Quarta-feira, Dezembro 09, 2009

Contra a ditadura midiática



Eu tinha a assinatura do jornal Valor Econômico e cancelei. Não tenho UOL nem folha de São Paulo. Evito ao máximo assistir a Rede Globo.Acho que devemos continuar o movimento de boicotar o Partido da Imprensa Golpista, representado principalmente pela Rede Globo, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Globo e revista Veja. Devemos também pressionar os anunciantes do jornal da Globo e jornal Nacional para que reveja sua publicidade. Esses desinformativos fazem campanha deslavada para os tucanos e demos. São contra o governo Lula. Manipulam informações de acordo com suas teses golpista. Apoiam os interesses dos Estados Unidos. Apoiam o golpe de estado de Honduras. A luta contra a ditadura midiática é tão importante quanto a luta travada contra a ditadura militar.

Condescendência

Serra é fujão e a imprensa é condescendente com ele. Os jornalistas paulistas estão jogando a culpa do alagão em São Pedro! São Pedro é o prefeito e o governador de São Paulo. Chegamos na metalinguagem. Estão fazendo todo o esforço para livrar a cara dos demos e dos tucanos. Nunca vi uma imprensa tão parcial como essa que está ai. O Juca Kfouri no seu programa da rádio CBN,ontem, assim que o Victor Birner começou a criticar o prefeito, ele mudou de assunto. Definitivamente aquele que se coloca contra o Ricardo Teixeira está tendo a mesma postura. É má-fé Juca esse tipo de postura. Ou se é ético ou não é, não há meio termo. Definitivamente não vou ouvir mais o seu programa. Defender o Serra e o Kassab nesse alagão e ainda mudar de assunto no rádio, impedindio o Victor Birner de falar é fazer jornalismo parcial. É ISSO.

Terça-feira, Dezembro 08, 2009

A patética esquerda sem povo

por Luiz Carlos Azenha

O episódio envolvendo César Benjamin, a Folha de S. Paulo e o "estupro" do frágil militante do MEP (Movimento de Emancipação do Proletariado) tem um caráter didático.
Antes de avançar, no entanto, recorro à memória de meu pai, o seo Azenha, que um dia foi militante comunista no interior de São Paulo. Era, o seo Azenha, a contradição ambulante: empresário durante o dia, militante clandestino durante a noite. Fez muita besteira na vida. Mas, curiosamente, como imigrante português tinha uma surpreendente capacidade de rir de suas próprias besteiras. E das dos outros.
Durante a ditadura militar o seo Azenha costumava frequentar reuniões clandestinas em um sítio nas proximidades de Bauru. Tinha a disciplina dos stalinistas (só tocou nesse assunto em casa muitos anos depois, quando a ditadura tinha acabado). Mas talvez por ter sido empresário tinha uma visão não dicotômica do mundo. Gostava de rir do fato de que os militantes que vinham de São Paulo traziam cartilhas com as quais pretendiam doutrinar os locais para aplicar o comunismo chinês ou soviético ao Brasil.
Esse preâmbulo tem o objetivo de dizer que seo Azenha, como militante, jamais tirou proveito pessoal do fato de ter sido preso pela ditadura militar. Jamais usou isso para se fazer de herói. Ou para obter vantagens, materiais ou de status.
O que me leva de volta ao artigo de César Benjamin, uma construção "literária" em que o autor tenta estabelecer uma conexão sentimental com os perseguidos pela ditadura militar, com o objetivo de "desclassificar" Lula, o recém-chegado que, no mínimo, grosseiramente despreza os militantes históricos como o jovem do MEP e, no extremo, estupra o idealismo do jovem militante com o seu pragmatismo.
Pois é disso que se trata: do antigo embate entre a vanguarda -- à qual César Benjamin alega pertencer -- e o povo, essa massa disforme que não sabe bem o que quer e que depende das luzes da vanguarda para perseguir o seu caminho.
O que Lula fez, na prática, foi "roubar" o povo de César Benjamin.
Eu deveria escrever O POVO, essa construção mítica da cabeça da esquerda, cujas vontades devem ser moldadas e apropriadas para a construção de um FUTURO igualmente mítico e glorioso.
O problema de Benjamin é que Lula é esse POVO. Ao dirigir os metalúrgicos do ABC, Lula fez mais para destruir a ditadura militar que todas as reuniões e assembléias da esquerda brasileiras multiplicadas por dez. Pelo simples fato de que o POVO, na cabeça da esquerda brasileira, nunca foi mais que massa de manobra. A esquerda brasileira é, na essência, tão elitista quanto a direita.
Lula, gostem ou não dele, representa a política do possível. Do incrementalismo -- etapismo, diriam os outros. Do tomaládácá. Faz parte da tradição do "pai dos pobres", do "pai da Pátria", perfeitamente integrada à história brasileira.
É por isso que Lula, o estuprador, satisfaz a fantasia sexual da esquerda e da direita brasileiras. Ele é o predador, que precisa ser contido a qualquer custo. O predador que ameaça a ideia de queO POVOnão sabe o que quer e precisa ser conduzido ao nirvana pela vanguarda. De esquerda ou de direita, tanto faz. Este é o nexo entre Otávio Frias Filho e César Benjamin. Ambos querem conduzir O POVO. Só falta combinar com ele.
Nota do Viomundo: O fato concreto é que a esquerda de hoje é uma esquerda eleitoral. Que depende de 50% + 1 para se manter no poder, no Brasil, na Venezuela ou no Uruguai. Ao aceitar esse jogo parte da esquerda abdicou de seu caráter revolucionário "a qualquer custo".

http://www.viomundo.com.br/opiniao/a-patetica-esquerda-sem-povo/

Pesquisa Vox Populi encomendada pelo PT aponta Dilma entre 22% e 30% das intenções de voto

Eu não acredito no IBOPE nem no Datafolha. São mancomunados com os que querem destruir o Brasil e impedir o seu povo de viver melhor.



O PT tem números para comemorar. Pesquisa Vox Populi, encomendada pelos próprios petistas, aponta entre 22% e 30% das intenções de voto na ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para presidente.

A pesquisa encomendada pelo PT ao Instituto Vox Populi indica que a maratona de viagens e a exposição constante ao lado de Lula surtiram efeito, ajudando a tornar Dilma mais conhecida.

Os dados, obtidos pelo Estado, mostram Dilma com 22% no pior cenário. Ela disputa com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), que tem 35%, e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), com 13%. A ex-senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) obteve 6%, e a senadora Marina Silva (PV-AC), 3%.

Dos 2 mil entrevistados, 55% sabem que Lula apoiará Dilma em 2010. Eram 46% em maio. Outros 48% responderam que "conhecem bem" a ministra, 33% a conhecem "de nome" e 19% não a conhecem ou não responderam. Em maio, eram, respectivamente, 38%, 36% e 26%.

Nos cenários com Serra, Dilma tem suas melhores performances quando Ciro é excluído. Mas é justamente sem Ciro que Serra amplia a vantagem sobre Dilma.

Nos dois cenários em que o governador de Minas, Aécio Neves, é o candidato do PSDB, Dilma lidera.

Com cautela, o senador Mercadante comemorou a pesquisa Vox Populi que mostra que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, possui entre 22% e 30% das intenções de voto nas eleições para presidente. "Eleição é que nem melão, você bate, pesa, olha, mas você só sabe o que tem dentro quando abre. Então, não dá para dizer que a eleição já aconteceu, até porque a humildade é trabalhar com seriedade. Mas eu estou muito confiante na possibilidade de vencer as eleições presidenciais."


Segundo o senador, o aumento do tempo no horário gratuito de TV será um grande aliado de Dilma no pleito do próximo ano. "Nós tivemos 21% do tempo de televisão em 2002, 24% em 2006 e vamos ter 50% de televisão em 2010. Isso ajuda muito para quem é governo porque nós vamos poder mostrar um Brasil que o povo sente e não vê", disse, completando que os brasileiros poderão conhecer a história política da ministra.


"Além disso, acho que a despedida do Lula (presidente Luiz Inácio Lula da Silva) vai comover profundamente o povo brasileiro, vai dar um sentimento de vazio. E esse sentimento, essa emoção, vai ser canalizada com a continuidade do governo com a eleição da Dilma", afirmou o senador, completando que irá a festa do PT em Brasília na próxima terça-feira.

