parte da União, dos atuais 5,3% do PIB em 2007 para 4,7% em 2010. Outro detalhe, o ano com gasto recorde com pessoal foi o último de FHC, 5,4% do PIB. E os tucanos ainda tiram onda de defensores de Estado mínimo... com ajuda da mídia, essa prestidigitadora que pregou no rabo do governo Lula a faixa de "gastador e empreguista de cumpanheiros".
O principal fator, entretanto, que obriga o Estado a cobrar tanto imposto é o endividamento público do país. Ganha uma tapioca quem adivinhar qual foi o governo que mais endividou o país na história recente? Ganhou quem disse: os tucanos! Pois é, parece até birra minha, achar que tudo de ruim foi feito por FHC. Já andei elogiando o Plano Real, e a estabilidade fiscal do governo FHC, mas pensando bem, nem por isso ele merece muito crédito, já que o Real foi feito mesmo pelo Itamar Franco e a estabilidade fiscal fernadista foi apenas teórica, já que embasada inteiramente na explosão do endividamento público, interno e externo.
A projeção do PAC é reduzir o endividamento público brasileiro dos atuais 48,3% do PIB (2007) para 39,7% ao final de 2010. Se o governo conseguir isso, e torçamos para que consiga (xô urubus), ganharemos bilhões para investir e desonerar impostos. A classe média brasileira, apesar do Globo e da Miriam Leitão, terá a possibilidade de ser mais feliz. Isso se deixar de ser otária e parar de acreditar que o Globo defende seus interesses. O que o Globo defende, seus trouxas, são os interesses dos milionários! Parem de acreditar que a mídia apenas defende o capitalismo, etc. O trabalhador humilde é o esteio de qualquer capitalismo que se preze. Nenhum capitalismo se consolida sem um vigoroso mercado consumidor, ou seja, sem tirar as pessoas da pobreza, sem dar acesso aos bens e serviços do mundo moderno. Portanto, há que se fazer política social, industrial, tributária e monetária visando o trabalhador simples e a classe média.
Parte de nossa direita é composta por um setor infantilizado, arrogante, deslumbrado com suas estantes (pensam que são os únicos que lêem e escrevem bem), que se acham moralmente superiores. São viúvas de uma guerra fria obsoleta, tristes por constatar que, sob governos de esquerda, o capitalismo sul-americano se humaniza, se consolida, se fortalece; tristes por ver que o socialismo que combatiam também se modernizou, tanto em linguagem quanto em objetivos. O socialismo aprendeu a conviver com a democracia e a liberdade; mais ainda, o socialismo aprendeu a conviver com a propriedade, não mais considerada um bicho-papão, mas um direito do cidadão, e que, desde que fiscalizada pelo Estado, desde que pague os devidos impostos (justos, não extorsivos), não constitui um mal à sociedade. Isso assusta e confunde a direita.
blog oleododiabo.blogspot.com
O objetivo deste blog é discutir um projeto de desenvolvimento nacional para o Brasil. Esse projeto não brotará naturalmente das forças de mercado e sim de um engajamento político que direcionará os recursos do país na criação de uma nação soberana, desenvolvida e com justiça social.
quarta-feira, março 19, 2008
segunda-feira, março 17, 2008
LULA, A ECONOMIST E COMO O PIG É RIDÍCULO
LULA, A ECONOMIST E COMO O PIG É RIDÍCULO
Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas 1022
Em nenhuma democracia séria do mundo,
jornais conservadores, de baixa qualidade
técnica e até sensacionalistas, e uma única
rede de televisão têm a importância que têm
no Brasil. Eles se transformaram num partido
político – o PIG, Partido da Imprensa Golpista.
“Esses dias eu recebi aqui o ex-presidente de Portugal, Mário Soares. Ele veio aqui, como jornalista, fazer uma entrevista para a TV Pública de Portugal. Ao se sentar, no meu gabinete, ele falou assim para mim: ‘Presidente, eu não estou entendendo. Eu leio a imprensa estrangeira e vejo que o Brasil está muito bem, eu converso com empresários estrangeiros e vejo que a economia brasileira está muito bem. Mas quando eu leio a imprensa brasileira eu penso que o Brasil acabou, parece que acabou o Brasil’. Ele foi conversar com algumas pessoas de oposição. Ele falou: ‘Presidente, eu não acredito. O que as pessoas disseram para mim não é a realidade’. Até porque Portugal tem muitos investimentos no Brasil e ele conversa com os empresários portugueses. Quando chegou em Portugal ele escreveu um artigo muito importante, numa entrevista, vendo o que estava acontecendo no Brasil.”
. Este é um trecho do discurso que o presidente Lula fez na semana passada – 12 de março – a um grupo que a revista Economist reuniu, em Brasília.
. A Economist é a mais respeitada revista de economia do mundo.
. O PIG não deu a menor bola ao discurso.
. Vale a pena reter alguns trechos, para ver o que o PIG subtrai à opinião pública brasileira:
Sobre favelas e o Complexo do Alemão:
“Eu queria lembrar aos senhores que em 1970 São Paulo tinha apenas duas favelas. São Paulo tinha a Favela do Vergueiro, perto do aeroporto de Congonhas, na rua Vergueiro, que não existe mais. E tinha a favela da Vila Prudente, que ainda existe hoje, não em forma de favela como era na década de 70, bem menor do que era, mas já um pouco urbanizada. Hoje, São Paulo tem mais de dois milhões de brasileiros que moram em favelas.
Eu fui, na sexta-feira e no sábado passado, ao Rio de Janeiro. Fui à Rocinha, fui ao Complexo do Alemão e fui a Manguinhos. E fiquei surpreso porque onde hoje é o Complexo do Alemão, um lugar que vocês, habitualmente, vêem na imprensa como um lugar violento, de muita troca de tiros e de muita quadrilha guerreando entre si, na década de 50 era uma fazenda e, na década de 80 foi a grande ocupação, que virou a favela que é hoje. Depois, eu fiquei sabendo que a Rocinha também era uma fazenda e que a partir da década de 80 se transformou naquele complexo de pessoas morando em péssimas condições, como é hoje. Eu estou dizendo isso para dizer para vocês que se as coisas tivessem sido feitas corretamente por sucessivos governos, se cada um tivesse feito um pouco, certamente nós não teríamos nem dois milhões de paulistas morando em favelas e muitos menos teríamos complexos como Manguinhos, como Rocinha ou como o Complexo do Alemão, com gente morando em péssimas condições, possibilitando e facilitando o surgimento do crime organizado, do narcotráfico e de tanta violência.
E por que eu comecei falando do Complexo do Alemão? É porque parte da pobreza do nosso País se concentra muito fortemente a partir da década de 80. Possivelmente, alguns empresários de outros estados – o Gerdau está aqui no Rio Grande do Sul, quase tudo o que aconteceu de favelas foi exatamente a partir da década de 80 e veio se avolumando. E por que veio se avolumando? Porque é importante atentar que o Brasil passou praticamente 26 anos, quase uma geração e meia, com a economia crescendo aquém daquilo que era necessário crescer.”
26 anos de estagnação econômica:
“Quando eu vejo na televisão uma cena da polícia prendendo um jovem... Normalmente, os ladrões, no Brasil, são jovens de 15 a 24 anos, a 30 anos. Ou seja, são todos eles, Gerdau, oriundos de 26 anos de atrofiamento da economia brasileira.
Eu, por exemplo, sou de uma categoria econômica que, na década de 80, tinha praticamente 2 milhões de trabalhadores no Brasil, e caiu mais de 1 milhão. Quem é da construção civil aqui, eu estou vendo muitos aqui, sabe que a construção civil brasileira, nos últimos 20 anos, só dispensou trabalhadores e contratou muito pouco, porque não havia nem investimentos na construção civil leve, e muito menos na construção civil pesada. A última grande obra de infra-estrutura de peso no Brasil foi Itaipu, em 1974. Certamente, hoje nós não faríamos Itaipu, porque a legislação ambiental e nem os ambientalistas permitiriam que nós fizéssemos do jeito que ela foi feita. Hoje ninguém permitiria que Sete Quedas tivesse desaparecido, que era uma das coisas mais extraordinárias do mundo e está hoje alagada pelo lago de Itaipu.
Pois bem, se durante 26 anos nós não crescemos, e nós geramos esse padrão de pobreza, que transforma o Brasil num dos países mais desiguais do mundo, era preciso que nós, então, tomássemos uma atitude de estancar isso e começar um novo processo.”
As mudanças na educação:
“Nós tiramos 20 milhões de pessoas da extrema pobreza e vamos tirar mais. Os indicadores sociais, tanto os medidos pelos institutos brasileiros, como os medidos pelos institutos internacionais, que vai das instituições da ONU... Nós melhoramos gradativamente a posição social do Brasil. É um momento em que crescem os investimentos empresariais, cresce a entrada de dólar no Brasil, cresce a geração de empregos, cresce a renda das pessoas e ao mesmo tempo, cresce a inclusão social neste País. Agora, o que está faltando fazer? Educação, eu sei que vocês estão curiosos para discutir a educação. É uma pena que o meu ministro da Educação não tenha sido convidado para participar do seminário, já que é um tema extremamente importante e interessante. Mas, certamente, vocês receberão as informações, amanhã, do que está sendo feito na educação.
Eu vou dar dois exemplos para vocês: primeiro, nós criamos o Fundeb. No governo passado aconteceu uma coisa importante. Foi constituída a possibilidade da universalização do ensino fundamental. Nós chegamos a 97% das crianças nas escolas. Só que as pessoas não perceberam que quando você universaliza o ensino fundamental, você precisa saber que aquela criança, quando termina o ensino fundamental, tem que fazer outro curso. E não se pensou no ensino médio. Nós criamos o Fundeb para atender às necessidades das escolas de ensino médio para nove estados do Nordeste, que são as mais pobres, um Fundo que vai gastar, do governo federal, ou melhor, que vai investir mais 10 bilhões de reais no ensino fundamental. Segunda coisa: aumentamos de 8 para 9 anos a quantidade de anos de escolaridade no ensino fundamental. A terceira coisa: nós resolvemos recuperar a escola técnica profissional que, no Brasil, nós tanto carecemos. Vou dar um dado para vocês. A primeira escola técnica brasileira foi fundada em 1909 pelo presidente Nilo Peçanha, na cidade de Campos de Goitacazes. Em 1909 foi feita a primeira escola técnica brasileira, na cidade de Campos. De 1909 até 2003 foram construídas no Brasil 140 escolas técnicas. Até 2010, nós teremos funcionando no Brasil, mais 214 escolas técnicas brasileiras. Em oito anos, nós estamos fazendo quase o dobro do que foi feito em 93 anos.
A mesma coisa no ensino universitário. O Brasil, ao longo de toda a sua história, construiu 54 universidades federais. Nós vamos terminar o mandato construindo, em oito anos, dez novas universidades federais e 48 novas extensões universitárias, levando cursos universitários para o interior do País. A partir do mês que vem, no final de abril ou no começo de maio, eu dedicarei uma semana para inaugurar escolas neste País. Tinha sido aprovada uma lei, em 1998, que tirava do governo federal a responsabilidade de fazer investimentos em escolas técnicas e deixava por conta do mercado. O mercado não deu resposta e o Estado teve que voltar a assumir a responsabilidade de cuidar daquilo que o Brasil precisava.
Mais importante ainda, nós tínhamos um problema sério de colocar jovens pobres na universidade. Vocês sabem que aqui no Brasil – não sei como é na Inglaterra e nos Estados Unidos – o pobre estuda na escola pública, no ensino fundamental, e o rico estuda em escola paga. Isso, no ensino fundamental. Quando chega na universidade, o rico vai para a escola pública e o pobre vai para a universidade privada. Como o pobre não pode pagar a mensalidade, ele fica fora. O que nós fizemos? Nós criamos um programa chamado ProUni, fizemos uma isenção de imposto para as universidades privadas e transformamos o equivalente do imposto em bolsas de estudo. Pasmem! Em três anos já colocamos 360 mil jovens na universidade, jovens pobres da periferia e da escola pública. De que eu era acusado? Qual era a acusação que me faziam? “O presidente Lula está nivelando o ensino por baixo, está rebaixando o nível do ensino no Brasil, na medida em que criou o ProUni.” Como eu sou católico e tenho sorte, três anos depois foi feita a primeira avaliação dos cursos universitários brasileiros. Em 14 áreas, incluindo Medicina e Engenharia, os melhores alunos avaliados foram, exatamente, os que iam nivelar por baixo a educação no Brasil: foram os alunos do ProUni, da periferia deste País.
Agora estamos fazendo uma outra pequena revolução na educação. Estamos criando outro programa chamado Reuni. O que é o Reuni? Nós estamos passando uma verba a mais para as universidades federais brasileiras e, em contrapartida, as universidades brasileiras, as federais, vão aumentar, de uma média de 12 alunos por professor, para uma média de 18 alunos por professor. Sabem o que significa isso? Mais 400 mil jovens brasileiros na universidade até 2010.”
O preconceito contra o Bolsa Família:
“Uma pessoa de um meio de comunicação importante no Brasil, ficou indignada porque uma mulher do Bolsa Família comprou uma geladeira. Obviamente que ela não comprou com o dinheiro do Bolsa Família, mas o dinheiro do Bolsa Família pode ter ajudado a pagar a prestação. Isso porque não fizemos o nosso programa de renovação de geladeira que vamos fazer, se Deus quiser. A imprensa foi lá e entrevistou essa moça. Ela falou: ‘não só eu comprei a geladeira, como estou de sandália nova porque eu pude comprar, eu compro sandália para os meus filhos’. Antes do Bolsa Família, tinha mulher que comprava um lápis e partia ao meio para dar para dois filhos ou para dar para dois netos. Hoje, ela se dá o prazer de comprar uma caixa de lápis para cada um. Isso não é investimento? Isso não é distribuição de renda? Isso não é investimento sadio? Então, no Brasil nós ainda temos que mudar determinados conceitos que foram criados ao longo do tempo.”
Sobre a inclusão digital:
“Vamos levar para 55 mil escolas públicas urbanas, neste País, internet banda larga. Eu penso que será uma pequena revolução na educação, neste País. Em todas as escolas técnicas já temos laboratórios de informática. Criamos um programa chamado Computador para Todos, que eu acho que vocês conhecem, que diziam que era difícil, não ia dar cento. Hoje, o Brasil está vendendo computador como jamais pensou em vender na sua vida. E vender para as camadas mais pobres, porque nós estamos trabalhando com uma coisa que todo mundo deveria compreender: não é apenas olhar o preço final do produto, é saber se a quantidade de prestações que a pessoa vai pagar cabe dentro do seu salário.”
Sobre a explosão da indústria automobilística:
“Por que a indústria automobilística brasileira está explodindo? Eu convivo com a indústria automobilística brasileira desde 1969, fui dirigente sindical desde 1975, presidente do sindicato. Sempre vi a indústria automobilística em crise, fechando em vermelho, não vende, (inaudível) do governo... Qual é o milagre? Dois milagres fundamentais: primeiro, aumentar a renda das pessoas; segundo: aumentar a quantidade de prestações que a pessoa tem que pagar pelo carro, porque se vendia carro para pagar em 24 meses ou em 30 meses, tinha sempre o mesmo segmento da sociedade que podia comprar. Eu tenho na minha cabeça que o povo quer três coisas: casa, casar com uma mulher bonita, e a mulher quer casar com um homem bonito e ter um carro. Carro ainda é uma paixão, hoje repartida com o computador.
O que fez a indústria automobilística? Aumentou a quantidade de prestações, saiu de 36 ou de 24 para 72, para 82. E o que aconteceu? Aconteceu que a indústria automobilística corre o risco de, já no próximo ano, atingir a totalidade da sua capacidade produtiva. Hoje, as pessoas estão esperando 6 meses para comprar um caminhão, se for um caminhão pesado, espera até 9 meses. As pessoas estão na fila par comprar carro. Até ontem, a empresa ia quebrar: ‘eu vou embora do Brasil, porque não está dando para vender’.”
Governar para os Ricos é mais fácil:
“Se eu quiser governar o Brasil para 35 milhões, eu não terei problemas, porque o Brasil tem espaço para 35 ou 40 milhões de brasileiros viverem em padrão de classe média alta européia. Se eu quiser governar só para esses, eu não preciso, realmente, fazer investimento do Estado. Agora, se eu quiser e o Brasil desejar incluir os milhões que estão deserdados, aí, realmente, nós vamos ter que gastar. Eu vou dar um exemplo. Seria importante vocês deixarem dois ou três jornalistas aqui, para andar um pouco no Brasil. Quando criei o programa chamado Luz para Todos, eu tinha uma informação do IBGE, de que no Brasil tinham 10 milhões de pessoas que não tinham energia elétrica. Criamos o programa Luz para Todos. Esse programa já utilizou 460 mil quilômetros de cabos – imaginem quantas vezes a gente poderia ter enrolado a Terra – já colocamos mais de 3 milhões e 600 mil postes, já colocamos mais de 500 mil transformadores e já gastamos mais de 8 bilhões de reais. Oitenta por cento financiado pelo governo federal e 20% pelos estados. Alguns estados não podem pagar e nós pagamos também.
Alguém, analisando apenas com uma visão estritamente econômica, poderia dizer: ‘mas isso não é possível, tem que cobrar’. Se cobrar não tem energia, porque as pessoas não têm como pagar. Agora que nós já fizemos, e quase 8 milhões de pessoas já receberam, nós descobrimos que os dados do IBGE estavam errados. Apareceram mais 1 milhão e 564 mil pessoas sem luz, e vamos ter que levar, até 2010, para todo mundo. Custa para o Estado? Custa. Alguém que estivesse discutindo do ponto de vista econômico poderia dizer: ‘custa para o estado, é verdade presidente Lula, custa para o Estado’. E eu poderia perguntar: quanto custa para o Estado deixar essa pessoa vivendo no século XVIII quando nos poderíamos trazê-la para o século XIX com um cabo, um poste e um bico de luz? É preciso ter a sensação do que significa chegar a uma casa, encontrar uma família no escuro – uma lata de coca-cola com pavio, a lata cheia de querosene – e as crianças lendo em torno da lata, a fumaceira cobrindo a casa. Aí, você monta o Programa, chama a mulher e aperta uma tomada. Quando a luz acende dentro da casa dela, é como se você tivesse a tivesse transportado do século XVIII para o século XXI, e não há dinheiro que pague. Como custam R$ 4,5 bilhões, que estamos investindo para tentar trazer de volta para a cidadania 4 milhões e 100 mil jovens, de 15 a 24 anos. Ou nós colocamos esse dinheiro, dando uma ajuda para eles e formando-os profissionalmente, ou o narcotráfico e o crime organizado vão oferecer a eles o que o Estado não oferece. Essa guerra eu não quero perder. Eu quero ganhar.
