quinta-feira, abril 03, 2008

Lula defende Dilma e diz que ela não pode ser vítima de chantagem política



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta-feira (2) a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, das acusações do suposto envolvimento na divulgação de dados da Presidência da República, afirmando que ela não pode ser vítima de uma chantagem política.

“Eu acho que a pessoa que tem a história da Dilma, que presta um serviço ao país, que a Dilma presta, não pode ser vítima de uma chantagem política de uma figura que não sei quem é e que montou peças de um documento de uma base de dados e vendeu a idéia para alguém de que era um dossiê”, afirmou o presidente ao sair do almoço oferecido ao presidente da Eslovênia, Danilo Turk, no Itamaraty.

O presidente afirmou que não podia “em algum momento ter um milésimo de suspeita contra a ministra Dilma, porque conheço a história dela e sei o serviço quer ela presta ao país”.

O presidente disse que a impressão que tem do episódio é que “alguém encontrou um osso de galinha e tentou vender para a imprensa que tinha encontrado uma ossada de dinossauro. Na hora que foi montar para saber o tamanho do dinossauro percebeu que era um franguinho”.

O presidente ressaltou que tanto ele quanto a ministra Dilma irão continuar viajando o Brasil, para dar início às obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “Não iremos parar de trabalhar um milímetro. Nós temos obrigações com esse País”, disse Lula.

“Estamos tranqüilos. Não tenho nenhum milésimo de dúvida quanto à inocência da Dilma. É lamentável o que está acontecendo. No melhor momento em que o Brasil vive, aparece alguém para colocar essa suspeita em cima de uma pessoa trabalhadora como a Dilma. Isso é injusto”, disse o presidente.

Economia brasileira
O presidente Lula afirmou em discurso durante almoço oferecido ao presidente da Eslovênia, Danilo Türk, no Palácio do Itamaraty, que, a exemplo daquele país do leste europeu, o Brasil tem o que comemorar em termos de crescimento econômico.
"Aqui também temos o que comemorar. A economia brasileira avança de forma sólida, dinâmica e diversificada. Isso nos permite enfrentar as turbulências do mercado internacional e ser um dos destinos dos investimentos estrangeiros."
Lula disse que o país avançou também na melhoria das condições de vida de milhões de brasileiros historicamente marginalizados. "Graças a políticas sociais consistentes, hoje a grande maioria dos brasileiros tem a seu alcance os elementos materiais básicos da cidadania."

O presidente ressaltou que o Brasil é o principal parceiro comercial a Eslovênia na América do Sul e agradeceu o apoio do país ao pleito brasileiro de ocupar um assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

Ao falar sobre o interesse em estreitar relações com a Eslovênia, Lula citou a abertura da Embaixada do Brasil no país, em novembro de 2007, e disse que ouviu do presidente Danilo Türk o anúncio sobre a instalação de missão diplomática
eslovena em Brasília.

Antes do almoço, Lula recebeu Türk no Palácio do Planalto. Durante a cerimônia em que o presidente da Eslovênia subiu a rampa do Planalto, um grupo de carteiros, que estão em greve, fazia uma manifestação em frente ao prédio.

Com agências

ROTEIRO DO GOLPE: OS CARTÕES CORPORATIVOS

www.paulohenriqueamorim.com.br
Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 1052

. O senador Álvaro Dias (PSDB-Paraná) entrega os dados do cartão corporativo de Dna. Ruth Cardoso à Veja, a última flor do Fascio.

. Clique aqui para ler sobre os gastos no cartão de Dna. Ruth e o dossiê sobre as ambulâncias do presidente eleito José Serra (*).

. O senador Álvaro Dias, todos devem se lembrar, era o Catão da CPI dos Correios, que ficava lá nas primeiras filas, com aquela oratória de comover estátuas de bronze ...

. A Veja não identificou o nobre senador, e disse que o Governo tentava chantagear a Oposição na CPI dos Cartões, com o vazamento dos dados de Dna. Ruth.

. O PiG cai em cima.

. A Oposição no Congresso bufa e berra.

. O PiG dá cobertura aos berros da Oposição.

. É a senha para o golpe: tal dia é o batizado.

. O amigo leitor pode ler abaixo uma antologia das manchetes do PiG sobre o golpe para derrubar o presidente Lula, com o vazamento da Veja.

. A Ministra Dilma Rousseff é colocada no pelourinho.

. Os “historiadores” e “especialistas” do PiG dizem que a candidatura de Dilma à Presidencia está morta.

. Exige-se a cabeça de uma funcionária de Dilma.

. E o senador Álvaro Dias lá, quieto no seu canto – fingia que não era com ele.

. E o golpe em marcha.

. Agora, o PiG esconde a notícia de que o senador tucano foi quem vazou a informação para fomentar o golpe.

. O Estadão, então, é uma obra prima.

. Diz na primeira página: “Governistas acusam tucano de vazar dossiê dos cartões”.

. Muito sério isso, não ?

. Como é que governistas inescrupulosos podem acusar um senador tucano de fazer uma coisa dessas ?

. Esses governistas ...

. Aí, o incauto leitor do Estadão vai à Página 4 e a reportagem começa assim: “A confissão do senador tucano Álvaro Dias de que teve acesso ao dossiê ...”

. Quer dizer: quem confessou foi ele ...

. Não precisou a Oposição pressionar.

. Já tinha saído no Blog do Noblat (clique aqui).

. Os tucanos, convenhamos, estão prontos para voltar ao poder: o senador Álvaro Dias se especializa em vazamentos e o presidente eleito José Serra, em dossiês...

. Clique aqui para ler “Serra, o fabricante de dossiês”.

. Agora, se travará uma batalha para saber quem, de dentro do Palácio do Planalto, vazou uma informação para derrubar o Presidente Lula ...

. A trilha do golpe é sempre essa: vazar para a Veja, a Oposição berra no Congresso, o PiG cobre o berro da Oposição, a Veja repercute o berro e o vazamento, a Oposição repercute a Veja, o PiG cobre a repercussão da repercussão, a repercussão gera a repercussão, a Veja dá o berro, o PiG e a Oposição repercutem a Veja, o PiG berra com a Oposição ... como é que é mesmo, hein ? ... me perdi.

. É a busca desesperada da crise fatal que derrubará o presidente Lula

. Crise ? Que crise ? Qualquer crise ! – clique aqui para ler esse texto que a “limpeza ideológica” do iG tentou apagar - .

(*) Dna. Ruth comprou no cartão ingresso para ir ao teatro na Europa. Como Dna. Ruth é uma pessoa de bom gosto, deve ter sido em Londres. Ela sabe que não há teatro melhor do que o de Londres.

. Acompanhe agora as manchetes mais emocionantes sobre como o Presidente Lula caiu com a crise dos cartões do senador Álvaro Dias:


Veja – 23/03/2008

Um dossiê feito para chantagear
http://veja.abril.com.br/260308/p_046.shtml


Estadão

Tucanos acusam Planalto de montar novo dossiê
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080323/not_imp144453,0.php

Suposto dossiê sobre FHC tem de ser apurado, diz Serra
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac145110,0.htm

Tarso admite levantamento mas nega dossiê contra FHC
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac145111,0.htm

Tarso volta a negar suposto dossiê sobre gastos de FHC
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac145598,0.htm

Na CPI, PSDB cobra dados sobre dossiê FHC e gastos de Lula
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac146126,0.htm

Serra isenta Dilma, mas culpa governo por dossiê FHC
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac146289,0.htm

DEM cogita nova convocação de Dilma na CPI sobre dossiê FHC
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac147390,0.htm

Dilma admite coleta de dados e nega dossiê sobre despesas de FHC
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac147455,0.htm

Heráclito vê Planalto 'fritando' Dilma em suposto dossiê
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac147474,0.htm

Dilma volta a negar que governo 'vazou' os dados de FHC
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac147496,0.htm

Dilma revela que banco de dados é 20 vezes maior que dossiê
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac147525,0.htm

Em nota, Casa Civil reafirma que não organizou dossiê FHC
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac147566,0.htm

Dilma tem de demitir suposta autora do dossiê, diz FHC
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac147573,0.htm

Em nota, Casa Civil reafirma que não organizou dossiê
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac147586,0.htm

Dossiê da Casa Civil contra FHC foi decisão de governo
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac147685,0.htm

Planalto vai tirar Dilma de vitrine eleitoral para abafar crise do dossiê
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080330/not_imp148221,0.php

'Candidatura de Dilma em 2010 está morta', diz analista
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac147897,0.htm

Revista 'Veja' reitera que dados sobre FHC são dossiê
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac147964,0.htm

Suplicy sugere que Dilma deponha sobre dossiê no Senado
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac148017,0.htm

No país do dossiê instantâneo
http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup148050,0.htm

Documento do TCU não sustenta versão sobre 'banco de dados'
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac148335,0.htm

Novo presidente do STF condena suposto dossiê contra FHC
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac148375,0.htm

''Não existe ali um gasto que crie constrangimento ao ex-presidente''
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080331/not_imp148563,0.php

Planalto apostará na versão de que Dilma foi alvo do 'dossiê'
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac148659,0.htm

Oposição faz embate eleitoral no caso dossiê, diz Jucá
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac148836,0.htm

Oposição quer Dilma no Congresso ou CPI só no Senado
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac148881,0.htm

PSDB quer apurar vazamento de dossiê no governo
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac149311,0.htm

'Setores da Oposição tentaram ligar Dilma a dossiê', diz PT
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac149343,0.htm

Oposição vai recorrer ao MP contra Dilma e Erenice
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac149360,0.htm

PSDB apresenta recurso para convocar Dilma ao Senado
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac149452,0.htm

Oposição não dá trégua e quer enquadrar Dilma na Procuradoria
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac149484,0.htm

Oposição quer estratégia para furar bloqueio do governo na CPI
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac150023,0.htm


Folha de S. Paulo

Revista afirma que governo tem dossiê sobre as despesas de FHC
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2203200812.htm

Serra defende que suposto dossiê seja investigado
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2503200812.htm

Oposição quer ouvir Dilma na CPI e forçar Lula a liberar dados
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2603200810.htm

PSDB pede que procurador-geral apure vazamento de dados sobre gastos de FHC
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2703200805.htm

Braço direito de Dilma fez dossiê contra família FHC
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2803200802.htm

Ministra é "aloprada", afirma líder tucano
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2903200810.htm

Detalhes contradizem versão "banco de dados"
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc3003200814.htm

TCU não pediu nem recomendou levantar dados do governo FHC
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc3103200810.htm

Argumentos do governo para dossiê não justificam base de dados paralela
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0104200806.htm

Ação da Oposição na Procuradoria acusa ministra de quebra de sigilo
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0204200817.htm

O caso dossiê - PERGUNTA E RESPOSTA
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0204200816.htm


O Globo

Serra defende “rigorosa investigação” sobre dossiê produzido pelo governo contra tucanos
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/03/24/serra_defende_rigorosa_investigacao_
sobre_dossie_produzido_pelo_governo_contra_tucanos-426521656.asp

PSDB permanecerá na CPI Mista dos Cartões Corporativos
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/03/25/psdb_permanecera_
na_cpi_mista_dos_cartoes_corporativos-426526795.asp

Após reunião, PSDB diz que fica na CPI e quer investigar gastos da Presidência
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/03/25/apos_reuniao_psdb_diz_
que_fica_na_cpi_quer_investigar_gastos_da_presidencia-426526465.asp

Oposição quer investigação sobre dossiê de gastos de governo FH e cogita reconvocar Hage
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/03/25/oposicao_quer_investigacao_
sobre_dossie_de_gastos_de_governo_fh_cogita_reconvocar_hage-426536795.asp

Oposição promete pegar pesado na CPI do Cartão e insiste em ouvir Dilma sobre dossiê
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/03/25/oposicao_promete_pegar_pesado_
na_cpi_do_cartao_insiste_em_ouvir_dilma_sobre_dossie-426538663.asp

PSDB entra com representação na Procuradoria Geral da República para investigar vazamento de suposto dossiê
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/03/26/psdb_entra_com_representacao_na_procuradoria_geral_
da_republica_para_investigar_vazamento_de_suposto_dossie-426551811.asp

Presidente do PSDB pede investigação completa sobre produção de dossiê por assessora de Dilma
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/03/28/presidente_do_psdb_pede_investigacao_completa_
sobre_producao_de_dossie_por_assessora_de_dilma-426580840.asp

Dossiê: Oposição cobra convocação de Dilma na CPI do Cartão e demissão de secretária da Casa Civil
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/03/28/dossie_oposicao_cobra_convocacao_de_dilma_na_
cpi_do_cartao_demissao_de_secretaria_da_casa_civil-426580876.asp

Líder do PSDB chama Dilma de “aloprada” e quer ministra na CPI do Cartão
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/03/28/lider_do_psdb_chama_
dilma_de_aloprada_quer_ministra_na_cpi_do_cartao-426581039.asp

“Tem que demitir a Erenice”, diz Jungmann
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/03/28/_tem_que_demiitir_erenice_diz_jungmann-426581081.asp

Fruet defende que MPF represente contra assessora de Dilma
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/03/28/fruet_defende_que_mpf_
represente_contra_assessora_de_dilma-426581083.asp

Oposição quer que Dilma Rousseff se explique ao Congresso
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/03/28/oposicao_quer_que_dilma_
rousseff_se_explique_ao_congresso-426584833.asp

Dona Ruth Cardoso se diz “indignada” com exploração política de suas despesas
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/03/28/dona_ruth_cardoso_se_diz_
indignada_com_exploracao_politica_de_suas_despesas-426586991.asp

FH diz que Dilma deveria demitir quem ordenou levantamento de dados
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/03/28/fh_diz_que_dilma_deveria_
demitir_quem_ordenou_levantamento_de_dados-426589656.asp

Gilmar Mendes diz que vazamento de dados sobre gastos com cartão corporativo é covardia
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/03/30/gilmar_mendes_diz_que_vazamento_
de_dados_sobre_gastos_com_cartao_corporativo_covardia-426605737.asp

Um dossiê para abrir os olhos
http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2008/03/31/um_dossie_para_abrir_os_olhos-426614227.asp

Tucanos querem participar de sindicância sobre vazamento de gastos de FH
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/04/01/tucanos_querem_participar_
de_sindicancia_sobre_vazamento_de_gastos_de_fh-426628488.asp



Em tempo: note que nessa antologia do PiG o presidente eleito José Serra exige – não fosse ele presidente eleito – a rigorosa apuração dos cartões do Governo Federal. É bom lembrar que os cartões corporativos do Governo Serra envolvem recursos superiores aos que se atribui ao Governo Federal e, inclusive, às despesas da Dna. Ruth.