OS “CONSTRANGIMENTOS” DA MÍDIA

Laerte Braga


Os responsáveis pelo jornal FOLHA DE SÃO PAULO notificaram judicialmente um blogueiro que vinha fazendo campanha na rede mundial de computadores pelo cancelamento de assinaturas do jornal.

Quem vai notificar a FOLHA por ter emprestado os carros/camionetes/caminhões para o transporte de presos políticos à época da ditadura? Eram transportados para sessões de tortura, para “atropelamentos” (eliminação sumária) ou, na melhor das hipóteses – dentre essas anteriores evidente – de uma prisão para outra.

Ou pela falsa ficha policial da ministra Dilma Roussef, já que engajados na campanha de um dos mais perigosos políticos da máfia tucana, o governador José Jânio Serra? O ombudsman da FOLHA, uma espécie de juiz das matérias publicadas pelo jornal numa tentativa aparentemente democrática de corrigir erros, ou informações equivocadas, advertiu a redação que a ficha era falsa e ficou por isso mesmo, punido foi o ombudsman, pois “democracia” ali é de brincadeira, fachada.

A FOLHA na edição de sábado, dia 5 de dezembro, afirmou que o presidente boliviano Evo Morales deve vencer as eleições de hoje, domingo, 6 de dezembro, por maioria, mas deixou no ar aparentes dificuldades sem explicitá-las, só mostrando que há reações em alguns setores do país ao governo de Evo Morales. Não explicou claramente os setores. Os grandes empresários, banqueiros e latifundiários.

Esse tipo de gente não é setor, formam quadrilhas que nem a de Ermírio de Moraes no Brasil por exemplo. Ou a de Eike Batista. Ou a de Daniel Dantas.

Na edição de hoje, domingo, a FOLHA afirma que Evo deve ter uma votação surpreendente por conta dos índices favoráveis de seu governo. Melhorias acentuadas na saúde, principalmente universalização. Fim do analfabetismo, dados favoráveis na economia, mas afirma que a Bolívia está mais dependente do Brasil.

A participação do jornal FOLHA DE SÃO PAULO na ditadura militar, engajada no processo que levou empresários, banqueiros e latifundiários a buscar apoio nos EUA para o golpe de 1964, foi denunciada em A DITADURA ESCANCARADA, do jornalista Élio Gaspari, que hoje é "colonista" do jornal.

Pouco antes do fracassado golpe militar que derrubou o presidente da Venezuela numa quinta-feira, em abril de 2002 e terminou com sua volta ao poder no domingo, debaixo de intensa pressão popular, a rede GLOBO, em comum acordo com o Departamento de Estado, CIA, empresários de comunicação e outras áreas da Venezuela, enviou a jornalista Miriam Leitão àquele país para uma série de reportagens sobre o governo Chávez.

Miriam voltou e já preparando o espírito do abóbora que William Bonner (“quem quer um bom dia diga eu”) chama de Homer Simpson, para a derrubada de Chávez com os chavões de sempre. Democracia, insatisfação popular, economia devastada, tudo resumido em “anseio popular”. As reportagens foram mostradas de segunda-feira a sexta-feira no JORNAL NACIONAL e na última fala de Miriam Leitão lá estava – “os venezuelanos não agüentam mais Chávez ".

Na semana seguinte o golpe e no domingo milhões de venezuelanos se concentraram em frente ao palácio presidencial, à suprema corte e ao congresso para exigir a volta de Chávez. Setores militares leais ao presidente prenderam os golpistas e o golpe que ficou conhecido como o primeiro golpe midiático da história (montado pela mídia em notícias forjadas como se viu no documentário “A REVOLUÇÃO NÃO SERÁ TELEVISIONADA), terminou com a volta do presidente Chávez que, em agosto, para desgosto de Dona Miriam e dos patrocinadores do golpe, venceu um referendo sobre sua permanência ou não no poder.

Quem vai intimar a GLOBO por mentir deliberadamente, dentro de um processo golpista montado por toda essa estrutura que no Brasil tem a chancela FIESP/DASLU, com braços como PSDB/DEM?

Um dos momentos mais desumanos por jornalismo brasileiro foi protagonizado pela REDE GLOBO, na manhã do dia 12 de julho de 1973. Um avião da extinta VARIG caiu nas cabeceiras do aeroporto de Orly e a bordo estava o extraordinário cantor brasileiro Agostinho dos Santos. A notícia chegou às redações de jornais, revistas, rádios e redes de tevê do Brasil por volta das cinco horas da manhã e o jornal GLOBO/SP enviou uma jornalista à casa do cantor, depois de montar uma operação repugnante.

A moça usaria como pretexto sua presença ali para entrevistar a família sobre a viagem, apresentações na Europa, até que, de repente, assim do nada, chegaria a notícia da morte e a rede transmitiria ao vivo a reação dos familiares de Agostinho dos Santos. Dito e feito.

Como a repercussão ao curso do dia tenha sido a pior possível, à noite, no JORNAL NACIONAL, a emissora desculpou-se e anunciou que a jornalista havia sido demitida. De uma forma solerte parte das imagens exibidas no GLOBO/SP foram mostradas com requintes de um pudor típico de cínicos, de serviçais de um jornalismo mentiroso e colonizado, lógico, para não perder a audiência. O problema não foi o “feito da moça”, que cumpriu ordens do editor, mas a reação.

A REDE GLOBO omitiu a campanha das diretas o quanto pode, o processo de cassação de Collor de Mello até não ter jeito mais e Sarney levar Itamar Franco a Roberto Marinho para tranqüilizá-lo quanto aos interesses do grupo. Tentou fraudar os resultados das eleições de 1982 no Rio em associação direta com a PROCONSULT, uma empresa formada por espertalhões e militares da ditadura (totalizava os votos), enfim, toda a sorte de trapaças nesses anos todos, até porque é uma empresa formada por capitais estrangeiros desde o seu começo e controlada por Washington, pautada pela CNN e FOX duas redes fascistas dos EUA.

Aquelas que acham que Bush devia jogar uma bomba atômica no Irã e acabar de vez com a “ameaça”.

O jornal ESTADO DE MINAS, sobrevivente da organização SPECTRE, quer dizer DIÁRIOS E EMISSORAS ASSOCIADOS (extorsão, chantagem, assassinatos, etc) é hoje um veículo oficial da candidatura Aécio Pirlimpimpim Neves, tudo regado a polpudas verbas e vários jornalistas já foram demitidos por contrariarem interesses do governador que mora no Rio e pretende ser presidente do Brasil.

O que é a revista VEJA? Pura imprensa marrom a serviço dos banqueiros, empresários, latifundiários, é só olhar a nota de empenho do governador de Brasília José Roberto Arruda “comprando” uma entrevista nas páginas amarelas e o número de assinaturas de revistas da editora, ABRIL, feitas pelo político mais asqueroso do País, José Jânio Serra, especialista em chantagens contra adversários, armações e com colaboração de muitos jornalistas inclusive o “intocável” Juca Kfhouri, seu parceiro nos jogos de domingos na sala de tevê do palácio do governo.

VEJA foi desmoralizada anos atrás, quando jornalistas criaram um fato, a vaca que dá leite com sabor de tomate (boimate) direto de suas tetas e, na semana seguinte, desmentiram explicando que assim o fizeram para mostrar que a revista publica qualquer bobagem ou mentira, dentro de uma lógica pautada nos interesses que representa. Devia estar de olho nos anúncios futuros da NESTLÉ, sobre o iogurte que sai direto das tetas da vaca com sabor morango, baunilha, chocolate, o escambau.

Assinar a FOLHA para que? Ler mentiras, notícias distorcidas com aparente tentativa de parecer verdade? Aquela mania de infográfico – que ninguém lê, ou tenta entender – para dar a impressão que estar matando a cobra e mostrando o pau?

Outro dia, o extinto JORNAL DO BRASIL publicou um pequeno caderno sobre a Rússia hoje e falava do fim do mito Stalin. Era o título, o que afirmava o título. Quem fosse ler a matéria, lá estava uma pesquisa dizendo que mais da metade dos cidadãos russos aprovavam, ainda hoje, a idéia que Stalin transformou a antigo União Soviética uma potência mundial. Mais, que aprovavam, concordavam com a idéia.

Sabe que a maior parte dos leitores – é cada vez menor o número de leitores de jornais no Brasil – faz o tal “passar os olhos nas manchetes” e vende as mentiras nas manchetes. E nem estou julgando ou deixando de julgar Stalin, apenas citando o fato. Foi semana passada, edição de quarta ou quinta.

