domingo, junho 16, 2013

Dilma, exclusivo: estamos preparando o país para os próximos vinte anos


Luis Nassif

O ar aparenta um certo cansaço. Mas os olhos brilham e Dilma Rousseff é capaz de discorrer por duas horas sem perder o pique sobre seu tema preferido: o Brasil.

Garante que no segundo semestre o país testemunhará o deslanche das concessões e parcerias público-privadas. Entusiasma-se ao falar da construção naval, da lei dos portos e de como a reserva do campo de Libra impactará o país.

Criaram-se lendas de que Dilma irrita-se com críticas, a ponto de romper com o crítico. Não é o que transpareceu na conversa de duas horas, na quinta-feira no Palácio do Planalto. Mostrou sua visão de país e informou ter alertado alguns ministros mais suscetíveis sobre a importância de se dar atenção às críticas fundamentadas.

Um dos interlocutores de Dilma garante que a imagem da “gerentona” não faz justiça a ela. Segundo ele, poucos presidentes na história tiveram a visão estratégica de futuro de Dilma. “Ela sempre pensa no país daqui a 10, 15 anos”, explica o interlocutor. “Não se inebria com resultados imediatos”.

Tem pressa. Entende que presidentes passam, o país fica. E quer deixar o máximo possível de sementes plantadas. Talvez explique o fato de empurrar conflitos com a barriga, ceder em muitos pontos, não parar sequer para colocar o Ministério em ordem, por não ter tempo a perder para colocar em pé um trabalho que – segundo sua mesma expectativa – só começará a frutificar daqui a dez, quinze anos.

E é o que talvez explique a condescendência imprudente com seu Ministério.

Na hora da operação, esbarra na fragilidade de alguns Ministros e no acomodamento de outros. Aí, é obrigada a perder parte relevante do tempo corrigindo problemas operacionais. O álibi “Dilma truculenta” é invocada por muitos Ministros para justificar sua própria mediocridade e apatia.

A entrevista revela uma presidente com plena clareza sobre os caminhos estratégicos do país. Mas, para consolidar sua obra, falta a freada de arrumação, uma mudança maiúscula no Ministério, uma reestruturação no modo de gerenciar os Ministros – agrupando núcleos de Ministérios em torno de algumas figuras-chave, que possam ser a Dilma da Dilma -, uma reformulação na articulação política. E determinar aos seus Ministros que corram riscos, busquem iniciativas, demitindo os que se dizem com medo de cara feia.

Ao ouvir o nome do jornal GGN, pergunta a relação com o Grupo Gente Nova (GGN), organização de lideranças jovens cristãs, que vicejou em Minas nos anos 60. O berço do GGN foi Belo Horizonte e, através das freirinhas do Sion, Dilma e outros jovens faziam trabalho social em bairros pobres, discutiam política e o Concílio Vaticano 2 de João 23. O GGN transbordou para Poços de Caldas, também através de freirinhas - na caso, as dominicanas.

Dilma recorda desses tempos, compara com o que sua neta encontrará pela frente. E dá o mote para o início da entrevista.

O novo país

GGN – Que país a senhora pretende que nossa geração entregue para a de nossos netos?


Dilma - Está vindo por aí uma nova geração totalmente diferente, que encontrará um país totalmente diferente do que nossa geração recebeu. Nós vamos transformar o Brasil em um país rico, de classe média. Pessoalmente acho que essa herança ficará não apenas eliminando a pobreza, mas conseguindo uma educação de altíssima qualidade. Só a educação permite um ganho permanente, irreversível. Por isso defendo os royalties para educação.

GGN – Qual a próximo ciclo da economia?

Dilma – A etapa do combate à miséria absoluta está prestes a terminar. Hoje em dia, existe o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o apoio ao microempreendedor, o Luz Para Todos. Essa foi a primeira grande leva de transformações e só tem dez anos. Os frutos ainda nem começaram a aparecer. A segunda grande leva será a busca da competitividade.

GGN – E as frentes da próxima batalha?

Dilma – A principal é a Educação, que serve ao lado social e à competitividade. Há um amplo investimento no Prouni (Programa Universidade para Todos), no FIES (Financiamento Estudantil), na ampliação das escolas técnicas, de universidades e novos campis. E na interiorização da educação. Levar a educação para o interior muda padrão de vida de toda uma região.

Os analistas ainda não se deram conta da extensão do trabalho em educação. Financiamos R$ 1,5 bilhões para o Senai ampliar a formação de mão de obra. A Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) da CNI (Confederação Nacional da Indústria) irá formar 8 milhões de trabalhadores até 2014. O MEC (Ministério da Educação) está entrando com recursos para formação de técnico para nível médio.

A parte relevante é o treinamento de mão de obra com vários escalões, até chegar à Tereza Campello (do Ministério do Desenvolvimento Social). Há várias turmas de filhos do Bolsa Família se formando. Já chegam a um milhão de alunos.

Essa mesma parceria do Senai estamos fazendo com o Senar (da Agricultura) e com o Senac (do Comércio). O Senai e o Senar são os parceiros mais ativos.

O mais interessante é a quantidade de mulheres que saem do Bolsa Família e se tornam operárias especializadas. Na cerimônia de formação dos alunos do BF, a oradora da turma era uma moça que se tornou eletricista.

Os marcos regulatórios

GGN – E a outra frente?


Dilma - A segunda frente são os novos marcos regulatórios. No período Lula houve o marco do setor elétrico. Depois, o pre-sal. Como se sabia onde havia petróleo, com risco menor de prospecção, mudou-se a exploração para o sistema de partilha, para o país beneficiar-se o máximo possível da nova riqueza.

GGN – E a Lei dos Portos?

Dilma – O marco regulatório dos portos é fundamental. No lançamento afirmei que seria a segunda abertura dos portos. A primeira, de Dom João VI, foi para o comércio com as nações amigas. A segunda, agora, é a abertura para o investimento privado. Há a necessidade de um padrão de eficiência compatível com a sofisticação industrial, agrícola e a extração de minérios.

No caso dos portos, ampliar os terminais de uso privado, deixar quem quiser exportar através de container, sem reserva de mercado, e ampliar a capacidade de comunicação do país com o exterior.

Na sequencia, o desafio será priorizar a cabotagem (navegação da costa).

Um de nossos principais atos foi o de desobstruir a infraestrutura. Todo mundo tem o direito de passar. Para não penalizar quem faz a infra, quem quiser passar paga o mesmo que o concessionária cobra de si próprio.

A expansão dos portos abrirá um novo mundo, permitindo a integração com ferrovias, com o transporte aquaviário.

Hoje em dia, temos condições de planejar estrutura ferroviária, porque os portos são importantes, porque rodovias estão sendo duplicadas. Eisenhower, quando assume governo norte-americano, duplicou todas as estradas. Chefiou as Forças Aliadas na Segunda Guerra. Planejou atravessar a França para chegar e Berlim em determinado prazo. O planejamento fio em cima da experiência antiga com as estradas francesas, estreitas. Quando entrou nas autobans, a chegada em Berlim foi abreviada. Aí ele entendeu a importância das autoestradas. Levou 15 anos para duplicar as estradas norte-americanas. Nós duplicamos os principais eixos.

O salto agrícola

GGN – Resolve-se, com isso, o problema do transporte das safras?

Dilma - Ninguém notou muito, mas lançamos recentemente uma política fundamental, a de armazenagem. Precisamos de 65 milhões de toneladas de capacidade instalada de armazéns. No último Plano de Safras, foram destinados R$ 136 bilhões para a agricultura comercial e R$ 21 bi para a familiar. Foram colocados R$ 5,5 bilhões, a 3% ao ano de juros e prazos de 15 anos, para a ampliação da rede de armazéns.

Ao mesmo tempo, será recriada uma estrutura de assistência técnica e extensão rural.

A Embrapa é uma instituição voltada para a pesquisa. A nova organização será voltada para a assistência técnica, como agência de difusão de tecnologia. Será enxuta e seu papel consistirá em articular consultorias privadas para atuar em duas áreas prioritárias: agricultura de precisão e produção de hortifrutigranjeiros em áreas protegidas (estufas), além de pesquisas em biotecnologia, nas áreas de DNA, pecuária leiteira.

O campo de Libra

GGN – E a licitação do campo de Libra?

Dilma - Ainda não caiu a ficha geral sobre a próxima licitação do pré-sal, em 22 de outubro. Será licitado apenas um campo, o de Libra. Dentro da política da ANP (Agência Nacional de Petróleo), a Petrobras foi contratada para furar um poço. Fez a prospecção e constatou, inicialmente, uma capacidade potencial de 5 bilhões de barris equivalente de petróleo. Depois, pegaram os mapas de sísmica em 3D e enviaram para análises em Londres. Os últimos dados apontam para uma capacidade de 8 a 12 bilhões de bpe. É algo em torno de 2/3 do total das reservas brasileiras descobertas em toda sua história.

As análises iniciais indicam um preço bastante competitivo, na faixa de 40 dólares o barril. O gás de xisto dos Estados Unidos, tão falado, não sairá por menos de 80 dólares.

GGN – Recentemente fizemos em Porto Alegre um seminário sobre a indústria naval e houve relatos entusiasmados sobre os avanços no setor.

Dilma – Você não sabe a satisfação que é quando se percebe que um objetivo foi alcançado. Lembro-me que em 2003 o presidente Lula me chamou e disse que o Brasil já tinha sido um dos maiores produtores de navio nos anos 70. E que queria que voltasse a ser. Fui com a Graça Foster, titular de uma das secretarias do Ministério, até um estaleiro abandonado.

Era um areal imenso, a perder de vista, sem nada em cima. As pessoas caçoavam, diziam que seria impossível o Brasil construir navios, que estava muito acima da nossa capacidade. Ora, construir navios é a capacidade de transportar chapas e de soldar. Como, impossível?