Por isso, quando a gente discutir os gastos do Estado, nós temos que olhar comparando a quê? Alguns países estão prontos há pelo menos 60, 70, 80 anos. Nós precisamos ficar prontos e só ficaremos prontos quando a totalidade dos brasileiros estiver participando desse processo de desenvolvimento do País. Caso contrário, não valeu à pena a gente governar o País se o resultado, no final do mandato, for a gente continuar com a mesma quantidade de gente na classe média, com a mesma quantidade de ricos e com a mesma quantidade de pobres. Eu quero aumentar o número de ricos, quero aumentar o número de gente na classe média e quero acabar com a pobreza neste País. Por isso, para nós é uma questão de honra não abrirmos mão de fazer as políticas sociais que estamos fazendo agora. E vou fazer mais.”
CPMF: derrota não paralisa o Governo:
“Vocês sabem que a oposição derrotou o imposto que nós tínhamos sobre transações financeiras. E não derrotou porque era contra o imposto, não, derrotou porque acharam que era demais garantir ao governo do Lula ter 120 bilhões de reais até 2010, e era preciso diminuir. Nós lamentamos. Chorar não choramos, mas lamentamos. Nós tínhamos aprovado um Programa de Saúde que era uma revolução na Saúde, e eu vou implementá-lo. O dinheiro vai aparecer, e podem ficar tranqüilos que eu não vou aumentar tributo e o dinheiro vai aparecer. Podem ficar certos de que nós vamos gastar melhor o que temos que gastar e economizar onde não é essencial, para a gente gastar onde é essencial. Eu tenho um sonho, que é levar médico, levar dentista, levar oftalmologista e levar otorrino dentro das escolas para fazer exame nas crianças, dentro da escola. Eu tinha isso na década de 60. Está certo que nós tínhamos pouca gente na escola, mas na década de 60 o Estado brasileiro oferecia dentista para cuidar dos dentes das crianças. Se vocês andarem pelo Nordeste brasileiro, apesar de tudo que nós já fizemos com o Brasil Sorridente, nós ainda temos muitas meninas e meninos de 18 ou 19 anos sem dentes. Quem vai cuidar disso? A iniciativa privada só vai cuidar disso se essa pessoa tiver renda para pagar. Se ela não tiver, é o Estado que tem que fazer. Na hora em que o Estado cumprir com as suas obrigações, podem ficar certos de que as próprias pessoas vão tratar de exigir que o Estado seja cada vez menos intrometido nas coisas que não precisa se intrometer. Mas sem o Estado não haverá inclusão social neste País, sem o Estado a gente não consegue recuperar um século de descaso com parte da população mais pobre deste País. E é por isso que nós estamos vivendo este momento.
Quero dizer para vocês que vamos crescer mais em 2008, que vamos fazer mais políticas sociais em 2008, que queremos exportar mais em 2008, que queremos importar mais em 2008, que queremos consolidar o Brasil como a principal potência dos combustíveis renováveis, e queremos inserir o Brasil, cada vez mais forte e sólido, neste mundo globalizado. Sabemos que temos que trabalhar muito e sabemos que a única chance que nós temos de chegar lá é nos colocarmos diante do mundo com a seriedade que nós queremos das pessoas.”
Reforma tributária:
“Vivo um momento muito importante para o meu País. Eu tenho muita sorte, porque passei 30 anos fazendo oposição e os outros presidentes não tiveram condições de viver este momento. Eu espero, quando deixar o governo, não voltar a ser tão oposição mais, porque eu espero eleger o meu sucessor e espero que este País tenha seqüência. Nós precisamos de, no mínimo, 10 ou 15 anos de crescimento sustentável para que a gente possa recuperar todo o tempo que nós perdemos. É assim que nós vamos governar o Brasil, é assim que nós vamos aprovar a reforma tributária. Podem escrever nas suas matérias, nós vamos aprovar a reforma tributária este ano. A oposição passou oito anos falando em reforma tributária e agora está lá o projeto, é só votar. Podem fazer uma emenda aqui, outra emenda ali, mas vão votar. Uma reforma tributária justa, que diminua a quantidade de impostos que temos neste País, que facilite a vida de quem quer investir, que facilite a vida de quem construir um negócio, que facilite a vida do povo, que reduza a quantidade de tributos e, ao mesmo tempo, que a gente acabe com a guerra fiscal fratricida neste País. Eu acho que nós vamos aprovar, não sei por que eu estou otimista. Espero contar, sobretudo, com o apoio de vocês, empresários brasileiros, conversando com quem vocês conhecem, para a gente aprovar isso.”
Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas 1022
Em nenhuma democracia séria do mundo,
jornais conservadores, de baixa qualidade
técnica e até sensacionalistas, e uma única
rede de televisão têm a importância que têm
no Brasil. Eles se transformaram num partido
político – o PIG, Partido da Imprensa Golpista.
“Esses dias eu recebi aqui o ex-presidente de Portugal, Mário Soares. Ele veio aqui, como jornalista, fazer uma entrevista para a TV Pública de Portugal. Ao se sentar, no meu gabinete, ele falou assim para mim: ‘Presidente, eu não estou entendendo. Eu leio a imprensa estrangeira e vejo que o Brasil está muito bem, eu converso com empresários estrangeiros e vejo que a economia brasileira está muito bem. Mas quando eu leio a imprensa brasileira eu penso que o Brasil acabou, parece que acabou o Brasil’. Ele foi conversar com algumas pessoas de oposição. Ele falou: ‘Presidente, eu não acredito. O que as pessoas disseram para mim não é a realidade’. Até porque Portugal tem muitos investimentos no Brasil e ele conversa com os empresários portugueses. Quando chegou em Portugal ele escreveu um artigo muito importante, numa entrevista, vendo o que estava acontecendo no Brasil.”
. Este é um trecho do discurso que o presidente Lula fez na semana passada – 12 de março – a um grupo que a revista Economist reuniu, em Brasília.
. A Economist é a mais respeitada revista de economia do mundo.
. O PIG não deu a menor bola ao discurso.
. Vale a pena reter alguns trechos, para ver o que o PIG subtrai à opinião pública brasileira:
Sobre favelas e o Complexo do Alemão:
“Eu queria lembrar aos senhores que em 1970 São Paulo tinha apenas duas favelas. São Paulo tinha a Favela do Vergueiro, perto do aeroporto de Congonhas, na rua Vergueiro, que não existe mais. E tinha a favela da Vila Prudente, que ainda existe hoje, não em forma de favela como era na década de 70, bem menor do que era, mas já um pouco urbanizada. Hoje, São Paulo tem mais de dois milhões de brasileiros que moram em favelas.
Eu fui, na sexta-feira e no sábado passado, ao Rio de Janeiro. Fui à Rocinha, fui ao Complexo do Alemão e fui a Manguinhos. E fiquei surpreso porque onde hoje é o Complexo do Alemão, um lugar que vocês, habitualmente, vêem na imprensa como um lugar violento, de muita troca de tiros e de muita quadrilha guerreando entre si, na década de 50 era uma fazenda e, na década de 80 foi a grande ocupação, que virou a favela que é hoje. Depois, eu fiquei sabendo que a Rocinha também era uma fazenda e que a partir da década de 80 se transformou naquele complexo de pessoas morando em péssimas condições, como é hoje. Eu estou dizendo isso para dizer para vocês que se as coisas tivessem sido feitas corretamente por sucessivos governos, se cada um tivesse feito um pouco, certamente nós não teríamos nem dois milhões de paulistas morando em favelas e muitos menos teríamos complexos como Manguinhos, como Rocinha ou como o Complexo do Alemão, com gente morando em péssimas condições, possibilitando e facilitando o surgimento do crime organizado, do narcotráfico e de tanta violência.
E por que eu comecei falando do Complexo do Alemão? É porque parte da pobreza do nosso País se concentra muito fortemente a partir da década de 80. Possivelmente, alguns empresários de outros estados – o Gerdau está aqui no Rio Grande do Sul, quase tudo o que aconteceu de favelas foi exatamente a partir da década de 80 e veio se avolumando. E por que veio se avolumando? Porque é importante atentar que o Brasil passou praticamente 26 anos, quase uma geração e meia, com a economia crescendo aquém daquilo que era necessário crescer.”
26 anos de estagnação econômica:
“Quando eu vejo na televisão uma cena da polícia prendendo um jovem... Normalmente, os ladrões, no Brasil, são jovens de 15 a 24 anos, a 30 anos. Ou seja, são todos eles, Gerdau, oriundos de 26 anos de atrofiamento da economia brasileira.
Eu, por exemplo, sou de uma categoria econômica que, na década de 80, tinha praticamente 2 milhões de trabalhadores no Brasil, e caiu mais de 1 milhão. Quem é da construção civil aqui, eu estou vendo muitos aqui, sabe que a construção civil brasileira, nos últimos 20 anos, só dispensou trabalhadores e contratou muito pouco, porque não havia nem investimentos na construção civil leve, e muito menos na construção civil pesada. A última grande obra de infra-estrutura de peso no Brasil foi Itaipu, em 1974. Certamente, hoje nós não faríamos Itaipu, porque a legislação ambiental e nem os ambientalistas permitiriam que nós fizéssemos do jeito que ela foi feita. Hoje ninguém permitiria que Sete Quedas tivesse desaparecido, que era uma das coisas mais extraordinárias do mundo e está hoje alagada pelo lago de Itaipu.
Pois bem, se durante 26 anos nós não crescemos, e nós geramos esse padrão de pobreza, que transforma o Brasil num dos países mais desiguais do mundo, era preciso que nós, então, tomássemos uma atitude de estancar isso e começar um novo processo.”
As mudanças na educação:
“Nós tiramos 20 milhões de pessoas da extrema pobreza e vamos tirar mais. Os indicadores sociais, tanto os medidos pelos institutos brasileiros, como os medidos pelos institutos internacionais, que vai das instituições da ONU... Nós melhoramos gradativamente a posição social do Brasil. É um momento em que crescem os investimentos empresariais, cresce a entrada de dólar no Brasil, cresce a geração de empregos, cresce a renda das pessoas e ao mesmo tempo, cresce a inclusão social neste País. Agora, o que está faltando fazer? Educação, eu sei que vocês estão curiosos para discutir a educação. É uma pena que o meu ministro da Educação não tenha sido convidado para participar do seminário, já que é um tema extremamente importante e interessante. Mas, certamente, vocês receberão as informações, amanhã, do que está sendo feito na educação.
Eu vou dar dois exemplos para vocês: primeiro, nós criamos o Fundeb. No governo passado aconteceu uma coisa importante. Foi constituída a possibilidade da universalização do ensino fundamental. Nós chegamos a 97% das crianças nas escolas. Só que as pessoas não perceberam que quando você universaliza o ensino fundamental, você precisa saber que aquela criança, quando termina o ensino fundamental, tem que fazer outro curso. E não se pensou no ensino médio. Nós criamos o Fundeb para atender às necessidades das escolas de ensino médio para nove estados do Nordeste, que são as mais pobres, um Fundo que vai gastar, do governo federal, ou melhor, que vai investir mais 10 bilhões de reais no ensino fundamental. Segunda coisa: aumentamos de 8 para 9 anos a quantidade de anos de escolaridade no ensino fundamental. A terceira coisa: nós resolvemos recuperar a escola técnica profissional que, no Brasil, nós tanto carecemos. Vou dar um dado para vocês. A primeira escola técnica brasileira foi fundada em 1909 pelo presidente Nilo Peçanha, na cidade de Campos de Goitacazes. Em 1909 foi feita a primeira escola técnica brasileira, na cidade de Campos. De 1909 até 2003 foram construídas no Brasil 140 escolas técnicas. Até 2010, nós teremos funcionando no Brasil, mais 214 escolas técnicas brasileiras. Em oito anos, nós estamos fazendo quase o dobro do que foi feito em 93 anos.
A mesma coisa no ensino universitário. O Brasil, ao longo de toda a sua história, construiu 54 universidades federais. Nós vamos terminar o mandato construindo, em oito anos, dez novas universidades federais e 48 novas extensões universitárias, levando cursos universitários para o interior do País. A partir do mês que vem, no final de abril ou no começo de maio, eu dedicarei uma semana para inaugurar escolas neste País. Tinha sido aprovada uma lei, em 1998, que tirava do governo federal a responsabilidade de fazer investimentos em escolas técnicas e deixava por conta do mercado. O mercado não deu resposta e o Estado teve que voltar a assumir a responsabilidade de cuidar daquilo que o Brasil precisava.
Mais importante ainda, nós tínhamos um problema sério de colocar jovens pobres na universidade. Vocês sabem que aqui no Brasil – não sei como é na Inglaterra e nos Estados Unidos – o pobre estuda na escola pública, no ensino fundamental, e o rico estuda em escola paga. Isso, no ensino fundamental. Quando chega na universidade, o rico vai para a escola pública e o pobre vai para a universidade privada. Como o pobre não pode pagar a mensalidade, ele fica fora. O que nós fizemos? Nós criamos um programa chamado ProUni, fizemos uma isenção de imposto para as universidades privadas e transformamos o equivalente do imposto em bolsas de estudo. Pasmem! Em três anos já colocamos 360 mil jovens na universidade, jovens pobres da periferia e da escola pública. De que eu era acusado? Qual era a acusação que me faziam? “O presidente Lula está nivelando o ensino por baixo, está rebaixando o nível do ensino no Brasil, na medida em que criou o ProUni.” Como eu sou católico e tenho sorte, três anos depois foi feita a primeira avaliação dos cursos universitários brasileiros. Em 14 áreas, incluindo Medicina e Engenharia, os melhores alunos avaliados foram, exatamente, os que iam nivelar por baixo a educação no Brasil: foram os alunos do ProUni, da periferia deste País.
Agora estamos fazendo uma outra pequena revolução na educação. Estamos criando outro programa chamado Reuni. O que é o Reuni? Nós estamos passando uma verba a mais para as universidades federais brasileiras e, em contrapartida, as universidades brasileiras, as federais, vão aumentar, de uma média de 12 alunos por professor, para uma média de 18 alunos por professor. Sabem o que significa isso? Mais 400 mil jovens brasileiros na universidade até 2010.”
O preconceito contra o Bolsa Família:
“Uma pessoa de um meio de comunicação importante no Brasil, ficou indignada porque uma mulher do Bolsa Família comprou uma geladeira. Obviamente que ela não comprou com o dinheiro do Bolsa Família, mas o dinheiro do Bolsa Família pode ter ajudado a pagar a prestação. Isso porque não fizemos o nosso programa de renovação de geladeira que vamos fazer, se Deus quiser. A imprensa foi lá e entrevistou essa moça. Ela falou: ‘não só eu comprei a geladeira, como estou de sandália nova porque eu pude comprar, eu compro sandália para os meus filhos’. Antes do Bolsa Família, tinha mulher que comprava um lápis e partia ao meio para dar para dois filhos ou para dar para dois netos. Hoje, ela se dá o prazer de comprar uma caixa de lápis para cada um. Isso não é investimento? Isso não é distribuição de renda? Isso não é investimento sadio? Então, no Brasil nós ainda temos que mudar determinados conceitos que foram criados ao longo do tempo.”
Sobre a inclusão digital:
“Vamos levar para 55 mil escolas públicas urbanas, neste País, internet banda larga. Eu penso que será uma pequena revolução na educação, neste País. Em todas as escolas técnicas já temos laboratórios de informática. Criamos um programa chamado Computador para Todos, que eu acho que vocês conhecem, que diziam que era difícil, não ia dar cento. Hoje, o Brasil está vendendo computador como jamais pensou em vender na sua vida. E vender para as camadas mais pobres, porque nós estamos trabalhando com uma coisa que todo mundo deveria compreender: não é apenas olhar o preço final do produto, é saber se a quantidade de prestações que a pessoa vai pagar cabe dentro do seu salário.”
Sobre a explosão da indústria automobilística:
“Por que a indústria automobilística brasileira está explodindo? Eu convivo com a indústria automobilística brasileira desde 1969, fui dirigente sindical desde 1975, presidente do sindicato. Sempre vi a indústria automobilística em crise, fechando em vermelho, não vende, (inaudível) do governo... Qual é o milagre? Dois milagres fundamentais: primeiro, aumentar a renda das pessoas; segundo: aumentar a quantidade de prestações que a pessoa tem que pagar pelo carro, porque se vendia carro para pagar em 24 meses ou em 30 meses, tinha sempre o mesmo segmento da sociedade que podia comprar. Eu tenho na minha cabeça que o povo quer três coisas: casa, casar com uma mulher bonita, e a mulher quer casar com um homem bonito e ter um carro. Carro ainda é uma paixão, hoje repartida com o computador.
O que fez a indústria automobilística? Aumentou a quantidade de prestações, saiu de 36 ou de 24 para 72, para 82. E o que aconteceu? Aconteceu que a indústria automobilística corre o risco de, já no próximo ano, atingir a totalidade da sua capacidade produtiva. Hoje, as pessoas estão esperando 6 meses para comprar um caminhão, se for um caminhão pesado, espera até 9 meses. As pessoas estão na fila par comprar carro. Até ontem, a empresa ia quebrar: ‘eu vou embora do Brasil, porque não está dando para vender’.”
Governar para os Ricos é mais fácil:
“Se eu quiser governar o Brasil para 35 milhões, eu não terei problemas, porque o Brasil tem espaço para 35 ou 40 milhões de brasileiros viverem em padrão de classe média alta européia. Se eu quiser governar só para esses, eu não preciso, realmente, fazer investimento do Estado. Agora, se eu quiser e o Brasil desejar incluir os milhões que estão deserdados, aí, realmente, nós vamos ter que gastar. Eu vou dar um exemplo. Seria importante vocês deixarem dois ou três jornalistas aqui, para andar um pouco no Brasil. Quando criei o programa chamado Luz para Todos, eu tinha uma informação do IBGE, de que no Brasil tinham 10 milhões de pessoas que não tinham energia elétrica. Criamos o programa Luz para Todos. Esse programa já utilizou 460 mil quilômetros de cabos – imaginem quantas vezes a gente poderia ter enrolado a Terra – já colocamos mais de 3 milhões e 600 mil postes, já colocamos mais de 500 mil transformadores e já gastamos mais de 8 bilhões de reais. Oitenta por cento financiado pelo governo federal e 20% pelos estados. Alguns estados não podem pagar e nós pagamos também.