O jornal FOLHA DE SÃO PAULO recebeu as gravações das conversas de FHC, quando presidente, com o pessoal do Ministério das Comunicações, Mendonça de Barros e Lara Resende, sobre as privatizações do setor de telefonia principalmente a concorrência onde entrava a extinta TELEMAR, da família Jereissati entre outros sócios e ficou na moita. Publicou parte do que não comprometia o presidente de então, FHC (está precisando urgentemente de tratamento psiquiátrico, do contrário morre de invejo/neurose, ou começa a andar nu pelas ruas) e disse, na primeira página que o resto das gravações não seria divulgado, pois eram fatos pessoais e isso não interessava.

Que fatos pessoais? A mãe de Paola Pimenta da Veiga, mulher de Pimenta da Veiga, ex-glamour girl do Pampulha iate Clube em Belo Horizonte, fechando com FHC na cama no palácio das Mangabeiras em BH, a vitória da TELEMAR na concorrência (representava a Andrade Gutierrez, uma das sócias da família Jereissati), a doação para o ínclito presidente, além lógico, da nomeação de Pimenta para o Ministério no lugar de Mendonça de Barros, tudo na disputa de poder com Pedro Malan, um assassino frio, sem emoções, que comandava a outra e a mais forte quadrilha do governo de então.

E tem quem ache a revista PIAUÍ um exemplo de jornalismo maior, ou perda completa da razão ao compará-la com a antiga revista SENHOR. Trem de doido sô, os caras não têm a menor noção nem de jornalismo e nem de História. PIAUÍ é lavagem de dinheiro de filhos de banqueiros num projeto gráfico bem montado destinado a enganar trouxas com linguagem de burguesia consciente. Não existe isso. Mesmo que seja excelente diretor de cinema, um dos da turma.

A mídia, a grande mídia, no Brasil é um exercício lastimável de “quem quer um bom dia diga eu”, na figura medíocre e “pastelizada” de Willian Bonner, uma espécie de escravo modelo que representa seu papel com privilégios, vantagens e excelente remuneração. Nada além disso.

E a FOLHA DE SÃO PAULO é só um jornal que se espremer sai sangue também; O sangue dos torturados, assassinados, estuprados nas prisões da ditadura militar e transportados nos carros da empresa.

Não há porque não cancelar as assinaturas, é um exercício de dignidade pessoal, é respeitar-se a si em primeiro lugar.

Está certo o blogueiro que pede que isso seja feito. E a reação do jornal mostra que esse tipo de denúncia funciona.

Mande a FOLHA DE SÃO PAULO para o espaço. Só não é PASQUIM, porque o conceito da palavra mudou depois do célebre e decisivo O PASQUIM, instrumento fundamental na ridicularização dos nossos generais durante a ditadura militar.

E sobre a GLOBO nem falei da covardia cometida contra TIM LOPES, toda ela contada num livro do notável jornalista, exemplo de integridade, Mário Augusto Jakobskind.

Anos atrás, na segunda metade da década de 50, um grupo de jornalistas padrão William Bonner, Miriam Leitão, Alexandre Garcia, William Waack, Eliane Cantanhêde, Juca Kfhouri, etc, resolveu editar uma revista chamada ESCÂNDALO. Era simples. Em nome da moral, dos bons costumes, da pátria, da democracia, da liberdade, iam aos locais freqüentados por grandes empresários, latifundiários, banqueiros, políticos, locais de lazer digamos assim, tiravam fotografias e na semana seguinte um “corretor” do setor de publicidade ia à empresa, no banco, no latifúndio, atrás do político, mostrava as fotos e pedia um anúncio grande, do contrário publicaria o ESCÂNDALO.

Hoje é mais sofisticado. Àquela época fecharam a revista, prenderam os jornalistas. Hoje compraram e pronto, eles falam o script que vem junto com o envelope do dinheiro. Quando acontece algum acidente de percurso tipo José Roberto Arruda, José Jânio Serra, ou Aécio Pirlimpim Neves, Eduardo Azeredo (terceiro time), ou FHC dando sinais de demência, senilidade, viram a cara para o outro lado ou executam o “aliado”, uma parte do “negócio” para salvar o todo.

Tem Gilmare Mendes no STF DANTAS INCORPORATION LTD para dar habeas corpus. A propósito, os italianos estão nas ruas pedindo a saída de Berlusconi por suas ligações com a máfia e em atentados desse grupo criminoso. Não seria o caso de pedir “extradição”? Cezar Peluzzo, italiano em cortes brasileiras dá o parecer.

A Desserviço do Brasil





Quarta-feira, Novembro 18, 2009

É o Estado

Todo o extenso debate político e ideológico das últimas décadas tem o Estado como centro. Mesmo quando se tenta excluí-lo, ele volta como convidado de pedra, como sujeito oculto, que se buscou tornar invisível. O período histórico atual foi aberto com o triunfo do diagnóstico neoliberal de que a economia tinha se estagnado pelas excessivas regulamentações impostas pelo Estado.

Segundo esse diagnóstico, o Estado, de indutor do crescimento econômico, teria se tornado um obstáculo; de solução, teria se transformado no centro da crise. Daí a proposta de quanto menos Estado, mais crescimento econômico, da passagem de um Estado regulador a um Estado mínimo, que na prática abria caminho para se ter mais mercado.

Daí que o Estado tenha sido diabolizado, transformado na vítima privilegiada dos ataques do consenso neoliberal, de que o governo FHC foi uma expressão clara. Ajuste fiscal, privatizações, menos recursos para políticas sociais, arrocho salarial do funcionalismo, dispensas de empregados públicos – tudo na direção de rebaixar fortemente o peso do Estado na economia e nas políticas públicas, intensificar as desregulamentações, asssim como a abertura acelerada da economia ao mercado internacional.

O que centralmente foi atacado no Estado é seu poder regulador que, segundo os neoliberais, afugentaria os investimentos privados. Menos regulamentações, maior liberdade de circulação para o capital e, segundo eles, maior crescimento econômico, com consequências positivas para todos, inclusive para os trabalhadores, com maior criação de empregos.

No entanto, esse diagnóstico se revelou equivocado, não foi isso que aconteceu na prática, as economias nao cresceram. O que se deu foi uma brutal transferência de recursos dos setores produtivos para o setor especulativo, onde o capital – que não foi feito para produzir, mas para acumular, mesmo que seja na especulação financeira – ganha mais, pagando menos impostos e com liquidez total. As taxas de juros continuam a recompensar o capital especulativo com remunerações que nenhum outro investimento possibilita. Assim, menos Estado e menos regulamentação significou mais especulação e mais concentração de renda.

Mesmo assim, os setores neoliberais não repudiam todas as atividades estatais. Querem menos impostos, menos gastos com políticas sociais e funcionários públicos, mas seguem demandando créditos, subsídios, isenções e todo tipo de facilidades ao Estado. Esse lado do Estado lhes interessa. Financeirizaram o Estado, que passou a transferir renda do setor produtivo e da cidadania ao capital financiero, mediante os chamados superávits fiscais, que reservam o fundamental da tributação para pagar as dividas do Estado.

Um governo antineoliberal – que vai na direção do pós-neoliberalismo -, ao contrário, retoma funções clássicas do Estado, de indutor do crescimento econômico, de financiador da expansao econômica, de agente das políticas sociais, de regulador das relações econômicas, de zelador da soberania nacional, entre outras funções. Cria e alimenta mecanismos que induzem o investimento produtivo, cobrando que dirija parte substancial da sua produção ao mercado interno de consumo popular, com obrigatória geração sistematica de empregos.

O tema do Estado havia sido suprimido do debate político e das políticas neoliberais – todas elas de caráter privatizante. Na hora da crise se apelou de forma unânime ao Estado. Para a direita, apenas para recompor as condições de funcionamento do mercado, como uma ação emergencial apenas.

Para uma política antineoliberal, que defende o interesse público, o Estado tem papel central, estratégico, nos planos econômico, político, social e cultural. Mas, para efetivamente desempenhar esse papel, como instrumento de um novo bloco social que dirija os destinos do Brasil e não apenas reproduza a predominância dos interesses dominantes, o Estado tem que ser radicalmente reformado, refundado em torno da esfera pública, desmencantilizando-se, desfinanceirizando-se, tornando-se um Estado para todos os brasileiros.