Hoje, quando volto aos mesmos lugares, vemos guindastes gigantescos, o estado da arte, equipamentos sofisticados. E com o campo de Libra, vai ser um salto ainda maior. Haverá uma demanda gigantesca por equipamentos, de 14 a 17 plataformas, exigindo acelerar substancialmente a indústria naval.

GGN – Porque concessões e investimentos demoram tanto a deslanchar?

Dilma - O país paga um preço de 20 anos com austeridade fiscal e baixa projeção econômica e de investimento. Ninguém passa imune por isso.

As consequências foram a hipertrofia das estruturas de fiscalização em detrimento da execução. O funcionalismo fiscal tornou-se importante; o de execução perdeu status e incentivo. Esse fenômeno espalhou-se pelo setor privado, com os engenheiros de produção cedendo lugar aos engenheiros voltados para a área financeira e de gestão. Desapareceram as grandes empresas de consultoria de engenharia.

O planejamento de longo prazo retornou ao país em 2007, com o primeiro PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). Ninguém mais fazia projetos, nem a União, nem os estados nem a iniciativa privada estavam preparados para enfrentar o desafio.

De lá para cá houve expressiva mudança qualitativa. Hoje em dia União, estados e iniciativa privada estão mais aparelhados, as empresas de projetos são bem melhores, com impacto no ritmo das obras. Houve modificações nos sistemas de contratação, reduzindo o tempo, melhoria na capacidade de planejar.

GGN – Quando as concessões deslancharão?

Dilma - Na segunda metade do ano, haverá um festival de licitações. Serão licitados 7.500 km de rodovias, aeroportos, ferrovias, o poço de Libra, gás em terra, armazéns, linhas de transmissão e geração e o TAV (Trem de Alta Velocidade). Os empresários internacionais já acordaram para isso.




Protesto: uma virada na cobertura


Por Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa:

De repente, não mais que de repente, o noticiário sobre as manifestações que paralisam grandes cidades brasileiras há uma semana sofre uma reviravolta: agora os jornais começam a enxergar os excessos da polícia e mostrar que no meio da tropa há agentes provocadores e grupos predispostos à violência.

Um dos relatos mais esclarecedores sobre o momento em que a passeata realizada na capital paulista na quinta-feira (13/06) deixou de ser pacífica é feito pelo colunista Elio Gaspari, na Folha de S.Paulo e no Globo(ver "A PM começou a batalha na Maria Antônia"). Ele descreve como uma equipe da tropa de choque se posicionou e agiu deliberadamente para provocar o tumulto.

Há também, na rede social digital, um vídeo mostrando um PM, aparentemente por orientação de um oficial, quebrando o vidro da viatura. A imagem, cuja autenticidade só pode ser confirmada pela própria Polícia Militar, está disponível no Youtube.

No Facebook, registro para a legenda colocada sob cenas dos conflitos, no noticiário da GloboNews durantea noite: “Polícia fecha a Avenida Paulista para evitar que manifestantes fechem a Avenida Paulista”. Nessa linha de raciocínio, pode-se imaginar também a seguinte manchete: “Polícia usa violência para evitar violência de manifestantes”.

Truculência e irresponsabilidade

Foi preciso mais do que evidências para a imprensa cair na real: os repórteres testemunharam dezenas de ações abusivas de policiais, como a retirada e o espancamento de um casal que tomava cerveja num bar, alheio à passeata, ou o lançamento de granadas de gás em meio aos carros travados nos congestionamentos.

Claramente, não se trata de bolsões descontrolados, mas de uma ação organizada dentro da corporação policial, o que mostra o esgarçamento da disciplina e do controle na Polícia Militar. A única possibilidade de desmentir tal observação é a ação imediata do comando, identificando e afastando das ruas os oficiais responsáveis por esses grupos.

A violência gratuita e excessiva ficou registrada nas páginas dos jornais, entre outras razões, porque desta vez houve mais jornalistas entre as vítimas de agressões. Sete deles são repórteres da Folha de S. Paulo. Isso talvez explique a mudança de tom nas reportagens, mas o relato da violência não esgota o assunto, apenas instala algum equilíbrio na visão dos fatos por parte da imprensa.

Para ampliar sua compreensão do que realmente se passa nas ruas da cidade por estes dias, o leitor tem que se valer de outras fontes além dos jornais e do noticiário da TV. Por exemplo, o vereador Ricardo Young, que acompanhou o indiciamento de alguns manifestantes detidos, registrou no Facebook um fato preocupante: policiais fizeram a revista de mochilas e bolsas longe de testemunhas, trocando conteúdos e inserindo em algumas delas materiais estranhos, como pedras e pacotes com maconha. Assessores do vereador denunciam que houve tentativa de “plantar” provas contra alguns dos manifestantes detidos.

É notória a má vontade da polícia, como instituição, contra jovens em geral, talvez ainda um resquício da ideologia de segurança pública que se consolidou durante a ditadura militar e que ainda orienta a formação nas academias. Os indicadores de agressões cometidas por agentes públicos contra homens jovens são um dos aspectos mais evidentes nos estudos sobre a violência nas grandes cidades brasileiras. O encontro dessa mentalidade com a irresponsabilidade de grupos de manifestantes que se julgam autores de uma revolução política pode resultar em tragédia.

Ações ilegais

Se algum fato mais grave vier a ocorrer em futuras manifestações, pode-se contar como grande a probabilidade de haver alguns desses policiais envolvidos. Portanto, a responsabilidade pelo que virá a partir de segunda-feira (17/6), quando nova manifestação está marcada para o Largo da Batata, na zona oeste de São Paulo, tem um peso maior na Secretaria de Segurança Pública.

Isso não quer dizer que a prefeitura e os líderes do Movimento Passe Livre, bem como os dirigentes dos partidos cujas bandeiras são agitadas por alguns ativistas, estejam isentos de arcar com sua parte na tarefa de prevenir o desastre.

A imprensa, que finalmente despertou para o fato de que há vândalos em ambos os lados do conflito, pode ajudar a identificar os comandantes dessas ações ilegais, assim como tem sabido apontar os autores de depredações durante os protestos.

Foi preciso que alguns jornalistas sofressem a violência no próprio corpo para que os jornais se dessem conta de que nem tudo é o que parece.

Se liga Dilma: a mídia é o partido da oposição

As manchetes da mídia buscam criar um clima de crise (a palavra mais proferida pela
Carta Maior

As manchetes da mídia buscam criar um clima de crise (a palavra mais proferida pela mídia, junto com a de caos), visando desgastar a imagem do governo, artificialmente, a partir de dificuldades reais. Para aumentar a dimensão do problema, o governo revela não ter uma politica de comunicações para desmentir as diárias falácias que a mídia lança. A proximidade da campanha eleitoral aumentará a guerra no plano das comunicações. Não basta o governo governar bem. É preciso democratizar os canais de comunicação, ouvir e falar o tempo todo.

Por Emir Sader.

Dilma buscou uma relação de boa convivência com a mídia privada. Afirmou que preferia uma imprensa barulhenta que uma imprensa calada, como na ditadura. Fez acenos para uma convivência pacifica.

A mídia fez que aceitou, cobrando como preço o distanciamento do Lula. Quando a mídia percebeu que a ligação entre os dois é inquebrantável, retomou um clima de guerra contra ela e seu governo.

As manchetes da mídia buscam criar um clima de crise (a palavra mais proferida pela mídia, junto com a de caos), visando desgastar a imagem do governo, artificialmente, a partir de dificuldades reais. A própria Dilma faz uma resenha dessas manipulações, recordando o caos energético, como modelo de manipulação, cujas previsões se revelaram totalmente falsas.

As manipulações em torno do suposto descontrole inflacionário. Adeptos do governo que levou a inflação no Brasil à casa dos 4 dígitos, querem aparecer como os defensores da estabilidade monetária.

Buscam igualmente passar a ideia de que não temos o governo competente que se impôs pela sua eficiência, mas uma presidenta supostamente incapaz de enfrentar os problemas do Brasil.

Para aumentar a dimensão do problema, o governo revela não ter uma politica de comunicações – é a politica da não politica -, para desmentir as diárias falácias que a mídia lança contra o governo. Para transmitir a posições do governo. Para abrir os espaços indispensáveis, para que a Dilma e todo o governo, possa falar e ouvir constantemente o povo.

Toda vez que a Dilma fala, os resultados são muito positivos, confirmando que o governo tem o que dizer, faltam canais de comunicação. Além de que não se conhecem porta-vozes que estejam, constantemente, falando ao povo o que o governo tem a dizer.

A proximidade da campanha eleitoral aumentará a guerra no plano das comunicações. Não basta o governo governar bem. É preciso expandir, democratizar os canais de comunicação, ouvir e falar o tempo todo.

Se liga, Dilma! Seja um pouco mais bolada na vida real. Vai ser bom pro governo. E povo vai gostar!

JORNALISMO DE ECONOMIA. RALO E FALSO

Do Conversa Afiada

O jornalismo brasileiro é tão falso quanto a elite de que pretende fazer parte.

O ansioso blogueiro foi convidado a escrever sobre o assim chamado “jornalismo de economia” que se pratica no Brasil, o único país do mundo, segundo o Mino Carta, onde jornalista chama patrão de colega.

Aí vai:

Atribui-se a Delfim Netto a mortífera frase “jornalismo de economia não é um nem outro”.

Claro que ele nega, peremptoriamente, a autoria.

Ainda assim, tome-se o aforismo como ponto de partida.

“Jornalismo” muitas vezes não é.

Porque é mais opinião do que informação.

E o bom jornalismo não mistura Igreja e Estado – não mistura opinião e informação.

Porque fica combinado assim: quem tem opinião é o dono.

Quem paga as contas.

Se o repórter enfia opinião na informação, é porque exerce a atividade de contrabandista: camufla a opinião do patrão – ou a sua, que só pode ser a mesma do patrão, por definição – no meio da informação.

Logo, trata-se de um embuste.