Alguém, analisando apenas com uma visão estritamente econômica, poderia dizer: ‘mas isso não é possível, tem que cobrar’. Se cobrar não tem energia, porque as pessoas não têm como pagar. Agora que nós já fizemos, e quase 8 milhões de pessoas já receberam, nós descobrimos que os dados do IBGE estavam errados. Apareceram mais 1 milhão e 564 mil pessoas sem luz, e vamos ter que levar, até 2010, para todo mundo. Custa para o Estado? Custa. Alguém que estivesse discutindo do ponto de vista econômico poderia dizer: ‘custa para o estado, é verdade presidente Lula, custa para o Estado’. E eu poderia perguntar: quanto custa para o Estado deixar essa pessoa vivendo no século XVIII quando nos poderíamos trazê-la para o século XIX com um cabo, um poste e um bico de luz? É preciso ter a sensação do que significa chegar a uma casa, encontrar uma família no escuro – uma lata de coca-cola com pavio, a lata cheia de querosene – e as crianças lendo em torno da lata, a fumaceira cobrindo a casa. Aí, você monta o Programa, chama a mulher e aperta uma tomada. Quando a luz acende dentro da casa dela, é como se você tivesse a tivesse transportado do século XVIII para o século XXI, e não há dinheiro que pague. Como custam R$ 4,5 bilhões, que estamos investindo para tentar trazer de volta para a cidadania 4 milhões e 100 mil jovens, de 15 a 24 anos. Ou nós colocamos esse dinheiro, dando uma ajuda para eles e formando-os profissionalmente, ou o narcotráfico e o crime organizado vão oferecer a eles o que o Estado não oferece. Essa guerra eu não quero perder. Eu quero ganhar.
Por isso, quando a gente discutir os gastos do Estado, nós temos que olhar comparando a quê? Alguns países estão prontos há pelo menos 60, 70, 80 anos. Nós precisamos ficar prontos e só ficaremos prontos quando a totalidade dos brasileiros estiver participando desse processo de desenvolvimento do País. Caso contrário, não valeu à pena a gente governar o País se o resultado, no final do mandato, for a gente continuar com a mesma quantidade de gente na classe média, com a mesma quantidade de ricos e com a mesma quantidade de pobres. Eu quero aumentar o número de ricos, quero aumentar o número de gente na classe média e quero acabar com a pobreza neste País. Por isso, para nós é uma questão de honra não abrirmos mão de fazer as políticas sociais que estamos fazendo agora. E vou fazer mais.”
CPMF: derrota não paralisa o Governo:
“Vocês sabem que a oposição derrotou o imposto que nós tínhamos sobre transações financeiras. E não derrotou porque era contra o imposto, não, derrotou porque acharam que era demais garantir ao governo do Lula ter 120 bilhões de reais até 2010, e era preciso diminuir. Nós lamentamos. Chorar não choramos, mas lamentamos. Nós tínhamos aprovado um Programa de Saúde que era uma revolução na Saúde, e eu vou implementá-lo. O dinheiro vai aparecer, e podem ficar tranqüilos que eu não vou aumentar tributo e o dinheiro vai aparecer. Podem ficar certos de que nós vamos gastar melhor o que temos que gastar e economizar onde não é essencial, para a gente gastar onde é essencial. Eu tenho um sonho, que é levar médico, levar dentista, levar oftalmologista e levar otorrino dentro das escolas para fazer exame nas crianças, dentro da escola. Eu tinha isso na década de 60. Está certo que nós tínhamos pouca gente na escola, mas na década de 60 o Estado brasileiro oferecia dentista para cuidar dos dentes das crianças. Se vocês andarem pelo Nordeste brasileiro, apesar de tudo que nós já fizemos com o Brasil Sorridente, nós ainda temos muitas meninas e meninos de 18 ou 19 anos sem dentes. Quem vai cuidar disso? A iniciativa privada só vai cuidar disso se essa pessoa tiver renda para pagar. Se ela não tiver, é o Estado que tem que fazer. Na hora em que o Estado cumprir com as suas obrigações, podem ficar certos de que as próprias pessoas vão tratar de exigir que o Estado seja cada vez menos intrometido nas coisas que não precisa se intrometer. Mas sem o Estado não haverá inclusão social neste País, sem o Estado a gente não consegue recuperar um século de descaso com parte da população mais pobre deste País. E é por isso que nós estamos vivendo este momento.
Quero dizer para vocês que vamos crescer mais em 2008, que vamos fazer mais políticas sociais em 2008, que queremos exportar mais em 2008, que queremos importar mais em 2008, que queremos consolidar o Brasil como a principal potência dos combustíveis renováveis, e queremos inserir o Brasil, cada vez mais forte e sólido, neste mundo globalizado. Sabemos que temos que trabalhar muito e sabemos que a única chance que nós temos de chegar lá é nos colocarmos diante do mundo com a seriedade que nós queremos das pessoas.”
Reforma tributária:
“Vivo um momento muito importante para o meu País. Eu tenho muita sorte, porque passei 30 anos fazendo oposição e os outros presidentes não tiveram condições de viver este momento. Eu espero, quando deixar o governo, não voltar a ser tão oposição mais, porque eu espero eleger o meu sucessor e espero que este País tenha seqüência. Nós precisamos de, no mínimo, 10 ou 15 anos de crescimento sustentável para que a gente possa recuperar todo o tempo que nós perdemos. É assim que nós vamos governar o Brasil, é assim que nós vamos aprovar a reforma tributária. Podem escrever nas suas matérias, nós vamos aprovar a reforma tributária este ano. A oposição passou oito anos falando em reforma tributária e agora está lá o projeto, é só votar. Podem fazer uma emenda aqui, outra emenda ali, mas vão votar. Uma reforma tributária justa, que diminua a quantidade de impostos que temos neste País, que facilite a vida de quem quer investir, que facilite a vida de quem construir um negócio, que facilite a vida do povo, que reduza a quantidade de tributos e, ao mesmo tempo, que a gente acabe com a guerra fiscal fratricida neste País. Eu acho que nós vamos aprovar, não sei por que eu estou otimista. Espero contar, sobretudo, com o apoio de vocês, empresários brasileiros, conversando com quem vocês conhecem, para a gente aprovar isso.”
quarta-feira, março 12, 2008
Lula pede euforia comedida ao comemorar resultado do PIB
O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, comemorou nesta quarta-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva o crescimento de 5,4% da economia do Brasil em 2007. Segundo informou o ministro, o governo está satisfeito com o crescimento, mas acha que ainda pode melhorar.
Dá para manter neste ano ritmo de expansão de 2007, diz Mantega
“O presidente Lula até brincou comigo durante nossa reunião dizendo que acha que nós temos que passar uma visão de euforia comedida. Estamos satisfeitos, mas achamos que pode melhorar”, disse. Ele acrescentou que na opinião de Lula esse crescimento do PIB é resultado da confiança que o povo brasileiro deposita no país.
Na visão de Paulo Bernardo, a confiança da sociedade com o governo só irá melhorar melhora a partir do momento em que o Congresso Nacional aprovar a reforma tributária e a partir do momento que se definir a política industrial. “Não iremos fazer mágica e nenhuma alteração drástica na política econômica do país, só iremos continuar trabalhando sério”, ressaltou.
Segundo o ministro, os dados divulgados, hoje, pelo IBGE mostrou que a inflação brasileira ficou “um pouco” acima do centro da meta que é de 4,5%. “Nossa perspectiva é muito boa nesse aspecto, portanto, achamos que vamos retomar essa possibilidade de diminuição de juros”, afirmou.
O ministro ressaltou ainda que o País poderá crescer mais nos próximos anos, com "menos gargalos" e "pressões inflacionárias". “Nós estamos com investimentos, aumentando nosso PIB potencial e podemos crescer mais nos próximos anos” disse Bernardo.
O ministro participou nesta manhã de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para avaliar os dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Dá para manter neste ano ritmo de expansão de 2007, diz Mantega
“O presidente Lula até brincou comigo durante nossa reunião dizendo que acha que nós temos que passar uma visão de euforia comedida. Estamos satisfeitos, mas achamos que pode melhorar”, disse. Ele acrescentou que na opinião de Lula esse crescimento do PIB é resultado da confiança que o povo brasileiro deposita no país.
Na visão de Paulo Bernardo, a confiança da sociedade com o governo só irá melhorar melhora a partir do momento em que o Congresso Nacional aprovar a reforma tributária e a partir do momento que se definir a política industrial. “Não iremos fazer mágica e nenhuma alteração drástica na política econômica do país, só iremos continuar trabalhando sério”, ressaltou.
Segundo o ministro, os dados divulgados, hoje, pelo IBGE mostrou que a inflação brasileira ficou “um pouco” acima do centro da meta que é de 4,5%. “Nossa perspectiva é muito boa nesse aspecto, portanto, achamos que vamos retomar essa possibilidade de diminuição de juros”, afirmou.
O ministro ressaltou ainda que o País poderá crescer mais nos próximos anos, com "menos gargalos" e "pressões inflacionárias". “Nós estamos com investimentos, aumentando nosso PIB potencial e podemos crescer mais nos próximos anos” disse Bernardo.
O ministro participou nesta manhã de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para avaliar os dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Economia brasileira cresce 5,4% em 2007, diz IBGE


Economia brasileira cresce 5,4% em 2007, diz IBGE
12/03 - 09:04, atualizada às 13:57 12/03 - Paula Leite, repórter Último Segundo
ImprimirEnviarCorrigirFale ConoscoSÃO PAULO - O produto interno bruto (PIB) do Brasil cresceu 5,4% em 2007, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O PIB mede toda a produção, ou geração de riqueza, do país. Toda vez que é agregado valor a um produto, isso contribui para o crescimento da economia.
Opinião: A "maldita" política de renda é a chave do crescimento
Dá para manter neste ano ritmo de 2007, diz Mantega
Lula está satisfeito, mas acha que PIB pode melhorar, diz Bernardo
Por exemplo, um comerciante que compra uma bolsa de uma indústria por R$ 10 e a vende por R$ 25 agregou R$ 15 ao PIB.
Em valores, o PIB de 2007 atingiu R$ 2,6 trilhões. O crescimento de 5,4% foi maior que o de 2006, que havia sido de 3,8%.
Fonte: IBGE
O consumo das famílias teve destaque, registrando alta (6,5%) pelo quarto ano consecutivo.
O economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, diz que o crédito alavancou o crescimento do consumo das famílias e o câmbio barateou os importados, o que forçou as empresas brasileiras a competir e abaixar preços. Isso aumentou o poder de compra da população, segundo ele.
"Por exemplo, no começo do ano você comprava um computador por R$ 3.000 e no final do ano comprava o mesmo computador por R$ 1.500. A informática foi um dos grandes destaques no consumo das famílias", diz o economista.
A economista do banco Santander Luiza Rodrigues diz que 2007 foi um ano muito aquecido e de crescimento generalizado em todos os setores. Segundo ela, a demanda interna cresceu muito, em um processo de aumento do poder de compra das famílias que começou com o Plano Real. Nos últimos anos a economia teve injeção de recursos com o aumento do salário mínimo, com a expansão do emprego e com os programas sociais do governo, diz ela.
"Isso leva a um círculo virtuoso, porque com o comércio aquecido, as empresas contratam, e isso aumenta o nível de emprego e o poder de compra", diz a economista.
Investimento
Já o investimento, medido pela formação bruta de capital fixo, também registrou crescimento, de 13,4%, a maior taxa anual desde o início da série, em 1996.
Borges diz que o investimento cresce há quatro anos consecutivos e que a expansão forte é positiva porque é um sinal de que as empresas vão aumentar a produção, o que alivia a inflação. "O Banco Central está preocupado com a oferta não atender à demanda, isso é positivo porque talvez não precise aumentar os juros", diz ele.
Para Luiza Rodrigues, a indústria está investindo para atender à demanda interna, o que é positivo porque também aumenta a capacidade do País de crescer no futuro. "Mas o investimento ainda precisa crescer muito. A relação investimento/PIB no Brasil está em cerca de 18%, na China por exemplo é de mais de 30%", diz a economista.
Economia em 2008
Borges acredita que em 2008 o crescimento da economia não deve ser tão forte quanto o do ano passado, ficando em torno de 4,5%. Segundo ele, a volatilidade externa deve afetar o País, já que o mundo deve crescer menos neste ano. "O crescimento é puxado pela demanda interna, mas o Brasil ainda depende do resto do mundo", diz ele.
Setores
O setor que registrou o maior crescimento foi a agropecuária, que se expandiu em 5,3%, seguida pela indústria, com crescimento de 4,9%, e serviços, com 4,7%. Segundo o IBGE, o crescimento da agropecuária deveu-se principalmente à lavoura, com destaque para trigo, algodão, milho, cana e soja.
Dentro da indústria, os segmentos com maior crescimento foram indústria de transformação, que se expandiu em 5,1%, e construção civil, eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana, cada um deles com crescimento de 5%.
Os segmentos de serviços com maiores elevações foram intermediação financeira e seguros, que cresceu 13%, serviços de informação (8%) e comércio (7,6%).
Setor externo
O resultado do PIB em 2007 é a continuação de um processo que começou há dois anos, segundo Luiza Rodrigues. Segundo ela, antes era era o setor externo que dava a principal contribuição para o crescimento. Agora a situação se inverteu e a demanda interna cresce, fazendo aumentar a produção. "Hoje o setor externo tem contribuição negativa para o PIB, porque a produção interna não dá conta e as importações cresceram muito", diz ela.
Segundo o IBGE, em 2007 as exportações tiveram alta de 6,6%, enquanto as importações cresceram 20,7%. O crescimento das exportações é inferior ao das importações desde 2006, diz o órgão.
Crescimento do PIB dos países em 2007
China 10,6%
Índia 9,6%
Rússia 8,1%
Brasil 5,4%
Chile 5,2%
África do Sul 5,1%
União Européia 2,9%
Estados Unidos 2,2%
4º trimestre
No quarto trimestre, o crescimento do PIB foi de 6,2% em relação ao mesmo período de 2006 e de 1,6% na comparação com o trimestre anterior.
Fonte: IBGE
Na comparação do quarto trimestre com o trimestre anterior, destacou-se o crescimento do consumo das famílias, de 3,7%. A formação bruta de capital fixo teve alta de 3,4%, após cinco trimestres consecutivos crescendo, segundo o IBGE.
Já as exportações se expandiram em 2,6% no quarto trimestre, enquanto as importações cresceram em um ritmo mais elevado, de 5,6%, pelo 17º trimestre consecutivo.
IBGE: PIB por habitante subiu para R$ 13.515 em 2007
Produto Interno Bruto (PIB) por habitante no País cresceu 4%, já descontada a inflação, e chegou a R$ 13.515, em 2007, segundo o IBGE.
Em 2007, as exportações cresceram 6,6% e as importações, 20,7%. Foi o segundo ano consecutivo em que as importações aumentaram mais do que as exportações.
A necessidade de financiamento do Brasil em 2007 foi de R$ 4,5 bilhões, o que significa um déficit do País com o exterior. O dado foi divulgado há pouco pelo IBGE. Em 2006, o País tinha um superávit nessa conta, equivalente a uma capacidade de financiamento, de R$ 20,8 bilhões.
Segundo o IBGE, a transformação de superávit em déficit se deu devido à redução de R$ 29 bilhões no saldo externo de bens e serviços e à diminuição de R$ 5,1 bilhões na renda líquida de propriedade enviada ao resto do mundo
Em 2007, as exportações cresceram 6,6% e as importações, 20,7%. Foi o segundo ano consecutivo em que as importações aumentaram mais do que as exportações.
A necessidade de financiamento do Brasil em 2007 foi de R$ 4,5 bilhões, o que significa um déficit do País com o exterior. O dado foi divulgado há pouco pelo IBGE. Em 2006, o País tinha um superávit nessa conta, equivalente a uma capacidade de financiamento, de R$ 20,8 bilhões.
Segundo o IBGE, a transformação de superávit em déficit se deu devido à redução de R$ 29 bilhões no saldo externo de bens e serviços e à diminuição de R$ 5,1 bilhões na renda líquida de propriedade enviada ao resto do mundo
PIB: Para Delfim Netto, FHC entregou país "falido"
Diego Salmen
Especial para Terra Magazine
Conhecido pela condução da economia brasileira no período do chamado "Milagre Econômico", durante os governos militares de Costa e Silva e Médici, o ex-ministro da Fazenda Delfim Netto falou a Terra Magazine sobre o crescimento de 5,4% do PIB em 2007, divulgado nesta quarta-feira pelo IBGE. E comparou os índices nos governos Lula e FHC.
- O Fernando Henrique entregou o Brasil falido. Todo mundo se recusa a entender esse fato - critica.
Veja também:
» Belluzzo: FHC teve "má sorte" em seu governo
» Economia brasileira cresce 5,4% em 2007, diz IBGE
» Mantega: alta do PIB reflete crescimento robusto
» Mendonça vê possibilidade de juros aumentarem
Professor emérito da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP), Delfim crê que o crescimento do País terá menos entraves daqui em diante.
- O Brasil, na minha opinião, se libertou das duas coisas que poderiam abortar o crescimento: a oferta de energia e o déficit em contas corrente não financiável - avalia.
No ano passado, o País também registrou um crescimento de 4% do PIB per capita (a soma do PIB dividida pela população brasileira), totalizando R$ 13.515,00 anuais. Além disso, o setor que teve a maior alta foi a agropecuária, com 5,3%, seguido por indústria (4,9%) e serviços (4,7%).
- A agricultura está bombando. O pessoal que fica falando, que fica criticando o governo, devia fazer uma viagenzinha para o interior para ver que o Brasil está crescendo lá, que é o que eles tentam esconder aqui - critica o ex-ministro.
Ele também faz um alerta para os riscos de se manter a atual política cambial do país, aludindo a frase proferida pelo presidente Lula - quando o Brasil se tornou credor externo - em referência a Deus.
- Esse câmbio é tão mais pernicioso quanto mais tempo ele continuar - afirma. - É por isso que o governo precisa fazer uma política industrial exportadora, para substituir a mãozinha de Deus quando ela decidir ir embora.
Procurada pela reportagem, a assessoria do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que ele não se manifestaria sobre as declarações de Delfim Netto. Fernando Henrique se recupera de uma cirurgia e, segundo a assessoria, passa bem.