Emir Sader

GEOPOLÍTICA

traduzido pelo coletivo Política para Todos
Dêem a bomba ao Irã!
As vantagens de um Irã nuclear

11/11/2009, Aetius Romulous, “Speaking Freely”, Asia Times Online

“Speaking Freely” [Falando Francamente] é uma sessão de Asia Times Online na qual escrevem autores convidados.
Se quiser oferecer sua colaboração, clique em http://www.atimes.net/speakingfreely/. Aetius Romulous, que vive no Canadá, é jornalista freelance.

É possível que o Irã esteja construindo “a bomba”. O Irã, assim, seria a segunda potência na Região a possuir a bomba, e certamente seria a primeira de uma rápida sequência de Estados regionais com o dinheiro e os talentos necessários para comprar a bomba. Além disso, essa proliferação de Estados com bomba é função da economia e, como tal, inevitavelmente, não será contida por nenhum tipo de medida racional.

De fato, “a bomba” propriamente dita é apenas mais uma ficha do jogo de barganha entre os Estados-bomba já estabelecidos, que a usam para obter vantagens na direção do que realmente lhes interessa, a saber... o petróleo.

O Paquistão tem várias bombas atômicas e é um dos Estados-nação mais instáveis do mundo. Tem a bomba porque seu arqui-odiado rival, a Índia, tem seu próprio kit de bombas. Israel tem um saco de mais de 200 bombas, nenhuma das quais é controlada de modo algum por seja lá quem for. É segredo. Os EUA têm bombas. Milhares de bombas. Os EUA são o único Estado que, até hoje, detonou duas bombas sobre cidades habitadas, e, não bastasse, têm vários sacos de bombas, da melhor qualidade, espalhadas pelo território de seu Estado-vassalo, o Iraque. Há montanhas de bombas atômicas no Oriente Médio, tantas, que a quantidade tornou irrelevante a evidência de que só uma delas, detonada, já faria todo o serviço de derreter até os ossos todo o mundo Ocidental.

Todas as bombas que realmente existem no Oriente Médio – ou em qualquer parte do mundo, em terra, mar ou ar, ou ainda mais acima, no espaço sideral – pertencem a Estados de tecnologia muito avançada, donos das imensas quantidades de riquezas necessárias para projetar, construir, esconder e manter uma arma de custo inimaginável. Exceto o Paquistão e a Coreia do Norte, que simplesmente acharam caminho até a bomba pela porta da cozinha e são os convidados mais mal vestidos da festa. Como manda a natureza do nosso sistema econômico global, onde riqueza é poder, a marcha atual do progresso rapidamente gerará mais e mais nações emergentes as quais, dentro de algum tempo, serão suficientemente ricas para também ter “a bomba”.

Já temos a primeira bomba muçulmana no Paquistão, a primeira bomba sionista em Israel, e bem poderemos ter, em breve, a primeira bomba persa. Está faltando – não demorará, e alguém verá – uma bomba árabe, para completar o conjunto. A Turquia precisará da bomba e, logo, logo, terá dinheiro para comprar uma. Então haverá uma cadeia ininterrupta de Estados-bomba que se se estenderá do Estreito de Taiwan ao Canal de Suez, cobrindo todas as principais religiões, culturas e modalidades de governo e política. Será um autêntico “cinturão-bomba”. Pobre África! Também dessa vez ficará excluída. Nada de bomba p’ra vocês!

Quero dizer, então, que há sacos e sacos de bombas na região mais instável do planeta, e tudo faz crer que se reproduzirão rapidamente. O Irã tem todo o direito de ter sua bomba. Afinal, considerado o grande quadro, que diferença faz? E daí, se o Irã tiver sua bomba? A verdade é que, com o Irã sem bomba, a coisa lá fica ainda um pouco menos estável do que com o Irã com bomba; e um pouco, na era nuclear, é muito.

Que as nações sintam-se compelidas a enterrar quantidades gargântuais da produtividade de seus cidadãos para produzir bombas é efeito das lições que aprenderam no tempo em que foram tratadas como peões sem qualquer valor, na era de ouro da Guerra Fria. O dinheiro fala; e nada representa mais claramente a voz do dinheiro, que a bomba. Como escamas coloridas, um sinal de “Material radiativo” é indicador, para todos, de que qualquer deslize no plano das ações e movimentos terá consequências terríveis.

Longe de ter ensinado ao mundo que a bomba é terrível máquina do Apocalipse, a Guerra Fria só ensinou que a bomba é excelente instrumento de defesa. Embalada em medos e perigos de futuros desconhecidos, uma ogiva nuclear é ameaça terrível. Detonada, já não vale coisa alguma; porque a bomba se auto-consome, ela também, na destruição geral, mútua, aritmeticamente garantida, de tudo e todos.

Para ter alguma serventia, uma ogiva nuclear tem de encontrar, contra ela, ameaça grave. Até a bomba precisa de inimigos. O fracasso de não poder responder com catástrofe equivalente à catástrofe provocada por uma bomba torna racional o emprego da bomba. Querem um mundo estável, bem estável? Entreguem uma bomba ao Irã. Dêem. Mandem entregar. Entreguem lá. Esse simples gesto fará sumir de todas as mesas de negociação, não apenas a bomba iraniana, mas todas as demais bombas. Uma montanha de armas de ataque serão, todas, imediatamente convertidas em armas de defesa.

A coisa chama-se “Teoria dos Jogos” e é item essencial do Manual do Proprietário de bombas. Uma série perfeitamente racional de equações matemáticas que regem a idade atômica, desde o tempo em que os físicos jogavam pôquer. Uma análise de sistema do conjunto de decisões que têm de ser tomadas pelos proprietários de bombas para maximizar a própria posição, sem jamais somar mais que 21. A “Teoria dos Jogos” prevê que a superioridade nuclear depende do que o outro sujeito esteja pensando sobre você. E impõe a exigência de que os dois lados sejam capazes de impor ameaças verossímeis, críveis, cada ameaça com consequências que todos os jogadores saibam que, com certeza, não estão incluídas entre seus interesses de longo prazo. A destruição mútua garantida depende do equilíbrio e paridade entre as ameaças feitas e recebidas de cada lado. Sem essa paridade, o desequilíbrio torna praticamente garantida e inevitável a detonação da bomba atômica, em circunstâncias nas quais, se houvesse paridade entre as ameaças, nada aconteceria.

Essa foi e ainda é uma doutrina norte-americana. Mesmo assim, acabou por servir de coluna central da arquitetura básica da contenção na idade atômica. Quando os norte-americanos lutam para demonstrar que um Irã nuclear seria péssimo para todos, eles mesmos entendem perfeitamente a irracionalidade do argumento. Os norte-americanos alertam para o fato de que a bomba iraniana será usada contra Israel, e que essa seria a única razão pela qual o Irã deseja ter a bomba. Israel responde que o Irã tem de ser contido porque seria “ameaça existencial” (contra a existência de Israel) e a bomba, de fato, marcaria o fim daquela existência, dentre outras.

Todos sabem, é claro, que as coisas absolutamente não são assim. Todos sabem que, se os iranianos tiverem a bomba (apenas uma; duas bombas, no máximo), evidentemente não a dispararão, uma contra Israel, a outra contra os EUA. A detonação da bomba, sempre de só uma bomba, a primeira e única, não teria efeito sobre o inimigo que se compare ao castigo-retaliação que o Irã sofreria como resposta à decisão de usar a bomba. Nada disso interessa ao Irã. O mesmo raciocínio explica também por que o Irã há 600 anos não invade país algum e mantém sua civilização há milhares de anos. Os iranianos não são idiotas.

Então, por que tanta conversa fiada?

O Irã tem petróleo. O Irã é o quarto maior exportador do mundo de óleo cru, o que lhe vale a carteirinha de membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, OPEP [ing. Organization of Petroleum Exporting Countries, OPEC] que bombeia um excedente de 2,5 milhões de barris/dia de gororoba translúcida, leve e preta. A reserva iraniana de cru de excelente qualidade é a terceira maior do mundo. O Irã controla também o Estreito de Hormuz, pelo qual fluem 40% do óleo de todo o ocidente, e está na rota de bola de profundidade que chega até Ras Tanura, principal ponto de exportação de petróleo da Arábia Saudita.

