POR LADISLAU DOWBOR
Ladislau Dowbor sustenta: país exige mudanças, mas para fazê-las é preciso redistribuir riqueza. Herança da ditadura, impostos atuais são injustos e bloqueiam direitos
Entrevista a Gilson Camargo, do Extra-Classe
Um certo clima de impasse marca a cena brasileira, duas semanas depois da grande onda de manifestações em junho. Qual será o próximo lance? Mídia e conservadores, ávidos por capturar os protestos, constroem uma narrativa primária, porém relativamente eficaz. Tem dois eixos: “a culpa é do governo, incompetente; será preciso apertar os cintos”. Tal simplismo, presente em toda a cobertura midiática, é duplamente funcional. Volta o foco do descontentamento contra um projeto político que a maior parte das elites não aceita; e, em especial, evita que a luta por direitos, ainda difusa, evolua para o perigoso questionamento da desigualdade.
Mas e entre os que fomos às ruas para exigir cidades habitáveis, um país menos injusto e uma nova democracia? Quais os próximos passos, após a redução das tarifas de ônibus? Que propostas são capazes de sensibilizar novamente a multidão? Como criar uma alternativa ao discurso conservador? Na busca de respostas, vale considerar o que sugere Ladislau Dowbor, um economista com vasta experiência em temas como redistribuição de riquezas e formas colaborativas de produção. Ele quer recolocar na pauta nacional o tema da Reforma Tributária. Seu raciocínio é claro: não há mágicas, na vida pública; para conquistar direitos, é preciso enfrentar privilégios; só se abre espaço para o Comum impedindo que poucos se apropriem da riqueza produzida por todos.
Ladislau constrói esta trilha com base em informação relevante e capaz de mobilizar. Ele lembra que o país ainda vive sob o sistema tributário construído pela ditadura militar em 1966. Sua característica essencial é concentrar riquezas. Ele isenta de impostos as fortunas e as grandes empresas. Fecha os olhos à sonegação e ao ocultamento de dinheiro nos centros “off-shore”. Concentra a carga tributária sobre os salários e o consumo. Como resultado, priva o Estado brasileiro dos recursos necessários a expandir direitos sociais.
O professor não se limita à crítica. Em entrevista concedida a Gilson Camargo, do valoroso jornal sindical Extra-Classe, ele elenca quatro caminhos para a Reforma Tributária. São facilmente compreensíveis e sensibilizadores. Os ricos devem pagar impostos. Os tributos precisam incidir principalmente sobre a renda (concentrando as contribuições sobre quem podem oferecê-las) e não sobre o consumo (porque neste caso, pobres pagam as mesmas alíquotas dos milionários). As atividades financeiras não podem ficar isentas. Além de arrecadar, a tributação deve, complementarmente, inibir atividades pouco desejáveis, como as que geram emissões de CO² ou produzem lixo desnecessário.
Para abraçar a Reforma Tributária, alerta Ladislau, é necessário superar um mito interesseiro. Mídia e elites alegam que “a carga tributária brasileira é altíssima” e tratam como inaceitável qualquer proposta que implique mais impostos. Vencer este tabu exige esforço. É preciso contestar dogmas com fatos. Vale muito associar tributação com justiça social e direitos. Impostos progressivos nas cidades podem, por exemplo, transformar o sistema de mobilidade urbana e ou assegurar tarifa zero.
O Brasil vive um momento raro. Centenas de milhares de pessoas, que foram às ruas, estão dispostas a examinar criticamente a sociedade em que vivem. Podem ir além dos discursos tolos — mas para tanto, é preciso abrir com elas diálogos estimulantes. Segue a entrevista em que Ladislau expõe, em detalhes, suas ideias. (A.M.)
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A aprovação do Código Tributário Nacional, em 1966, foi a última alteração no sistema de arrecadação de impostos do país. Quase meio século depois, quais são os re flexos dessa reforma?
Ladislau Dowbor – O código de 1966 é aprovado como parte de um conjunto de medidas que consolida a concentração de renda no país. Trata- -se da mesma lógica do arrocho salarial promovido com o golpe de 1964. Durante os anos 1950, expandem-se no Brasil as empresas multinacionais, com particular importância do automóvel. No país pobre da época havia a opção de reformas de base, com aumento do salário mínimo e reforma agrária, o que expandiria o mercado interno popular. E havia a opção inversa, de concentração maior ainda da renda. A primeira opção geraria mais mercado de bens populares, ou bens-salário. A segunda geraria maior mercado de luxo, expandindo a classe média e o consumo do tipo apartamento/carro/ eletrodomésticos. Esta última foi a opção imposta, e a lógica da reforma tributária foi de desonerar as classes abastadas para que pudessem comprar os produtos so fisticados produzidos pelas multinacionais. Com isso, os instrumentos distributivos da tributação, como uma elevada alíquota de Imposto de Renda, bem como impostos sobre a fortuna, sobre herança e sobre a terra foram ignorados em proveito de tributos indiretos embutidos no preço dos bens que compramos. De finiu-se assim a principal característica do sistema tributário nacional, que permanece até hoje, que é dos pobres pagarem proporcionalmente mais impostos do que os ricos, e de se abandonar a visão redistributiva dos impostos, que foi, por exemplo, o fator principal do sucesso do modelo de desenvolvimento europeu.
Por que é difícil promover nova reforma tributária? Que interesses estão em jogo e qual a relação dessa agenda com o sistema político-partidário?
A dificuldade maior reside no modelo de financiamento das campanhas políticas. Uma das heranças mais pesadas da era FHC foi a autorização, a partir de 1997, do financiamento corporativo das campanhas. Isso elevou fortemente os custos de uma eleição. Em texto recente, Alceu Castilho (jornalista, autor do livro Partido da Terra, Ed. Contexto, que revela o percentual do território brasileiro que está nas mãos de políticos) a firma que existe uma bancada da Friboi no Congresso, com 41 deputados federais eleitos e sete senadores. Dos 41 deputados financiados pela empresa, só um, o gaúcho Vieira da Cunha, votou contra as mudanças no Código Florestal. O próprio relator do Código, Paulo Piau, recebeu R$ 1,25 milhão de agropecuárias, de um total de doações para a sua campanha, que foi de R$ 2,3 milhões. A conclusão a que Castilho chega é que a Friboi não patrocinou essas campanhas para que eles votassem contra os interesses da empresa, que evidentemente é a favor das mudanças no Código Florestal, pois a plantação de soja empurra os rebanhos de gado para o Norte, para a Amazônia, o que interessa à empresa. Ou seja, com o financiamento corporativo, temos uma bancada ruralista, da grande mídia, das montadoras, dos grandes bancos, das empreiteiras, e temos de ficar à procura de uma bancada do cidadão. Esta deformação maior do próprio núcleo de aprovação das leis torna difícil, na atual composição do Congresso, e enquanto não se instituir o financiamento público e controlado das eleições, fazer qualquer modificação tributária que seja do interesse da população em geral.
Quais diretrizes devem orientar uma reforma tributária voltada para os interesses da sociedade e para os princípios da justiça tributária?
As diretrizes de uma reforma decente são bastante claras. O objetivo geral é de se assegurar que o dinheiro público seja utilizado de maneira produtiva, estimulando as atividades que promovem o desenvolvimento equilibrado, e taxando as que são mais prejudiciais. Nesse sentido busca- se desonerar as atividades que geram emprego, por exemplo, e a folha de pagamento em geral. Mas também se trata de taxar as atividades especulativas financeiras. O melhor imposto que havia no Brasil, a CPMF, taxava essencialmente as movimentações financeiras dos grandes intermediários, era simples de cobrar e favorecia o financiamento da saúde pública, tendo, portanto um impacto redistributivo. Outro princípio é de se assegurar um peso maior aos impostos diretos progressivos, como o IR com alíquota parecida com as dos EUA e Europa, reduzindo- se o peso relativo dos impostos indiretos (sobre bens de consumo), que oneram proporcionalmente mais os pobres. Um terceiro princípio está ligado à tributação sobre a riqueza familiar acumulada como, por exemplo, o imposto sobre a fortuna na França, que é pago pelos muito ricos e permite financiar o RMI, renda mínima dos mais pobres. Um quarto princípio consiste em tributar as chamadas externalidades negativas. Uma empresa que emite dióxido de carbono está gerando impactos climáticos, poluindo o meio ambiente e gerando doenças, mas não paga pelas emissões. Na Austrália, por exemplo, as maiores empresas pagam uma taxa fixa por cada tonelada de dióxido de carbono que emitem, o que as estimula a instalar filtros e a pesquisar formas mais limpas de produção.
Como explicar, para não iniciados, por que o país precisa da reforma?
De forma geral, transita pelo governo um terço do PIB do país, hoje 34% da totalidade da produção de bens e serviços. Essa carga tributária é moderada e há uma correlação rigorosa entre o tamanho do imposto e o nível de desenvolvimento: quanto mais pobre o país, menor a carga tributária, piores são os serviços públicos, o que por sua vez trava o desenvolvimento. Sai mais barato para a população ter um sistema público de transporte de massa do que ter de tirar diariamente o carro da garagem e enfrentar os engarrafamentos. Nos Estados Unidos, gasta-se US$ 7,3 mil por pessoa por ano com saúde, dominantemente com gastos privados, e resultados pífios, enquanto no Canadá vizinho, onde se gasta cerca de US$ 3,2 mil com sistema público, os resultados são incomparavelmente melhores. Assim, produzir meias e bonecas Barbie é muito mais produtivo com um sistema empresarial privado, mas saúde, educação, cultura, segurança e outros serviços essenciais para a nossa qualidade de vida funcionam melhor e tornam-se mais baratos para todos quando são assegurados com sistemas públicos, como é o caso na Inglaterra, na França e em outros países que avançaram na qualidade de vida. O mais produtivo é gerar um esforço de informação para a população. Os grupos mais ricos, que não querem mexer no imposto, colocam por toda parte os “impostômetros”, mas não vemos em nenhum lugar um “lucrômetro”. Temos pela frente um grande esforço didático, no sentido de se mostrar que não se trata do tamanho do imposto, mas sim de quem paga, sobre que atividades, e com que uso final dos recursos.
É viável alterar o sistema tributário sem promover reformas em outros setores?
Uma condição necessária para a reforma tributária é a difusão de informação honesta sobre como funciona o sistema atual, e porque ele favorece os mais ricos e frequentemente os menos produtivos. O objetivo é o que se chama normalmente de qualidade do imposto. Com a mídia que temos, hoje controlada por um oligopólio de quatro grupos, a informação é sistematicamente deformada. Por exemplo, quando foi abolida a CPMF, a revista Veja apresentou uma capa de um leão com boné de Papai Noel dizendo que o fisco estava devolvendo R$ 80 bilhões à população. Evidentemente, não se tratava de devolução nenhuma e sim da desoneração dos grandes bancos, que deixariam de pagar o imposto que incidia essencialmente sobre transações financeiras.
A lavagem de dinheiro é uma variável a ser combatida antes da reforma tributária?
Sim. Outro eixo de iniciativas paralelas à reforma tributária tem a ver com o controle dos recursos ilegais. Com a crise financeira mundial gerou-se um conjunto de atividades de busca de reforma institucional do sistema de intermediação, em particular dos grandes bancos. Os primeiros resultados mostram que o estoque de dinheiro ilegal, fruto de evasão fiscal, lavagem de dinheiro de drogas, de comércio ilegal de armas e de diversas formas de corrupção, é da ordem de US$ 21 trilhões a US$ 32 trilhões de dólares, equivalente a algo entre um terço e metade do PIB mundial, sob controle e gestão dominante de bancos americanos e britânicos, além dos tradicionais Suíça e Luxemburgo. Os dados levantados na pesquisa do Tax Justice Network mostram que se trata, no caso do Brasil, de um provável volume de US$ 520 bilhões, ou seja, cerca de 25% do PIB brasileiro.
Qual o custo para a sociedade e como combater essa subeconomia criada pelo sistema bancário para se proteger?
Essa ilegalidade e fraudes por parte dos grandes bancos internacionais, que em nome de preservar a privacidade dos seus clientes asseguram fluxos seguros e secretos de dinheiro ilegal, penalizam os pagadores honestos, em particular os assalariados cujos rendimentos são declarados pelos empregadores, e desoneram as grandes fortunas, e em particular os intermediários financeiros. Um elemento muito positivo nesse quadro de gradual construção de um marco regulatório e de busca de soluções mais adequadas é a aprovação em maio de 2012 da Lei da Transparência, que obriga todas as entidades públicas a produzir as informações sobre todas as suas atividades. É um primeiro passo importantíssimo, que deve melhorar muito a redução do sistema de corrupção, mas falta evidentemente evoluir para sistemas transparentes no setor privado, em particular na linha da “disclosure” hoje demandada por diversos governos, para que a população, ou pelo menos os bancos centrais, saibam qual é o grau de desequilíbrio financeiro que os grandes bancos estão gerando.
O senhor tem reafirmado que o país precisa sair da atual estrutura tributária regressiva – que, ao invés de captar dos mais ricos para repassar aos mais pobres na forma de serviços e assim dinamizar o conjunto da economia, cobra mais imposto dos assalariados – e adotar um sistema distributivo. O que isso significa?
A deformação do nosso sistema torna-se aparente ao compararmos os impactos do imposto sobre o coeficiente Gini, que mede a desigualdade de renda. O resultado final é a fragilidade financeira do Estado e a dificuldade de exercer uma política redistributiva. O contraste com os países desenvolvidos é evidente. Enquanto na União Europeia, depois dos impostos, o coeficiente Gini melhora em 32,6%, na média da América Latina melhora em apenas 3,8%, o que com o nível de desigualdade existente, é particularmente grave. A mesma deformação se apresenta, com algumas variações, para os diversos países da região. Acrescente-se que o sistema financeiro comercial não cumpre as suas funções de fomento. A financeirização das atividades econômicas levou à generalização das atividades especulativas e do rentismo, com particular gravidade no caso do Brasil. Com a fragilidade das finanças públicas, o desvio do uso das poupanças privadas pelo sistema bancário comercial, e a passividade dos bancos centrais na regulação do sistema de intermediação financeira – a herança do princípio da “autonomia do Banco Central” – orientar os recursos em função das necessidades do desenvolvimento torna- -se um dos principais eixos de enfrentamento.
Como reverter a relação entre a tributação regressiva e a desigualdade social, que é uma característica de grande parte das economias latino-americanas?
Após a aprovação de cláusulas mais democráticas nas leis dos países latino-americanos, a exemplo da reação pendular aos desmandos das ditaduras militares, o embate mais forte está se dando em torno da inevitável reforma tributária. Ter políticas tributárias regressivas na região mais desigual do planeta é particularmente absurdo e explica, inclusive, a persistência da própria desigualdade. Na América Latina, o imposto direto (em particular o imposto de renda que melhor permite progressividade segundo a riqueza e a renda) é da ordem de 5,6%, quando representa 15,3% nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Não é surpreendente que a pobreza dos países coincida com a baixa participação dos impostos diretos: é resultado do poder dos mais ricos de impedir a tributação que poderia visa-los. É de se notar também a fragilidade da carga da seguridade social nos países mais pobres, ainda que constantemente denunciada como excessiva na mídia conservadora. O resumo da questão é simples: os privilegiados querem guardar os seus privilégios, ainda que a sua manutenção trave o desenvolvimento do conjunto. A tributação, no entanto, é essencial à continuidade das políticas sociais.
A reforma tributária implica mudança na distribuição de renda e no modelo de desenvolvimento do país, em renúncia fiscal e impactos na Previdência. Como equacionar isso?
O Brasil instituiu desde 2003 uma política de sistemática redistribuição de renda. É um gigantesco avanço, com cerca de 40 milhões de pessoas tiradas da miséria, dinamização do consumo na base da sociedade, o que por sua vez reativou a economia e gerou mais de 15 milhões de empregos formais, criando uma dinâmica qualificada de círculo virtuoso. No entanto, com cerca de 15% dos recursos do Estado sendo diretamente redistribuídos para a sociedade sob forma de previdência, bolsa-família e outros mecanismos, a carga tributária líquida disponível para o Estado situa-se em torno de 21% do PIB, o que é relativamente limitado para um conjunto de atividades, em particular de fornecimento de serviços sociais públicos e de investimento em infraestruturas. É importante notar que uma tributação mais sólida das atividades de especulação financeira obrigaria os capitais parados em atividades rentistas a buscar aplicações produtivas na economia, o que tenderia a estimular mais as atividades. Voltamos sempre ao mesmo princípio básico, de se tributar melhor os mais ricos, os rentistas financeiros que ganham sem produzir, os recursos acumulados em paraísos fiscais, para orientar esses recursos para reforçar as políticas redistributivas.
Entrevista publicado originalmente na revista Extra Classe
O objetivo deste blog é discutir um projeto de desenvolvimento nacional para o Brasil. Esse projeto não brotará naturalmente das forças de mercado e sim de um engajamento político que direcionará os recursos do país na criação de uma nação soberana, desenvolvida e com justiça social.
domingo, julho 21, 2013
sexta-feira, julho 19, 2013
Marcelo Carneiro da Cunha: em defesa do mundial no Brasil
por Marcelo Carneiro da Cunha no Terra Magazine
Estimados milhares e milhares de leitores, jogar pra torcida é fácil, jogar pro time é necessário, jogar bola fica acima e além de tudo isso. E jogar bola é preciso.
Um treinador inglês falou que não entendia como alguém podia dizer que o futebol era assunto de vida ou morte. O futebol, dizia ele, era muito mais do que isso. O futebol é, tem que ser, uma representação da vida e da sua absoluta importância e inutilidade, e isso ele faz como nada mais faz, e por isso o amamos tanto.
E agora, nesses tempos de protestos importantes e vandalismos malucos, vem parte do povo gritar, soprar, berrar contra a Copa no Brasil.
Estimados leitores: nada mais estúpido, sem noção, sem razão, sem lógica.
Uma Copa do Mundo é uma celebração única do único esporte capaz de unir o mundo em torno de alguma coisa que todos compreendem e que não incluem tiros nem bombas. Durante uma Copa do Mundo são todos, mas todos mesmo, todo mundo com alguma compreensão do que acontece e com ao menos uma televisão por perto assistindo, vibrando, debatendo, compartilhando uma mesma coisa. Nada mais é capaz de chegar perto disso. Nada.
Eu lembro da Copa de 2002, a do Japão e Coreia e que a gente ganhou, apesar daquele topete infernal do Ronaldo. Eu lembro de ler matérias nos jornais japoneses, chineses, americanos, brasileiros, alemães, ingleses, e todos eles eram capazes de debater a mesma jogada, com os mesmos códigos, na mesma linguagem. Não acredito que exista outra ação humana capaz de produzir essa mesma sintonia e síntese. Nenhuma.
E, dessa vez, pela segunda vez na história, a Copa é aqui.
Na outra, o Brasil era rural, o presidente era Getúlio, construímos um Maracanã para 200 mil pessoas e vivemos a maior tragédia brasileira desde que o Brasil existe. Todo mundo sabe que o Brasil perdeu para o Uruguai, para si mesmo, para o nosso destino de triste nação disfuncional.
Ali, naquele momento, no gol do Gighia, nasceu o Brasil moderno, estimados leitores. Ali decidimos que esse canavial, de alguma forma ainda não bem compreendida, iria dar certo, mesmo que não assim tãaaao certo. Foi ali, numa Copa.
Em 58, em plena Suécia, começou a nossa afirmação de futuro, e ele incluía uma forma de ver e jogar futebol que iria mudar o mundo. Em 62, um Chile destroçado por um horrendo terremoto se afirmou como nação realizando a sua Copa, de qualquer jeito. Nós fomos lá e fizemos a nossa parte. Em 70, o serviço se completou, em uma Seleção que não apenas venceu, mas se tornou um ícone até hoje nos corações e mentes de um planeta. Aquela Seleção não apenas reunia o maior talento já agregado em um mesmo lado de um campo de futebol, mas ela era científica, mesmo que não percebêssemos, acostumados demais com a nossa natureza terceiro-mundista. Ela se preparou fisicamente como nenhuma outra, foi ao México para bailar e bailou, e o mundo agradece até hoje.