Leia abaixo uma breve antologia da “tapioca do Serra”:

MP RECEBE DENÚNCIA DA TAPIOCA DO SERRA

Atualizada às 14h01 desta quarta-feira, dia 20.

O Ministério Público do Estado de São Paulo recebeu a denúncia do deputado estadual Rui Falcão (PT) para investigar o uso de cartões corporativos no Governo Serra. A denúncia foi encaminhada e o responsável pelas investigações será o promotor José Antônio Remédio, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público.
O deputado Rui Falcão protocolou o pedido de investigação no MP no último dia 13 de fevereiro (clique aqui).

Leia o que o Conversa Afiada já publicou sobre esse assunto:

CARTÃO DE SERRA FOI USADO EM CASAS NOTURNAS

Dados do Sigeo (Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária), repassados ao Conversa Afiada pela liderança do PT na Assembléia, mostram que os cartões corporativos do Governo de São Paulo foram usados para pagar contas em choperias e casas noturnas.

O Sigeo mostra gastos feitos na Choperia Farol Assis e num estabelecimento chamado Comercial Santo Amaro. Os gastos realizados nesses locais e pagos com o cartão corporativo do Governo Serra somam R$ 1.031,00 e foram realizados em junho de 2006, julho de 2006 e agosto de 2007. O ramo de atividades desses estabelecimentos é discriminado no Sigeo como "casas noturnas" (clique aqui).

Os gastos feitos na Choperia Farol Assis foram pagos por um servidor da Secretaria de Saúde no dia 31 de agosto de 2007, às 17h36, e somam R$ 366. Depois, no mesmo dia 31 de agosto de 2007, o mesmo servidor foi à Cachaçaria Água Doce, às 22h03, e gastou R$ 340 com o mesmo cartão corporativo que usou na Choperia Farol Assis. Um dia depois, no dia 01 de setembro de 2007, às 14h30, o mesmo servidor voltou à Cachaçaria Água Doce e gastou mais R$ 300 com o cartão corporativo do Governo de São Paulo.

Em maio de 2002 o cartão, que estava em nome de uma servidora, que na ocasião trabalhava na Secretaria de Ciência e Tecnologia, foi usado para pagar uma conta de R$ 8 mil na Estância Alto da Serra.

A Estância Alto da Serra é uma casa de shows e tem duas unidades: uma em São Bernardo do Campo e outra no Itaim Bibi, na capital paulista. Clique aqui para saber mais sobre a Estância Alto da Serra.

Outro dado do Sigeo que chamou a atenção do líder do PT na Assembléia, deputado Simão Pedro, foi o gasto de R$ 4 mil com o cartão corporativo, entre 2005 e 2007, para pagar táxi. O que chama a atenção é o fato de os gastos com táxi serem pagos a uma mesma empresa, a Chame Táxi (clique aqui).



SERRA SE CALA 4 VEZES SOBRE CPI DOS CARTÕES

O Governador José Serra esteve nesta segunda-feira, dia 18, na Escola Estadual Maria Zilda Natel, no bairro do Morumbi, na Zona Sul da capital paulista, para abrir o ano letivo das escolas estaduais (clique aqui para ver o vídeo).

A repórter do Conversa Afiada Daniela Paixão tentou fazer a seguinte pergunta ao Governador:
"O Presidente Lula apóia a criação de uma CPI do cartão corporativo. O senhor também apoiaria a criação de uma CPI aqui no Estado ?"

O Governador José Serra respondeu:
"Vamos falar sobre educação. Nós estamos aqui para falar sobre educação".
Daniela Paixão tentou fazer a pergunta ao Governador outras três vezes. O Governador José Serra ignorou e nem olhou para a repórter do Conversa Afiada.

Leia o que o Conversa Afiada já publicou sobre a tapioca:
Cartão de Serra foi usado em casas noturnas
Tapioca do Farol: carros precisam de revisão
Carta Capital: CPI da Tapioca, o alvo é Lula
Sidbrack, a testemunha bomba da CPI
Tapioca de Serra na Água Doce Cachaçaria
jn é o porta-voz do Serra
Serra e FHC "obstaculizam" CPIs
Mino: todo mundo tem telhado de vidro
PHA se oferece à CPI para depor
"Tapioca" de Serra compra meia: será o pé frio ?
Azenha mostra a "Tapioca" de FHC
OAB/SP investiga “Tapioca” de Serra
“Tapioca” do Serra: Lojas não vendem Vale Transporte
Folha detona "tapioca" de Serra
Folha se cala sobre tapioca de Serra
"Tapioca" de Serra: líder do DEM exige transparência
Governo Lula enfrenta o PIG: enfim !
Vice de Serra foi ver Lion King?



jn É O PORTA-VOZ DO SERRA

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 938


. O jornal nacional do PIG fez ontem o que a assessoria de imprensa do presidente eleito José Serra ainda não tinha conseguido fazer.

. Uma reportagem TOTALMENTE a favor da “tapioca” do Serra.

. Ao contrário das reportagens sobre a “tapioca” do Governo Federal, a “tapioca” do Serra, no jn do PIG não tem exemplos.

. Não tem cocada, não tem meia, Billar & Billar, uma funcionária que “saca” mais de R$ 200 mil 11 vezes, não tem “Lion King”, não tem Mickey, não tem Spicy ...

. Se você não confia no jornal nacional do PIG, clique aqui para ler o que o Conversa Afiada já publicou sobre a tapioca do presidente eleito.

. Aqui para nós, qual a diferença, do ponto de vista do Erário, entre “cartão de crédito” e “cartão de débito” ?

. Se você tem alguma dúvida sobre o acima exposto, leia aqui a reprodução da reportagem isenta, objetiva, do jornal nacional do PIG:

O governador de São Paulo, José Serra, anunciou nesta segunda a suspensão de saques em dinheiro com os cartões de pagamentos de despesa do Governo Estadual.

Há sete anos, o governo de São Paulo faz pagamentos eletrônicos, mas diferentemente do cartão de crédito usado no Governo Federal o de São Paulo é um cartão de débito.

Hoje, 42 mil cartões estão em uso no estado. Com eles, no ano passado, foram gastos R$ 108 milhões, quase metade desse valor foi saque.

Em São Paulo, os cartões são entregues a funcionários de carreira e não a secretários de Estado. Outra diferença: os cartões do Governo Federal permitem a qualquer cidadão conferir as contas no portal Transparência Brasil. Os do governo paulista têm as informações acessíveis apenas a alguns deputados e responsáveis pela auditoria dos gastos.

O governador de São Paulo diz que não irregularidade nenhuma no uso dos cartões, mas decidiu tomar duas atitudes: publicar os gastos na internet e proibir por tempo indeterminado a possibilidade de se fazer saques com os cartões.

“Está gerando um burburinho grande e levando a muitos equívocos de interpretação. Uma parte menor do saque em dinheiro é para pagar pequenas despesas. A maior parte é transferência bancária. Ta dando uma idéia errada”, declarou José Serra.

O PT quer abrir uma CPI na Assembléia Legislativa. O governador acusou o Partido dos Trabalhadores de denunciar o governo paulista apenas para criar uma cortina de fumaça e assim encobrir revelações de gastos no Governo Federal.

E ironizou ao explicar por que os gastos serão agora divulgados na internet. “É até melhor, porque assim as informações de supostos escândalos não chegarão somente pelas mãos do PT”.

O PT informou que a decisão do governador José Serra não muda a determinação do partido de abrir a CPI na Assembléia Legislativa. Oito das 32 assinaturas necessárias para protocolar o pedido de CPI foram colhidas nesta segunda.

Clique aqui para ver o vídeo da reportagem no jn.



DENÚNCIA: O QUE A CASA CIVIL DE SERRA COMPROU NESSA LOJA FECHADA?


O governo do Estado de São Paulo gastou quase R$ 33 mil nesta empresa que funciona com as portas fechadas. O Empório Tatuapé, fica no bairro do Tatuapé, na zona leste da cidade de São Paulo. A empresa esta a 18 quilômetros do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista (clique aqui para ver o vídeo).
Segundo o sistema onde são detalhados os gastos do governo estadual, o Sigeo (Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária), durante o ano de 2007 a Casa Civil fez compras no Empório Tatuapé no valor total de R$ 32.719,66.

O Conversa Afiada teve acesso, nesta terça-feira, dia 12, a novas informações sobre os saques com o cartão corporativos do governo. O Sigeo mostra que um motorista da Casa Civil do Governo de SP fez 75 saques em 2007, que somaram R$ 271,9 mil. Chama a atenção também um saque de R$ 10 feito no dia 06 de dezembro, justificado como “saque para operações policiais”.

De acordo com as informação do Sigeo, a Casa Civil de São Paulo comprou no Empório Tatuapé suprimentos de informática. Mas o ramo de atividade do Empório é outro. O proprietário do Empório Tatuapé, Jaciel Pereira Dacena, disse que o Empório funciona há dois anos e só vende produtos de limpeza e alimentos.
Segundo o proprietário a Casa Civil compra no Empório sucos e material de limpeza. Os sucos que a Casa Civil compra no Empório são de uva, manga, caju, abacaxi e maracujá.

O proprietário não quis dar entrevista, mas contou como começou a vender para a Casa Civil. Mas ele disse à reportagem do Conversa Afiada que um de seus funcionários entrou em contato com a Casa Civil por e-mail e o órgão do Governo de SP começou a fazer cotações e a comprar no Empório Tatuapé.

Segundo as pessoas que moram e trabalham na rua onde fica o Empório, quase nunca há movimento no local. O motoboy Renato da Silva acha estranho as portas estarem sempre fechadas. “Esse galpão desde quando eu to aqui nunca vi aberto. Sempre está fechado ali, até hoje eles nunca abriram, eu não sei por que.”
John Herbert trabalha a um ano em uma empresa em frente ao Empório. Ele achava que no local não funcionava nada. Só descobriu que era um depósito quando viu uma única vez em um ano, um caminhão descarregar caixas no local.

“Uma vez eu vi umas caixas só, só um vez só. Só vi aberto uma vez. Era uma caixa de papelão. Não tinha identificação. Só essa vez. Daí não vi mais. E eu vivo aqui fora. Nunca vi aberto isso aí”, disse John Herbert Teixeira

Apenas os deputados que são líderes na Assembléia Legislativa de São Paulo têm acesso aos dados do sistema onde são detalhadas as contas do Governo.

O Governador de São Paulo, José Serra, anunciou nesta segunda-feira que os saques com os cartões estão suspensos. O governo quer fazer um exame nos gastos que foram feitos com os cartões.



"TAPIOCA" DO SERRA: LOJAS NÃO VENDEM VALE TRANSPORTE

Os dados do Sigeo, sistema onde são detalhados os gastos do Governo Estadual – e só os líderes da Assembléia Legislativa têm acesso – registram duas compras com cartões corporativos do Governo do Estado de São Paulo nas lojas para presentes Spicy e Mickey. Foram gastos R$ 597 na Spicy e R$ 977 na Mickey, nos dias 04 de abril e 28 de julho do ano passado.