O Irã é suficientemente rico para construir sua bomba, porque o Irã tem petróleo. O Irã é uma ameaça ao suprimento de petróleo para o ocidente, tanto quanto outros players árabes que são tradicionais inimigos dos persas. O Irã está localizado praticamente na outra calçada em relação ao Iraque, quer dizer, bem próximo do quintal dos EUA. Israel está localizado praticamente na rua ao lado, em relação ao Irã, quarteirão-cenário de cinco mil anos de história entre persas e judeus.

O Iran vive deitado sobre verdadeiro mar da mercadoria de mais alto valor estratégico para o mundo, e cercado por interesses ocidentais mal-intencionados – todos eles Estados-com-bomba. Então, o Irã quer a bomba. A sério.

O Irã vende 16% de seu petróleo exportado, para a China, cerca de 411 milhões de barris/dia, e aumentando; e é a segunda maior fonte de petróleo cru para a China, perdendo, só, para a Arábia Saudita. A China precisa de petróleo em quantidades jamais antes imaginadas, para fazer andar seu crescimento, e está vasculhando o mundo à procura de flores não contaminadas por ideologia política. A China está comprando a África, bem aí, sob o nariz dos tolos querelantes da Guerra Fria, e não tem cachorro seu nas pistas das velhas corridas do Oriente Médio. Precisa de petróleo e ponto. Para comprovar, investiu mais de 100 bilhões de dólares no Irã.

A China considera o Irã como novo amigo num mundo ex-insular. E amigo carente é amigo no qual se pode confiar. A China enfrenta suas próprias ameaças regionais, uma das quais a Índia, outro desses inimigos de tipo tradicional que fazem pirar as sensibilidades ocidentais. Um Irã amigo da China, nadando em petróleo, é excelente trunfo para empurrar a Índia a partir de um outro ponto de apoio. A China, é claro, tem a bomba.

A Índia também tem a bomba, mas também é outro dos grandes centros de progresso mundial. A Índia precisa tanto de petróleo quanto a China, e pelas mesmas razões; e importa praticamente a mesma quantidade de petróleo, do Irã, que a China. Um terço das exportações iranianas de petróleo vão diretamente para as economias em super-desenvolvimento, de China e Índia. Não bastasse, o Iran re-importa, na forma de gasolina refinada, boa quantidade do petróleo que exporta para a Índia, o que faz do negócio um modelo de arranjo perfeitamente estabilizado e estupidamente lucrativo para todos os envolvidos.

Para ambos, China e Índia, uma bomba iraniana significaria segurança para seus recursos e investimentos petrolíferos. Sem bomba iraniana, China e Índia terão de tomar algumas atitudes em relação a ameaças que pesem sobre seu fornecedor de petróleo – exatamente o que já estão fazendo hoje. Sempre ajuda ter uma bem-defendida fonte de petróleo que também tem interesse em defender o próprio preço. Ter acesso ao petróleo é uma coisa; ter dinheiro para comprar é outra.

A Rússia não quer que o Irã tenha bomba. A Rússia está na posição difícil de líder mundial tanto em matéria de bomba quanto em matéria de petróleo. Tem muito, tanto de bombas quanto de petróleo. Ao vender apoio tecnológico ao Irã para o seu programa nuclear para fins “civis”, os russos estão tocando os negócios em várias frentes. Se o Irã construir a bomba, haverá instabilidade no curto prazo, o que incidiria favoravelmente sobre os preços do petróleo russo, do qual os russos têm de cuidar, porque aquele petróleo mantém em movimento a agenda econômica progressista dos russos. Não bastasse, a Rússia tem meios para controlar a velocidade e os objetivos do desenvolvimento nuclear iraniano – fato que os estadistas norte-americanos evidentemente não ignoram, mas todos os jornais e televisões ignoram completamente.

Para a Rússia, a bomba iraniana é moedinha de barganha perfeita para usar com vistas a obter, extraídos dos norte-americanos, segurança geográfica e mercados abertos. Mas se os iranianos querem uma bomba, pensam os russos, ok, a Rússia poderá ajudar. É bom negócio e amplia a área de influência dos russos no Oriente Médio, justamente nas regiões nas quais os EUA foram hegemônicos.

Ao mesmo tempo, a Rússia partilha as mesmas preocupações dos EUA em relação à proliferação de armas nucleares. É absolutamente essencial para os ex-inimigos na Guerra Fria conseguir conter qualquer aumento no número de países equipados com bomba atômica. Russos e norte-americanos já enfrentam cada vez mais dificuldades financeiras para construir e manter imensos – e absolutamente inúteis – arsenais atômicos. (A Teoria dos Jogos exigia número sempre crescente de armas, para que não perdessem o valor e o efeito de contenção.)

É difícil determinar o momento em que acabou a teoria e começou a insanidade, mas os líderes atuais, nos EUA e na Rússia, já entenderam que, quanto mais cada um reduza seus arsenais, em ritmo que não perturbe o equilíbrio, mais cada um conseguirá economizar tempo, dinheiro e preocupações. O aumento no número de Estados-bomba tende a manter artificialmente alto o piso da ameaça nuclear; e devorará os bilhões de dólares cuja economia já está prevista nos orçamentos.

É difícil decidir quem precisa mais de petróleo, se os EUA ou a China. E cada um aborda a questão a partir de um ponto. A China está usando em silêncio suas indústrias estatais tamanho-Golias para consumir todos os recursos do planeta necessários para empurrar seu futuro. Pode fazer isso, porque o capitalismo não tem potência para deter o consumo de recursos controlado pelo Estado. Ao mesmo tempo, os EUA têm fracassado nas tentativas de empregar seus superpoderes e sua invencível máquina militar para influenciar as principais fontes acessíveis de petróleo leve que há no mundo.

Viciados em petróleo, dependentes químicos, os EUA só contam com a força do ‘livre mercado’ para obter algum (fraco) controle sobre os suprimentos futuros. Os EUA carecem não só de petróleo, mas, também, de preços politicamente previsíveis para aquele petróleo, para assim proteger sua economia e o dólar norte-americano que depende da economia dos EUA.

Os EUA têm arsenal de bombas e tecnologias ‘de-bomba’ que já cresceram a tal ponto que qualquer investimento do arsenal e das tecnologias sempre dará mais prejuízo que lucros. Basta que alguém dê só uma espiadela na direção do botão detonador, e uma explosão nuclear termal fará voar pelos ares todos os lares norte-americanos. Gasolina a sete dólares o galão. O custo da indústria da guerra já se aproxima do trilhão de dólares/ano e é perfeitamente inútil para proteger o mais valioso patrimônio estratégico, do ponto de vista dos EUA: o petróleo de que os EUA precisam e que não têm.

Os EUA são amigos dos sauditas e dos israelenses, e cada um desses é inimigo jurado de morte pelo outro. Os EUA cedem equipamento militar e estendem seu guarda-chuva nuclear também sobre os sauditas, em troca de petróleo. Os sauditas precisam dessa proteção contra seus vizinhos, o falecido grande Saddam Hussein e seu Estado Islâmico herético; e os temidos persas. O guarda-chuva norte-americano, contudo, é perfeitamente inútil contra uma Israel armada até os dentes com bombas próprias.

Israel está compreensivelmente cada dia mais nervoso face à realidade geográfica que herdou dos britânicos em 1948. Israel importa absolutamente tudo que valha alguma coisa, inclusive petróleo. E Israel está plantado sobre o patrimônio imóvel mais irracionalmente criado e defendido de toda a história do mundo. Por sorte, ataques sem bomba atômica já se comprovaram castigos eficazes mais de uma vez; de fato, muitas vezes. Isso, porque o castigo nuclear contra ameaça existencial pode lançar no inferno, simultaneamente, vários dos principais aliados de Israel, em escala infernal que aumenta sempre. Uma resposta nuclear iraniana contra a sempre agressiva Israel terá efeitos e ramificações de que nem a melhor Teoria dos Jogos jamais cogitou. Ninguém, absolutamente ninguém, está em posição de imaginar o que Israel fará se for atacado por bomba atômica iraniana. Não haverá depois.

E o que fará a China, sobre seus investimentos no Irã? E a Índia? Como o Paquistão reagirá à Índia? O que farão os russos – sentar e assistir ao show, enquanto o preço de seu abundantíssimo petróleo alcança as planícies desabitadas da estratosfera? E o que farão os norte-americanos? Quem sabe? E, ainda mais importante: quem quer descobrir? Ninguém.