Também não é jornalismo, porque o chamado “jornalismo de economia” não é escrito para informar o leitor, espectador ou ouvinte.

Mas, para informar os economistas dos bancos, que já sabem tudo o que o jornalista quer lhe dizer.

Essa estranha mutação se dá por dois motivos.

Porque o jornalista de economia adoraria ser economista de banco.

E porque o jornalista de economia não tem a menor ideia do que interessa ao leitor.

A ignorância é colossal.

E, mesmo se soubesse, trocava o serviço ao leitor pelo serviço ao banqueiro.

Existe outra aberração, aqui: jornalistas de economia pensam que são economistas.

E assim se consideram, ao trabalhar.

Como se de um “economista” se exigisse mais do que de um dentista.

Esse menosprezo pelo leitor, espectador ou ouvinte se dá por uma deformação genética.

Os jornalistas de economia, como, de resto, jornalistas em geral, nasceram do mesmo ventre: as faculdades de jornalismo.

Faculdades de jornalismo, na grande maioria, são arapucas que não ensinam.

Como é obrigatório ter diploma para ser jornalista – uma aberração corporativista ! – as faculdades de jornalismo são – muitas vezes – gigolôs do diploma.

Eu finjo que te ensino, você me paga e eu te arrumo um diploma.

Na verdade, tudo de que alguém precisa para ser jornalista não exige mais do que três meses num laboratório do Senai.

O resto, o resto é ler Machado de Assis.

E aqui se chega a outro ponto capital: a Língua Portuguesa, aquela de Machado e Vieira.

Os jornalistas de economia são transgressores contumazes.

Não sabem escrever.

Tudo isso se deve a uma das excrescências do regime militar.

Como os militares embargaram o noticiário político, e se legitimavam com os feitos na Economia, a imprensa ampliou o noticiário da Economia e encolheu o da Política.

Depois, veio a hiperinflação.

Outro motivo para engordar a Economia.

O noticiário da televisão servia menos ao espectador do que ao Governo: manter, por exemplo, o congelamento de preços do Plano Cruzado.

A Globo desempenhou papel central nisso.

E se esborrachou com o descongelamento.

A certa altura, o Jornal da Globo, de 24 minutos de produção, tinha três – TRÊS ! – colunistas de Economia.

Este locutor que vos fala, o Joelmir Betting e a Lilian Witte Fibe, precursora da Miriam Leitão.

Sobre a segunda parte do aforismo delfiniano: Economia.

Não escrevem sobre Economia.

Porque dela não entendem patavina.

Divulgam press-releases.

Praticam o jornalismo do “disse que”: fulano disse isso, beltrano aquilo …

E reproduzem o Banco Central, ou o que ouvem dos economistas dos bancos, que, por sua vez e, por definição, dizem o que o Banco Central diz.

Isso, quando falam entre aspas.

Porque quando falam em off, os economistas dos bancos dizem o que querem que aconteça e manipulam os obsequiosos jornalistas de economia para reproduzir seus pleitos – e de seus bancos.

É o que acontece, por exemplo, com a Selic.

Os jornalistas de economia, como os bancos e seus economistas querem juros.

Juros !

O jornalismo de Economia é a vanguarda terrorista – clique aqui para ler sobre os terroristas da inflação – que espalha crises para derrubar governos trabalhistas.

São os novos Velhos do Restelo.

De cada dez palavras de um jornalista de economia, uma é “crise”.

“Crise” significa dizer ao leitor, espectador: não pense, você não está qualificado para pensar.

Você é um bestalhão !

Isso tudo é muito complicado e você não alcança a “crise” em sua dimensão cósmica.

Deixa que eu penso por você.

Eu e os “especialistas” que eu consulto.

(Como disse o Senador Requião, esses “especialistas” são os que nada sabem de tudo.)

Mais importante ainda: além de pensar, eu, jornalista de economia quero votar por você.

Como a “Ciência” da Economia se transformou na “Ciência” dos credores, assim é com o jornalismo de economia: joga no time dos que tem a receber.

E o devedor – leitor, espectador, ouvinte, o povaréu em geral – que se lixe.

Outro aspecto a conspurcar a pseudo Ciência da Economia é o caráter partidário do jornalismo de economia.

O jornalismo de economia é a favor do mais forte – sempre.

Do patrão, do credor, da Casa Grande, da Metrópole.

Esteja o mais forte no PSDB, na Rede ou no PSB: só o mais forte garante o meu emprego.

E, aí, na fidelidade ao “mais forte”, se dá um fenômeno interessante.

A grande maioria dos jornalistas de economia só atravessou o Equador para ir a Disney.

Mas, pensa que capta os sentimentos mais profundos da Metrópole, geralmente instalada na City ou em Wall Street.

Provavelmente lá nunca estiveram.

Se estiveram, não entenderam a língua que ali se fala.

Mas, aqui, na versão luso-tropical, procuram reproduzir o que imaginam ser o pensamento metropolitano.

Como aquele argentino que usava guarda-chuva quando lia no Times de Londres que a previsão era de chuva fina e fria.

De resto, o jornalismo de economia brasileiro não passa dos cabedais do repórter do Wall Street Journal que mereceu um discreto elogio de Paul Volcker, quando saiu do Banco Central: “você, meu filho, era o único jornalista que eu me dava o trabalho de ler”.

Atônito, respondeu o jovem: “mas, Mr Volcker, tudo o que eu fazia era reproduzir o que o senhor dizia”.

O jornalismo de economia é tão ralo quanto o jornalismo brasileiro.

E tão falso quanto a elite de que pretende fazer parte.

Em tempo: o autor das mal traçadas linhas ganhou a vida, por muito tempo, como jornalista de economia.


Paulo Henrique Amorim

sexta-feira, junho 14, 2013

WANDERLEY: DILMA TEM QUE JOGAR DURO COM EMPRESÁRIO


Dilma desonera e o empresário não se mexe


Saiu no Blog O Cafezinho:


Wanderley pede que governo jogue mais duro com empresariado

O cientista político Wanderley Guilherme dos Santos questiona as facilidades que o governo tem dado, sistematicamente, ao empresariado nacional. Não há contrapartida visível. O poder público, segundo Wanderley, precisa usar as ferramentas disponíveis para convencer o empresário a intensificar seus investimentos no país. As “bondades” palacianas estão sendo embolsadas pelas empresas na forma de aumento das taxas de lucro, ao invés de se converterem em estímulos concretos ao investimento.

Wanderley cobra, em resumo, que o governo jogue mais duro com as companhias a quem tem estendido a mão tão generosamente. “Nada a ver com autoritarismos, somente elevação nos custos da não retribuição aos incentivos recebidos”.


Leia abaixo o artigo de Wanderley:

Governo precisa jogar mais duro

Wanderley Guilherme, cientista político

A Medida Provisória 617, editada em 31/5/13, reduziu a zero os tributos PIS/PASEP e COFINS sobre as receitas das empresas de transporte coletivo de passageiros. Com este novo item, o Ministério da Fazenda estima que as desonerações aceleradas desde 2012 alcancem o total de R$ 72 bilhões no corrente ano. Reduções ou extinções tributárias podem contribuir para a queda da inflação, com repercussões na estabilidade da renda das famílias e do emprego, e servir de incentivo ao investimento privado. Ao fim e ao cabo, se tudo o mais permanece constante, produzem mesmo tais resultados. As interrogações imediatas dizem respeito ao final de quanto tempo e ao cabo de quantos outros eventos os favores tributários trarão as prendas esperadas. Nunca é tarde para boas notícias, mas a propagação de seus benefícios será tanto mais lenta quanto mais longa for a duração da expectativa antecedente.

Só agora a velocidade inflacionária parece ceder de forma consistente às diversas medidas do governo. O Banco Central não julgou oportuno aguardar a acentuação da queda nos preços nem revelou satisfação com o ritmo em que a inflação perde força. De onde o recente e significativo aumento na taxa de juros, medida pouco amigável às expectativas de expansão no crédito, investimento e, no fim da cadeia, à manutenção do nível de emprego. Em sua próxima reunião o Banco Central decidirá se aceita os indicadores da inflação como suficientes ou se tornará ainda menos atrativos os investimentos, cujos números estão longe de encantar os analistas.

Resultados preliminares anunciam que o segundo trimestre de 2013 confirma os números positivos do primeiro em relação ao crescimento da indústria de transformação. E a vigorosa taxa de investimento na produção de bens de capital antecipa bons ventos para aquele segmento, sendo verdade que são empresas as pessoas jurídicas que encomendam as máquinas ao setor pesado. Que o fluxo de investimento poderia ser bem mais intenso se comprova por pesquisa mostrando que em ponderável número de empresas o alívio fiscal foi apropriado pela rubrica “recomposição da margem de lucros” antes que por repasse aos preços finais dos produtos (Valor Econômico, 3/6/13, A2, “Receita sobe mais que os custos nos setores com desoneração dos salários”). Ou seja, a cooperação das empresas desoneradas para a já tardia queda na inflação foi menor do que a viável. Certo é que a insondável rubrica “recomposição da margem de lucro”, variável cujo valor é mais ou menos arbitrariamente definido pelos empresários, também prejudicou a taxa de investimento. Pequenas declarações indiscretas, aqui e ali, insinuam que pressionam por maiores benefícios tributários e outros agrados.

Estes são exercícios no mundo dos possíveis e não há metodologia capaz de comprová-los. Ou desmenti-los. No mundo atual o que encontramos é uma inflação resistente, uma taxa de investimento insatisfatória e um Banco Central disposto a bancar as ameaças ao crédito e ao emprego embutidas na elevação do juro. O desencontro natural entre resultados de políticas distintas é também inegável. O retorno agregado da política de desonerações é positivo, mas seu perfil e velocidade estão aquém do desejável. Em boa lógica de ação coletiva a política de incentivos (desonerações, no caso) deve ser acompanhada, quando insuficiente, por alguma dose de coação. Nada a ver com autoritarismos, somente elevação nos custos da não retribuição aos incentivos recebidos. Em outras palavras: se o estímulo material ao investimento não comove o empresariado, o aumento no custo de não fazê-lo talvez comova. Existem xaropes hábeis para tonificar a vontade, ou quiçá moderar a voracidade, do preguiçoso empresariado nacional.