Leia a seguir a íntegra da entrevista com o ex-ministro da Fazenda.
Terra Magazine - Qual sua avaliação do resultado dilvugado hoje?
Delfim Netto - Era o esperado. Nenhuma surpresa, e vou dizer mais: suspeito que quando vier a primeira revisão (do PIB), (o resultado) vai ser um pouquinho maior.
O senhor acha que esse crescimento se manterá em 2008?
Para 2008, na minha opinião, tá praticamente contratado.
O que sustentou esse resultado, professor?
Na verdade são as forças do mercado interno e a idéia que foi colocada através do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) de que o Brasil podia crescer. Então, você tem investimentos em infra-estrutura começando a dar sinais que estão melhorando, você tem mercado interno e salário real crescendo, emprego crescendo, importações e exportações crescendo...Não existe nenhuma limitação que possa abortar esse processo de crescimento, mesmo com grandes dificuldades no mundo, talvez você tenha alguma redução...
Como é o caso da crise nos Estados Unidos...
É, mas não creio que isso tenha uma influência maior. Acho que o crescimento vai persistir no nível que está hoje.
O setor que registrou a maior alta foi o da agropecuária. O que isso significa?
A agricultura está bombando. Ontem eu fui a Rondonópolis (MT). O pessoal que fica falando, que fica criticando o governo, devia fazer uma viagenzinha para o interior para ver que o Brasil está crescendo lá, que é o que eles tentam esconder aqui. Fui para Rondonópolis e pude observar coisas que ninguém vê.
Como por exemplo?
Como por exemplo o Brasil crescendo robustamente.
Qual a diferença entre o crescimento dos governos Lula e FHC?
A diferença é completa. O Fernando Henrique entregou o Brasil falido. Todo mundo se recusa a entender esse fato; em 2002, o Brasil estava (em tom enfático) fa-li-do. Estava com déficit, a exportação crescia 4% enquanto a divida crescia 6,5%. Tinha US$ 17 bilhões de reservas e tinha feito uma bela duma....dum apagão em 2001. E não satisfeito, fez a crise externa em 2002, o que aconteceu foi isto. Houve uma mudança, o mundo também mudou...o Lula tem sido humilde, agora diz "eu, mais uma mãozinha de Deus, conseguimos fazer a coisa rodar". Então a gente tem que reconhecer isso, que é o que está acontecendo.
Os defensores da gestão econômica do governo FHC dizem que a admnistração do PSDB enfrentou várias crises.
Olha, eu não acredito nisso. Esse negócio de que a administração do Fernando Henrique foi perseguida por Deus...Ninguém nem acreditava no bicho.
E agora estamos às portas de uma nova crise, nos EUA, não?
Na verdade nós cometemos erros graves na política cambial. Lamentavelmente a política cambial do Lula não é muito melhor do que foi no passado. A diferença é que realmente o Lula entendeu que a salvação do capitalismo está em melhorar a igualdade de oportunidades. É essa a diferença. O Brasil está vendo com um pouco mais de tranquilidade esse crescimento.
O câmbio, com o dólar se desvalorizando cada dia mais, pode complicar o crescimento?
Esse câmbio vai ter conseqüências no longo prazo. Esse câmbio é tão mais pernicioso quanto mais tempo ele continuar, porque ele vai ser combinado com um crescimento robusto, e é por isso que o governo precisa realmente fazer uma política industrial exportadora, para substituir a mãozinha de Deus quando ela decidir ir embora.
Pode ser que o superávit na balança comercial se reverta?
Isso não tem muita importância hoje. Na semana passada nós estávamos com US$ 196 bilhões de reservas, então nós temos tempo para corrigir qualquer coisa. O Brasil, na minha opinião, se libertou das duas coisas que poderiam abortar o crescimento: a oferta de energia e o déficit em contas corrente não financiável. Isso faz parte do passado.
E agora é bola pra frente?
Agora é bola pra frente.
Terra Magazine
Especial para Terra Magazine
Conhecido pela condução da economia brasileira no período do chamado "Milagre Econômico", durante os governos militares de Costa e Silva e Médici, o ex-ministro da Fazenda Delfim Netto falou a Terra Magazine sobre o crescimento de 5,4% do PIB em 2007, divulgado nesta quarta-feira pelo IBGE. E comparou os índices nos governos Lula e FHC.
- O Fernando Henrique entregou o Brasil falido. Todo mundo se recusa a entender esse fato - critica.
Veja também:
» Belluzzo: FHC teve "má sorte" em seu governo
» Economia brasileira cresce 5,4% em 2007, diz IBGE
» Mantega: alta do PIB reflete crescimento robusto
» Mendonça vê possibilidade de juros aumentarem
Professor emérito da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP), Delfim crê que o crescimento do País terá menos entraves daqui em diante.
- O Brasil, na minha opinião, se libertou das duas coisas que poderiam abortar o crescimento: a oferta de energia e o déficit em contas corrente não financiável - avalia.
No ano passado, o País também registrou um crescimento de 4% do PIB per capita (a soma do PIB dividida pela população brasileira), totalizando R$ 13.515,00 anuais. Além disso, o setor que teve a maior alta foi a agropecuária, com 5,3%, seguido por indústria (4,9%) e serviços (4,7%).
- A agricultura está bombando. O pessoal que fica falando, que fica criticando o governo, devia fazer uma viagenzinha para o interior para ver que o Brasil está crescendo lá, que é o que eles tentam esconder aqui - critica o ex-ministro.
Ele também faz um alerta para os riscos de se manter a atual política cambial do país, aludindo a frase proferida pelo presidente Lula - quando o Brasil se tornou credor externo - em referência a Deus.
- Esse câmbio é tão mais pernicioso quanto mais tempo ele continuar - afirma. - É por isso que o governo precisa fazer uma política industrial exportadora, para substituir a mãozinha de Deus quando ela decidir ir embora.
Procurada pela reportagem, a assessoria do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que ele não se manifestaria sobre as declarações de Delfim Netto. Fernando Henrique se recupera de uma cirurgia e, segundo a assessoria, passa bem.
Leia a seguir a íntegra da entrevista com o ex-ministro da Fazenda.
Terra Magazine - Qual sua avaliação do resultado dilvugado hoje?
Delfim Netto - Era o esperado. Nenhuma surpresa, e vou dizer mais: suspeito que quando vier a primeira revisão (do PIB), (o resultado) vai ser um pouquinho maior.
O senhor acha que esse crescimento se manterá em 2008?
Para 2008, na minha opinião, tá praticamente contratado.
O que sustentou esse resultado, professor?
Na verdade são as forças do mercado interno e a idéia que foi colocada através do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) de que o Brasil podia crescer. Então, você tem investimentos em infra-estrutura começando a dar sinais que estão melhorando, você tem mercado interno e salário real crescendo, emprego crescendo, importações e exportações crescendo...Não existe nenhuma limitação que possa abortar esse processo de crescimento, mesmo com grandes dificuldades no mundo, talvez você tenha alguma redução...
Como é o caso da crise nos Estados Unidos...
É, mas não creio que isso tenha uma influência maior. Acho que o crescimento vai persistir no nível que está hoje.
O setor que registrou a maior alta foi o da agropecuária. O que isso significa?
A agricultura está bombando. Ontem eu fui a Rondonópolis (MT). O pessoal que fica falando, que fica criticando o governo, devia fazer uma viagenzinha para o interior para ver que o Brasil está crescendo lá, que é o que eles tentam esconder aqui. Fui para Rondonópolis e pude observar coisas que ninguém vê.
Como por exemplo?
Como por exemplo o Brasil crescendo robustamente.
Qual a diferença entre o crescimento dos governos Lula e FHC?
A diferença é completa. O Fernando Henrique entregou o Brasil falido. Todo mundo se recusa a entender esse fato; em 2002, o Brasil estava (em tom enfático) fa-li-do. Estava com déficit, a exportação crescia 4% enquanto a divida crescia 6,5%. Tinha US$ 17 bilhões de reservas e tinha feito uma bela duma....dum apagão em 2001. E não satisfeito, fez a crise externa em 2002, o que aconteceu foi isto. Houve uma mudança, o mundo também mudou...o Lula tem sido humilde, agora diz "eu, mais uma mãozinha de Deus, conseguimos fazer a coisa rodar". Então a gente tem que reconhecer isso, que é o que está acontecendo.
Os defensores da gestão econômica do governo FHC dizem que a admnistração do PSDB enfrentou várias crises.
Olha, eu não acredito nisso. Esse negócio de que a administração do Fernando Henrique foi perseguida por Deus...Ninguém nem acreditava no bicho.
E agora estamos às portas de uma nova crise, nos EUA, não?
Na verdade nós cometemos erros graves na política cambial. Lamentavelmente a política cambial do Lula não é muito melhor do que foi no passado. A diferença é que realmente o Lula entendeu que a salvação do capitalismo está em melhorar a igualdade de oportunidades. É essa a diferença. O Brasil está vendo com um pouco mais de tranquilidade esse crescimento.
O câmbio, com o dólar se desvalorizando cada dia mais, pode complicar o crescimento?
Esse câmbio vai ter conseqüências no longo prazo. Esse câmbio é tão mais pernicioso quanto mais tempo ele continuar, porque ele vai ser combinado com um crescimento robusto, e é por isso que o governo precisa realmente fazer uma política industrial exportadora, para substituir a mãozinha de Deus quando ela decidir ir embora.
Pode ser que o superávit na balança comercial se reverta?
Isso não tem muita importância hoje. Na semana passada nós estávamos com US$ 196 bilhões de reservas, então nós temos tempo para corrigir qualquer coisa. O Brasil, na minha opinião, se libertou das duas coisas que poderiam abortar o crescimento: a oferta de energia e o déficit em contas corrente não financiável. Isso faz parte do passado.
E agora é bola pra frente?
Agora é bola pra frente.
Terra Magazine
terça-feira, março 11, 2008
PT/SP fará seminário sobre eleições municipais e estratégia de ação política
PT/SP fará seminário sobre eleições municipais e estratégia de ação política
A Executiva Estadual do PT paulista realiza um seminário estadual para um balanço da disputa política que se desenrola no país e no estado.O objetivo, segundo os organizadores, é construir um novo patamar de elaboração e ação do partido em São Paulo.
Além disso, o evento discutirá também o movimento de denúncia e de resistência à intenção do governo tucano de José Serra de privatização da CESP, cujo leilão está marcado para o dia 26 de março.
O PT paulista pretende colocar em prática a proposta de construção de um fórum de ação com as forças sociais e políticas que lutam por um projeto de desenvolvimento com distribuição de renda e participação popular para o estado de São Paulo.
O seminário será realizado no sábado(15), às 9h, no auditório do Sindicato dos Engenheiros (Rua Genebra, 25 - próximo à Câmara Municipal).
Programação
9 h - Abertura
10 h - Contraposição de projetos para o Brasil e sua repercussão no estado de São Paulo
14 h - Denúncia e resistência frente à privatização da CESP
15 h - Vencer o neoliberalismo em São Paulo – derrotar o projeto tucano.
PT/SP
A Executiva Estadual do PT paulista realiza um seminário estadual para um balanço da disputa política que se desenrola no país e no estado.O objetivo, segundo os organizadores, é construir um novo patamar de elaboração e ação do partido em São Paulo.
Além disso, o evento discutirá também o movimento de denúncia e de resistência à intenção do governo tucano de José Serra de privatização da CESP, cujo leilão está marcado para o dia 26 de março.
O PT paulista pretende colocar em prática a proposta de construção de um fórum de ação com as forças sociais e políticas que lutam por um projeto de desenvolvimento com distribuição de renda e participação popular para o estado de São Paulo.
O seminário será realizado no sábado(15), às 9h, no auditório do Sindicato dos Engenheiros (Rua Genebra, 25 - próximo à Câmara Municipal).
Programação
9 h - Abertura
10 h - Contraposição de projetos para o Brasil e sua repercussão no estado de São Paulo
14 h - Denúncia e resistência frente à privatização da CESP
15 h - Vencer o neoliberalismo em São Paulo – derrotar o projeto tucano.
PT/SP
domingo, março 09, 2008
O escândalo dos cartões
O governo Lula tem o portal de gastos mais detalhado e transparente de todos os tempos. Mas parte da mídia tenta passar a idéia de que o governo é o mais leniente e corrupto de todos os tempos. Uma inversão espetacular do sentido dos fatos
Por Bernardo Kucinski
Dos muitos abusos com cartões corporativos denunciados pela imprensa, o mais significativo foi a redecoração do apartamento do reitor da Universidade de Brasília, com R$ 470 mil de um fundo de apoio a pesquisas. Daria para comprar um apartamento de três quartos em Copacabana, lembrou na Folha o poeta Ferreira Gullar. O reitor pagou R$ 859 por um saca-rolhas, R$ 7.100 por um fogão. “Quantas bocas terá esse fogão?”, ironizou o poeta. Um fundo de pesquisa nunca deveria ser usado para reformar um apartamento. Ao defender esses gastos, o reitor personificou o que os sociólogos chamam de “elite patrimonialista”, que se apropria do patrimônio público como se fosse particular.
Mas a maioria dos abusos com cartões corporativos denunciados pela mídia resultou de esquecimentos, pequenos enganos ou deslizes patrimonialistas isolados, como a reforma de uma mesa de bilhar de uso recreativo de funcionários. Não foram gastos sistemáticos, como os do reitor. Foram exceção, não regra. Ocorreu uma espécie de corrupção das denúncias contra corrupção. O exemplo mais gritante foi o da revista Veja, que falseou estatísticas para convencer o leitor de que no governo Lula instalou-se uma farra com cartões corporativos.
Veja montou um gigantesco gráfico com as curvas dos saques partindo quase do zero no mandato de Fernando Henrique e subindo, vertiginosamente, para chegar a R$ 58 milhões no governo Lula. No ponto baixo da curva colocou uma foto de FHC e, no seu pico, uma de Lula, destacando: “Aumento no total de saques no governo lula: 2.000%”.
A verdade é que os gastos totais por servidores caíram de R$ 233 milhões no último ano do governo de Fernando Henrique para R$ 177 milhões no ano passado. O que o governo Lula fez foi acelerar o processo de substituição das antigas contas tipo B, que não são transparentes e podem ser fraudadas, por cartões corporativos. Estes emitem automaticamente extrato detalhado dos gastos e são à prova de fraude. Além disso, Lula reduziu em escala maior ainda os pagamentos com cheques e criou o Portal da Transparência, que permite a todos os brasileiros detectar todo e qualquer gasto com fundos de provisão do governo. Confira você mesmo em www.portaldatransparencia.gov.br.
Enquanto isso, o governo de José Serra, em São Paulo, dobrou os gastos com cartões corporativos, totalizando R$ 108 milhões em 2007, e sem nenhum portal de transparência. Nem por isso foi denunciado por Veja – um caso claro de manipulação da informação. Essas manipulações conseguiram produzir um efeito que em teoria jornalística se chama “inversão de sentidos”. Tanto assim que, na pesquisa Sensus fechada naqueles dias, 83,2% dos consultados disseram ser contra o uso de cartões corporativos pelo governo.
Lula reconheceu a importância de algumas das denúncias, até agradeceu aos jornalistas, mas elogiou os cartões e mandou aprimorar os controles. O principal abuso, apontado pelo estudioso do assunto, Marcos Fernandes, numa das poucas reportagens sensatas da Folha, são os saques em dinheiro. Ele disse que os pagamentos com cartões são o que há de mais transparente e moderno na administração pública e em empresas privadas, mas os saques em dinheiro podem gerar desvios. Ocorre que quase metade do total em dinheiro foram saques do IBGE e outro terço da agência de inteligência, a Abin. O resto dos ministérios sacou pouquíssimo em dinheiro. Os da Abin foram justificados pela intensificação das operações e reforço exigido pela segurança do Pan. A Folha assanhou-se com os saques do IBGE e pautou seu repórter para descobrir um suposto mundo de abusos. Mas os dirigentes do IBGE deixaram claro que foram gastos indispensáveis à realização de dois censos, o agropecuário e o de contagem de população em pequenos municípios, envolvendo deslocamentos de 2 mil recenseadores em locais que só aceitam pagamentos em dinheiro. Os gastos foram auditados e conferidos, um por um.
Mesmo assim, a Folha publicou a pauta furada em tom de denúncia. O jornal tem insistido em publicar denúncias vazias ou ilações como se fossem fatos. Para se proteger, publica ao lado uma pequena retranca com a versão do “outro lado”. Marcelo Coelho, da própria Folha, chamou essa obstinação de “macarthismo das miudezas”. Foram vazias as denúncias que tentaram ligar tesoureiros do PT ao uso de cartões corporativos ou funcionários ao recebimento indevido de diárias de viagem. A revista Época deu as informações corretas e bem contextualizadas. Mostrou que 99% dos cartões são usados pelo baixo escalão do governo. É uma ferramenta de trabalho dos operadores de programas e chefes de escritórios regionais, e não uma mordomia da elite dirigente. São cerca de 13 mil funcionários, a maioria de carreira, encarregados de pagar compras e suprimentos. Podem ser considerados de um “estamento”, da burocracia, por terem poderes especiais. Mas não de elite patrimonialista.
Quase todas as reportagens omitiram que depois do gasto o servidor precisa apresentar recibos, notas fiscais e a justificativa da despesa, seja qual for a forma de pagamento, com cartão ou com cheques de contas tipo B. Outro truque foi omitir que o próprio governo fiscaliza os gastos, por amostragem e outros métodos. Uma das reportagens do Estadão escreveu que “desde 2003, primeiro ano do governo Lula, a Controladoria-Geral da União assistiu a um crescimento, ano a ano, de 65,5% no número de punições administrativas”. Notem a inversão dos sujeitos, como se CGU fosse o mocinho e o governo o bandido. Ora, a CGU é o governo, é o seu principal instrumento para coibir abusos. E a CGU de Lula tem sido especialmente severa, determinando 60% mais demissões e outras punições de servidores, por abusos, do que o governo anterior. Entidades de servidores públicos já a acusaram de perseguição.
A mídia também não considerou a ordem de importância dos valores. Chama-se a esse mecanismo de “não hierarquização dos fatos”. Como disse em editorial a revista Época, que não aderiu à manipulação, o gasto com cartões corporativos “representa uma fração pequena de todos os gastos do governo. E o fato de eles deixarem registros públicos que depois podem ser rastreados também deve ser louvado. O ponto a criticar, evidentemente, não é o uso de cartões corporativos, por funcionários, mas seu abuso”.