A única saída segura para os EUA, do impasse em que se meteram, é dar a bomba ao Irã. É solução racional, a única solução racional para o problema. É muito provável que o Iran consiga fazer a própria bomba; se quiser, pode recorrer ao apoio dos russos. Um Irã nuclear restaurará o equilíbrio e devolverá a paridade à insanidade da jogatina nuclear. Todos os envolvidos voltarão a ter de encarar a mesma consequência racional para suas decisões de política exterior. Se for desenvolvido com apoio dos EUA, o programa nuclear iraniano poderá ser vacinado contra uma muito provável e muito real ameaça israelense.

Ficarão inutilizadas algumas das tradicionais ferramentas regionais que o Irã usa, como o Hizbóllah no Líbano. Se os EUA garantirem a bomba ao Irã, ficará assegurado o suprimento de petróleo para China e Índia, com a vantagem de que será contida a expansão da influência russa sobre o Irã, o qual – atenção! – está localizado exatamente entre o Iraque e o Afeganistão. Os EUA oferecerão armamentos em troca da estabilidade do mercado de petróleo. Assim, todos ganham.

Claro que nada disso será feito desse modo, e por razões que todos conhecemos intuitivamente, as quais ninguém precisa (nem consegue) explicar. Simplesmente não acontecerá assim. O que acontecerá será diferente, outra coisa. Acontecerá algo insustentável e desigual, solução que deixará aberto um buraco tamanho-Versailles. Apesar da situação desesperadora em que vive o planeta Terra, porque crescimento ilimitado exige devoração ilimitada de recursos escassos, várias decisões desencadearão várias ações, que têm mais, muito mais, a ver com dogma, religião e nacionalismo, do que com algum realismo racional.

É sempre assim. Hoje, se acrescentaram ao sempre-assim a Teoria dos Jogos da Guerra Fria e centenas de ogivas nucleares. Eca! [ing. Ugh!]

O artigo original, em inglês, pode ser lido em:
http://www.atimes.com/atimes/Middle_East/KK18Ak01.html

Repercussão do projeto da carreira do Magistério

Bia Pardi


Foi grande a manifestação laudatória da imprensa sobre a aprovação do projeto do governador que institui sistema de promoção na carreira do magistério.

Logo após a aprovação do projeto na madrugada do dia 21/10, na Assembleia Legislativa, os jornais publicaram inúmeras explicações na linha de defesa do aprovado. Alguns utilizaram umas poucas críticas das entidades presentes da categoria, mas o tom, em geral, era de valorização do que havia sido decidido pelo plenário (“Em praticamente todas as carreiras do setor privado, é normal que os que mais se destaquem sejam recompensados.”- Folha de S.Paulo - 22/10/09 - Cotidiano – pg.C3.).

É interessante notar que um sistema que, na realidade, é de promoção e de ascensão na carreira, através da realização de provas conjugadas com critérios de tempo de permanência na escola e assiduidade, é tratado como reajuste e/ou aumento salarial. Mas não é para todos. A promoção atinge somente até 20% dos que fizeram a prova. (“SP aprova reajuste salarial de professores por desempenho” – O Estado de S.Paulo - 22/20/09 - pg.A24 - grifo nosso).

No dia 24/10, a Folha de S.Paulo e o jornal Agora “reforçam” em seus editoriais, na mesma linha de argumento, a defesa do projeto aprovado: “Vai no rumo correto o projeto aprovado pela Assembléia Legislativa que institui progressão salarial para professores da rede estadual, baseada em avaliação de mérito” e “aumento para quem merece”.

Isso revela que, o principal traço do projeto ressaltado pelas matérias é o problema salarial do magistério, reconhecidamente defasado e arrochado. Os jornais, entretanto, não parecem sensibilizados com o fato de que a grande maioria dos professores terá imensas dificuldades para ascender nessa carreira e, mesmo que assim não fosse, estão limitados a até 20% dos que conseguirem realizar a prova, dependendo inclusive da possibilidade orçamentária. Isto significa que, um pretenso reajuste ou aumento salarial não contemplará a grande maioria da categoria, confirmando a política de arrocho estabelecida.

O Secretário da Educação, Paulo Renato, afirma também que no último levantamento feito pela secretaria sobre faltas do professor foi constatado uma média de 30 faltas por docentes em 2008. Em 14 de abril de 2008 foi aprovada a Lei 1041, que regulamenta as faltas do funcionalismo público, inclusive com punições e descontos nos salários, o que demonstra que essa ação não conseguiu minimizar o problema das ausências e que é fundamental entender as verdadeiras razões do índice de absentismo existente na rede e abrir um amplo debate na rede sobre o problema.

Não bastasse isso, o Secretário da Educação ocupa as páginas amarelas da Veja - 28/10/2009, espaço privilegiado para essas ocasiões, cuja entrevista estabelece uma relação íntima entre as questões e as respostas. O que o repórter formula é exatamente o que o Secretário quer responder, dentro da defesa incondicional do projeto.

São dois os vilões que o Secretário acusa: a ideologização das universidades nos cursos de formação para professor e os sindicalistas que “são um freio de mão para o bom ensino”.

Ele responsabiliza os sindicatos como “um entrave para o bom ensino” acusando-os de corporativismo que “pode sobrepor-se a qualquer preocupação com o ensino propriamente dito”.

Os professores e suas entidades representativas não foram ouvidos. Não há direito ao contraditório nessa imprensa.

Assim, ao contrário daqueles que defendem e tecem loas a essa iniciativa do governo, continuaremos com as graves conseqüências negativas na rede estadual e, conseqüentemente, na qualidade do ensino básico do Estado.



Bia Pardi

Coordenadora do Setorial de Educação do PT-SP

Terça-feira, Novembro 17, 2009

Bancada vai ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas para apurar acidente no Rodoanel

A Bancada do PT na Assembleia Legislativa deve protocolar representações nos Ministérios Públicos Estadual e Federal, nesta terça-feira (17/11), referentes ao acidente ocorrido no trecho Sul do Rodoanel. A Bancada vai ainda apresentar no Tribunal de Contas do Estado requerimento de auditoria especial, para apurar custos e prazos da obra. O acidente ocorrido na noite do último dia 13 dominou os debates no plenário da Casa nesta segunda-feira.

A representação que será encaminhada pelo líder da Bancada, deputado Rui Falcão, vai pedir aos promotores do MPE e MPF a adoção de medidas urgentes, com o objetivo de suspender a execução das obras até que sejam apurados os motivos do acidente.

Em declarações à imprensa após o acidente, o governador José Serra mostrou-se preocupado apenas com o calendário eleitoral, ao afirmar que a obra será retomada em 15 dias, independente da conclusão da perícia pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas.

Alteração irregular no contrato

No mérito, a representação petista irá questionar a conivência do Governo do Estado em acatar a alteração do regime de execução de empreitada por preço unitário para empreitada por preço global. O contrato estava assinado com previsão de que a execução seria por preço unitário, só que as empresas e o governo paulista alteraram para preço global, o que modifica também a medição dos serviços realizados.

Em termos técnicos, tal alteração significa que não existe mais uma medição física do serviço, que passou a ser pago com base em apontamentos constantes no Cronograma Financeiro de Pagamento e Norma de Fiscalização, Medição e Pagamento. Esta alteração contratual é irregular e já havia sido apontada em fiscalização do Tribunal de Contas da União.

Secretário será convocado

Os parlamentares petistas também questionam a fiscalização ineficiente da execução do contrato. Há indícios que os órgãos técnicos do governo ‘abriram mão’ de acompanhar a obra; por isso agora tentam atribuir a culpa pelo acidente ao consórcio responsável.

Presidente da Comissão de Serviços e Obras Públicas, o deputado Simão Pedro protocolou hoje um pedido de convocação do secretário de Transportes do Estado, Mauro Arce, para prestar esclarecimento à Assembleia sobre o acidente e os custos do Rodoanel.

Os parlamentares petistas estão avaliando ainda outras alternativas judiciais para apurar o acidente. Para o líder da Bancada, “é leviandade o calendário eleitoral ditar o cronograma de obras do porte do Rodoanel, do Metrô e das Marginais e o governador Serra já adiantou que, independente do laudo do IPT, a obra terá prosseguimento para ser entregue até março de 2010.”. A preocupação de José Serra refere-se ao prazo para sua eventual renúncia, em caso de candidatura à eleição presidencial, que deve ocorrer até o dia 27 de março.