O Sonegômetro e a Justiça Fiscal

O Brasil vem há décadas registrando índices alarmantes de sonegação fiscal e alta carga tributária que se realimentam num círculo vicioso. São disfunções de um modelo regressivo, que penaliza fortemente o orçamento dos cidadãos mais pobres, pois onera muito mais o consumo do que a renda e o patrimônio. Soma-se a isso, a falta de medidas efetivas para coibir e punir os que buscam no ato de sonegar uma fonte de lucro.

Com o objetivo de ampliar esse debate, o SINPROFAZ - Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional realiza anualmente a Campanha Nacional da Justiça Fiscal - Quanto Custa o Brasil pra Você?. A iniciativa, criada em 2009, promove a conscientização tributária, a educação fiscal e alerta para a importância do combate à sonegação, em benefício de todos os brasileiros.

Os Procuradores da Fazenda Nacional defendem uma Reforma Tributária que altere a incidência primordial da tributação, do consumo para a renda e o patrimônio, atendendo a recomendação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE, e ao princípio constitucional da capacidade contributiva. Inclui-se, nesse contexto, a urgente necessidade do país fortalecer seus instrumentos de controle e combate à sonegação. Afinal, não é justo que os cidadãos, que pagam em dia seus impostos, e são sobretaxados no momento do consumo, continuem arcando com o prejuízo causado pela alta sonegação.

Para esclarecer esta realidade foi criado o painel Sonegômetro, baseado em estudo do SINPROFAZ, que aponta para um rombo fiscal de R$ 415,1 bilhões de reais, só em 2013. Esse valor, se comparado com a arrecadação de 2011, representa:

Mais que toda arrecadação de Imposto de Renda (R$ 278,3 bilhões).
Mais que toda arrecadação de tributos sobre a Folha e Salários (R$ 376,8 bilhões).
Mais da metade do que foi tributado sobre Bens e Serviços (R$ 720,1 bilhões).

O estudo ainda afirma que a arrecadação tributária brasileira poderia se expandir em 23,9%, caso fosse possível eliminar a evasão fiscal. Ou, melhor ainda, o peso da carga tributária poderia ser reduzido em quase 30%, com o país mantendo o mesmo nível de arrecadação.

R$ 415,1 bilhões equivalem a:

5.156.521 ambulâncias;
1.441.319 postos de saúde equipados;
8.647.916 postos policiais equipados;
12.456.996 salários anuais de policiais (SP);
30.079.710 salas de aula;
20.377.006 salários anuais de professores do ensino fundamental (piso MEC);
612.241.888 salários mínimos;
1.241.699.072 cestas básicas;
2.986.330 ônibus escolares;
4.010.628 km de asfalto ecológico;
18.672.964 carros populares (Fiat Mille Economy 2p);
13.836 presídios de segurança máxima;
143.137.931 iphone 5 (16Gb);
11.860.000 casas populares (40m²);
16.000.000 de bolsas família por 31 anos (básico R$70,00).

Economia em alta, inflação estável

Duas notícias, agora de manhã, confirmam que não há, ao contrário do que alardeiam jornais e TVs, um descontrole e crise generalizada na economia brasileira.

O IGP-10, da Fundação Getúlio Vargas, mesmo registrando uma elevação de 0,63%, reduziu o acumulado em 12 meses outra vez. O indicador acumulado, que estava em 8,06% em fevereiro e 6,28% no mês passado reduziu mais alguns pontos e soma 6,17% (os dados completos, para quem quiser conferir, estão aqui).

Dá para ver bem no gráfico que não se indica qualquer aceleração, muito menos descontrolada, no índice inflacionário. E ele seria ainda menor se não fosse a elevação de 2,48 % no índice da construção civil, que subiu pressionado pela mão de obra, que variou 4,19% para cima.

É de se imaginar que o BC não tenha levando em conta o salário de pedreiros e serventes na hora de subir os juros, não é?
E é lá do Banco Central que vem outra notícia “espanta-crise”. O indicador da atividade econômica apurado todo mês pelo BC, considerado uma prévia do PIB, subiu 0,84% em abril em relação a março, após registrar alta de 1,07% em março sobre fevereiro, já com as correções estatísticas sazonais.

Em relação a abril de 2012, um crescimento de 4,85 % e de 3,43% no acumulado desde janeiro deste ano, ambos os índices já com os ajustes sazonais.

A tabela oficial está aqui.

É óbvio que, tanto no indicador de inflação quando no de atividade econômica podem haver oscilações a cada mês. Mas se colocarmos décimos de 1% no foco de nossas atenções, vamos fazer como um sujeito que olha de tão perto um grão de areia que ele parece uma rocha imensa.
Por: Fernando Brito

Contra a Petrobras, são “valentes”. Com a Vale…

Do Tijolaço

Há uma exploração sem limites nesta questão judicial contra a Petrobras, que se refere a débitos fiscais supostamente devidos pela gestão Fernando Henrique, entre 1999 e 2002.
Como se sabe, o caso envolve a tributação de remessas da empresa efetuadas ao exterior para pagar o frete de plataformas de petróleo contratadas no exterior.
A empresa, como é seu direito, está discutindo a procedência da dívida e seu montante, tanto que já tem um provisionamento, em seu balanço, de R$ 4,5 bilhões em razão da pendência judicial.
Não houve condenação definitiva ao pagamento dos alegados R$7,4 bilhões e, portanto, não se justifica que a empresa perca, sem nenhum acordo para a solução do litígio, a Certidão Negativa de Débitos, sem a qual a empresa não pode operar importações e exportações nem participar de processos licitatórios, como os leilões de áreas petrolíferas.
É tão óbvio que suspender a capacidade da Petrobras de prover estas necessidades do país em matéria de derivados de petróleo cria graves riscos sociais e é motivo mais do que suficiente para que, cautelarmente, ela não sofresse a suspensão da certidão durante a discussão do débito. Era, como dizem os franceses “ça va sans dire”, óbvio e não é possivel compreender porque o ministro Benedito Gonçalves tenha alegado que a empresa “não comprovou não demonstrou de forma convincente, em seu pedido, “o risco de danos irreparáveis”, como está nos jornais.
Nem o Ministério Público, que não costuma ter muita condescendência com ninguém, se opôs a uma cobrança intempestiva e açodada.
O que é interessante observar é que não se fez 10% deste alvoroço quando se condenou a Vale – a Vale do Agnelli – a pagar quatro vezes mais - R$ 30 bilhões – em impostos devidos por operações no exterior. E olha que, no caso da Vale, já havia sentença executória do Superior Tribunal de Justiça em favor da Fazenda Nacional, o que não é o caso da dívida da Petrobras.
Você leu alguma notícia sobre tirarem uma certidão e impedirem a Vale de exportar? Não? Nem eu.
Aliás, a execução da sentença contra a Vale – expedida em maio de 2011 -está suspensa por decisão do Supremo Tribunal Federal, primeiro por liminar e, depois, por decisão plenária, em abril último.
Mas era a Vale, uma empresa formalmente privada, embora a maior parte das ações esteja em mãos de bancos oficiais e fundos de pensão de estatais.
Não é a Petrobras, onde se garante a exploração da mídia, louca para a empresa enfrentar problemas e abrir espaço para as multinacionais.
Que, se a gente bobear, engatam o navio lá fora mesmo e chupam o petróleo que pertence ao Brasil, como a Petrobras pertence.
Com ela, todos ficam “valentes”.

Por: Fernando Brito

quinta-feira, junho 13, 2013

BRASIL É O PAÍS MENOS PROTECIONISTA DO G20


A classificação, sobre o desempenho das maiores economias do mundo desde o início da crise internacional, em novembro de 2008, consta no relatório da Global Trade Alert, organização independente que monitora políticas que afetam o comércio global

247 – O Brasil é considerado o país menos protecionista do G20, de acordo com seu desempenho desde o início da crise internacional, em novembro de 2008.

A classificação consta no relatório da Global Trade Alert, organização independente que monitora políticas que afetam o comércio global, que fez uma "média" entre medidas liberalizantes e protecionistas adotadas pelas maiores economias do mundo. (Leia aqui na matéria publicada pelo Valor)

Segundo o texto, o número de medidas protecionistas adotadas em todo o mundo, de outubro de 2012 até março passado, foi o maior desde o início da crise. Essas medidas têm sido concebidas de forma a dificultar sua identificação, diz a organização.

Dilma e os dois personagens de Camões





Inspirada em sua recente viagem a Portugal, Dilma hoje mandou um recado para a mídia e para a oposição (ou serão o mesmo?).

Lembrou o Velho do Restelo, personagem de Camões , que ficava olhando as naus portuguesas e agourando, incrédulo nas conquistas de Portugal durante as grandes navegações.

Dilma comparou o “terrorismo inflacionário” à onda do “apagão” que a mídia tentou levantar no início do ano.
E lembrou que, mesmo com a “onda”, não faltou luz, mas foi o tal “apagão “”o que desapareceu de todos os jornais porque não era real”. “São movimentos localizados, especulativos, que duram um tempo, mas geram danos ao Brasil.”

Sobre as aves de mau-agouro (um doce para quem adivinhar que espécie de pássaro são), a Presidenta garantiu:

“Muitos ‘Velhos do Restelo’ apareceram nas margens das nossas praias. Mas eu asseguro a vocês que, hoje, ele não pode, não deve e não terá a última palavra no Brasil.”

