sexta-feira, setembro 30, 2011

Horizonte do planejamento de aeroportos é 2041, afirma Dilma


Presidente discursou para empresários durante fórum em São Paulo. Segundo ela, aeroportos não são só para Copa, mas ‘para nós mesmos’.

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta (30), em São Paulo, em discurso para empresários no Exame Fórum 2011, da revista “Exame”, que o planejamento do governo para as concessões de aeroportos brasileiros tem como horizonte os anos de 2041 e 2031.

Segundo ela, o objetivo não é só assegurar aeroportos em condições de atender ao movimento que será gerado pela Copa do Mundo de 2014 e pelas Olimpíadas de 2016. “Não é sobretudo para isso que o governo federal e o setor privado têm que fazer aeroportos. Nós temos que fazer aeroportos para nós mesmos”, afirmou.

“Hoje, nós estamos fazendo em três aeroportos um planejamento para 2041. É no horizonte de 2041 que nós iremos fazer algumas das concessões dos aeroportos; outras até 2031″, declarou, sem entrar em detalhes quais seriam esses aeroportos.

Nesta sexta-feira (30), está prevista a divulgação da minuta dos editais de concessão dos aeroportos de Brasília, Guarulhos e Viracopos pela Secretaria de Aviação Civil.

Em um discurso de improviso, a presidente defendeu o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a redução de custos para o investidor privado.

Afirmou também que o governo faz um esforço para obter os menores preços nas obras de infraestrutura e que a parceria entre os setores público e privado são um caminho para isso. “Nós precisamos buscar essa parceria público-privada porque é a forma de eficientizar e tornar mais baratoo custo dos investimentos”, disse.

Juros

Dilma disse ter a expectativa de que a taxa básica de juros da economia, a Selic, entre em um ciclo declinante em razão da “forma cautelosa” que o Banco Central, segundo ela, está operando.

“Nós esperamos iniciar um ciclo de redução da taxa básica. Obviamente isso só será possível dado as condições internas e externas [...]. Vai baixar, se for possível. Quanto mais a deflação ameaçar a economia mundial, produzindo queda dos preços, quanto mais a situação financeira ficar grave, desta vez nós vamos aproveitar uma parte, porque nós iremos levar as condições monetárias do nosso país a um nível que a conjuntura internacional permitir”, afirmou.

Crise internacional

Ela disse ter “a consciência” de que a crise internacional tem “forte poder de contágio”, mas, segundo afirmou, desta vez o Brasil está em “posição diferente” devido ao nível das reservas internacionais do país, “muito maiores que em 2008″.

“Sabemos que não somos uma ilha”, disse a presidente. Mas ressalvou que o governo tem os elementos para “construir as muralhas” que permitam que a economia brasileira seja menos atingida pela crise.

“A questão da crise e da oportunidade se coloca diante de nós. Vai haver redução grande da demanda por produtos. Nós sabemos que a instabilidade tem grande poder de contágio. Nós temos setor financeiro sólido e regulamentação adequada. Além isso, temos reservas muito maiores que em 2008. O Brasil está em situação muito diferente dos países desenvolvidos, que cada vez mais tem menos recursos fiscais. Mas não achamos que somos uma ilha isolada do mundo [...]. Nós estamos alertas.”

“Crise e oportunidade, na história internacional, sempre vieram casados - não oportunidade para aproveitar o sofrimento de ninguém, mas para construir e ocupar o lugar que nós merecemos”, completou.

Dilma ainda citou a perspectiva de um “vale-tudo” na economia mundial em relação ao que ela disse considerar um “descontrole” nos mercados financeiros de “vários países”.

“Nós não vamos temer o vale-tudo do processo de competição internacional nascido do fato de que os mercados financeiros estão completamente fora de controle em vários países e por isso espalha prejuízos e angústia para a maioria das nações”.

Reiterou que o país não defenderá a “proteção pela proteção”, citando a elevação de tributos sobre produtos importados, sobretudo a alta do IPI sobre automóveis, mas que quer “lutar pela competitividade” com investimentos internos e produção tecnológica. “Nós não vamos, para defender nossa competitividade, nem achatar salários, nem precarizar o mercado de trabalho ou manipular a taxa de câmbio”, disse.

Indústria naval

Ela defendeu a manutenção dos investimentos na indústria naval, que, segundo afirmou, “tinha desaparecido.

“Nós que temos essa bênção de possuir esse país rico, e termos encotnrado no pré-sal o nosso petróleo, nós temos que ter um compromisso com a garantia de que a nossa indústria se transformará em uma indústria naval com componente nacional significativo. [...] Nós puxamos a indústria naval pelos cabelos, porque ela tinha desaparecido”, afirmou.

Fonte: G1, Por Tai Nalon e Roney Domingos

Foto: Júlia Chequer/R7

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