“Queremos apuração rigorosa dos fatos no Ministério Público e no Tribunal de Contas. Não podemos permitir que as autoridades envolvidas isentem-se das responsabilidades”, diz o deputado Rui Falcão.

Rodoanel: A barbeiragem do Serra

No dia 13 de novembro, três vigas, que fariam parte de um viaduto do Rodoanel, desabaram sobre a Rodovia Regis Bittencourt. Felizmente não houve vítimas fatais, ao contrário da tragédia ocorrida na futura Estação Pinheiros da linha 4 – Amarela do Metrô, onde morreram 7 pessoas. Assim como o Rodoanel, essa linha de metrô teve o processo de construção acelerado para uso na campanha eleitoral, visto que reduziram o prazo da obra em 14 meses; não havia fiscalização efetiva por parte do Estado, foi adotado preço global, ao invés do preço unitário e houve troca de método construtivo.

O governador José Serra tinha anunciado que a adoção do preço global era benéfica para o Estado, pois havia obtido um desconto de 4% em relação ao contrato original.

O Relatório do Tribunal de Contas da União desmente o que disse o governador. Para o TCU, houve desrespeito à lei 8.666/93, que prevê a possibilidade de regime de empreitada por preço global, mas o projeto deve conter todos os elementos e informações, o que não ocorreu no Rodoanel, cujo projeto final de engenharia não estava pronto.

Aponta também a adoção de soluções mais baratas como a alteração do método de construção de viadutos por balanços sucessivos para o de vigas pré-moldadas e a redução do número destas vigas, entre outras medidas que beneficiaram as empreiteiras.

Apenas na redução da área de tabuleiros, superior a 10.000 m², gerou prejuízo de R$ 20 milhões para o Estado. Pelo preço unitário se pagaria o efetivamente medido, mas como é preço global, a Administração estará remunerando uma área muito superior àquela que efetivamente será executada.

O Ministério Público Federal evitou que o governo Serra pagasse R$ 234 milhões a mais para as empreiteiras. Com base na conclusão de duas auditorias do TCU, a Dersa e os consórcios que constróem o trecho sul assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta comprometendo-se a não celebrar mais nenhum termo aditivo e modificativo. O governo do Estado previa pagar mais R$ 500 milhões extras para as construtoras e o MPF-SP restringiu esses pagamentos a R$ 264 milhões. Os aditivos que haviam assinado até então implicavam no pagamento de serviços adicionais e extracontratuais que permitiam acelerar o ritmo das obras, uma vez que o dinheiro servia para embutir serviços não previstos inicialmente.

A Auditoria do TCU pede a suspensão de envio de verbas federais para a obra, pois R$ 1,2 bilhão é repasse federal para o Estado, que é quem faz a gestão e constrói a rodovia. Mas o ministro do TCU Augusto Nardes, mesmo reconhecendo indícios de irregularidades graves, mudou a classificação de IG-P, que paralisaria as obras, para IG-C, para que o governo de São Paulo continue recebendo os recursos. Ao contrário de várias obras do PAC; não mandou paralisar a construção até sanar as irregularidades.

O custo total passou de R$ 2,95 bilhões para R$ 3,6 bilhões e a imprensa já anunciou um novo aumento para R$ 4,5 bilhões, o que representará 52% de acréscimo.

A percepção é que os tucanos são uns gênios. Licitam uma obra com o método mais oneroso e lento de construir. Num passe de mágica, em pleno andamento do empreendimento, adotam a forma mais barata e de maior rapidez construtiva o que, segundo o TCU, beneficia unicamente as empreiteiras.

E ainda o diretor-presidente da Dersa é agraciado com o título de Eminente Engenheiro do ano em 2009 pelo Instituto de Engenharia por antecipar a entrega e cortar custos.

As barbeiragens do governador José Serra na condução de grandes obras no Estado o caracterizam como o “governador do desabamento”. A impressão é que a lei da gravidade é mais implacável no Estado de São Paulo do que em qualquer outro lugar do mundo

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

A despeito do editorial do Estado de São Paulo de hoje "Autoritarismo popular" de Lula

O grupo O Estado sabe muito bem o que é autoritarismo, afinal a família Mesquita apoiou o golpe de estado de 1964. Eles são cúmplices da prisão, tortura e morte de muito brasileiros. Os Mesquitas com esse editorial hediondo querem repercutir o cadáver insepulto chamado de Fernando henrique Cardoso. Esse o povo brasileiro nem se lembra mais o que foi. Está morto para a história política do país. Felizmente o Manifesto do dia dos mortos do fhc não teve a repercussão que ele e os Mesquitas desejavam. Estão a pregar no deserto. Afinal foram eles que defenderam o golpe em Honduras, é só ler o Estadão das última semanas para saber como pensam os Mesquitas. Esse país nunca viveu nos mais de 500 anos de história um período em que os direitos individuais e a democracia fossem tão respeitados. Os Mesquitas e o PSDB não estão acostumados a viver em democracia. São autoritários. Vão perder a eleição em 2010. Dilma vai ser eleita e o país vai avançar social e economicamente a despeito do déspotas que se locupletaram nesse país nesses 500 anos. A elite brasileira é corrupta e predadora. É ISSO.

Terça-feira, Outubro 20, 2009

Evolução fiscal até agosto

O principal termômetro da evolução fiscal do País é dado pela evolução da dívida líquida do setor público (DLSP). Ver quadro ao final.



Os fatores que condicionam esta evolução é o déficit nominal (diferença entre as todas as despesas e receitas, inclusive financeiras), o impacto trazido pelo acúmulo de reservas internacionais e pela variação do câmbio, o crescimento econômico, as privatizações e o reconhecimento de dívidas (esqueletos).



No final de 2008 a DLSP foi de 38,83% do PIB e ao final de agosto último 43,96%, crescendo nesse período 5,13 pontos percentuais (pp) do PIB (43,96 – 38,83).



O principal responsável por este crescimento da DLSP foi o impacto causado pelo acúmulo das reservas internacionais e pela valorização do real frente ao dólar. Respondeu por 2,47 pp ou 48,1% do total deste crescimento. Em segundo lugar vem o déficit nominal com 2,21 pp (43,1% do total) causado pelos juros que acumularam nestes oito meses 3,69% do PIB, abatido do resultado primário de 1,48% do PIB. Em terceiro lugar vem o efeito da recessão econômica estimada para os oito meses que contribuiu com 0,51 pp (9,9% do total), pois o PIB é o denominador da relação dívida sobre PIB, e, finalmente, uma pequena contribuição favorável de privatizações com menos 0,06 pp (1,3% do total). Os “esqueletos” foram até o momento insignificantes.



As perdas fiscais causadas pelas reservas internacionais ocorrem de duas formas: pela valorização do real frente ao dólar e pelo diferencial de juros entre as taxas de aplicações externas das reservas e as taxas dos títulos federais.



Até o final de agosto as reservas internacionais atingiram US$ 219 bilhões e a dívida externa do setor público US$ 145 bilhões, dando um superávit de US$ 74 bilhões. No final do ano passado o câmbio foi de R$ 2,337 por dólar e no final de agosto último R$ 1,886. Essa valorização do real sobre o dólar causou uma perda fiscal na posição líquida externa superavitária. Além disso, o Banco Central ao comprar dólares, emite reais e os esteriliza vendendo títulos da dívida federal. As reservas internacionais são majoritariamente aplicadas em títulos do tesouro americano, que rendem pouco mais de 3% ao ano, ao passo que os títulos federais custam ao Tesouro Nacional a taxa básica de juros Selic, cujo mínimo de 8,75% ao ano ocorreu só a partir de 23 de julho último.



Os juros, isoladamente o principal responsável pelo crescimento da DLSP (3,69% do PIB), é consequência das altas taxas de juros dos títulos federais, que são direta ou indiretamente influenciados pela Selic.



É da exclusiva responsabilidade do Banco Central a política cambial, de gestão das reservas internacionais e da fixação da taxa básica de juros Selic, que constituíram os principais fatores condicionantes do crescimento expressivo da DLSP neste ano até agosto. As perspectivas parecem apontar para uma deterioração ainda maior da DLSP, pois as reservas continuam em ascensão e o câmbio neste início de outubro já está em R$ 1,75. É fundamental ampliar o debate sobre a questão fiscal no Brasil, incorporando todos os fatores que a influenciam.