Aproveitando a lembrança de Camões, bem faz Dilma em assumir a ofensiva, para que não ocorra aquilo que o poeta português diz no Canto 138 de seu Os Lusíadas: “Que, vindo o Castelhano devastando/As terras sem defesa, esteve perto/De destruir-se o Reino totalmente,/Que um fraco rei faz fraca a forte gente”.
Porque tem muita gente ficando fraca com a cantilena diária de nossos “velhos do Restelo” tupiniquins.

Por: Fernando Brito

A verdadeira agenda e os interesses da revista "The Economist"


Que o braço televisivo das empresas de entretenimento e desinformação da Globo assuma como suas as provocações da The Economist é um fato repetido que não merece nenhum comentário novo. O que merece uma menção é o reiterado uso, por parte de seus jornalistas, do adjetivo “prestigiosa”. Na verdade, essa publicação é um órgão ideológico e um instrumento político do capital transnacional que busca ficar com a maior parte dos excedentes da sétima economia mundial. O mais recente "capricho" da The Economist é querer derrubar o ministro Guido Mantega. Por Dario Pignotti.

Dario Pignotti (*)

“Nenhuma organização midiática carece de um conjunto de conteúdos para demarcar a agenda (que está ligada a seu país de origem)...nem a BBC, nem a CNN prejudicariam os interesses nacionais” da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos, respectivamente, afirmou Liu Chi, editora-chefe da CCTV, a televisão estatal da China, que destinou 8,5 bilhões de dólares para a expansão de seu sistema de informações destinado especialmente ao público ocidental.

A tese de Liu Chi, sobre o vínculo umbilical entre grandes meios de comunicação, de projeção global, e seus interesses nacionais, é perfeitamente aplicável ao influente, mas já não tão infalível New York Times (que teve a credibilidade arranhada após seu alinhamento patriótico com George W. Bush, na Guerra do Golfo), ao The Wall Street Journal, ao Financial Times e também a essa velha dama de ferro do jornalismo, The Economist, que retornou ao centro da agenda noticiosa brasileira com seus disparos dirigidos contra o ministro Guido Mantega.

Ainda que antiga, a revista que este ano celebra seu 170º aniversário, não perdeu o ímpeto e segue pressionando de modo um tanto imperial as potências emergentes, aqueles países que, em sua opinião, precisam receber lições sobre como superar a idade da barbárie econômica (leia-se: populismo, desenvolvimentismo, nacionalismo, intervencionismo, esquerdismo, distribucionismo) para chegar a um estado civilizatório superior: o do livre mercado absoluto.

Por sua fé neoliberal (ou liberal, simplesmente), The Economist às vezes evoca aquela Margaret Thatcher enlouquecida na “missão” de impor seu modelo e os interesses representados pelo Partido Conservador, em uma cruzada tão exitosa que acabou por deglutir o ideário econômico dos outrora reformistas quadros do Partido Trabalhista, degradados na figura de Tony Blair ao triste papel de mensageiros do decálogo neoliberal.

A falecida primeira ministra Thatcher, provinciana e pouco erudita, aplicou na Grã Bretanha a política mais regressiva desde o pós-guerra por meio de reformas (melhor seria chamá-las de contrarreformas) legislativas e uma repressão pinochetista contra os mineiros que tentaram, em vão, impor algum freio a sua agenda em defesa de um Estado mínimo.

Bem escrita, cuidadosa nos adjetivos que usa, editada com maestria, refinada, mordaz e, sobretudo, anglo-saxã: The Economist é um produto de qualidade, muito distinto do às vezes vetusto The Wall Street Journal.

Mas essa fleuma não impede que The Economist seja um órgão ideológico e um instrumento político com seu programa e seus objetivos, como qualquer meio de comunicação de porte global. Seu compromisso é impor sua agenda radical no debate econômico e aniquilar todo vestígio do que considera ser populismo estatista.

Seu último capricho, que põe a prova sua capacidade de pressão, parece ser querer derrubar o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em quem detecta um vestígio do pensamento e da ação econômica que julga uma “herança do atraso”: o risco de regressar a uma era pré-thatcherista.

Um editor e o colunista de economia do Jornal das Dez, da Globo News, concederam amplo destaque às recomendações escritas por The Economist em sua última edição, na qual, com um senso de humor impregnado de desprezo, disse que não recomendará mais a queda de Mantega, sabendo que a presidenta Dilma Rousseff rechaça imposições, como ela mesmo afirmou na cúpula do BRICS realizada na África do Sul, frente a primeira investida da publicação londrina.

Que o braço televisivo das empresas de entretenimento e desinformação da Globo assuma como suas as provocações da The Economist é um fato repetido que não merece nenhum comentário novo. O que merece uma menção é o reiterado uso, por parte de seus jornalistas, do adjetivo “prestigiosa”.

Como já foi assinalado acima não está em discussão a qualidade dos textos, nem o rigor da informação publicada pelo semanário, mas seu principal traço, muito mais que o prestígio, é sua influência, e esta é filha da repercussão propagandística de seus ataques políticos na forma de artigos jornalísticos.

O que a política econômica personalizada em Mantega ameaça, para publicações como The Economist, Financial Times, The Wall Street Journal e para agências de risco como a Standard and Poors, não são ideias, mas sim a disputa do capital transnacional para ficar com a maior parte dos excedentes da sétima economia mundial.

Quando as multinacionais da informação, que elevam a The Economist à condição de bíblia, demandam “confiabilidade” e “segurança jurídica”, na verdade estão utilizando um eufemismo para chantagear governos periféricos para que renunciem a toda soberania econômica e eliminem todo tipo de regulações. O modelo a ser imitado é o Chile e, mais recentemente, a Aliança para o Pacífico.

Dessa forma, inventa-se uma espécie de Pensamento Único Econômico, um consenso imposto a força, que não é filho da liberdade de expressão ou do pluralismo, mas sim da imposição e dos ataques aos interesses nacionais de países do sul.

Está certo Mantega quando assinala que “The Economist aposta em uma política conservadora...porque critica as políticas de estímulo (à produção e ao consumo), que é uma política que dá resultados, como deram, por exemplo, em 2008”. Na contramão do grosso dos economistas, Mantega, não fugiu da polêmica com a publicação britânica, identificando-a como um órgão alinhado com a direita europeia.

A revista, disparou o ministro brasileiro, “deve ter a mesma opinião que o governo de seu país (Grã-Bretanha) e dos estados europeus em geral (cujas políticas econômicas) que tiveram um resultado o qual não preciso mencionar”. Como era de se esperar, as afirmações de Mantega não mereceram nenhuma repercussão nos veículos de imprensa dominantes em nível global, associados em sua maioria ao credo e aos interesses encarnados pela The Economist.

(*) Correspondente, Doutor em Comunicação e Mestre em Relações Internacionais (@DarioPignotti).

O que o MPL está dizendo ao PT

PAULO NOGUEIRA

A baixa velocidade das reformas sociais levou o partido a inéditas pressões.


Nunca na história do PT, para usar uma expressão cara a Lula, o partido enfrentou uma pressão social tão genuína, tão intensa e tão espontânea.

O PT se acostumou à vida mansa proporcionada por sindicatos e associações estudantis domesticadas.

A folga acabou. Se não é bom para o PT, para o Brasil é.

Sem indignação, sem mobilização, sem protesto você não consegue nada. Teríamos que nos conformar com a baixa velocidade do PT nas reformas sociais que mitiguem a vergonhosa desigualdade entre os brasileiros.

A cada lista internacional de desenvolvimento social, lá está o Brasil em colocações medíocres, abaixo mesmo dos vizinhos latino-americanos.

O PT acabou se abarrotando de alianças com setores que combatem pelo atraso social – como os ruralistas, por exemplo.

Tinha que irromper protesto no Brasil, e tinha que ser de movimentos sem compromisso com o PT.

Não estamos falando da fajutice retrógrada de pseudomovimentos como o Cansei e coisas do gênero.

Falamos de coisas reais.

Uma é o Movimento Passe Livre, o já conhecido MPL. A insatisfação de seus integrantes vai muito além, naturalmente, das tarifas de ônibus, embora se expressem por elas.

Não é um grupo antipetista, embora os petistas gostem de dizer que é. Eles já estavam fazendo os mesmos protestos contra Kassab. Apenas a mídia ignorou.

A mídia está dando destaque agora porque, presumivelmente, acha que pode fixar nos paulistanos a ideia de que Haddad não consegue gerir a cidade.

Essa percepção, eventualmente, pode ajudar o PSDB mais para a frente, nas eleições para governador, em 2014.

A Juventude do PT, que acaba de declarar apoio às reivindicações do MPL, já estava lado a lado com seus líderes nos protestos contra Kassab.

É positivo tirar o PT da zona de conforto social. Há que cobrar mais, exigir mais realizações. Dez anos no poder não são cem anos, é certo, mas também não são dez semanas ou dez meses.

Não dá para os brasileiros aturarem a mesma ladainha de sempre: a de que o PT herdou uma situação horrorosa e não teve tempo ainda de fazer o serviço.

Em outra fronte também aparece uma pressão que só pode merecer aplausos: a dos índios.

Indigenistas apontam um fato incrível: a falta de diferença entre o tratamento dispensado aos índios na ditadura militar e o que o governo Dilma dá a eles hoje.

Dilma, há poucos dias, disse que não perdia um Sai de Baixo. Ora, se ela tem tempo para ver esse lixo televisivo deveria abrir uma brecha na agenda para receber os índios.


Até agora, ela não falou pessoalmente com os indígenas. Mas está constantemente com os ruralistas.

Desde Collor, nenhum presidente demarcou tão poucas terras para os índios quanto Dilma.

Não basta ao PT ter discurso social. Há que ter ação.

Tremo quando ouço Lula dizer que nunca os banqueiros ganharam tanto como ganharam sob ele. Está errado. Eles tinham que ter ganhando menos, para que sobrassem mais recursos para os milhões de miseráveis brasileiros.