Fui conferir o Portal da Transparência. E descobri que o total de gastos com cartões corporativos é menos do que um décimo de milésimo da quantia gasta pelo governo. Enquanto isso, os juros e a rolagem da dívida pública consumiram em 2007 quase 60% do total. O verdadeiro escândalo revelado pelo portal é o modelo econômico do governo, que gasta em juros mais da metade de tudo o que arrecada. Mas isso a grande mídia faz questão de não ver.
A pergunta que se faz é: por que tanta manipulação? É a retomada da agenda que tenta desqualificar o governo no plano moral, já que a grande imprensa aprova e aplaude as políticas macroeconômicas, embora com uma ou outra restrição isolada. A insistência em citar o nome de Lula e seus familiares nas manchetes revela mais claramente a intenção de devassar a intimidade do presidente e, com isso, despojá-lo de toda dignidade.
Por Bernardo Kucinski
Dos muitos abusos com cartões corporativos denunciados pela imprensa, o mais significativo foi a redecoração do apartamento do reitor da Universidade de Brasília, com R$ 470 mil de um fundo de apoio a pesquisas. Daria para comprar um apartamento de três quartos em Copacabana, lembrou na Folha o poeta Ferreira Gullar. O reitor pagou R$ 859 por um saca-rolhas, R$ 7.100 por um fogão. “Quantas bocas terá esse fogão?”, ironizou o poeta. Um fundo de pesquisa nunca deveria ser usado para reformar um apartamento. Ao defender esses gastos, o reitor personificou o que os sociólogos chamam de “elite patrimonialista”, que se apropria do patrimônio público como se fosse particular.
Mas a maioria dos abusos com cartões corporativos denunciados pela mídia resultou de esquecimentos, pequenos enganos ou deslizes patrimonialistas isolados, como a reforma de uma mesa de bilhar de uso recreativo de funcionários. Não foram gastos sistemáticos, como os do reitor. Foram exceção, não regra. Ocorreu uma espécie de corrupção das denúncias contra corrupção. O exemplo mais gritante foi o da revista Veja, que falseou estatísticas para convencer o leitor de que no governo Lula instalou-se uma farra com cartões corporativos.
Veja montou um gigantesco gráfico com as curvas dos saques partindo quase do zero no mandato de Fernando Henrique e subindo, vertiginosamente, para chegar a R$ 58 milhões no governo Lula. No ponto baixo da curva colocou uma foto de FHC e, no seu pico, uma de Lula, destacando: “Aumento no total de saques no governo lula: 2.000%”.
A verdade é que os gastos totais por servidores caíram de R$ 233 milhões no último ano do governo de Fernando Henrique para R$ 177 milhões no ano passado. O que o governo Lula fez foi acelerar o processo de substituição das antigas contas tipo B, que não são transparentes e podem ser fraudadas, por cartões corporativos. Estes emitem automaticamente extrato detalhado dos gastos e são à prova de fraude. Além disso, Lula reduziu em escala maior ainda os pagamentos com cheques e criou o Portal da Transparência, que permite a todos os brasileiros detectar todo e qualquer gasto com fundos de provisão do governo. Confira você mesmo em www.portaldatransparencia.gov.br.
Enquanto isso, o governo de José Serra, em São Paulo, dobrou os gastos com cartões corporativos, totalizando R$ 108 milhões em 2007, e sem nenhum portal de transparência. Nem por isso foi denunciado por Veja – um caso claro de manipulação da informação. Essas manipulações conseguiram produzir um efeito que em teoria jornalística se chama “inversão de sentidos”. Tanto assim que, na pesquisa Sensus fechada naqueles dias, 83,2% dos consultados disseram ser contra o uso de cartões corporativos pelo governo.
Lula reconheceu a importância de algumas das denúncias, até agradeceu aos jornalistas, mas elogiou os cartões e mandou aprimorar os controles. O principal abuso, apontado pelo estudioso do assunto, Marcos Fernandes, numa das poucas reportagens sensatas da Folha, são os saques em dinheiro. Ele disse que os pagamentos com cartões são o que há de mais transparente e moderno na administração pública e em empresas privadas, mas os saques em dinheiro podem gerar desvios. Ocorre que quase metade do total em dinheiro foram saques do IBGE e outro terço da agência de inteligência, a Abin. O resto dos ministérios sacou pouquíssimo em dinheiro. Os da Abin foram justificados pela intensificação das operações e reforço exigido pela segurança do Pan. A Folha assanhou-se com os saques do IBGE e pautou seu repórter para descobrir um suposto mundo de abusos. Mas os dirigentes do IBGE deixaram claro que foram gastos indispensáveis à realização de dois censos, o agropecuário e o de contagem de população em pequenos municípios, envolvendo deslocamentos de 2 mil recenseadores em locais que só aceitam pagamentos em dinheiro. Os gastos foram auditados e conferidos, um por um.
Mesmo assim, a Folha publicou a pauta furada em tom de denúncia. O jornal tem insistido em publicar denúncias vazias ou ilações como se fossem fatos. Para se proteger, publica ao lado uma pequena retranca com a versão do “outro lado”. Marcelo Coelho, da própria Folha, chamou essa obstinação de “macarthismo das miudezas”. Foram vazias as denúncias que tentaram ligar tesoureiros do PT ao uso de cartões corporativos ou funcionários ao recebimento indevido de diárias de viagem. A revista Época deu as informações corretas e bem contextualizadas. Mostrou que 99% dos cartões são usados pelo baixo escalão do governo. É uma ferramenta de trabalho dos operadores de programas e chefes de escritórios regionais, e não uma mordomia da elite dirigente. São cerca de 13 mil funcionários, a maioria de carreira, encarregados de pagar compras e suprimentos. Podem ser considerados de um “estamento”, da burocracia, por terem poderes especiais. Mas não de elite patrimonialista.
Quase todas as reportagens omitiram que depois do gasto o servidor precisa apresentar recibos, notas fiscais e a justificativa da despesa, seja qual for a forma de pagamento, com cartão ou com cheques de contas tipo B. Outro truque foi omitir que o próprio governo fiscaliza os gastos, por amostragem e outros métodos. Uma das reportagens do Estadão escreveu que “desde 2003, primeiro ano do governo Lula, a Controladoria-Geral da União assistiu a um crescimento, ano a ano, de 65,5% no número de punições administrativas”. Notem a inversão dos sujeitos, como se CGU fosse o mocinho e o governo o bandido. Ora, a CGU é o governo, é o seu principal instrumento para coibir abusos. E a CGU de Lula tem sido especialmente severa, determinando 60% mais demissões e outras punições de servidores, por abusos, do que o governo anterior. Entidades de servidores públicos já a acusaram de perseguição.
A mídia também não considerou a ordem de importância dos valores. Chama-se a esse mecanismo de “não hierarquização dos fatos”. Como disse em editorial a revista Época, que não aderiu à manipulação, o gasto com cartões corporativos “representa uma fração pequena de todos os gastos do governo. E o fato de eles deixarem registros públicos que depois podem ser rastreados também deve ser louvado. O ponto a criticar, evidentemente, não é o uso de cartões corporativos, por funcionários, mas seu abuso”.
Fui conferir o Portal da Transparência. E descobri que o total de gastos com cartões corporativos é menos do que um décimo de milésimo da quantia gasta pelo governo. Enquanto isso, os juros e a rolagem da dívida pública consumiram em 2007 quase 60% do total. O verdadeiro escândalo revelado pelo portal é o modelo econômico do governo, que gasta em juros mais da metade de tudo o que arrecada. Mas isso a grande mídia faz questão de não ver.
A pergunta que se faz é: por que tanta manipulação? É a retomada da agenda que tenta desqualificar o governo no plano moral, já que a grande imprensa aprova e aplaude as políticas macroeconômicas, embora com uma ou outra restrição isolada. A insistência em citar o nome de Lula e seus familiares nas manchetes revela mais claramente a intenção de devassar a intimidade do presidente e, com isso, despojá-lo de toda dignidade.
sábado, março 08, 2008
DE MILLÔR FERNANDES A CELSO FURTADO – O OITO DE MARÇO –

Laerte Braga
O sujeito, um trabalhador comum, desses que ralam de oito a dez horas por dia, se deixou fascinar pela presença da extraordinária atriz Sandra Bréa na primeira novela a cores apresentada pela GLOBO, em pleno “milagre brasileiro”, “O bem amado”, da lavra de Dias Gomes.
A novela era levada ao ar às dez horas, exigência da censura e como todas as novelas de Dias Gomes tinha um forte conteúdo crítico, uma espécie de metralhadora giratória nas mãos de um excelente atirador, disparando a torto e a direito, mas em alvos certos.
Sandra Bréa interpretava a filha “problemática” do prefeito Odorico Paraguaçu, vivido por Paulo Gracindo e tinha um amor tumultuado pelo médico da cidade, o ator Jardel Filho (um dos maiores atores do teatro brasileiro). Alcoólatra, na novela, refletia varias revoltas ao mesmo tempo. Em si, contra si, e por estar no mundo do “coronel Odorico”. Ou pelo mundo do “coronel Odorico”, nada tão diferente do mundo da ditadura militar, vigente à época da novela.
Uma das decisões dos ditadores foi a de criar redes regionais e nacionais de tevê, centralizando as transmissões para vender a ideologia do “ame-o ou deixe-o”. A consciência do peso das comunicações no processo de alienação.
Essa forma de barbárie aparentemente inodora, insípida e sem provocar dor visível, começou a destruir valores e culturas regionais num Brasil de muitos brasis.
O trabalhador trabalhava seu dia e após o jantar um noticiário na tevê, preparava-se para a novela, mais precisamente para Sandra Bréa. Um jeito desinibido de ser mulher, arrogante e desafiadora em relação ao pai, um chefete político com o título de “coronel”, corrupto e violento com os adversários, dócil e servil com os que lhe interessavam.
A mulher do interior, acostumada ao esquema de lavar, cozinhar, passar e cama, sem noção de qualquer tipo de prazer da vida, prazer que implicasse em dar-lhe um caráter de ser humano, decidiu um belo dia esperar o marido à porta de sua casa vestida e maquiada tal e qual Sandra Bréa, o fetiche, a paixão alucinada e desvairada do marido. Foi de muitos maridos e solteiros enquanto durou e depois da novela.
Ao chegar em casa e perceber a transformação da mulher o trabalhador imaginou estar se deparando com uma vagabunda, foi até a cozinha, passou a mão num facão, esfaqueou e matou a companheira.
Deu a seguinte explicação na Delegacia. “Num sei o que deu nela, virou puta do dia para a noite, influência dessa desgraçada da televisão”. Foi processado, julgado e absolvido sob o argumento de “privação momentânea dos sentidos” e mais o discurso tradicional de valores morais e ofensa grave ao chefe da família, por aí afora.
A contradição de um tempo e a realidade cultural imposta pelos “coronéis” desde que um deles inventou a tal história da maçã e vendeu-a como um dos peixes mais consumidos num mundo de alienação.
Millôr Fernandes teve talvez a frase mais machista dentre todas em reação ao movimento feminista. “O melhor movimento das mulheres continua a ser o dos quadris”. Posso até inferir pelas circunstâncias de tempo, espaço e jeito de ser que o extraordinário jornalista não quis outra coisa que não referir-se a determinadas posturas que a seu modo de ver eram equivocadas. Não é um machista no sentido lato da palavra. A frase é machista.
Mas foi Celso Furtado, o extraordinário brasileiro que a ditadura cassou e acabou catedrático vitalício da Sorbonne, quem melhor definiu a revolução provocada pela mulher no século passado; “o maior movimento revolucionário do século XX”. A afirmação ultrapassava o queimar dos sutiãs até a entrada da mulher no chamado mercado de trabalho e a questões comportamentais, ou forma de se colocar num mundo machista e de senhores.
E foi Simone de Beuvoir quem deu conceitos definitivos, tanto em sua obra como nessa frase a revolução a que Furtado aludiu: “não se nasce mulher, se faz mulher”.
E foi a televisão também, noutra novela, uma adaptação da obra de Jorge Amado “Gabriela Cravo e Canela”, quem primeiro promoveu a condenação de um “coronel” do interior da Bahia (podia ser de qualquer interior e de muitas metrópoles) por crime que se chamava “contra a honra”.
Não foi nem gratuito e nem foi um instante de defesa da mulher. Foi uma constatação da necessidade de se incorporar mais consumidores ao mercado achando que determinada marca de calça jeans é “liberdade”.
Juízo de um escriba de todos os dias e de uma forma simplificada sobre o conceito mulher: “não há nada mais chato que mulher que lava, passa e deita na cama”. Há que se ter vida e vida significa alma, espírito, ser, coisas do gênero.
Uma Thuman, outra notável atriz costuma referir-se à mulher pós século XX como aquela que “a mulher não veste uma roupa, as roupas vestem a mulher”.
É o dilema do caminho da mulher nos dias atuais. Romper as barreiras de um machismo renascido na relação explorador e explorado, agora com vernizes e tintas de matizes machistas criados na apropriação que o capitalismo consegue, em suas várias formas de monstro mutante transformou o ser mulher revolucionário de Celso Furtado e de Simone de Beuvoir, numa engrenagem supostamente livre, tanto quanto o homem, num mundo de zumbis e robôs montados e vestidos em série pelas redes mundiais que comandam a sociedade de espetáculo e montam o circo da “liberdade”, na perda de um valor maior, o da identidade.
Homens e mulheres transformados em máquinas com etiquetas dos donos, como as antigas iniciais marcadas a ferro quente no gado dos rancheiros texanos. Seres assexuados, sem forma, montados em academias e por personal trainers, tanto quanto com bisturis sonhando SEREM cinzéis em bundas modelo “bunda das cariocas.”
Há uma nova etapa na luta pelos direitos da mulher, para usar a expressão comum, que é, por sua vez, comum ao homem também. A da reconquista das identidades individuais e coletivas e isso vale dizer que a luta ganhou um outro aspecto. Não é restrita a mulher, mas ao ser humano como um todo.
O indivíduo, capaz de identificar-se como sujeito de sua história, de sua vida e construir coletivamente o mundo possível, longe das amarras do show business, o espetáculo escrito e dirigido pelos “coronéis” que agora, ao contrário de antes, não chegam montados em reluzentes corcéis, salvando “princesas” de bruxas e monstros, mas no aparato tecnológico da dominação e da escravização nas suas formas mais cruéis e perversas. Criaram uma grande arca onde aprisionam almas e vontades, transformando homens e mulheres em máquinas supostamente livres num mundo de violência sob todas as formas e onde permanece a mesma violência dos “coronéis” que matavam pela “honra”.
Se o poder da maternidade peculiar à mulher foi durante séculos usado como instrumento de dominação, de castração do ser mulher, na suposta grandeza e docilidade do ser frágil e simbolizado na figura de Maria (moldada nos interesses dos donos), foi banalizado na barbárie e na violência do ser “livre” dentro de uma jaula imensa onde despejam todos os seres marcados como consumidores de liberdade e dignidade numa ou duas, três ou quatro marcas, símbolos de uma realidade quase orweliana, bem próxima do mundo novo de Huxley.
Não é uma luta que tenha terminado. Mal começou.
Se num momento o sutiã significou a ruptura com a ordem machista, neste momento, o ser sujeito de si passa a ser vital para descobrir que abrindo as portas pode existir e existe uma roseira e não um elevador que desemboca num precipício de supostas realidades.
É como o 13 de maio. Não é um dia de comemoração. É um dia de lutas.
É abrir a janela, enxergar a roseira e as rosas. Respirar o ar que não tem nada a ver com o mundo que chamam de real.
Nos céus, ou firmamento, ou espaço, como queira, existe uma constelação CFT. Tem forma e brilho de mulher.
Publicado no Republica Vermelha
quinta-feira, março 06, 2008
"PALESTINIZAR" A AMÉRICA DO SUL – I

Laerte Braga
Entender a ação terrorista do governo do narcotraficante Álvaro Uribe na Colômbia, em território do Equador, é perceber que aos interesses norte-americanos pouco importa a paz, a democracia (gostam de usar a expressão), importam os "negócios", os interesses políticos e econômicos.
O governo Bush tem sofrido severos revezes no Iraque, no Afeganistão, mas mantém o controle dos "negócios" que, necessariamente, não são "negócios" do povo americano (que é quem paga a conta, junto com o resto do mundo das loucuras do cowboy que fala com Deus), mas os "negócios" dos grupos que controlam a Organização Terrorista Casa Branca.
A eleição de presidentes independentes em países estratégicos na América do Sul, Brasil e Venezuela, criou um complicador para Bush. O efeito da presença de Chávez e Lula resultou em Evo Morales, em Rafael Corrêa, num governo de centro-esquerda no Uruguai, nas posições mais ou menos independentes dos governos da Argentina e do Chile e na perspectiva da eleição de um ex-bispo católico no Paraguai.
Quando era presidente dos Estados Unidos Bil Clinton fechou com o então presidente do Brasil Fernando Henrique, o acordo de livre comércio denominado ALCA (Aliança de Livre Comércio das Américas) e pediu a FHC que estudasse a fusão das forças armadas de todo o continente latino-americano.
A ALCA, passo gigantesco no processo de recolonização da América do Sul foi rejeitada pela imensa maioria dos governos da Região e logo em seguida, o presidente da Venezuela propôs uma integração desses países, ao mesmo tempo em que a Venezuela era admitida no MERCOSUL.
A integração das forças armadas proposta por Clinton teria que ser feita mais tarde na opinião de FHC, para não despertar reações mais fortes, inclusive dos setores militares.
Clinton foi vaselina, Bush é areia. Um sopra outro morde.
Nesse avanço sobre a América do Sul os norte-americanos conseguiram com um dos governos anteriores ao de Corrêa uma base no Equador (Manta), tentaram o controle da base de Alcântara no Brasil e controlam a Amazônia através do SIVAM (concorrência fraudulenta no início do primeiro mandato de FHC que lhe valeu uma chantagem feita por um delegado de Polícia Federal – gravações) e vieram com a conversa que o terrorismo internacional tinha montado uma base de operações em Foz do Iguaçu, onde pretendiam montar outra base militar.
Os objetivos? O petróleo venezuelano, a Amazônia e a água no Sul do Brasil (aqüífero Guarani, quinto maior reservatório subterrâneo de água doce do mundo). E outros do mesmo tamanho.
Nesse contexto sobraram dois governos. O de Alan Garcia no Peru e o da Colômbia do narcotraficante Álvaro Uribe.