O Brasil que recebe a Copa de 2014 é o mesmo, e é muito outro. Esse é um país industrial, mesmo que carregue nas costas, talvez para sempre, o canavial. Ele é um país onde gastamos bilhões, bilhões, e isso não faz sequer cócegas no orçamento. Somos um país de 4,6 trilhões no PIB, sétima economia do mundo, tranqueiras à parte.
É uma pena que a Copa tenha salientado alguns dos maiores defeitos de nossa construção política. Somos um país ainda propriedade de oligarquias, que se assanham e salivam diante das belezas de uma copa. Bilhões na construção de estádios, na construção de avenidas, de metrôs, de corredores de ônibus, de aeroportos, de sistemas de telecomunicações. É uma pena. Mas, caros leitores, o mesmo acontece em todos os lugares, todos. A corrupção não é invenção ou exclusividade brasileira, mesmo que parte da imprensa nos venda essa ideia.
Por outro lado, a maior parte desses investimentos são mesmo investimentos, e não inutilidades, como foram os do Pan de 2007, como serão os da Olimpíada de 2016, isso sim, uma besteira solene, da qual ninguém ainda falou. Fora os idióticos estádios de Brasília, Cuiabá, Natal e Manaus, todos os demais serão sim os palcos do nosso novo futebol, que vai surgir a partir da Copa. Muda o cenário, muda a cena, estimados leitores. E o nosso ainda era um cenário do velho e carcomido século 20, com estádios monumentais e ultrapassados. Todos falam da Bundesliga, sem se dar conta do muito que ela deve a 2006.
A Copa vai ser, na sua vasta maior parte, uma ótima coisa para o país, no mínimo pela festa. Os gastos são nada, são amendoins, na realidade da nossa nova economia e tamanho. Manifestantes falam em bilhões como se soubessem do que estão falando. Eles simplesmente não sabem o que já gastamos em saúde e educação, e o quanto os gastos da Copa não fazem sequer cócegas. Não sabem, e tanto não sabem que defendem estupidezes como ônibus de graça, algo inexistente, porque alguém paga o almoço, sempre.
É essencial que o Brasil se rebele contra os desperdícios, contra a burrice de grande parte da classe política, contra senadores e deputados que chamam a FAB para ir até ali. Que exija transparência nos contratos dos transportes de que dependemos. Que queiram vaiar a arrogância da FIFA, com toda e toda a razão.
Mas a Copa, ela, em si, é uma ótima celebração do futebol, da vida, do mundo, e isso, estimados leitores, com ou sem infra-estrutura, é coisa que a gente sabe fazer como ninguém, e é exatamente por isso que o mundo todo está, ou estava, louquinho para vir.
Que a gente recupere a razão, recupere o equilíbrio, e separe o que é, do que não é. A Copa, ela, em si, é. E por isso, que seja muito bem vinda, que sejam todos muito bem vindos até aquele que ainda é, até prova em contrário, o país do futebol.
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Estimados milhares e milhares de leitores, jogar pra torcida é fácil, jogar pro time é necessário, jogar bola fica acima e além de tudo isso. E jogar bola é preciso.
Um treinador inglês falou que não entendia como alguém podia dizer que o futebol era assunto de vida ou morte. O futebol, dizia ele, era muito mais do que isso. O futebol é, tem que ser, uma representação da vida e da sua absoluta importância e inutilidade, e isso ele faz como nada mais faz, e por isso o amamos tanto.
E agora, nesses tempos de protestos importantes e vandalismos malucos, vem parte do povo gritar, soprar, berrar contra a Copa no Brasil.
Estimados leitores: nada mais estúpido, sem noção, sem razão, sem lógica.
Uma Copa do Mundo é uma celebração única do único esporte capaz de unir o mundo em torno de alguma coisa que todos compreendem e que não incluem tiros nem bombas. Durante uma Copa do Mundo são todos, mas todos mesmo, todo mundo com alguma compreensão do que acontece e com ao menos uma televisão por perto assistindo, vibrando, debatendo, compartilhando uma mesma coisa. Nada mais é capaz de chegar perto disso. Nada.
Eu lembro da Copa de 2002, a do Japão e Coreia e que a gente ganhou, apesar daquele topete infernal do Ronaldo. Eu lembro de ler matérias nos jornais japoneses, chineses, americanos, brasileiros, alemães, ingleses, e todos eles eram capazes de debater a mesma jogada, com os mesmos códigos, na mesma linguagem. Não acredito que exista outra ação humana capaz de produzir essa mesma sintonia e síntese. Nenhuma.
E, dessa vez, pela segunda vez na história, a Copa é aqui.
Na outra, o Brasil era rural, o presidente era Getúlio, construímos um Maracanã para 200 mil pessoas e vivemos a maior tragédia brasileira desde que o Brasil existe. Todo mundo sabe que o Brasil perdeu para o Uruguai, para si mesmo, para o nosso destino de triste nação disfuncional.
Ali, naquele momento, no gol do Gighia, nasceu o Brasil moderno, estimados leitores. Ali decidimos que esse canavial, de alguma forma ainda não bem compreendida, iria dar certo, mesmo que não assim tãaaao certo. Foi ali, numa Copa.
Em 58, em plena Suécia, começou a nossa afirmação de futuro, e ele incluía uma forma de ver e jogar futebol que iria mudar o mundo. Em 62, um Chile destroçado por um horrendo terremoto se afirmou como nação realizando a sua Copa, de qualquer jeito. Nós fomos lá e fizemos a nossa parte. Em 70, o serviço se completou, em uma Seleção que não apenas venceu, mas se tornou um ícone até hoje nos corações e mentes de um planeta. Aquela Seleção não apenas reunia o maior talento já agregado em um mesmo lado de um campo de futebol, mas ela era científica, mesmo que não percebêssemos, acostumados demais com a nossa natureza terceiro-mundista. Ela se preparou fisicamente como nenhuma outra, foi ao México para bailar e bailou, e o mundo agradece até hoje.
O Brasil que recebe a Copa de 2014 é o mesmo, e é muito outro. Esse é um país industrial, mesmo que carregue nas costas, talvez para sempre, o canavial. Ele é um país onde gastamos bilhões, bilhões, e isso não faz sequer cócegas no orçamento. Somos um país de 4,6 trilhões no PIB, sétima economia do mundo, tranqueiras à parte.
É uma pena que a Copa tenha salientado alguns dos maiores defeitos de nossa construção política. Somos um país ainda propriedade de oligarquias, que se assanham e salivam diante das belezas de uma copa. Bilhões na construção de estádios, na construção de avenidas, de metrôs, de corredores de ônibus, de aeroportos, de sistemas de telecomunicações. É uma pena. Mas, caros leitores, o mesmo acontece em todos os lugares, todos. A corrupção não é invenção ou exclusividade brasileira, mesmo que parte da imprensa nos venda essa ideia.
Por outro lado, a maior parte desses investimentos são mesmo investimentos, e não inutilidades, como foram os do Pan de 2007, como serão os da Olimpíada de 2016, isso sim, uma besteira solene, da qual ninguém ainda falou. Fora os idióticos estádios de Brasília, Cuiabá, Natal e Manaus, todos os demais serão sim os palcos do nosso novo futebol, que vai surgir a partir da Copa. Muda o cenário, muda a cena, estimados leitores. E o nosso ainda era um cenário do velho e carcomido século 20, com estádios monumentais e ultrapassados. Todos falam da Bundesliga, sem se dar conta do muito que ela deve a 2006.
A Copa vai ser, na sua vasta maior parte, uma ótima coisa para o país, no mínimo pela festa. Os gastos são nada, são amendoins, na realidade da nossa nova economia e tamanho. Manifestantes falam em bilhões como se soubessem do que estão falando. Eles simplesmente não sabem o que já gastamos em saúde e educação, e o quanto os gastos da Copa não fazem sequer cócegas. Não sabem, e tanto não sabem que defendem estupidezes como ônibus de graça, algo inexistente, porque alguém paga o almoço, sempre.
É essencial que o Brasil se rebele contra os desperdícios, contra a burrice de grande parte da classe política, contra senadores e deputados que chamam a FAB para ir até ali. Que exija transparência nos contratos dos transportes de que dependemos. Que queiram vaiar a arrogância da FIFA, com toda e toda a razão.
Mas a Copa, ela, em si, é uma ótima celebração do futebol, da vida, do mundo, e isso, estimados leitores, com ou sem infra-estrutura, é coisa que a gente sabe fazer como ninguém, e é exatamente por isso que o mundo todo está, ou estava, louquinho para vir.
Que a gente recupere a razão, recupere o equilíbrio, e separe o que é, do que não é. A Copa, ela, em si, é. E por isso, que seja muito bem vinda, que sejam todos muito bem vindos até aquele que ainda é, até prova em contrário, o país do futebol.
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quinta-feira, julho 18, 2013
Em Pauta: O trabalhador perdeu rendimento porque houve inflação?
Assuntos: Em Pauta: Inflação
É possível aferir o valor do ganho médio (ou habitual) de um trabalhador. A Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE investiga esse valor. Em janeiro de 2003, era R$ 739,30. Passados mais de dez anos, este valor alcançou R$ 1.664,70 em maio de 2013. Houve um aumento expressivo. Entretanto, é preciso descontar a inflação, já que o rendimento do trabalhador aumentou, mas também houve elevação de preços. A diferença entre o valor nominal do rendimento e a inflação expressa o ganho ou a perda real de poder de compra do salário do trabalhador.
O gráfico mostra que, entre janeiro de 2003 e maio de 2013, a variação acumulada do rendimento do trabalhador foi superior a inflação. Houve aumento real, que foi significativo. O rendimento cresceu 125,2% e a inflação no mesmo período foi de 77,7%. A diferença expressa o ganho real. Mais ainda: o gráfico mostra que os ganhos reais dos trabalhadores estão aumentando a cada mês. Desde 2006, a inflação acumulada é inferior ao aumento do rendimento dos trabalhadores.
Conclusão: não está havendo perda dos ganhos gerados nos últimos tempos. Pelo contrário, os ganhos continuam aumentando.
por João Sicsú & Ernesto Salles
*Este conteúdo integra a série Em Pauta Inflação, que será atualizada ao longo das próximas semanas.
quarta-feira, julho 17, 2013
O dedo do Lula
Do Carta Maior
Emir Sader
A sociedade brasileira teve sempre a discriminação como um dos seus pilares. A escravidão, que desqualificava, ao mesmo tempo, os negros e o trabalho – atividade de uma raça considerada inferior – foi constitutiva do Brasil, como economia, como estratificação social e como ideologia.
Uma sociedade que nunca foi majoritariamente branca, teve sempre como ideologia dominante a da elite branca, Sempre presidiram o país, ocuparam os cargos mais importantes nas FFAA, nos bancos, nos ministérios, na direção das grandes empresas, na mídia, na direção dos clubes – em todos os lugares em que se concentra o poder na sociedade, estiveram sempre os brancos.
A elite paulista representa melhor do que qualquer outro setor, esse ranço racista. Nunca assimilaram a Revoluçao de 30, menos ainda o governo do Getúlio. Foram derrotados sistematicamente pelo Getulio e pelos candidatos que ele apoiou. Atribuíam essa derrota aos “marmiteiros”- expressão depreciativa que a direita tinha para os trabalhadores, uma forma explicita de preconceito de classe.
A ideologia separatista de 1932 – que considerava São Paulo “a locomotiva da nação”, o setor dinâmico e trabalhador, que arrastava os vagões preguiçosos e atrasados dos outros estados – nunca deixou de ser o sentimento dominante da elite paulista em relação ao resto do Brasil. Os trabalhadores imigrantes, que construíram a riqueza de Sao Paulo, eram todos “baianos” ou “cabeças chatas”, trabalhadores que sobreviviam morando nas construções – como o personagem que comia gilete, da música do Vinicius e do Carlos Lira, cantada pelo Ari Toledo, com o sugestivo nome de pau-de-arara, outra denominação para os imigrantes nordestinos em Sao Paulo.
A elite paulista foi protagonista essencial nas marchas das senhoras com a igreja e a mídia, que prepararam o clima para o golpe militar e o apoiaram, incluindo o mesmo tipo de campanha de 1932, com doações de joias e outros bens para a “salvação do Brasil”- de que os militares da ditadura eram os agentes salvadores.
Terminada a ditadura, tiveram que conviver com o Lula como líder popular e o Partido dos Trabalhadores, para o qual canalizaram seu ódio de classe e seu racismo. Lula é o personagem preferencial desses sentimentos, porque sintetiza os aspectos que a elite paulista mais detesta: nordestino, não branco, operário, esquerdista, líder popular.
Não bastasse sua imagem de nordestino, de trabalhador, sua linguagem, seu caráter, está sua mão: Lula perdeu um dedo não em um jet-sky, mas na máquina, como operário metalúrgico, em um dos tantos acidentes de trabalho cotidianos, produto da super exploração dos trabalhadores. O dedo de uma mão de operário, acostumado a produzir, a trabalhar na máquina, a viver do seu próprio trabalho, a lutar, a resistir, a organizar os trabalhadores, a batalhar por seus interesses. Está inscrito no corpo do Lula, nos seus gestos, nas suas mãos, sua origem de classe. É insuportável para o racismo da elite paulista.
Essa elite racista teve que conviver com o sucesso dos governos Lula, depois do fracasso do seu queridinho – FHC, que saiu enxotado da presidência – e da sua sucessora, a Dilma. Tem que conviver com a ascensão social dos trabalhadores, dos nordestinos, dos não brancos, da vitória da esquerda, do PT, do Lula, do povo.
O ódio a Lula é um ódio de classe, vem do profundo da burguesia paulista e de setores de classe média que assumem os valores dessa burguesia. O anti-petismo é expressão disso. Os tucanos são sua representação política.
Da discriminação, do racismo, do pânico diante das ascensão das classes populares, do seu desalojo da direção do Estado, que sempre tinham exercido sem contrapontos. Os Cansei, a mídia paulista, os moradores dos Jardins, os adeptos do FHC, do Serra, do Gilmar, dos otavinhos – derrotados, desesperados, racistas, decadentes.
Emir Sader
A sociedade brasileira teve sempre a discriminação como um dos seus pilares. A escravidão, que desqualificava, ao mesmo tempo, os negros e o trabalho – atividade de uma raça considerada inferior – foi constitutiva do Brasil, como economia, como estratificação social e como ideologia.
Uma sociedade que nunca foi majoritariamente branca, teve sempre como ideologia dominante a da elite branca, Sempre presidiram o país, ocuparam os cargos mais importantes nas FFAA, nos bancos, nos ministérios, na direção das grandes empresas, na mídia, na direção dos clubes – em todos os lugares em que se concentra o poder na sociedade, estiveram sempre os brancos.
A elite paulista representa melhor do que qualquer outro setor, esse ranço racista. Nunca assimilaram a Revoluçao de 30, menos ainda o governo do Getúlio. Foram derrotados sistematicamente pelo Getulio e pelos candidatos que ele apoiou. Atribuíam essa derrota aos “marmiteiros”- expressão depreciativa que a direita tinha para os trabalhadores, uma forma explicita de preconceito de classe.
A ideologia separatista de 1932 – que considerava São Paulo “a locomotiva da nação”, o setor dinâmico e trabalhador, que arrastava os vagões preguiçosos e atrasados dos outros estados – nunca deixou de ser o sentimento dominante da elite paulista em relação ao resto do Brasil. Os trabalhadores imigrantes, que construíram a riqueza de Sao Paulo, eram todos “baianos” ou “cabeças chatas”, trabalhadores que sobreviviam morando nas construções – como o personagem que comia gilete, da música do Vinicius e do Carlos Lira, cantada pelo Ari Toledo, com o sugestivo nome de pau-de-arara, outra denominação para os imigrantes nordestinos em Sao Paulo.
A elite paulista foi protagonista essencial nas marchas das senhoras com a igreja e a mídia, que prepararam o clima para o golpe militar e o apoiaram, incluindo o mesmo tipo de campanha de 1932, com doações de joias e outros bens para a “salvação do Brasil”- de que os militares da ditadura eram os agentes salvadores.
Terminada a ditadura, tiveram que conviver com o Lula como líder popular e o Partido dos Trabalhadores, para o qual canalizaram seu ódio de classe e seu racismo. Lula é o personagem preferencial desses sentimentos, porque sintetiza os aspectos que a elite paulista mais detesta: nordestino, não branco, operário, esquerdista, líder popular.
Não bastasse sua imagem de nordestino, de trabalhador, sua linguagem, seu caráter, está sua mão: Lula perdeu um dedo não em um jet-sky, mas na máquina, como operário metalúrgico, em um dos tantos acidentes de trabalho cotidianos, produto da super exploração dos trabalhadores. O dedo de uma mão de operário, acostumado a produzir, a trabalhar na máquina, a viver do seu próprio trabalho, a lutar, a resistir, a organizar os trabalhadores, a batalhar por seus interesses. Está inscrito no corpo do Lula, nos seus gestos, nas suas mãos, sua origem de classe. É insuportável para o racismo da elite paulista.
Essa elite racista teve que conviver com o sucesso dos governos Lula, depois do fracasso do seu queridinho – FHC, que saiu enxotado da presidência – e da sua sucessora, a Dilma. Tem que conviver com a ascensão social dos trabalhadores, dos nordestinos, dos não brancos, da vitória da esquerda, do PT, do Lula, do povo.
O ódio a Lula é um ódio de classe, vem do profundo da burguesia paulista e de setores de classe média que assumem os valores dessa burguesia. O anti-petismo é expressão disso. Os tucanos são sua representação política.
Da discriminação, do racismo, do pânico diante das ascensão das classes populares, do seu desalojo da direção do Estado, que sempre tinham exercido sem contrapontos. Os Cansei, a mídia paulista, os moradores dos Jardins, os adeptos do FHC, do Serra, do Gilmar, dos otavinhos – derrotados, desesperados, racistas, decadentes.
Brasil atinge menor nível de desigualdade social desde 1960 País teve forte avanço durante 2011
País teve forte avanço durante 2011, mas ainda assim permanece entre as 12 nações mais desiguais do mundo
RIO - O Brasil atingiu em 2012 o menor nível de desigualdade desde 1960, apesar da crise na Europa, De acordo com a pesquisa "De volta ao País do Futuro" do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (CPS/FGV), o índice de Gini - que varia de 0 a 1, sendo menos desigual mais próximo de zero -, caiu 2,1% de janeiro de 2011 a janeiro de 2012, chegando a 0,5190.
A projeção da FGV é que a desigualdade continue se reduzindo ano País, levando o índice a 0,51407 em 2014. "A má notícia é que ainda somos muito desiguais e estamos entre os 12 países mais desiguais do mundo. Mas a queda de 2001 para cá é espetacular e deve continuar", afirmou Marcelo Neri, coordenador da pesquisa.
A FGV mostra que a renda familiar per capita média do brasileiro cresceu 2,7% nos 12 meses encerrados em janeiro. É o mesmo crescimento registrado de 2002 a 2008, período considerado uma era de ouro mundial, e superior ao 0% de 2009, em função da crise financeira daquele ano.
A pobreza no País também caiu entre janeiro do ano passado e janeiro deste ano: -7,9%, ritmo três vezes mais rápido do que da meta do milênio da ONU. Isso depois de uma redução de 11,7% na pobreza de maio de 2010 a maio de 2011, quando o Brasil crescia mais.
Segundo Neri, a redução da desigualdade foi fundamental para este resultado na pobreza. Ele cita que na última década a renda dos 50% mais pobres do Brasil cresceu 68%, enquanto a dos 10% mais ricos cresceu apenas 10%.
RIO - O Brasil atingiu em 2012 o menor nível de desigualdade desde 1960, apesar da crise na Europa, De acordo com a pesquisa "De volta ao País do Futuro" do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (CPS/FGV), o índice de Gini - que varia de 0 a 1, sendo menos desigual mais próximo de zero -, caiu 2,1% de janeiro de 2011 a janeiro de 2012, chegando a 0,5190.
A projeção da FGV é que a desigualdade continue se reduzindo ano País, levando o índice a 0,51407 em 2014. "A má notícia é que ainda somos muito desiguais e estamos entre os 12 países mais desiguais do mundo. Mas a queda de 2001 para cá é espetacular e deve continuar", afirmou Marcelo Neri, coordenador da pesquisa.