O que Lula pensa que é uma virtude é, na verdade, um defeito: ele mexeu bem menos do que deveria nos privilégios do chamado 1%.

Tinha que dar no que deu: a voz rouca das ruas, seja branca ou vermelha, negra ou amarela, parda ou o que for, tem um limite de paciência.

E ele se esgotou.

Se o PT não quer se tornar amanhã o que o PSDB é hoje, um partido desconectado do que acontece na sociedade, tem que se mexer.

Tem que acelerar, e muito, o pedal das reformas.

terça-feira, junho 11, 2013

Produção da indústria no segundo tri está mais forte do que no início do ano


Do Valor –

A indústria de transformação deve crescer no segundo trimestre do ano em relação ao primeiro. Com base na produção de abril, nas encomendas de maio, nas contratações e também no “sentimento” de empresários, diferentes associações da indústria esperam um desempenho melhor dos seus setores na comparação com os primeiros três meses do ano.

Ninguém projeta um trimestre “explosivo” e há, inclusive, quem mostre mais preocupação, como os setores químico e siderúrgico. Com base nos chamados indicadores antecedentes, contudo, os economistas já começaram a revisar as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre e agora esperam um ritmo superior ao dos três primeiros meses, com parte dessa melhora vindo da indústria de transformação – segmento que chegou a abril com alta acumulada de quase 5% desde o segundo trimestre de 2012.

Termômetro importante do nível de atividade da economia, o setor de papelão ondulado entrou no segundo trimestre em aceleração. Após uma alta de 4% em vendas físicas no primeiro trimestre em relação a igual período do ano passado, o segmento prevê avanço de 6% no segundo trimestre na mesma base de comparação, para um total de 870 mil toneladas em expedição física de embalagens, segundo o presidente da Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO), Ricardo Trombini. Prova do bom momento pelo qual passa o setor, os custos adicionados por logística, matérias-primas e mão de obra devem ser compensados por uma alta de até 12% nos preços das embalagens no primeiro semestre. Com isso, o faturamento deve crescer de 8% a 10% no período, na comparação com os primeiros seis meses de 2012.

O setor eletroeletrônico é outro que deve ter registrado mais um trimestre positivo, embora as previsões contenham um pouco de moderação. Sondagem feita para o período entre abril e junho indica que 62% das indústrias do setor esperam crescimento das vendas em relação ao primeiro trimestre, enquanto 28% projetam estabilidade e apenas 10% queda, diz Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). Dados antecipados pela Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) indicam que o segmento também atingiu uma boa velocidade entre janeiro a abril, com alta de 4,9%, na comparação com igual período de 2012 – o sétimo maior crescimento dentre os setores industriais.

Os dados de maio também ganharam reforço com o índice de movimentação nas estradas – que subiu 5,9% em relação a maio do ano passado e 1,1% em relação a abril, com ajuste sazonal – e a produção recorde das montadoras.

Embora o peso do setor de açúcar e álcool não passe de 1% da economia como um todo, o processamento atrasado da safra promete. Projeções do economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, indicam que a produção de açúcar na região Centro-Sul teve alta de 208% e a de etanol, de 220%, entre abril e a primeira quinzena de maio ante igual período do ano passado. A indústria extrativa mineral é outra que deve ao menos parar de atrapalhar a atividade econômica no segundo trimestre. Outro ponto que deve se provar positivo especialmente para a produção industrial é que o segundo trimestre deste ano terá 5% a mais de dias úteis do que o primeiro, o que é atípico – a média é de apenas 0,2% dias úteis na comparação dos dois trimestres.

Diante desse cenário, a LCA estima avanço de 2,5% para a indústria no segundo trimestre, o que deve se refletir na atividade como um todo do período, cuja alta deve chegar a 1,1%. O Itaú Unibanco espera alta de 0,8% para o PIB do segundo trimestre, levado por uma alta de 1,5% da indústria. Para o economista Aurélio Bicalho, dados obtidos até o momento reforçam esse cenário, “com risco de ter crescimento até acima disso”.

Do lado do varejo, contudo, predomina a cautela. Segundo a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), em maio as movimentações do comércio a prazo – pagamentos feitos com cartão de crédito – subiram 1,3% sobre maio passado, reforçando a tendência tímida para o ano. Em cinco meses, a alta foi de 1,1%. A emissão de cheques, mais ligada a pagamentos à vista, não cresceu em maio, e acumula alta de apenas 0,9% em cinco meses. A pesquisa é feita com base em dados da Boa Vista Serviços, que administra o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC).

“É uma situação confortável e temporária porque as pessoas não estão desempregadas e o governo fará de tudo para que isso não aconteça”, diz Emilio Alfieri, economista da ACSP. Com isso, a ACSP revisou a alta para o comércio de alta entre 4% e 5% para cerca de 2%.

O polo industrial da Zona Franca de Manaus, um dos maiores centros de eletrônicos e de bens de informática do país, reflete a disparidade entre setores. Até abril, a receita do polo subiu 11,7% na comparação com igual período de 2012, para R$ 23,9 bilhões. Aberto por setores, porém, equipamentos de tecnologia vendem como água – a receita do polo de informática subiu 36%, para R$ 3,2 bilhões. Já a receita com motos e componentes caiu 9,38%, para R$ 13,5 bilhões. E para maio a expectativa é que, puxado pelos eletroeletrônicos, o polo volte a contratar. “Já se fala na criação de dez mil novos postos de trabalhos nestes meses” diz Wilson Périco, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam).

Eduardo Batistella Mazurkyewitz, diretor comercial da Mazurky Indústria de Embalagens de Papelão, acredita que o desempenho da sua empresa, cujo faturamento subiu 30% no ano até maio, pode dar uma boa medida do que vem por aí. Diante de um cenário mais desafiador, diz ele, a percepção é que seus clientes procuraram novas soluções e mercados – o que pode ter ocasionado a maior procura neste ano. Para ele, os números do setor mostram um segundo semestre melhor do que estão pintando. “A [presidente] Dilma [Rousseff] é que vai ficar contente com esta história”, brinca.

O dragão da inflação não passa de uma lagartixa

O dragão inflacionário está contido, e hoje não passa de uma lagartixa. Gélida e incômoda, mas uma lagartixa. O resto é agenda eleitoral. Quando a inflação mensal sobe, é manchete dos cadernos de economia dos principais jornais; quando cai, fica escondida entre outras matérias consideradas “mais importantes” pelos editores.

Por Victor Leonardo de Araujo

Podem perceber: quando a inflação mensal sobe, é manchete dos cadernos de economia dos principais jornais; quando cai, fica escondida entre outras matérias consideradas “mais importantes” pelos editores. Assim ocorreu após o anúncio do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o índice oficial de inflação, referente ao mês de maio: variou 0,37%, bastante inferior aos meses anteriores, e pouco se comentou. O item “alimentos e bebidas”, vilão da inflação no Brasil nos últimos meses (e em quase todos os últimos repiques inflacionários), subiu 0,31%, e ficou abaixo da média dos últimos seis meses (desde dezembro tem ficado acima de 1%).

Inflação é sempre um assunto muito sério, porque reduz o poder de compra dos trabalhadores, e porque os ônus das medidas antiinflacionárias costumam sempre recair sobre os seus ombros, seja na forma de salários menores, seja na forma de mais desemprego. O problema é que no Brasil o debate sobre inflação é sempre conduzido de forma muito pobre, e a politização necessária acaba sendo sempre direcionada para o rumo eleitoreiro. O assunto merece algumas ponderações.

A primeira delas é que o chamado “Regime de Metas de Inflação” foi introduzido no Brasil em 1999; nos quatro anos do segundo governo FHC, em dois deles (metade, portanto) a inflação medida pelo IPCA ficou acima da meta, tendo alcançado dois dígitos em 2002 (12,5%). Desde 2005 a inflação tem ficado dentro da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional. Nos oito anos de governo FHC, a inflação anual média foi de 9,1%, contra 5,7% a.a. dos dois governos Lula, e 5,8% dos 10 anos de governo Lula+Dilma. Os dados falam por si: os tucanos conduziram a política antiinflacionária de forma muito pior, embora, na sua retórica, tentem posar de paladinos da inflação baixa.

A segunda é algo repetitivo, mas necessária dizer: o combate à inflação deve levar em consideração as suas causas. Não dá para falar em inflação de demanda em uma economia que desacelera desde 2011, e que tem registrado taxas de crescimento pífias. Os alimentos e bebidas, que mais têm pressionado os índices de inflação nos últimos repiques inflacionários (13,5% acumulados nos 12 meses findos em maio, ou seja, o dobro do índice médio), têm subido ora por motivos climáticos, ora por causa dos preços internacionais das commodities – típicos choques de oferta. Em ambos os casos, elevação da taxa de juros Selic constitui uma medida inócua para o seu combate. No caso dos serviços pessoais (8,76% acumulado em 12 meses), a política de aumento real do salário mínimo tem sido apontada como a principal causa. Trata-se de uma mudança de preços relativos, cuja transição tem provocado e ainda provocará aumentos acima da média. A economia brasileira precisará saber acomodar esses aumentos sem recorrer à tradicional política de arrocho salarial. O salário mínimo no Brasil ainda é baixíssimo, e o salário médio também. As remunerações dos trabalhadores brasileiros não são altas: são apenas relativamente mais altas do que no passado. A distribuição de renda no Brasil continua ruim: é apenas um pouco melhor do que no passado. Estancar os parcos ganhos obtidos pelos trabalhadores sob o pretexto de fazer política antiinflacionária é de uma crueldade sem tamanho.

Entender que a economia brasileira precisa acomodar melhor os ganhos salariais reais não é o mesmo que ser condescendente com a inflação. Mas esta acomodação é mais fácil em um contexto de crescimento do produto e da produtividade, porque permite elevar salários sem comprimir as margens e sem repassar os aumentos aos preços finais – eis o calcanhar de Aquiles. Entre 2000 e 2009, a produtividade média da economia brasileira cresceu apenas 0,9% ao ano; a produtividade da indústria de transformação caiu 0,6% a.a., e a da agropecuária cresceu 4,3% a.a.