Ao todo o Governo do Estado gastou R$ 108 milhões no cartão corporativo em 2007. 44% desse valor foi de saque direto na boca do caixa. Questionado pelo Conversa Afiada nesta quinta-feira, o secretario da Casa Civil do Governo Serra, Aloysio Nunes Ferreira Filho, disse que 90% desse dinheiro foi usado para comprar vale transporte (clique aqui).

Procuradas pelo Conversa Afiada, as lojas Spicy e Mickey informaram que não vendem vale transporte (clique aqui para ver o vídeo).

A reportagem do Conversa Afiada foi visitar duas unidades das lojas Spicy e Mickey em São Paulo, para saber o que é que pode ser comprado nessas lojas e qual o preço médio dos produtos.
A loja Spicy vende artigos para casa, desde copos de plástico até eletrodoméstico para cozinha, como microondas e processadores. O artigo mais barato é um saleiro de R$ 5,00. Com R$ 9,00 é possível comprar um potinho com 15 gramas de orégano. Entre os artigos mais caros é possível encontrar uma churrasqueira por R$ 2.298,00.

A Spicy tem 22 lojas no Brasil. Em São Paulo são nove lojas em lugares como rua Haddock Lobo, Shopping Iguatemi, Shopping Parque Higienópolis e Daslu.

A reportagem do Conversa Afiada também foi até a matriz da Presentes Mickey, na rua Oscar Freire, endereço nobre São Paulo.

A gerente da loja não quis gravar entrevista. Mas disse que a grande maioria dos clientes chega à loja para comprar presentes de casamento. “A cada 10 clientes que entram na loja, ‘meio cliente’ está sem convite de casamento”, brinca a gerente.

Com R$ 8,00 é possível comprar uma pequena cesta de pães na Mickey. Um jogo de xícaras de café que custa R$ 22 é outro item mais barato da loja. Mas quem compra na Mickey pode pagar até R$ 19,7 mil em um jogo de talheres de prata.

Além da matriz nos Jardins, a Presentes Mickey tem outra loja em Higienópolis e duas outras unidades nos shoppings Iguatemi e Market Place.

Em tempo: e o que o nosso Catão, o guardião da moralidade pública (e privada), o Farol de Alexandria, aquele que lançava luzes sobre a Antiguidade dirá sobre a "tapioca" do Serra ? E sobre a "tapioca" do Governo dele ?
Em tempo 2: o Conversa Afiada sempre achou que, com liberdade de imprensa, os tucanos de São Paulo não passavam de Resende ...

terça-feira, abril 01, 2008

Governo Lula é o mais popular em 19 anos de Datafolha: 55%



O governo do residente Luiz Inácio Lula da Silva alcançou a maior taxa de aprovação desde seu início em 2003 – 55% de "bom" e "ótimo" contra 11% de "ruim" e "péssimo" –, aponta pesquisa do instituto Datafolha divulgada nesta segunda-feira (31) pela Folha de S.Paulo. Este é também o melhor índice obtido por uma administração desde que o Datafolha iniciou a série histórica, em 1990, no governo Collor.



Fonte: Folha de S.Paulo Veja no gráfico ao lado a evolução das avaliações do governo Lula, conforme o Datafolha. Na primeira pesquisa da série, em março de 2003, ele teve 43% de "bom" e "ótimo" e 10% de "ruim" e "péssimo", um saldo positivo de 33 pontos. No momento mais crítico para o governo (dezembro de 2005, auge da ofensiva do "Mensalão"), estes números passaram para 29% e 28%, um saldo de apenas 1 ponto positivo. Agora, o saldo positivo é de 44 pontos. Na pesquisa anterior do instituto, em novembro passado, os números eram 50% e 14%, saldo de 36 pontos.

.
Relatório não está na internet


Ate a tarde desta segunda-feira o instituto não havia publicado em seu site na internet o relatório da pesquisa; só estava disponível a informação publicada no jornal. Esta dava destaque às intenções de voto nas eleições presidenciais daqui a três anos – números que favorecem o candidato tucano José Serra, governador de Minas Gerais.


Foram omitidos dados que o Datafolha costuma pesquisar, tanto eleitorais (comparação com a pesquisa anterior, rejeição, segundo turno) como sobre a imagem do governo (respostas segmentadas por nível de renda e de escolaridade). O jornal fornece apenas dados isolados, como a elevação de 7 pontos no índice de "bom" e "ótimo" nas faixas de escolaridade média e superior, e com renda entre cinco e dez salários mínimos.


Eleitores de Serra e Aécio aprovam Lula


Nos dados publicados, os resultados favorecem amplamente o governo mesmo na região brasileira que se mostra mais cética, o Sudeste: 47% de "bom" e "ótimo" e 14% de "ruim" e "péssimo". A melhor avaliação do governo Lula permanece no Nordeste, com 68% de "bom" e "ótimo" e apenas 6% de "ruim" e "péssimo".


Conforme a Folha, "a popularidade recorde do petista foi alavancada por uma recuperação da aprovação no Sul, tradicionalmente uma das regiões mais críticas a ele (aprovação subiu 11 pontos percentuais, para 52%), e pela ampliação do seu prestígio no Nordeste". O texto atribui a recuperação no Sul à "recuperação do setor agrícola".


Desta vez o jornal apresenta também um interessante cruzamento, da popularidade do governo conforme as preferências eleitorais dos entrevistados. O governo tem forte popularidade entre os eleitores de todos os possíveis presidenciáveis pesquisados.


Isto vale para os presidenciáveis da base governista, como Ciro Gomes, do PSB (67% de "bom" e "ótimo" contra 8% de "ruim" e "péssimo") ou Marta Suplicy, do PT (59% a 7%). E vale igualmente para os oposicionistas, os tucanos José Serra ( 52% de "bom" e "ótimo" A 13% de "ruim" e "péssimo") e Aécio Neves (51% a 12%) ou Heloisa Helena, do Psol (50% a 11%).


FHC tinha 25 pontos abaixo de zero no 5º ano


A pesquisa foi feita entre os dias 25 e 27, com 4.044 entrevistados em 24 Estados e no Distrito Federal. A margem de erro é de 2 pontos para mais ou para menos.


O jornal comenta que "em março de 2000, quando o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso completava também cinco anos e três meses, o Datafolha registrava só 18% de aprovação a FHC (e 43% de reprovação)", um saldo negativo de 25 pontos.


O Sudeste e as Regiões Metropolitanas são os "pontos fracos" do governo segundo o jornal. "O Sudeste foi a única região em que Lula não teve crescimento de popularidade --o índice dos que consideram o governo "bom ou ótimo" só oscilou de 46% para 47%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O índice de aprovação também subiu menos nas regiões metropolitanas (de 45% para 49%) do que nas cidades do interior, de 54% para 60%."


Da redação, com Folha de S.Paulo e Datafolha

Declaração de Caracas aborda terrorismos midiático, militar e econômico

O terrorismo midiático esteve em pauta durante quatro dias - de 27 a 30 de março - em Caracas no "1º Encontro Latino-americano contra o Terrorismo Midiático", que se opôs ao encontro da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, sigla em espanhol).



Os intelectuais e jornalistas de mais de 14 países que estiveram presentes ao encontro divulgaram a "Declaração de Caracas", na qual disseram que esse tipo de terrorismo é a primeira expressão e condição necessária do terrorismo militar e econômico que o Norte industrializado emprega para impor à humanidade sua hegemonia imperial e seu domínio neocolonial.


Eles denunciaram que as empresas de comunicação transnacionais utilizam informações falsas para realizarem "uma agressão massiva e permanente contra os povos e governos que lutam pela paz, a justiça e a inclusão". Nesse sentido, deu-se como exemplo a campanha para sabotar qualquer acordo humanitário ou saída política para o conflito colombiano, e para regionalizar a guerra na zona andina.


A luta de Equador, Bolívia, Nicarágua, Brasil, Argentina, Uruguai e México "confirma a vontade política de nossas sociedades para desbaratar a agressiva e simultânea campanha de difamação das transnacionais informativas e da SIP. Cuba e Venezuela representam com clareza os pontos mais vigorosos dessa batalha ainda inconclusa".


A liberdade, a democracia nos países latino-americanos se vêem ameaçadas pelos oligopólios de comunicação que manipulam a verdade. Assim, os participantes consideram fundamental criar uma Plataforma Internacional contra o Terrorismo Midiático.


Essa Plataforma convoca para a realização de um novo encontro, em até dois meses. Para esse encontro serão convocadas organizações como a Federação Latino-americana de Jornalistas (Felap), "que no crescimento da consciência dos povos latino-americanos e caribenhos defendeu exemplarmente o direito à verdade e à divisa que sustenta seus princípios".


Os signatários da Declaração responsabilizaram a administração do presidente dos Estados Unidos, George W. Bus, pela sistemática agressão terrorista dos últimos anos contra os meios de comunicação alternativos, populares, comunitários e alguns empresariais. A SIP e a organização Repórteres Sem Fronteiras foram apontadas como obedientes aos ditados de Washington "na falsificação da realidade e na difamação globalizada".


No sábado (29), durante a realização do encontro, uma marcha, acompanhada por representações teatrais, foi às ruas de Caracas, onde passou em frente a hotel no qual foi realizada a reunião da SIP, para protestar contra esses meios. (leia mais)


Fonte: Adital

segunda-feira, março 31, 2008

Nassif revela evidências de ''dedo tucano'' no suposto dossiê

O jornalista Luis Nassif conseguiu informações de bastidores que indicam a participação de tucanos na elaboração do suposto dossiê que a revista Veja e o jornal Folha de S. Paulo --coincidentemente, dois veículos simpáticos ao tucanato-- andaram divulgando na última semana. Segundo informação postada no blog do Nassif, há inúmeras indicações que o suposto dossiê foi produzido por membros do governo Fernando Henrique para causar um ''fato político'' que estourasse no colo do Palácio do Planalto.



No sábado (22), mesmo dia que a revista Veja chegou às bancas com a ''notícia'' sobre o suposto dossiê, este Vermelho publicou matéria do jornalista Cláudio Gonzalez que também levantava a hipótese do documento ser obra da própria direita, interessada em reeditar o episódio ocorrido às vésperas das eleições de 2006. (Leia aqui)


Agora, Nassif traz novos indícios que fortalecem esta hipótese. Ele mesmo diz estar convencido de que o tal dossiê é uma armação. ''Não é a primeira vez que sigo a intuição e aposto em uma direção. Se estiver errado, pago o pato: me penitenciarei publicamente aqui no Blog e me exporei aos ataques dos adversários. Mas minha convicção sobre a natureza do suposto dossiê está mais forte'', diz ele.


''Tanto na matéria da Folha quanto da Veja, não havia uma indicação nem de onde veio o tal dossiê, nem quem foi chantageado por ele. E essa ausência absoluta de informações acende a luz amarela em qualquer jornalista com experiência em reportagem investigativa'', explica Nassif.


Governo anterior


A suspeita de Nassif sobre a origem do dossiê foi reforçada após a conversa que ele teve com um dos mais experientes repórteres políticos de Brasília. ''Sua visão – de dentro do jornalismo brasiliense – ajuda a trazer mais dados para essa história do suposto dossiê contra Fernando Henrique Cardoso'', diz Nassif.


O jornalista, que Nassif preferiu não identificar, diz que há inúmeras indicações que o suposto dossiê foi produzido por membros do governo anterior. A primeira, é que os papéis não machucam ninguém. Apresentam apenas banalidades sobre os gastos de FHC. Depois – continua ele – porque, pela descrição da Folha, percebe-se que foram extraídos de três bases de dados diferentes, com três letras diferentes de computadores, com diferentes tratamentos a dona Ruth.


O jornalista ouvido por Nassif garante que esses papéis não foram produzidos na Casa Civil. ''No máximo pode haver alguma coisa da base de dados que foi juntada às trezes folhas. A Casa Civil pode ter seu levantamento, mas não é esse'', opina.



Já havia suspeitas de que o material reproduzido pela Folha na quinta tivesse sido fornecido pela Veja. Primeiro, pelo fato de nenhuma das duas empresas darem a menor dica sobre a proveniência dos dados. Em qualquer jornalismo que se preze, não se entregam as fontes mas se dão dicas sobre a origem da informação, como forma de situar o leitor. Ou do Congresso, ou de fontes do Palácio, ou de fontes do antigo governo, qualquer coisa que permita ao leitor saber o que estão lhe servindo.


As duas publicações nada falam sobre isso. Mas a confirmação veio na última edição de Veja.


Porões


Dilma Rousseff negociou terça e quarta pessoalmente com Roberto Civita a publicação do desmentido oficial da Casa Civil, diz ele. O acordo foi fechado na quarta. A confirmação veio na última edição da revista, no espaço aberto à Ministra. A redação da Veja se sentiu acuada. O suposto dossiê foi entregue à Folha na quinta – típica reação dos porões, diz o jornalista.