A FGV mostra que a renda familiar per capita média do brasileiro cresceu 2,7% nos 12 meses encerrados em janeiro. É o mesmo crescimento registrado de 2002 a 2008, período considerado uma era de ouro mundial, e superior ao 0% de 2009, em função da crise financeira daquele ano.
A pobreza no País também caiu entre janeiro do ano passado e janeiro deste ano: -7,9%, ritmo três vezes mais rápido do que da meta do milênio da ONU. Isso depois de uma redução de 11,7% na pobreza de maio de 2010 a maio de 2011, quando o Brasil crescia mais.
Segundo Neri, a redução da desigualdade foi fundamental para este resultado na pobreza. Ele cita que na última década a renda dos 50% mais pobres do Brasil cresceu 68%, enquanto a dos 10% mais ricos cresceu apenas 10%.
Democratização da mídia é prioritária para a defesa da soberania', diz embaixador
Samuel Pinheiro Guimarães alerta para riscos decorrentes do atual 'controle dos meios de comunicação pelas classes hegemônicas mundiais'
por Leonardo Wexell Severo, Revista Fórum
ROBERTO PARIZOTTI
Samuel Pinheiro Guimarães
Ex-ministro do governo Lula cobrou marco regulatório para a mídia e distribuição das verbas publicitárias do governo
“O controle dos meios de comunicação é essencial para o domínio da classe hegemônica mundial. Como esses meios são formuladores ideológicos, servem para a elaboração de conceitos, para levar sua posição e visão de mundo. Daí a razão da democratização da mídia ser uma questão prioritária”, afirmou o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães no debate “O Brasil frente aos grandes desafios mundiais”, realizado nesta terça-feira na Universidade Federal do ABC.
Ex-ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (2009-2010) e ex-secretário geral do Itamaraty (2003-2009) no governo do presidente Lula, o embaixador defendeu a campanha do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) por um novo marco regulatório para o setor. Segundo ele, uma relevante contribuição à democracia e à própria soberania nacional, diante da intensa disputa política e ideológica numa “economia profundamente penetrada pelo capital internacional”.
Entre as iniciativas para garantir o surgimento e estabelecimento de novas mídias, apontou, está a “distribuição das verbas publicitárias do governo”, desconcentrando os recursos públicos e repartindo de forma justa e plural. “O critério de audiência, que vem sendo utilizado, privilegia o monopólio e o oligopólio”, sublinhou.
O embaixador também condenou o fato de que um mesmo grupo possa deter emissoras de rádio e televisão, jornais e revistas – a chamada propriedade cruzada. Conforme Samuel, esta concentração acaba concedendo um poder completamente desmedido para alguns poucos divulgarem as suas opiniões como verdade absoluta. “Quando Estados como a Argentina, o Equador e a Venezuela aprovam leis para democratizar a comunicação, a mídia responde com uma campanha extraordinária, como se isso fosse censura à imprensa”, lembrou.
Manipulação
Em função dos interesses da classe dominante, alertou o embaixador, a mídia hegemônica pode, sem qualquer conexão com a realidade, “demonstrar que um regime político da maioria é uma ditadura e realizar campanhas sistemáticas que permitam uma intervenção externa, com o argumento que determinado governo oprime os direitos humanos”. “Podem inclusive se aproveitar de manifestações pacíficas para infiltrar agentes provocadores que estimulem o confronto”, alertou.
Uma vez criado o caldo de cultura, soma-se à campanha de difamação e manipulação das consciências a intervenção militar, como aconteceu contra o governo de Muamar Kadafi. “Na Líbia houve a derrubada de um governo que lhes era contrário, não foi ação defensiva dos direitos humanos em hipótese nenhuma”, frisou. Na avaliação de Samuel, “os Estados Unidos têm um projeto muito claro de manter o seu controle militar e informativo”, que utilizam de forma alternada e complementar. “Contra os governos que contrariam frontalmente os seus interesses, os EUA têm um uma política declarada de ‘mudança de regime’. Para isso, sem grandes embaraços, qualquer movimento pode ser instrumentalizado”, assinalou.
Entre os muitos exemplos de manipulação citados pelo embaixador está o “esforço da política neoliberal para reduzir direitos”, utilizando-se da campanha pelo “aumento da competitividade”. ”O receituário que defendem é o de reduzir programas sociais, controle orçamentário e reduzir os benefícios da legislação trabalhista. Para isso disseminam ideias como a de que as empresas nacionais não são produtivas”, destacou Samuel.
Também condenando a manipulação da informação e o papel desempenhado por setores da mídia, o professor Paulo Fagundes Vizentini, coordenador do Núcleo de Estratégia e Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, considerou inadmissível que “os mesmos que bombardeiam e ocupam militarmente países soberanos venham agora dar lições de direitos humanos”.
“Antes era feio não ter opinião, hoje é ideológico, que mais se parece com fisiológico”, disse Vizentini, defendendo a afirmação do interesse público e da soberania nacional, e combatendo “os que querem que o país fique na segunda divisão, desde que sejam o capitão do time”.
O professor sublinhou o papel estratégico e singular proporcionado pela descoberta do pré-sal, tanto do ponto de vista energético, como geopolítico, e alertou para a necessidade de que o Brasil tenha os elementos de dissuasão para impedir que esse imenso patrimônio venha a ser apropriado militarmente pelos estrangeiros. “Para isso temos de enfrentar os espíritos fracos e colonizados. O colonialismo é o mais difícil de combater, porque está dentro da nossa cabeça”, frisou.
Para o secretário de Relações Internacionais do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, Pedro Bocca, “o fortalecimento dos espaços de mídia dos movimentos sociais, como a TeleSur, a Alba TV e a TVT, com sua divulgação em canal aberto, são uma necessidade do momento para o avanço da própria integração”. “Nesse momento, o investimento do governo é essencial para combater a desinformação e garantir a efetiva democratização da comunicação e do país”, concluiu.
por Leonardo Wexell Severo, Revista Fórum
ROBERTO PARIZOTTI
Samuel Pinheiro Guimarães
Ex-ministro do governo Lula cobrou marco regulatório para a mídia e distribuição das verbas publicitárias do governo
“O controle dos meios de comunicação é essencial para o domínio da classe hegemônica mundial. Como esses meios são formuladores ideológicos, servem para a elaboração de conceitos, para levar sua posição e visão de mundo. Daí a razão da democratização da mídia ser uma questão prioritária”, afirmou o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães no debate “O Brasil frente aos grandes desafios mundiais”, realizado nesta terça-feira na Universidade Federal do ABC.
Ex-ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (2009-2010) e ex-secretário geral do Itamaraty (2003-2009) no governo do presidente Lula, o embaixador defendeu a campanha do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) por um novo marco regulatório para o setor. Segundo ele, uma relevante contribuição à democracia e à própria soberania nacional, diante da intensa disputa política e ideológica numa “economia profundamente penetrada pelo capital internacional”.
Entre as iniciativas para garantir o surgimento e estabelecimento de novas mídias, apontou, está a “distribuição das verbas publicitárias do governo”, desconcentrando os recursos públicos e repartindo de forma justa e plural. “O critério de audiência, que vem sendo utilizado, privilegia o monopólio e o oligopólio”, sublinhou.
O embaixador também condenou o fato de que um mesmo grupo possa deter emissoras de rádio e televisão, jornais e revistas – a chamada propriedade cruzada. Conforme Samuel, esta concentração acaba concedendo um poder completamente desmedido para alguns poucos divulgarem as suas opiniões como verdade absoluta. “Quando Estados como a Argentina, o Equador e a Venezuela aprovam leis para democratizar a comunicação, a mídia responde com uma campanha extraordinária, como se isso fosse censura à imprensa”, lembrou.
Manipulação
Em função dos interesses da classe dominante, alertou o embaixador, a mídia hegemônica pode, sem qualquer conexão com a realidade, “demonstrar que um regime político da maioria é uma ditadura e realizar campanhas sistemáticas que permitam uma intervenção externa, com o argumento que determinado governo oprime os direitos humanos”. “Podem inclusive se aproveitar de manifestações pacíficas para infiltrar agentes provocadores que estimulem o confronto”, alertou.
Uma vez criado o caldo de cultura, soma-se à campanha de difamação e manipulação das consciências a intervenção militar, como aconteceu contra o governo de Muamar Kadafi. “Na Líbia houve a derrubada de um governo que lhes era contrário, não foi ação defensiva dos direitos humanos em hipótese nenhuma”, frisou. Na avaliação de Samuel, “os Estados Unidos têm um projeto muito claro de manter o seu controle militar e informativo”, que utilizam de forma alternada e complementar. “Contra os governos que contrariam frontalmente os seus interesses, os EUA têm um uma política declarada de ‘mudança de regime’. Para isso, sem grandes embaraços, qualquer movimento pode ser instrumentalizado”, assinalou.
Entre os muitos exemplos de manipulação citados pelo embaixador está o “esforço da política neoliberal para reduzir direitos”, utilizando-se da campanha pelo “aumento da competitividade”. ”O receituário que defendem é o de reduzir programas sociais, controle orçamentário e reduzir os benefícios da legislação trabalhista. Para isso disseminam ideias como a de que as empresas nacionais não são produtivas”, destacou Samuel.
Também condenando a manipulação da informação e o papel desempenhado por setores da mídia, o professor Paulo Fagundes Vizentini, coordenador do Núcleo de Estratégia e Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, considerou inadmissível que “os mesmos que bombardeiam e ocupam militarmente países soberanos venham agora dar lições de direitos humanos”.
“Antes era feio não ter opinião, hoje é ideológico, que mais se parece com fisiológico”, disse Vizentini, defendendo a afirmação do interesse público e da soberania nacional, e combatendo “os que querem que o país fique na segunda divisão, desde que sejam o capitão do time”.
O professor sublinhou o papel estratégico e singular proporcionado pela descoberta do pré-sal, tanto do ponto de vista energético, como geopolítico, e alertou para a necessidade de que o Brasil tenha os elementos de dissuasão para impedir que esse imenso patrimônio venha a ser apropriado militarmente pelos estrangeiros. “Para isso temos de enfrentar os espíritos fracos e colonizados. O colonialismo é o mais difícil de combater, porque está dentro da nossa cabeça”, frisou.
Para o secretário de Relações Internacionais do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, Pedro Bocca, “o fortalecimento dos espaços de mídia dos movimentos sociais, como a TeleSur, a Alba TV e a TVT, com sua divulgação em canal aberto, são uma necessidade do momento para o avanço da própria integração”. “Nesse momento, o investimento do governo é essencial para combater a desinformação e garantir a efetiva democratização da comunicação e do país”, concluiu.
As Mudanças na Indústria Naval - 2
Coluna Econômica - 17/7/2013
A indústria naval brasileira é uma realidade. Na opinião de Sérgio Leal, Secretário Executivo do SINAVAL (Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore), “nunca houve tamanha concentração de esforços, poderes de Estado e vontade política: políticas públicas adequadas, vontade política de governos estaduais, parceria e colaboração do setor privado e das universidades, foco na parceria tecnológica com multinacionais”.
“Acabou o velho modelo de importar simplesmente, sem absorção de tecnologia”, explica ele. “Hoje em dia, há de 15 a 20 delegações internacionais todo ano visitando o sindicato e buscando parcerias brasileiras para desenvolver os produtos encomendados pela Petrobras”.
***
Dos grandes grupos multinacionais, há 19 grandes empresas participando diretamente no capital dos estaleiros e 12 grandes empresas como fornecedoras. Há um adensamento amplo da cadeia produtiva de fornecedores, passando pelas áreas de projetos, sistemas de navegação, integração de módulos, motores, fornecimento de combustíveis e navios, tintas, guindastes.
“Existe um trabalho de bastidores que a opinião pública mal conhece”, insiste Leal.
***
O modelo brasileiro começou no final dos anos 90, com os primeiros programas de aquisição de navios pela Petrobras. Acelerou-se nos últimos três governos, com o lançamento de novos programas, como o Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef).
À medida em que os navios iam sendo entregues, aprimorava-se a curva de aprendizado, diz Leal.
Quando a Petrobras fez a encomenda de 49 navios – com conteúdo mínimo nacional – imaginou um pacote que, ao longo do tempo, permitiria ganhos sucessivos e, no final, atingisse a margem média de 10% acima dos preços internacionais. Conseguiu.
***
Hoje em dia o setor tem carteira de 353 obras em andamento, que aumentou o contingente empregado em 9 mil pessoas, perfazendo 70 mil – mais de 4 a 5 trabalhadores na cadeia de fornecedores. As obras vão de plataformas de produção, construção e integração de módulos a sondas de perfuração e navios porta-containers.
***
É a partir dessa base, que haverá a necessidade de abrir a discussão final.
Todo grande país que participa dos fretes internacionais incentivou suas empresas e crescerem e dominarem o mercado. Até alguns anos atrás havia a Conferência de Frete, que garantia 40% do frete a cada parceiro comercial e 20% para outras companhias. Esse modelo acabou engolfado pela liberalização financeira dos anos 90.
Hoje em dia, o frete internacional é dominado por poucas grandes empresas, proprietárias de centenas de navios. Em menos de dez anos lograram aumentar em quase 80% o custo dos fretes, em 10% apenas nos últimos três meses.
No Brasil, conseguem benefícios inéditos: a companhia estrangeira que se abastece de combustíveis por aqui é isenta de tributos, a brasileira, não.
***
Os próximos passos serão a montagem de uma política de fretes internacionais; uma política clara para a navegação de cabotagem (na costa brasileira) e o incentivo à ligação hidroviária brasileira.
O básico – a indústria naval – o país já tem.
Email: luisnassif@ig.com.br
Blog: www.luisnassif.com.br
A imprensa brasileira, a economia e a política
Evaristo Almeida*
O objetivo desta pauta é discutir como a grande imprensa brasileira, chamada de Partido da Imprensa Golpista – PIG, por Paulo Henrique Amorim, trabalha com a economia.
Claramente que os comentaristas econômicos, os quais denomino de “palpiteiros econômicos”, usam mais ideologia neoliberal para tratar da economia brasileira do que da racionalidade econômica.
Ideologia neoliberal é aquela contra o trabalhador e o Brasil. Eles defendem a idéia de um país para apenas um terço da população que estaria incluída e os outros dois terços seriam competência das “forças de mercado”. Se tiver emprego bom, se não, a causa é o mercado. A renda se não subir é porque o mercado não comporta salários melhores.
Dessa forma decisões que dependem muito da política ficariam relegados a um ente que é uma aberração criada pelos grupos dominantes, que são as forças de mercado.
Os palpiteiros econômicos defendem ainda juros altos, por que beneficia a subelite brasileira. O conceito de subelite é de um grupo dominante num país, mas que não está dentro do projeto desta nação.
Esse grupo está atrelado ao projeto de nação dos Estados Unidos, da Europa e do Japão. O povo brasileiro para eles é apenas para criar “mais valia” da qual se apropriam.
Dessa forma os interesses da subelite brasileira não são os mesmos do povo brasileiro. Eles são vassalos de interesses de outros países. E os seus governos são fantoches a serviço desses povos.
A existência dos palpiteiros econômicos é justamente para legalizar uma situação esdrúxula como a que o Brasil viveu até 2003. Um país rico, que produz muita riqueza, mas com um povo pobre e vivendo à míngua.
Atualmente apostam no terrorismo inflacionário para tentar derrubar a Presidenta da República. Forçaram com o tomate e desde 2011 o assunto foi tratado de forma como se o país estivesse numa hiperinflação.
E, pelas últimas pesquisas, eles têm conseguido pautar o medo da volta da inflação no povo brasileiro. Assim como do desemprego.
É o ditado “água mole em pedra dura”...
Os palpiteiros econômicos são uniformes, todos eles escrevem e falam o mesmo texto, seguem a mesma linha definida pela oposição. Eles só estão lá porque fazem esse serviço.
Alguém com outra visão da economia não é contratado porque o objetivo não é a verdade fatual e sim criar um clima propício a volta do PSDB ao governo federal em 2014.
A oposição conta com esse grupo de “comentaristas econômicos” a seu favor, onde se destacam Miriam Leitão e Carlos Sardenberg na Globo e quem escreve os cadernos de economia nos jornais Folha de São Paulo, Estado de São Paulo e revista Veja.
Assim como tem os “comentaristas políticos” como Cristina Lobo, Eliane Cantanhêde, Merval Pereira e outros que nunca criticam o PSDB. Tratam esse partido como se nele só tivessem imaculados. O contrário acontece com o PT, partido atacado diariamente por eles.
Fato notável foi a definição de “pibinho”, ao Produto Interno Bruto de 2012. O mundo passando pela maior crise econômica desde 1929, em que o normal seria juros altos, desemprego em massa, crise cambial e outras desgraças porque passaram o país no período do Fernando Henrique Cardoso e mesmo com a reação brasileira contrária ao que aconteceu nos anos 1990, a crítica foi sistemática ao governo federal.
O que deveria ser elogios ao fato do governo federal ter conseguido manter o quase pleno emprego, diminuir a taxa de juros e controlar a inflação foi dado como fracasso.
Assim é importante desmascarar os interesses daqueles que fingem ser comentaristas de economia. Estão a serviço do grande capital, da oposição ao governo federal e contra os trabalhadores brasileiros.
Quem já viu algum “comentarista econômico” defender a jornada de 40 horas semanais? Imposto sobre grandes fortunas? Melhoria do salário mínimo? Porque eles nunca falam em desenvolvimento social e econômico? Porque nunca elogiaram a política exitosa de reconstrução da indústria naval brasileira? Porque foram contra a baixa dos juros faz pouco tempo? Porque praticam o terrorismo inflacionário que é um crime contra a economia popular? Porque nunca criticaram as somas vergonhosas pagas pelos governos brasileiros as 20 mil famílias mais ricas do país, via juros? Porque não comentam sobre os juros bancários no Brasil, muito acima do restante do planeta?
E lembrar que durante todo o mandato fantoche do Fernando Henrique Cardoso e sua política econômica nefasta que só trouxe dissabores e miséria ao povo brasileiro, teve a complacência e o apoio enfático dos "comentaristas econômicos" que hoje pregam o caos.
Essas são só algumas considerações que devemos levar em conta quando estivermos lendo um jornal, revista ou assistindo o que escrevem e dizem os palpiteiros econômicos.
•Evaristo Almeida - Mestre em Economia Política pela PUC-SP
O objetivo desta pauta é discutir como a grande imprensa brasileira, chamada de Partido da Imprensa Golpista – PIG, por Paulo Henrique Amorim, trabalha com a economia.
Claramente que os comentaristas econômicos, os quais denomino de “palpiteiros econômicos”, usam mais ideologia neoliberal para tratar da economia brasileira do que da racionalidade econômica.
Ideologia neoliberal é aquela contra o trabalhador e o Brasil. Eles defendem a idéia de um país para apenas um terço da população que estaria incluída e os outros dois terços seriam competência das “forças de mercado”. Se tiver emprego bom, se não, a causa é o mercado. A renda se não subir é porque o mercado não comporta salários melhores.
Dessa forma decisões que dependem muito da política ficariam relegados a um ente que é uma aberração criada pelos grupos dominantes, que são as forças de mercado.
Os palpiteiros econômicos defendem ainda juros altos, por que beneficia a subelite brasileira. O conceito de subelite é de um grupo dominante num país, mas que não está dentro do projeto desta nação.
Esse grupo está atrelado ao projeto de nação dos Estados Unidos, da Europa e do Japão. O povo brasileiro para eles é apenas para criar “mais valia” da qual se apropriam.
Dessa forma os interesses da subelite brasileira não são os mesmos do povo brasileiro. Eles são vassalos de interesses de outros países. E os seus governos são fantoches a serviço desses povos.
A existência dos palpiteiros econômicos é justamente para legalizar uma situação esdrúxula como a que o Brasil viveu até 2003. Um país rico, que produz muita riqueza, mas com um povo pobre e vivendo à míngua.
Atualmente apostam no terrorismo inflacionário para tentar derrubar a Presidenta da República. Forçaram com o tomate e desde 2011 o assunto foi tratado de forma como se o país estivesse numa hiperinflação.