A terceira ponderação a se fazer sobre a inflação é sua relação com a taxa de câmbio. O desmonte de elos importantes da indústria brasileira durante o governo FHC fez com que a economia brasileira ficasse mais dependente dos produtos importados, e os preços passaram a ter maior correlação com a taxa de câmbio. O pouco ou nenhum esforço do governo petista em reconstruir antigos ou novos elos da cadeia produtiva mantém esta dependência e coloca o governo numa encruzilhada: precisa desvalorizar a taxa de câmbio para atender às demandas de um segmento da indústria, mas quando o faz a inflação sobe; se deixa o câmbio apreciar, mantém a inflação baixa, mas provoca prejuízos ao setor industrial.

As ponderações acima levam a uma importante constatação: a economia brasileira possui sérios problemas estruturais que têm se manifestado na forma de inflação. O combate a esses problemas deve levar à elaboração de políticas específicas, que visem modificar a estrutura produtiva, sob um viés verdadeiramente desenvolvimentista. O governo petista pouco fez neste quesito.

Finalmente, a última ponderação é que inflação é sempre um problema sério, mas a ele tem que ser dada a dimensão correta. A despeito do que dizem os que preferem dar ao debate um viés eleitoral, não há qualquer sinal de descontrole inflacionário no Brasil. Em todos os momentos em que, no acumulado em 12 meses, a inflação medida pelo IPCA superou o teto de 6,5%, no momento seguinte ela sempre recuou. Considerando-se o ano-calendário, desde 2005 a inflação tem permanecido dentro do limite superior da meta. O dragão inflacionário está contido, e hoje não passa de uma lagartixa. Gélida e incômoda, mas uma lagartixa. O resto é agenda eleitoral.

*Victor Leonardo de Araujo é professor da Faculdade de Economia da UFF. E-mail: victor_araujo@terra.com.br

Deu a mão, querem o braço, as pernas…Querem tudo.


Apesar de todas as razões concretas – há um mundo em crise e um movimento especulativo em escala mundial, em razão do fortalecimento do dólar – não é exagero dizer que a onda de agitação que tomou conta do noticiário econômico brasileiro tem um pé naquela instituição que deveria cuidar de sua estabilidade.

Quando o Banco Central resolveu dar ao “mercado” o dobro da ração de juros que este rosnava por obter, elevando em 0,5% a taxa Selic, quando havia uma expectativa de 0,25%, sinalizou, em lugar da força que esperava, uma fraqueza diante das forças do mundo financeiro que açulou seu apetite e se traduziu num imenso movimento de pressão.
Como num daqueles duelos dos filmes de caubói, o BC piscou, para sermos suaves na definição.
Mostrou que é capaz de render-se antes mesmo de ser disparado um tiro.

Numa palavra, quis antecipar-se à grita que virá com a esperada – e passageira, em si – alta da inflação em junho, provocada por fatores pontuais, como o reajuste das passagens e mostrar que não vai hesitar em travar até mesmo os tímidos sinais de reaquecimento da economia.

O resultado canhestro é que fez com que o Governo se visse pressionado por todo o lado pelo catastrofismo econômico.
E, claro, os grupos que não conseguem ver política econômica senão como servidão ao mercado, pressionam por ceder mais e mais.

Hoje, o Estadão noticia que uma ala do Governo discute um “choque de credibilidade”. Credibilidade, claro, para o “mercado”:
Corte nos gastos públicos, redução dos investimentos das estatais – sob o pleonasmo de “dividendos maiores”- e sinalização de novos aumentos nos juros são as receitas com que acham ser possível “saciar a fera”, agora mais indócil que antes.

Porque os grandes tubarões brancos sabem que o Brasil é uma das maiores presas em todo o planeta.
O ministro Guido Mantega tem sido o principal anteparo a essas pressões sobre Dilma Rousseff.
É, portanto, o principal obstáculo a ser removido pela “turma da bufunfa” e pelos que não aprenderam aquele ditado antigo e impublicável do “quem muito se abaixa…”
Por: Fernando Brito

POR QUE O BOLSA FAMÍLIA DESPERTA O ÓDIO DE CLASSE ?


“Metade da humanidade não come e a outra não dorme com medo da que não come.” – Josué de Castro

O Conversa Afiada reproduz artigo de Fátima Oliveira, no Viomundo do Azenha:


FÁTIMA OLIVEIRA: POR QUE O BOLSA FAMÍLIA DESPERTA TANTO ÓDIO DE CLASSE?

Fátima Oliveira, em O TEMPO


Médica – fatimaoliveira@ig.com.br @oliveirafatima_

Eu não tinha a dimensão do ódio de classe contra o Bolsa Família. Supunha que era apenas uma birra de conservadores contra o PT e quem criticava o Bolsa Família o fazia por rancor de classe a Lula, ou algo do gênero, jamais por ser contra pobre matar a sua fome com dinheiro público.

Idiota ingenuidade a minha! A questão não é de autoria, mas de destinatário! Os críticos esquecem que a fome não é um problema pessoal de quem passa fome, mas um problema político. E Lula assumiu que o Brasil tem o dever de cuidar de sua gente quando ela não dá conta e enquanto não dá conta por si mesma. E Dilma honra o compromisso.

Estou exausta de tanto ouvir que não há mais empregada doméstica, babá, “meninas pra criar”, braços para a lavoura e as lidas das fazendas que não são agronegócios… E que a culpa é do Bolsa Família!

Conheço muita gente que está vendendo casas de campo, médias e pequenas propriedades rurais porque simplesmente não encontra “trabalhadores braçais” nem para capinar um pátio, quanto mais para manter a postos “um moleque de mandados”, como era o costume até há pouco tempo! E o fenômeno é creditado exclusivamente ao Bolsa Família.

Esquecem a penetração massiva do capitalismo no campo que emprega, ainda que pagando uma “merreca”, com garantias trabalhistas, em serviços menos duros do que ficar 24 horas por dia à disposição dos “mandados” da casa-grande, que raramente “assina carteira”. Eis a verdade!

Esquecem que a população rural no Brasil hoje é escassa. Dados do IBGE de setembro de 2012: a população residente rural é 15% da população total do país: 195,24 milhões.

Não há muitos braços disponíveis no campo, muito menos sobrando e clamando por um prato de comida, gente disposta a alugar sua força de trabalho por qualquer tostão, num regime de quase escravidão, além do que há outras ocupações com salários e condições trabalhistas mais atraentes do que capinar, “trabalhar de aluguel”, que em geral nem dá para comprar o “dicumê”. Dados de 2009 já informavam que 44,7% dos moradores na zona rural auferiam renda de atividades não agrícolas!

Basta juntar três pessoas de classe média que as críticas negativas ao Bolsa Família brotam como cogumelos. Após a boataria de 18 de maio, que o Bolsa Família seria extinto, esse assunto se tornou obrigatório. Fazem questão de ignorar que ele é o maior e mais importante programa antipobreza do mundo e foi copiado por 40 países – é uma “transferência condicional de renda” que objetiva combater a pobreza existente e quebrar o seu ciclo.

Atualmente, ajuda 50 milhões de brasileiros: mais de 1/4 do povo! E investe apenas 0,8% do PIB! Sem tal dinheiro, mais de 1/4 da população brasileira ainda estaria passando fome!

Mas há gente sem repertório humanitário, como as que escreveram dois tuítes que recebi: “Nunca vi tanta gente nutrida nas filas dos caixas eletrônicos para receber o Bolsa Família, até parecia fila para fazer cirurgia bariátrica”; e “Eu também nunca havia visto tanta gente rechonchuda reunida para sugar a bolsa-voto!”.

Como disse a minha personagem dona Lô: “Coisa de gente má que nunca soube o que é comer pastel de imaginação; quem pensa assim integra as hostes da campanha Cansei de Sustentar Vagabundo, que circulou nas eleições presidenciais de 2010”. São evidências de que há gente que não se importa e até gosta de viver num mundo em que, como escreveu Josué de Castro, em Geografia da Fome (1984): “Metade da humanidade não come e a outra não dorme com medo da que não come…”.

Em tempo: não deixe de ler também sugestão do Lula Miranda: entrevista de Eleonora de Lucena com Walquiria Leão Rego, autora de “Vozes do Bolsa Família”: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/06/1293113-bolsa-familia-enfraquece-o-coronelismo-e-rompe-cultura-da-resignacao-diz-sociologa.shtml

sexta-feira, junho 07, 2013

Petrobras responde aos urubus com mais produção

Do Tijolaço

Anteontem, a presidente da Petrobras, Graça Foster, deu entrevista confirmando que a empresa manterá os níveis de produção este ano e, até 2020, dobrará a quantidade de petróleo extraído no Brasil.
Ontem, entrou em produção o navio FPSO Cidade de Parati, este da foto, que progressivamente chegará a 120 mil barris diários no campo de Lula Nordeste.

Ontem, também, a empresa anunciou ter estabelecido novo recorde de processamento em suas refinarias - 2,11 milhões de barris de petróleo por dia, na média de maio – e atingido a maior produção de gasolina já registrada, com 2,51 bilhões de litros durante todo o mês.

Mas a campanha contra a petroleira brasileira não arrefece.

Ontem ainda a Exame publicou matéria com o revelador título “Descoberta recorde da Petrobras preocupa investidores“.
O caso esdrúxulo de empresa que descobre petróleo aos montes e “preocupa investidores” é explicado assim: “ah, ela não tem dinheiro para extrair tanto petróleo”.

Já que não podem apelar para a questão da capacidade técnica para a exploração em grandes profundidades, no que a Petrobras dá de goleada nas demais, usam o argumento de que a empresa está endividada.
Ora, dívida é grande ou pequena em razão de duas coisas: a relação com o seu patrimônio e a sua capacidade de ter caixa para honrá-la nos prazos.