E porque porões? Aí entra a questão da bruxaria, imagem que ele vai buscar em matéria de Elio Gaspari na Veja, em 1985, quando Brasília amanheceu coalhada de cartazes indicando que o Partido Comunista apoiava Tancredo.


Todo mundo sabia disso, não era novidade. A novidade era saber quem colocou os cartazes. Enquanto a imprensa saía atrás da repercussão dos cartazes, Gaspari saía atrás da identidade dos responsáveis – que haviam sido presos. Descobriu-se que eram pessoas do Centro de Informações do Exército, pretendendo açular a linha dura.



Segundo Nassif, a lógica é a mesma do suposto dossiê. ''Todo mundo sabe que o governo está se armando. Mas o dossiê foi gerado fora do governo para criar um fato político – não com a linha dura do Exército, obviamente, mas com os falcões do Congresso''.


Tem uma matéria da Veja acontecendo neste momento, diz o jornalista. ''Não é só calvinista, falso moralismo, não é só estupidez que está exposta. Tem bruxaria também e que está se desdobrando agora. O pessoal antigo de FHC voltou a operar'', revela.


Enquanto alguns tucanos operam nos esgotos da mídia, outros atuam nos corredores do Congresso Nacional para sustentar a farsa montada por eles mesmos. A tática é usar a CPI dos Cartões Corporativos para acusar o governo de chantagem. Nesta semana, líderes tucanos usaram e abusaram das tribunas do legislativo para apontar o dedo acusador para o governo e especialmente para a ministra Dilma Roussef, exigindo dela ''explicações'' sobre o tal dossiê.


Grande pauta


O jornalista ouvido por Nassif diz que, em Brasília, a grande pauta do momento é saber quem confeccionou o suposto dossiê.


Um leitor do blog de Nassif resgatou trecho de uma reportagem da própria Folha de S. Paulo que pode ajudar a desvendar esta pauta.


A reportagem é de 12 de fevereiro de 2008 e diz que ''o acordo do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) com o governo na eventual CPI dos Cartões Corporativos mobilizou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e auxiliares numa varredura de dados,(...) À tarde, o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), reuniu-se com o secretário de Organização do partido, Eduardo Jorge, ex-secretário-geral da Presidência na gestão FHC. Jorge ficou encarregado de coletar dados sobre o período e checar que tipo de documentação estaria arquivada, assim como o acesso a ela''.


''Ficou claro que os tucanos também possuem uma base de dados sobre o período e o fato desse relatório de 13 páginas, obtido por Veja, jamais ter sido divulgado na íntegra - apenas fragmentos - faz pensar que esses dados que estão circulando podem ter vindo de quem realmente tinha interesse em divulgá-los'', diz o leitor José Augusto Zague, que deu a dica para Nassif.



Dilma: "A quem interessa isso tudo?"



A mesma suspeita têm o governo. Tanto que a própria ministra Dilma Roussef foi porta-voz deste questionamento. ''A pergunta que o governo faz hoje é: a quem interessa o vazamento dos dados?'', disse Dilma durante entrevista coletiva concedida neste sábdo (29) em Curitiba.


''Muita gente sabe e viu. A esperança é descobrir quem'', acrescentou a ministra, ao informar que já foi iniciado o processo de apuração de responsabilidades: ''O grave é o vazamento de informações, que vai ser apurado. Não sabemos quem formatou, a sindicância já foi aberta''.



Na carta enviada à revista Veja, a casa Civil reforça a suspeita ao finalizar a carta com a pergunta: " a quem interessa isso tudo? Ao Governo Federal, certamente, não."

quinta-feira, março 27, 2008

Aprovação de Lula sobe para 73% e governo tem a melhor avaliação em 5 anos



A aprovação dos brasileiros ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva cresceu 18 pontos percentuais em um ano e alcançou a marca de 73%, segundo pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta quinta-feira (27).

Em março do ano passado, a aprovação estava em 55%, índice que já era considerado alto. Os 73% alcançados agora são inferiores apenas à pesquisa feita no início do primeiro mandato, quando Lula tinha 75% de aprovação. A diferença de dois pontos percentuais está dentro da margem de erro da pesquisa.

A avaliação positiva do governo federal também é a melhor desde a primeira posse. Hoje, de acordo com a pesquisa, 58% dos entrevistados acham a administração federal boa ou ótima, contra apenas 11% que a consideram ruim/péssima. Para outros 30%, o governo é regular.

Em dezembro de 2007, na edição anterior da pesquisa, a avaliação do governo foi de 51% - índice igual ao de março de 2003.

Na mesma linha, a confiança no presidente foi a 68%, enquanto apenas 28% dos entrevistados afirmaram não confiar em Lula. Em dezembro do ano passado, o índice de confiança era de 60%.

Segundo a CNI/Ibope, o movimento expressivo das avaliações positivas também repercutiu na expectativa em relação ao segundo mandato de Lula. Dos entrevistados, 42% afirmaram que o atual mandato de Lula está sendo melhor que primeiro.

O percentual dos que consideram o segundo mandato pior que o primeiro caiu de 21% em dezembro para 16%.

A pesquisa ouviu 2.002 pessoas entre os dias 19 e 23 de março, em 141 municípios.

terça-feira, março 25, 2008

CURTAS E & P

Celso Amorim no Roda Viva

O chanceler brasileiro Celso Amorim deu de dez a zero no Roda Viva da última segunda-feira (24). O diplomata, exemplo de homem público e competência, mostrou aos colonistas que o país tem rumo e uma diplomacia independente. A Eliane Cantanhêde, como de costume mau preparada e defendendo os interesses dos Estados Unidos, não se conteve em dado momento da excelente explanação de Amorim e ficou perdida dizendo sozinha alguma coisa relativa a Washington. A mesma jornalista foi a escalada para defender os pilotos americanos que causaram o acidente com o avião da Gol em 2006. O Magnoli, sujeito arrogante e que escreve no jornal “O Estado de S. Paulo” para manter o emprego e mostrar aos seus patrões que ele comunga do mesmo credo que eles, ficou o tempo todo acusando Chávez. Ele falou em direitos humanos, mas em nenhum momento falou de Abu Graib, Guantânamo e que o presidente dos Estados Unidos George Bush vetou a lei que proibia tortura nos interrogatórios. Também não falou de Uribe e sua política nefasta na área. O embate dos homens do governo federal é muito importante, pois desmascara os colonistas que além de despreparados defendem interesses alheios aos brasileiros. O que ganham com isso, talvez somente uma matéria de 2003 da revista Carta Capital com um ex-agente do FBI, possa dizer. Justiça seja feita, a professora Maria Pádua da FGV fez perguntas de interesse do país. Foi a única. Quanto ao Celso Amorim, deitou e rolou e mostrou porque o Brasil atualmente é respeitado mundialmente.

Oposição acusa as obras do PAC de eleitoreiras

A tática de dizer que as obras do PAC são eleitoreiras foram usadas pela imprensa paulistas em 2004. Na eleição da capital de São Paulo ela era unânime, principalmente o “Folhão” que acusara as obras da prefeita Marta Suplicy de eleitoreiras. O jornal não deu o mesmo tratamento em 2002, quando segundo o mesmo periódico, o então candidato a governo do Estado, Alckmin, inaugurou em média 2 obras por dia. Essas obras foram o diferencial para que ele fosse eleito governador. O candidato do PT José Genoino cresceu exponencialmente e estava ameaçando o candidato tucano, até que ele inaugurou o trecho oeste do Rodoanel e um pedaço da linha 5 – Lilás do Metrô. José Serra e Kassab também têm anunciado obras, tratadas como investimento e elogiadas pelo Partido da Imprensa Golpista – PIG. A ditadura midiática é um câncer que tenta manter o país preso às amarras conservadoras e sem futuro. A mesma luta que fizemos contra a ditadura militar devemos empreender contra a ditadura midiática. Qualquer ditadura é prejudicial ao país e ao seu povo. A elite desse país não presta, são predadoras e até a assinatura da Lei Áurea os jornais delas diziam que o país iria quebrar e que era preciso manter a escravatura. É essa mesma mentalidade que domina os donos da folha, estadão, globo, veja et caterva.

segunda-feira, março 24, 2008

A GLOBO JÁ ESTÁ EM CAMPANHA, EM ESFORÇO MAIS BEM ORGANIZADO QUE O DE 2006

Atualizado em 22 de março de 2008 às 13:31 | Publicado em 21 de março de 2008 às 11:52

SÃO PAULO - Governo e oposição já estão em franca campanha para as eleições municipais de 2008. O governo faz o PAC e os Territórios da Cidadania, que são obras importantes de infraestrutura mas podem, óbviamente, render dividendos eleitorais. A oposição está desarticulada no Congresso, mas tem aliados importantes no STF e na mídia.

O partido mais forte de oposição é o Partido das Organizações Globo. Só não percebe que está em campanha eleitoral quem não presta atenção. A campanha vai do Jornal Nacional à rádio CBN, passando pelo jornal O Globo e o portal da Globo.com. Não existem reuniões de campanha. Não é preciso. Os senadores, deputados e vereadores do partido pensam igual. Alguns são escalados para tentar agendar o noticiário do dia, através do Bom Dia Brasil. Outros trabalham junto à elite, em programas da Globonews. Há os que ataquem em novelas e no entretenimento. É uma bancada de famosos.

Sinceramente, não sei qual é a eficácia desse martelar contínuo. O time é formado não só por aqueles que recebem salários diretamente, mas também pelos contratados para prestar serviço. São os especialistas, que recebem um espaço extraordinário em concessões públicas de rádio e de televisão para dar suas opiniões "neutras". Esse tempo não é contado no oferecido a integrantes do governo ou da oposição. É tempo de comentários supostamente jornalísticos. É propaganda eleitoral disfarçada.

Em 2006 o Jornal Nacional dava um minuto para o Alckmin, um minuto para a Heloísa Helena, um minuto para o Cristovam Buarque, um minuto para o Lula, dois minutos para a capa de Veja e cinco minutos para escândalos federais. Não existiam escândalos estaduais, nem municipais.

Já está no ar, nas Organizações Globo, uma reprise de 2006, agora melhor organizada.

De lá para cá a linha editorial dos veículos foi consolidada, a ponto de os correspondentes internacionais receberem o que pode ser definido como "material de propaganda", para que aprendam o que pensa a direção da empresa. Ainda que alguns correspondentes usem os livros para calçar a porta de casa, o importante é que repitam, no ar, o conteúdo.

Há três objetivos: um, de curto prazo, meramente eleitoral. Nessa estratégia se encaixam participações como as do doutor Rosenfield na rádio CBN. Ele é apresentado como doutor em ética e professor universitário. O ouvinte desavisado acha que é uma simples autoridade intelectual supostamente imparcial. Essas "autoridades" serão usadas crescentemente para não desgastar a credibilidade dos jornalistas da casa, munição importante para as vésperas da eleição.

Os ataques vão se concentrar naquilo que os aliados do governo poderão usar na campanha, especialmente no PAC. As CPIs dos cartões corporativos e das ONG são mantidas em banho-maria. É delas que surgirão os escândalos para alimentar o noticiário dos próximos meses. Se 2006 serve de exemplo, esses e outros escândalos vão atingir o ápice em agosto ou setembro. Se começarem a surgir muito cedo, haverá tempo de refutar as informações superficiais, distorcidas, manipuladas ou tiradas de contexto - especialmente através da internet.

O segundo objetivo é mais longínqüo: as eleições de 2010. Os jornalistas assalariados e os comentaristas alugados vão mirar em qualquer candidato em potencial ligado ao governo - de Ciro Gomes a Dilma Roussef. É um trabalho de longo prazo. Feito com paciência, diligência e organização.

O terceiro objetivo tem caráter mais ideológico: derrubar iniciativas consideradas prejudiciais aos interesses políticos ou econômicos das Organizações Globo, das grandes corporações e da política externa dos Estados Unidos, que na verdade se confundem. Direitos das corporações serão defendidos como se fossem direitos humanos. Direitos trabalhistas serão atacados como atraso. Por exemplo, ligando as leis ao entulho da ditadura Vargas. E os direitos das minorias serão vendidos como violação de direitos alheios, isto é, da elite branca como definida pelo ex-governador Cláudio Lembo.

E assim serão combatidas a redução da jornada de trabalho, os aumentos do salário mínimo acima da inflação, os programas sociais, a reforma agrária, o reconhecimento de direitos dos quilombolas e dos indígenas que ameacem o agronegócio, o estatuto da Igualdade Racial, a expansão do Mercosul e qualquer iniciativa que represente aproximação entre o Brasil, a Bolívia, o Equador e a Venezuela.