Amir Khair

Inflação: previsão e realidade

Inflação: previsão e realidade



As previsões de inflação constituem importante instrumento para a tomada de decisões numa ampla gama de atividades para as empresas e para as pessoas. Essas previsões são fornecidas semanalmente pelo Boletim Focus que consulta uma centena de entidades do mercado financeiro e pelo Banco Central (BC) através das atas das reuniões do Copom e dos relatórios trimestrais de inflação. As previsões do mercado financeiro influenciam as do BC e vice-versa, razão pela qual são normalmente muito próximas.



Será que essas previsões se aproximam da realidade? Infelizmente a resposta é negativa, pois o coeficiente de correlação entre a inflação prevista e a ocorrida foi de apenas 17,2% (ver gráfico ao final). A razão disso é simples: são inúmeros os fatores que influenciam a inflação e esses fatores podem sofrer alterações significativas em seus comportamentos ao longo do tempo. Quanto mais distante no tempo, maior o risco de erro na previsão.



Por aí se vê a debilidade dos instrumentos que embasam o regime de metas de inflação, pois os modelos econométricos usados nestas previsões por mais sofisticados que possam ser não conseguem prever minimamente a inflação futura.



O último Boletim Focus de 09/10/2009 prevê as seguintes inflações médias medidas pelo IPCA: 4,29% em 2009, 4,39% em 2010 e 4,51% em 2011. O Relatório de Inflação de setembro do BC prevê para o cenário de referência, que considera a Selic no nível atual de 8,75% ao ano até final de 2011: 4,3% para 2009 e 2010 e 4,6% anual no primeiro e segundo trimestres de 2011, voltando para 4,5% no terceiro trimestre. Portanto, previsões praticamente idênticas às do mercado financeiro e comportamento da inflação ligeiramente acima do centro da meta só no primeiro semestre de 2011.



Mesmo com essas previsões de bom comportamento da inflação, o último Boletim Focus já prevê que a taxa Selic deverá subir em 2010 e 2011; essa taxa seria em média 10,0% ao final de 2010 e 10,3% ao final de 2011. Como as entidades do mercado financeiro ampliam seus lucros com a elevação da Selic é possível que estas previsões tenham um viés distorcido.



As razões apresentadas em diversas análises pelo mercado financeiro para a necessidade de elevação da Selic são: 1) forte crescimento econômico nos próximos trimestres, com uma inflação ainda baixa, mas crescente ao longo de 2010; 2) o nível de atividade atual e esperado e a inflação externa estarão operando na mesma direção de jogar a inflação para cima; 3) os juros estão muito abaixo do neutro (???) e; 4) não se espera ingerência política no processo decisório do BC em 2010.



Essas previsões parecem minimizar: 1) os efeitos da super oferta internacional de bens e serviços, que poderá durar por um bom período devido à queda do consumo norte americano, europeu e japonês, que são os maiores consumidores mundiais; 2) a desvalorização estrutural do dólar, que barateia junto com a super oferta as importações; 3) a boa safra agrícola no País prevista para 2010, com preços baixos segundo os produtores; 4) os avanços tecnológicos e de produtividade, que derrubam custos e preços e; 5) o efeito da deflação dos índices gerais de preços (IGPs) em 2009 que ajudam a derrubar a inflação do IPCA em 2010.



É possível que a continuar as inflações mensais sistematicamente abaixo das previsões do mercado a tendência da inflação em 2009 e 2010 fique abaixo de 4,0%, o que poderá levar o BC a ter que baixar a Selic para níveis mais próximos dos praticados internacionalmente.



A conferir.

Amir Khair

Segunda-feira, Setembro 28, 2009

Emir Sader: Dilma enfrentou a ditadura militar e Serra fugiu







DUAS TRAJETÓRIAS DISTINTAS

Em que mãos você gostaria que estivesse o Brasil? Qual o verdadeiro diploma que cada um tem e que conta para construir um país justo, soberano e humanista?

Nas horas mais difíceis se revela a personalidade – as forças e as fraquezas – de cada um. Os franceses puderam fazer esse teste quando foram invadidos e tinham que se decidir entre compactuar com o governo capitulacionsista de Vichy ou participar da resistência. Os italianos podiam optar entre participar da resistência clandestina ou aderir ao regime fascista. Os alemães perguntam a seus pais onde estavam no momento do nazismo.


No Brasil também, na hora negra da ditadura militar, formos todos testados na nossa firmeza na decisão de lutar contra a ditadura, entre aderir ao regime surgido do golpe, tentar ficar alheios a todas as brutalidades que sucediam ou somar-se à resistência. Poderíamos olhar para trás, para saber onde estava cada um naquele período.

Dois personagens que aparecem como pré-candidatos à presidência são casos opostos de comportamento e daí podemos julgar seu caráter, exatamente no momento mais difícil, quando não era possível esconder seus comportamentos, sua personalidade, sua coragem para enfrentar dificuldades, seus valores.

José Serra era dirigente estudantil, tinha sido presidente do Grêmio Politécnico, da Escola de Engenharia da USP. Já com aquela ânsia de poder que seguiu caracterizando-o por toda a vida, brigou duramente até conseguir ser presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE) de São Paulo e, com os mesmos meios de não se deter diante de nada, chegou a ser presidente da UNE.

Com esse cargo participou do comício da Central do Brasil, em março de 1964, poucas semanas antes do golpe. Nesse evento, foi mais radical do que todos os que discursaram, não apenas de Jango, mas de Miguel Arraes e mesmo de Leonel Brizola.

No dia do golpe, poucos dias depois, da mesma forma que as outras organizações de massa, a UNE, por seu presidente, decretou greve geral. Esperava-se que iria comandar o processo de resistência estudantil, a partir do cargo pelo qual havia lutado tanto e para o qual havia sido eleito.

No entanto, Serra saiu do Brasil no primeiro grupo de pessoas que abandonou o país. Deixou abandonada a UNE, abandonou a luta de resistência dos estudantes contra a ditadura, abandonou o cargo para o qual tinha sido eleito pelos estudantes. Essa a atitude de Serra diante da primeira adversidade.

Por isso sua biografia só menciona que foi presidente da UNE, mas nunca diz que não concluiu o mandato, abandonou a UNE e os estudantes brasileiros. Nunca se pronunciou sobre esse episódio vergonhoso da sua vida.

Os estudantes brasileiros foram em frente, rapidamente se reorganizaram e protagonizaram, a parir de 1965, o primeiro grande ciclo de mobilizações populares de resistência à ditadura, enquanto Serra vivia no exílio, longe da luta dos estudantes. Ficou claro o caráter de Serra, que só voltou ao Brasil quando já havia condições de trabalho legal da oposição, sem maiores riscos.

Outra personalidade que aparece como pré-candidata à presidência também teve que reagir diante das circunstâncias do golpe militar e da ditadura. Dilma Rousseff, estudante mineira, fez outra escolha. Optou por ficar no Brasil e participar ativamente da resistência à ditadura, primeiro das mobilizações estudantis, depois das organizações clandestinas, que buscavam criar as condições para uma luta armada contra a ditadura militar.
No episódio da comissão do Senado em que ela foi questionada por ter assumido que tinha dito mentido durante a ditadura – por um senador da direita, aliado dos tucanos de Serra -, Dilma mostrou todo o seu caráter, o mesmo com que tinha atuado na clandestinidade e resistido duramente às torturas. Disse que mentiu diante das torturas que sofreu, disse que o senador não tem idéia como é duro sofrer as torturas e mentir para salvar aos companheiros. Que se orgulha de ter se comportado dessa maneira, que na ditadura não há verdade, só mentira. Que ela o senador da base tucano-demo estavam em lados opostos: ela do lado da resistência democrática, ele do lado da ditadura, do regime de terror, que seqüestrada, desaparecia, fuzilava, torturava.

Dilma lutou na clandestinidade contra a ditadura, nessa luta foi presa, torturada , condenada, ficando detida quatro anos. Saiu para retomar a luta nas novas condições que a resistência à ditadura colocava. Entrou para o PDT de Brizola, mais tarde ingressou no PT, onde participou como secretária do governo do Rio Grande do Sul. Posteriormente foi Ministra de Minas e Energia e Ministra-chefe da Casa Civil.

Essa trajetória, em particular aquela nas condições mais difíceis, é o grande diploma de Dilma: a dignidade, a firmeza, a coerência, para realizar os ideais que assume como seus. Quem pode revelar sua trajetória com transparência e quem tem que esconder momentos fundamentais da sua vida, porque vividos nas circunstâncias mais difíceis?