E, pelas últimas pesquisas, eles têm conseguido pautar o medo da volta da inflação no povo brasileiro. Assim como do desemprego.
É o ditado “água mole em pedra dura”...
Os palpiteiros econômicos são uniformes, todos eles escrevem e falam o mesmo texto, seguem a mesma linha definida pela oposição. Eles só estão lá porque fazem esse serviço.
Alguém com outra visão da economia não é contratado porque o objetivo não é a verdade fatual e sim criar um clima propício a volta do PSDB ao governo federal em 2014.
A oposição conta com esse grupo de “comentaristas econômicos” a seu favor, onde se destacam Miriam Leitão e Carlos Sardenberg na Globo e quem escreve os cadernos de economia nos jornais Folha de São Paulo, Estado de São Paulo e revista Veja.
Assim como tem os “comentaristas políticos” como Cristina Lobo, Eliane Cantanhêde, Merval Pereira e outros que nunca criticam o PSDB. Tratam esse partido como se nele só tivessem imaculados. O contrário acontece com o PT, partido atacado diariamente por eles.
Fato notável foi a definição de “pibinho”, ao Produto Interno Bruto de 2012. O mundo passando pela maior crise econômica desde 1929, em que o normal seria juros altos, desemprego em massa, crise cambial e outras desgraças porque passaram o país no período do Fernando Henrique Cardoso e mesmo com a reação brasileira contrária ao que aconteceu nos anos 1990, a crítica foi sistemática ao governo federal.
O que deveria ser elogios ao fato do governo federal ter conseguido manter o quase pleno emprego, diminuir a taxa de juros e controlar a inflação foi dado como fracasso.
Assim é importante desmascarar os interesses daqueles que fingem ser comentaristas de economia. Estão a serviço do grande capital, da oposição ao governo federal e contra os trabalhadores brasileiros.
Quem já viu algum “comentarista econômico” defender a jornada de 40 horas semanais? Imposto sobre grandes fortunas? Melhoria do salário mínimo? Porque eles nunca falam em desenvolvimento social e econômico? Porque nunca elogiaram a política exitosa de reconstrução da indústria naval brasileira? Porque foram contra a baixa dos juros faz pouco tempo? Porque praticam o terrorismo inflacionário que é um crime contra a economia popular? Porque nunca criticaram as somas vergonhosas pagas pelos governos brasileiros as 20 mil famílias mais ricas do país, via juros? Porque não comentam sobre os juros bancários no Brasil, muito acima do restante do planeta?
E lembrar que durante todo o mandato fantoche do Fernando Henrique Cardoso e sua política econômica nefasta que só trouxe dissabores e miséria ao povo brasileiro, teve a complacência e o apoio enfático dos "comentaristas econômicos" que hoje pregam o caos.
Essas são só algumas considerações que devemos levar em conta quando estivermos lendo um jornal, revista ou assistindo o que escrevem e dizem os palpiteiros econômicos.
•Evaristo Almeida - Mestre em Economia Política pela PUC-SP
terça-feira, julho 16, 2013
Coluna Econômica - 16/7/2013
Do Nassif
Um psiquiatra que se dispusesse a definir o humor da velha mídia, certamente a enquadraria na categoria de PMD (Psicose Maníaco Depressivo), com muito mais inclinação pelo depressivo. Aparentemente, nada está dando certo no país.
É engano.
Tome-se o que está ocorrendo no setor naval. É uma revolução, um sucesso de política industrial como não se via desde que a crise do petróleo, em fins dos anos 70, liquidou com o sonho do país grande.
***
A revolução começou quando surgiu o pré-sal e o então presidente Lula convocou a Ministra-Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff para a missão de devolver ao setor naval brasileiro o brilho dos anos 70 - quando chegou a ser dos maiores do mundo.
A política industrial foi traçada valendo-se de todas as ferramentas de que o governo passou a dispor, com o pré-sal:
1. Mudou-se o sistema de exploração para partilha, conferindo à Petrobras o controle sobre as operações do pré-sal. Ela se tornou a grande contratadora de plataformas, navios, embarcações e serviços.
2. Definiram-se regras para conteúdo local, subordinadas à manutenção da competitividade internacional.
3. Juntaram-se todos os agentes públicos e privados em dois fóruns, o Prominp - da Petrobras e seus fornecedores - e o Plano Brasil Maior.
***
Surgiram quatro pólos robustos, dentro das três vocações básicas, conforme explicou Augusto Mendonça, presidente da Abenave (Associação Brasileira das Empresas do Setor Naval e OffShore), em seminário promovido pelo projeto Brasilianas.org:
1. Construção de plataformas e sondas, base do polo do rio Grande do Sul.
2. Embarcações especializadas, forte concentração em Santa Catarina, com 4 estaleiros em operação e um em implantação, para embarcações de apoio.
3. Construção de navios, polo em Pernambuco, com dois estaleiros.
4. Polo do Rio de Janeiro, representando mais de 50% da indústria, com estaleiros nas três atividades.
***
No total, já existem 26 estaleiros em operação e 11 em implantação, que estarão operando a plena carga até 2016. No momento, a capacidade de processamento de aço é de 570 mil toneladas/ano. Até 2016, serão 1,2 milhão de t/ano.
Dos atuais 62 mil empregos diretos, se passará a 100 mil em 2016.
***
Até 2020, as encomendas perfazem US$ 80 bi para plataformas de produção e sondas de perfuração, US$ 14 bi para embarcações especializadas e US$ 7 bi para navios petroleiros.
Como explica Augusto Mendonça, todos os estaleiros são de última geração, com alta capacidade de produção e com investimentos levando em conta o mercado que se tem pela frente.
A responsabilidade do conteúdo local é do estaleiro. Ele é que tem que procurar fornecedores com conteúdo local, preço e qualidade adequadas.
À medida em que a cadeia local vai se aprimorando, aumentam os índices de nacionalização. No caso da plataforma P-54, do estaleiro Mauá-Jurong alcançou 68%% de conteúdo local. A P-56, do estaleiro Brasfels, chegou a 73%. O navio Celso Furtado, do estaleiro Mauá, a 76%.
***
Ao mesmo tempo, missões de empresários brasileiros visitaram os quatro países referência da indústria naval - Inglaterra, Noruega, Coreia e Singapura.
É o primeiro passo. Os próximos serão o fortalecimento da navegação de cabotagem e da hidroviária - alicerçados na industria naval e na nova lei dos portos.
Email: luisnassif@ig.com.br
Blog: www.luisnassif.com.br
Um psiquiatra que se dispusesse a definir o humor da velha mídia, certamente a enquadraria na categoria de PMD (Psicose Maníaco Depressivo), com muito mais inclinação pelo depressivo. Aparentemente, nada está dando certo no país.
É engano.
Tome-se o que está ocorrendo no setor naval. É uma revolução, um sucesso de política industrial como não se via desde que a crise do petróleo, em fins dos anos 70, liquidou com o sonho do país grande.
***
A revolução começou quando surgiu o pré-sal e o então presidente Lula convocou a Ministra-Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff para a missão de devolver ao setor naval brasileiro o brilho dos anos 70 - quando chegou a ser dos maiores do mundo.
A política industrial foi traçada valendo-se de todas as ferramentas de que o governo passou a dispor, com o pré-sal:
1. Mudou-se o sistema de exploração para partilha, conferindo à Petrobras o controle sobre as operações do pré-sal. Ela se tornou a grande contratadora de plataformas, navios, embarcações e serviços.
2. Definiram-se regras para conteúdo local, subordinadas à manutenção da competitividade internacional.
3. Juntaram-se todos os agentes públicos e privados em dois fóruns, o Prominp - da Petrobras e seus fornecedores - e o Plano Brasil Maior.
***
Surgiram quatro pólos robustos, dentro das três vocações básicas, conforme explicou Augusto Mendonça, presidente da Abenave (Associação Brasileira das Empresas do Setor Naval e OffShore), em seminário promovido pelo projeto Brasilianas.org:
1. Construção de plataformas e sondas, base do polo do rio Grande do Sul.
2. Embarcações especializadas, forte concentração em Santa Catarina, com 4 estaleiros em operação e um em implantação, para embarcações de apoio.
3. Construção de navios, polo em Pernambuco, com dois estaleiros.
4. Polo do Rio de Janeiro, representando mais de 50% da indústria, com estaleiros nas três atividades.
***
No total, já existem 26 estaleiros em operação e 11 em implantação, que estarão operando a plena carga até 2016. No momento, a capacidade de processamento de aço é de 570 mil toneladas/ano. Até 2016, serão 1,2 milhão de t/ano.
Dos atuais 62 mil empregos diretos, se passará a 100 mil em 2016.
***
Até 2020, as encomendas perfazem US$ 80 bi para plataformas de produção e sondas de perfuração, US$ 14 bi para embarcações especializadas e US$ 7 bi para navios petroleiros.
Como explica Augusto Mendonça, todos os estaleiros são de última geração, com alta capacidade de produção e com investimentos levando em conta o mercado que se tem pela frente.
A responsabilidade do conteúdo local é do estaleiro. Ele é que tem que procurar fornecedores com conteúdo local, preço e qualidade adequadas.
À medida em que a cadeia local vai se aprimorando, aumentam os índices de nacionalização. No caso da plataforma P-54, do estaleiro Mauá-Jurong alcançou 68%% de conteúdo local. A P-56, do estaleiro Brasfels, chegou a 73%. O navio Celso Furtado, do estaleiro Mauá, a 76%.
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Ao mesmo tempo, missões de empresários brasileiros visitaram os quatro países referência da indústria naval - Inglaterra, Noruega, Coreia e Singapura.
É o primeiro passo. Os próximos serão o fortalecimento da navegação de cabotagem e da hidroviária - alicerçados na industria naval e na nova lei dos portos.
Email: luisnassif@ig.com.br
Blog: www.luisnassif.com.br
Dólar afunda. Fim da crise?
Luiz Sérgio Guimarães (luiz.sergio@brasileconomico.com.br)
Do Brasil Econômico
É possível listar várias explicações, todas ótimas, para o tombo feio sofrido ontem pelo dólar, mas elas parecem, insatisfatórias.
A moeda derreteu 1,9%, cotada a R$ 2,2240. Para se ter uma ideia, somente a queda de ontem anulou toda alta de 1,57% acumulada nos dez primeiros dias úteis de julho.
Tanto as razões fundamentalistas quanto as decorrentes do jogo de mercado ajudam a entender a baixa. Mas, por sua surpreendente magnitude, a desvalorização intrigou os operadores.
Acabaram-se os problemas brasileiros e de repente o país voltou a atrair os investidores internacionais?
Está certo que os investidores estrangeiros reduziram suas posições compradas nos pregões de derivativos cambiais da BM&F em US$ 780 milhões do dia 11 (total comprado de US$ 9,68 bilhões) para o dia 12 (US$ 8,9 bilhões).
Mesmo assim, esse ajuste seria insuficiente para amplificar a baixa, até porque a diminuição da aposta contra o real por parte dos fundos externos foi compensada pelo aumento das posições compradas dos fundos nacionais, de US$ 17,96 bilhões para US$ 18,82 bilhões em idêntico período.
A melhor explicação para a escorregada do dólar foi encontrada por estrategistas de instituições agressivas segundo os quais, como o Banco Central está firmemente determinado a impedir que o dólar ultrapasse a barreira de R$ 2,30 e como do exterior não vem incentivos a estripulias especulativas, o mercado desistiu de peitar o BC.
Diante dessa capitulação (que pode ser, porém, apenas temporária), os exportadores que aguardavam por preços crescentemente maiores, decidiram desovar os seus contratos de câmbio. E se o BC garante que de R$ 2,30 o dólar não passa, os fundos de hedge globais especializados no ‘iene carry trade' já podem buscar a rentabilidade nominal dos juros brasileiros, a terceira maior do mundo (e os campeões mundiais, Venezuela, com taxa de 15,63%, e Argentina, com 11,38%, são monoliticamente rejeitados pelos investidores internacionais).
As justificativas fundamentalistas para a queda do dólar ante o real têm peso evidente: a China cresceu 7,5% no segundo trimestre do ano, abaixo da expansão de 7,7% registrada no primeiro, mas, dentro das previsões médias, rechaçou o temor de uma desaceleração mais acentuada.
E, sabe-se, o crescimento do PIB brasileiro como um todo acompanha, para cima ou para baixo, o deslocamento das commodities. O mercado percebe que o governo chinês, empenhado em tornar o crescimento mais organicamente saudável e, portanto, consistente no longo prazo, não está disposto, porém, a chancelar uma desaceleração muito expressiva.
A outra informação, também de natureza macroeconômica, que agiu no sentido de esfriar o ímpeto do dólar veio dos Estados Unidos.
As vendas do comércio varejista foram decepcionantes em junho. Elas evoluíram 0,4%, exatamente a metade do que previam os analistas. E, ainda por cima, a alta de maio foi revisada para baixo, de 0,6% para 0,5%. A tendência persiste de baixa no acumulado de doze meses.
Os templos do consumismo americano, as lojas de departamentos e de eletrônicos, foram os destaques negativos. Se a população não consome mesmo com as taxas de juros próximas de zero, vai demorar muito para a inflação chegar perto da meta do Federal Reserve (Fed), de 2%.
E, nos EUA, alguns economistas de renome temem as consequências econômicas negativas da inflação muito baixa mais do que as da inflação muito alta. Há um autêntico pavor de que os EUA caíam na armadilha japonesa da estagnação e da deflação. A frustração com as vendas feitas pelo varejo em junho encobriu o bom dado industrial também divulgado ontem. A sondagem de manufatura Empire States, realizada pelo Fed de Nova York, avançou de 7,84 em junho para 9,46 em julho, quando os analistas esperavam um queda para 5.
Antes da divulgação do dado de vendas varejistas, os ‘yields' dos títulos de 10 anos do Tesouro americano chegaram a subir, no mercado secundário, de 2,59% na sexta-feira para até 2,64%. Mas depois desabaram até 2,54%. Daniel Tarullo, diretor do Fed com voto no Fomc, ajudou a serenar os ânimos.
Em discurso, frisou que a política monetária americana persistirá acomodatícia mesmo depois de ter sido iniciado o programa de redução das facilitações quantitativas. O Fed não terá pressa em subir o juro mesmo quando for alcançada a meta de desemprego de 6,5% (hoje está em 7,6%).
Não parece de fato um cenário que indique a possibilidade de o Fed iniciar já em sua reunião de setembro o fatídico cronograma de diminuição das compras mensais de títulos, como ainda preveem algumas instituições. Os mais recentes alertas do Fed parecem jogar para 2014 o momento mais adequado para a redução da oferta de liquidez extra. Há, portanto, bastante tempo para os hedge funds ganharem os juros brasileiros, não só os terceiros maiores do mundo mas, melhor ainda, em ascensão.
A operação utilizada é o ‘iene carry trade', que consiste em tomada de empréstimos em moeda japonesa e aplicação em reais atrelados à Selic. Para que o negócio dê a rentabilidade esperada será preciso que a moeda brasileira pare de se desvalorizar. O ideal é que se valorize para que, à Selic, se agregue a apreciação cambial.
Tais operações são fechadas no mercado de balcão internacional mas tem uma das pontas atada aos pregões de câmbio da BM&F. E, como são em grandes volumes, acabam contaminando as cotações à vista.
Os juros futuros longos acompanharam a melhora da cena externa e o afundamento do dólar. O contrato para janeiro de 2015 recuou a 9,48%, de 9,62% na sexta-feira. A taxa para janeiro de 2017 cedeu de 10,83% para 10,60%.
O contrato mais curto, para a virada do ano, retrocedeu pouco, de 8,80% para 8,78%, engessado pela expectativa de divulgação, na quinta-feira, da ata do Copom realizado na semana passada.
Do Brasil Econômico
É possível listar várias explicações, todas ótimas, para o tombo feio sofrido ontem pelo dólar, mas elas parecem, insatisfatórias.
A moeda derreteu 1,9%, cotada a R$ 2,2240. Para se ter uma ideia, somente a queda de ontem anulou toda alta de 1,57% acumulada nos dez primeiros dias úteis de julho.
Tanto as razões fundamentalistas quanto as decorrentes do jogo de mercado ajudam a entender a baixa. Mas, por sua surpreendente magnitude, a desvalorização intrigou os operadores.
Acabaram-se os problemas brasileiros e de repente o país voltou a atrair os investidores internacionais?
Está certo que os investidores estrangeiros reduziram suas posições compradas nos pregões de derivativos cambiais da BM&F em US$ 780 milhões do dia 11 (total comprado de US$ 9,68 bilhões) para o dia 12 (US$ 8,9 bilhões).
Mesmo assim, esse ajuste seria insuficiente para amplificar a baixa, até porque a diminuição da aposta contra o real por parte dos fundos externos foi compensada pelo aumento das posições compradas dos fundos nacionais, de US$ 17,96 bilhões para US$ 18,82 bilhões em idêntico período.
A melhor explicação para a escorregada do dólar foi encontrada por estrategistas de instituições agressivas segundo os quais, como o Banco Central está firmemente determinado a impedir que o dólar ultrapasse a barreira de R$ 2,30 e como do exterior não vem incentivos a estripulias especulativas, o mercado desistiu de peitar o BC.
Diante dessa capitulação (que pode ser, porém, apenas temporária), os exportadores que aguardavam por preços crescentemente maiores, decidiram desovar os seus contratos de câmbio. E se o BC garante que de R$ 2,30 o dólar não passa, os fundos de hedge globais especializados no ‘iene carry trade' já podem buscar a rentabilidade nominal dos juros brasileiros, a terceira maior do mundo (e os campeões mundiais, Venezuela, com taxa de 15,63%, e Argentina, com 11,38%, são monoliticamente rejeitados pelos investidores internacionais).
As justificativas fundamentalistas para a queda do dólar ante o real têm peso evidente: a China cresceu 7,5% no segundo trimestre do ano, abaixo da expansão de 7,7% registrada no primeiro, mas, dentro das previsões médias, rechaçou o temor de uma desaceleração mais acentuada.
E, sabe-se, o crescimento do PIB brasileiro como um todo acompanha, para cima ou para baixo, o deslocamento das commodities. O mercado percebe que o governo chinês, empenhado em tornar o crescimento mais organicamente saudável e, portanto, consistente no longo prazo, não está disposto, porém, a chancelar uma desaceleração muito expressiva.
A outra informação, também de natureza macroeconômica, que agiu no sentido de esfriar o ímpeto do dólar veio dos Estados Unidos.
As vendas do comércio varejista foram decepcionantes em junho. Elas evoluíram 0,4%, exatamente a metade do que previam os analistas. E, ainda por cima, a alta de maio foi revisada para baixo, de 0,6% para 0,5%. A tendência persiste de baixa no acumulado de doze meses.
Os templos do consumismo americano, as lojas de departamentos e de eletrônicos, foram os destaques negativos. Se a população não consome mesmo com as taxas de juros próximas de zero, vai demorar muito para a inflação chegar perto da meta do Federal Reserve (Fed), de 2%.
E, nos EUA, alguns economistas de renome temem as consequências econômicas negativas da inflação muito baixa mais do que as da inflação muito alta. Há um autêntico pavor de que os EUA caíam na armadilha japonesa da estagnação e da deflação. A frustração com as vendas feitas pelo varejo em junho encobriu o bom dado industrial também divulgado ontem. A sondagem de manufatura Empire States, realizada pelo Fed de Nova York, avançou de 7,84 em junho para 9,46 em julho, quando os analistas esperavam um queda para 5.
Antes da divulgação do dado de vendas varejistas, os ‘yields' dos títulos de 10 anos do Tesouro americano chegaram a subir, no mercado secundário, de 2,59% na sexta-feira para até 2,64%. Mas depois desabaram até 2,54%. Daniel Tarullo, diretor do Fed com voto no Fomc, ajudou a serenar os ânimos.
Em discurso, frisou que a política monetária americana persistirá acomodatícia mesmo depois de ter sido iniciado o programa de redução das facilitações quantitativas. O Fed não terá pressa em subir o juro mesmo quando for alcançada a meta de desemprego de 6,5% (hoje está em 7,6%).