O combate ao governos destes três últimos países tem a ver com a ameaça da consolidação de um caminho que põe em xeque a soberania dos Estados Unidos sobre a América Latina, que é um fato afirmado, confirmado e reafirmado através da contínua intervenção política, econômica e militar no México, na Guatemala, na Nicarágua, em El Salvador, na Costa Rica, em Cuba, em Granada, no Panamá, em Porto Rico, na República Dominicana, no Haiti, na Colômbia, na Venezuela, no Chile, no Brasil, na Argentina, na Bolívia e no Paraguai. Esqueci alguma intervenção? A Globo esqueceu.

O CEDOC da Globo parece ter sido vítima de um apagão digital. O CEDOC da Globo só se lembra dos seqüestros praticados pelas FARC. O CEDOC da Globo se esqueceu da derrubada de um avião cubano com 57 passageiros a bordo em 1976 e do fato de que os autores do atentado viveram ou vivem livres, leves e soltos nos Estados Unidos. Nessa parte do arquivo deu tilt. Se o CEDOC se lembrar disso vai ser preciso explicar aos telespectadores da Globo que governos americanos deram cobertura a terroristas. Já imaginaram?

Eu escolhi reproduzir o áudio da rádio CBN, que está na Rádio Viomundo, para dar um exemplo do que ouvem milhões de paulistanos em seus automóveis, presos no engarrafamento, que é sempre causado "por excesso de veículos", no jargão da emissora. Os congestionamentos-monstro de São Paulo nunca são causados por falta de planejamento ou pela inércia dos poderes públicos. Admitir isso seria, de alguma forma, prejudicar o projeto político aliado, que hoje controla a Prefeitura de São Paulo e o governo estadual.

Notem como o jornalista-locutor, no áudio que reproduzo, se sente à vontade para sugerir que, infelizmente, é impossível mudar de técnico - ou seja, é impossível derrubar um presidente da República eleito pela maioria.

Sugiro a vocês que escrevam aí embaixo uma lista de senadores, deputados e vereadores da bancada das Organizações Globo. Vou criar uma seção neste site para que fiquem registradas as declarações da bancada da Globo nesta campanha eleitoral. Peço a contribuição de todos. Não pode haver erro: o objetivo é o de reproduzir literalmente o que escrevem e dizem no rádio e na TV os integrantes deste verdadeiro partido político, de alcance e penetração nacionais.

Gravem da TV, do rádio, recortem dos jornais. Vamos fazer a partir de agora um grande banco de dados com os comentários "apartidários" do Partido das Organizações Globo, para a diversão de futuras gerações. Quem sabe saia disso um livro, o primeiro produzido no Brasil a partir da ação colaborativa de internautas. Poderemos chamá-lo de Pérolas do Jardim Botânico.
Do www.viomundo.com.br

Luiz Carlos Azenha

--------------------------------------------------------------------------------

domingo, março 23, 2008

Minha Solidariedade ao PHA

Durante os últimos anos o Conversa Afiada do excelente jornalista Paulo Henrique Amorim foi uma grata surpresa no mundo hipócrita e corrompido que é o jornalismo brasileiro. Autêntico e independente o blog se tornou uma pedra no sapato da mídia golpista brasileira. Ele desmascarou palpiteiros econômicos como carlos sardenber e miriam leitão, pseudo-cientista política como lucia hipolito, a hipocrisia da folha de são paulo que joga para debaixo do tapete todos os atos de corrupção dos governos tucanos. O Conversa Afiada ainda deixou nu o pretenso sociólogo fernando henrique cardoso, que depois de fazer uma gestão fraudulenta e temerária no Brasil, passou a liderar a onda golpista da oposição. paulo skaf, os fascistas do cansei, a daslu, a fiesp, a sempre golpista organizações (?) globo, o ministro (?) mello, o estadão (aquele jornal que ajudou a destruir a democracia brasileira em 1964), o judiciário, o psdb, o serra, kassab, alckmin et caterva foram desmontandos um a um nas crônicas diárias do M & M. Qundo da queda do Airbus da Tam, enquanto os colonistas (joemir betting falou muita asneira naquele dia) jogavam a culpa no governo federal, Paulo Henrique Amorim tratava a questão de forma objetiva. E foi graças a ele que ganhamos fôlego e pudemos demonstrar ao país que a Tam não tinha feito manutenção no Airbus e impedido o golpe de estado. O mesmo se deu na desmontagem do cansei, movimento de origem fascista que o Partido da Imprensa Golpista apoiou. arthur virgílio nas páginas do Conversa virou apenas um sumulacro de político, pelo jeito truculento e bate pau com que trata as questões nacionais. A elite ficou nua e perdida com o blog. Sem falar nos cartões do serra que o Conversa obrigou aos membros do PIG a publicar. O jornalismo inteligente e objetivo do Paulo Henrique Amorim mostrou para nós que a luta vale a pena, a decência, apesar dos tucanos e da rede globo, ainda existe nesse país. Devemos apoiar e engrandecer ainda mais esse movimento. As sementes estão lançadas, só depende de nós usarmos da internet e da inteligência para que esse país seja construído para todos. Eu pessoalmente quase todo dia participava do blog, enviando opiniões e comentários. Vamos apoiar e participar do novo sítio do Conversa Afiada, mostrando ao país que a direita fascista não vai impedir a chegada da primavera. Acredito que a nossa única alternativa de vencer a ditadura midiática é a blogosfera Lulista a quem mando um abraço. E que venham os combates. É ISSO, COMPANHEIROS.

PAULO HENRIQUE AMORIM






Laerte Braga





O Portal IG tirou do ar o blog do jornalista Paulo Henrique Amorim. As explicações variam desde a "uma reformulação do jornalismo" até a "o tipo de jornalismo que você prática não nos interessa".



O Portal IG é controlado pelo grupo BRASIL TELECOM. Dentre os acionistas o City Bank e Daniel Dantas, apontado por Luís Nassif como um dos que têm o hábito de comprar jornalistas da VEJA.



O grupo BRASIL TELECOM pretende comprar a operadora OI. Negócio para PCC nenhum botar defeito. Transformar hotel em sede suntuosa e vender terreno de associação para cunhado pela metade do preço passa a ser brincadeira de criança perto desse trem de bilhões.



Paulo Henrique Amorim faz parte do time (reduzido) de jornalistas brasileiros que não se vendem. Tem opinião própria, manifesta essa opinião e denunciou o "negócio/negociata". Apelidou a transação como geradora da "Broi".



Uma outra alegação, a que o blog do jornalista seria improdutivo por ter poucos acessos é mentirosa, como todas. Esses caras até quando falam alguma verdade, se é que falam, é por conveniência. Quando são honestos é por desonestidade.



O blog de Paulo Henrique Amorim era dos mais visitados no Portal IG e vai continuar a ser dos mais visitados em seu novo endereço.



"Podem ter tido a intenção de me calar, mas não basta. Vai ser preciso acabar com a internet antes".



O médico Marcelo Arantes chamado de "urso" pelo apresentador/cafetão do bordel BBB-8 Pedro Bial, disse a jornais que "Bial faz meu tipo". E mais, que "adorei ser chamado de urso". (Urso é uma forma de se referir a gays gordos e peludos). A fala de Marcelo foi originalmente à revista "QUEM ACONTECE".



"Achei sexy ele me chamando assim".



"Virginia Vallejo asegura que Pablo Escobar idolatraba a Álvaro Uribe. Cuando el hoy presidente era director de Aeronáutica Civil, concedió decenas de licencias para pistas de aterrizaje y centenares de permisos para aviones y helicópteros sobre los que se construyó la infraestructura del narcotráfico. "Pablo solía decir –declaró al diario español–: 'si no fuera por este muchacho bendito, tendríamos que estar nadando hasta Miami para llevar la droga a los gringos'".



Unos años antes, en 1987, el periodista Fabio Castillo publicó el libro Los jinetes de la cocaína. Allí documenta cómo, siendo Uribe alcalde de Medellín en 1982, cortó el listón con el que se inauguró un programa de viviendas de bajo costo financiado por Pablo Escobar."



E mostra Uribe num jornal onde se afirma que o presidente da Colômbia construiu a infra-estrutura do tráfico da Colômbia para os Estados Unidos.


O maior desafio dos dias atuais é o da Comunicação. Os grandes grupos econômicos, políticos, os senhores do mundo, têm o controle da mídia e buscam de todas as maneiras evitar que esse bloqueio seja furado.



O número de visitantes ao blog de Paulo Henrique Amorim começava a incomodar os esses donos. Aos "negócios". Desmascarar figurinhas carimbadas da corrupção. Paulo Henrique Amorim tem sido um crítico contundente de FHC, tem feito revelações e críticas importantes sobre a figura de José Serra (embuste puro) e revelado toda a sorte de trapaças de figuras como Daniel Dantas, banqueiros, enfim, exercido o jornalismo com dignidade.



Há um filme que a GLOBO vem mostrando sobre a própria rede, onde num dado momento aparece Fátima Bernardes (inodora e insípida, figurante) e logo em seguida Galvão Bueno. Um número expressivo de globais fala bem do patrão.



Neste momento, o de Fátima e em seguida Galvão Bueno, o narrador usa a expressão "credibilidade". Não veio da boca de Fátima, apresentadora do JORNAL NACIONAL. Lógico, a rede está reagindo à perda de audiência e a gradativa percepção de boa parte dos brasileiros que o que lhe falta é exatamente credibilidade.



Não é de graça a associação Fátima falando uma besteirinha qualquer e Galvão em credibilidade. É para associar mesmo. Tecnologia de ponta nesse trem de espetáculo da sociedade de senhores e zumbis.



É óbvio que num mundo desses, dominado por essa gente, Paulo Henrique Amorim não tenha vez num portal como o IG.



Não está ali para informar, para nada. Está ali para deturpar, iludir, fantasiar, lucrar e realizar grandes negócios. Uma espécie de anzol que se joga sobre o internauta incauto. Pescam peixes miúdos que vão mantendo sob controle enquanto despejam tubarões graúdos no mundo que controlam e vão moldando ao seu sabor e ao sabor de seus interesses.



Paulo Henrique Amorim é a ponta visível desse tipo de mídia. Incomodou tratam logo do cai fora.



A forma como o jornalista foi retirado do ar é típica do modus operandi das máfias.



Como disse Paulo Henrique Amorim, não vai sair do ar e nem parar. É a diferença entre quem pode ser comprado e quem tem caráter e brio.



Paulo Henrique Amorim tem e fica como exemplo para quem sabe gerações futuras resistirem à mordaça dessa gente.



Mino Carta retirou-se do portal em solidariedade a Paulo Henrique Amorim. É exemplo que esse tipo de sentimento vital ao ser humano ainda sobrevive apesar do Portal IG, da GLOBO, da FOLHA, etc, etc. O sentimento de solidariedade que, neste caso, é também de indignação.



É como dizia Guevara. Enquanto houver indignação há esperança.

A QUEM INTERESSA DIVIDIR A CHINA E ATIÇAR OS CONFLITOS ENTRE SUAS NACIONALIDADES?








Por Duarte Pereira, para a revista Princípios

:
http://www.vermelho.org.br/museu/principios/anteriores.asp?edicao=53&cod_not=429







A controvérsia sobre o Tibete é um bom exemplo. Livros, reportagens e documentários repetem, monocordiamente, os relatos e as acusações difundidas pelos separatistas tibetanos. Não entrevistam as autoridades atuais da região, nem os monges patriotas que apoiam a unidade da China. Não recorrem às informações e aos documentos oferecidos pelo governo central do país. Não consultam especialistas independentes. Se o fizessem, seria obrigados a reconhecer que a história da China, do Tibete e de suas relações mútuas é muito diferente da propagada pelos separatistas.


A polêmica envolve três questões básicas. Primeira: o Tibete é um país independente, invadido e ocupado pelos comunistas, à frente do Exército Popular, ou faz parte da China há 700 anos, tendo os comunistas apenas cumprido o dever de libertar e reunificar o conjunto do país?


Segunda: antes de 1950, o Tibete era uma terra pacífica e feliz, governada por monges sábios e desprendidos como a mítica Shangri-la do novelista britânico James Hilton, ou penava sob um regime teocrático-feudal, atrasado e cruel?


Por último, o que é melhor para as nacionalidades chinesas e para os povos do mundo nas vésperas do século 21: a divisão e o dilaceramento da China, ou a preservação de sua unidade estatal e o progresso conjunto de suas nacionalidades?


O teto do mundo


A República Popular da China é um país enorme, formado por 23 províncias, cinco regiões autônomas, uma região especial, Hong Kong, e três municipalidades subordinadas diretamente ao governo central. O Tibete é uma das regiões autônomas. Cobre uma superfície de 1 milhão e 200 mil quilômetros quadrados, aproximadamente a oitava parte do território chinês, e abrange a capital, Lhasa, seis prefeituras e 76 distritos.