Quanto ao primeiro ponto, o gráfico aí ao lado mostra que o endividamento tem guardado proporção muito semelhante ao patrimônio da empresa. Está abaixo do que as próprias agências internacionais de classificação de risco consideram preocupante: 31%, contra um indicador de 35%. O lucro tem se mantido estável justamente porque a empresa tem investido muito na expansão da produção, o que leva tempo para se refletir em receita e ganhos.

No que tange à capacidade de caixa para honrar pagamentos e poder investir, não há melhor prova do que o recente lançamento de US$ 11 bilhões em títulos da empresa no exterior, a maior já realizada por uma companhia de país emergente e, este ano, menor apenas que a da Apple, de US$ 17,3 bi.

Houve procura quatro vezes maior que a oferta e as taxas de remuneração aos aplicadores, para títulos de 10 anos, baixaram de 6%, nas emissões anteriores, para 4,5%.

Portanto, os investidores não parecem estar arrancando os cabelos. Talvez fosse melhor dizer que isso é atitude dos especuladores, loucos por medidas irresponsáveis, de geração de lucro a curto prazo e, no longo prazo, suicidas, e por tudo 0 que lhes permita embolsar depressa lucros com as ações que compraram na baixa.
Por: Fernando Brito

Agências de Ri(s)cos ou A Máquina Mortífera

Do www.arnobiorocha.com.br

Arnóbio Rocha


Rating – exercício aleatório e bem pago, sem compromisso com a realidade.

Hoje foi manchete dos jornais, quase uma comemoração, de que a “famosa” standard & Poor’s AMEAÇA rebaixar a nota do Brasil, por sinais “ambíguos” e perda de credibilidade. Vejam que interessante, a desmoralizada agência de classificação de riscos, ameaçando mais uma vez um país e contando com o aplauso de uma mídia cada vez mais burra e divorciada da realidade, apenas interessada em acossar o governo com oposição não a ele, mas ao país como um todo.

Cerca de um ano e meio escrevi um texto no Crise 2.0 explicando o que são as tais agências e o papel nefasto delas, antes e agora na atual crise. Vamos ao artigo,pois está muito atual:

“Como não sei se todos estão familiarizados com o que são as famosas Agências de Ri(s)cos vou tentar explicar, grosso modo, como elas funcionam. Fundamentalmente elas são grupos especializados em ler e interpretar dados de economia de uma empresa, grupo econômico e por vezes de países, para que recomende aos seus clientes onde melhor aplicar seu dinheiro.
Em tese esta é a função que nos anos 70/80 era parte da estruturas dos grandes bancos. Nos anos 90/00 com a reestruturação do sistema financeiro estas Agência se tornaram grupos autônomos que vendem seus serviços não só aos bancos, como também empresas, fundos de pensões e governos.

Porém, na recente crise do subprimes, estas agências foram postas à nu, pois longe de efetivamente elas analisarem e ter cenários econômicos precisos sobre os investimentos, elas simplesmente entraram na ciranda financeira, fazendo recomendações de altíssimos ricos, pois suas notas passaram a ter muito peso para as empresas e instituições analisadas. Um exemplo clássico é que Lehman Brothers era AAA, a máxima nota, um mês antes de ruir completamente.

A falta de órgãos reguladores fortes e atuantes provocada pela onda neoliberal, em particular nos EUA, fez crescer mais o valor destas agências privadas, pouco importando os métodos de atuação e precisão científica de suas analises.
Países inteiros passaram a depender de grupos yuppies com seus ternos modernos, lembro de uma porta voz da S&P no Brasil, não tinha nem 30 anos, impondo “regras” de economia ao Brasil, mostrando o caminho para um governo de 190 milhões de pessoas, com uma arrogância de dar nojo.

A S&P condenou a Espanha a mais sofrimento(2011), rebaixou sua nota soberana e com um cínico comunicado, uma pérola digna de Mailson: “Apesar dos sinais de resistência no desempenho econômico em 2011, vemos riscos destacados para as perspectivas de crescimento da Espanha devido à alta taxa de desemprego, duras condições financeiras, o nível ainda elevado da dívida do setor privado e a provável desaceleração econômica nos principais parceiros comerciais da Espanha“
No ponto que mais há sacrifício do povo espanhol, já tão punido pela desastrada situação econômica, a S&P lhe impõe mais um problema, o que agravou sobremaneira a cambaleante economia do país. A frase de Delfim Neto, sobre as agências, é o que melhor as define: “As agências são todas 171″

COMENTÁRIO E & P

E o PIG do Brasil, que está a serviço de interesses estrangeiros e conspira contra o Brasil passa a ideia de que essas agências são sérias. É por isso que a Globo, Folha, Veja e Estado cada dia mais estão desacreditados pelo povo brasileiro, afinal quem assistiu ao documentário "Inside Job" sabe que essas agências agiram de forma irregular contra os povos do mundo e vários dirigentes delas deveriam estar presos. Pelo visto, não é só a justiça brasileira que é cega para os ricos, pois as agências de rating ajudaram a dar um prejuízo de quase R$ 800 bilhões ao povo estadunidense.

quarta-feira, junho 05, 2013

DEUTSCHE BATE PESSIMISTAS E VÊ PIB A MAIS DE 3%

Do Brasil 247

"Isso está indo longe demais", adverte nota oficial de um dos mais sólidos bancos do mundo, o Deutsche Bank, a respeito da persistência do pessimismo entre os formadores de opinião na sociedade brasileira; na economia real, a instituição projeta que o PIB poderá, sim, crescer entre 3% e 3,5% este ano; "Estão de má vontade com o Brasil"

247 – Um dos mais sólidos e respeitados bancos do mundo, o Deutsche Bank advertiu em nota oficial sobre os riscos para a economia brasileira que a persistência do pessimismo entre os formadores de opinião podem acarretar.

- Os comentários sobre o Brasil se tornaram muito negativos nos últimos 18. Isso já foi longe demais, criticou o Deutsche. Estão de má vontade com o Brasil, reforçou.

Para o banco, o México é o "novo queridinho do mercado", mas é a economia brasileira que se mostra a mais resistente à crise internacional.

O Deutsche fez uma análise coincidente com a do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, para quem o investimeno será o principal vetor do crescimento brasileiro em 2014. O banco acredita que as concessões de infraestrutura serão fundamentais para a obtenção de recursos, especialmente se o governo brasileiro agir rapidamente no incetivo a esses aportes. Mesmo, porém, que medidas especiais não venham a ser baixadas, os economistas do Deutsche acreditam que o crescimento do PIB não será inferior a 3%, mais para 3,25% e, com destraves burocráticos, até 3,5%.

As previsões são em tudo conflitantes com as opiniões disseminadas nas mídias tracionais do País e do exterior. Do Financial Times, que chamou o crescimento brasileiro como "de fachada", à Folha de S. Paulo, que registrou em editorial sua torcida pela queda da produção industrial nos próximos períodos, para quebrar a alta dos últimos dois.

A mídia e o sequestro em marcha de uma nação



O noticiário das últimas horas está salpicado de dados e fatos que ensejam maior reflexão sobre os rumos do país.

Eles não revogam os desafios que cercam a largada para um novo ciclo de crescimento.

Os impulsos nesse sentido são objetivos.

Encerram escolhas estratégicas. Seu escrutínio requer o discernimento engajado da sociedade.

Mas, se não contradizem essa inflexão, os indicadores correntes exibem ao mesmo tempo uma vitalidade que desautoriza a sofreguidão do jogral conservador.

Seu repertório para 2014 consiste em passar uma borracha nos avanços econômicos e democráticos dos últimos 11 anos, com um objetivo claro: revogar as balizas sociais que influenciaram a ordenação da economia na última década.

Impedir que elas condicionem a pavimentação do novo ciclo.

Ou seja, desconstruir a essência do que deve ser preservado.

Trata-se de enfraquecer ou desmoralizar o esboço de Estado Social que vem sendo erguido desde 2003.

Martela-se, diuturnamente, o antagonismo desse instrumento regulador com aquilo que a ortodoxia considera macroeconomicamente consistente para o país.

Para qualquer país; em qualquer tempo.

A saber, a máxima desproteção do interesse público e o supremo favorecimento da ganância privada.

Provar que esse 'Estado-estorvo' está esgotado implica colonizar o imaginário social com a esférica narrativa de um Brasil aos cacos.

Um país reduzido a uma montanha desordenada de erros, fracassos e fiascos. Como tem sido apresentado pelo dispositivo midiático conservador.

Aí começam os problemas.

O balanço linear é desmentido pela complexidade da luta pelo desenvolvimento, cujos conflitos, inexoráveis, escapam aos modelos puros de laboratório.

Alguns dados das últimas horas evidenciam uma sociedade em rota de colisão com a regressividade proposta para o seu futuro.

Por exemplo: o pré-sal já produz 357 mil barris por dia; os preços ao consumidor desaceleraram em maio (FGV); a indústria cresceu 1,8% em abril e 8,4% acima de abril de 2012 (IBGE); o Brasil é o 4º maior mercado de cimento do planeta: só perde para China e Índia; praticamente empata com o dos EUA; pequenas empresas criam 4 mil empregos por dia no país.

A forma como esses dados são veiculados e interligados - o destaque que merecem e lhes é subtraído-, influencia a percepção, as expectativas e a ação dos atores sociais.

Hoje, essa modelagem está 90% nas mãos da mídia conservadora.
Que opera um sequestro em marcha, rumo a 2014: o do discernimento da nação sobre ela mesma.

Esse talvez seja o maior, o mais dramático e o mais urgente desafio a ser enfrentado na definição do passo seguinte do desenvolvimento brasileiro. (Leia uma aula do professor Venício Lima sobre o assunto e a reportagem de Najar Tubino sobre os avanços da democracia participativa no RS).

Postado por Saul Leblon