Não parece de fato um cenário que indique a possibilidade de o Fed iniciar já em sua reunião de setembro o fatídico cronograma de diminuição das compras mensais de títulos, como ainda preveem algumas instituições. Os mais recentes alertas do Fed parecem jogar para 2014 o momento mais adequado para a redução da oferta de liquidez extra. Há, portanto, bastante tempo para os hedge funds ganharem os juros brasileiros, não só os terceiros maiores do mundo mas, melhor ainda, em ascensão.
A operação utilizada é o ‘iene carry trade', que consiste em tomada de empréstimos em moeda japonesa e aplicação em reais atrelados à Selic. Para que o negócio dê a rentabilidade esperada será preciso que a moeda brasileira pare de se desvalorizar. O ideal é que se valorize para que, à Selic, se agregue a apreciação cambial.
Tais operações são fechadas no mercado de balcão internacional mas tem uma das pontas atada aos pregões de câmbio da BM&F. E, como são em grandes volumes, acabam contaminando as cotações à vista.
Os juros futuros longos acompanharam a melhora da cena externa e o afundamento do dólar. O contrato para janeiro de 2015 recuou a 9,48%, de 9,62% na sexta-feira. A taxa para janeiro de 2017 cedeu de 10,83% para 10,60%.
O contrato mais curto, para a virada do ano, retrocedeu pouco, de 8,80% para 8,78%, engessado pela expectativa de divulgação, na quinta-feira, da ata do Copom realizado na semana passada.
segunda-feira, julho 15, 2013
O impacto da desaceleração da China na economia mundial
À medida que a economia europeia se aproxima de uma nova recessão e que os Estados Unidos cambaleiam no mesmo caminho, a atenção começa a centrar-se na China e na esperança de que o gigante asiático contenha o desastre económico que se avizinha. Por Marco Antonio Moreno.
Neste gráfico vemos que a China encadeou dez trimestres de desaceleração, deslizando inclusive abaixo do cinturão de segurança de 8,0 por cento que nos últimos 20 anos só viu ceder (e por curto tempo) depois da crise asiática de 1997 e na que começou há cinco anos - extraído de elblogsalmon.com
Os dados, no entanto, não são muito auspiciosos e neste gráfico vemos que a China encadeou dez trimestres de desaceleração, deslizando inclusive abaixo do cinturão de segurança de 8,0 por cento que nos últimos 20 anos só viu ceder (e por curto tempo) depois da crise asiática de 1997 e na que começou há cinco anos.
A China é a segunda economia do planeta e o seu peso na economia global é indiscutível, dado que desde a origem desta crise financeira representou 35% de todo o crescimento económico mundial. Neste mesmo período as economias ocidentais estancaram ou tiveram crescimentos muito limitados. A Europa e os Estados Unidos vão rumo a uma estagnação muito prolongada e os dados para a Alemanha e a França ameaçam ser mais sombrios. As reminiscências da falência do Lehman sentem-se com muita força e tudo indica que este outono quente pode trazer mais de uma surpresa.
É por isso que a desaceleração chinesa preocupa. Mais ainda quando se associa esta queda à descida das exportações, produto da queda do comércio global dada a profunda debilidade da procura. A China, em qualquer caso, não é um país que dependa exclusivamente das exportações. A despesa de investimento em maquinaria, edifícios e infraestruturas representou mais de metade do crescimento do ano passado. Este facto tem evitado ao país uma queda violenta como a de 2008 e por isso se fala de uma “aterragem suave” em 2012/2013. Quão suave será a aterragem e até que ponto a China resistirá, é algo que ninguém sabe. Mas se a China se afundar, a recessão que começa a tocar a Europa tornar-se-á bem mais profunda e poderá converter-se numa recessão global.
Os riscos de uma “aterragem suave”
Os riscos desta aterragem suave já começaram a provocar efeitos nos países emergentes. E tal como a crise asiática de 1997/1998 originou uma mudança significativa na orientação político-económica destes países (em lugar de produzir bens de consumo para a Europa e os Estados Unidos passaram a produzir componentes para as fábricas da China e do Japão), estes países deverão viver o seu próprio processo de mudança. Tudo indica que a globalização entrará em quarentena e que o comércio global sofrerá uma contração mais significativa que os bloqueios ou embargos.
A título de exemplo, o Brasil e a Austrália começaram a ver-se afetados pela queda das suas exportações para a China. A Austrália sofre a descida das suas exportações de carvão e Brasil vive a queda das suas exportações de mineral de ferro. O carvão é o elemento básico para a produção de aço na China mas se as fábricas começam a fechar torna-se menos necessário, assim como o ferro. As siderurgias da China vivem a sua maior descida e têm visto cair a sua produção para os níveis mais baixos devido à debilidade da procura externa. Sem dúvida que a queda na procura de ferro e carvão será um duro golpe para as economias do Brasil e da Austrália.
A desaceleração do crescimento chinês pode aumentar também as tensões com os Estados Unidos se o país asiático resistir a reavaliar o yuan, como exigem os Estados Unidos. A queda da procura pode obrigar a China a adotar a política contrária e a desvalorizar a sua moeda para embaretecer os seus produtos no resto do mundo. Isso deixaria em muito má posição os Estados Unidos que se esforçam por manter um dólar barato para manter com vida as suas fábricas. Se agregarmos ao euro a esta pugna por abrir mercados, teremos o cenário perfeito para uma guerra de divisas que pode ser de alto calibre. Estas são só algumas das possíveis consequências que podemos esperar do declive que começa a viver o gigante asiático.
Artigo de Marco Antonio Moreno, publicado em El Blog Salmón, tradução de Carlos Santos para esquerda.net
quinta-feira, julho 04, 2013
A copa no Brasil renderá R$ 142 bilhões, cinco vezes mais que o investimento. E R$ 8 bilhões vão para saúde e educação....
Do: Se a rádio não toca
A copa do mundo é sempre uma festa e um evento especial e deveria ser motivo de orgulho para o Brasil, mostrando a pujança de nossa economia. A mídia procurou mostrar os estádios e questionar este gasto como absurdo em um país pobre. Ora, parece incrível e esquizofrênico este argumento: só se vê o gasto e não o quanto se ganha com este evento! Para termos idéia, o Brasil vai gastar aproximadamente R$ 29 bilhões e vai arrecadar a quantia R$ 145 bilhões, segundo estudo da Fundação Getulio Vargas e Ernest Young.
Destes 29 bilhões gastos, cerca de R$ 8 bilhões são com estádios de futebol, a maior parte realizada através de empréstimos que serão pago nos próximos anos. Os outros R$ 20 bilhões são para diversas obras: como melhoria nos aeroportos, equipamentos de segurança, ampliação de vagas em hotéis e obras viárias, especialmente de transporte de massa. O setor público financiará R$ 12,5 milhões e o setor privado R$ 17,5 bilhões.
Lembro que a modernização dos estádios brasileiros é vital, por que os estádios são da década de 50 e 60. E uma estrutura antiga como o Fonte Nova, na Bahia (onde em acidente morreram 7 pessoas em 2007) é sempre um risco às pessoas que lá freqüentam. Fato semelhante também já ocorreu no Maracanã.
Quanto aos benefícios para o Brasil, verificamos a criação de 3,6 milhões de empregos que ajudará a ampliar a renda e o consumo dos brasileiros. Segundo o estudo da FGV e Ernest Young:
“Os setores mais beneficiados pela Copa do Mundo serão os de construção civil, alimentos e bebidas, serviços prestados às empresas, serviços de utilidade pública (eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza urbana) e serviços de informação. Em conjunto, todas essas áreas deverão ter sua produção aumentada em R$ 50,18 bilhões”.
O estudo mostra um dado interessante: haverá um impacto na renda nacional de quase R$ 64 bilhões, e exatamente isto fará com que os governos federal, estaduais e municipais arrecadem R$ 18 bilhões em impostos, que obrigatoriamente por força de nossa Constituição, pelo menos 25% será transferido a Educação (no estado de são Paulo é 30%) e 12% a 18% para a saúde. Deste modo, aproximadamente R$ 8 bilhões retornarão aos cofres públicos em forma de impostos, para ajudar a manter e expandir estas áreas tão demandadas pelo povo.
Assim, um evento que tem gastos públicos de aproximadamente R$ 12,5 bilhões trará de volta aos cofres públicos 18 bilhões, ou 44% por cento a mais. PORTANTO É BOM PARA O BRASIL E FAZ NOSSO PAÍS CRESCER.
Ante uma crise internacional que já dura cinco anos e que gera desemprego em vários países da Europa (onde um em cada quatro trabalhadores está desempregado), a copa do mundo é uma maneira de evitar que esta crise econômica chegue ao Brasil e assim garanta a força de nossa economia
Deste modo, uma mídia que só informa o gasto, o lucro da FIFA e nada fala sobre os benefícios para a economia brasileira, permite que o oportunismo de alguns (que se valem do desconhecimento de muitos sobre o funcionamento dos mecanismos tributários e econômicos) levem ao questionamento equivocado e simplista deste grande evento.
Comentários do tipo “não há pão é só circo” caem por terra diante da situação do país com emprego pleno, gritantemente diferente da situação que a Europa vive nos dias atuais.
Sobre o comentário, sempre pertinente, a respeito da qualidade da educação e saúde: é bom lembrar que estes serviços são compartilhados com estados e municípios, basta constatar a péssima qualidade da educação nas escolas estaduais.
E a saúde sofre ainda mais com a falta de recursos, devido principalmente a retirada de R$ 60 bilhões da CPMF (retirados pela oposição) dos cofres do governo federal.
Por último: com a copa do mundo e as Olimpíadas, a imagem positiva das belezas do Brasil será levada para fora, aumentando o fluxo de turistas, e conseqüentemente a arrecadação crescerá ainda mais em nosso país criando empregos e novos investimentos.
Sem dúvida um ganho inestimável para as futuras gerações !
O que queremos é nosso país campeão no futebol sim, pois esta alegria não tem preço, mas também campeão na vida de cada brasileiro.
AS MIL VOZES CONTRA A GLOBO
O que nos interessa são os corruptores.
Saiu no blog O Cafezinho, do Miguel do Rosário:
A MÃE DE TODAS AS BATALHAS
Foi uma manifestação pacífica, mas com muito sangue nas veias! Não quebramos nada, mas xingamos. Ah, como xingamos! Imagine mil pessoas na porta da Globo mandando o Merval e Jabor pra aquele lugar. Imagine mil pessoas ouvindo discursos sobre o mensalão que a Globo levou dos Estados Unidos para apoiar o golpe de 64. Imagina mil pessoas exigindo que o Ministério Público investigue a sonegação bilionária da Vênus Platinada.
O microfone era aberto. Qualquer um que se inscrevia, podia falar, caracterizando o caráter genuinamente democrático da manifestação. Diferente de algumas recentes onde só diretores de Ongs tem voz… As pessoas que trabalham, aqui no Rio, com o tema da democratização da mídia estavam em estado de êxtase, porque conseguimos juntar um público mais diversificado e mais jovem.
Importante: foi uma manifestação com foco. Uma coisa é reunir 20 mil pessoas numa manifestação esquizofrênica, com um grupo pedindo a volta da ditadura, outro pedindo o anarquismo, outro espancando militantes partidários, outro pedindo socialismo, outro pedindo “bolsa Louis Vitton”. Não. Éramos mil pessoas com um foco: protestar contra a Globo, contra o monopólio da mídia.
Um estudante de economia da UFRJ, muito jovem, disse uma coisa bonita: “não estamos aqui para protestar contra a política, mas contra o poderio econômico que sequestra a política. Não estamos aqui para protestar contra a corrupção, mas contra os corruptores”.
O refrão mais cantado foi o mesmo que esteve presente nas grandes manifestações, mas que a grande mídia, naturalmente, escondeu:
“A verdade é dura! A Globo apoiou a ditadura!”
Fizemos uma verdadeira assembléia popular. Claudia de Abreu, coordenadora da Frente Ampla pela Liberdade de Expressão (Fale-Rio), um dos movimentos sociais que lideram os debates sobre democratização da mídia no estado do Rio, fez belíssimos discursos, sempre pontuando que não estávamos ali para uma catarse emocional, mas preparando ações concretas para acabar com o monopólio da grande mídia.
Eu mesmo fiz alguns discursos, explicando a denúncia contra a Globo feita no Cafezinho, sempre enfatizando que a ficha criminal da Globo vai muito além dessas estrepulias em paraísos fiscais. A Globo cometeu crimes históricos contra o Brasil. Lutou contra a criação da Petrobrás. Fez parte do golpe que levou ao suicídio de Vargas. Consolidou-se financeiramente, com dinheiro estrangeiro de um lado, e de golpistas internos, de outro, sobre o cadáver da nossa democracia. Essas coisas tem de ser ensinadas no colégio, para que nossas crianças, adolescentes e jovens parem de sofrer lavagem cerebral dos platinados.
Quantos milhões de brasileiros não deixaram de se alimentar porque a Globo patrocinou e sustentou um golpe de Estado que interrompeu o processo de modernização democrática que apenas se iniciava com João Goulart?
Quantos milhões de brasileiros foram humilhados pela miséria, pela fome, pela falta de escolas, hospitais e emprego, para que a família Marinho se tornasse uma das mais ricas do mundo!
O ministro Paulo Bernando também foi alvo dos manifestantes. Todos muito indignados com a gestão reacionária, entreguista e covarde do Ministério das Comunicações. Sua recente entrevista à Veja, tentando dar uma facada nas costas dos movimentos que defendem a democratização da mídia, foi a gota d’água. A incompetência da ministra Helena Chagas que não propõe à presidenta a abertura de uma mísera conta de twitter, deixando a direita midiática pautar a agenda política nacional, também foi muito questionada pelos manifestantes.
Ficamos orgulhosos também com a participação dos jovens ativistas da mídia ninja, um dos movimentos mais atuantes nas grandes manifestações populares que tomaram conta do país nas últimas semanas. A manifestação foi toda exibida ao vivo. Tivemos mais de 10 mil pessoas assistindo via mídia ninja, mais uns dez mil pela Pos-TV. Ou seja, vinte mil pessoas acompanharam ao vivo a nossa manifestação!
O momento alto do evento foi quando centenas de pessoas levaram uma fita listrada e “lacraram” a Rede Globo, numa alusão ao que a Polícia Federal costuma fazer com as pequenas rádios comunitárias acusadas de alguma mísera irregularidade burocrática. A Globo pode dever bilhões, pode fraudar, e ninguém faz nada. A gente fez, simbolicamente. Lacramos a TV Globo.
A quantidade de policiais era impressionante. Havia mais PM na porta da Rede Globo do que protegendo a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro naquela manifestação que terminou em depredação da Alerj. Mais do que em frente à sede do governo. A gente conversou com o major, explicamos o programa da nossa manifestação e nos comprometemos a não deixar nenhum “infiltrado” cometer atos de violência. Mas fizemos questão de pontuar, ao microfone, que o pior vandalismo no Brasil vem das Organizações Globo. Um vandalismo informativo, moral e político. Alguns garotos irresponsáveis quebraram alguns vidros da Alerj. Depredaram uma ou duas cadeiras. A Globo, ao apoiar o golpe de 64, ajudou a destruir os alicerces de todas as assembléias legislativas do país, inclusive da principal, em Brasília.
Houve muitas cantorias. Uma das mais fortes, mais emocionantes, foi “Amanhã vem mais! Amanhã vem mais! Amanhã vem mais!”, que deve ter feito os platinados tremerem com a possibilidade de trazermos dezenas ou mesmo centenas de milhares de pessoas para protestar à sua porta, e à porta de todas as suas filiadas Brasil à fora.
Foram distribuídas quase quinhentos exemplares da revista Retrato do Brasil, do jornalista Raimundo Pereira, que denuncia, com fartura de documentos, a farsa do mensalão, outro golpe patrocinado pela Globo. Vale lembrar que a Globo, aliada a forças obscuras, tem procurado manipular o sentido dos protestos para pressionar o Supremo Tribunal Federal a agir ao arrepio da Constituição. A Globo, além de sonegadora, é adepta de linchamentos – de seus adversários, é claro.
Saímos todos extremamente satisfeitos com o resultado da manifestação. Encerramos a noite num bar das redondezas, falando de política e mídia. O deputado Protógenes Queiroz deu as caras e se dispôs a criar uma CPI da Globo, ao que respondemos que daríamos nosso apoio, mas que, dessa vez, tinha que ser pra valer. Não adianta só colher assinaturas. Tem de ser efetivamente criada e conduzida com coragem, não por nenhum “Odarelo”.
Mais importante que tudo, porém, é que produzimos um ato político que por si só pode ajudar a conscientizar as pessoas de que a concentração da mídia, do jeito que existe no Brasil, representa um perigo à nossa estabilidade democrática. Porque a nossa mídia é golpista, reacionária e anti-trabalhista, de um lado; e detêm um poder financeiro monstruoso, de outro. A concentração apavorante da mídia brasileira em mãos de meia dúzia de herdeiros da ditadura é uma anomalia que os amantes da democracia devem combater com todas as suas forças.
A presidenta Dilma tem de entender que, se não combater a mídia golpista, não vai conseguir fazer o Brasil avançar. A mídia já está patrocinando greves patronais de caminhoneiros, possivelmente está em conluio com alguns industriais para sabotar a economia, tenta manipular o sentido das manifestações, tudo para trazer a direita de volta ao poder em 2014. O plebiscito proposto pela presidenta, por exemplo, pode vir a se tornar um tiro no pé sem uma nova e mais ousada estratégia de comunicação, e sem um contraponto decente à Globo. A Vênus Platinada, que é a líder do principal partido conservador, quer enterrar o plebiscito, para desmoralizar o governo. Ou então levá-lo adiante, mas dominar o debate, fazendo aprovar seus itens mais nocivos ao povo, como o voto distrital.
Como uma amiga, presente à manifestação, me disse, enquanto observava orgulhosamente as pessoas protestando na porta da Globo: essa é mãe de todas as batalhas!
Saiu no blog O Cafezinho, do Miguel do Rosário:
A MÃE DE TODAS AS BATALHAS
Foi uma manifestação pacífica, mas com muito sangue nas veias! Não quebramos nada, mas xingamos. Ah, como xingamos! Imagine mil pessoas na porta da Globo mandando o Merval e Jabor pra aquele lugar. Imagine mil pessoas ouvindo discursos sobre o mensalão que a Globo levou dos Estados Unidos para apoiar o golpe de 64. Imagina mil pessoas exigindo que o Ministério Público investigue a sonegação bilionária da Vênus Platinada.
O microfone era aberto. Qualquer um que se inscrevia, podia falar, caracterizando o caráter genuinamente democrático da manifestação. Diferente de algumas recentes onde só diretores de Ongs tem voz… As pessoas que trabalham, aqui no Rio, com o tema da democratização da mídia estavam em estado de êxtase, porque conseguimos juntar um público mais diversificado e mais jovem.
Importante: foi uma manifestação com foco. Uma coisa é reunir 20 mil pessoas numa manifestação esquizofrênica, com um grupo pedindo a volta da ditadura, outro pedindo o anarquismo, outro espancando militantes partidários, outro pedindo socialismo, outro pedindo “bolsa Louis Vitton”. Não. Éramos mil pessoas com um foco: protestar contra a Globo, contra o monopólio da mídia.
Um estudante de economia da UFRJ, muito jovem, disse uma coisa bonita: “não estamos aqui para protestar contra a política, mas contra o poderio econômico que sequestra a política. Não estamos aqui para protestar contra a corrupção, mas contra os corruptores”.
O refrão mais cantado foi o mesmo que esteve presente nas grandes manifestações, mas que a grande mídia, naturalmente, escondeu:
“A verdade é dura! A Globo apoiou a ditadura!”
Fizemos uma verdadeira assembléia popular. Claudia de Abreu, coordenadora da Frente Ampla pela Liberdade de Expressão (Fale-Rio), um dos movimentos sociais que lideram os debates sobre democratização da mídia no estado do Rio, fez belíssimos discursos, sempre pontuando que não estávamos ali para uma catarse emocional, mas preparando ações concretas para acabar com o monopólio da grande mídia.