Localizado no sudoeste da China, o Tibete limita-se ao norte com a Região Autônoma de Xinjiang, ao nordeste com a província de Qinghai, ao leste com a de Sichuan, ao sudeste com a de Yunnan, e ao sul e ao oeste com os seguintes países, no sentido horário: Myanma ( antiga Birmânia), Butão, Sikkim ( principado de origem tibetana, anexado pela Índia em 1974), Nepal e Índia.


O Tibete ocupa a maior parte do planalto que leva seu nome, o mais alto de Terra, com uma elevação média de 4 mil metros. É, por isso, apelidado de Teto do Mundo. É praticamente cercado por cordilheiras: ao norte, a de Kunlun; ao leste, a de Tangula; ao sul e ao oeste, a do Himalaia. Nesta última, na fronteira entre o Tibete, na China, e o Nepal, ergue-se a montanha mais alta do planeta, com 8.848 metros, a Qomolangma Feng, ou ''mãe sagrada das águas'', conhecida no Ocidente como monte Everest. No único intervalo entre as cordilheiras, no limite com a província de Sichuan, o Tibete é separado pelo rio Jinsha.


Aliás, os rios mais importantes da Ásia nascem no planalto tibetano: para o leste, os rios Amarelo ( Huang-ho) e Azul ( Yangtze Kiang), os principais da China; para o sul, o Mekong, que desemboca na costa do Vietnã, e o Yarlung Zangbo, que passa a chamar-se Brahmaputra na Índia e deságua no golfo de Bengala; para o oeste, o Indo e o Ganges, os principais da Índia.


É uma região rica em recursos naturais. Conta com enorme variedade de aves e animais e com mais de 5.700 espécies vegetais, inclusive plantas medicinais de grande renome, base da medicina tibetana tradicional. Já foram localizadas jazidas de 70 tipos de minerais e os recursos geotérmicos são abundantes, chegando a temperatura da água em alguns poços a 92 graus C.


Por sua diversidade, o Tibete pode ser dividido em três zonas naturais. A parte norte, onde se concentra a criação extensiva de iaques e ovelhas, tem altitude média de 4.500 metros, clima frio e seco, extensas pradarias e numerosos lagos, como o famoso Nam Co, o segundo maior lago salgado da China.


A área oriental é constituída por uma série de montanhas elevadas e vales profundos, com a altitude variando entre 2 mil e 6 mil metros. É a zona mais inóspita. A neve perpétua nos cumes de suas montanhas é responsável pelo outro apelido, atribuído ao Tibete, de Terra das Neves.


Nos vales do sul, cortados pelos rios Yarlung Zangbo e afluentes, a altitude média é inferior a 4 mil metros, o clima é temperado, a precipitação pluvial é copiosa e a vegetação arbórea, exuberante. Nessa área é que se concentram a população e as atividades agrícolas. É, por isso, conhecida como o celeiro do planalto.


Apesar da altitude, do ar rarefeito e do clima severo, o planalto tibetano começou a ser povoado no período neolítico. Por essa época, uma população já considerável se espalhava nas planícies centrais da China, entre os rios Amarelo e Yangtze.


China, um país milenar e multinacional


Para deslindar a controvérsia sobre o Tibete, é preciso entender a formação histórica da China. Trata-se de um país milenar, o único com aproximadamente 4 mil anos de história contínua, e também multinacional, integrado por 56 nacionalidades.


A China não é, portanto, uma construção exclusiva da nacionalidade han, a majoritária. É um produto histórico da luta e do trabalho conjunto de todas as nacionalidades que a integram. Com uma trajetória tão longa, a China não podia escapar aos conflitos entre suas dinastias, nacionalidades e classes. Por mais de uma vez, foi unificada, dividida e reunificada.


Se a convergência prevaleceu e se as nacionalidades chinesas estreitaram seus vínculos ao longo dos séculos, é porque perceberam, diante das ameaças exteriores, que só garantiriam sua independência comum e o desenvolvimento de suas economias e de suas culturas se aprofundassem as relações de unidade e cooperação.


Os vínculos entre as nacionalidades han e tibetana, por exemplo, remontam a tempos muito antigos. Uma prova indelével se encontra no idioma das duas nacionalidades: pertencem à mesma família lingüística, significativamente classificada como sino-tibetana. O próprio budismo, que iria marcar tão profundamente a cultura tibetana, foi introduzido na região pelo norte da Índia e pelo Nepal, mas também pela Mongólia e pela China central.


No século 7, quando as tribos do planalto tibetano formaram seu primeiro Estado unificado, o reino de Tubo, dois de seus soberanos casaram-se com princesas de origem han, firmaram uma aliança política com a dinastia Tang, das planícies centrais da China, e intensificaram o intercâmbio econômico e cultural entre as duas nacionalidades.


O reino de Tubo desapareceu em meados do século 9, quando o rei Langdama foi assassinado por fanáticos religiosos. Durante 400 anos, o planalto tibetano foi sacudido por separatismos e por guerras, com principados e mosteiros lutando entre si. Por coincidência, na mesma época, as planícies centrais e o sul da China eram conflagrados por disputas dinásticas intermináveis.


Ainda assim, o intercâmbio entre as duas nacionalidades não se interrompeu, desenvolvendo-se inclusive uma nova modalidade de comércio, a troca de chá chinês por cavalos tibetanos. E quando, no século 13, o mongol Kublai Khan reunificou a China e fundou a nova e poderosa dinastia Yuan, o Tibete foi incorporado ao Império do Meio como uma de suas províncias. O italiano Marco Polo, que visitou a corte de Kublai Khan e registrou as observações de sua viagem, descreve o Tibete como uma das 12 províncias do império.


O Tibete, parte da China


Desde então, há 700 anos, o Tibete faz parte da China. Assim permaneceu nas dinastias Ming e Qing, que se seguiram. Quando a República foi proclamada, seu primeiro presidente Sun Yat-sen, declarou no discurso de posse em primeiro de janeiro de 1912: ''O fundamento desta República baseia-se no povo, que integra todas as zonas hans, manchus, mongóis, huis e tibetanas num único Estado''. A República Popular, proclamada em 1949, estendeu o reconhecimento às demais nacionalidades.


A subordinação do Tibete aos sucessivos governos da China, desde o século 13, evidencia-se na presença de representantes do poder central em Lhasa; na nomeação e julgamento de funcionários locais; no envio de tropas para defender as fronteiras e manter a ordem interna; na condução centralizada das relações exteriores; na imposição de leis, decretos e regulamentos; na realização de censos demográficos; na cobrança de tributos; na redefinição de órgãos e divisões administrativas internas. É importante ressaltar também que, desde o século 13, nenhum país reconhece o Tibete como um Estado separado da China.


Outra prova da incorporação do Tibete à China é a participação de delegados tibetanos em órgãos executivos e legislativos do poder central, desde a dinastia Yuan. O próprio entrelaçamento entre o poder político e o poder religioso no Tibete nasceu com sua integração na China, quando Kublai Khan, para facilitar a pacificação do planalto tibetano, aliou-se com a influente seita budista de Sagya, tendo o cuidado, no entanto, de repartir cargos e títulos equitativamente entre lamas e nobres leigos.


Durante a dinastia Ming, cresceu a influência da seita Kargyu, ou Branca, sobrepujada durante a dinastia Qing pela seita Gelug, ou Amarela, quando os abades dos mosteiros de Drepung, em Lhasa, e de Trashilhunpo, em Xigaze, desta seita, tiveram seus títulos e atribuições de Dalai-Lama e de Panchen-Erdeni confirmados pela corte imperial.


Finalmente, em meados do século 18, a corte Qing determinou que o sétimo Dalai-Lama assumisse a liderança do governo local do Tibete. Porque o Dalai-Lama e o Panchen-Erdeni acumulam funções religiosas e políticas, a escolha de seus sucessores passou a depender de confirmação final pelo governo central da China. A escolha e a entronização do atual Dalai-Lama foram confirmadas pelo governo nacionalista da República da China em 1940.


É sabido que a China passou por fases de divisão e enfraquecimento do poder central, quando os governos locais, não só o do Tibete, adquiriam grande autonomia, muitas vezes estimulados por potências estrangeiras, interessadas em arrebatar fatias do território chinês.



Foi assim que a Rússia czarista ocupou uma parte da Mongólia e a dividiu em Mongólia Exterior e Mongólia Interior. Ou que o Japão invadiu a Mandchúria e tentou restabelecer, sob seu controle, a dinastia Manchu dos Qing, derrubada pelo movimento republicano. Da mesma forma, a Grã-Bretanha, já senhora da Índia, do Butão do Sikkim e do Nepal, combinou seus ataques ao litoral chinês com a invasão do Tibete em 1888 e 1903 e com as tentativas de impor à China o Tratado de Lhasa e a Convenção de Simla.


A propaganda separatista, tão estridente contra a China, silencia sobre essas agressões britânicas e os saques perpetrados pelas tropas de Sua Majestade, assim como não menciona a tentativa indiana de invocar a Convenção de Simla para arrebatar da soberania chinesa uma parcela do planalto tibetano, o que levou em 1962 a um conflito fronteiriço entre os dois países.


A ocupação britânica do Tibete não vingou, mas a grande potência imperialista arrancou concessões e passou a estimular, entre lamas e nobres tibetanos, um movimento pela independência, isto é, pela separação do Tibete, para colocá-lo sob controle ocidental. Após a Segunda Guerra Mundial e com a avanço da revolução popular na China, os Estados Unidos aderiram aos intentos britânicos, reforçando o movimento separatista com agentes, armas, treinamento, propaganda e apoio diplomático.


O Partido Comunista e o governo popular, instalado em Pequim em primeiro de Outubro de 1949, tinham o dever, portanto de concluir a libertação e a reunificação da China, defendendo, como no passado, as fronteiras históricas do país.


Ainda assim, não se pode acusá-los de agir precipitadamente. Entre Outubro de 1949 e Outubro de 1950, fizeram repetidas gestões para que o governo local negociasse as condições de libertação pacífica do Tibete. Mas o governo tibetano, dominado pela facção pró-ocidental, preferiu concentrar tropas na margem do rio Jingsha. Diante da intransigência, o governo central determinou que o exército popular transpusesse o rio e entrasse no Tibete, travando-se a batalha de Qamdo entre 6 e 24 de Outubro de 1950, a única na libertação do Tibete. Derrotadas as tropas locais, o Exército Popular interrompeu seu avanço, enquanto o governo de Pequim insistia nas negociações.


O confronto, no governo e na classe dominante do Tibete, entre a facção pró-ocidental e o sector favorável à negociação se aprofundou, o regente foi afastado, o décimo quarto Dalai-Lama, ainda menor de idade, assumiu a liderança e nomeou negociadores. Em contrapartida, retirou-se para Yadong, na fronteira com a Índia.


Alguns meses depois, em 23 de Maio de 1951, em Pequim, os delegados do governo central e local assinaram o Acordo dos 17 Artigos, que reconhecia a unidade da China e a autoridade do governo popular sobre todo o território nacional, mantendo temporariamente os governantes e as instituições do Tibete até que fosse negociada a reforma democrática pacífica da região. Em 24 de Outubro de 1951, o décimo quarto Dalai-Lama telegrafou ao presidente Mao Tsé Tung, aprovando pessoalmente o acordo, e retornou a Lhasa.


O Exército Popular entrou na capital tibetana em 26 de Outubro de 1951, após o regresso do Dalai-Lama e com seu consentimento. O montanhista austríaco e militante nazista Heinrich Harrer, autor de Sete anos no Tibete, geralmente muito tendencioso em seus relatos, reconhece: ''Deve-se dizer que durante essa guerra as tropas chinesas se mostraram disciplinadas e tolerantes e os tibetanos que foram capturados e depois libertados diziam que haviam sido bem tratados.''


Em 1954, o décimo quarto Dalai-Lama participou da primeira Assembléia Nacional Popular da China, que elaborou a Constituição da República Popular, tendo sido eleitos um dos vice-presidentes do Comitê Permanente dessa Assembléia. Na ocasião, pronunciou um discurso afirmando: ''Os rumores de que o Partido Comunista da China e o governo popular central arruinariam a religião do Tibete, foram refutados. O povo tibetano tem gozado de liberdade em suas crenças religiosas.'' Em 1956, assumiu a presidência do comitê provisório encarregado de organizar a região autônoma do Tibete. As relações entre os governos central e local estavam, portanto, normalizadas.


O levante contra a reforma democrática


O conflito ressurgiu quando se cogitou em promover a reforma democrática do Tibete, separando a religião do Estado, abolindo a servidão rural e a escravidão doméstica e redistribuindo a propriedade das terras e dos rebanhos, monopolizada pela aristocracia civil e pelos mosteiros. A facção pró-ocidental, aproveitando-se da insatisfação entre lamas e nobres, retomou a ofensiva. Agitando as bandeiras separatista e religiosa, e apoiada pela CIA cada vez mais desinibidamente, como hoje se reconhece, essa facção fundou uma organização política, a ''Quatro Rios e Seis Montanhas'', e uma organização militar, o ''Exército de Defesa da Religião'', e iniciou em 1956 ataques armados a funcionários e prédios públicos, a obras de infra-estrutura e até mesmo a tibetanos que apoiassem o movimento democratizador.