A presença de duas forças insurgentes na Colômbia, o ELN (Exército de Libertação Nacional) e as FARCs (Forças Armadas Revolucionárias Colombianas) se prestavam e davam o pretexto para ações políticas e militares nesta parte do mundo. Garcia enfrenta séria oposição no Peru e o clima no país é de confronto tamanha a corrupção e a barbárie do regime.
Ocupar e controlar a Colômbia foi simples. O presidente que antecedeu Uribe, Pastraña, iniciou um diálogo com as guerrilhas com o objetivo de por fim à guerra civil (as guerrilhas controlam quase 60% do território da Colômbia) e Uribe foi eleito com dinheiro dos EUA e dos grupos paramilitares (narcotráfico) com a promessa de derrotar as FARCs e o ELN.
O traficante transformado em presidente permitiu a ocupação de seu país inclusive o controle de suas forças armadas por assessores militares norte-americanos.
O governo do Equador já anunciou que terminado o contrato que cedeu a base de Manta não vai renová-los. A base serve inclusive para orientar os terroristas de Uribe em ações dentro do próprio território equatoriano.
Da Colômbia partem ações golpistas contra governos hostis ou assim entendidos em relação aos EUA, sobretudo Chávez e Evo Morales e agora Corrêa no Equador. A imprensa internacional (independente em relação à brasileira comprada pelos EUA) cita a presença de terroristas do Mossad (serviço secreto de Israel) na Colômbia. Assessoram os assessores norte-americanos, são especialistas em matanças, estupros, seqüestros, operações assim.
O complicador para os planos terroristas de Bush e seu sicário Uribe começaram a aparecer quando governos europeus iniciaram pressões por um acordo para a libertação de prisioneiros de guerra de ambos os lados e o reinício das conversações visando por fim à guerra civil naquele país.
A maior pressão veio da França diante da prisão de Ingrid Betancourt, ex-senadora e candidata presidencial na Colômbia, adversária de Uribe e que tem dupla nacionalidade. Colombiana e francesa.
De imediato o comando das FARCs manifestou-se a favor do diálogo e da troca de prisioneiros de guerra exigindo que o mediador fosse o presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
Chávez foi à França, ganhou o apoio de Sarkozy (pressionado pela opinião pública) e propôs a Uribe um acordo de alto nível em que prisioneiros seriam trocados, inclusive a ex-senadora, isso pouco antes do Natal do ano passado. Governos como o do Brasil, da Suíça, da Argentina e da Espanha, além de representantes da ONU participaram das negociações.
Estabelecidas as condições as FARCs deram a partida enviando um grupo a um ponto previamente estabelecido onde entregariam provas que Betancourt estava viva e começa aí o desvario terrorista de Uribe, determinado pelo governo Bush, com objetivos de criar e forçar a "palestinização" dessa parte do mundo. O ponto de partida da farsa.
Os emissários foram presos numa ação traiçoeira, documentos de Betancourt enviados em caráter pessoal à sua família foram tornados públicos e distorcidos e o acordo foi por água abaixo. Betancourt teria passado o Natal com seus familiares se as condições estabelecidas com a concordância de Uribe tivessem sido cumpridas pelo terrorista colombiano.
A mídia em toda a América do Sul, controlada e comprada pelos norte-americanos transformou o fato em "ação libertadora e corajosa" do governo "democrático" de Uribe.
A pressão de governos europeus levou as FARCs a manifestar disposição de negociar um acordo a uma nova tentativa, sempre mediado por Chávez e aval dos países participantes. Pouco antes do ano novo vários líderes e delegados dos países participantes das conversações foram a um ponto da selva colombiana, com a bandeira da Cruz Vermelha. Entre eles o ex-presidente Kirchner da Argentina.
Uribe havia aceito as condições que eram simples: desmilitarização da área onde os prisioneiros de guerra seriam entregues ao grupo. Uribe intensificou a ação militar na região ao contrário do que acordara e ao receber a comunicação que um dos prisioneiros estava em Bogotá, num orfanato, o filho de uma prisioneira com um guerrilheiro, tornou público o fato como se fora uma descoberta do serviço secreto colombiano (EUA/ISRAEL) e mais uma vez a mídia fez um escândalo em torno do fato, torcendo e distorcendo. A comunicação partiu das FARCs dentro do acordo estabelecido entre as partes.
O fato levou o ex-presidente Kirchner a irritar-se e chamar Uribe de "inconseqüente" e despertou fortes reações em governos europeus, a França principalmente, o que acabou resultando na libertação de quatro prisioneiros entregues a Chávez.
A disposição das FARCs de negociar, a libertação de prisioneiros de guerra pelo ELN frustraram os mentores de Uribe e ameaçavam deixar o narcotraficante que preside a Colômbia em situação difícil, além do risco, risco sim, de libertação de Ingrid Betancourt, candidata natural à sucessão de Uribe, num momento em que o presidente traficante tenta uma reforma constitucional para ser novamente reeleito, um terceiro mandato.
A paz não interessa a Bush e Uribe é preposto muito bem pago do terrorista norte-americano.
Daí ao assassinato de Raúl Reyes que negociava com o governo do Equador a libertação de um preso equatoriano e com o governo francês a libertação de Ingrid Betancourt foi um passo. A reação do chanceler francês Bernard Kouchner dá bem a medida disso: "é uma péssima notícia para a paz, estávamos conversando com Raúl sobre a libertação da senhora Betancourt e estávamos próximos de um acordo".
(continua)
"PALESTINIZAR" A AMÉRICA DO SUL – II
Laerte Braga
A fome com a vontade de comer. Foi o que Uribe fez seguindo fielmente as orientações do governo terrorista de George Bush.
A fome. Uribe vive um momento político em que necessita mais que nunca de criar situações que lhe permitam aprovar a reforma constitucional e o direito de disputar uma segunda reeleição. Um terceiro mandato. Isso interessa a ele e interessa ao governo dos Estados Unidos.
A vontade de comer. Bush não tem e já mostrou isso com a falta de escrúpulos quando se trata de objetivos de dominação política e econômica dos interesses que representa. Os governos de esquerda, centro-esquerda e independentes na América do Sul são um claro revés a um presidente que termina seu período de forma melancólica, mas não necessariamente batido ou derrotado pois os EUA são imperialistas com ou sem Bush. O que muda é o estilo.
A revista NEWSWEEK, de direita, relacionou os cem maiores traficantes do mundo ou capangas do tráfico e lá está o então senador Álvaro Uribe.
"The declassified defense Department intelligence report, dated September 1991, reads like a Who's Who of Colombia's cocaine trade. The list includes the Medellin cartel's kingpin, Pablo Escobar, and more than 100 other thugs, assassins, traffickers and shady lawyers in his alleged employ. Then there's entry 82: "Alvaro Uribe Velez--a Colombian politician and senator dedicated to collaboration with the Medellin cartel at high government levels. Uribe was linked to a business involved in narcotics activities in the U.S.... Uribe has worked for the Medellin cartel and is a close personal friend of Pablo Escobar Gaviria." Escobar died in a 1993 police raid. Two years ago this week, Uribe became president of Colombia".
Apontado como "…Álvaro Uribe Velez o político colombiano e senador dedica colaboração ao cartel de Medellín... Uribe está ligado aos negócios envolvendo atividades de narcóticos nos Estados Unidos... Uribe trabalhou para o cartel de Medellín e foi amigo pessoal de Pablo Escobar Gaviria, morto em 1993 numa ação policial. Dois anos depois Uribe chegou à presidência da Colômbia".
Lula à sua maneira e Chávez à sua perceberam que a crescente presença dos EUA na Colômbia tinha objetivos claros em relação a políticas golpistas contra a Venezuela e ocupação da Amazônia. Uribe é simplesmente um capanga que se contrata e ao qual se paga, no estilo vende a mãe a quem der mais.
A Colômbia transformou-se em base de operações terroristas dos norte-americanos e com larga participação de agentes de Israel (o MOSSAD, serviço de secreto de Israel).
A última coisa que essas quadrilhas poderiam desejar era a paz. O movimento executado nesse tabuleiro por Chávez e Lula em buscar negociações de paz com as guerrilhas colombianas contrariava o chamado Plano Colômbia, atrapalhava os "negócios" do narcotráfico de Uribe e os "negócios" do terrorismo político e econômico de Bush.
A fome e a vontade de comer.
Vender a idéia de defensores intransigentes da democracia, da liberdade, de combate ao terrorismo nunca foi problema. Redes de tevê como a GLOBO existem aos montes, informam a informação que interessa aos "negócios" e apresentam a fatura, são parte do esquema.
Conseguem 64 milhões de telefonemas de espectadores inebriados pelo mundo do espetáculo para decidir quem sair de um bordel, o BBB-8.
A simples idéia que Ingrid Betancourt pudesse vir a ser solta e se transformasse na peça política mais importante na Colômbia contra Uribe aterrorizou os dois presidentes. O traficante e o terrorista.
Todas as tentativas de acordo e entendimentos ou foram afastadas ou acordadas e rompidas em operações bem ao estilo de bandidos texanos.
As imagens liberadas pelo governo do Equador do massacre no acampamento das FARCs, pouco mais de vinte pessoas, são mais que chocantes. Ultrapassam a violação da soberania equatoriana e se inscrevem no campo dos massacres terroristas bárbaros e estúpidos em função de "negócios". Para os americanos que gostam de se referir ao ataque japonês a Pearl Harbour como um momento de violação de todas as normas internacionais e de vergonha para o Japão, o massacre no Equador não difere em nada na essência.
O governo de Uribe tinha conhecimento da presença de guerrilheiros no Equador e sabia que essa presença se prestava às negociações conduzidas pelos presidentes da Venezuela e do Equador. A Colômbia foi cientificada dessas conversações e Uribe concordou. Todo o processo construído às claras e dele tinham conhecimento governos da Espanha, da França, da Suíça, da Argentina e as Nações Unidas.
Raúl Reyes foi ao Equador negociar. Era o negociador das FARCs. Participou de um congresso bolivariano naquele país e nessa condição.
A presença de guerrilheiros das FARCs no Equador com esse objetivo nunca incomodou a Colômbia até o momento que lá chegou Raul Reyes. Foi o último golpe traiçoeiro de Uribe (outros virão). Informado da presença de Reyes recebeu ordens de Bush para atacar e o fez.
Neste momento Uribe joga com a insanidade da guerra, em exibir-se como presidente que enfrenta "terroristas" (não foi por outra razão que Bush decidiu que as guerrilhas são "terroristas" e não forças insurgentes como as classifica as Nações Unidas), presidente que defende a Colômbia de ameaças internacionais e que "merece" mais um mandato para dar segurança aos colombianos.
O que Uribe e Bush não contavam era com a reação imediata dos presidentes da Venezuela e do Equador e, principalmente, a posição dos demais países sul americanos, coesos e claros no repúdio ao ataque e muito menos com reações como a do governo da França, e a comunidade internacional de um modo geral.
Deslocar o assunto da ONU para a OEA limitou o campo de ação dos Estados Unidos, méritos da política externa brasileira, da ação do ministro Celso Amorim, esvaziou as pretensões bélicas de Uribe e o cadáver que o presidente traficante foi buscar para mostrar como troféu transformar-se em mártir da luta pela libertação dos povos latino-americanos, o que se imaginava o "terrorista" que William Bonner proclama histérico todas as noites no JORNAL NACIONAL era o negociador da paz.
As imagens liberadas pelo governo do Equador mostram que os guerrilheiros estavam dormindo e muitos foram executados. O próprio Reyes. As fotos e filmagens feitas no local exibem corpos de uma guerrilheira executada pelas costas, dormindo e os sobreviventes, ainda no local, enquanto iam sendo socorridos relatavam às autoridades equatorianas o ataque esse sim terrorista e inconseqüente de Álvaro Uribe, presidente traficante. Determinado por George Bush, líder da principal organização terrorista em operação no mundo, a Casa Branca, com participação de agentes de Israel (aqueles que agem em nome de Deus, pois são povo superior).
Gandhi tem uma frase precisa para esse tipo de situação: "o erro não se torna verdade por se difundir e multiplicar facilmente. Do mesmo modo a verdade não se torna erro pelo fato de ninguém a ver".
Cabe como luva ao episódio.
A aliança entre o narcotráfico e a Casa Branca para transformar essa parte do mundo e o conjunto de riquezas de toda a América do Sul em propriedade dos EUA para sustentar uma economia em crise e sustentando-se na exploração de povos de países como a Colômbia. Palestinizar a região significa entrar no que Colin Powell, secretário de Estado do primeiro governo Bush chamou de "mercado de um trilhão de dólares".
É só o que enxergam e Uribe, nesse negócio, é capanga.
Quando o embaixador dos EUA no Brasil, na década de 70, foi a Washington relatar as torturas e sistemáticas violações de direitos humanos pelo governo Médice, ouviu do presidente Nixon o seguinte: "é terrível, mas vamos fechar os olhos, eles são nossos aliados".
A forma de fazer "negócios" continua a mesma.
A propósito, o irmão do general Naranjo, o que disse que Chávez doou 300 milhões de dólares às FARCs e relatou "operações de compra de urânio", cumpre pena numa cadeia da Alemanha por tráfico de drogas.
Sem falar num pedófilo maluco que ocupa uma cadeira no Senado brasileiro, Arthur Virgílio, líder do PSDB, que, naturalmente, querendo entrar na farra dos "negócios" mais a fundo, veio com a "história" mentirosa de transportes de armas para a Venezuela.
A fome com a vontade de comer. Foi o que Uribe fez seguindo fielmente as orientações do governo terrorista de George Bush.
A fome. Uribe vive um momento político em que necessita mais que nunca de criar situações que lhe permitam aprovar a reforma constitucional e o direito de disputar uma segunda reeleição. Um terceiro mandato. Isso interessa a ele e interessa ao governo dos Estados Unidos.
A vontade de comer. Bush não tem e já mostrou isso com a falta de escrúpulos quando se trata de objetivos de dominação política e econômica dos interesses que representa. Os governos de esquerda, centro-esquerda e independentes na América do Sul são um claro revés a um presidente que termina seu período de forma melancólica, mas não necessariamente batido ou derrotado pois os EUA são imperialistas com ou sem Bush. O que muda é o estilo.
A revista NEWSWEEK, de direita, relacionou os cem maiores traficantes do mundo ou capangas do tráfico e lá está o então senador Álvaro Uribe.
"The declassified defense Department intelligence report, dated September 1991, reads like a Who's Who of Colombia's cocaine trade. The list includes the Medellin cartel's kingpin, Pablo Escobar, and more than 100 other thugs, assassins, traffickers and shady lawyers in his alleged employ. Then there's entry 82: "Alvaro Uribe Velez--a Colombian politician and senator dedicated to collaboration with the Medellin cartel at high government levels. Uribe was linked to a business involved in narcotics activities in the U.S.... Uribe has worked for the Medellin cartel and is a close personal friend of Pablo Escobar Gaviria." Escobar died in a 1993 police raid. Two years ago this week, Uribe became president of Colombia".
Apontado como "…Álvaro Uribe Velez o político colombiano e senador dedica colaboração ao cartel de Medellín... Uribe está ligado aos negócios envolvendo atividades de narcóticos nos Estados Unidos... Uribe trabalhou para o cartel de Medellín e foi amigo pessoal de Pablo Escobar Gaviria, morto em 1993 numa ação policial. Dois anos depois Uribe chegou à presidência da Colômbia".
Lula à sua maneira e Chávez à sua perceberam que a crescente presença dos EUA na Colômbia tinha objetivos claros em relação a políticas golpistas contra a Venezuela e ocupação da Amazônia. Uribe é simplesmente um capanga que se contrata e ao qual se paga, no estilo vende a mãe a quem der mais.
A Colômbia transformou-se em base de operações terroristas dos norte-americanos e com larga participação de agentes de Israel (o MOSSAD, serviço de secreto de Israel).
A última coisa que essas quadrilhas poderiam desejar era a paz. O movimento executado nesse tabuleiro por Chávez e Lula em buscar negociações de paz com as guerrilhas colombianas contrariava o chamado Plano Colômbia, atrapalhava os "negócios" do narcotráfico de Uribe e os "negócios" do terrorismo político e econômico de Bush.
A fome e a vontade de comer.
Vender a idéia de defensores intransigentes da democracia, da liberdade, de combate ao terrorismo nunca foi problema. Redes de tevê como a GLOBO existem aos montes, informam a informação que interessa aos "negócios" e apresentam a fatura, são parte do esquema.
Conseguem 64 milhões de telefonemas de espectadores inebriados pelo mundo do espetáculo para decidir quem sair de um bordel, o BBB-8.
A simples idéia que Ingrid Betancourt pudesse vir a ser solta e se transformasse na peça política mais importante na Colômbia contra Uribe aterrorizou os dois presidentes. O traficante e o terrorista.
Todas as tentativas de acordo e entendimentos ou foram afastadas ou acordadas e rompidas em operações bem ao estilo de bandidos texanos.
As imagens liberadas pelo governo do Equador do massacre no acampamento das FARCs, pouco mais de vinte pessoas, são mais que chocantes. Ultrapassam a violação da soberania equatoriana e se inscrevem no campo dos massacres terroristas bárbaros e estúpidos em função de "negócios". Para os americanos que gostam de se referir ao ataque japonês a Pearl Harbour como um momento de violação de todas as normas internacionais e de vergonha para o Japão, o massacre no Equador não difere em nada na essência.
O governo de Uribe tinha conhecimento da presença de guerrilheiros no Equador e sabia que essa presença se prestava às negociações conduzidas pelos presidentes da Venezuela e do Equador. A Colômbia foi cientificada dessas conversações e Uribe concordou. Todo o processo construído às claras e dele tinham conhecimento governos da Espanha, da França, da Suíça, da Argentina e as Nações Unidas.
Raúl Reyes foi ao Equador negociar. Era o negociador das FARCs. Participou de um congresso bolivariano naquele país e nessa condição.
A presença de guerrilheiros das FARCs no Equador com esse objetivo nunca incomodou a Colômbia até o momento que lá chegou Raul Reyes. Foi o último golpe traiçoeiro de Uribe (outros virão). Informado da presença de Reyes recebeu ordens de Bush para atacar e o fez.
Neste momento Uribe joga com a insanidade da guerra, em exibir-se como presidente que enfrenta "terroristas" (não foi por outra razão que Bush decidiu que as guerrilhas são "terroristas" e não forças insurgentes como as classifica as Nações Unidas), presidente que defende a Colômbia de ameaças internacionais e que "merece" mais um mandato para dar segurança aos colombianos.