Eu mesmo fiz alguns discursos, explicando a denúncia contra a Globo feita no Cafezinho, sempre enfatizando que a ficha criminal da Globo vai muito além dessas estrepulias em paraísos fiscais. A Globo cometeu crimes históricos contra o Brasil. Lutou contra a criação da Petrobrás. Fez parte do golpe que levou ao suicídio de Vargas. Consolidou-se financeiramente, com dinheiro estrangeiro de um lado, e de golpistas internos, de outro, sobre o cadáver da nossa democracia. Essas coisas tem de ser ensinadas no colégio, para que nossas crianças, adolescentes e jovens parem de sofrer lavagem cerebral dos platinados.
Quantos milhões de brasileiros não deixaram de se alimentar porque a Globo patrocinou e sustentou um golpe de Estado que interrompeu o processo de modernização democrática que apenas se iniciava com João Goulart?
Quantos milhões de brasileiros foram humilhados pela miséria, pela fome, pela falta de escolas, hospitais e emprego, para que a família Marinho se tornasse uma das mais ricas do mundo!
O ministro Paulo Bernando também foi alvo dos manifestantes. Todos muito indignados com a gestão reacionária, entreguista e covarde do Ministério das Comunicações. Sua recente entrevista à Veja, tentando dar uma facada nas costas dos movimentos que defendem a democratização da mídia, foi a gota d’água. A incompetência da ministra Helena Chagas que não propõe à presidenta a abertura de uma mísera conta de twitter, deixando a direita midiática pautar a agenda política nacional, também foi muito questionada pelos manifestantes.
Ficamos orgulhosos também com a participação dos jovens ativistas da mídia ninja, um dos movimentos mais atuantes nas grandes manifestações populares que tomaram conta do país nas últimas semanas. A manifestação foi toda exibida ao vivo. Tivemos mais de 10 mil pessoas assistindo via mídia ninja, mais uns dez mil pela Pos-TV. Ou seja, vinte mil pessoas acompanharam ao vivo a nossa manifestação!
O momento alto do evento foi quando centenas de pessoas levaram uma fita listrada e “lacraram” a Rede Globo, numa alusão ao que a Polícia Federal costuma fazer com as pequenas rádios comunitárias acusadas de alguma mísera irregularidade burocrática. A Globo pode dever bilhões, pode fraudar, e ninguém faz nada. A gente fez, simbolicamente. Lacramos a TV Globo.
A quantidade de policiais era impressionante. Havia mais PM na porta da Rede Globo do que protegendo a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro naquela manifestação que terminou em depredação da Alerj. Mais do que em frente à sede do governo. A gente conversou com o major, explicamos o programa da nossa manifestação e nos comprometemos a não deixar nenhum “infiltrado” cometer atos de violência. Mas fizemos questão de pontuar, ao microfone, que o pior vandalismo no Brasil vem das Organizações Globo. Um vandalismo informativo, moral e político. Alguns garotos irresponsáveis quebraram alguns vidros da Alerj. Depredaram uma ou duas cadeiras. A Globo, ao apoiar o golpe de 64, ajudou a destruir os alicerces de todas as assembléias legislativas do país, inclusive da principal, em Brasília.
Houve muitas cantorias. Uma das mais fortes, mais emocionantes, foi “Amanhã vem mais! Amanhã vem mais! Amanhã vem mais!”, que deve ter feito os platinados tremerem com a possibilidade de trazermos dezenas ou mesmo centenas de milhares de pessoas para protestar à sua porta, e à porta de todas as suas filiadas Brasil à fora.
Foram distribuídas quase quinhentos exemplares da revista Retrato do Brasil, do jornalista Raimundo Pereira, que denuncia, com fartura de documentos, a farsa do mensalão, outro golpe patrocinado pela Globo. Vale lembrar que a Globo, aliada a forças obscuras, tem procurado manipular o sentido dos protestos para pressionar o Supremo Tribunal Federal a agir ao arrepio da Constituição. A Globo, além de sonegadora, é adepta de linchamentos – de seus adversários, é claro.
Saímos todos extremamente satisfeitos com o resultado da manifestação. Encerramos a noite num bar das redondezas, falando de política e mídia. O deputado Protógenes Queiroz deu as caras e se dispôs a criar uma CPI da Globo, ao que respondemos que daríamos nosso apoio, mas que, dessa vez, tinha que ser pra valer. Não adianta só colher assinaturas. Tem de ser efetivamente criada e conduzida com coragem, não por nenhum “Odarelo”.
Mais importante que tudo, porém, é que produzimos um ato político que por si só pode ajudar a conscientizar as pessoas de que a concentração da mídia, do jeito que existe no Brasil, representa um perigo à nossa estabilidade democrática. Porque a nossa mídia é golpista, reacionária e anti-trabalhista, de um lado; e detêm um poder financeiro monstruoso, de outro. A concentração apavorante da mídia brasileira em mãos de meia dúzia de herdeiros da ditadura é uma anomalia que os amantes da democracia devem combater com todas as suas forças.
A presidenta Dilma tem de entender que, se não combater a mídia golpista, não vai conseguir fazer o Brasil avançar. A mídia já está patrocinando greves patronais de caminhoneiros, possivelmente está em conluio com alguns industriais para sabotar a economia, tenta manipular o sentido das manifestações, tudo para trazer a direita de volta ao poder em 2014. O plebiscito proposto pela presidenta, por exemplo, pode vir a se tornar um tiro no pé sem uma nova e mais ousada estratégia de comunicação, e sem um contraponto decente à Globo. A Vênus Platinada, que é a líder do principal partido conservador, quer enterrar o plebiscito, para desmoralizar o governo. Ou então levá-lo adiante, mas dominar o debate, fazendo aprovar seus itens mais nocivos ao povo, como o voto distrital.
Como uma amiga, presente à manifestação, me disse, enquanto observava orgulhosamente as pessoas protestando na porta da Globo: essa é mãe de todas as batalhas!
quarta-feira, julho 03, 2013
Uma breve história da luta da grande mídia contra os interesses nacionais
Em 1957, uma CPI da Câmara dos Deputados, comprovou que O Estado de S.Paulo, O Globo e Correio da Manhã foram remunerados pela publicidade estrangeira para mover campanhas contra a nacionalização do petróleo. Em momentos cruciais para o País se inclinaram para o golpismo e a traição aos interesses nacionais: contra Getulio, a Petrobras, JK, contra Jango, apoiando a ditadura, Collor, FHC e suas privatizações, atacando Lula.
Leandro Severo, via Carta Maior
Em 1941, enquanto milhões de homens e mulheres derramavam seu sangue pela liberdade nos campos da Europa e da União Soviética, a elite dos círculos financeiros dos Estados Unidos já traçava seus planos para o pós-guerra. Como afirmou Nelson Rockefeller, filho do magnata do petróleo John D. Rockefeller, em memorando que apresentava sua visão ao presidente Roosevelt: “Independente do resultado da guerra, com uma vitória alemã ou aliada, os Estados Unidos devem proteger sua posição internacional através do uso de meios econômicos que sejam competitivamente eficazes…” (COLBY, p.127, 1998). Seu objetivo: o domínio do comércio mundial, por meio da ocupação dos mercados e da posse das principais fontes de matéria-prima. Anos mais tarde o ex-secretário de imprensa do Congresso norte-americano, Gerald Colby, sentenciava sobre Rockefeller: “No esforço para extrair os recursos mais estratégicos da América Latina com menores custos, ele não poupava meios” (COLBY, p.181, 1998).
Neste mesmo ano, Henry Luce, editor e proprietário de um complexo de comunicações que tinha entre seus títulos as revistas Time, Life e Fortune, convocou os norte-americanos a “aceitar de todo o coração nosso dever e oportunidade, como a nação mais poderosa do mundo, o pleno impacto de nossa influência para objetivos que consideremos convenientes e por meios que julguemos apropriados” (SCHILLER, p.11, 1976). Ele percebeu, com clareza, que a união do poder econômico com o controle da informação seria a questão central para a formação da opinião pública, a nova essência do poder nacional e internacional.
Evidentemente para que os planos de ocupação econômica pelas corporações norte-americanas fossem alcançados havia uma batalha a ser vencida: Como usurpar a independência de nações que lutaram por seus direitos? Como justificar uma postura imperialista do país que realizou a primeira insurreição anticolonial?
A resposta a esta pergunta foi dada com rigor pelo historiador Herbert Schiller: “Existe um poderoso sistema de comunicações para assegurar nas áreas penetradas, não uma submissão rancorosa, mas sim uma lealdade de braços abertos, identificando a presença norte-americana com a liberdade – liberdade de comércio, liberdade de palavra e liberdade de empresa. Em suma, a florescente cadeia dominante da economia e das finanças norte-americanas utiliza os meios de comunicação para sua defesa e entrincheiramento onde quer que já esteja instalada e para sua expansão até lugares onde espera tornar-se ativa” (SCHILLER, p.13, 1976).
Foi exatamente ao que seu setor de comunicações se dedicou. Estava com as costas quentes, já que as agências de publicidade norte-americanas cuidavam das marcas destinadas a substituir as concorrentes europeias arrasadas pela guerra. O setor industrial dos EUA havia alcançado um vertiginoso aumento de 450% em seu lucro líquido no período 1940-1945, turbinado pelos contratos de guerra e subsídios governamentais. Com esta plataforma invadiram a América Latina e o mundo.
Com o suporte do coordenador de Assuntos Interamericanos (CIIA), Nelson Rockefeller, mais de 1.200 donos de jornais latinos recebiam, de forma subsidiada, toneladas de papel de imprensa, transportada por navios norte-americanos. Além disso, milhões de dólares em anúncios publicitários das maiores corporações eram seletivamente distribuídos. É claro que o papel e a publicidade não vinham sozinhos, estavam acompanhados de uma verdadeira enxurrada de matérias, reportagens, entrevistas e releases preparadas pela divisão de imprensa do Departamento de Estado dos EUA.
A vontade de conquistar as novas “colônias” e ocupar novos territórios como haviam feito no século anterior, no velho oeste, não tinha limites. No Brasil, circulava desde 1942, a revista Seleções (do Reader’s Digest), trazida por Robert Lund, de Nova Iorque. A revista, bem como outras publicações estrangeiras, pagou os devidos direitos aduaneiros por se tratar de produtos importados, mas solicitou, e foi atendida pelo procurador da República, Temístocles Cavalcânti, o direito de ser editada e distribuída no Brasil, com o argumento de ser uma revista sem implicações políticas e limitada a publicar conteúdos culturais e científicos. Assim começou a tragédia.
Logo chegou o grupo Vision Inc., também de Nova Iorque, com as revistas Dirigente Industrial, Dirigente Rural, Dirigente Construtor e muitos outros títulos que vinham repletos de anúncios das corporações industriais. Um fato bastante ilustrativo foi o da revista brasileira Cruzeiro Internacional, concorrente da Life International, que apesar de possuir grande circulação, nunca foi brindada com anúncios, enquanto a concorrente norte-americana anunciava produtos que, muitas vezes, nem sequer estavam à venda no Brasil.
Ficava claro que os critérios até então estabelecidos para o mercado publicitário, como tempo de circulação efetiva, eficiência de mensagem e comprovação de tiragem, de nada adiantavam. O que estava em jogo era muito maior.
Um papel importantíssimo na ocupação dos novos mercados foi desempenhado pelas agências de publicidade norte-americanas. McCann-Erickson e J. Walter Thompson eram as principais e tinham seu trabalho coordenado diretamente pelo Departamento de Estado. Para se ter uma ideia, a McCann-Erickson, nos anos de 1960, possuía 70 escritórios e empregava 4.619 pessoas, em 37 países, já a J. Walter Thompson tinha 1.110 funcionários, somente na sede de Londres. Os Estados Unidos tinham 46 agências atuando no exterior, com 382 filiais. Destas 21 agências em sociedade com britânicos, 20 com alemães ocidentais e 12 com franceses. No Brasil atuavam 15 agências, todas elas com instruções absolutamente claras de quem patrocinar.
No início dos anos de 1950, Henry Luce, do grupo Time-Life, já estava luxuosamente instalado em sua nova sede de 70 andares na área mais nobre de Manhattan, negócio imobiliário que fechou com Nelson Rockefeller e seu amigo Adolf Berle, embaixador norte-americano no Brasil na época do primeiro golpe contra o presidente Getulio Vargas. Luce mantinha fortes relações com os irmãos César e Victor Civita, ítalo-americanos nascidos em Nova Iorque. César foi para a Argentina em 1941 onde montou a Editorial Abril, como representante da companhia Walt Disney, já Victor, em 1950, chega ao Brasil e organiza a Editora Abril. Neste mesmo período seu filho, Roberto Civita, faz um estágio de um ano e meio na revista Time, sob a tutela de Luce e logo retorna para ajudar o pai.
Poucos anos depois, o mercado editorial brasileiro está plenamente ocupado por centenas de publicações que cantavam em prosa e verso o american way of life. Somente a Abril, financiada amplamente pelas grandes empresas norte-americanas, edita diversas revistas: Cláudia, Quatro Rodas, Capricho, Intervalo, Manequim, Transporte Moderno, Máquinas e Metais, Química e Derivados, Contigo, Noiva, Mickey, Pato Donald, Zé Carioca, Almanaque Tio Patinhas, a Bíblia mais bela do mundo, além de diversos livros escolares.
Em 1957, uma Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara dos Deputados, comprova que O Estado de S.Paulo, O Globo e Correio da Manhã foram remunerados pela publicidade estrangeira para mover campanhas contra a nacionalização do petróleo.
Em 1962, o grupo Time-Life encontra seu parceiro ideal para entrar de vez no principal ramo das comunicações, a televisão. A recém-fundada TV Globo, de Roberto Marinho. Era uma estranha sociedade. O capital da Rede Globo era de 600 milhões de cruzeiros, pouco mais de 200 mil dólares, ao câmbio da época. O aporte dado “por empréstimo” pela Time-Life era de 6 milhões de dólares e a empresa tinha um capital 10 mil vezes maior.
Como denunciou o deputado João Calmon, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Rádio e Televisão (Abert): “Trata-se de uma competição irresistível, porque além de receber 8 bilhões de cruzeiros em 12 meses, uma média de 700 milhões por mês, a TV Globo recebe do grupo Time-Life três filmes de longa metragem por dia – por dia, repito… Só um package, um pacote de três filmes diários durante o ano todo, custa na melhor das hipóteses, 2 milhões de dólares” (HERZ, p.220, 2009).
O Brasil e o mundo estão em efervescência. A tensão é crescente com revoluções vitoriosas na China e em Cuba. A luta pela independência e soberania das nações cresce em todos continentes e os EUA colocam em marcha golpes militares por todo o planeta. A Guerra Fria está em um ponto agudo.
É nesse quadro que a Comissão de Assuntos Estrangeiros do Congresso dos EUA, em abril de 1964, no relatório “Winning the Cold War. The O.S. Ideological Offensive” define:
“Por muitos anos os poderes militar e econômico, utilizados separadamente ou em conjunto, serviram de pilares da diplomacia. Atualmente ainda desempenham esta função, mas o recente aumento da influência das massas populares sobre os governos, associado a uma maior consciência por parte dos líderes no que se refere às aspirações do povo, devido às revoluções concomitantes do século 20, criou uma nova dimensão para as operações de política externa. Certos objetivos dessa política podem ser colimados tratando-se diretamente com o povo dos países estrangeiros, em vez de tratar com seus governos. Através do uso de modernos instrumentos e técnicas de comunicação, pode-se hoje em dia atingir grupos numerosos ou influentes nas populações nacionais – para informá-los, influenciar-lhes as atitudes e, às vezes, talvez, até mesmo motivá-los para uma determinada linha de ação. Esses grupos, por sua vez, são capazes de exercer pressões notáveis e até mesmo decisivas sobre seus governos” (SCHILLER, p.23, 1976).
A ordem estava dada: “informar”, influenciar e motivar. A rede está montada, o financiamento definido.
O jornalista e grande nacionalista, Genival Rabelo, exatamente nesta hora, denuncia no jornal Tribuna da Imprensa do Rio de Janeiro: “Há, por trás do grupo [Abril], recursos econômicos de que não dispõem as editoras nacionais, porém muito mais importante do que isso está o apoio maciço que a indústria e as agências de publicidade norte-americanas darão ao próximo lançamento do Sr. Victor Civita, a exemplo do que já fizeram com as suas 18 publicações em circulação, bem como as revistas do grupo norte-americano Vision Inc.” (RABELO, p.38, 1966)
Mas é necessário mais. É preciso enfraquecer, calar e quebrar tudo que seja contrário aos interesses dos monopólios, tudo que possa prejudicar os interesses das corporações. A General Eletric, General Motors, Ford, Standard Oil, DuPont, IBM, Dow Chemical, Monsanto, Motorola, Xerox, Johnson & Johnson e seus bancos J. P. Morgan, Citibank, Chase Manhattan precisam estar seguros para praticar sua concorrência desleal, para remeter lucros sem controle, para desnacionalizar as riquezas do país se apossando das reservas minerais.
Várias são as declarações, nesta época, que deixam claro qual o caminho traçado pelos EUA. Nas palavras de Robert Sarnoff, presidente da RCA – Radio Corporation of America – “a informação se tornará um artigo de primeira necessidade equivalente a energia no mundo econômico e haverá de funcionar como uma forma de moeda no comércio mundial, convertível em bens e serviços em toda parte” (SCHILLER, p.18, 1976). Já a Comissão Federal de Comunicações (FCC), em informe conjunto dos Ministérios do Exterior, Justiça e Defesa, afirmava: “as telecomunicações evoluíram de suporte essencial de nossas atividades internacionais para ser também um instrumento de política externa” (SCHILLER, p.24, 1976).
É esclarecedor o pensamento do delegado dos Estados Unidos nas Nações Unidas, vice-ministro das Relações Exteriores, George W. Ball, em pronunciamento na Associação Comercial de Nova Iorque:
“Somente nos últimos 20 anos é que a empresa multinacional conseguiu plenamente seus direitos. Atualmente, os limites entre comércio e indústria nacionais e estrangeiros já não são muito claros em muitas empresas. Poucas coisas de maior esperança para o futuro do que a crescente determinação do empresariado norte-americano de não mais considerar fronteiras nacionais como demarcação do horizonte de sua atividade empresarial” (SCHILLER, p.27, 1976).
A ação desencadeada pelos interesses externos já havia produzido a falência de muitos órgãos de imprensa nacionais e, por outro lado, despertado a consciência de muitos brasileiros de como os monopólios utilizam seu poder de pressão e de chantagem. Em 1963, o publicitário e jornalista Marcus Pereira afirmava em debate na TV Tupi, em São Paulo: “Em última análise, a questão envolve a velha e romântica tese da liberdade de imprensa, tão velha como a própria imprensa. Acontece que a imprensa precisa sobreviver, e, para isso, depende do anunciante. Quando esse anunciante é anônimo, pequeno e disperso não pode exercer pressão, por razões óbvias. É o caso das seções de ‘classificados’ dos jornais. Mas poucos jornais têm ‘classificados’ em quantidade expressiva. A maioria dos jornais e a totalidade das revistas vivem da publicidade comercial e industrial, dos chamados grandes anunciantes. Acho que posso parar por aqui, porque até para os menos afoitos já adivinharam a conclusão” (RABELO, p.56, 1966).
Não é difícil perceber o quanto a submissão aos interesses econômicos estrangeiros levou a dita “grande mídia” brasileira a se afastar da nação. A se tornar, ao longo dos anos, em uma peça chave da política do Imperialismo. Em praticamente todos os principais momentos da vida nacional se inclinaram para o golpismo e a traição. Já no primeiro golpe contra Getúlio, depois, contra sua eleição, contra sua posse, contra a criação da Petrobras, contra a eleição de Juscelino, contra João Goulart, contra as reformas de base, apoiando a Ditadura, apoiando a política econômica de Collor, apoiando Fernando Henrique e suas privatizações, atacando Lula.
Hoje, ela novamente tem lado: o das concessões de estradas, portos e aeroportos, o dos leilões de privatização do petróleo e da necessidade da elevação das taxas de juros, do controle do déficit público com evidentes restrições aos investimentos governamentais, ou seja, da aceitação de um neoliberalismo tardio.