Reagindo com prudência, o goverrno central propôs adiar a reforma democrática, até que se chegasse a um acordo satisfatório sobre prazos e requisitos para sua implementação. Mas a facção contra-revolucionária intensificou os ataques e, aproveitando-se de um festival religioso em Lhasa, desfechou uma insurreição na capital em 10 de Março de 1959, retirou o Dalai-Lama para a Índia e generalizou os conflitos.


O governo central considerou, então, rompido o acordo de 1951, destituiu o governo teocrático, transferiu suas atribuições para o Comitê Organizador da Região Autônoma e determinou ao Exército Popular que restabelecesse a ordem no planalto.


A guerra que se seguiu, entre 1959 e 1961, não se travou entre dois países, mas entre duas coalisões sociais. De um lado, as forças imperialistas, interessadas na divisão da China, e a facção de lamas e nobres empenhados na preservação do regime teocrático-feudal; de outro lado, o governo popular central e os monges, nobres, servos e escravos comprometidos com a unidade nacional da China e com a reforma democrática do Tibete. Não foi uma guerra nacional, nem religiosa, mas um conflito semelhante à guerra civil que opôs, nos Estados Unidos, o norte abolicionista ao Sul escravocrata. Ninguém recusa ao governo de Washington o direito de ter recorrido às armas para salvaguardar a unidade nacional e garantir o fim da escravidão.


Muitos têm dificuldade para entender a natureza social do conflito, porque não prestam atenção no regime político-econômico que vigorava no Tibete e nas áreas tibetanas das províncias vizinhas. Aliás, o décimo quarto Dalai-Lama e seus adeptos falam o menos possível do regime antigo.


O feudalismo se generalizou após o colapso do reino de Tubo, em meados do século 9; a teoria budista se consolidou em meados do século 18. Mas, ainda em 1959, os lamas da camada superior, os nobres leigos e seus agentes representavam 5% da população; os servos e os escravos correspondiam a 95%. Os primeiros, especialmente os membros das 400 famílias mais importantes, viviam no fausto; a maioria dos lavradores, pastores e serviçais sobrevivia em extrema penúria. O contraste entre ricos e pobres penetrava nos próprios mosteiros, conforme descreve uma testemunha insuspeita, o décimo quarto Dalai-Lama, em sua autobiografia.


Das terras agriculturáveis, segundo levantamento de Junho de 1959, o governo local detinha e administrava directamente 38,9%; os mosteiros, 36,8%; os aristocratas leigos, 24%. A pequenos camponeses cabiam os 0,3% restantes. Os nobres e os mosteiros possuíam também a maior parte dos rebanhos. Para lavrar as terras e cuidar dos rebanhos, nobres, mosteiros e funcionários recorriam ao trabalho de servos.


Para ter acesso à terra arável e às pastagens, os servos, 90% da população, eram forçados a pagar aos nobres e mosteiros uma renda, principalmente sob a forma de corvéia ou renda em trabalho, secundariamente sob a forma de renda em produtos, e às vezes em dinheiro. Arcavam também com pesados tributos e taxas, pagos em serviços e em dinheiro. Sem recursos suficientes, endividavam-se com os nobres e, principalmente, com os mosteiros, pagando elevados juros. Se morriam sem saldar a dívida, ela passava aos descendentes ou aos vizinhos.


Para os escravos, 5% da população, provavelmente uma sobrevivência do passado pré-feudal, ficavam os serviços domésticos e públicos mais pesados, como a limpeza, o despejo de fezes, o transporte de carga e o transporte de nobres e funcionários, em liteiras ou nas próprias costas. Os filhos de servos e escravos não eram registrados em cartórios públicos, mas nos livros de seus senhores, a quem competia também autorizar os casamentos. Servos e escravos podiam ser trocados, doados, emprestados ou mesmo vendidos. Para os pobres, não havia hospitais, nem escolas. As guerras e epidemias dizimaram a população.


As leis confirmavam essa estrutura desigual, dividindo a população em três estratos e nove graus, com direitos e deveres distintos. Não havia, portanto, igualdade jurídica, nem mesmo para as mulheres do estrato dominante. Se um nobre matava um servo ou um escravo, pagava uma indemnização. Mas, para servos e escravos que agredissem um nobre ou furtassem um bem, os códigos previam penas cruéis, como espancamentos brutais, mutilação de mãos ou pés, extração dos olhos. Até entre os monges, a disciplina era mantida à custa de chicotes e surras, como relata o Dalai-Lama em sua autobiografia. Além de uma prisão pública e precária em Lhasa, havia guardas, tribunais e cárceres privados nos mosteiros e nas grandes propriedades.


Os monges da camada superior e os nobres mais influentes monopolizavam os direitos políticos. O Dalai-Lama encabeçava o governo desde meados do século 18. Os demais cargos eram repartidos entre lamas e nobres leigos. A Seita Amarela, do Dalai-Lama, era privilegiada em relação às demais seitas e o budismo tibetano, em relação às demais religiões.


O Tibete antigo não tinha nada de idílico, portanto. É espantoso que se invoquem os ''direitos humanos'' para defender esse regime opressivo e cruel, em que a maioria da população, formada por servos e escravos, não gozava de liberdade pessoal, nem dispunha de qualquer direito político.


A unidade, garantia do avanço


Rompido o acordo de 1951 pelo décimo quarto Dalai-Lama e seus adeptos separatistas, o governo central aboliu o regime teocrático, revogou as leis e códigos desiguais, fechou os tribunais e cárceres privados, emancipou os servos e os escravos, cancelou as dívidas que os sufocavam e procedeu à redistribuição gradativa e cuidadosa das terras e dos rebanhos, indenizando os proprietários que apoiassem a reforma democrática.


Restabelecida a ordem e concluída a reforma agrária, foi iniciada a implantação do sistema de assembléias e comitês populares, com a eleição das assembléias distritais em 1964. Estas elegeram as assembléias municipais, que por sua vez escolheram a Assembléia Regional Popular em 1965, instituindo-se a Região Autônoma do Tibete. Dos 301 delegados à primeira assembléia, 226 eram tibetanos, a maioria servos e escravos emancipados, mas havia também monges, ex-nobres patriotas e, pela primeira vez em cargos públicos, mulheres. Desde então, a Região Autônoma do Tibete já teve quatro presidentes leigos, todos tibetanos.


Os erros cometidos pela chamada Revolução Cultural entre 1966 e 1976, no Tibete como em toda a China, suscitaram novos atritos, de que se aproveitaram os separatistas para promover distúrbios violentos em Lhasa, entre 1987 e 1989, numa iniciativa orquestrada com as manifestações antigovernamentais em Pequim e com a crise dos países socialistas na Europa Oriental. Mas o Partido Comunista e o governo popular da China venceram essas duras provas, preservando as conquistas revolucionárias, corrigindo os erros e restabelecendo as políticas de liberdade religiosa, de frente única com todos os setores patrióticos e de respeito mútuo entre as nacionalidades. É claro que a China ainda é um país pobre e que o Tibete é uma de suas regiões menos desenvolvidas. É indiscutível também que ainda existe muito que aprender no aprimoramento das democracias socialistas e no desafio de conjugar a preservação das culturas tradicionais com o desenvolvimento de culturas novas e progressistas. Contudo, quem investiga com isenção, não pode deixar de reconhecer os avanços políticos, econômicos e culturais obtidos com a libertação e a reforma do Tibete nas últimas décadas.


Essa experiência positiva, contraposta ao colapso da União Soviética e ao dilaceramento da Iugoslávia, confirma que a união, não a divisão, é que pode assegurar o desenvolvimento conjunto das nacionalidades integrantes de países como a China. Rompida a unidade, abandonado o caminho socialista, na União Soviética e na Iugoslávia, perderam-se também as conquistas democráticas, reacenderam-se as chamas de conflitos étnicos e religiosos, reabriu-se o perigo de propagação de guerras devastadoras.


Certo estava o nono Panchen Erdeni, o segundo lama na hierarquia do budismo tibetano, quando escreveu em 1929: ''Por suas relações históricas e geográficas, nem o Tibete pode ser independente da China, nem a China do Tibete. Assim, ambos serão beneficiados se permanecerem unidos, enquanto a separação prejudicará a ambos.''



Bibliografia



DALAI-LAMA, Liberdade no exílio: uma autobiografia, trad. Raul de Sá Barbosa, S. Paulo, Siciliano, 1992.


HEINRICH HARRER, Sete anos no Tibete, trad. Betina Becker, P. Alegre, L&PM, 1997


CD, Sacred Tibetan Chants, "Introduction", from the Great Prayer Festival, by Monks of the Drepung Loseling Monastery, recorded December 30, 1991 at Clapp Recital Hall, University of Iowa, Berkeley, USA, 1992.


FOLHA DE S. PAULO, Nova Enciclopédia Ilustrada Folha, com o melhor das enciclopédias Larousse, Cambridge, Oxford e Webster, S. Paulo, 1996, 2 vols., vários verbetes.


VÁRIOS AUTORES, Grande Enciclopédia Larousse Cultural, S. Paulo, Editora Nova Cultural, 1998, 24 vols., vários verbetes.


GEOFREY BARRACLOUGH e GEOFREY PARKER ( editores), Atlas da História do Mundo, The Times Books & Folha de S. Paulo, 1995.


FOLHA DE S. PAULO, Atlas Geográfico Mundial, copyright Times Books and Bartholomew, 1993; Folha de S. Paulo, S. Paulo, 1994.


SIREN & GEWANG, The 14th Dalai Lama, Beijing, China Intercontinental Press, 1997.


WANG JIAWEI & NYIMA GYAINCAIN, The Historical Status of China's Tibet, Beijing, China Intercontinental Press, 1995.


JIN HUI et alii, Social History of Tibet, China – Documented and Illustrated, Beijing, China Intercontinental Press, 1997.


SHAN ZHOU, Reencarnación del Bainqen – La búsqueda, la confirmación y la entronización del Bainqen Erdeni XI, Beijing, China Intercontinental Press, 1996.


EMBAIXADA DA REPÚBLICA POPULAR DA CHINA, Tibete da China, folheto, S. Paulo, 1990.


OFICINA DE INFORMACIÓN DEL CONSEJO DE ESTADO, Tibet: Pertenecia y Situación de Derechos Humanos, Beijing, China, 1992.


ZHONG ZHANGWEN, China's Tibet, illust., Beijing, China Intercontinental Press, 1995.


ZHONG QUAN, Figures and Facts on the Population of Tibet, Beijing, New Star Publishers, 1991.


JIA REN, The New Development of Tibetan Culture, Beijing, New Star Publisherrs, 1991.


YUAN SHAN, The Dalai Lama and the Seventeen-Article Agreement, Beijing, New Star Publishers, 1991.


JIN ZHU, Is Tibet the Last "Shangri-La"?, Beijing, New Star Publishers, 1991.


JING WEI, 100 Questions About Tibet, Beijing Review Press, 1989.


BEIJING REVIEW & CHINA'S TIBET, Tibet: from 1951 to 1991, compiled, Beijing New Star Publishers, 1991.



Duarte Pereira é jornalista.

quarta-feira, março 19, 2008

A falsa cruzada anti-tributária da Globo

E o Globo continua sua saga anti-impostos. Nada que espante muito. Em 1954, o Globo afirmava, orgulhoso: "em suma, desejamos falar sempre por aquela imensa maioria de brasileiros que o sr.João Gourlart, em seu arrivismo oratório, denomina 'os reacionários' ".

Chato eu vir aqui cumprir o papel de advogado do diabo, quer dizer, dos impostos, mas me preocupa observar como esta nova bandeira da oposição vai, aos poucos, tomando corpo. O que está em jogo não é somente a questão tributária, mas os altos interesses nacionais. A classe média, mais uma vez, entra como massa de manobra das elites. A classe média brasileira é muito abestalhada. Acha que é rica em relação aos pobres e pobre em relação aos ricos. Ideologicamente, é o segmento mais cobiçado pelas diferentes forças partidárias, midiáticas, políticas. De fato, é fundamental, para uma determinada força política, conquistar a classe média. Não para alcançar o poder, pois quem decide eleição hoje é o voto do pobre e as doações de campanha dos ricos. O apoio da classe média, todavia, é importante para consolidar o poder no longo prazo. Por isso, o DEM, orientado pelo arguto César Maia, está procurando se firmar como o partido da classe média.