O que Uribe e Bush não contavam era com a reação imediata dos presidentes da Venezuela e do Equador e, principalmente, a posição dos demais países sul americanos, coesos e claros no repúdio ao ataque e muito menos com reações como a do governo da França, e a comunidade internacional de um modo geral.
Deslocar o assunto da ONU para a OEA limitou o campo de ação dos Estados Unidos, méritos da política externa brasileira, da ação do ministro Celso Amorim, esvaziou as pretensões bélicas de Uribe e o cadáver que o presidente traficante foi buscar para mostrar como troféu transformar-se em mártir da luta pela libertação dos povos latino-americanos, o que se imaginava o "terrorista" que William Bonner proclama histérico todas as noites no JORNAL NACIONAL era o negociador da paz.
As imagens liberadas pelo governo do Equador mostram que os guerrilheiros estavam dormindo e muitos foram executados. O próprio Reyes. As fotos e filmagens feitas no local exibem corpos de uma guerrilheira executada pelas costas, dormindo e os sobreviventes, ainda no local, enquanto iam sendo socorridos relatavam às autoridades equatorianas o ataque esse sim terrorista e inconseqüente de Álvaro Uribe, presidente traficante. Determinado por George Bush, líder da principal organização terrorista em operação no mundo, a Casa Branca, com participação de agentes de Israel (aqueles que agem em nome de Deus, pois são povo superior).
Gandhi tem uma frase precisa para esse tipo de situação: "o erro não se torna verdade por se difundir e multiplicar facilmente. Do mesmo modo a verdade não se torna erro pelo fato de ninguém a ver".
Cabe como luva ao episódio.
A aliança entre o narcotráfico e a Casa Branca para transformar essa parte do mundo e o conjunto de riquezas de toda a América do Sul em propriedade dos EUA para sustentar uma economia em crise e sustentando-se na exploração de povos de países como a Colômbia. Palestinizar a região significa entrar no que Colin Powell, secretário de Estado do primeiro governo Bush chamou de "mercado de um trilhão de dólares".
É só o que enxergam e Uribe, nesse negócio, é capanga.
Quando o embaixador dos EUA no Brasil, na década de 70, foi a Washington relatar as torturas e sistemáticas violações de direitos humanos pelo governo Médice, ouviu do presidente Nixon o seguinte: "é terrível, mas vamos fechar os olhos, eles são nossos aliados".
A forma de fazer "negócios" continua a mesma.
A propósito, o irmão do general Naranjo, o que disse que Chávez doou 300 milhões de dólares às FARCs e relatou "operações de compra de urânio", cumpre pena numa cadeia da Alemanha por tráfico de drogas.
Sem falar num pedófilo maluco que ocupa uma cadeira no Senado brasileiro, Arthur Virgílio, líder do PSDB, que, naturalmente, querendo entrar na farra dos "negócios" mais a fundo, veio com a "história" mentirosa de transportes de armas para a Venezuela.
quarta-feira, março 05, 2008
Fúria do Opus Dei na América Latina
Altamiro Borges
O jurista Ives Gandra da Silva Martins, principal expoente da seita fascista Opus Dei no Brasil, está preocupado com o avanço das esquerdas na América Latina. Num artigo raivoso na coluna Tendências/Debates da Folha de S.Paulo, ele destilou ódio e preconceito contra Hugo Chávez, Evo Morales, Fidel Castro e Lula. Ele aproveitou também para criticar a "falta de preparo" de governantes pelo mundo a fora e para oferecer seus cursinhos às novas gerações de dirigentes políticos. "Neste mundo atormentado por falsas lideranças e fantástica mediocridade, creio que valeria a pena a idéia, que propus em meu livro, de uma 'escola de governo'... financiada pelos governos". No meio do arrazoado direitista, um merchandising para os seus lucrativos negócios!
Na sua ótica elitista, "colhe o mundo, atualmente, uma notável safra de pseudolíderes, populistas e despreparados, que conduzem nações mais ou menos desenvolvidas exclusivamente baseados no poder de comunicação com o povo, principalmente com a parcela menos favorecida". Nesta safra, segundo o líder da seita, estariam incluídos "o histriônico presidente venezuelano – capaz de criar desnecessárias resistências por ser incapaz de controlar seus repentes e ofensas –, que transforma o narcotráfico colombiano e sua indústria de seqüestros em 'idealística' guerrilha... O mesmo se pode dizer de Morales, que também pretende se perpetuar no poder e que começa, com sua enciclopédica e truculenta ignorância, a dividir a nação".
A influência da seita fascista
Após criticar o presidente Lula por elevar impostos que atingem principalmente os bancos, Ives Gandra encerra a safra latino-americana com mais uma esquizofrenia fascistóide. "É de lembrar que os três presidentes são amigos de um ditador que fuzilou, sem julgamento – os homicídios perpetrados nos famosos 'paredóns' –, muito mais pessoas que Pinochet". Além de mentir sobre a realidade dos direitos humanos em Cuba, ele não consegue esconder a sua simpatia pelo regime ditatorial do Chile, que sempre teve o ativo apoio do Opus Dei. Até quando critica a "desastrada presidência de George W. Bush", Ives Gandra alerta para "o risco do voto num outro populista despreparado para conduzir seus destinos" – talvez numa referência doentia a Barack Obama.
As idéias direitistas e preconceituosas do Opus Dei já são conhecidas, mas é bom não subestimar a influência desta seita mundial – que goza de espaços na mídia burguesa e tem forte presença no aparato estatal. Seu interesse pela América Latina também não é novo e paira sempre ameaçador. Desde a sua chegada ao continente, nos anos 50, o Opus Dei planeja ardilosamente sua ascensão ao poder. O projeto só ganhou ímpeto com a onda de golpes militares na região a partir dos anos 60. Seus seguidores presidiram várias nações ou assessoraram inúmeros ditadores. Nos anos 90, com a avalanche neoliberal, os tecnocratas fiéis a esta seita voltaram a gozar de certo prestígio.
"Catequese" na América Latina
Nos anos 50, a seita aliciou seus primeiros fiéis entre as velhas oligarquias que procuravam se diferenciar dos povos indígenas e pregavam o fundamentalismo religioso. Mas o Opus Dei só adquiriu maior pujança com a onda de golpes a partir dos anos 60. Até então, a sua ação ainda era dispersa. Segundo excelente artigo de Marina Amaral na revista Caros Amigos, "em 1970, Josemaría Escrivá [fundador da seita na Espanha] viajou para o México dando início às 'viagens de catequese' pelas Américas que duraram até as vésperas de sua morte em Roma, em 1975".
Em 1974, visitou a América do Sul, então dominada por ditaduras. "O clero progressista tentava usar o peso da Igreja para denunciar torturas e assassinatos e para lutar pelo restabelecimento da democracia. Em suas palestras, ele respondeu certa vez a um militar que perguntara como seguir o caminho da 'santificação espiritual' do Opus Dei: 'Os militares já têm metade do caminho espiritual feito'". Neste período sombrio, a seita apoiou os golpes e participou de vários governos ditatoriais, segundo Emílio Corbière, autor do livro "Opus Dei: El totalitarismo católico".
No Chile, a seita fascista foi para o ditador Augusto Pinochet o que fora para Augusto Franco na Espanha. O principal ideólogo deste regime sanguinário, Jaime Guzmán, era um membro ativo da seita, assim como centenas de quadros civis e militares. Ela ainda apoiou os golpes e participou dos regimes autoritários na Argentina, Paraguai e Uruguai. Segundo Corbière, ela financiou o regime do ditador nicaragüense Anastácio Somoza até sua derrota para os sandinistas. Na década de 90, ainda deu "ativa assistência" à ditadura terrorista e corrupta de Alberto Fujimori, no Peru.
O fundamentalismo neoliberal
Outra fase "próspera" se dá com a ofensiva neoliberal nos anos 90. Gozando da simpatia do papa e de autonomia frente às igrejas locais, ela se beneficia da invasão de multinacionais espanholas, fruto da privatização das estatais. Muitas delas são influenciadas por numerários do Opus Dei. Segundo Henrique Magalhães, em artigo na revista A Nova Democracia, "a Argentina entregou as suas estatais de telefonia, petróleo, aviação e energia à Telefônica, Repsol, Ibéria e Endesa. A Ibéria já havia engolido a LAN [aviação], do Chile, onde a geração de energia já era controlada pela Endesa. Os bancos espanhóis também chegaram ao continente neste processo".
"O Opus Dei é para o modelo neoliberal o que foram os dominicanos e os franciscanos para as cruzadas e os jesuítas para a Reforma de Lutero", compara José Steinsleger, colunista do jornal mexicano La Jornada. Nos anos 90, a seita também emplacou vários bispos e cardeais na região. O mais famoso foi Juan Cipriani, do Peru, amigo intimo do ditador Alberto Fujimori. Em 1997, quando da invasão da embaixada do Japão por militantes do Movimento Revolucionário Tupac Amaru, o bispo se valeu da condição de mediador e usou um aparelho de escuta no crucifixo, o que permitiu à polícia invadir a casa e matar todos seus ocupantes.
Os tentáculos no Brasil
No Brasil, o Opus Dei fincou a sua raiz em 1957, na cidade de Marília, no interior paulista, com a fundação de dois centros. Em 1961, dada à importância da filial, a seita deslocou o numerário espanhol Xavier Ayala, o segundo na hierarquia. "Doutor Xavier, como gostava de ser chamado, embora fosse padre, pisou em solo brasileiro com a missão de fortalecer a ala conservadora da Igreja. Às vésperas do Concílio Vaticano II, o clero progressista da América Latina clamava pelo retorno às origens revolucionárias do cristianismo e à 'opção pelos pobres', fundamentos da Teologia da Libertação", explica Marina Amaral.
Ainda segundo a reportagem, "aos poucos, o Opus Dei foi encontrando os seus aliados na direita universitária. Entre os primeiros estavam dois jovens promissores: Ives Gandra e Carlos Alberto Di Franco, o primeiro simpático ao monarquismo e candidato derrotado a deputado; o segundo, um secundarista do Colégio Rio Branco, dos rotarianos do Brasil. Ives começou a freqüentar as reuniões do Opus Dei em 1963; Di Franco 'apitou' (pediu para entrar) em 1965. Hoje, a organização diz ter no país pouco mais de três mil membros e cerca de quarenta centros, onde moram aproximadamente seiscentos numerários".
Crescimento na ditadura
Durante a ditadura, a seita também concentrou sua atuação no meio jurídico, o que rende frutos até hoje. O promotor aposentado e ex-deputado Hélio Bicudo revela ter sido assediado duas vezes por juízes fiéis à organização. O expoente nesta fase foi José Geraldo Rodrigues Alckmin, nomeado ministro do STF pelo ditador Garrastazu Médici em 1972, e tio do candidato tucano a presidência em 2006. Até os anos 70, porém, o poder do Opus Dei era embrionário. Ele tinha quadros em posições importantes, mas sem uma atuação coordenada. Além disso, dividia com a Tradição, Família e Propriedade (TFP) as simpatias dos católicos de extrema direita.
Seu crescimento dependeu da benção dos generais e dos vínculos com poderosas empresas. Ives Gandra e Di Franco viraram os seus "embaixadores", relacionando-se com os donos da mídia, políticos de direita, bispos e empresários. É desta fase a construção da sua estrutura de fachada – Colégio Catamarã (SP), Casa do Moinho (Cotia) e Editora Quadrante. Ela também criou uma ONG para arrecadar fundos: OSUC (Obras Sociais, Universitárias e Culturais). Esta recebe até hoje doações do Itaú, Bradesco, GM e Citigroup. Diante desta denúncia, Lizandro Carmona, da OSUC, implorou à jornalista Marina Amaral: "Pelo amor de Deus, não vá escrever que empresas como o Itaú doam dinheiro ao Opus Dei".
Ofensiva recente na região
Na fase recente, o Opus Dei fixou planos mais ousados para conquistar poder político na região. Em abril de 2002, participou ativamente do frustrado golpe contra o presidente Hugo Chávez, na Venezuela. Um dos seus fiéis, José Rodrigues Iturbe, virou ministro das Relações Exteriores do fugaz governo golpista. A embaixada da Espanha, governada na época pelo franquista Partido Popular (PP), de José Maria Aznar – cuja esposa é do Opus Dei –, deu guarita aos seus fiéis. Outro golpista ligado à seita, Gustavo Cisneiros, é o maior empresário das comunicações no país.
Em dezembro de 2006, a seita assistiu a derrota do seu candidato, Joaquim Laví, ex-assessor do ditador Augusto Pinochet, à presidência do Chile. Já em maio de 2006, colheu nova derrota com a candidatura de Lourdes Flores, numerária do partido Unidade Nacional. Em compensação, ela festejou a vitória do narcoterrorista Álvaro Uribe na Colômbia, que dispôs de milhões de dólares do governo George Bush. Já no México, outro conhecido fiel do Opus Dei, Felipe Calderón, ex-executivo da Coca-Cola, venceu uma das eleições mais fraudulentas da história deste país.
A sua jogada mais ousada, porém, foi a tentativa de eleição de um seguidor no Brasil. Segundo Henrique Magalhães, "as esperança do Opus Dei se voltaram para Geraldo Alckmin, que hoje é um de seus quadros políticos de maior destaque. A Obra tentou fazer dele presidente para formar um eixo geopolítico com os governantes da Colômbia e do México". A mídia e os tucanos até tentaram esconder esta sombria ligação. Numa sabatina à Folha de S.Paulo, Alckmin garantiu: "Não sou da Opus Dei; respeito quem é, mas não conheço". Mentiu ao esconder suas estreitas relações com a seita fascista – desde seus tempos de infância, no convívio com seu pai e o tio, ministro do STF da ditadura, até às ilícitas "Palestras do Morumbi". Mas o povo não se deixou enganar. Isto explica as recentes lamúrias elitistas de Ives Gandra, o chefão do Opus Dei.
Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB e autor do livro "As encruzilhadas do sindicalismo" (Editora Anita Garibaldi, 2ª edição).
O jurista Ives Gandra da Silva Martins, principal expoente da seita fascista Opus Dei no Brasil, está preocupado com o avanço das esquerdas na América Latina. Num artigo raivoso na coluna Tendências/Debates da Folha de S.Paulo, ele destilou ódio e preconceito contra Hugo Chávez, Evo Morales, Fidel Castro e Lula. Ele aproveitou também para criticar a "falta de preparo" de governantes pelo mundo a fora e para oferecer seus cursinhos às novas gerações de dirigentes políticos. "Neste mundo atormentado por falsas lideranças e fantástica mediocridade, creio que valeria a pena a idéia, que propus em meu livro, de uma 'escola de governo'... financiada pelos governos". No meio do arrazoado direitista, um merchandising para os seus lucrativos negócios!
Na sua ótica elitista, "colhe o mundo, atualmente, uma notável safra de pseudolíderes, populistas e despreparados, que conduzem nações mais ou menos desenvolvidas exclusivamente baseados no poder de comunicação com o povo, principalmente com a parcela menos favorecida". Nesta safra, segundo o líder da seita, estariam incluídos "o histriônico presidente venezuelano – capaz de criar desnecessárias resistências por ser incapaz de controlar seus repentes e ofensas –, que transforma o narcotráfico colombiano e sua indústria de seqüestros em 'idealística' guerrilha... O mesmo se pode dizer de Morales, que também pretende se perpetuar no poder e que começa, com sua enciclopédica e truculenta ignorância, a dividir a nação".
A influência da seita fascista
Após criticar o presidente Lula por elevar impostos que atingem principalmente os bancos, Ives Gandra encerra a safra latino-americana com mais uma esquizofrenia fascistóide. "É de lembrar que os três presidentes são amigos de um ditador que fuzilou, sem julgamento – os homicídios perpetrados nos famosos 'paredóns' –, muito mais pessoas que Pinochet". Além de mentir sobre a realidade dos direitos humanos em Cuba, ele não consegue esconder a sua simpatia pelo regime ditatorial do Chile, que sempre teve o ativo apoio do Opus Dei. Até quando critica a "desastrada presidência de George W. Bush", Ives Gandra alerta para "o risco do voto num outro populista despreparado para conduzir seus destinos" – talvez numa referência doentia a Barack Obama.
As idéias direitistas e preconceituosas do Opus Dei já são conhecidas, mas é bom não subestimar a influência desta seita mundial – que goza de espaços na mídia burguesa e tem forte presença no aparato estatal. Seu interesse pela América Latina também não é novo e paira sempre ameaçador. Desde a sua chegada ao continente, nos anos 50, o Opus Dei planeja ardilosamente sua ascensão ao poder. O projeto só ganhou ímpeto com a onda de golpes militares na região a partir dos anos 60. Seus seguidores presidiram várias nações ou assessoraram inúmeros ditadores. Nos anos 90, com a avalanche neoliberal, os tecnocratas fiéis a esta seita voltaram a gozar de certo prestígio.
"Catequese" na América Latina
Nos anos 50, a seita aliciou seus primeiros fiéis entre as velhas oligarquias que procuravam se diferenciar dos povos indígenas e pregavam o fundamentalismo religioso. Mas o Opus Dei só adquiriu maior pujança com a onda de golpes a partir dos anos 60. Até então, a sua ação ainda era dispersa. Segundo excelente artigo de Marina Amaral na revista Caros Amigos, "em 1970, Josemaría Escrivá [fundador da seita na Espanha] viajou para o México dando início às 'viagens de catequese' pelas Américas que duraram até as vésperas de sua morte em Roma, em 1975".
Em 1974, visitou a América do Sul, então dominada por ditaduras. "O clero progressista tentava usar o peso da Igreja para denunciar torturas e assassinatos e para lutar pelo restabelecimento da democracia. Em suas palestras, ele respondeu certa vez a um militar que perguntara como seguir o caminho da 'santificação espiritual' do Opus Dei: 'Os militares já têm metade do caminho espiritual feito'". Neste período sombrio, a seita apoiou os golpes e participou de vários governos ditatoriais, segundo Emílio Corbière, autor do livro "Opus Dei: El totalitarismo católico".
No Chile, a seita fascista foi para o ditador Augusto Pinochet o que fora para Augusto Franco na Espanha. O principal ideólogo deste regime sanguinário, Jaime Guzmán, era um membro ativo da seita, assim como centenas de quadros civis e militares. Ela ainda apoiou os golpes e participou dos regimes autoritários na Argentina, Paraguai e Uruguai. Segundo Corbière, ela financiou o regime do ditador nicaragüense Anastácio Somoza até sua derrota para os sandinistas. Na década de 90, ainda deu "ativa assistência" à ditadura terrorista e corrupta de Alberto Fujimori, no Peru.