Porque atuam desta forma? Genival Rabelo deu a resposta: “Um industrial inteligente desta cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro me fez outro dia, esta observação, em forma de desafio: ‘Dou-lhe um doce, se nos últimos cinco anos você pegar uma edição de O Globo que não estampe na primeira página uma notícia qualquer da vida norte-americana, dos feitos norte-americanos, da indústria norte-americana, do desenvolvimento científico norte-americano, das vitórias e bombardeios norte-americanos. A coisa é tão ostensiva que, muita vez, sem ter o que publicar sobre os Estados Unidos na primeira página, estando o espaço reservado para esse fim, o secretário do jornal abre manchete para a volta às aulas na cidade de Tampa, Miami, Los Angeles, Chicago ou Nova Iorque. Você não encontra a volta às aulas em Paris, Nice, Marselha, ou outra cidade qualquer da França, na primeira página de O Globo, porque, de fato, isso não interessa a ninguém. Logo, não pode deixar de haver dólar por trás de tudo isso…’ Outro amigo presente, no momento, e sendo homem de publicidade concluiu, deslumbrado com seu próprio achado: ‘É por isso que O Globo não aceita anúncio para a primeira página. Ela já está vendida. É isso. É isso!’. ‘E muito bem vendida, meu caro – arrematou o industrial – A peso de ouro’ “ (RABELO, p.258, 1966).
Leandro Severo é delegado à Conferência Nacional de Comunicação, Secretário Municipal de Comunicação em São Carlos entre 2007 e 2012 e membro do Partido Pátria Livre.
Referências
COLBY, G; DENNETT, C. Seja feita a vossa vontade: a conquista da Amazônia, Nelson Rockefeller e o evangelismo na idade do Petróleo. Tradução: Jamari França. Rio de Janeiro: Record, 1998.
HERZ, D. A história secreta da Rede Globo. Porto Alegre: Dom Quixote, 2009. Coleção Poder, Mídia e Direitos Humanos.
RABELO, G. O Capital Estrangeiro na Imprensa Brasileira. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1966.
SCHILLER, H. I. O Império norte-americano das comunicações. Tradução: Tereza Lúcia Halliday Petrópolis: Vozes, 1976.
O BRASIL SE REINVENTA, CONTRA AS AVES DE RAPINA
Emir Sader
Tiveram que aguentar, durante mais de 10 anos, que o país mais desigual do continente mais desigual conseguisse diminuir a pobreza, a miséria e a desigualdade, mediante políticas sociais inovadoras. Tiveram que aguentar que um imigrante nordestino, líder sindical, dirigente de um partido de esquerda, se transformasse no maior líder político popular do mundo.
Quando o Brasil enfrenta sua crise atual, com mobilizações populares, enfrentadas pelo governo com diálogo e atendimento de reivindicações, soa o coro dos frustrados – da ultraesquerda incompetente para dirigir qualquer processo minimamente progressista a favor do povo, até a direita, encalacrada com uma crise interminável e devastadora da qual não consegue sair – para atacar o Brasil.
O Brasil não poderia dar certo, senão suas teses de que política social é custo, de que incluir a massa da população na economia é produzir déficit e inflação, de que uma pessoa sem preparação tecnocrática e acadêmica não pode governar melhor que seus bacharéis revelariam suas falácias.
Tudo tem que ter sido uma ilusão – de um “breve” período de 10 anos. O Brasil deveria voltar a ter um modelo centrado no mercado. O Estado não poderia demonstrar que é mais eficiente para reagir à recessão, nem mais justo no atendimento dos direitos da massa da população.
Não poderia dar certo uma política de integração regional e intercâmbio Sul-Sul, ao invés dos subalternos Tratados de Livre Comércio com os EUA. Contrariaria tudo o que os organismos internacionais – a começar pelo FMI, pelo Banco Mundial, pelo governo dos EUA – apregoam.
Todos os incomodados com os avanços do Brasil, do seu modelo econômico e social, da liderança do Lula, fazem coro agora para denunciar a “fantasia” do que teria acontecido nessa década no Brasil, da “farsa” de tudo o que se apregoava sobre o Brasil etc. etc. Juntinhos, ultraesquerda e direita neoliberal.
É preciso que saibam que os dados são inquestionáveis: fazendo o contrário do que eles pregavam, o Brasil resgatou da pobreza mais de 30 milhões de pessoas, diminuiu a desigualdade, retomou o crescimento econômico. Tudo isso a partir da herança maldita dos governos que tinham obedecido os preceitos que levaram a Europa à crise atual, preceitos recomendados por esses mesmos que nos criticam. Esses que, como diz o Lula, achavam que sabiam perfeitamente o que nós deveríamos fazer, e agora não sabem o que fazer nos seus próprios países.
Felizmente o Brasil seguiu a proposta do companheiro do Bolívar: Ou inventamos ou erramos. O Brasil inventou, e contra os prognósticos agourentos de ultraesquerdistas e dos direitistas, viveu uma década de avanços.
Enfrenta uma crise advinda dos próprios avanços. As pessoas querem mais e melhor – e tem razão. Mas ninguém reivindicou emprego, porque o Brasil está na fronteira do pleno emprego.
Esses mesmos se apressaram a fazer comparações do Brasil com o Egito, com a Turquia. Só que aqui a Presidente reagiu com receptividade às demandas e às mobilizações, portanto não temos ditadura, como no caso do Egito, e nem governo autoritário, como no caso da Turquia. Diálogo, e não repressão do governo federal.
Ao contrário do que pregavam os ultraesquerdistas, o governo não se passou para o outro lado da barricada. Deu passos importantes para sair do modelo neoliberal, senão o Brasil estaria mergulhado ainda na recessão do governo FHC ou estaria na mesma situação caótica da Europa. Atendeu às necessidades básicas da massa da população, revertendo e não acentuando o processo de exclusão social. Recuperando o papel do Estado na indução do crescimento econômico e na garantia dos direitos sociais, superando a centralidade do mercado.
E o Brasil não está do lado dos EUA e dos governos da Aliança para o Pacífico, o reduto neoliberal no continente. O Brasil é aliado fiel dos governos da Bolívia, do Uruguai, da Venezuela, da Argentina, do Equador, de Cuba.
A ultraesquerda foi mais uma vez derrotada na conjuntura atual. Ela sabe muito bem apontar as “traições” dos outros, mas esconde sua incompetência em construir alternativas. Onde esses que pretendem julgar tudo e saber tudo conseguiram construir uma alternativa? Acusam os governos da Cristina, do Rafael Correa, do Pepe Mujica, da Dilma, do Maduro, do Evo de serem “traidores”, “neoliberais disfarçados”, mas fracassam em todos os lados. Os povos desses países não lhes dão nenhum apoio, são grupinhos ideológicos isolados do povo.
O Brasil enfrenta um grande desafio, mas não haverá retrocessos, ninguém perderá direitos. O governo Lula tinha enfrentado uma dura crise em 2005, tanto a direita como a ultraesquerda se assanharam e acreditaram que era o fim do governo. Foram surpreendidos pelo apoio popular que as políticas sociais do governo tinham conquistado e deixou frustrados seus adversários, que tinham se aliado contra o governo Lula.
A recessão internacional é outro obstáculo contra o qual o governo Dilma – tal qual fez e saiu vitorioso o governo Lula em 2008 – se vale de todos os recursos – menos cortar recursos sociais e apelar para a recessão – para superar seus efeitos internamente. Uma crise gerada no centro do capitalismo e que nos envia suas pressões recessivas. Em outras crises internacionais, teríamos entrado em profunda e prolongada recessão. Agora sofremos a baixa das demandas externas, mas temos o intercâmbio regional e com o Sul do mundo e temos o mercado interno de consumo popular. Os que dizem que o modelo se esgotou querem que se freie a distribuição de renda e a atenção às necessidades da massa da população – sempre relegada pelos governos da direita.
O Brasil sairá mais forte desta crise, dando de novo um tapa na boca nos urubus – da direita e da ultraesquerda –, como saiu em 2005 e em 2008. O governo está sabendo entender o apelo das ruas, da nova geração de jovens que ingressa na vida política. A campanha eleitoral, levada a cabo pela Dilma e pelo Lula, mostrará que continua a haver uma maioria progressista no Brasil, que quer mais e melhor do que foi feito até aqui e não os retrocessos que a direita deseja.
O Brasil mostra que convive com essas manifestações, sem que o governo federal apele à repressão. Ao contrário, conversa com todos os setores sociais, recolhe suas propostas e busca encontrar as formas políticas de concretizá-las. Fortalece a democracia e dá continuidade à inclusão social com a inclusão política de novas gerações.
O governo se dá conta dos seus erros tecnocráticos, que buscam realizar planos de governo sem levar em conta as condições econômicas e sociais. O povo reivindica mais e melhores serviços públicos, representações políticas legítimas, sem o crivo do poder do dinheiro.
Fantasias foram as vãs promessas de que o neoliberalismo resolveria os problemas das nossas sociedades. Como fracassaram, precisam que os outros – os governos progressistas da América Latina, o Brasil – também fracassem.
Porém, mais uma vez essas aves de rapina, de dentro e de fora do Brasil, da direita e da ultraesquerda, vão ter que se calar. Porque o povo brasileiro não permitirá nenhum retrocesso e a Presidenta do Brasil já reafirmou isso. Não vão poder comemorar que o Brasil retroceda para os níveis de desemprego e de expropriação de direitos sociais que os países que seguiram o receituário neoliberal sofrem.
Mais uma vez vão se surpreender com a capacidade de o Brasil superar de forma progressista e inovadora a crise, de seguir avançando no extraordinário processo de democratização social que viveu na última década, estendendo-a agora à democratização dos meios de comunicação e das representações políticas, com o financiamento público e não do dinheiro privado nas campanhas eleitorais.
O ressentimento contra o sucesso do Brasil volta à tona da parte de quem não tem alternativas nem sequer para seus próprios países, que não sabem resolver a sua crise e os brutais retrocessos sociais e políticos em nas suas casas. E vem daqueles que sempre foram catastrofistas, mas foram sempre derrotados pela realidade e pela rejeição popular.
O Brasil está reinventando seu processo democratizador, sem repressão e sem retrocessos. Com o Lula, com a Dilma e com o apoio do povo brasileiro.
Tiveram que aguentar, durante mais de 10 anos, que o país mais desigual do continente mais desigual conseguisse diminuir a pobreza, a miséria e a desigualdade, mediante políticas sociais inovadoras. Tiveram que aguentar que um imigrante nordestino, líder sindical, dirigente de um partido de esquerda, se transformasse no maior líder político popular do mundo.
Quando o Brasil enfrenta sua crise atual, com mobilizações populares, enfrentadas pelo governo com diálogo e atendimento de reivindicações, soa o coro dos frustrados – da ultraesquerda incompetente para dirigir qualquer processo minimamente progressista a favor do povo, até a direita, encalacrada com uma crise interminável e devastadora da qual não consegue sair – para atacar o Brasil.
O Brasil não poderia dar certo, senão suas teses de que política social é custo, de que incluir a massa da população na economia é produzir déficit e inflação, de que uma pessoa sem preparação tecnocrática e acadêmica não pode governar melhor que seus bacharéis revelariam suas falácias.
Tudo tem que ter sido uma ilusão – de um “breve” período de 10 anos. O Brasil deveria voltar a ter um modelo centrado no mercado. O Estado não poderia demonstrar que é mais eficiente para reagir à recessão, nem mais justo no atendimento dos direitos da massa da população.
Não poderia dar certo uma política de integração regional e intercâmbio Sul-Sul, ao invés dos subalternos Tratados de Livre Comércio com os EUA. Contrariaria tudo o que os organismos internacionais – a começar pelo FMI, pelo Banco Mundial, pelo governo dos EUA – apregoam.
Todos os incomodados com os avanços do Brasil, do seu modelo econômico e social, da liderança do Lula, fazem coro agora para denunciar a “fantasia” do que teria acontecido nessa década no Brasil, da “farsa” de tudo o que se apregoava sobre o Brasil etc. etc. Juntinhos, ultraesquerda e direita neoliberal.
É preciso que saibam que os dados são inquestionáveis: fazendo o contrário do que eles pregavam, o Brasil resgatou da pobreza mais de 30 milhões de pessoas, diminuiu a desigualdade, retomou o crescimento econômico. Tudo isso a partir da herança maldita dos governos que tinham obedecido os preceitos que levaram a Europa à crise atual, preceitos recomendados por esses mesmos que nos criticam. Esses que, como diz o Lula, achavam que sabiam perfeitamente o que nós deveríamos fazer, e agora não sabem o que fazer nos seus próprios países.
Felizmente o Brasil seguiu a proposta do companheiro do Bolívar: Ou inventamos ou erramos. O Brasil inventou, e contra os prognósticos agourentos de ultraesquerdistas e dos direitistas, viveu uma década de avanços.
Enfrenta uma crise advinda dos próprios avanços. As pessoas querem mais e melhor – e tem razão. Mas ninguém reivindicou emprego, porque o Brasil está na fronteira do pleno emprego.
Esses mesmos se apressaram a fazer comparações do Brasil com o Egito, com a Turquia. Só que aqui a Presidente reagiu com receptividade às demandas e às mobilizações, portanto não temos ditadura, como no caso do Egito, e nem governo autoritário, como no caso da Turquia. Diálogo, e não repressão do governo federal.
Ao contrário do que pregavam os ultraesquerdistas, o governo não se passou para o outro lado da barricada. Deu passos importantes para sair do modelo neoliberal, senão o Brasil estaria mergulhado ainda na recessão do governo FHC ou estaria na mesma situação caótica da Europa. Atendeu às necessidades básicas da massa da população, revertendo e não acentuando o processo de exclusão social. Recuperando o papel do Estado na indução do crescimento econômico e na garantia dos direitos sociais, superando a centralidade do mercado.
E o Brasil não está do lado dos EUA e dos governos da Aliança para o Pacífico, o reduto neoliberal no continente. O Brasil é aliado fiel dos governos da Bolívia, do Uruguai, da Venezuela, da Argentina, do Equador, de Cuba.
A ultraesquerda foi mais uma vez derrotada na conjuntura atual. Ela sabe muito bem apontar as “traições” dos outros, mas esconde sua incompetência em construir alternativas. Onde esses que pretendem julgar tudo e saber tudo conseguiram construir uma alternativa? Acusam os governos da Cristina, do Rafael Correa, do Pepe Mujica, da Dilma, do Maduro, do Evo de serem “traidores”, “neoliberais disfarçados”, mas fracassam em todos os lados. Os povos desses países não lhes dão nenhum apoio, são grupinhos ideológicos isolados do povo.
O Brasil enfrenta um grande desafio, mas não haverá retrocessos, ninguém perderá direitos. O governo Lula tinha enfrentado uma dura crise em 2005, tanto a direita como a ultraesquerda se assanharam e acreditaram que era o fim do governo. Foram surpreendidos pelo apoio popular que as políticas sociais do governo tinham conquistado e deixou frustrados seus adversários, que tinham se aliado contra o governo Lula.
A recessão internacional é outro obstáculo contra o qual o governo Dilma – tal qual fez e saiu vitorioso o governo Lula em 2008 – se vale de todos os recursos – menos cortar recursos sociais e apelar para a recessão – para superar seus efeitos internamente. Uma crise gerada no centro do capitalismo e que nos envia suas pressões recessivas. Em outras crises internacionais, teríamos entrado em profunda e prolongada recessão. Agora sofremos a baixa das demandas externas, mas temos o intercâmbio regional e com o Sul do mundo e temos o mercado interno de consumo popular. Os que dizem que o modelo se esgotou querem que se freie a distribuição de renda e a atenção às necessidades da massa da população – sempre relegada pelos governos da direita.
O Brasil sairá mais forte desta crise, dando de novo um tapa na boca nos urubus – da direita e da ultraesquerda –, como saiu em 2005 e em 2008. O governo está sabendo entender o apelo das ruas, da nova geração de jovens que ingressa na vida política. A campanha eleitoral, levada a cabo pela Dilma e pelo Lula, mostrará que continua a haver uma maioria progressista no Brasil, que quer mais e melhor do que foi feito até aqui e não os retrocessos que a direita deseja.
O Brasil mostra que convive com essas manifestações, sem que o governo federal apele à repressão. Ao contrário, conversa com todos os setores sociais, recolhe suas propostas e busca encontrar as formas políticas de concretizá-las. Fortalece a democracia e dá continuidade à inclusão social com a inclusão política de novas gerações.
O governo se dá conta dos seus erros tecnocráticos, que buscam realizar planos de governo sem levar em conta as condições econômicas e sociais. O povo reivindica mais e melhores serviços públicos, representações políticas legítimas, sem o crivo do poder do dinheiro.
Fantasias foram as vãs promessas de que o neoliberalismo resolveria os problemas das nossas sociedades. Como fracassaram, precisam que os outros – os governos progressistas da América Latina, o Brasil – também fracassem.
Porém, mais uma vez essas aves de rapina, de dentro e de fora do Brasil, da direita e da ultraesquerda, vão ter que se calar. Porque o povo brasileiro não permitirá nenhum retrocesso e a Presidenta do Brasil já reafirmou isso. Não vão poder comemorar que o Brasil retroceda para os níveis de desemprego e de expropriação de direitos sociais que os países que seguiram o receituário neoliberal sofrem.
Mais uma vez vão se surpreender com a capacidade de o Brasil superar de forma progressista e inovadora a crise, de seguir avançando no extraordinário processo de democratização social que viveu na última década, estendendo-a agora à democratização dos meios de comunicação e das representações políticas, com o financiamento público e não do dinheiro privado nas campanhas eleitorais.
O ressentimento contra o sucesso do Brasil volta à tona da parte de quem não tem alternativas nem sequer para seus próprios países, que não sabem resolver a sua crise e os brutais retrocessos sociais e políticos em nas suas casas. E vem daqueles que sempre foram catastrofistas, mas foram sempre derrotados pela realidade e pela rejeição popular.
O Brasil está reinventando seu processo democratizador, sem repressão e sem retrocessos. Com o Lula, com a Dilma e com o apoio do povo brasileiro.
segunda-feira, julho 01, 2013
Conhecimento sobre bomba atômica é essencial para o país, dizem especialistas
Publicado pela Folha em 09/09/2009
da Agência Brasil, no Rio
A publicação da pesquisa do físico brasileiro Dalton Girão Barroso sobre o funcionamento do mecanismo de uma bomba atômica representa um trunfo estratégico para o Brasil, segundo especialistas em assuntos militares.
Girão Barroso desenvolveu, em sua tese de doutorado, um modelo matemático que poderia ser aplicado em um artefato nuclear.
O pesquisador de Assuntos Militares da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) Expedito Bastos acredita que ter o conhecimento para produzir uma bomba atômica é uma peça importante de "barganha" no cenário político internacional.
Essa visão é compartilhada pelo coordenador do Núcleo de Estudos Estratégicos da UFF (Universidade Federal Fluminense), Eurico Figueiredo. Segundo ele, saber fazer um artefato nuclear é estratégico para o Brasil, principalmente no contexto da política de defesa nacional, na qual a "dissuasão" tem papel-chave.
"A dissuasão quer dizer o seguinte: você tem uma arma e eu tenho uma outra. Logo, você imagina que não pode apontar sua arma para mim, porque se você apontar minha retaliação será muito forte e, portanto, o custo-benefício do seu ataque não será propício a você", afirmou Figueiredo.
Ambos concordam, no entanto, que há uma distância grande entre ter a capacidade de produzir e efetivamente construir uma bomba atômica. "Nós assinamos diversos tratados que nos impede de fazer isso [produzir a bomba] abertamente. Há um preço a pagar, talvez muito alto, para querer ter uma bomba", disse Expedito Bastos.
Além de ser signatário do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, o Brasil expressa, em sua própria Constituição Federal, que toda atividade nuclear realizada em território nacional deverá ter fins pacíficos.
Figueiredo acredita que o Brasil é um país que vem despontando como um dos principais atores globais e, por isso, deve começar a discutir se deseja ou não integrar o grupo de nações que possuem arsenais nucleares.