No entanto, do meu ponto-de-vista, o que acontece é uma grande operação de iludir a classe média, de fazê-la pensar que ficará melhor ao lado dos ricos do que dos pobres. A grande mídia, por exemplo, tenta se vender como defensora dos interesses da classe média quando, em verdade, seu único interesse está na classe alta. A disparidade de renda entre a reduzida mas poderosa classe alta e a classe média, no Brasil, é abissal. E a classe média, deslumbrada com suas conquistas materiais diante da maioria pobre, não enxerga com clareza essas diferenças, até porque não são exploradas pela mídia.

A manchete do Globo de hoje (domingo, 16/03/2008) é: Brasileiro paga mais IR que contribuintes de países ricos. Bem, em primeiro lugar, temos uma mentira, ou desinformação, logo desmentida no subtítulo: "Seis das nações de IDG mais alto têm impostos menor para a classe média". Não se trata de brasileiros, mas de classe média. Tudo bem, distorção sem tanta importância. Passemos para a matéria principal, na capa do caderno de Economia.

O jornal traz uma tabela (imagem no início do texto) com seis colunas. São elas: nome dos países selecionados, posição no ranking do IDH (desenvolvimento humano), taxa de analfabetismo, expectativa de vida, renda per capita anual e alíquota do IR (Imposto de Renda) da classe média.
A colunas que interessa diretamente à matéria é a da alíquota do IR, que mostra que a classe média brasileira paga 27,5% de IR enquanto a classe média da Islândia (país número 1 do ranking da ONU) paga somente 23,5%. Outros países também tem alíquota menor que a do Brasil.

O que a matéria omite é o seguinte: a renda per capita da Islândia é de US$ 36.510 anuais, contra US$ 8.402 no Brasil. Ou seja, o islandês que paga 23,5% de IR desembolsa, por ano, US$ 8.397, enquanto o brasileiro gasta anualmente US$ 2.310 de IR. Considerando que o preço de uma aspirina é igual no Brasil e na Islândia, o poder de compra dos impostos, per capita, são muito superiores na Islândia do que no Brasil. Em termos absolutos, portanto, o islandês paga um IR mais de três vezes superior ao que paga o brasileiro.

A matéria diz que a classe média paga impostos por serviços públicos que não usa, reiterando o lugar comum de que os impostos no Brasil são altos e o serviço público é uma droga. Sobre o primeiro item, outra balela. A classe média usa, e muito, o serviço público, e quando paga plano de saúde ou educação privada, tem desconto no IR. O segundo item é uma idiotice, porque se o serviço público no Brasil é ruim, é evidente que não é cortando sua fonte de recursos que ele vai melhorar.

Acho interessante que se discuta a questão tributária no Brasil. Mas seria interessante que a imprensa fizesse pressão para que o Legislativo aprovasse uma reforma tributária que tornasse a cobraça de impostos mais racional e mais justa no país. Ora, e o que diz Miriam Leitão? Escuta essa: "O Brasil não fez até agora, nem fará, estas reformas este ano. Do ponto de vista legislativo, 2008 está quase terminando". Estamos na metade de março! E o Congresso esteve em recesso até o dia 2 de fevereiro! Como Leitão quer que o Congresso aprove uma das mais importantes reformas estruturais em tão pouco tempo? Por que ela, como força política que é, como quarto poder, não incentiva que a reforma tributária seja aprovada este ano? Por que não interessa a ela que o Brasil efetivamente se modernize?

Em sua coluna de hoje, aliás, Miriam Leitão superou a si mesma em matéria de agourar o futuro do país. Olha só que pérola: "O Brasil não está preparado para nenhum cenário (...) Se tudo der certo, haverá colapso (...) Se for contaminado [pela crise americana], o país enfrentará uma crise (...)"

É isso mesmo. O futuro é ruim mesmo se "tudo der certo". Essa é a Miriam Leitão que eu conheço. Parabéns por essa injeção de otimismo.

E ontem (sábado, 15/03), o Globo publicou um editorial interessante, sugestivamente intitulado "Um bicho papão". O próprio título revela a infantilização do leitor "ideal" do Globo, identificado como um anti-lulista, reacionário, "homem de bem", furioso, admirador do capitão Nascimento. Embora leve o chapéu "Outra opinião", o texto de Sacha Calmon, advogado, retrata fielmente as opiniões mil vezes repetidas do jornal. Olha o que diz o texto: "na verdade, a estabilidade deve ser creditada à macroeconomia do real, jamais aos diretores do BC lulista". Está aí a velha retórica, infantil, birrenta, de continuar atribuindo qualquer fator positivo da economia atual a governos passados e tudo de ruim ao governo atual. Leiam esse raciocínio: "Os norte-americanos baixam juros e tributos para crescer o setor privado (...)". Sacha se refere às medidas recentes do governo americano, para controlar uma das piores crises financeiras da história recente. Olha só, Sacha usa como referência um país em crise, que está injetando dezenas de bilhões do Tesouro Nacional (our, my, your money) em bancos, um país cujo governo gastou centenas de bilhões de dólares numa guerra idiota, que resultou em 1 milhão de mortos, aumento do terrorismo, aumento dos preços do petróleo, aumento da insegurança internacional, além da destruição total de um belo e rico país.

E ainda fala de juros altos sem lembrar que, por incrível que pareça, os nossos juros estão em seu patamar mais baixo em mais de duas décadas.

Voltando à Miriam Leitão, ela volta a menosprezar o crescimento do PIB. Teve início a tarefa hercúlea de minimizar os danos políticos provocados pelo anúncio do crescimento econômico de 5,4% registrado em 2007. O Brasil deve ser o único país do mundo onde economistas e colunistas de jornal ficam tristes quando o PIB cresce. Mais uma vez, compara-se Brasil à China. Ora, meus caros, a China é comunista, tem partido único, governo absolutamente centralizado, sem liberdade de imprensa. Não tem previdência rural, e a previdência social corresponde a um valor irrisório. O Brasil cresce com democracia, com todas as liberdades e seus custos, que são altos. Também não vale comparar com a Índia, com seu sistema de castas e a sua miséria grassando, impune e não combatida, em todo país. Também não vale comparar com a Rússia, maior exportadora de petróleo do mundo, num momento em que o petróleo está quase 120 dólares o barril.

O crescimento econômico brasileiro em 2007 tem que ser comparado, em primeiro lugar, com o crescimento econômico brasileiro dos últimos anos. Em segundo lugar, tem que ser analisado em profundidade. Que regiões, que setores, que camadas sociais cresceram? Outra questão fundamental: cresceu com inflação? Considerando esses dados, o crescimento verificado no Brasil não tem paralelo no mundo. Cresceu sem inflação, cresceu distribuindo renda, incluindo milhões de pessoas no mercado de consumo, cresceram as regiões mais pobres, cresceram os setores estruturais, a indústria de base, que prepara o país para mais crescimento no futuro, a venda de computadores, que já ultrapassou a de televisores. Sem contar que foi em 2007 que o Brasil registrou a descoberta dos novos campos gigantes de petróleo e gás, o que não é, definitivamente, um detalhe insignificante a ser omitido em análises econômicas.

O que acho curioso é os analistas afirmarem a importância do Brasil repensar o sistema tributário e quando o governo acena com a reforma tributária para este ano, não haver nenhuma pressão para que a mesma seja aprovada. Ao contrário, a oposição sinaliza com um comportamento apenas negativo, de obstruir os trabalhos legislativos, e contam com a... simpatia da mídia! É esquizofrênico, é contraditório. Tudo por quê? Para a reforma tributária não ser aprovada durante o governo Lula?

E ainda temos essas distorções da realidade tributária. O Brasil é um país caro, um país com mais de 40% de seu território ocupado pela chamada Amazônia Legal, uma região que gera pouca riqueza, mas que é crucial para o equilíbrio ambiental do mundo. Os impostos no Brasil são altos, mas é importante explicar as causas disso. Temos uma renda per capita baixa e uma grande massa populacional que paga pouco ou nada de imposto. Conforme as massas pobres forem sendo incluídas no mercado de consumo, como já está ocorrendo, e a um ritmo bastante acelerado, "a conta" do governo poderá ser dividida por mais gente. O crescimento do PIB e do PIB per capita também ajudará a reduzir a carga tributária, porque permitirá que o governo reduza os percentuais tributários sem prejudicar seu orçamento, que também precisa continuar crescendo, para fazer frente às necessidades de investimentos estrututais, sociais, ambientais e culturais.

Essa cruzada anti-tributária da mídia, do jeito que está sendo conduzida, aparenta ser apenas mais um movimento político-partidário, para jogar a classe média contra o governo. Por exemplo, se a mídia estivesse tão interessada em reduzir os tributos da classe média, ajudaria a pressionar a aprovação do imposto sobre as grandes fortunas, que existe em todos os países desenvolvidos. Aliás, essa é uma das razões principais da carga "relativamente" leve sobre as classes médias européias: suas elites financeiras são draconiamente tributadas. Porque será que a Miriam Leitão não fala sobre isso, héin?

O Globo, assim como a mídia, vem construindo, uma verdadeira mitologia anti-estatal. Essa é, a meu ver, a maior esquizofrenia da oposição partidária. PSDB e DEM querem o poder do Estado, mas compartilham dessa visão anti-estatal. O mínimo que se pede de autoridades do Estado é que valorizem o papel do Estado. Tucano-demos, além disso, são demagogos na questão tributária, visto que, no poder, foram o governo que mais elevou a carga tributária. Nos oito anos de FHC, a carga tributária cresceu 42%, enquanto nesses cinco anos de Lula, o crescimento foi de apenas 6%, com uma outra diferença básica: enquanto na era fernandista o desemprego e a informalidade da economia cresceram, nos anos lulistas ocorreu o contrário, caiu o desemprego e caiu a informalidade, o que explicaria inclusive esse aumento da carga. Sem falar das operações da PF e da Receita contra grandes sonegadores, que aumentaram muito de intensidade nos últimos anos.

Ah, detalhe, você sabia que o principal imposto do país é o ICMS, cobrado pelas federações? Ninguém quer falar nisso, né? Ninguém quer falar também que uma das metas do PAC, Programa de Aceleração do Crescimento, é justamente reduzir significativamentea carga tributária no Brasil, sobretudo da União.

Nos planos do PAC, consta a redução dos gastos com pessoal, por parte da União, dos atuais 5,3% do PIB em 2007 para 4,7% em 2010. Outro detalhe, o ano com gasto recorde com pessoal foi o último de FHC, 5,4% do PIB. E os tucanos ainda tiram onda de defensores de Estado mínimo... com ajuda da mídia, essa prestidigitadora que pregou no rabo do governo Lula a faixa de "gastador e empreguista de cumpanheiros".

O principal fator, entretanto, que obriga o Estado a cobrar tanto imposto é o endividamento público do país. Ganha uma tapioca quem adivinhar qual foi o governo que mais endividou o país na história recente? Ganhou quem disse: os tucanos! Pois é, parece até birra minha, achar que tudo de ruim foi feito por FHC. Já andei elogiando o Plano Real, e a estabilidade fiscal do governo FHC, mas pensando bem, nem por isso ele merece muito crédito, já que o Real foi feito mesmo pelo Itamar Franco e a estabilidade fiscal fernadista foi apenas teórica, já que embasada inteiramente na explosão do endividamento público, interno e externo.

A projeção do PAC é reduzir o endividamento público brasileiro dos atuais 48,3% do PIB (2007) para 39,7% ao final de 2010. Se o governo conseguir isso, e torçamos para que consiga (xô urubus), ganharemos bilhões para investir e desonerar impostos. A classe média brasileira, apesar do Globo e da Miriam Leitão, terá a possibilidade de ser mais feliz. Isso se deixar de ser otária e parar de acreditar que o Globo defende seus interesses. O que o Globo defende, seus trouxas, são os interesses dos milionários! Parem de acreditar que a mídia apenas defende o capitalismo, etc. O trabalhador humilde é o esteio de qualquer capitalismo que se preze. Nenhum capitalismo se consolida sem um vigoroso mercado consumidor, ou seja, sem tirar as pessoas da pobreza, sem dar acesso aos bens e serviços do mundo moderno. Portanto, há que se fazer política social, industrial, tributária e monetária visando o trabalhador simples e a classe média.

Parte de nossa direita é composta por um setor infantilizado, arrogante, deslumbrado com suas estantes (pensam que são os únicos que lêem e escrevem bem), que se acham moralmente superiores. São viúvas de uma guerra fria obsoleta, tristes por constatar que, sob governos de esquerda, o capitalismo sul-americano se humaniza, se consolida, se fortalece; tristes por ver que o socialismo que combatiam também se modernizou, tanto em linguagem quanto em objetivos. O socialismo aprendeu a conviver com a democracia e a liberdade; mais ainda, o socialismo aprendeu a conviver com a propriedade, não mais considerada um bicho-papão, mas um direito do cidadão, e que, desde que fiscalizada pelo Estado, desde que pague os devidos impostos (justos, não extorsivos), não constitui um mal à sociedade. Isso assusta e confunde a direita.

blog oleododiabo.blogspot.com