O fundamentalismo neoliberal
Outra fase "próspera" se dá com a ofensiva neoliberal nos anos 90. Gozando da simpatia do papa e de autonomia frente às igrejas locais, ela se beneficia da invasão de multinacionais espanholas, fruto da privatização das estatais. Muitas delas são influenciadas por numerários do Opus Dei. Segundo Henrique Magalhães, em artigo na revista A Nova Democracia, "a Argentina entregou as suas estatais de telefonia, petróleo, aviação e energia à Telefônica, Repsol, Ibéria e Endesa. A Ibéria já havia engolido a LAN [aviação], do Chile, onde a geração de energia já era controlada pela Endesa. Os bancos espanhóis também chegaram ao continente neste processo".
"O Opus Dei é para o modelo neoliberal o que foram os dominicanos e os franciscanos para as cruzadas e os jesuítas para a Reforma de Lutero", compara José Steinsleger, colunista do jornal mexicano La Jornada. Nos anos 90, a seita também emplacou vários bispos e cardeais na região. O mais famoso foi Juan Cipriani, do Peru, amigo intimo do ditador Alberto Fujimori. Em 1997, quando da invasão da embaixada do Japão por militantes do Movimento Revolucionário Tupac Amaru, o bispo se valeu da condição de mediador e usou um aparelho de escuta no crucifixo, o que permitiu à polícia invadir a casa e matar todos seus ocupantes.
Os tentáculos no Brasil
No Brasil, o Opus Dei fincou a sua raiz em 1957, na cidade de Marília, no interior paulista, com a fundação de dois centros. Em 1961, dada à importância da filial, a seita deslocou o numerário espanhol Xavier Ayala, o segundo na hierarquia. "Doutor Xavier, como gostava de ser chamado, embora fosse padre, pisou em solo brasileiro com a missão de fortalecer a ala conservadora da Igreja. Às vésperas do Concílio Vaticano II, o clero progressista da América Latina clamava pelo retorno às origens revolucionárias do cristianismo e à 'opção pelos pobres', fundamentos da Teologia da Libertação", explica Marina Amaral.
Ainda segundo a reportagem, "aos poucos, o Opus Dei foi encontrando os seus aliados na direita universitária. Entre os primeiros estavam dois jovens promissores: Ives Gandra e Carlos Alberto Di Franco, o primeiro simpático ao monarquismo e candidato derrotado a deputado; o segundo, um secundarista do Colégio Rio Branco, dos rotarianos do Brasil. Ives começou a freqüentar as reuniões do Opus Dei em 1963; Di Franco 'apitou' (pediu para entrar) em 1965. Hoje, a organização diz ter no país pouco mais de três mil membros e cerca de quarenta centros, onde moram aproximadamente seiscentos numerários".
Crescimento na ditadura
Durante a ditadura, a seita também concentrou sua atuação no meio jurídico, o que rende frutos até hoje. O promotor aposentado e ex-deputado Hélio Bicudo revela ter sido assediado duas vezes por juízes fiéis à organização. O expoente nesta fase foi José Geraldo Rodrigues Alckmin, nomeado ministro do STF pelo ditador Garrastazu Médici em 1972, e tio do candidato tucano a presidência em 2006. Até os anos 70, porém, o poder do Opus Dei era embrionário. Ele tinha quadros em posições importantes, mas sem uma atuação coordenada. Além disso, dividia com a Tradição, Família e Propriedade (TFP) as simpatias dos católicos de extrema direita.
Seu crescimento dependeu da benção dos generais e dos vínculos com poderosas empresas. Ives Gandra e Di Franco viraram os seus "embaixadores", relacionando-se com os donos da mídia, políticos de direita, bispos e empresários. É desta fase a construção da sua estrutura de fachada – Colégio Catamarã (SP), Casa do Moinho (Cotia) e Editora Quadrante. Ela também criou uma ONG para arrecadar fundos: OSUC (Obras Sociais, Universitárias e Culturais). Esta recebe até hoje doações do Itaú, Bradesco, GM e Citigroup. Diante desta denúncia, Lizandro Carmona, da OSUC, implorou à jornalista Marina Amaral: "Pelo amor de Deus, não vá escrever que empresas como o Itaú doam dinheiro ao Opus Dei".
Ofensiva recente na região
Na fase recente, o Opus Dei fixou planos mais ousados para conquistar poder político na região. Em abril de 2002, participou ativamente do frustrado golpe contra o presidente Hugo Chávez, na Venezuela. Um dos seus fiéis, José Rodrigues Iturbe, virou ministro das Relações Exteriores do fugaz governo golpista. A embaixada da Espanha, governada na época pelo franquista Partido Popular (PP), de José Maria Aznar – cuja esposa é do Opus Dei –, deu guarita aos seus fiéis. Outro golpista ligado à seita, Gustavo Cisneiros, é o maior empresário das comunicações no país.
Em dezembro de 2006, a seita assistiu a derrota do seu candidato, Joaquim Laví, ex-assessor do ditador Augusto Pinochet, à presidência do Chile. Já em maio de 2006, colheu nova derrota com a candidatura de Lourdes Flores, numerária do partido Unidade Nacional. Em compensação, ela festejou a vitória do narcoterrorista Álvaro Uribe na Colômbia, que dispôs de milhões de dólares do governo George Bush. Já no México, outro conhecido fiel do Opus Dei, Felipe Calderón, ex-executivo da Coca-Cola, venceu uma das eleições mais fraudulentas da história deste país.
A sua jogada mais ousada, porém, foi a tentativa de eleição de um seguidor no Brasil. Segundo Henrique Magalhães, "as esperança do Opus Dei se voltaram para Geraldo Alckmin, que hoje é um de seus quadros políticos de maior destaque. A Obra tentou fazer dele presidente para formar um eixo geopolítico com os governantes da Colômbia e do México". A mídia e os tucanos até tentaram esconder esta sombria ligação. Numa sabatina à Folha de S.Paulo, Alckmin garantiu: "Não sou da Opus Dei; respeito quem é, mas não conheço". Mentiu ao esconder suas estreitas relações com a seita fascista – desde seus tempos de infância, no convívio com seu pai e o tio, ministro do STF da ditadura, até às ilícitas "Palestras do Morumbi". Mas o povo não se deixou enganar. Isto explica as recentes lamúrias elitistas de Ives Gandra, o chefão do Opus Dei.
Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB e autor do livro "As encruzilhadas do sindicalismo" (Editora Anita Garibaldi, 2ª edição).
segunda-feira, março 03, 2008
Lula afirma que reforma tributária representa maior distribuição de renda

A reforma tributária significa mais distribuição de renda. nesta segunda-feira (3) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no programa de rádio Café com o Presidente.
Lula disse que o Brasil precisa de um sistema tributário mais justo que simplifique a arrecadação e a forma de o contribuinte pagar os impostos. Para o presidente, a reforma acabará com a chamada guerra fiscal que se dá entre os estados e fará o país crescer.
“O dado concreto é que nós precisamos pensar no Brasil, ter uma política tributária correta para o Brasil, justa para o Brasil, se porventura algum estado tiver algum prejuízo, nós temos tempo de fazer um ajuste com política de compensação, até esse estado encontrar o equilíbrio da arrecadação que ele precisa e seja justa para ele”, disse o presidente.
Lula espera ver a reforma tributária aprovada ainda este ano para que o governo apresente ao Congresso Nacional a política industrial que, segundo ele, também prevê desoneração. Ele acredita que uma política tributária mais justa criará um círculo virtuoso que começa com a cobrança de menos imposto e leva ao incentivo à produção, ao surgimento de empresas, à geração de empregos, a mais salário, mais consumo e mais renda. “É essa a roda gigante de uma economia saudável como está a nossa e é por isso que estamos fazendo a reforma tributária num momento importante do Brasil”, afirmou.
O presidente Lula comentou ainda a amplitude do Territórios da Cidadania, programa lançado na semana passada em que municípios com baixo índice de desenvolvimento vão receber diversas ações e serviços do governo. “Significa que nós vamos detectar os problemas nesse município e chegar com um conjunto de políticas de Estado naquele município: o Bolsa Família, o programa Luz para Todos, o crédito Pronaf [Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar], política de saúde, tratamento de água, tirar documento das pessoas, registrar identidade e carteira profissional, ou seja, é um conjunto de políticas que vai permitir que mais rapidamente a gente possa fazer essas pessoas conseguirem sua cidadania”, explicou.
O programa atenderá cerca de mil municípios distribuídos em 60 territórios. O presidente Lula enfatizou que a escolha foi feita com base nas necessidades desses municípios e que sua execução envolverá prefeituras de todos os partidos políticos. “O que é mais importante é que a população também vai participar, porque serão formados os Conselhos Territoriais e a comunidade vai participar da discussão dos planos de desenvolvimento”, destacou.
MELLO TRANSGRIDE A LEI

Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas 990
. Artigo 36, Parágrafo III da Lei Orgânica da Magistratura:
"É vedado ao magistrado: manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem, ou juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças, de órgãos judiciais, ressalvada a crítica nos autos e em obras técnicas ou no exercício do magistério."
. O Ministro (?) Mello e a Folha são a corda e a caçamba.
. Leia abaixo "Folha e Mello, unidos pelo golpe".
. A Folha inventou uma frase de Mello, Mello ficou quieto, o Presidente Lula respondeu à frase inventada – e criou-se uma "crise institucional", dessas que o PIG e a Oposição montam para derrubar o Presidente Lula.
. Clique aqui para ler "Crise ! Qual crise ? Qualquer crise !".
. O Ministro (?) deu hoje, segunda – clique aqui para ler, apenas para assinantes da Folha –, suculenta entrevista à Folha para "sugerir" que o Governo descumpre a lei.
. Que lei ?
. Qualquer lei.
. Para Mello, Salvatore Cacciola é um cidadão que cumpre a lei.
. O Presidente Lula, não, esse descumpre a lei.
. Qualquer lei.
. O Professor de Direito Luiz Flávio Gomes, em entrevista ontem ao Estadão – clique aqui para ler –, mostrou que Mello não cumpre a Lei Orgânica da Magistratura.
. Ele se referia ao supracitado Artigo 36, Parágrafo III da Lei Orgânica.
. O Ministro (?) Mello não só se pronuncia sobre problemas que julgará, como comete outro crime: incitar as partes a recorrer ao Tribunal de que faz parte, para votar de acordo com o interesse da parte incitada.
. Por exemplo, ele encoraja a oposição a entrar no Tribunal de que faz parte para sustar o programa "Territórios da Cidadania", como incitou a oposição a sustar o "Bolsa Família", e repetidas vezes incitou a oposição a ir ao Tribunal que preside para impedir a posse do Presidente Lula.
. O Ministro (?) Mello não cumpre a lei e subverte as instituições.
. O Conversa Afiada vai perguntar à Presidente do Supremo Tribunal Federal se a Lei Orgânica da Magistratura vale no STF.
. E se há uma forma de promover o impeachment do Ministro Mello.
. Uma parte do problema poderá resolver-se quando o Ministro (?) transgressor deixar a Presidência do TSE, em abril de 2008.
. O Conversa Afiada encaminhou a Ana Carvalho, que trabalha no gabinete da Ministra Ellen Gracie, as seguintes perguntas: A Lei Orgânica da Magistratura vale no Tribunal que a senhora preside ? Como é possível pedir o impeachment do Ministro (?) ?
. A Ministra Ellen Gracie preside também o Conselho Nacional de Justiça, que, teoricamente, ajuda o cidadão comum a interpelar a Justiça e a se defender dela.
Em tempo: o Conversa Afiada perguntou a Marco Aurélio Lúcio, do gabinete do Ministro do Supremo Joaquim Barbosa se o Ministro Barbosa autorizou a revista Veja a usar uma foto sua num comercial de tevê. Se o Ministro não tem acompanhado, vale a pena ler o que o jornalista Luis Nassif tem escrito sobre a revista Veja, aqui no iG. Clique aqui para ficar "estarrecido", como diria o Ministro (?) Mello, ao descobrir como a corrupção se instalou na redação da Veja.
O Ministro Joaquim Barbosa respondeu por meio de seu chefe de gabinete Marco Aurélio Lúcio o seguinte:
"O Ministro Joaquim Barbosa autorizou a revista Veja a usar a foto."
O responsável pela Secretaria de Comunicação Social do Supremo Tribunal Federal, Delorgel Valdir Kaiser, respondeu o seguinte ao Conversa Afiada: “a pergunta foi recebida, mas não temos prazo para dar uma resposta. Não daremos uma resposta até o final desta semana, porque todos os nossos esforços estarão concentrados no julgamento do caso das células-tronco”.
Enquête:
Depois de Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, qual a melhor tabelinha do Brasil ?
Clique aqui para votar.
Leia o que o Conversa Afiada já publicou sobre o assunto:
MELLO E FOLHA, UNIDOS PELO GOLPE
Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas 985
Em nenhuma democracia séria do mundo,
jornais conservadores, de baixa qualidade
técnica e até sensacionalistas, e uma única
rede de televisão têm a importância que têm
no Brasil. Eles se transformaram num partido
político – o PIG, Partido da Imprensa Golpista.
. A Folha inventou uma declaração que o Ministro (?) Marco Aurélio de Mello não deu.
. O Ministro (?) Mello ficou quieto.
. Não desmentiu a Folha.
. O Conversa Afiada procurou o Ministro (?) Mello para que confirmasse a declaração que a Folha lhe atribuía.
. O Ministro (?) deu uma resposta que leva a conclusão inevitável: a Folha inventou a declaração do Ministro (?).
. Para acompanhar os detalhes desse contubérnio (palavra que o Ministro (?) Mello adoraria usar ...), Folha-Mello, clique aqui para ler “Folha inventa frase de Mello e gera crise”.
. O Presidente Lula reagiu.
. E, na minha modesta opinião, pegou leve.
. Deveria citar o Ministro (?) Mello pelo nome e dizer que ele, sim, o Ministro (?), se associou ao PIG para dar o golpe.
. O Conversa Afiada, modestamente, acha que, se o Presidente Lula não reagir, o PIG derruba ele.
. Clique aqui para ler “PIG: se Lula não reagir, cai”.
. Já estava na hora de o Presidente Lula travar a batalha no campo ideológico, parar de fingir que é de centro, e dizer que a oposição no Brasil (como a elite branca e, no caso de São Paulo, separatista) é uma oposição ao pobre.
. Não adianta, porque a elite branca (e separatista, no caso de São Paulo) não o convidará para jantar, quando ele voltar a morar em São Bernardo ...
. Clique aqui para ler “Lula volta à ideologia para combater a oposição”.
. Por que o Ministro (?) ficou quieto quando a Folha inventou sua declaração ?
. Porque, no fundo, fará sentido qualquer coisa que se atribua ao Ministro (?) Mello com o objetivo de derrubar o Presidente Lula.
. Na verdade, não é mais nem necessário entrevistar o Ministro (?) Mello.
. Basta publicar uma frase que ajude a derrubar o Presidente Lula e atribuir a ele.
. O Ministro (?) dá tantas declarações, dá tantas entrevistas, que ele será capaz de dizer qualquer coisa – desde que ajude a derrubar o Presidente Lula.
. E será incapaz de se lembrar de tudo o que disse, exatamente.
. Ele só tem certeza do rumo das suas declarações: jogar Lula no precipício.
. Ele sabe disso – e o PIG também.
. O Ministro (?) disputa com o Farol de Alexandria um troféu – não o Tartufo Nativo, porque, nesse, o Farol é imbatível – clique aqui para ir ao primeiro escrutínio do Tartufo, no Blog do Mino.
. Mello e o Farol disputam para ver quem usa melhor o PIG.
. Porém, nem a Folha poupa mais o Ministro (?): “... Marco Aurélio Mello, ávido de externar suas opiniões na imprensa.”
. O Ministro (?) Mello é um desfrutável, um disponível.
. É daquelas celebridades de segunda linha que os produtores de talk-shows guardam na manga, sempre que uma celebridade de primeira linha diz que não pode ir ao programa.
. O Ministro (?) está às ordens, do outro lado da linha.
. Hoje, sábado, dia 1º. , o PIG dá espaço à crise “institucional” provocada pela “reação” de Lula.
. Clique aqui para ler a desesperada manchete do Estadão.
. O PIG se estrebucha, porque, à falta de crises – clique aqui para ler “O PIG busca desesperadamente uma crise” – achou a crise “institucional”.
. Essa crise tem data marcada para se encerrar.
. Brevemente, o Ministro (?) Mello (até quando, Catilina ?) deixará a presidência do Tribunal Superior Eleitoral.
. E não terá concluído as obras que perseguiu em sua administração (?): derrubar o Presidente Lula e construir um Taj Mahal.
. A Oposição, na ânsia de tirar o leite das crianças, derrubou a CPMF.
. E, aí, faltou dinheiro para o Ministro (?) construir o templo adequado à celebração de seu ego.
Em tempo: quando entrei pela primeira vez numa redação de jornal, na qualidade de estudante-estagiário, havia um Ministro (?) Mello. Era o almirante Pena Boto. No jornal A Noite, dirigido pelo futuro senador Mário Martins, quando faltava manchete para a primeira página, o chefe de reportagem mandava ligar para o Pena Boto. Já na reserva, Pena Boto, invariavelmente, dava uma declaração furiosa, anti-comunista, anti-trabalhista e, no fim da vida, até anti-gaullista. Com a declaração de Pena Boto na mão, o chefe de reportagem mandava ligar para o Afonso Arinos. “Diz para o Afonso Arinos o que o Pena Boto falou e pergunta o que ele acha.” E, assim, tínhamos uma manchete ! Pena Boto disse, Arinos disse: e estava lançada a crise institucional. Quer dizer, nem nisso o PIG é inovador.
Em tempo 2: convidamos o amigo leitor a ir à pág. A13 do Estadão – clique aqui para ler – e seguir a entrevista do professor de Direito Luiz Flavio Gomes, que diz: "Juiz não pode falar fora dos autos". Ele cita a Lei Orgânica da Magistratura, que exige que o juiz só fale nos autos. Logo, o Ministro (?) Mello é um transgressor. O que dirá sobre isso a presidente do STF, Ellen Gracie ? É o que o Conversa Afiada procurará saber amanhã, segunda...
Assinar:
Postagens (Atom)