"No médio prazo, o Brasil terá que discutir a questão da energia nuclear aplicada a outros fins, que não sejam pacíficos. Por que essa necessidade vai surgir? O Brasil caminha para se tornar um dos dez países mais importantes do mundo. E, na medida em que as grandes potências dispõem também deste artefato, a sociedade brasileira terá que se esclarecer a respeito da conveniência, ou não, de contar com tais armamentos", disse.
O risco do Brasil decidir por investir em pesquisas sobre armas nucleares e produzir tais artefatos, segundo Expedito Bastos, é que o país poderá ser isolado internacionalmente, como ocorreu com o Iraque (durante o regime de Saddam Hussein), a Coreia do Norte e até o Irã --apesar de não ter um programa oficial de armas nucleares, o país é acusado pelos Estados Unidos e Europa de manter um projeto secreto.
da Agência Brasil, no Rio
A publicação da pesquisa do físico brasileiro Dalton Girão Barroso sobre o funcionamento do mecanismo de uma bomba atômica representa um trunfo estratégico para o Brasil, segundo especialistas em assuntos militares.
Girão Barroso desenvolveu, em sua tese de doutorado, um modelo matemático que poderia ser aplicado em um artefato nuclear.
O pesquisador de Assuntos Militares da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) Expedito Bastos acredita que ter o conhecimento para produzir uma bomba atômica é uma peça importante de "barganha" no cenário político internacional.
Essa visão é compartilhada pelo coordenador do Núcleo de Estudos Estratégicos da UFF (Universidade Federal Fluminense), Eurico Figueiredo. Segundo ele, saber fazer um artefato nuclear é estratégico para o Brasil, principalmente no contexto da política de defesa nacional, na qual a "dissuasão" tem papel-chave.
"A dissuasão quer dizer o seguinte: você tem uma arma e eu tenho uma outra. Logo, você imagina que não pode apontar sua arma para mim, porque se você apontar minha retaliação será muito forte e, portanto, o custo-benefício do seu ataque não será propício a você", afirmou Figueiredo.
Ambos concordam, no entanto, que há uma distância grande entre ter a capacidade de produzir e efetivamente construir uma bomba atômica. "Nós assinamos diversos tratados que nos impede de fazer isso [produzir a bomba] abertamente. Há um preço a pagar, talvez muito alto, para querer ter uma bomba", disse Expedito Bastos.
Além de ser signatário do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, o Brasil expressa, em sua própria Constituição Federal, que toda atividade nuclear realizada em território nacional deverá ter fins pacíficos.
Figueiredo acredita que o Brasil é um país que vem despontando como um dos principais atores globais e, por isso, deve começar a discutir se deseja ou não integrar o grupo de nações que possuem arsenais nucleares.
"No médio prazo, o Brasil terá que discutir a questão da energia nuclear aplicada a outros fins, que não sejam pacíficos. Por que essa necessidade vai surgir? O Brasil caminha para se tornar um dos dez países mais importantes do mundo. E, na medida em que as grandes potências dispõem também deste artefato, a sociedade brasileira terá que se esclarecer a respeito da conveniência, ou não, de contar com tais armamentos", disse.
O risco do Brasil decidir por investir em pesquisas sobre armas nucleares e produzir tais artefatos, segundo Expedito Bastos, é que o país poderá ser isolado internacionalmente, como ocorreu com o Iraque (durante o regime de Saddam Hussein), a Coreia do Norte e até o Irã --apesar de não ter um programa oficial de armas nucleares, o país é acusado pelos Estados Unidos e Europa de manter um projeto secreto.
Wikileaks revela gravíssima sabotagem dos EUA contra Brasil com aval de FHC
Obs: Matéria de 2011
Postado em: 23 fev 2011
Telegramas revelam intenções de veto e ações dos EUA contra o desenvolvimento tecnológico brasileiro com interesses de diversos agentes que ocupam ou ocuparam o poder em ambos os países
Os telegramas da diplomacia dos EUA revelados pelo Wikileaks revelaram que a Casa Branca toma ações concretas para impedir, dificultar e sabotar o desenvolvimento tecnológico brasileiro em duas áreas estratégicas: energia nuclear e tecnologia espacial. Em ambos os casos, observa-se o papel anti-nacional da grande mídia brasileira, bem como escancara-se, também sem surpresa, a função desempenhada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, colhido em uma exuberante sintonia com os interesses estratégicos do Departamento de Estado dos EUA, ao tempo em que exibe problemática posição em relação à independência tecnológica brasileira. Segue o artigo do jornalista Beto Almeida.
O primeiro dos telegramas divulgados, datado de 2009, conta que o governo dos EUA pressionou autoridades ucranianas para emperrar o desenvolvimento do projeto conjunto Brasil-Ucrânia de implantação da plataforma de lançamento dos foguetes Cyclone-4 – de fabricação ucraniana – no Centro de Lançamentos de Alcântara , no Maranhão.
Veto imperial
O telegrama do diplomata americano no Brasil, Clifford Sobel, enviado aos EUA em fevereiro daquele ano, relata que os representantes ucranianos, através de sua embaixada no Brasil, fizeram gestões para que o governo americano revisse a posição de boicote ao uso de Alcântara para o lançamento de qualquer satélite fabricado nos EUA. A resposta americana foi clara. A missão em Brasília deveria comunicar ao embaixador ucraniano, Volodymyr Lakomov, que os EUA “não quer” nenhuma transferência de tecnologia espacial para o Brasil.
Leia mais
Wikileaks tira máscara da mídia brasileira e comprova: estão a serviço dos EUA
Conheça o Perfeito Raio-X do cidadão norte-americano
“Queremos lembrar às autoridades ucranianas que os EUA não se opõem ao estabelecimento de uma plataforma de lançamentos em Alcântara, contanto que tal atividade não resulte na transferência de tecnologias de foguetes ao Brasil”, diz um trecho do telegrama.
Em outra parte do documento, o representante americano é ainda mais explícito com Lokomov: “Embora os EUA estejam preparados para apoiar o projeto conjunto ucraniano-brasileiro, uma vez que o TSA (acordo de salvaguardas Brasil-EUA) entre em vigor, não apoiamos o programa nativo dos veículos de lançamento espacial do Brasil”.
Guinada na política externa
O Acordo de Salvaguardas Brasil-EUA (TSA) foi firmado em 2000 por Fernando Henrique Cardoso, mas foi rejeitado pelo Senado Brasileiro após a chegada de Lula ao Planalto e a guinada registrada na política externa brasileira, a mesma que muito contribuiu para enterrar a ALCA. Na sua rejeição o parlamento brasileiro considerou que seus termos constituíam uma “afronta à Soberania Nacional”. Pelo documento, o Brasil cederia áreas de Alcântara para uso exclusivo dos EUA sem permitir nenhum acesso de brasileiros. Além da ocupação da área e da proibição de qualquer engenheiro ou técnico brasileiro nas áreas de lançamento, o tratado previa inspeções americanas à base sem aviso prévio.
Os telegramas diplomáticos divulgados pelo Wikileaks falam do veto norte-americano ao desenvolvimento de tecnologia brasileira para foguetes, bem como indicam a cândida esperança mantida ainda pela Casa Branca, de que o TSA seja, finalmente, implementado como pretendia o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Mas, não apenas a Casa Branca e o antigo mandatário esforçaram-se pela grave limitação do Programa Espacial Brasileiro, pois neste esforço algumas ONGs, normalmente financiadas por programas internacionais dirigidos por mentalidade colonizadora, atuaram para travar o indispensável salto tecnológico brasileiro para entrar no seleto e fechadíssimo clube dos países com capacidade para a exploração econômica do espaço sideral e para o lançamento de satélites. Junte-se a eles, a mídia nacional que não destacou a gravíssima confissão de sabotagem norte-americana contra o Brasil, provavelmente porque tal atitude contraria sua linha editorial historicamente refratária aos esforços nacionais para a conquista de independência tecnológica, em qualquer área que seja. Especialmente naquelas em que mais desagradam as metrópoles.
Bomba! Bomba!
O outro telegrama da diplomacia norte-americana divulgado pelo Wikileaks e que também revela intenções de veto e ações contra o desenvolvimento tecnológico brasileiro veio a tona de forma torta pela Revista Veja, e fala da preocupação gringa sobre o trabalho de um físico brasileiro, o cearense Dalton Girão Barroso, do Instituto Militar de Engenharia, do Exército. Giráo publicou um livro com simulações por ele mesmo desenvolvidas, que teriam decifrado os mecanismos da mais potente bomba nuclear dos EUA, a W87, cuja tecnologia é guardada a 7 chaves.
A primeira suspeita revelada nos telegramas diplomáticos era de espionagem. E também, face à precisão dos cálculos de Girão, de que haveria no Brasil um programa nuclear secreto, contrariando, segundo a ótica dos EUA, endossada pela revista, o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, firmado pelo Brasil em 1998, Tal como o Acordo de Salvaguardas Brasil-EUA, sobre o uso da Base de Alcântara, o TNP foi firmado por Fernando Henrique. Baseado apenas em uma imperial desconfiança de que as fórmulas usadas pelo cientista brasileiro poderiam ser utilizadas por terroristas , os EUA, pressionaram a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que exigiu explicações do governo Brasil , chegando mesmo a propor o recolhimento-censura do livro “A física dos explosivos nucleares”. Exigência considerada pelas autoridades militares brasileiras como “intromissão indevida da AIEA em atividades acadêmicas de uma instituição subordinada ao Exército Brasileiro”.
Como é conhecido, o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, vocalizando posição do setor militar contrária a ingerências indevidas, opõe-se a assinatura do protocolo adicional do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, que daria à AIEA, controlada pelas potências nucleares, o direito de acesso irrestrito às instalações nucleares brasileiras. Acesso que não permitem às suas próprias instalações, mesmo sendo claro o descumprimento, há anos, de uma meta central do TNP, que não determina apenas a não proliferação, mas também o desarmamento nuclear dos países que estão armados, o que não está ocorrendo.
Desarmamento unilateral
A revista publica providencial declaração do físico José Goldemberg, obviamente, em sustentação à sua linha editorial de desarmamento unilateral e de renúncia ao desenvolvimento tecnológico nuclear soberano, tal como vem sendo alcançado por outros países, entre eles Israel, jamais alvo de sanções por parte da AIEA ou da ONU, como se faz contra o Irã. Segundo Goldemberg, que já foi secretário de ciência e tecnologia, é quase impossível que o Brasil não tenha em andamento algum projeto que poderia ser facilmente direcionado para a produção de uma bomba atômica. Tudo o que os EUA querem ouvir para reforçar a linha de vetos e constrangimentos tecnológicos ao Brasil, como mostram os telegramas divulgados pelo Wikileaks. Por outro lado, tudo o que os EUA querem esconder do mundo é a proposta que Mahmud Ajmadinejad , presidente do Irà, apresentou à Assembléia Geral da ONU, para que fosse levada a debate e implementação: “Energia nuclear para todos, armas nucleares para ninguém”. Até agora, rigorosamente sonegada à opinião pública mundial.
Intervencionismo crescente
O semanário também publica franca e reveladora declaração do ex-presidente Cardoso : “Não havendo inimigos externos nuclearizados, nem o Brasil pretendendo assumir uma política regional belicosa, para que a bomba?” Com o tesouro energético que possui no fundo do mar, ou na biodiversidade, com os minerais estratégicos abundantes que possui no subsolo e diante do crescimento dos orçamentos bélicos das grandes potências, seguido do intervencionismo imperial em várias partes do mundo, desconhecendo leis ou fronteiras, a declaração do ex-presidente é, digamos, de um candura formidável.
São conhecidas as sintonias entre a política externa da década anterior e a linha editorial da grande mídia em sustentação às diretrizes emanadas pela Casa Branca. Por isso esses pólos midiáticos do unilateralismo em processo de desencanto e crise se encontram tão embaraçados diante da nova política externa brasileira que adquire, a cada dia, forte dose de justeza e razoabilidade quanto mais telegramas da diplomacia imperial como os acima mencionados são divulgados pelo Wikileaks.
Postado em: 23 fev 2011
Telegramas revelam intenções de veto e ações dos EUA contra o desenvolvimento tecnológico brasileiro com interesses de diversos agentes que ocupam ou ocuparam o poder em ambos os países
Os telegramas da diplomacia dos EUA revelados pelo Wikileaks revelaram que a Casa Branca toma ações concretas para impedir, dificultar e sabotar o desenvolvimento tecnológico brasileiro em duas áreas estratégicas: energia nuclear e tecnologia espacial. Em ambos os casos, observa-se o papel anti-nacional da grande mídia brasileira, bem como escancara-se, também sem surpresa, a função desempenhada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, colhido em uma exuberante sintonia com os interesses estratégicos do Departamento de Estado dos EUA, ao tempo em que exibe problemática posição em relação à independência tecnológica brasileira. Segue o artigo do jornalista Beto Almeida.
O primeiro dos telegramas divulgados, datado de 2009, conta que o governo dos EUA pressionou autoridades ucranianas para emperrar o desenvolvimento do projeto conjunto Brasil-Ucrânia de implantação da plataforma de lançamento dos foguetes Cyclone-4 – de fabricação ucraniana – no Centro de Lançamentos de Alcântara , no Maranhão.
Veto imperial
O telegrama do diplomata americano no Brasil, Clifford Sobel, enviado aos EUA em fevereiro daquele ano, relata que os representantes ucranianos, através de sua embaixada no Brasil, fizeram gestões para que o governo americano revisse a posição de boicote ao uso de Alcântara para o lançamento de qualquer satélite fabricado nos EUA. A resposta americana foi clara. A missão em Brasília deveria comunicar ao embaixador ucraniano, Volodymyr Lakomov, que os EUA “não quer” nenhuma transferência de tecnologia espacial para o Brasil.
Leia mais
Wikileaks tira máscara da mídia brasileira e comprova: estão a serviço dos EUA
Conheça o Perfeito Raio-X do cidadão norte-americano
“Queremos lembrar às autoridades ucranianas que os EUA não se opõem ao estabelecimento de uma plataforma de lançamentos em Alcântara, contanto que tal atividade não resulte na transferência de tecnologias de foguetes ao Brasil”, diz um trecho do telegrama.
Em outra parte do documento, o representante americano é ainda mais explícito com Lokomov: “Embora os EUA estejam preparados para apoiar o projeto conjunto ucraniano-brasileiro, uma vez que o TSA (acordo de salvaguardas Brasil-EUA) entre em vigor, não apoiamos o programa nativo dos veículos de lançamento espacial do Brasil”.
Guinada na política externa
O Acordo de Salvaguardas Brasil-EUA (TSA) foi firmado em 2000 por Fernando Henrique Cardoso, mas foi rejeitado pelo Senado Brasileiro após a chegada de Lula ao Planalto e a guinada registrada na política externa brasileira, a mesma que muito contribuiu para enterrar a ALCA. Na sua rejeição o parlamento brasileiro considerou que seus termos constituíam uma “afronta à Soberania Nacional”. Pelo documento, o Brasil cederia áreas de Alcântara para uso exclusivo dos EUA sem permitir nenhum acesso de brasileiros. Além da ocupação da área e da proibição de qualquer engenheiro ou técnico brasileiro nas áreas de lançamento, o tratado previa inspeções americanas à base sem aviso prévio.
Os telegramas diplomáticos divulgados pelo Wikileaks falam do veto norte-americano ao desenvolvimento de tecnologia brasileira para foguetes, bem como indicam a cândida esperança mantida ainda pela Casa Branca, de que o TSA seja, finalmente, implementado como pretendia o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Mas, não apenas a Casa Branca e o antigo mandatário esforçaram-se pela grave limitação do Programa Espacial Brasileiro, pois neste esforço algumas ONGs, normalmente financiadas por programas internacionais dirigidos por mentalidade colonizadora, atuaram para travar o indispensável salto tecnológico brasileiro para entrar no seleto e fechadíssimo clube dos países com capacidade para a exploração econômica do espaço sideral e para o lançamento de satélites. Junte-se a eles, a mídia nacional que não destacou a gravíssima confissão de sabotagem norte-americana contra o Brasil, provavelmente porque tal atitude contraria sua linha editorial historicamente refratária aos esforços nacionais para a conquista de independência tecnológica, em qualquer área que seja. Especialmente naquelas em que mais desagradam as metrópoles.
Bomba! Bomba!
O outro telegrama da diplomacia norte-americana divulgado pelo Wikileaks e que também revela intenções de veto e ações contra o desenvolvimento tecnológico brasileiro veio a tona de forma torta pela Revista Veja, e fala da preocupação gringa sobre o trabalho de um físico brasileiro, o cearense Dalton Girão Barroso, do Instituto Militar de Engenharia, do Exército. Giráo publicou um livro com simulações por ele mesmo desenvolvidas, que teriam decifrado os mecanismos da mais potente bomba nuclear dos EUA, a W87, cuja tecnologia é guardada a 7 chaves.
A primeira suspeita revelada nos telegramas diplomáticos era de espionagem. E também, face à precisão dos cálculos de Girão, de que haveria no Brasil um programa nuclear secreto, contrariando, segundo a ótica dos EUA, endossada pela revista, o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, firmado pelo Brasil em 1998, Tal como o Acordo de Salvaguardas Brasil-EUA, sobre o uso da Base de Alcântara, o TNP foi firmado por Fernando Henrique. Baseado apenas em uma imperial desconfiança de que as fórmulas usadas pelo cientista brasileiro poderiam ser utilizadas por terroristas , os EUA, pressionaram a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que exigiu explicações do governo Brasil , chegando mesmo a propor o recolhimento-censura do livro “A física dos explosivos nucleares”. Exigência considerada pelas autoridades militares brasileiras como “intromissão indevida da AIEA em atividades acadêmicas de uma instituição subordinada ao Exército Brasileiro”.
Como é conhecido, o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, vocalizando posição do setor militar contrária a ingerências indevidas, opõe-se a assinatura do protocolo adicional do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, que daria à AIEA, controlada pelas potências nucleares, o direito de acesso irrestrito às instalações nucleares brasileiras. Acesso que não permitem às suas próprias instalações, mesmo sendo claro o descumprimento, há anos, de uma meta central do TNP, que não determina apenas a não proliferação, mas também o desarmamento nuclear dos países que estão armados, o que não está ocorrendo.
Desarmamento unilateral
A revista publica providencial declaração do físico José Goldemberg, obviamente, em sustentação à sua linha editorial de desarmamento unilateral e de renúncia ao desenvolvimento tecnológico nuclear soberano, tal como vem sendo alcançado por outros países, entre eles Israel, jamais alvo de sanções por parte da AIEA ou da ONU, como se faz contra o Irã. Segundo Goldemberg, que já foi secretário de ciência e tecnologia, é quase impossível que o Brasil não tenha em andamento algum projeto que poderia ser facilmente direcionado para a produção de uma bomba atômica. Tudo o que os EUA querem ouvir para reforçar a linha de vetos e constrangimentos tecnológicos ao Brasil, como mostram os telegramas divulgados pelo Wikileaks. Por outro lado, tudo o que os EUA querem esconder do mundo é a proposta que Mahmud Ajmadinejad , presidente do Irà, apresentou à Assembléia Geral da ONU, para que fosse levada a debate e implementação: “Energia nuclear para todos, armas nucleares para ninguém”. Até agora, rigorosamente sonegada à opinião pública mundial.
Intervencionismo crescente
O semanário também publica franca e reveladora declaração do ex-presidente Cardoso : “Não havendo inimigos externos nuclearizados, nem o Brasil pretendendo assumir uma política regional belicosa, para que a bomba?” Com o tesouro energético que possui no fundo do mar, ou na biodiversidade, com os minerais estratégicos abundantes que possui no subsolo e diante do crescimento dos orçamentos bélicos das grandes potências, seguido do intervencionismo imperial em várias partes do mundo, desconhecendo leis ou fronteiras, a declaração do ex-presidente é, digamos, de um candura formidável.
São conhecidas as sintonias entre a política externa da década anterior e a linha editorial da grande mídia em sustentação às diretrizes emanadas pela Casa Branca. Por isso esses pólos midiáticos do unilateralismo em processo de desencanto e crise se encontram tão embaraçados diante da nova política externa brasileira que adquire, a cada dia, forte dose de justeza e razoabilidade quanto mais telegramas da diplomacia imperial como os acima mencionados são divulgados pelo Wikileaks.
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